Porto de Leixões regista crescimento de 88% nos cruzeiros.

O Porto de Leixões registou no primeiro semestre de 2023 um crescimento de 88% no número de passageiros e de 12% no número de navios face ao mesmo período de 2022. 

Nos primeiros seis meses do ano, Leixões recebeu 56 navios de cruzeiro e 68.203 passageiros traduzindo-se no melhor 1º semestre de sempre no que diz respeito à actividade de cruzeiros. 

Neste período, registaram-se ainda 7 escalas inaugurais de um total de 14 esperadas até final do ano.

Lucro da Møller-Mærsk cai 75% até junho.

O lucro da dinamarquesa A.P. Møller-Mærsk caiu 75% até junho, para 3.810 milhões de dólares (3.483 milhões de euros), face a igual período do ano anterior, anunciou a empresa de logística do sector marítimo.

O resultado líquido é explicado pela queda das taxas de frete, depois de terem atingido níveis recorde há um ano, e pela diminuição da procura causada pela redução dos stocks na América do Norte e na Europa.

O resultado líquido de exploração (EBIT), por sua vez, atingiu os 3.933 milhões de dólares (3.595 milhões de euros), o que representou uma queda de 76% em termos homólogos.

O volume de negócios, por sua vez, foi de 27.195 milhões de dólares (24.861 milhões de euros), menos 34% em relação a idêntico período do ano passado.

No segundo trimestre, o lucro do grupo caiu 83% face a igual período do ano anterior, para 1.487 milhões de euros (1.359 milhões de euros).

O EBIT foi de 1.607 milhões de dólares (1.469 milhões de euros), menos 82% em termos homólogos.

O volume de negócios caiu 40% no trimestre em análise, para 12.988 milhões de dólares (11.873 milhões de euros), face a idêntico trimestre do ano anterior.

Assunção Cristas recebe Prémio Padrão dos Descobrimentos 2023.

Assunção Cristas, Professora e Coordenadora do Mestrado em Direito e Economia do Mar – A Governação do Oceano, foi atribuído o Prémio Padrão dos Descobrimentos 2023. 

O prémio é um Galardão atribuído anualmente pelos Alumni da Escola Superior Náutica Infante D. Henrique a uma personalidade, que não tendo sido formada na Escola Náutica, tenha dado um contributo relevante ao longo da sua carreira para o desenvolvimento da Economia do Mar.

MSC junta-se a coligação ligada ao GNL

A maior
transportadora de contentores do mundo, a MSC – Mediterranean Shipping Company,
decidiu-se juntar à SEA-LNG, uma coligação industrial multissectorial formada
para mostrar os benefícios do caminho do GNL como um caminho para a
descarbonização marítima.

 A companhia
marítima italo-suiça tem feito investimentos em embarcações movidas a GNL
nos diversos sectores em que actua nos últimos anos.

“Estamos
empenhados em catalisar o desenvolvimento, acessibilidade e aceitação de
combustíveis líquidos zero e acreditamos ter encontrado outro excelente
parceiro para ajudar a continuar a impulsionar a indústria nessa direcção.
Estamos ansiosos para trabalhar com a SEA-LNG para avaliar e colaborar ainda
mais com as empolgantes perspectivas de longo prazo do bio-GNL, particularmente
o GNL sintético renovável, como moléculas de combustível marinho
convencionais”, afirmou Bud Darr, vice-presidente executivo de Política
Marítima e Governo Assuntos do Grupo MSC.

Darr
acrescentou: “Em alinhamento com os nossos compromissos de zero emissões até 2050,
vemos o GNL de base fóssil como um combustível em transição e esperamos
plenamente que o GNL sintético e renovável seja uma parte fundamental de nossa
estratégia multicombustível de longo prazo para implantação combustíveis
líquidos zero”.

Os cinco
primeiros porta-contentores de combustível duplo da MSC com capacidade para GNL
entraram em serviço em 2022. A MSC diz que está dedicada a manter uma frota
contemporânea que acelerará o progresso em direcção à descarbonização líquida
zero, substituindo as embarcações tradicionais de combustível por embarcações
com capacidade de combustível duplo, particularmente aquelas movidas a GNL , A
curto prazo.

 Além disso,
a MSC pretende operar as suas embarcações com uma variedade de opções de
combustível no futuro, com foco naquelas que podem se tornar acessíveis em larga escala nos próximos anos. A empresa também é um parceiro activo e membro da
Iniciativa de Redução de Metano na Inovação Marítima (MAMII) e da Sociedade de
Gás como Combustível Marinho (SGMF).

“O GNL está
disponível hoje em escala para transporte marítimo profundo. A infraestrutura
de GNL existente pode acomodar bio-GNL e GNL sintético renovável à medida que
se tornam cada vez mais acessíveis, diminuindo as barreiras ao investimento.
Esperar não é uma opção; o caminho do GNL oferece benefícios imediatos de
descarbonização e uma rota para o transporte líquido zero”, afirmou Peter
Keller, presidente da SEA-LNG.

O Porto de Aveiro será uma das principais bases industriais das Eólicas.

O Ministro
das Infraestruturas assume o Porto de Aveiro como nuclear na expansão do
cluster das energias eólicas e anuncia que há negociações para levar a área
portuária até à área militar de São Jacinto.

João Galamba
fez a afirmação no programa Town Hall da CNN Portugal, na Universidade de
Aveiro.

Conhecida a
informação sobre investimentos em curso de ampliação de instalações da empresa
sul-coreana CS Wind e a colocação de três parcelas a concurso para concessão de
espaços também no setor das eólicas, Galamba diz que o cluster vai ganhar
músculo e o Porto de Aveiro é “capital” neste processo.

São mais 190
mil metros quadrados de ocupação na Zona de Atividades Logísticas e Industriais
para empresas do setor das energias eólicas offshore.

 Uma das
áreas a concessionar tem frente para o cais de acostagem numa extensão de 200
metros a ser construída pela futura entidade concessionária.

Portos em Portugal com melhor performance que Espanha.

De acordo
com a AMT – Autoridade da Mobilidade e dos Transportes, os portos
nacionais  tiveram uma melhor performance
geral que os espanhóis nos primeiros cinco meses do ano, de acordo com os dados
disponíveis.

 De acordo
com o relatório relativo ao mês de Maio, onde se efectuou o enquadramento
ibérico da actividade portuária, ambos os portos registaram perda de cargas,
sendo que a nível nacional, existiu uma baixa de 0,5%, contra a descida de 3,5%
dos portos do país vizinho.

 Em relação a
2022, Portugal ultrapassou Espanha em matéria de carga geral (perdas de 0,9%
contra 5,8%) e nos granéis sólidos (ganhos de 7,5% contra 1%. Espanha só
ultrapassou Portugal no segmento de granéis líquidos ( 2,1% contra 3,6% )

 Em relação
ao mesmo período, mas no segmento contentorizado, os dados da AMT revelam que
Portugal esteve melhor que Espanha nas perdas (-6,1% contra
  -8,3%), 
sendo que na questão do hinterland, os papeis inverteram-se com os
portos nacionais piores que os espanhóis, havendo ainda compensação pelos
resultados obtidos pelo transhipment.

Surf: Gabriela Dinis sagra-se campeã nacional Pro Júnior

Gabriela Dinis sagrou-se campeã nacional Pro Júnior na praia do Mirante, em Santa Cruz. A surfista de 19 anos chegou às meias-finais no Projunior Santa Cruz, 3.ª e última etapa do Junior Tour, conquistando o seu primeiro título nacional na categoria de Sub-20.

Em três etapas realizadas, Gabriela venceu as duas primeiras e terminou em 3.º lugar, ‘ex-aequo’ nesta última e decisiva prova para atribuição dos títulos nacionais masculino e feminino, tendo perdido nas meias-finais para Erica Máximo.

“Estou contente por me ter sagrado campeã nacional de Sub-20, era um dos objectivos para este ano”, afirmou a campeã. “Este circuito de Sub-20 é uma ótima iniciativa da ANS porque, na verdade, muitos de nós deixamos de ser juniores Sub-18 e é importante termos um circuito entre a categoria júnior e a Open. A 1ª etapa do circuito no Porto e Matosinhos correu-me bastante bem, estavam boas ondas e consegui terminar em 1º lugar. Depois na etapa de Viana do Castelo lembro-me que foram mais esquerdas e também consegui ganhar. Esta etapa em Santa Cruz não correu como queria, mas estou contente em ter-me sagrado campeã nacional. Desde sempre que gosto muito de surfar em Santa Cruz e foi aqui que me sagrei campeã nacional pela primeira vez em Sub-16. É um sítio especial para mim e agora ainda mais com este título Pro Júnior. O campeonato teve ondas boas ao longo dos dois dias, melhor no sábado do que no domingo”, analisou.

TransforMAR: o projecto que recolhe plástico para salvar o mar

Está de volta o projecto que, em cinco anos, recolheu das praias portuguesas 180 toneladas de plástico. O TransforMAR – promovido pelo Lidl Portugal juntamente com o Electrão, em parceria com a Brigada do Mar, Marinha Portuguesa e Associação Bandeira Azul da Europa (ABAE), e com o apoio da Agência Portuguesa do Ambiente (APA) e da Quercus – vai para o sexto ano consecutivo com o objetivo de continuar a salientar a importância da consciência ambiental, remover plástico das praias e promover a economia circular.

Desde 2018 que têm vindo a ser levadas a cabo nas praias portuguesas acções que incentivam não apenas à reciclagem dos resíduos como também à redução da utilização de plástico, dando mecanismos às famílias para contribuírem para um planeta mais sustentável. Ao longo dos anos, o projecto tem vindo a crescer e actualmente marca presença em quase duas vezes mais praias do que na primeira edição. Além disso, o sucesso mede-se também em quantidade de plástico recolhido: se no início foram 1,5 toneladas, no ano passado foram 67.

Mas, mais do que implementar depósitos para a recolha de resíduos de plástico e metal em 20 praias, vão ser feitos jogos e quizzes sobre sustentabilidade para toda a família e atividades lúdicas para crianças em colónias de férias por todo o país, num total de cerca de 30 praias impactadas. A juntar a isto, em colaboração com a Marinha Portuguesa, o TransforMAR vai financiar operações de recolha de redes de pesca em alto mar.

Segundo dados veiculados pela União Europeia, os resíduos produzidos pelas atividades de pesca representam 27% do total dos resíduos marinhos de plástico encontrados no espaço europeu, nos quais se incluem as redes de pesca. E, como o nome do projecto não é em vão, nos últimos cinco anos o plástico recolhido tem sido transformado, dando origem a diferentes produtos, desde aparelhos de atividade física a mobiliário urbano e até t-shirts. Este ano, as redes de pesca recolhidas vão ganhar uma nova vida através de sacos de fibras recicladas cujo valor de venda, indica a Responsável de Sustentabilidade do Lidl Portugal, Ana Burmester, “continuará a apoiar a actividade da Marinha na preservação do habitat marinho”.

Os bons resultados do projecto não significam, contudo, que a necessidade de realizar actividades de consciencialização desapareceu. O facto de apenas 50% das embalagens serem recolhidas e recicladas indica que ainda há muito a fazer. Apesar de há mais de duas décadas o país investir na reciclagem, “os resultados continuam aquém do esperado”, considera Ana Matos, Responsável de Sensibilização, Comunicação e Educação do Electrão.

“Ideias erradas sobre a reciclagem, falta de informação ou algumas dificuldades de acesso às infraestruturas explicam comportamentos menos adequados”, diz ainda. Por isso mesmo, e até que as práticas sustentáveis estejam tão incutidas na nossa rotina como lavar os dentes, as atividades de sensibilização continuam e continuarão a fazer sentido.

Alta temperatura do oceano provoca desastre ambiental no sul da Flórida

O Sul da Flórida (EUA) enfrenta uma catástrofe. Ao longo da extensa costa de recifes do arquipélago Florida Keys, dezenas de cientistas trabalham contra o tempo para resgatar os corais dos recifes, que correm o risco de morrer devido ao grande aumento da temperatura do oceano.

Funcionários de organizações locais navegaram diariamente, nas últimas duas semanas, até aos viveiros que instalaram no mar, a fim de recolher amostras de cada espécie de coral antes que seja tarde demais.

O objetivo é mantê-los a salvo em diversos laboratórios da região, onde serão conservados em tanques com água salgada na temperatura ideal para eles.

Esses seres vivos sobrevivem entre temperaturas de 21 a 28,8 ºC, explicou o coordenador de tecnologia da ONG Coral Restoration Fundation, Alex Neufeld. Mas se o mar está quente demais, os corais expulsam as zooxantelas – algas que vivem nos seus tecidos e fonte de alimentação, energia e coloração. Os corais ficam brancos quando isso acontece, um sinal de que correm risco de vida caso a condição do ambiente não mude.

As temperaturas da água no estreito da Flórida ultrapassaram os 32 ºC na última semana. A baía Manatee bateu o seu recorde na segunda-feira, ao atingir 38,38 ºC.

“A água morna não é boa para nenhum organismo marinho, sejam corais, peixes, lagostas”, diz Neufeld. “Portanto, corremos o risco de ver mortes em massa de peixes, tartarugas marinhas” e outras espécies.

A magnitude do branqueamento dos corais e o facto de ter ocorrido tão cedo, com grande parte do verão ainda por decorrer, são as maiores preocupações dos cientistas.

O recife da Flórida, um dos maiores do mundo, estende-se por cerca de 580 quilómetros das Ilhas Dry Tortugas – 110 quilómetros a oeste de Keys – até St. Lucie Inlet, a quase 200 quilómetros a norte de Miami. E o seu papel no meio ambiente é fundamental. Além de ser o habitat de diversos animais marinhos, constitui uma das principais barreiras de proteção contra furacões e ressacas.

Brian Branigan, um capitão de 65 anos e dono de uma empresa de aluguer de barcos em Big Pine Key, uma região do arquipélago, é uma testemunha da degradação diária dessa barreira de recifes.
“O que aconteceu nas últimas duas semanas é terrível, chocante. Apetecia-me chorar enquanto estava na água, a mergulhar”, diz ele, enquanto pilota uma lancha até ao recife Looe Key, a cerca de 10 km da costa.

Ali, a poucos metros da superfície do mar, nadam barracudas, peixes-papagaio e peixes-cirurgião no local do desastre. Ao lado, os normalmente coloridos corais do recife são agora uma enorme mancha branca.

Negócios como o dele, que levam turistas para pescar ou mergulhar, dependem muito da sobrevivência dos recifes de corais. “Estamos preocupados com o impacto pessoal e financeiro. Tenho a certeza de que isso terá alguma consequência negativa, catastrófica mesmo”, lamenta Branigan.

De acordo com o Escritório Nacional de Gerenciamento Oceânico e Atmosférico dos EUA, os recifes de corais da Flórida geram dois mil milhões de dólares em receita para a eocnomia local e 70.400 empregos.

Os oceanos estão a mudar de cor.

A cor dos oceanos mudou nos últimos 20 anos. Esta mudança, subtil ao olho humano, aconteceu em mais de 56% dos oceanos do mundo – uma área maior do que a superfície terrestre total do nosso planeta.

A alteração na cor dos oceanos significa que os ecossistemas marinhos também podem sofrer transformações. Embora a natureza exata desta mudança ainda não seja clara, os cientistas acreditam que é uma consequência das alterações climáticas induzidas pelo Homem.

“Há anos que faço simulações que me dizem que estas alterações na cor dos oceanos vão acontecer”, disse Stephanie Dutkiewicz, coautora do artigo científico, publicado recentemente na Nature.
“Ver isto a acontecer não é surpreendente, mas assustador. E estas alterações são consistentes com as alterações induzidas pelo Homem no nosso clima”, acrescentou, citada pelo ZME Science.

A cor do oceano é determinada pelas camadas superiores, que refletem as substâncias presentes no seu interior. Enquanto que as águas azuis profundas indicam escassez de vida, as águas mais verdes sugerem a presença de organismos fotossintéticos, nomeadamente fitoplâncton.

fitoplâncton sustenta uma grande variedade de organismos e desempenha um papel muito importante na capacidade do oceano absorver e armazenar dióxido de carbono. É por isso que os cientistas monitorizam regularmente as populações de fitoplâncton à superfície do oceano, analisando a forma como poderão reagir às alterações climáticas.

Para acompanhar as alterações da clorofila, é necessário avaliar o rácio entre a luz azul e verde refletida pela superfície do oceano, através de observações por satélite.

No entanto, em 2010, um estudo alertou para o facto de que, se os cientistas se limitassem a analisar a clorofila, seriam necessários pelo menos 30 anos para detetar qualquer alteração resultante das alterações climáticas.

Neste novo estudo, os investigadores analisaram as medições da cor dos oceanos realizadas pelo Moderate Resolution Imaging Spectroradiometer (MODIS), um instrumento do satélite Aqua que capta diferenças de cor impercetíveis ao olho humano.

Realizaram, então, uma análise estatística utilizando em conjunto as sete cores do oceano medidas pelo satélite entre 2002 e 2022. Num primeiro momento, analisaram a variação das cores de região para região durante um determinado ano para inferir informações sobre as flutuações naturais.

Depois, alargaram o método a um período mais alargado de duas décadas. Esta análise revelou uma tendência clara que não podia ser explicada pela variabilidade típica anual.

Foi então que os cientistas usaram um modelo climático para verificar se existia uma ligação entre a tendência observada e as alterações climáticas. Simularam os oceanos em dois cenários diferentes: um com a adição de gases com efeito de estufa e outro sem.

O primeiro cenário previa alterações na cor dos oceanos em cerca de 56% dos oceanos do mundo, em conformidade com o que a equipa descobriu.

“Isto sugere que as tendências que observamos não são uma variação aleatória no sistema terrestre”, destacou B.B. Cael, principal autor do estudo. “As conclusões são consistentes com as alterações climáticas antropogénicas.”