"Os portos devem ser parte da solução", diz coordenadora do programa PIONEERS

Os portos estão a adaptar para se tornarem mais sustentáveis, reduzindo a pegada de carbono e contribuindo para a luta contra as alterações climáticas. Algumas das soluções experimentadas no Porto de Antuérpia-Bruges, na Bélgica, no âmbito do projeto de investigação PIONEERS  financiado pela UE. A Coordenadora Inge De Wolf, coordenadora do projecto PIONEERS, destaca o benefício de reunir 46 parceiros internacionais para enfrentar este desafio comum.

“Os portos são frequentemente vistos como parte do problema. Especialmente aqui na plataforma de Antuérpia, por exemplo – é um cluster de logística e actividades marítimas, temos um enorme cluster petroquímico, por isso, evidentemente, somos uma fonte de poluição. Mas o que tentamos fazer como autoridade portuária é tornarmo-nos parte da solução.

Na transição ecológica, queremos ser impactantes e queremos avançar – é algo que não podemos fazer por nós próprios. Necessita de muitos parceiros de diferentes sectores para enfrentar os desafios e fazer com que a acção aconteça. Precisamos nos reinventar como organização. Precisamos de muita transparência, por exemplo, partilha de dados, precisamos de resiliência, flexibilidade e eficiência. Temos este horizonte para 2050 – queremos tornar-nos um porto neutro do ponto de vista climático.

O ideal seria que tivéssemos esta bola de cristal que vê para onde devemos ir, mas não temos isso. Por isso, temos de aprender com a experiência”, conta-nos a investigadora.

Hapag-Lloyd completou 175 anos com lucro recorde, mas queda significativa é "inevitável" em 2023

A Hapag-Lloyd registrou um lucro líquido recorde de quase 17 bilhões€ em 2022, quando a companhia marítima alemã comemorou o seu 175º ano de actividade. Taxas de frete e volumes de transporte mais altos em comparação com 2021 ajudaram a gerar resultados “extraordinariamente fortes” em 2022, mas custos mais altos e menor procura por transporte de contentores inevitavelmente irão cortar bastante os lucros no próximo ano, à medida que o mercado voltar gradualmente ao normal. 

A Hapag-Lloyd é a quinta maior empresa de transporte de contentores do mundo, com uma frota de 251 navios porta-contentores e uma capacidade total de transporte de 1,8 milhão de TEUs. A empresa publicou o seu relatório anual para 2022 na quinta-feira, mostrando que o EBITDA aumentou para 19,3 bilhões€. O EBIT cresceu para  394,2 bilhões€, enquanto o lucro do grupo melhorou 67%, para quase 17 bilhões€, em comparação com o lucro de 10,08 bilhões€ de 2021. Um aumento na taxa média de frete para (2.697 EUR/TEU em 2022 versus 1.886 EUR/TEU em 2021) aumentou as receitas em 55,1%, para 34,2 bilhões€, enquanto o volume de transporte permaneceu no nível do ano de 2021 em 11,8 milhões de TEUS. 

No entanto, até o final do ano, as taxas médias de frete diminuíram significativamente devido à redução do congestionamento nos portos e à menor demanda. Ao mesmo tempo, o aumento da inflação contribuiu para o aumento dos custos de transporte. “No geral, olhamos para um 2022 de muito sucesso com resultados excepcionalmente fortes. Isso permitiu fortalecer a nossa resiliência financeira e estrutura de ativos mais uma vez. Além disso, melhoramos a qualidade do atendimento aos nossos clientes e investimos em terminais e infraestrutura, bem como na eficiência da nossa frota. No entanto, os custos – como combustível, navios fretados e manuseio de contentores– aumentaram significativamente”, disse Rolf Habben Jansen, CEO da Hapag-Lloyd AG.

Cargill testa propulsão eólica para navios cargueiros para reduzir emissões

A Cargill, uma das maiores fretadoras de navios do mundo, está intensificando esforços para ressuscitar a energia eólica para os cargueiros. 

Com cerca de 90% do comércio mundial transportado por mar, o transporte marítimo responde por quase 3% das emissões mundiais de CO2, mas os activistas ambientais dizem que os esforços regulatórios do sector para reduzir as emissões ainda são lentos. A Cargill testará um navio a granel seco com duas velas eólicas transportando carga a bordo ainda este ano, disse Jan Dieleman, presidente da divisão de transporte marítimo do grupo. O navio entrará em doca seca para montar as velas nas próximas semanas, acrescentou.

“O desempenho das velas será monitorado de perto para melhorar ainda mais o seu design, operação e desempenho”, afirmou à Reuters. “Há mais de dez anos, fizemos experiências com pipas. Aprendemos que não funcionavam.”

Dieleman disse que a Cargill também está explorando diferentes tecnologias de propulsão assistida pelo vento, acrescentando que o vento não levaria o grupo a um nível de carbono zero, mas era “um passo em direcção a zero”. “Achamos que o vento provavelmente poderia reduzir as emissões em até 20 a 30%. Isso significa que também poderíamos reduzir o consumo de combustível em 20 a 30%, dando-nos retorno imediato do investimento”, disse ele. A indústria também vem testando opções de combustível mais limpas, incluindo amónia e metanol, num esforço para se afastar do combustível mais sujo. 

A Cargill assinou separadamente um contrato de longo prazo para dois navios graneleiros que podem ser abastecidos com metanol e serão entregues no final de 2025 e início de 2026. “Embora optemos pelo metanol, isso não significa que não acreditamos na amónia ou qualquer outra coisa”, disse Dieleman. “A amónia é tecnicamente viável. A preocupação com a segurança não foi totalmente abordada.” 

Ilustração: Bar Technologies

Carta aberta apela a moratória à mineração em mar profundo em Portugal

Foi lançada por duas organizações não governamentais de ambiente, nomeadamente a ANP/WWF e Sciaena – uma carta aberta por uma “Moratória, já!”, para sensibilizar o Governo português a efectivar o princípio da precaução em relação à mineração no fundo do mar. A missiva conta já com três dezenas de assinaturas de personalidades nacionais.

A solução é não intervir, e é este é o princípio da carta aberta agora lançada. Entre os subscritores o Ex-ministro do Mar Ricardo Serrão Santos, o oceanógrafo espanhol Carlos Duarte, a bastonária da Ordem dos Biólogos Maria de Jesus Fernandes, a ex-ministra da Agricultura, do Mar e do Ambiente Assunção Cristas, o secretário-geral do BCSD Portugal João Wengorovius Meneses, também por investigadores e professores universitários, tal como actores e fotógrafos portugueses.

FIATA pede 'tempos livres' mais razoáveis na utilização de contentores

A FIATA – Federação Internacional das Associações de Transitários lançou um comunicado no qual incentiva as operadoras marítimas a repensar e restabelecer, “para níveis pré-pandemia” os denominados free time periods. “Embora a decisão de reduzir estes períodos tenha sido unilateral, as condições de mercado mudaram e as justificações para o actual status quo já não são válidas», pode ler-se no comunicado desta associação internacional.

“As taxas de (Demurrage and detention) – Sobrestadia e detenção são uma importante ferramenta para que os stakeholders da cadeia de abastecimento possam garantir um uso eficiente do stock de contentores”, que, indica a FIATA, representa um “investimento substancial”.  

Na comunicação, a referida associação sobressai que os contentores devem ser utilizados de forma flexível e que os operadores que os utilizam de forma muito mais prolongada “devem ser desencorajados dessa prática”.  

Afirma ainda a associação que é uma obrigação das companhias marítimas “oferecerem um free time period razoável para permitir que o comerciante tenha tempo suficiente para o carregamento e entrega do contentor para exportação e para colecta, descarga e retorno do contentor para importação”. A FIATA relembra que estes tempos foram cortados substancialmente, ao mesmo tempo que as taxas anteriormente mencionadas subiram “consideravelmente”, tendo a fluidez e a minimização dos congestionamentos como justificativa. O cenário alterou-se, e o objectivo é regressar aos níveis pré-pandemia.

Sistema de Informação Geográfica dá a conhecer actividade da Capitania do Porto da Figueira da Foz.

Foi publicado em Diário da República, o novo edital da Capitania do Porto da Figueira da Foz que estabelece orientações, informações e determinações para a área de jurisdição marítima da sua responsabilidade, desde a margem sul da lagoa de Mira até Pedrogão, incluindo parte do rio Mondego, mar territorial, zona económica exclusiva e plataforma continental, de acordo com as disposições da Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar, de 10 de dezembro de 1982.

Este edital, que entrou em vigor ontem, regulamenta uma série de matérias e actividades que decorrem no espaço de jurisdição da Capitania, como as relativas à segurança da navegação, à poluição e protecção do meio ambiente, às actividades de natureza profissional e comercial, bem como às de natureza desportiva, cultural, recreativa e científica, entre outros assuntos.

De modo a contribuir para uma melhor compreensão de algumas das matérias e actividades abordadas ou regulamentadas por este documento, a Autoridade Marítima Local da Figueira da Foz, com a colaboração do Instituto Hidrográfico, disponibiliza nos seus sítios na internet um Sistema de Informação Geográfica (WEBSIG) que pode ser acedido, de forma gratuita, por qualquer equipamento com acesso à internet.

“Esta ferramenta, que se encontra ainda em fase experimental, estará em contínuo desenvolvimento, procurando-se que, de forma simples, potencie a interação entre os utentes e a Autoridade Marítima Local, nos assuntos mais relevantes do seu espaço de jurisdição”, resume o capitão-de-fragata Pedro Miguel Cervaens Costa, capitão do Porto da Figueira da Foz e comandante Local da Polícia Marítima da Figueira da Foz.

APDL participa na CRUISE EUROPE CONFERENCE

A APDL participa na CRUISE EUROPE CONFERENCE que decorre em Lisboa até amanhã.

Durante 3 dias, a Cruise Europe Conference reúne os principais stakeholders da indústria de cruzeiros, envolvendo cerca de 150 participantes, de cerca de 20 países, onde serão abordadas variadas temáticas: “Os portos e a sua oferta em terra”, “A sustentabilidade e questões ambientais”, “O impacto da Pandemia” e “O impacto da guerra na Ucrânia”.

A Cruise Europe Conference é uma conferência anual promovida pela CRUISE EUROPE, a primeira associação da indústria de cruzeiros na Europa, que reúne os portos e destinos de cruzeiro da costa atlântica europeia e que tem como principal objectivo promover o desenvolvimento e a qualificação da actividade de cruzeiros na região.

Foi criada em dezembro de 1991 em Copenhaga com 27 membros, conta actualmente com cerca de 140 membros de mais de 20 países, entre os quais, o Porto de Leixões.

O Porto de Leixões é membro da Direcção e coordenadora do grupo de trabalho da região Atlântica da Europa, uma das quatro regiões que constituem a Associação para além da Região da Noruega, Islândia e Ilhas Faroé, Região do Báltico e Região do Reino Unido e Irlanda.

Armadores ainda fretam navios, apesar da queda na procura de carga.

Com a procura de importação diminuindo, as taxas de frete caindo, a carteira de pedidos de navios porta-contentores em níveis recordes e transportadoras marítimas cancelando viagens, poderia haver a ideia de que ninguém estaria fretando mais navios. 

Na verdade, o mercado de frete de navios porta-contentores está longe de morrer. As taxas de frete estão bem fora dos seus picos. Longe vão os dias em que um pequeno navio porta-contemtores poderia ganhar 188.000€ por dia durante três meses, ou um navio de médio porte poderia ganhar quase 60.000€ por dia durante cinco anos. No entanto, os negócios ainda estão sendo feitos. 

“Não é como se não houvesse procura. Há uma demanda contínua. Há negócios de fretes em andamento”, afirmou George Youroukos, CEO da Global Ship Lease numa teleconferência. “As taxas de fretrs estão estabilizando acima dos níveis históricos”, disse Moritz Furhmann, CFO da MPC Containers, listada em Oslo, durante uma teleconferência também.

O índice Harpex, que mede as taxas de frete em vários tamanhos de navios, ficou em 1.059 pontos. Isso representa uma queda de 77% em relação ao pico histórico de março de 2022. Mas o ritmo de declínio diminuiu este ano e o índice estabilizou-se nas últimas semanas. O índice Harpex permanece mais do que o dobro do seu nível em fevereiro de 2019, pré-COVID. A Alphaliner informou em 21 de fevereiro: “A procura está aumentando no mercado de frete de contentores, já que a Ásia voltou ao trabalho após as tradicionais celebrações do Ano Novo Lunar. A escassez contínua de tonelagem imediata na maioria dos segmentos de tamanho é um bom presságio para as taxas de frete qie devem continuar a aumentar nas próximas semanas”.


Centros de investigação são agentes de promoção e «apoio sustentável ao emprego científico»

A Ministra da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Elvira Fortunato, visitou ontem, o Laboratório Experimental para Organismos Aquáticos (LEOA) da Universidade do Algarve, em Faro, no âmbito da iniciativa «Governo Mais Próximo».

A visita teve início no Bioreactor semi-industrial, cuja principal função é a produção de microalgas e onde são desenvolvidas actividades de investigação relacionadas com alterações climáticas e aquacultura. 

A Ministra elogiou «o trabalho desenvolvido pelas equipas de investigação, permitindo que foquem a sua investigação em questões prementes, como as alterações climáticas».

 No LEOA são desenvolvidos estudos académicos, sendo um laboratório apostado em sinergias com a indústria relacionados com as condições ambientais (temperatura, fotoperíodo, qualidade da água), estudos de comportamento, endocrinologia, genética e fisiologia dos organismos e produtos para aquacultura (ingredientes alimentares, aditivos) com elevados padrões de segurança e bem-estar animal.

Elvira Fortunato visitou ainda os Laboratórios de Pescas, Biotecnologia e Química Estrutural do Centro de Ciências do Mar (CCMAR), um dos principais centros de investigação em ciências marinhas em Portugal, que reúne especialistas nas áreas da biologia marinha, ecologia, oceanografia, ciências ambientais, biotecnologia, pescas e aquacultura.

A Ministra teve oportunidade de conversar com docentes e investigadores que trabalham no CCMAR, destacando o contributo do Centro, quer para a investigação e desenvolvimento, quer para a valorização do conhecimento «de promover o apoio sustentável ao emprego científico, através da contratação de investigadores doutorados nestas áreas do conhecimento».

A iniciativa «Governo Mais Próximo» será uma oportunidade de a área governativa da ciência, tecnologia e ensino superior promover o contacto próximo e o acompanhamento directo das actividades de investigação e desenvolvimento levadas a cabo pelas comunidades académica e científica do Algarve.

CMA CGM com ligação Portugal- EUA

A companhia francesa CMA CGM – Compagnie Maritime d’Affrètement, irá voltar após pouco de uma década, a ligar o nosso país à costa leste dos EUA, onde se encontra dois dos maiores portos desse país, nomeadamente o de Nova Iorque e de Nova Jérsia.

O serviço Amerigo tem actualmente uma rotação de escalas oeste: Algeciras – Livorno – Génova- Fos Sur Mer – Barcelona – Valência – Nova Iorque.

E de escala sentido leste: Nova Iorque – Norfolk – Savannah – Miami – Algeciras.

Lisboa, irá ser assim a derradeira escala europeia do serviço Amerigo, que liga o Mediterrâneo aos portos de Nova Iorque, Norfolk, Savannah e Miami.

A CGA CGM é um dos nove maiores armadores que controlam 87% da frota global. Ocupa a 4ª posição, depois da Maersk Line, MSC e COSCO, na classificação geral e o serviço Amerigo integra a oferta da Ocean Alliance (Aliança da CMA CGM com a Hapag-Lloyd a OOCL).