APL e CM Lisboa assinam contrato de concessão do "Shared Ocean Lab"

A Administração do Porto de Lisboa assinou com a Câmara Municipal de Lisboa o contrato de concessão para a instalação do Shared Ocean Lab numa das naves da Doca de Pedrouços, e que integra o futuro Ocean Campus.

O objectivo estratégico é criar um espaço para a investigação científica e inovação, no que respeita às Ciências Marítimas e à economia azul.

O contrato de concessão do espaço é valido pelo prazo de 75 anos e o investimento que a Câmara Municipal de Lisboa vai fazer na concessão deste Hub ligado ao mar é de 26 milhões de euros. A isso somam-se 31 milhões de euros que a câmara vai investir na construção do edifício na Doca de Pedrouços.

Para o Ministro das Infraestruturas, João Galamba “o desenvolvimento da economia ligada ao mar é uma expressão tantas vezes usada sem conteúdo. Agora estamos a dar-lhe conteúdo, no sentido de fazer de Lisboa uma capital de inovação e empreendedorismo da economia azul”.

Pretende-se que esta seja uma infraestrutura crucial para a colaboração e interacção multidisciplinar entre as actividades empresariais e empreendedoras e o conhecimento científico, de modo a criar um ecossistema capaz de potenciar uma inovação aberta e a transferência de conhecimento que venha a permitir o desenvolvimento da economia azul.

“A Câmara Municipal de Lisboa tem um sonho, o de lançar uma Fábrica de Unicórnios dos Oceanos com capacidade de conseguir transformar o conhecimento em produtos e empresas, criar bem-estar e trazer emprego . Lançamos a primeira pedra nesse sentido”, sublinhou o Presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Carlos Moedas.

Inserido no Ocean Campus, visa ser um cluster potenciador do desenvolvimento associado ao mar, através de uma rede de unidades de investigação, ensino e desenvolvimento tecnológico, cujo objectivo principal é gerar inovação e investigação qualificada.

Para o Presidente do Conselho de Administração da APL, Carlos Correia, “com esta parceria o Porto de Lisboa dá mais um importante passo naquela que é a sua estratégia de promoção da sustentabilidade e na concretização do Porto de Lisboa enquanto Hub internacional de inovação na Economia Azul. Este é um passo importante no caminho que vamos seguir que assenta num modelo colaborativo e de inovação aberta com a Câmara Municipal de Lisboa, num compromisso partilhado com o objectivo de fazer crescer a economia azul sustentável e circular, motor de enorme relevância para Lisboa e para o país.”

A cerimónia protocolar decorreu a bordo de uma embarcação que fez a ligação entre a Doca de Santo Amaro e a Doca de Pedrouços. A sessão contou com as presenças do Ministro das Infraestruturas, João Galamba, do Presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Carlos Moedas, e do Presidente do Conselho de Administração do Porto de Lisboa, Carlos Correia.

MSC Euribia realizou a 1ª viagem com zero emissões.

A Cruise Division do MSC Group realizou a primeira viagem da indústria com zero emissões de gases com efeito de estufa quando o seu mais recente navio emblemático da MSC Cruzeiros, o MSC Euribia, movido a gás natural liquefeito (LNG) deixou o estaleiro em Saint-Nazaire, França, – onde esteve a ser construído – a caminho da Cerimónia de Nomeação em Copenhaga, Dinamarca.

O novo navio, o 22.º navio a juntar-se à frota da MSC Cruzeiros, navegou durante quatro dias de Saint-Nazaire para Copenhaga e atingiu zero emissões de gases com efeito estufa, demonstrando que os cruzeiros com zero emissões são possíveis aos dias de hoje.

Poluição sonora marinha preocupa classe científica

Estudos sugerem que o ruído provocado pela actividade humana afeta toda a cadeia alimentar nos oceanos

“O oceano tem muito para nos dizer. Não é silencioso. Na verdade, há bastante ruído. Há muitos sons de animais, claro… mas também sons de humanos”.

Lucia Di Iorio é a bioacústica que lidera um estudo no âmbito dos projectos internacionais de investigação “TREC” e “BIOcean5D” para captar as paisagens sonoras subaquáticas ao longo das costas europeias e não esconde a preocupação pela crescente interferência humana nos sons marinhos.

Os registos sonoros, juntamente com as amostras genéticas, ajudam os cientistas a compreender melhor os “hotspots” de biodiversidade marinha, como aquele visitado pela euronews na costa da Bretanha:

“Aqui ouvimos principalmente as ervas marinhas e as algas. São viveiros – crescem aqui pequenos peixes e pequenas larvas. Protegem da erosão, produzem oxigénio, armazenam carbono e desempenham uma série de papéis importantes nos ecossistemas.

Nas florestas de algas, como se trata de um ambiente rochoso, há muitos camarões, que fazem um som característico. Depois ouvimos alguns sons de frequência muito baixa. São sons de peixes e são usados para comunicação.”

No entanto, passam vários navios nas proximidades. Como é que este ruído artificial afecta o ecossistema? Lucia Di Iorio responde:

“O tráfego de barcos vai afetar a comunicação dos animais. É como se vivêssemos junto a uma autoestrada, ou a uma estrada movimentada, e os carros estivessem sempre a passar – é irritante! É incómodo para nós mas também é incómodo para os animais que vivem nesse ambiente”.

Os cientistas estão cada vez mais alarmados com a poluição sonora submarina, que coloca uma pressão adicional sobre a fauna marinha, já ameaçada pela atividade humana. Há cada vez mais provas de que a poluição sonora pode afetar uma vasta gama de animais marinhos e até de plantas.

Lucia Di Iorio está a conduzir uma experiência em laboratório para perceber se o som subaquático pode afetar o fitoplâncton. Se estes organismos microscópicos também forem afetados pelo ruído, isso significa que as consequências da poluição sonora podem repercutir-se em toda a cadeia alimentar, afetando organismos desde criaturas marinhas minúsculas até aos gigantes do mar.

Há muito que se sabe que os sons subaquáticos são fundamentais para as baleias e os golfinhos se orientarem, localizarem comida e comunicarem. É por isso que investigadores como Michel André têm privilegiado, até há pouco tempo, os mamíferos marinhos.

O director do Laboratório de Bioacústica Aplicada na Universidade Politécnica da Catalunha explica que a investigação efectuada nos últimos 10 anos aumentou consideravelmente a compreensão do problema:

“Descobrimos que outras espécies, nomeadamente invertebrados, como os cefalópodes, os crustáceos, as medusas, os recifes de coral – milhares e milhares de espécies – estavam a sofrer provavelmente mais do que os cetáceos. E isto mudou totalmente a forma de abordar os efeitos do ruído no ambiente marinho”.

É agora evidente que os efeitos nocivos da poluição sonora no oceano vão muito para além dos golfinhos e das baleias e, para resolver eficazmente este problema, é necessária uma monitorização global contínua do ruído subaquático.

Com base nos resultados do projecto de investigação europeu “LIDO” (“Listening to the Deep-Ocean Environment”), o laboratório de Michel André instalou uma vasta rede de estações acústicas marinhas.

O ruído gerado pelo homem, proveniente do transporte marítimo, da construção de parques eólicos, de operações industriais ou militares, cria um “nevoeiro acústico” submarino que pode desorientar os animais marinhos.

De acordo o investigador, os observatórios acústicos autónomos poderiam identificar e alertar as fontes de ruído, instando-as a manter o silêncio:

“A poluição sonora ameaça o equilíbrio do oceano e temos de tomar medidas para inverter estes efeitos negativos que introduzimos sem percebermos que estávamos a contaminar o oceano com sons.”

Mas como reduzir o ruído quando a navegação global está a aumentar? O rio Elba, que serve o porto de Hamburgo, na Alemanha, é uma movimentada rota de navegação que passa junto a bancos de areia onde há uma grande população de focas.

Esta proximidade permite aos cientistas observar como estes animais reagem ao ruído e sugerir formas para tornar os navios mais silenciosos.

Os animais são sinalizados com etiquetas electrónicas que caem passado algum tempo e registam os movimentos e o nível de ruído à sua volta. Nesta zona do rio, as focas dependem do som para apanhar as presas porque a visibilidade na água é fraca.

Os dados das etiquetas sugerem que as focas são perturbadas por grandes navios. O ruído das hélices e dos motores parece interromper a caça e faz com que mergulhem sem descanso entre o leito do rio e a superfície.

O desafio agora passa por usar esta informação para tornar os navios mais silenciosos. Joseph Schnitzler, investigador do Instituto de Investigação da Vida Selvagem Terrestre e Aquática, sugere que a solução pode passar por “uma mistura de soluções técnicas, como a alteração do design da hélice” com “alterações funcionais, como a redução da velocidade dos navios ou o redirecionamento de uma faixa de navegação”.

Os cientistas do projecto europeu SATURN estão a explorar aspectos biológicos e de engenharia para ajudar a reduzir o ruído, diminuindo assim um dos muitos impactos humanos nocivos no oceano.

Schnitzler acredita que há razões para estar otimista:

“Temos aqui a oportunidade de mudar rapidamente, o que não é possível com a poluição química ou com os detritos de plástico, os microplásticos nos mares. As soluções estão muito próximas, podemos agarrá-las quase de imediato”.

Grande Ilha de Lixo do Pacífico é tão grande que já tem um ecossistema.

No norte do Oceano Pacífico, uma quantidade enorme de lixo, do tamanho do Amazonas, fica concentrada. A chamada Grande Ilha de Lixo do Pacífico é a maior acumulação de plástico oceânico do mundo. Ela forma-se no ponto de encontro de cinco enormes correntes oceânicas que arrastam lixo para o centro e o prendem lá.

O nome pode enganar: A área não é uma grande montanha de lixo no meio do oceano. A mancha é mais dispersa e formada principalmente por microplásticos, que passam despercebidos por satélites. Quem navega pela região, porém, consegue perceber que ela tem uma concentração particular de lixo.

Um novo estudo, publicado na revista Nature Ecology & Evolution, revelou que dezenas de espécies organismos invertebrados, normalmente vistos nas regiões costeiras, conseguiram sobreviver e reproduzir-se naquele plástico flutuante. Ao contrário do material orgânico, que se decompõe ou afunda, plásticos podem flutuar nos oceanos por muito mais tempo. 

A descoberta sugere que a poluição plástica no mar pode permitir que novos ecossistemas abriguem espécies que normalmente não sobreviveriam nessa condição. 

Os investigadores examinaram 105 itens de plástico pescados na Grande Mancha de Lixo do Pacífico. Identificaram 484 organismos invertebrados marinhos nos detritos, de 46 espécies diferentes, das quais 80% eram normalmente encontradas nos habitats costeiros. Além disso, eles ainda encontraram muitas espécies de oceano aberto. 

“Em dois terços dos escombros, encontramos as duas comunidades juntas, competindo por espaço, mas muito provavelmente interagindo de outras maneiras”, afirma Linsey Haram, principal autora do estudo.

De acordo com a autora, as consequências da chegada de espécies invasoras nas áreas remotas do oceano ainda são um mistério. “Provavelmente há competição por espaço, porque o espaço é escasso em mar aberto, provavelmente há competição por recursos alimentares – mas eles também podem estar comendo uns aos outros”, afirma. “É difícil saber exatamente o que está acontecendo, mas vimos evidências de algumas das anêmonas costeiras comendo espécies de oceano aberto, então sabemos que há alguma de acção predação acontecendo entre as duas comunidades.” 

Também é incerto como as criaturas chegaram até lá, provavelmente tenham pegado boleia em algum pedaço de lixo. O facto é que elas estão a reproduzir-se num tipo de ambiente que não era o habitual, e essas aventuras ao mar podem “alterar fundamentalmente” as comunidades oceânicas, segundo os investigadores. 

Porto de Aveiro abre procedimento para 3 parcelas na ZALI

O Porto de Aveiro abriu um procedimento de manifestação de interesse para três parcelas na Zona de Actividades Logísticas e Industriais do Porto de Aveiro, com área total de 192 090 m2, para unidades industriais do sector eólico offshore.

Este procedimento reforça o posicionamento que o Porto de Aveiro e a região têm assumido no quadro do desenvolvimento da indústria e da logística para a produção de energia eólica, bem como a localização estratégica que os Portos de Aveiro e da Figueira da Foz assumem para a implementação das áreas offshore de produção de energias renováveis atlânticas.

Plástico é encontrado no ponto mais profundo do oceano.

A Fossa das Marianas é o lugar mais profundo do oceano, mas a profundidade de quase 11 mil metros não a protegeu do plástico. Um estudo recente identificou que um saco de plástico é o item “mais profundo do planeta Terra” feito com o material que demora séculos para se decompor.

Nas expedições a recantos profundos feitas anteriormente, mergulhadores encontraram plástico onde nem sequer existem condições para a fauna marinha, como na Fossa das Marianas. Em 2019, o experiente explorador americano Victor Vescovo encontrou plástico no local que foi visitado pelos seres humanos apenas três vezes na história.

A curiosidade pelas profundezas cresceu após a morte dos cinco passageiros a bordo do Titan, um submersível que colapsou rumo aos destroços do Titanic, na costa do Canadá, a cerca de 3.800 metros de profundidade. Neste patamar do oceano, não há luz solar, a pressão é 376 vezes superior do que na superfície e onde só peixes raríssimos – com dentes afiados, gelatinosos e aparências exóticas – resistem às condições.

A Fossa das Marianas, no Oceano Pacífico, é ainda mais inóspita, onde só crustáceos e microrganismos habitam. Se fosse invertido, o ponto mais profundo é de 2 mil metros mais alto do que o cume do Everest, a maior montanha do mundo. Mesmo assim, Vescovo encontrou uma saco convencional, tipicamente encontrados nos supermercados.

Para precisar o tamanho desse impacto, cientistas da agência marítima do Japão analisaram 36 mil fotografias capturadas em 3 décadas de mergulhos profundos pelo mundo e concluíram que o saco de plástico da Fossa das Marianas é, de facto, o mais fundo que um material plástico já foi encontrado.

É incerto dizer se o saco é o mesmo encontrado por Vescovo. Segundo um estudo, 89% de todo o lixo das profundezas é de plástico descartável, como sacos, embalagens de doces e garrafas de água.

Galp na corrida ao eólico offshore com a Total Energies

Segundo avança o Negócios, a Galp e a francesa Total Energies anunciaram um novo acordo para explorarem em conjunto “potenciais oportunidades na energia eólica offshore em Portugal”, no âmbito dos planos do Governo para leiloar até 10 GW de capacidade eólica no mar nos próximos anos.

“As duas empresas irão trabalhar em conjunto para desenvolver potenciais projectos eólicos offshore ao longo da costa portuguesa. Esta parceria combina a forte presença e conhecimento do mercado português da Galp com as competências da Total Energies em projectos eólicos offshore de grande escala”, informaram em comunicado.

Para a Galp, este acordo representa a entrada na corrida ao eólico offshore em território nacional, uma “nova oportunidade” identificada pela petrolífera. “A Galp planeia transformar a sua base industrial em Portugal para disponibilizar uma vasta gama de soluções energéticas de baixo carbono e as energias renováveis são a espinha dorsal desta transição,” afirmou Georgios Papadimitriou, administrador executivo da Galp para as Renováveis, Novos Negócios e Inovação.

Já para a Total Energies, esta parceria “reforçará as actividades renováveis em Portugal”, onde a empresa tem um “portefólio total de mais de 1 GW de projectos solares e eólicos em operação ou em desenvolvimento,” afirmou Olivier Terneaud, vice-presidente da Total Energies para o eólico offshore.

“Cura do Pepino”. A solução para a diabetes pode estar num fruto do mar

Uma recente investigação sugere que o consumo de Pepino do Mar, uma iguaria apreciada na Ásia, pode desempenhar um papel significativo na prevenção da diabetes e de outras doenças graves.

Apesar de o Pepino do Mar ser uma iguaria amplamente reconhecida no continente asiático, pouco ou nada se sabia sobre o seu potencial na prevenção da diabetes.

Mas segundo um novo estudo, publicado pela Universidade da Austrália do Sul, o Pepino do Mar quando consumido de forma seca e processada com extratos de sal pode inibir a formação de produtos finais de glicação avançada (AGEs).

“Sabe-se que o acúmulo de AGEs está associado a complicações de diabetes tipo 2 e, portanto, encontrar estratégias para prevenir a sua formação permite reduzir o risco de desenvolver diabetes”, explica Permal Deo, autor principal do estudo, que foi publicado recentemente na revista Food Science + Technology.

A produção de AGEs está associada a um risco aumentado de diabetes, doenças cardíacas, Alzheimer, Parkinson, doenças renais e cancro.

O grupo de investigação australiano estudou as propriedades medicinais do Pepino do Mar (Holothuria scabra) e descobriu que este pode inibir a produção de AGEs, um composto associado ao aumento do risco de diabetes.

“Descobrimos que o Pepino do Mar seco e processado com extratos de sal e colágeno pode inibir significativamente os AGEs, levando à diminuição de uma variedade de metabolitos relacionados com os níveis de açúcar”, afirma Deo, citado pela SciTechDaily.

“O Pepino do Mar é conhecido por ter uma variedade de propriedades terapêuticas, incluindo propriedades anti-inflamatórias e antioxidantes, e por isso queremos explorar os compostos bioativos que inibem os AGEs”.

Os AGEs formam-se quando proteínas e/ou gorduras se combinam com açúcares na corrente sanguínea. Quando há uma acumulação elevada de AGEs no sangue, há um aumento de complicações associadas à diabetes, mas não só.

Até agora não existe nenhum agente terapêutico comercialmente disponível capaz de inibir a formação de AGEs, que têm também um papel importante em doenças cardiovasculares, Alzheimer, Parkinson, doenças renais e cancro.

Esta investigação abre um novo leque de possibilidades para o desenvolvimento de um alimento funcional, com vista à prevenção do surgimento destas doenças e das suas complicações.

Segundo a equipa de investigação, “Entender como é que os compostos bioativos presentes no Pepino do Mar inibem os AGEs é crucial para nos proteger contra estas doenças”.

Portugal mantém uma das prevalências de diabetes mais elevadas da Europa, contando com mais de 830 mil doentes inscritos no Serviço Nacional de Saúde. Globalmente, cerca de 422 milhões de pessoas têm diabetes, e cerca de 1,5 milhão de mortes são atribuídas directamente a esta doença, por ano.

Quase 60% de todos os casos de diabetes tipo 2 podem ser retardados ou evitados com mudanças na dieta e estilo de vida.

“Estes resultados fornecem evidências sólidas de que o Pepino do Mar pode ser utilizado como um produto alimentar funcional para combater o aparecimento de diabetes e complicações relacionadas”.

Alga asiática invasora preocupa turistas e pescadores algarvios

Um tipo de alga asiática está a invadir praias da costa algarvia e a trazer preocupações ao turismo. Actividade piscatória também pode ser afectada.

Uma alga originária da Ásia está a invadir as costas do barlavento – oeste – algarvio e a gerar preocupação.

Há praias em que a sua acumulação originou uma barreira de 1,20 metros de altura, podendo afetar o turismo e a pesca.

Lagoa foi um dos concelhos mais afetados. Anabela Rocha, vice-presidente do município, disse à Lusa que quando o vento sopra de sudeste “há sempre o perigo de haver arrojamentos” de alga nas praias, como na do Carvoeiro, que já teve um “muro” com “uma altura de 1,20 metros em toda a extensão do areal”.

O fenómeno, que já ocorreu em 2021 e em 2022, levou o Centro de Ciências do Mar (CCMAR) da Universidade do Algarve (UAlg) a criar, já há dois anos, uma plataforma para recolher dados sobre as algas encontradas nas praias algarvias e perceber quais as espécies invasoras que levam a grandes acumulações nos areais.

De acordo com informação publicada na plataforma Algas na Praia, nas costas rochosas do barlavento, as acumulações são causadas por uma alga castanha invasora originária dos mares do Japão e Coreia, cujo nome científico é Rugulopteryx okamurae.

Para tentar mitigar a acumulação de algas nas praias do concelho, a Câmara de Lagoa gastou 40 mil euros numa das intervenções que fez para limpar a praia, tendo removido 400 toneladas desta espécie invasora, um “custo muito significativo” para os cofres municipais, segundo Anabela Rocha.

Tendo em conta que as acumulações causadas por esta alga parecem estar a aumentar em extensão, aquele município está já a desenvolver projetos-piloto para tentar mitigar o problema, esperando contar no futuro com fundos nacionais.

A autarquia receia o impacto que o problema possa ter sobre o turismo, a principal fonte de rendimento da região, e sobre a pesca, como a do polvo, espécie que é expulsa das rochas pela alga invasora. 

 “Esta alga está mais desenvolvida agora, porque tem melhores condições para se desenvolver, mas está presente durante todo o ano” disse à Lusa Rui Santos, do CCMAR.

Segundo o investigador, esta espécie é a que “provoca, de longe, mais acumulações” na costa algarvia.

Rui Santos assegura que a alga invasora “não constitui um perigo para a saúde humana e a sua erradicação é quase impossível”.

No entanto, é necessário reduzir a área que ocupa através da sua “remoção ou aproveitamento para alguma utilização económica”, que ainda não foi encontrada.

Os investigadores sabem que a Rugulopteryx okamurae apareceu pela primeira vez no sul de França, onde existe aquacultura de ostras, tendo, em seguida, alastrado para Espanha, Marrocos e Portugal.

No entanto, há outras algas que se acumulam nas praias da zona central do Algarve, entre Albufeira e Faro, como a alga vermelha invasora Asparagopsis armata, nativa das águas da Austrália e Nova Zelândia, e que foi a responsável pelas acumulações registadas em 2021 e em 2022.

Por outro lado, na costa arenosa do sotavento – este – algarvio, a alga verde Ulva sp., nativa da costa portuguesa, foi a principal responsável pelas grandes acumulações que se observaram em 2021.

As algas acumulavam-se na zona da rebentação das ondas e ficavam espalhadas pelo areal. O investigador Rui Santos explicou, na altura, que aquele tipo de algas são organismos que desenvolvem dentro da ria, crescem e são exportadas e depositadas pelas correntes, nas praias.

Em 2019, as praias entre a Ilha do Farol e Vilamoura, no Algarve, foram interditadas a banhos devido a uma concentração de uma alga marinha perigosa para a saúde.

Produção mundial de contentores marítimos "afunda" 70% com recuo da procura

A produção global de contentores marítimos caiu drasticamente como consequência da diminuição da procura por mercadorias na sequência do alívio das restrições impostas pela pandemia.

Dados facultados pela consultora de investigação marítima Drewry ao Financial Times, mostram que a produção de contentores de 20 pés (6 metros) – o tamanho padrão utilizado pela indústria – sofreu uma queda de 71% de 1,06 milhões no primeiro trimestre de 2022 para 306 mil unidades entre janeiro e março deste ano.

O declínio marca um forte revés face há dois anos, quando o fabrico de contentores explodiu para dar resposta à procura de mercadorias induzida pela pandemia, que levou, aliás, à escassez de contentores.

 No entanto, assinala o FT, a procura por exportações recuou desde que as restrições impostas pela pandemia aliviaram e as economias reabriram ao exterior, deixando a indústria dos contentores com o problema oposto: um excesso de contentores que ameaça sobrecarregar os portos da China, onde até 95% dos contentores de todo o mundo são fabricados.


A dinamarquesa Møller-Maersk, uma das maiores companhias de transporte marítimo de contentores do mundo, indicou que suspendeu a produção de contentores secos até pelo menos 2024, apesar de ter dito que poderá retomar o fabrico das unidades de 20 pés antes das versões de 40 pés (12,19 metros), considerando que a procura por esta última parece ser mais resiliente.

Segundo o jornal financeiro, a quebra na procura tem atingido duramente os fabricantes de contentores, com os lucros da China International Marine Containers, um dos maiores da China, a tombarem 91% para o equivalente a 23 milhões de dólares nos primeiros três meses do ano.