Morreu o surfista havaiano Mikala Jones

O surfista havaiano Mikala Jones, de 44 anos, morreu no passdo domingo, na sequência de uma queda enquanto praticava a modalidade na Indonésia. Jones sofreu um corte na artéria femoral da virilha, perdendo muito sangue, o que acabou por resultar na sua morte. 

A morte de Mikala Jones foi testemunhada por Santiago Pereira, surfista uruguaio, que está em estado de choque, e explicou o que se passou ao portal Duke Surf. 

“Quando estava a sair da espuma, ele notou que se tinha cortado na virilha. Veio uma onda ainda maior do que a que ele tinha entrado, e não podíamos entrar para procurá-lo. Depois lá conseguimos procurá-lo, o sobrinho dele deu-lhe a prancha e ele desmaiou em cima dela. Estava a perder muito sangue. Conseguimos levá-lo para o barco e agarrámos as mãos deles para dizer para não adormecer e ficar conosco. Ele estava a respirar”, começou por contar Santiago Pereira, prosseguindo com o relato.

“Cerca de 20 minutos depois chegámos à costa de Tuapejat onde a ambulância estava à nossa espera. Tirámos o Jones do barco com a ajuda de vários moradores e ele já estava totalmente inconsciente. Conseguimos metê-lo na maca da ambulância, fechámos as portas e foi para o hospital, mas já era tarde. Ele perdeu muito sangue”, lamentou o surfista uruguaio. 

A filha de Mikala Jones também já reagiu à morte do pai, lamentando o sucedido com uma mensagem emotiva que partilhou na rede social Instagram.

“Isto não parece real. Amo-te tanto pai e só queria dar-te um último abraço. Queria poder dizer-te o quanto te amo e o quanto agradeço por teres sido o melhor pai. Só queria que ainda estivesses aqui connosco, não era suposto partires agora. É muito cedo. Eu sei que estás num bom lugar com a avó Vi e com os teus amigos. Só queria que isto não tivesse acontecido e que nós pudéssemos acordar e irmos surfar juntos amanhã de manhã”, escreveu Isabella Jones, prosseguindo.

“Eu não sei como colocar isto em palavras, mas o meu pai sofreu um grave acidente a fazer surf e não resistiu. Estou feliz que estivesse a fazer aquilo que mais amava. A vida não será a mesma sem ti. Tenho tantas saudades tuas. Faria qualquer coisa para ter mais um momento contigo, mesmo que fosse para tu estares a discutirmos e nós estarmos a rir. Obrigado por todas as lições que me ensinaste e por teres estado sempre ali para mim. Só queria que estivesse aqui connosco neste momento. Sempre pensarei em ti pai. Amo-te tanto. Obrigado por tudo. Voa alto. És uma lenda”, concluiu a filha de Mikala Jones. 

Porto de Sines assina Memorando de Entendimento no âmbito da Global Gateway

A Administração dos Portos de Sines e do Algarve (APS) e a CSN – Companhia Siderúrgica Nacional (Brasil) assinaram ontem, dia 12 de julho, um Memorando de Entendimento, no âmbito da iniciativa da Comissão Europeia Global Gateway.

O documento foi assinado pelo presidente da APS, José Luís Cacho, e pelo director da CSN, Pedro Brito do Nascimento, numa cerimónia que decorreu no Ministério das Infraestruturas, contando com a intervenção do Ministro das Infraestruturas, João Galamba.

O presente Memorando de Entendimento visa estabelecer o âmbito, as regras e os princípios orientadores da acção conjunta a desenvolver no sentido de estabelecer e desenvolver corredores logísticos sustentáveis, verdes e digitais de suporte a uma estratégia centrada em três pilares essenciais: “resiliência logística”, “resiliência energética” e “conectividade física e digital”.

Um compromisso que tem ainda por objectivo atrair investimentos estruturantes e de promoção da política industrial, constituindo particular oportunidade os segmentos como o do agronegócio, das matérias-primas críticas e do Hidrogénio Verde.

Na sua intervenção, o Ministro das Infraestruturas, João Galamba, frisou «a relevância do Memorando na promoção do desenvolvimento de infraestruturas portuárias, de transporte e materialização de corredores logísticos sustentáveis, verdes e digitais, visando o aumento da conectividade a uma escala Global».

Já o Presidente da APS, José Luis Cacho, garantiu «o empenho da Autoridade Portuária de Sines na concretização dos objectivos do Memorando e salientou as vantagens competitivas do Porto de Sines na promoção do comércio externo brasileiro para a Europa, destacando Sines como porta de entrada das exportações brasileiras para a Europa, particularmente no negócio agroalimentar».

Por seu lado, o Director da CSN, Pedro Brito do Nascimento, assumiu «a importância deste Memorando, vincando a necessidade da sua implementação abrangendo as áreas energéticas, mas também nas áreas da Segurança e Ambiente».

Por sua vez, Sofia Moreira de Sousa, Representante da Comissão Europeia, salientou «a importância da conectividade entre os países e continentes, principalmente na cadeia alimentar, nos dias de incerteza que vivemos hoje».

UE apoia novo acordo climático para o transporte marítimo

As novas metas climáticas para a indústria naval são bem-vindas na UE. 

“Esta meta ajudará a acelerar a transição, enviando um sinal claro para as indústrias de transporte marítimo e de combustível e incentivando as decisões de investimento e as escolhas de combustível necessárias”, diz um comunicado da Comissão Europeia. 

Na passada sexta-feira, a organização marítima da ONU, IMO, adoptou uma nova estratégia de CO2 para o transporte marítimo global até 2050, que visa “emissões líquidas zero em ou por volta de 2050”. Além disso, estabeleceu uma meta de redução de 20% nas emissões até 2030 – mas pretende atingir 30% até 2030 – e 70% até 2040, com esforços para atingir 80%.

Anteriormente, o objectivo era reduzir pela metade as emissões dos navios até 2050. No período que antecedeu a reunião, a UE exigiu que a IMO estabelecesse uma meta de redução de emissões em 29% em 2030 e 83% em 2040. O sector marítimo é actualmente responsável por cerca de 3% das emissões globais de CO2. Assim, é fundamental que a indústria se torne mais ambiciosa na luta pelo clima, afirma Inese Vaidere, copresidente da delegação do Parlamento. Desde que os estados membros da IMO adoptaram o novo acordo, as reacções da indústria foram positivas. 

Maersk, entre outros, chamou isso de “mudança de jogo”. Empresas de navegação, fabricantes de motores e fornecedores de combustível há muito procuram sinais claros da IMO.

Mares e Oceanos: O que diferencia?

É curioso que chamemos Terra ao nosso planeta, quando ele é constituído por mais de 70% de água. De toda esta água, apenas 2% está congelada em glaciares e calotes polares. 

Outra pequena fracção existe sob a forma de vapor na atmosfera. A grande maioria, 96%, é a água salgada que compõe os mares e oceanos.

Embora utilizemos frequentemente os termos “mar” e “oceano” como sinónimos, na realidade referem-se a massas de água com algumas diferenças entre si. Vejamos.

O tamanho

Os oceanos são muito maiores e separam os continentes. Os mares, por outro lado, são mais pequenos, geralmente adjacentes aos oceanos, e a grande maioria deles tem uma linha costeira, ou seja, estão em contacto com a terra em pelo menos um dos lados.

Existem 5 oceanos no mundo: Pacífico, Ártico, Antártico, Índico e Atlântico. Entretanto, existem dezenas de mares no mundo, 57 no total. O oceano mais pequeno é o Ártico, com 14.000.000 km2. O maior mar é o Mar Arábico, com 3.860.000 km².

A profundidade e a temperatura

Os oceanos são muito mais profundos do que os mares e contêm uma maior quantidade de água. Em média, os oceanos têm entre 7 mil e 10 mil metros de profundidade. O ponto mais profundo conhecido, o Challenger Deep, nas Ilhas Marianas do Oceano Pacífico, atinge nada menos que 11 034 metros abaixo da superfície. Todo o Evereste caberia neste abismo, mas estaria coberto por 1500 metros de água. Os mares, por outro lado, não são tão profundos. O Mar das Caraíbas é o mais profundo, com uma profundidade máxima de 6.900 metros.

A maior parte do oceano é fria, escura e profunda. O processo de fotossíntese ocorre apenas até cerca de 200 m abaixo da superfície, e a luz solar desaparece completamente a cerca de 1000 m. Estima-se que apenas 5% do universo oceânico tenha sido explorado pela humanidade, pelo que ainda há muito por descobrir.

A biodiversidade

Tanto os mares como os oceanos albergam uma grande variedade de espécies. As condições de profundidade, temperatura, luz solar e composição da água determinam que espécies habitam que partes dos mares e oceanos. Os oceanos produzem formas de vida básicas, como o plâncton, que tiram partido das condições de profundidade, pouca luz e alta pressão.

Mas a proximidade dos mares em relação à terra e as características das costas pouco profundas tornam estes ecossistemas marinhos particularmente ricos em vida. A luz solar abundante que penetra nas zonas costeiras permite o desenvolvimento de densas florestas de algas e de outros organismos vegetais marinhos.

Estas comunidades vegetais actuam como refúgios e fontes de alimento para numerosas espécies marinhas, desde pequenos peixes a crustáceos e moluscos. Além disso, muitas espécies migram para estas zonas em busca de águas mais quentes, alimentos abundantes e proteção contra predadores.

Tipos de mares

Existem diferentes categorias de mares que se diferenciam pela sua localização e características. Estas são as principais:

Mares Litorais: São os que se encontram nas margens costeiras dos oceanos, formando golfos pronunciados. Exemplos incluem o Golfo do México, o Mar das Caraíbas, o Mar Arábico e o Golfo da Biscaia. Estes mares são conhecidos pela sua proximidade da terra e pela sua rica biodiversidade.

Mares continentais: São mares isolados e com uma ligação limitada aos oceanos através de canais marítimos ou estreitos. Um exemplo proeminente é o Mar Mediterrâneo, que comunica com o Oceano Atlântico através do Estreito de Gibraltar.

Mares interiores: Também conhecidos como mares fechados ou lagos, são massas de água encerradas nos continentes e não têm ligação direta aos oceanos. Exemplos incluem o Mar Morto, o Mar Cáspio e o Mar de Aral.

No vocabulário científico, os termos “marinho” ou “oceânico” são utilizados para designar os corpos com uma elevada concentração de sais, enquanto os termos “aquático” ou “doce” são utilizados para os lagos e rios de água doce.

Os termos “marinho” e “marítimo” têm usos e significados diferentes. O termo “marinho” refere-se directamente ao mar e é utilizado nas ciências e na biologia marinhas, onde se estudam os organismos e os fenómenos marinhos. Em contrapartida, “marítimo” refere-se a objectos ou actividades relacionadas com o mar, por exemplo, a previsão marítima.

Relativamente ao nome Terra, existem várias hipóteses sobre a razão pela qual se chama Terra. Uma delas sugere que provém da deusa Terra ou Tellus, derivada de Gaea na mitologia grega e romana. Outra opinião é que “Terra” não se refere a divindades, mas ao chão que pisamos e onde cresce a vida, uma vez que na antiguidade não se tinha a certeza de que se tratava de um planeta.

Portugal e São Tomé apontam sucesso de missão de 5 anos do NRP Zaire

 “A missão do NRP Zaire que termina, teve na sua génese uma visão comum entre os nossos dois países sobre a imperativa necessidade de segurança marítima na região do Golfo da Guiné. Existe uma real exposição a ameaças que prejudicam este país. Estas ameaças afectam a estabilidade, a paz a sustentabilidade dos recursos marinhos e bem-estar das populações. Por isso, exige-se uma efetiva segurança marítima nesta região”, assinalou o Chefe do Estado-Maior da Armada portuguesa.

O almirante Gouveia e Melo defendeu que “as ameaças à segurança marítima de um país devem ser sempre também entendidas como ameaças transnacionais”, porque atravessam as fronteiras marítimas “afectando países africanos e europeus, impactando negativamente as suas relações comerciais, sociais e culturais”.

Gouveia e Melo sublinhou que a missão do NRP Zaire teve uma “natureza única” por ter sido operada por uma guarnição mista de 23 militares portugueses e 14 são-tomenses.

“Neste período de missão, o ‘Zaire’ contou com 2.013 dias de missão, tendo percorrido mais de 37 mil milhas. No mar, realizou 19 acções de busca e salvamento, as quais resultaram no salvamento de 18 vidas, 31 acções de fiscalização conjunta, 13 acções de segurança marítima no âmbito da pirataria, oito vistorias a navios no mar e também participou em diversos exercícios internacionais”, descreveu Gouveia e Melo.

A missão do NRP “Zaire” promoveu actividades de formação em saúde, limitação de avarias, abordagem de navios ou manutenção.

O novo navio e embarcação de fiscalização enviados por Portugal deverão chegar a São Tomé dentro de dois meses para dar continuidade ao projeto de cooperação de fiscalização conjunto do mar são-tomense e do Golfo da Guiné.

Previsão em alta para os cruzeiros no Porto de Lisboa.

É de esperar que o sector dos cruzeiros melhore significativamente este ano, superando os resultados obtidos antes da pandemia e batendo records. 

A Administração do Porto de Lisboa prevê 350 escalas e 700 mil passageiros, este ano, a passarem pela capital. 

Carlos Correia, presidente da APL (na foto), estima que a indústria de cruzeiros possa contribuir com 379 milhões de euros para o produto interno bruto.

Concessão de Estaleiro de Manutenção, no Porto da Praia da Vitória.

A Portos dos Açores, S.A., divulgou um concurso público que visa atrair potenciais interessados a investir em estaleiro sito no porto da Praia da Vitória, na Ilha Terceira.

Este estaleiro tem o potencial acrescentado de estar num porto de águas profundas e amplas, central na Região Autónoma dos Açores e no Oceano Atlântico.

Pode dar resposta às embarcações locais, mas. acima de tudo, tem capacidade e espaço portuário subjacente que lhe permite, caso o investimento vá nesse sentido, de ser aumentado e capacitado como um verdadeiro ponto de apoio estratégico no meio do Atlântico, podendo constituir-se como uma excelente opção de investimento, que dê suporte à crescente procura existente no âmbito da manutenção, parqueamento e reparação naval.

CIIMAR desenvolve modelos numéricos para estudar a subida do nível do mar

O estudo “Trends of sea-level rise effects on estuaries and estimates of future saline intrusion”, realizado por investigadores da Universidade Federal da Bahia (UFBA) e do Centro Interdisciplinar de Investigação Marinha e Ambiental da Universidade do Porto (CIIMAR-UP), agora publicado na revista Ocean & Coastal Management, recorreu a estudos científicos anteriores para desenvolver um modelo preditivo que permite antecipar a posição da intrusão salina em estuários para o cenário provável da elevação do nível do mar nos próximos anos.

Este trabalho baseou-se numa análise sistemática e síntese dos resultados dos modelos hidrodinâmicos de estudos anteriores desenvolvidos em todo o mundo e aponta a importância das ferramentas preditivas nas medidas de mitigação associadas ao aumento significativo da intrusão de água salgada nos estuários.

Os relatórios iniciais do Intergovernamental Panel on Climate Change (IPCC) previam que o nível do mar subiria em 60 centímetros até 2100 como resultado das alterações climáticas do planeta. Contudo, no seu relatório mais recente (AR6) já é considerado que, devido à nossa incapacidade de controlar as emissões de gases com efeito de estufa, o aumento do nível do mar deverá atingir 1 metro ou mesmo 2 metros até 2100, com impactos directos não só na biodiversidade, mas também na qualidade da água e na economia das regiões costeiras.

O estudo que envolveu os investigadores do CIIMAR Irene Martins e Yuri Costa (CIIMAR/UFBA) indica que a maioria dos trabalhos científicos relacionados com esta questão usou modelos numéricos hidrodinâmicos para analisar a intrusão salina no estuário. Foram estes modelos que serviram de base aos investigadores do CIIMAR para desenhar um modelo estatístico que permite agora antecipar a intrusão salina nos estuários dos rios e assim conhecer o seu impacto nestes ecossistemas.

O uso de modelos numéricos associados a dados obtidos experimentalmente é essencial para efectuar previsões da variação futura da dinâmica de ecossistemas costeiros. “Pensamos que a utilização de ferramentas numéricas, associadas a metodologias experimentais, são de extrema importância para a adopção de medidas adequadas à preservação e conservação de sistemas costeiros, como estuários e rias”, refere Irene Martins, investigadora do CIIMAR envolvida no estudo. Este tipo de previsões é de extrema importância para a tomada de decisões que possam mitigar os efeitos das alterações climáticas e eventos extremos nos ecossistemas costeiros, os quais são densamente povoados e de importância crucial em termos económicos.

Apesar da posição da intrusão salina depender muito da dimensão do estuário, da descarga do rio no estuário e do cenário de elevação do nível do mar, o modelo estatístico desenvolvido no âmbito deste trabalho ajuda a estimar essa posição para qualquer estuário usando apenas dados de descarga, independentemente do local.

Por exemplo, “para um cenário moderado de elevação de 1 metro no nível actual do mar, são esperados incrementos na posição das isolinhas que podem variar de 4% a 331% a depender da descarga do estuário”, explica Yuri Costa, investigador do CIIMAR e primeiro autor do artigo. “Evidentemente que, dependendo da precisão exigida, essa estimativa não substitui a criação de um modelo hidrodinâmico baseado na dinâmica do próprio estuário”, acrescenta. Contudo, este modelo estatístico apresenta-se como uma peça chave para antecipar os principais desafios relacionados com o aumento do nível do mar nestes habitats.

Segundo Irene Martins, o estudo “alerta para a importância da adopção de medidas de mitigação e adaptação para minimizar os impactos do aumento do nível do mar nos estuários, com indicação de ferramentas de previsão úteis para gestores públicos e decisores no planeamento de medidas de adaptação.” Mas os resultados deste trabalho destacam também o esforço por parte da comunidade científica para realização de estudos que “devem combinar os resultados de vários tipos de modelos numéricos (estatísticos, dinâmicos, etc.) trabalhando em pequena e média escala, para geração de informações que sejam úteis do ponto de vista da gestão.”

Além disso é importante destacar a importância dos modelos hidrodinâmicos como ferramenta para fornecer previsões na escala local, uma vez que os modelos climáticos oferecem resultados em escala global. Os modelos aplicados na escala local são de extrema importância para criação de estratégias de mitigação por parte dos gestores.

Segundo Yuri Costa, o estudo revelou que a combinação do avanço do mar sobre o estuário combinado com a seca extrema em terra leva a uma penetração de salinidade amplificada, uma vez que não só há maior avanço do mar sobre o estuário como diminuição da descarga do rio sobre o estuário. “A dinâmica natural de um estuário é o equilíbrio entre a penetração das ondas de maré, que carregam a água do mar para o estuário, e a descarga do rio que fornece água doce. Ora, a elevação do nível do mar favorece a entrada da água mais salgada, enquanto a descarga impede que a água salgada avance demasiado rio acima. Rios com pouca descarga naturalmente tornam-se mais salgados durante a maré cheia”, explica o investigador.

Sendo um dos fenómenos associados às mudanças climáticas o aumento de eventos extremos, entre eles a grande amplitude da pluviosidade com inundações ou períodos de seca prolongados, crescem também os desafios associados a estas grandes variações de salinidade nos estuários tanto para a biodiversidade como para as populações e a economia local.

Em cenários de elevação do nível do mar, a penetração da salinidade tenderá a intensificar-se, e a evaporação das águas pode aumentar a salinidade dos estuários, causando um processo chamado de marinização do estuário e que já está a ser registado em alguns locais. Nesse processo, espécies marinhas que não costumam habitar o ecossistema estuarino passam a colonizar este ambiente, uma adaptação que aparentemente não parece ter consequências, mas que esconde outros problemas.

“Isto abre o precedente para espécies oportunistas, como as espécies invasoras, que reconhecidamente causam desequilíbrio ambiental. Por exemplo, uma espécie de peixe invasor pode chegar ao ambiente estuarino numa situação de desequilíbrio e ser favorecida por ser mais tolerante a situações stressantes enquanto as espécies nativas ainda se estão a adaptar às novas condições. Neste caso, as espécies invasoras podem reduzir drasticamente os recursos alimentares das espécies nativas, competindo com elas e reduzindo-as até à sua extinção nesse local”, explica Yuri Costa.

Além das preocupações com a biodiversidade, o investigador do CIIMAR aponta o problema da introdução de espécies invasoras para as populações. “Outro factor preocupante é que estas espécies invasoras podem afectar os recursos alimentares, e muitas vezes de subsistência, para as populações humanas envolventes que não têm essas espécies invasoras como alvo de captura e apenas percebem o declínio das espécies que tradicionalmente costumavam capturar.”    

Como seria o "net zero" no shipping?

A IMO – A Organização Marítima Internacional estabeleceu uma meta “net zero” por volta de 2050. O que é necessário para chegar a isso?

Numa Assembleia da ONU, os países concordaram em reduzir as emissões de navios para “net zero” por volta de 2050.  Na reunião anual da Organização Marítima Internacional (IMO), os países concordaram em reduzir as emissões em 20% até 2030 e 70% até 2040, em comparação com os níveis de 2008, e 100% até ou por volta de 2050. Pequenas nações insulares e países mais ricos haviam chamado para uma redução de 50% até 2030 e 96% até 2040. Kitack Lim, secretário-geral da IMO, descreveu o acordo como um “desenvolvimento monumental [que] abre um novo capítulo para a descarbonização marítima”. Mas os activistas alertam que o acordo é um falhanço e não conseguirá alinhar a indústria naval com a meta do Acordo de Paris de limitar o aumento da temperatura global a 1,5°C até o final deste século. A navegação é uma indústria altamente poluente, responsável por quase 3% das emissões globais e gerando cerca de um bilião de toneladas de gases de efeito estufa a cada ano – aproximadamente a mesma quantidade que a pegada de carbono da Alemanha. Se fosse um país, a indústria naval seria a sexta maior poluidora do mundo.

A redução rápida das emissões marítimas nas próximas três décadas exigirá novos regulamentos, infraestruturas e combustíveis. Mas como seria o transporte ecológico do futuro?

Navios movidos a vento 

A indústria naval pode reduzir a sua dependência de combustíveis fósseis recorrendo a uma tecnologia antiga: as velas. A propulsão eólica é considerada uma das fontes de energia mais promissoras disponíveis para a rápida descarbonização da navegação. A empresa sueca Oceanbird construiu um protótipo de navio com quatro velas rígidas. A energia eólica não apenas impulsiona o navio para a frente, mas também ajuda na sua manobrabilidade e agilidade na água. Um dos maiores desafios é encorajar governos e investidores a adoptar a propulsão eólica e modernizar navios, enquanto a propulsão eólica ainda está em estágio inicial.

Hidrogénio 

A implantação de combustíveis limpos, como o hidrogénio, é fundamental para que a indústria naval atinja o zero líquido até 2050. O hidrogénio verde – gerado pelo uso de energia renovável, como energia eólica ou solar, para extrair hidrogénio das moléculas de água – é livre de emissões. Mas existem alguns desafios importantes ao implantar o hidrogénio: o combustível deve ser armazenado em temperaturas criogénicas de -253 C°e a tripulação deve ser treinada para saber manuseá-lo, pois o combustível é altamente inflamável.

Metanol 

A Maersk, a segunda maior empresa de transporte de contentores do mundo, está apostando no metanol verde para ajudar a descarbonizar. A empresa encomendou um total de 25 navios movidos a metanol até ao momento. O metanol verde é um combustível de baixo carbono que pode ser produzido a partir de biomassa sustentável ou usando eletricidade renovável para dividir a água em oxigénio e hidrogénio, que é combinado com dióxido de carbono. Ao contrário do hidrogénio, o metanol verde não precisa ser armazenado sob pressão ou frio extremo, e muitos portos já possuem infraestrutura para armazenar o combustível. Mas o processo é complexo: o CO2 deve ser capturado da atmosfera, tecnologia ainda emergente, cara e ainda não comprovada.

Barcos elétricos 

As baterias carregadas com electricidade renovável são outra maneira de reduzir as emissões dos navios. Mas há limites para as distâncias que podem alimentar. Actualmente, as baterias renováveis ​​são uma opção apenas para navios menores que fazem viagens curtas, como balsas e barcos fluviais, e não para grandes cargueiros que cruzam oceanos. Em vez disso, os proprietários de navios estão procurando alimentar navios de carga com uma combinação de energia eólica e painéis solares. A empresa japonesa de sistemas de energia renovável Eco Marine Power, por exemplo, desenvolveu “EnergySails”: Velas rígidas equipadas com painéis solares, que permitem que os navios usem energia solar e eólica ao mesmo tempo.

Infraestruturas verdes 

Uma rápida absorção de combustíveis verdes em navios exigirá uma nova infraestrutura abundante nos portos para produzi-los e armazená-los e permitir que os navios reabasteçam. Os portos devem investir em eletrolisadores geradores de hidrogénio, capacidade de energia renovável, como energia eólica e solar, bem como baterias e instalações de armazenamento de hidrogénio. A maioria dos navios também precisará ser adaptada para permitir que funcionem com combustíveis verdes, usem propulsão eólica e software digital para melhorar sua eficiência e optimizar rotas.

Apoios de 650.000€ para Pesca, Aquacultura e Salicultura.

A pequena pesca e aquicultura e a salicultura podem candidatar-se, até 15 de agosto, a um apoio global de 650.000€ para compensar os custos com a gasolina, informa o Ministério da Agricultura.

“A Portaria n.º194/2023, que estabelece as condições e os procedimentos aplicáveis à atribuição, em 2023, de um subsídio correspondente a uma redução no preço final da gasolina e do gás de petróleo liquefeito (GPL), consumidos na pequena pesca artesanal e costeira, na pequena aquicultura e salicultura foi publicada”, anunciou, em comunicado, o Ministério da Agricultura e da Alimentação, que também tem a pasta das pescas.

Em causa está um apoio de 650.000 euros.

As candidaturas à atribuição dos subsídios podem ser efectuadas, até 15 de agosto, junto da Direcção-Geral dos Recursos Naturais, Segurança e Serviços Marítimos (DGRM).

O Governo precisou que o montante a atribuir corresponde a um desconto por litro no valor da gasolina ou do GPL, “equivalente ao valor da taxa reduzida do imposto sobre os produtos petrolíferos aplicada ao gasóleo consumido na pesca”.

O segmento mais afectado é a pequena frota local a gasolina, pelo que terá a maior incidência deste apoio.