Estas são as melhores do Mundo e uma é em Portugal.

A lista das melhores praias do mundo faz parte do Travelers’ Choice Awards do Tripadvisor, sendo estabelecida com base em milhões de avaliações enviadas por viajantes ao longo de 2022.

Posteriormente, o Tripadvisor analisa a qualidade e a quantidade de avaliações de modo a determinar as classificações.

A Europa tem três praias no top 10 de 2023 – Reynisfjara Beach em Vik, Islândia, no 4º lugar, Praia da Falésia em Olhos de Água, Portugal, no 6º lugar e a italiana Spiaggia dei Conigli no 8º lugar. Apenas uma delas também apareceu no top 10 de 2022 – Spiaggia dei Conigli na Sicília foi o 10º em 2022.

As 10 melhores praias do mundo para 2023

1. Baía do Sancho – Fernando de Noronha, Brasil

2. Eagle Beach – Aruba, Caribe

3. Cable Beach – Broome, Austrália

4. Reynisfjara Beach – Vik, Islândia

5. Grace Bay Beach – Turks e Caicos, Caribe

6. Praia da Falésia – Olhos de Água, Portugal

7. Praia Radhanagar – Ilha Havelock, Índia

8. Spiaggia dei Conigli – Sicília, Itália

9. Praia Varadero – Cuba, Caraíbas

1 0. Praia Ka’anapali – Maui, Havai

Efeito da China-Russia vs. EUA-UE no Shipping

A consultoria Drewry, sediada no Reino Unido, destacou os efeitos da agitação geopolítica no transporte de contentores num relatório divulgado na passada terça-feira. 

De acordo com Drewry, o “jogo de rancor entre superpotências” entre os EUA e a China “chegou a um ponto de ebulição pela invasão da Ucrânia pela Rússia”, com o presidente russo Vladimir Putin “um fantoche útil para a China” que “pode ajudar a ampliar o cisma geopolítico e trazer mais países para o lado [da China].” 

A geopolítica está aumentando o foco no “friend-shoring” – comércio de contentores entre países confiáveis ​​que partilham valores comuns. “Se o friend-shoring se tornar o modelo comercial padrão, os armadores precisarão começar a pensar criativamente sobre como podem continuar a servir os dois lados da divisão”, disse Drewry. “Também colocará países como Vietname e Índia numa situação muito difícil. Eles estão compreensivelmente tentando jogar nos dois lados no momento. Mas chegará um momento em que a China ou os EUA decidirão por si mesmos se são um deles ou não”. 

O padrão da “rivalidade parcial” visto nos mercados de navegação hoje, pode evoluir para uma “rivalidade total”, sem ninguém mais capaz de jogar no meio. A  divisão da frota observada no transporte de navios-tanque também é aparente, embora em grau muito menor, no transporte de contentores. Quase todas as linhas de transporte de contentores, com a notável excepção da MSC, deixaram de servir os portos russos logo após a invasão da Ucrânia. Outros operadores de navios estão agora preenchendo as lacunas deixadas pelos transportadores marítimos que partiram. 

“A MSC continua negociando com a Rússia – e com Nova York. É interessante como eles podem fazer isso”, disse Clemens Toepfer, director administrativo da correctora de navios Toepfer Transport, durante o 17º Fórum Anual de Transporte Internacional da Capital Link, realizado recentemente em Nova York. 

A partida de outras transportadoras estimulou uma maior actividade no mercado de navios porta-contentores de segunda mão, semelhante à compra de navios-tanque mais antigos para transferência para a frota paralela.

“Há interesse de compra para substituir os navios retirados do mercado”, disse Toepfer, que relatou que “cerca de metade do interesse de compra de navios porta-contentores é apoiado pelo comércio para a Rússia – compradores da Turquia, Dubai e China que estão procurando activamente aquela área”.

A agitação geopolítica representa um alto risco para a procura futura de transporte de contentores. O reshoring da manufactura para os EUA e o nearshoring para o México reduziriam os volumes transpacíficos. Além disso, o transporte de contentores está mais exposto ao PIB global, que os economistas argumentam que será afectado negativamente pela rivalidade geopolítica versus cooperação multilateral. 

George Youroukos, presidente da Global Ship Lease (NYSE: GSL), disse no fórum Capital Link: “Para prever [o futuro] do transporte de contentores, você vê qual é a oferta de navios e olha para a economia mundial. Conhecemos o livro de pedidos. O desconhecido é a economia mundial.” E as consequências de uma guerra envolvendo a China seriam tão extremas ou mais extremas para o transporte de contentores.

 “Como é que se pega na proporção do comércio global que passa pelo Mar da China Meridional hoje e se diz: ‘Ok, vamos parar com isso porque há uma guerra real acontecendo?’”, disse Paul Bingham, director de consultoria de transporte na S&P Global, em entrevista à FreightWaves no ano passado. A América continua extremamente dependente das importações em contentores da China. Dados alfandegários dos EUA mostram que as importações da China representaram 30% do total das importações dos EUA em 2022.

Ainda há muita incerteza neste ano, e os primeiros dados não são muito claros em qual será a principal tendência.

Submarino Arpão parte para viagem inédita pelo Atlântico

O NRP Arpão vai zarpar hoje de Lisboa rumo a Mindelo. A missão Mar Aberto vai durar 120 dias e é inédita.

O submarino português vai passar pelo Rio de Janeiro, pela Cidade do Cabo, por Luanda e por Casablanca. 

Durante a viagem, o Arpão vai recolher informações para a NATO e parceiros europeus sobre narcotráfico e outras actividades ilícitas, principalmente no Golfo da Guiné. 

Os trinta e cinco tripulantes vão regressar a Lisboa a 1 de agosto.

Orca Lolita vai ser libertada depois de mais de 50 anos de cativeiro

Animal foi capturado em 1970, no Oceano Pacífico, quando tinha apenas quatro anos

A orca Lolita, que vive em cativeiro há mais de 50 anos nos Estados Unidos, vai ser libertada. A decisão é o resultado de anos de luta de organizações de defesa dos animais contra o parque aquático de Miami, o Seaquarium.

O animal foi capturado em 1970, no Oceano Pacífico, quando tinha apenas quatro anos e desde 1980 que não convive com outra orca.

A nova administração do parque aquático de Miami concordou agora devolver Lolita ao seu habitat natural no espaço de dois anos. Até lá vai ser monitorizada e vai aprender a sobreviver sozinha sem cuidadores para a alimentar.

Ainda não há uma decisão final sobre onde libertar a orca, mas uma das hipóteses em cima da mesa é devolvê-la às águas onde a família ainda nada.

Fafedry apresenta projeto para reduzir microfibras têxteis no mar

A Fafedry, empresa de tinturaria e acabamentos para peças de vestuário, denim e têxteis-lar, acaba de lançar as bases de um novo projecto, a que chamou CARE4Ocean – e que tem como finalidade reduzir as microfibras têxteis que vão parar aos oceanos. O projecto está ainda a dar os primeiros passos em ambiente interno, seguindo-se depois a identificação de parceiros como universidades e centros tecnológicos para levar a ideia mais longe.

Sendo a lavagem de tecidos sintéticos, uma das principais fontes de poluição dos oceanos por microplásticos, a empresa de Fafe compromete-se a fazer parte da solução ao “quantificar as microfibras têxteis retidas em processos de lavagem industrial, se possível por tipo de materiais e tipologia de produto”, refere Rui Pedro Freitas, do departamento de Marketing e Sustentabilidade da Fafedry.

“Esperamos com este projecto contribuir para a sensibilização de marcas e consumidores para esta questão”, sublinha, confirmando parte da solução: “as grandes marcas de retalho poderiam reduzir a poluição de microplásticos numa fase inicial do ciclo de vida dos produtos, submetendo-os a processos de lavagem industrial antes de os colocar à venda no mercado”, aponta. “Já fazemos essas lavagens industriais para algumas empresas, temos já equipamentos para a recolha permanente destes resíduos, queremos agora medir estas recolhas, quantificá-las e dar-lhes o devido tratamento”, conclui.

Governo regional cria comissão para gerir mar dos Açores

O presidente do Governo dos Açores, José Manuel Bolieiro, anunciou a criação de uma comissão interdepartamental com o objetivo de emitir diretrizes políticas “fundamentais” que permitam liderar a fase final da rede de áreas marinhas protegidas do arquipélago.

“Encontrando-se este processo participativo num momento crucial, agora também o reforço orgânico pela coordenação e mediação das relações entre os diferentes departamentos do Governo Regional se tornam preponderantes”, realçou o chefe do executivo de coligação (PSD, CDS-PP e PPM), na sessão de abertura da Semana das Pescas, que teve início na Horta.

O governante social-democrata garantiu que a região irá definir, até ao final do ano, a nova rede de áreas marinhas protegidas a criar no mar dos Açores, para que o executivo possa atingir a meta da União Europeia, de ter 30% do mar açoriano protegido, sendo 15% totalmente interdito à extracção.

“Com base em informação científica sólida e em estreita ligação com os nossos utilizadores do mar, continuaremos a liderar pelo exemplo, com diálogo”, assegurou José Manuel Bolieiro, acrescentando que a “gestão eficiente” da utilização dos recursos marinhos, assume-se como um “factor crítico” para a sustentabilidade e competitividade da região.

O presidente do Governo Regional aproveitou a ocasião para responder às preocupações já manifestadas pela Federação de Pescas dos Açores, que exigiu recentemente um reforço dos apoios comunitários para os pescadores e armadores que sejam obrigados a abandonar a actividade, por via do aumento de áreas marinhas no arquipélago.

“Estando cientes dos possíveis impactos no sector da pesca, relacionados com o incremento das novas áreas de protecção, o Governo, a seu tempo, reforçará meios que visem apoiar a redução dos custos de contexto da actividade”, adiantou o chefe do executivo, ressalvando que as novas áreas de protecção, não devem ser vistas como uma “temerária restrição ao desenvolvimento económico”.

José Manuel Bolieiro garantiu, por outro lado, que os Açores vão adquirir um navio de investigação oceanográfica que estará ao serviço da Região, e adiantou que o executivo vai investir “mais de seis milhões de euros” para instalar equipamento científico nessa embarcação.

“Vamos propor alocar mais de seis milhões de euros para aquisição de módulos de equipamento científico, destinados a especializar as capacidades desse futuro navio de investigação oceanográfica ao serviço dos Açores”, frisou o governante.

O presidente do Governo disse também que a região não vai abandonar o projecto de construção de um centro de investigação na ilha do Faial, designado por Tecnopolo Martec, apesar do concurso público lançado pelo executivo ter ficado, entretanto, deserto.

“Estamos a fazer todo o que é melhor para que ele venha a ser uma realidade e que os condicionalismos do mercado não inviabilizem nem a sua criação, nem o seu financiamento”, insistiu José Manuel Bolieiro.

Na ocasião, o presidente do Comité das Regiões da Europa, o socialista Vasco Cordeiro, que até 2020 era presidente do Governo dos Açores, lembrou que o Fundo Europeu dos Assuntos Marítimos, das Pescas e da Aquicultura (FEAMPA) prevê uma verba específica adicional de 315 milhões de euros, para dividir por nove regiões ultraperiferias da Europa.

“O financiamento comunitário agora disponível, permite desenvolver acções para conceber e testar políticas inovadoras, para aumentar a resiliência das regiões da União Europeia, em termos da sua economia azul”, realçou Vasco Cordeiro, acrescentando que esse trabalho deve envolver também os pescadores, as comunidades piscatórias e as suas organizações representativas.

A Semana das Pescas dos Açores, este ano centrada no tema “Os Açores e a Europa”, reune decisores políticos dos Açores, da Madeira, das Canárias e de Cabo Verde, bem como a comunidade científica e as associações de pescadores e armadores, para discutir o futuro do sector.

“Chegou o momento de crescer os portos de Setúbal e Sines com projecto industrial”

João Galamba “conheceu os projectos que a Etermar e a Lisnave apresentaram no domínio da energia eólica offshore”

“Estas visitas dos últimos dois dias mostram que o País, em particular o distrito de Setúbal, seja no Porto de Setúbal ou no Porto de Sines, têm de facto as bases e as condições para serem um grande projecto”. São estas as conclusões de João Galamba, ministro das Infraestruturas, depois de ter visitado o Porto de Setúbal na passada quinta-feira e o Porto de Sines na véspera.

O governante, que se fez acompanhar por Ana Fontoura, secretária de Estado da Energia, e por José Costa, secretário de Estado do Mar, visitou a Etermar, empresa qualificada a nível europeu em matéria de engenharia marítima, para conhecer o projecto de “desenvolvimento de um parque eólico flutuante com 30 turbinas e até 600 megawatts, ao largo de Viana do Castelo”.

“As condições únicas da sua nova sede e cais privativo, em Santa Catarina, Setúbal, permitirão incorporar um elevado valor acrescentado nacional na fabricação e colocação no mar das 30 turbinas”, explica o comunicado da Administração dos Portos de Setúbal e Sesimbra (APSS).

Para a Lisnave, empresa considerada uma referência mundial a nível da~reparação de navios, está previsto o “investimento estimado em mais de 200 milhões de euros (…) nomeadamente no desígnio de instalar 10 GW de potência eólica offshore até 2030”.

No fim da visita João Galamba considerou que as duas empresas “já estão preparadas para avançar” com os investimentos, dando nota de que quer “promover esse avanço o mais rápido possível”.

“Estamos a falar de um projecto de muitos milhares, dezenas de milhares de milhões de euros, e o nosso grande objectivo é que a isso esteja associado emprego, investimento, industrialização verde do País, e não há melhor exemplo das oportunidades que este projecto encerra do que a visita que fizemos, quer seja a Etermar, quer seja à Lisnave. São de facto instalações determinantes e o País tem a sorte de poder contar com elas, e chegou o momento, de facto, de fazermos crescer estas duas instalações e outras nos portos portugueses, e avançar para um grande projecto industrial que é, sem dúvida, o eólico offshore”.

Ainda assim, o ministro mantém a preocupação de que estes projectos saiam do papel para começarem a materializar-se, posição que já tinha mostrado em Março passado na assinatura de um memorando de entendimento entre a APSS e a Ocean Winds para a instalação de parques eólicos offshore.

“Uma das matérias que foi aqui debatida é o facto de existir alguma urgência em começarmos a preparar terreno, e nomeadamente de avançar com projectos de natureza mais industrial, para criar bases para futuramente termos mais sucesso no leilão e nos concursos do eólico offshore, estamos a trabalhar nisso.

Outra coisa que se percebe no Porto de Setúbal é que seja a Lisnave, seja a Etermar, já têm actividade nesta área e já estão preparadas para avançar, e no que depender do Governo, queremos promover que esse avanço seja o mais rápido possível”.

Sardinha ainda está magra. Pesca adiada um mês.

O despacho publicado na passada sexta-feira e permite a pesca apenas a partir de 2 de maio.

A proibição da pesca da sardinha terminava dia 31 de março, mas a interdição irá manter-se até 2 de maio. Não porque o stock esteja em perigo, mas porque o teor de gordura da espécie ainda não é o desejável. A sardinha quer-se gorda e a pingar no pão, mas ainda está magrinha e o sector da pesca e a administração chegaram a um entendimento.

“Ficou decidido que o mês de maio seria o indicado para começar a pesca da sardinha e não já em abril, porque se prevê que ela ainda não tenha os teores de gordura para ter o sabor que lhe reconhecemos”, esclarece o presidente da Associação Nacional das Organizações de Produtores da Pesca do Cerco (ANOPCERCO).

Humberto Jorge assegura que este adiamento nada tem a ver com o estado em que se encontra a espécie. Pelo contrário, a quantidade de sardinha existente no mar é muita.

“As perspectivas de captura são muito boas”, garante.

Humberto Jorge explica que o parecer do International Council for the Exploration of the Sea (ICES), organismo que verifica os stocks e faz recomendações à União Europeia, considerou que os stocks estavam em bom estado. No ano passado, os pescadores de pesca do cerco não chegaram a capturar toda a quota permitida, e este ano essa quota será ainda maior, sete ou oito mil toneladas.

“Este ano podemos ir até às 36 ou 37 mil toneladas para Portugal”, afirma Humberto Jorge.

Os espanhóis começaram já a pescar a espécie no passado dia 1 de abril, mas os pescadores portugueses preferem esperar mais um mês para ter muita e boa sardinha.

O despacho a prolongar o defeso será emitido pela Direcção Geral de Recursos Naturais Segurança e Serviços Marítimos (DGRM).

Em Portugal há cerca de 110 a 115 barcos a apanhar esta espécie, sediados ao longo da costa, embora os portos com maior actividade sejam Matosinhos, Figueira da Foz, Peniche, Sesimbra, Sines e Portimão.

NRP Mondego sai do porto do Caniçal para efectuar provas no mar

O NRP Mondego saiu, esta manhã, do porto do Caniçal, para efectuar provas no mar, no âmbito da visita técnica que está a ser concretizada após uma série de reparações a bordo. A informação foi avançada pelo porta-voz da Marinha Portuguesa.

Nesse sentido, ainda hoje deverá regressar ao mesmo porto, aguardando novas indicações após se conhecer o resultado da avaliação que agora decorre.

O NRP Mondego está envolto em polémica após 13 militares se terem recusado a embarcar, alegadamente devido à falta de condições de segurança a bordo, no dia 11 de Março, quando se preparavam para uma missão de acompanhamento a um navio russo que navegava ao largo do Porto Santo. O processo está a agora a decorrer, com os 13 militares a serem acusados de insubordinação.

Este caso motivou a rendição desses elementos, que após uma série de treinos tentaram sair do porto do Funchal. No entanto, a 28 de Março, um nova avaria motivou que o NRP Mondego fosse rebocado para o porto do Caniçal, onde permaneceu até hoje, dia em que ‘saiu para o mar’ para concretizar provas após intervenção.

Cientistas filmam o peixe mais profundo de sempre no fundo do mar no Japão

Navegando a uma profundidade de 8.336 metros logo acima do fundo do mar, um jovem peixe-caracol tornou-se no mais profundo já filmado por cientistas durante uma sondagem no abismo do norte do Oceano Pacífico.

Os cientistas da Universidade da Austrália Ocidental e da Universidade de Ciência e Tecnologia Marinha de Tóquio divulgaram imagens do peixe-caracol no passado domingo, filmadas em setembro passado por robôs marinhos nas trincheiras profundas no Japão.

Junto com a filmagem do peixe-caracol mais profundo já visto, os cientistas capturaram fisicamente dois outros espécimes a 8.022 metros e estabeleceram outro recorde para a captura mais profunda.

Anteriormente, o peixe-caracol mais profundo já avistado estava a 7.703 metros em 2008, enquanto os cientistas nunca haviam conseguido recolher peixes de qualquer lugar abaixo de 8.000 metros.

Junto com a filmagem do peixe-caracol mais profundo já visto, os cientistas capturaram fisicamente dois outros espécimes a 8.022 metros e estabeleceram outro recorde para a captura mais profunda.

“O que é significativo é que mostra até que ponto um determinado tipo de peixe descerá no oceano”, disse o biólogo marinho Alan Jamieson, fundador do Minderoo-UWA Deep Sea Research Center, que liderou a expedição.

Os cientistas estão filmando nas trincheiras do Japão como parte de um estudo de 10 anos sobre as populações de peixes mais profundas do mundo. O peixe-caracol é membro da família Liparidae e, embora a maioria viva em águas rasas, outros sobrevivem em algumas das maiores profundidades já registadas, afirmou Jamieson.

Durante a pesquisa de dois meses no ano passado, três “landers” – robôs marinhos automáticos equipados com câmaras de alta resolução – foram lançados em três trincheiras – as do Japão, Izu-Ogasawara e Ryukyu – em profundidades variadas.

Na trincheira de Izu-Ogasawara, imagens mostraram o peixe-caracol mais profundo pairando calmamente ao lado de outros crustáceos no fundo do mar.

Jamieson classificou o peixe como juvenil e disse que os mais jovens costumam ficar o mais fundo possível para evitar serem comidos por predadores maiores que nadam nas profundidades mais rasas.

Outro clip filmado entre 7.500 e 8.200 metros na mesma trincheira mostrou uma colónia de peixes e crustáceos mastigando iscas amarradas a um robô submarino.

As imagens dos dois peixes-caracol capturados – identificados como Pseudoliparis belyaevi – fornecem um raro vislumbre das características únicas que ajudam as espécies do fundo do mar a sobreviver no ambiente extremo. Eles possuem olhos minúsculos, um corpo translúcido e a falta de bexiga, que ajuda outros peixes a flutuar, e funciona a seu favor, disse Jamieson.

O professor acrescenta que o Oceano Pacífico é particularmente propício a actividades vibrantes devido à sua corrente quente do Sul, que incentiva as criaturas marinhas a irem mais fundo, enquanto a sua abundante vida marinha fornece uma boa fonte de comida para os que se alimentam no fundo.

Os cientistas gostariam de saber mais sobre as criaturas que vivem em profundidades extremas, mas o custo é a restrição, disse Jamieson, acrescentando que cada módulo de pouso custa 187.000€ para montar e operar.

“Os desafios são que a tecnologia tem sido cara e os cientistas não têm muito dinheiro”, afirmou.

Foto: University of Western Australia