Container xChange: Tempos difíceis para o Shipping em 2024

Prevê-se que a indústria de transporte de contentores enfrente uma procura persistentemente reduzida e um excesso de oferta, potencialmente levando a uma concorrência mais acirrada, a uma maior redução dos lucros e a uma possível consolidação do mercado em 2024. 

“Embora a fiabilidade dos horários esteja a melhorar, desafios persistentes permanecem. Espera-se que as viagens em branco aumentem em resposta à volatilidade do mercado, enquanto a disponibilidade desequilibrada de contentores, impulsionada por crises económicas, pode continuar em certas regiões”, afirma a Container xChange no seu relatório intitulado 2023 Shipping Industry Trends and Future of Shipping in 2024.

O Shipping enfrenta o risco de excesso de oferta em 2024, uma vez que as entregas deverão aumentar para 2,95 milhões de TEUs, acrescentou o relatório. O aumento nas entregas, incluindo Megamaxes e Neopanamaxes, pode levar a uma concorrência intensa, lucros reduzidos e potenciais fusões e aquisições. “As transportadoras, especialmente na América do Norte, estão a navegar num equilíbrio delicado entre a procura impulsionada pelo governo e o aumento das taxas de juro. 

O excesso de encomendas de navios durante o boom económico pode criar excesso de capacidade, transformando os lucros de 2023 em perdas de 2024. Prevê-se que o sector enfrente desafios restaurar o equilíbrio da oferta e da procura até 2026.” 

Reciclar e despoluir é desafio do Século XXI para o Transporte Marítimo.

Questionar as convenções do sector marítimo e portuário e repensar a indústria rumo à sustentabilidade é o propósito das Maritime Sisters, duas mulheres a dar cartas num mundo de homens. 

As irmãs holandesas, Marjolein e Sylvia Boers, baseadas em Roterdão, criaram uma empresa que funciona como uma agência de inovação que faz a ponte entre a indústria e o governo e entre as startups e as companhias de navegação. 

E fizeram a intervenção de abertura do último dia da Cimeira de Cascais do Mobi Summit, na Nova SBE em Carcavelos.

“Percebemos que as mudanças rumo à transição energética do sector não estão a acontecer tão rapidamente como deveriam e estamos empenhadas em que os Países Baixos mantenham uma posição de relevo e vanguarda, mas para isso é preciso inovar e reunir os vários agentes que o podem fazer, sob pena de sermos ultrapassados”. Este é o posicionamento das empresárias, que estão particularmente convencidas de que uma das peças centrais para a reabilitação desta indústria está na economia circular e na reciclagem dos navios que chegam ao fim de vida. Se pudermos manter 99% da reconversão dos materiais em solo holandês ou, pelo menos, dentro da UE, isso também é uma maneira de reduzir a nossa dependência de matérias-primas.

Na verdade, “os armadores de um velho navio podem estar sentados em cima de ouro”, diz Marjolein Boer. É que o desmantelamento pode e deve ser rentável. Na sua apresentação, as Maritime Sisters deram como exemplo o desmantelamento do maior navio do mundo, com 20 anos, em que 60 a 80% dos materiais puderam ser reaproveitados. Essa é uma via para uma maior sustentabilidade.

Porto de Aveiro acolheu acção de formação de combate à poluição.

O Porto de Aveiro acolheu, entre 22 e 24 de novembro, o curso de “Operador de Combate à Poluição do Mar”, ministrado pela Direcção de Combate à Poluição do Mar (DCPM), organismo da Direcção-geral da Autoridade Marítima (DGAM).

No curso participaram 31 formandos, pertencentes aos quadros da Administração do Porto de Aveiro, da Autoridade Marítima e das Corporações Voluntárias dos Bombeiros de Ílhavo e Velhos de Aveiro.

Esta acção abrangeu dois dias de formação teórica em sala, seguidos de uma componente prática composta por dois cenários de poluição: o primeiro, realizado no Terminal de Granéis Líquidos e, o outro, na Praia da Barra, onde foram testados os diferentes equipamentos de combate à poluição.

A realização destas acções de formação revestem-se de importância acrescida para o Porto de Aveiro, tendo em vista manter a boa operacionalidade das equipas que têm a responsabilidade de atuação em caso de ocorrência de derrames acidentais, por forma a preservar o meio envolvente.

Mergulhadores da Marinha participam em exercício na Finlândia

A Equipa do Destacamento de Mergulhadores Sapadores Nº3, em missão no Mar Báltico a bordo do Caça Minas alemão FGS Bad Bevensen, está a participar no FREEZING WINDS, que conta com a participação de 10 Países, 4.000 militares, 29 navios, 18 aeronaves e 9 equipas de Mergulhadores de Inactivação de Engenhos Explosivos.

No contexto geopolítico e estratégico, este exercício constitui-se como o primeiro grande exercício liderado pela Finlândia, após a adesão à NATO.

A equipa de militares da Marinha tem enfrentado as baixas temperaturas e os cenários complexos do exercício com a prontidão habitual e que permite alcançaros objetivos.

A equipa de mergulhadores encontra-se integrada na missão do Standing NATO Mine Countermeasures Group 1 (SNMCMG1).

Relatório: Progresso nas iniciativas de "corredores verdes" de transporte marítimo.

Foram feitos progressos significativos no desenvolvimento de corredores marítimos verdes para ajudar a descarbonizar o transporte marítimo, de acordo com um novo relatório divulgado pelo Fórum Marítimo Global em nome da Coligação Getting to Zero. 

A segunda edição do Relatório Anual de Progresso sobre Corredores de Navegação Verdes revela uma duplicação das iniciativas de corredores verdes em todo o mundo, com o número aumentando de 21 para 44 no ano passado. Os corredores de transporte marítimo verde são rotas comerciais específicas estabelecidas para ajudar a acelerar o transporte marítimo com emissões zero através de esforços colaborativos entre partes interessadas públicas e privadas. 

“É, claro, encorajador ver o aparecimento de tantas novas iniciativas de corredores verdes e o aumento da maturidade dos corredores verdes existentes, mas o outro lado desta maturação tem sido a descoberta de um novo conjunto de desafios à medida que os corredores se aproximam. à implementação”, afirma Jesse Fahnestock, director de projetos de descarbonização do Fórum Marítimo Global. 

O relatório também destaca o papel dos governos, das companhias marítimas, dos portos e do terceiro sector na condução do crescimento dos corredores verdes. Mais de metade das 171 partes interessadas envolvidas nos corredores verdes provêm destes sectores. Notavelmente, 18 governos envolveram-se directamente em iniciativas de corredores verdes, com 19 iniciativas lideradas por iniciativas públicas ou público-privadas.

Photo: Shutterstock/Avigator Fortuner

O Mar como tema recorrente na literatura portuguesa

O Mar é um tema e uma personagem muito recorrentes na literatura do nosso país. Para além de assumir um papel fulcral n’Os Lusíadas, de Luís Vaz de Camões, ou na Mensagem, de Fernando Pessoa, outros escritores abordaram os temas marítimos ou lhes deram um papel de destaque nas suas obras. É o caso da História Trágico-Marítima, um livro de crónicas e memórias compiladas por Bernardo Gomes de Brito, de Os Pescadores, de Raul Brandão, ou da épica Peregrinação, de Fernão Mendes Pinto. Também na literatura infantil, podemos citar, a propósito, A Menina do Mar, de Sophia de Mello Breyner Andresen, e na poesia, alguns textos de António Nobre (“À toa” e “Somno de João”), Ruy Belo (“Orla marítima” e “Morte ao Meio Dia”) e Al Berto (“Há-de flutuar uma cidade no crepúsculo da vida” e “Mar-de-Leva”). 

Relembremos:

“Ó mar salgado, quanto do teu sal são lágrimas de Portugal! Por te cruzarmos, quantas mães choraram. Quantos filhos em vão rezaram! Quantas noivas ficaram por casar para que fosses nosso, ó mar!” (Fernando Pessoa, in Mensagem)

Portugal é um dos países que mais peixe consome per capita

Com uma longa tradição piscatória, Portugal é um dos países no mundo que mais peixe consome anualmente por habitante, segundo a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO). Cá dentro, a organização ambiental Quercus, por exemplo, considera que comemos demasiado peixe.

No que diz respeito ao consumo de produtos da pesca e da aquicultura na União Europeia, de acordo com os últimos dados da Comissão Europeia, Portugal é um líder destacado (59,91 quilogramas por habitante / por ano), consumindo mais do dobro da média (23,97 quilogramas) e deixando os seus “adversários” mais próximos, a Espanha e a Dinamarca, à distância de mais de dez quilogramas per capita.

Os peixes das nossas águas mais consumidos são as sardinhas, os carapaus e o peixe-espada, embora outros peixes como o bacalhau ou a pescada sejam também presença assídua nos pratos dos portugueses.

Politécnico de Leiria com papel ativo na economia azul do Quénia

O director da ESTM – Escola Superior de Turismo e Tecnologia do Mar, Sérgio Leandro representou o Politécnico de Leiria na cerimónia de apresentação do JKP Kenya Coast Tourism and Cultural Heritage Blueprint, que decorreu recentemente, em Mombaça, no Quénia.

A aliança luso-queniana de redacção do projecto JKP TCH Blueprint 2030 foi co-coordenada por Rui Pedrosa (ESTM) e por Nick Angore, do secretariado da Jumuya Kaunty Za Pwani (JKP).

A visão estratégica deste plano – A globally competitive and sustainable Kenya coastal tourism and cultural heritage destination by 2030 – definida para a região JKP, é suportada em torno de quatro dimensões: políticas e infraestruturas públicas no turismo e património cultural; património natural e cultural e indústrias do sector do turismo e património cultural.

O documento JKP Kenya Coast TCH Blueprint 2030 decorre do projecto GoBlue Quénia, que procura contribuir para o reforço das cadeias de valor de economia azul, cuja actividade relacionada com o mar, visa a preservação e regeneração do ambiente marinho.

Francisco Ordonhas vice-campeão mundial Sub-18

O jovem surfista português Francisco Ordonhas sagrou-se, vice-campeão mundial ISA, depois de ter conquistado a medalha de prata da categoria Sub-18 masculina no Mundial que decorreu no Rio de Janeiro, Brasil.

Ordonhas foi o melhor representante português em prova, entre os seis que conseguiram chegar ao dia final. Numa final muito renhida, o jovem surfista luso somou 14,87 pontos, ficando a apenas 0,50 do brasileiro Ryan Kainalo. O espanhol Kai Odriozola foi 3.º e o japonês Tenshi Iwami foi 4.º.

Destaque ainda para o 5.º posto de João Mendonça na mesma categoria, o 7.º posto de Matias Canhoto e o 9.º posto de Jaime Veselko em Sub-16 masculino, o 10.º posto de Teresa Pereira em Sub-16 feminino e o 13.º de Francisco Mittermayer em Sub-18 masculino.

Feitas as contas, a equipa portuguesa conseguiu alcançar o 6.º posto da tabela coletiva, terminando o evento como a segunda melhor seleção europeia, logo atrás da Espanha e à frente da França. 

Primeiro navio porta-contentores movido a amónia anunciado.

A fabricante norueguesa de produtos químicos Yara está à frente de um grande projecto de descarbonização no transporte marítimo baseado no primeiro navio porta-contentores do mundo movido a amónia. Planeado para 2026, o veículo seria uma alternativa ecológica ao diesel, que contribui significativamente para as emissões globais de CO2.

As baterias e o hidrogénio mostram-se impraticáveis para grandes embarcações devido ao seu tamanho, peso e capacidade de armazenamento de energia limitada. Enquanto isso, o metanol, apesar de ser um passo intermediário, não é uma solução totalmente verde.

A amónia emerge como a melhor opção para uma navegação mais limpa, apesar de ter menos energia por peso e volume comparada ao diesel. No entanto, pode ser queimada de forma limpa em motores de combustão, evitando a produção de óxidos nitrosos, e já é produzida em grande escala para uso agrícola, tornando-se mais acessível.

No projecto do navio porta-contentores, está também a empresa North Sea Container Line. Há ainda uma contribuição financeira de 40 milhões de coroas norueguesas da organização de financiamento climático e energético Enova (quase 3,5 milhões de euro).

Baptizada de Yara Eyde, a embarcação será menor que muitos navios do segmento e deverá operar numa rota curta entre a Noruega e a Alemanha, percorrendo cerca de 442 milhas náuticas. 

A ideia é reduzir anualmente 11.000 toneladas de emissões de CO2. Após o lançamento deste projecto, mais navios movidos a amónia deverão ser lançados pela parceria.