Cosco Shipping estabelece aliança de inovação em embarcações eléctricas

A maior companhia marítima da China, Cosco Shipping Group, e a sua unidade, Cosoc Shipping Development, iniciaram em conjunto a criação da China Electric Vessel Innovation Alliance.

Os membros da aliança são de vários sectores, abrangendo sistema de propulsão eléctrica, projecto e construção de embarcações, operação de portos e terminais, instituições científicas, fornecedores de baterias de energia eléctrica, investimento e financiamento da indústria. Com o objectivo de promover o desenvolvimento verde e de carbono zero para a indústria naval, a aliança fortalecerá as comunicações e a colaboração entre os membros.

Baixo carbono e carbono zero é o curso inevitável para o desenvolvimento da indústria de transporte global, e a criação da Electric Vessel Innovation Alliance será útil para integrar recursos da cadeia da indústria de transporte marítimo verde e promover conjuntamente o estabelecimento de padrões para embarcações verdes, disse Huang Xiaowen, Vice-gerente geral do Cosco Shipping Group.

MSC junta-se à onda de desmantelamento de navios.

A MSC vai descartar um porta-contentores pela primeira vez em quase quatro anos, já que as desmantelamentos no sector continuam a aumentar no meio de um mercado de frete sem brilho.

A Linerlytica informou que o MSC Floriana de 1.911 TEU, construído em 1986, servindo o serviço intra-mediterrâneo do gigante ítalo-suiço, foi vendido por 4,26 milhões€ para reciclagem em Alang, na Índia.

Os bancos de dados demonstram que a MSC adquiriu o MSC Floriana por 25 milhões de dólares em setembro de 1994, antes de vendê-lo para a Niki Shipping por um preço não revelado em dezembro de 2019. 

Brigada do Mar retirou 4 toneladas de resíduos das praias de Mira a Quiaios .

A associação ambiental Brigada do Mar promoveu uma acção de recolha de lixo entre Mira e Quiaios/ Murtinheira.

Em quatro dias vários voluntários recolheram cerca de 4 toneladas de resíduos, distribuídos entre lixo, tufos de cordas gigantescos e até uma infeliz baleia de bico morta.

A Brigada do Mar agradece a colaboração da Yamaha Motor (motos 4), capitania da Figueira da Foz e Aveiro e municípios de Cantanhede, Figueira da Foz e Mira.

A Brigada do Mar é uma ONGD (Organização Não Governamental para o Desenvolvimento) portuguesa. Foi formalmente constituída em 2012, apesar de desenvolver a sua actividade desde 2008.

A associação tem como fim principal a descontaminação da orla costeira, desenvolvendo e implementando acções e eventos que visam a protecção da biodiversidade, actividades relacionadas com a reciclagem e campanhas de sensibilização, de modo a alertar a sociedade em geral para o flagelo que é o lixo marinho, incentivando os cidadãos a juntarem-se à Brigada do Mar, individualmente, ou através da sua própria organização.

Fungo transforma plásticos de oceanos em componentes para farmacêuticos

Um estudo publicado na revista alemã Angewandte Chemie destacou o potencial de um fungo para transformar resíduos plásticos dos oceanos em componentes para produtos farmacêuticos. Segundo o artigo, promovido pela Sociedade Química Alemã, essa químico-biológica para a conversão do polietileno é feita por um fungo comum do solo chamado Aspergillus nidulans, que foi geneticamente alterado.

Primeiro, os investigadores induziram a digestão de polietilenos usando oxigénio e alguns catalisadores de metal. Em seguida, longas cadeias de átomos de carbono resultantes dos plásticos decompostos foram alimentadas com fungos Aspergillus geneticamente modificados. Os fungos, conforme projectados, metabolizaram numa série de compostos farmacologicamente activos.

Os cientistas explicam que em outros métodos, o fungo pode digerir o material, mas leva meses, uma vez que os plásticos são muito difíceis de decompor. No entanto, a técnica descoberta promove a decomposição dos plásticos rapidamente: numa semana, já é possível ter o produto final.

“Acontece que os fungos produzem muitos compostos químicos, e eles são úteis para o fungo na medida em que inibem o crescimento de outros organismos. Esses compostos não são necessários para o crescimento do organismo, mas ajudam a protegê-lo ou a competir com outros organismos”, explicam os investigadores.

O grupo afirmou que sequenciou os genomas de vários fungos e pode reconhecer as assinaturas de grupos de genes que produzem compostos químicos. “Podemos mudar a expressão dos genes, removê-los do genoma, fazer todos os tipos de coisas com eles. Vimos que havia muitos desses aglomerados de genes de metabólitos secundários e os nossos procedimentos de direccionamento de genes nos permitiram, pelo menos a princípio, a activar alguns deles”, disseram.

Os especialistas ressalvam o problema da aacumulação e plásticos no meio ambiente,  e estudos como este procuram transformar o poluente em algo útil, dentro do processo.

Marinha apresenta projetos no âmbito do Plano de Recuperação e Resiliência

Decorreu ontem, na Base Naval de Lisboa, no Alfeite, a apresentação da Plataforma Naval Multifuncional e as componentes do Centro de Operações de Defesa do Atlântico, os dois projectos que obtiveram financiamento no âmbito do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR).

​​​​​O evento contou com a presença do Secretário de Estado da Defesa Nacional, Marco Capitão Ferreira, do Chefe do Estado-Maior da Armada, Almirante Henrique Gouveia e Melo, entre outras entidades.

O PRR contempla um conjunto de investimentos relevantes no mar e geridos pela Marinha. Enquadrada na dimensão Transição Climática, a Componente 10 – Mar do PRR inclui o investimento TC-C10-i03, designado por Centro de Operações de Defesa do Atlântico e Plataforma Naval e subdivide-se em três pilares distintos, sendo o Pilar I – Plataforma Naval e o Pilar II – Centro de Operações, materializados com o envolvimento direto da Marinha.

A Zona Livre Tecnológica (ZLT) Infante D. Henrique, sediada no CEOM, é uma aposta inovadora da Marinha Portuguesa que visa criar o ambiente de colaboração entre a indústria, a academia e de cooperação internacional com o intuito de testar em ambiente real e em mar aberto, sistemas e tecnologias emergentes, utilização de veículos não tripulados, novos materiais e inteligência artificial.

O protector solar pode destruir oceanos e matar peixes?

Recomendado pela sua capacidade de proteger a pele de raios ultravioletas, o protector solar é responsável, por outro lado, por poluir recifes e contribuir para a mortalidade de corais. Em 2022, um estudo publicado na revista Science identificou que as anêmonas-do-mar também reagem à oxibenzona, um dos principais compostos do protector solar ligados a acções nocivas à vida marinha, alterando a composição química e provocando alterações no metabolismo desses animais.

Investigadores e cientistas não conseguem precisar o nível de risco e de exposição a que esses corais estão submetidos. No entanto, o entendimento da comunidade científica é de que há um grande volume de protector solar em lugares principalmente turísticos na temporada de verão.

Além da oxibenzona, o metoxicinamato de etila é também conhecido por ter efeito na vida marinha, por meio de evidências científicas. Nos recifes de corais, o ecossistema mais produtivo do mundo, outros animais são afectados directa ou indirectamente, tais como peixes, ouriços, tartarugas e estrelas. Algumas espécies podem, inclusive, perder seus habitats.

O principal efeito nos corais de recifes é o branqueamento, causado pela expulsão das zooxantelas simbióticas, algas endossimbiontes que esses organismos trazem consigo. Por causa dessa separação, e consequentemente do branqueamento, há uma perda de fornecimento de material orgânico que serve de alimento para os corais. Sem a capacidade de se alimentar de outra maneira, eles podem morrer.

De qualquer forma o branqueamento acaba sendo uma resposta de um stress gerado pela exposição a determinados protectores solares, que ainda encontram-se no mercado e possuem substâncias que efectivamente são comprovadamente tóxicas aos corais.

Além das anêmonas-do-mar e dos corais, todos os organismos marinhos com a superfície corporal translúcida têm o potencial de absorver compostos dos protectores solares internamente no organismo e isso gera uma reacção.

Pescadores em Viana contra áreas de exploração de energias renováveis no mar

Cerca de 15 associações de pescadores do país reúnem-se amanhã, em Viana do Castelo, para tomar uma posição conjunta sobre as cinco áreas de exploração de energias renováveis no mar, actualmente em consulta pública.

“Convocamos uma reunião com todas as associações do país […]. Nós teremos que ir até ao tribunal europeu se for necessário, porque é impossível acabarem com a pesca no país. É uma coisa do outro mundo”, afirmou à agência Lusa o assessor da VianaPesca, Francisco Portela Rosa.

Em causa está a consulta pública da proposta de criação de cinco áreas de exploração de energias renováveis no mar, ao largo de Viana do Castelo, Leixões, Figueira da Foz, Ericeira-Cascais e Sines, que começou em 30 de janeiro e termina em 10 de março.

Figueira da Foz é proposta para a maior área de instalação de parques eólicos, com 1.237 quilómetros quadrados (km2) e potencial para até quatro gigawatts (GW) de capacidade, seguida por Viana do Castelo (663km2 e 2GW), Sines (499km2 e 1,5GW), Leixões (463,36km2 e igualmente 1,5GW) e Ericeira e Sintra/Cascais (300 km2 e 1GW).

Segundo Francisco Portela Rosa, em março de 2022, a VianaPesca contestou o contrato para ordenamento do espaço marítimo ao largo de Viana do Castelo e, em dezembro do mesmo ano, apresentou “oposição” à proposta de portaria que delimita a Zona Livre Tecnológica (ZLT), ao largo de Viana do Castelo, criada entre o atual parque Windfloat até à zona do Farol de Montedor, em Carreço.

No passado dia 28 de janeiro, o Governo deu mais 10 dias de consulta pública do projeto de delimitação da ZLT de Viana do Castelo, para inovação e desenvolvimento da produção de eletricidade com energias renováveis de fonte ou localização oceânica. O projecto de portaria que delimita a Zona Livre Tecnológica de energias renováveis de origem ou localização oceânica ao largo de Viana do Castelo foi, em 18 de novembro do ano passado, submetido a consulta pública, por aviso conjunto dos ministérios da Economia e do Mar e do Ambiente e da Energia, que deu um prazo para sugestões de 30 dias a contar do dia da publicação do aviso. Os dois ministérios determinaram a abertura de consulta pública, “pelo período complementar de 10 dias”, da portaria que delimita a zona de economia azul sustentável ao largo de Viana do Castelo.

 ZLT vai ficar localizada junto ao projeto Windfloat Atlantic, o primeiro parque eólico flutuante da Europa continental. O parque com tecnologia Windfloat é composto por três plataformas flutuantes que sustentam turbinas com capacidade instalada de 25 megawatts (MW), ligado a um cabo de 18 quilómetros, instalado a 100 metros de profundidade no fundo do mar, com capacidade para receber 200 MW de energia renovável. Segundo o responsável da VianaPescas, com cerca de 450 associados desde a Figueira da Foz, distrito de Coimbra, a Caminha, no Alto Minho, os pescadores têm “constatado que a cerca de uma milha do parque a fauna desapareceu. “O peixe desapareceu nestas zonas”, frisou.
Em 2019, foi decidida uma compensação financeira de meio milhão de euros às 28 embarcações de pesca local afectadas pela interdição da pesca na envolvente (0,5 quilómetros de cada lado) do cabo submarino, com cerca de 17 quilómetros de extensão, que liga o parque eólico flutuante à rede, instalada em Viana do Castelo.

Lançado novo portal para o conceito de chegada “Just in Time”

A Global Industry Alliance to Support Low Carbon Shipping (Low Carbon GIA) lançou um portal de acesso gratuito para apoiar a implementação das chegadas “Just in Time” (JIT).

O Portal fornece aos sectores portuário e marítimo uma visão geral do conceito de chegadas JIT, incluindo os principais benefícios e etapas gerais que podem ser tomadas para a sua implementação, além de recursos-chave desenvolvidos pelo Low Carbon GIA e outras organizações internacionais, como a Força-Tarefa Internacional para Otimização de Chamadas em Portos (ITPCO). O portal JIT pode ser acessado aqui. O portal será actualizado regularmente com novos desenvolvimentos e informações e recursos disponíveis. No futuro, também serão publicadas no portal entrevistas com stakeholders de portos que implementaram o JIT com sucesso, onde os usuários poderão ouvir as suas experiências e conhecimentos sobre a implementação prática do conceito. A chegada “Just in Time” (JIT) permite que os navios optimizem a velocidade durante a viagem para chegar ao porto quando o cais, o canal navegável e os serviços náuticos estiverem disponíveis. Isso torna o JIT uma ferramenta importante para reduzir as emissões de gases de efeito estufa (GEE) dos navios. 

Porto de Lisboa investe em nova tecnologia para “melhorar segurança e eficiência”

O Porto de Lisboa anunciou que vai passar a utilizar uma nova plataforma tecnológica para gerir com mais eficiência e com menor risco as entradas e saídas de navios.

A nova plataforma tecnológica utilizada pelo Porto de Lisboa, a Aquasafe, “também ajuda a diminuir tempos de implementação e custos operacionais”, segundo um comunicado.

A Aquasafe foi desenvolvida pela Hidromod e faz a gestão de dados e modelos numéricos, permitindo ao Porto de Lisboa “dispor de um sistema operacional que faz a gestão de dados e previsões meteo-oceanográficas, que garantem maior rigor na gestão de riscos”.

A nova plataforma “irá utilizar um serviço de simulação de deriva de derrames de hidrocarbonetos que ajuda na gestão de eventuais acidentes no mar”.

O comandante Rui Nunes, director de Segurança, Pilotagem e Operações Portuárias, afirmou que a plataforma deverá “aumentar a eficiência da navegação dentro do porto e das manobras de entrada e saída, tendo sempre em conta os imperativos de segurança da navegação”.

José Chambel Leitão, gerente da Hidromod, destacou a importância deste contrato para a empresa, indicando que “a Hidromod já fornece serviços semelhantes com a plataforma Aquasafe aos portos de Viana do Castelo, Leixões, Aveiro e Setúbal”.

A plataforma Aquasafe suporta operações em portos, aquaculturas, empresas de águas e serviços públicos. As suas primeiras implementações foram em 2009 e 2010 para a SIMTEJO (actualmente Águas do Tejo Atlântico), para a Central Térmica de Sines da EDP e para o Porto de Setúbal.

Porto de Aveiro: 5G permite gerir cargas em tempo real e de forma mais eficiente

Já são conhecidos os resultados preliminares da prova de conceito de gestão de carga instalada no Porto de Aveiro desde o ano passado. Recorrendo ao potencial da rede privada 5G da Vodafone e a inovações tecnológicas implementadas pela Ericsson – soluções de digital twin (gémeo digital), realidade aumentada e realidade virtual –, este projeto piloto promete contribuir para um melhor planeamento, monitorização e gestão da carga em tempo real (neste caso, bobinas destinadas à indústria metalúrgica), optimizando a pegada ambiental, a eficiência, a segurança e a rentabilidade das operações no Porto de Aveiro.
Com esta tecnologia, os operadores portuários podem identificar, em tempo real, a posição de toda a carga no armazém e conduzir as operações de carga e armazenamento através de tablets com realidade aumentada. A solução representa um “ganho significativo” para todos os agentes envolvidos não só com a redução do tempo de descarga, mas também do consumo de combustível, assegura Nuno Roso, diretor de serviços digitais da Ericsson Portugal.
Por outro lado, a disponibilização de um “gémeo digital” – uma réplica do armazém em tempo real construída com informações recolhidas a partir da carga, do plano de carga, dos fretes e dos veículos. Além de usar um algoritmo logístico especializado para organizar e posicionar os fretes, com óculos de realidade virtual será possível simular uma operação de carga completa, verificando fretes e a sua posição e definindo a melhor estratégia para a operação. 
No Porto de Aveiro, e de acordo com os indicadores de performance analisados, esta operação permitiu um aumento de 10% no número de itens descarregados por hora e uma redução, também em 10%, do tempo que demora a descarregar cada navio. Da análise dos resultados preliminares notou-se, ainda, a redução, em 8%, do tempo necessário para a utilização da empilhadora, bem como a redução, para um terço, do tempo necessário para registar dados do frete do navio na base de dados. No que concerne ao tempo de registo e colocação de carga no armazém, ou seja, o processo desde que a carga é registada no cais até ser corretamente colocada no armazém, esta prova de conceito permitiu uma melhoria de 14%. Finalmente, é de destacar um reforço de 50% do número de dados carregados na base, com possibilidade de colocar nova informação – localização, orientação de posição, empilhamento e estado dos fretes – para acelerar as operações.
 
Esta infraestrutura, que já havia sido estudada e testada no porto de Livorno (Itália), é “muito relevante” para um porto como o de Aveiro, já que “acrescenta valor e previsibilidade às operações, traz ganhos de eficiência (económica e ambiental) e melhora também, por arrasto, a competitividade das empresas que dependem das cargas do porto para a sua actividade”, pode ler-se num comunicado da Vodafone.