CMA CGM recebe CMA CGM Bahia de 13.000 TEU movido a GNL

A cerimónia de entrega ocorreu no passado dia 7 de dezembro. O navio
tem um comprimento total de 336 metros, largura de 51 metros, profundidade de 26,8
metros, velocidade de serviço projectada de 21 nós e capacidade máxima de carga
de 13.200 TEUs.

O porta-contentores adopta um sistema de energia de duplo combustível
de GNL e está equipado com um tanque de carga de GNL com um sistema de
contenção de carga Mark III de 14.000 metros cúbicos. É equipado com um motor
principal CMD-WinGD9X9DF-2.0 da China State Shipbuilding Corporation e uma nova
geração de controlo inteligente.

Segundo o construtor naval, o sistema de recirculação de
gases de escape (ICER) pode reduzir o deslizamento de metano no modo gás em 50%
e reduzir as emissões de gases de efeito estufa em mais de 28%. O navio também possui um enorme deflector de vento na proa,
que pode economizar de 2% a 4% no consumo de combustível durante as viagens.

Vários outros dispositivos de economia de energia também
estão instalados na popa do navio, o que pode melhorar a eficiência da
propulsão da hélice e reduzir o consumo de energia em cerca de 1,5%. O objectivo
é reduzir significativamente as emissões de dióxido de carbono. O CMA CGM Bahia irá tornar-se o maior navio porta-contentores bicombustível operando na rota
sul-americana, segundo Hudong-Zhonghua.

 Os navios porta-contentores de 13.000 TEU fazem parte do
pedido de 2,13 bilhões de euros em navios porta-contentores movidos a GNL e
bicombustível da CMA CGM Este navio
porta-contentores bicombustível pertence à última geração de navios ecológicos, ambientalmente correctos, eficientes e com economia de energia. Recentemente, Hudong-Zhonghua lançou igualmente o porta-contentores de 13.000 TEU, o CMA CGM
Paraty igualmente movido a GNL.

O armador francês regressou aos estaleiros chineses com
uma enorme encomenda no valor de 2,84 mil milhões de euros em Abril de 2023,
com um contrato com a China State Shipbuilding Corporation (CSSC) para a
construção de 16 grandes navios porta-contentores.

 O pedido compreende doze navios porta-contêineres de metanol
duplo de 15.000 TEU e quatro navios porta-contentores de GNL de 23.000 TEU de
duplo combustível.

 Os negócios fazem parte da agenda de descarbonização da CMA
CGM. Há poucos dias, Rodolphe Saadé, Presidente e CEO do Grupo CMA CGM,
juntamente com outras grandes empresas do sector, emitiu uma declaração conjunta
pedindo uma data final para novas construções movidas exclusivamente a
combustíveis fósseis e instando a IMO — Organização Marítima Internacional a
criar as condições regulamentares para acelerar a transição para combustíveis
verdes.

Salvador Vala é o novo Campeão Nacional de Surf Sub-18.

A praia de Ribeira d’Ilhas foi palco do Ericeira Juniors, a
Final do Campeonato Nacional de Surf Esperanças na categoria Sub 18,
apresentado pelo Ribeira d’Ilhas Surf & Restaurant Bar.

Esta prova reuniu 32 atletas, provenientes dos 6 Circuitos
Regionais 2023 e, ainda, wildcards atribuídos pela Federação Portuguesa de Surf
(FPS).

O formato da competição foi ajustado durante as primeiras
baterias do dia, o que exigiu o talento máximo dos atletas. Rodrigo Rocha e
Martim Fortes, atletas locais, foram as primeiras “vítimas” desta alteração,
incapazes de avançar para o round de repescagens. A ausência de alguns atletas
da Selecção Nacional, que competiram no ISA World Junior Surfing Games no Rio
de Janeiro há cerca de uma semana, também foi notada no início da prova.

Nos quartos-de-final man-on-man, Salvador Vala (Lombos) e
João Roque de Pinho (Aqua Carca) destacaram-se, demonstrando performances
consistentes e elevando o nível competitivo. Num confronto renhido, Afonso
Pinto (Ericeira Surf Clube) caiu perante Salvador Vala, enquanto Mário Leopoldo
(PPSC) avançou para as meias-finais eliminando Diogo Bravo (ASCC).

Na fase decisiva, João Roque de Pinho impressionou com a
pontuação mais alta de todo o campeonato, enquanto Tiago Stock (Lombos) também
se destacou, deixando pelo caminho Santiago Graça (Lombos) e Guilherme Costa
(ASCC), respectivamente.

Nas meias-finais, Salvador Vala demonstrou o seu talento ao
combinar bem as ondas, eliminando Mário Leopoldo. Na outra bateria desta fase,
João Roque de Pinho venceu Tiago Stock, o que lhe garantiu o outro lugar na
final.

Na final tão esperada, Salvador Vala enfrentou João Roque de
Pinho. Vala começou forte, ao obter duas ondas de 5 e 7 pontos, mantendo João a
uma distância que permitiu ao primeiro gerir a final. João Roque de Pinho não
desistiu e conquistou uma onda impressionante de 7,75, a mais pontuada da
final. No entanto, Salvador Vala assegurou a vitória com um score combinado de
14,15, deixando João Roque de Pinho com 11,75.

A cerimónia de entrega de prémios, realizada no final do
evento por Ricardo Ferreira, representante do Ribeira d’Ilhas Surf &
Restaurant Bar, o principal patrocinador do evento, celebrou o talento e a
dedicação dos surfistas. Troféus da FPS e do Ericeira Surf Clube foram
distribuídos, além de prémios das marcas Billabong, Boardculture, Semente e
Native Açaí, encerrando assim um emocionante capítulo no cenário do surf
juvenil em Portugal.

O 1° grande porta-contentores a metanol da Maersk vai para a rota Ásia-Europa

O primeiro de dezoito grandes navios movidos a metanol encomendados pela gigante dinamarquesa de transporte e logística A.P. Moller-Maersk será implantado na rota comercial Ásia-Europa, revelou a empresa.

Em 9 de fevereiro de 2024, o navio a ser lançado em breve, entrará em serviço na cadeia AE7 que conecta a Ásia e a Europa, que inclui escalas em Xangai, Tanjung Pelepas, Colombo e Hamburgo, sendo Ningbo, na China, o seu primeiro destino.

O navio porta-contentores que está sendo construído pela Hyundai Heavy Industries (HHI) na Coreia do Sul tem capacidade nominal de 16.000 contentores (TEU) e está equipado com um motor bicombustível que permite operações com metanol, bem como o biodiesel e combustível convencional. A nova construção foi lançada em outubro de 2023.

A Maersk estabeleceu uma meta de emissões líquidas zero de gases de efeito estufa para 2040 em todo o negócio e também estabeleceu metas tangíveis e ambiciosas de curto prazo para 2030 para garantir um progresso significativo. A empresa garantiu metanol verde suficiente para cobrir a viagem inaugural do navio e continua a trabalhar em soluções de abastecimento 2024-25 para a sua frota de navios movidos a metanol. 

“Implantar o primeiro dos nossos grandes navios movidos a metanol numa das maiores rotas comerciais do mundo, Ásia-Europa, é um marco na nossa jornada em direcção ao nosso objectivo “Net-Zero”. Com a capacidade do navio de 16.000 contentores, isso terá um impacto significativo nos esforços dos nossos clientes para descarbonizar as suas cadeias de abastecimento, e estamos ansiosos para introduzir mais navios movidos a metanol neste e em outros negócios durante 2024”, afirmou Karsten Kildahl – Chefe Diretor Comercial da Maersk.

EU ETS irá impor imposto sobre emissões de Co2 de 3,34 Bilhões€

De acordo com a Bloomberg ( Agência de notícias especializada em mercados financeiros e tecnologia), destaca o valor de custo da EU ETS sobre os armadores.

Os navios que navegam para portos europeus serão obrigados a pagar um imposto combinado sobre emissões de carbono de 3,6 mil milhões de dólares no próximo ano, ( aproximadamente 3,34 mil milhões de euros).

Este é o início de uma taxa que quase certamente aumentará à medida que a região intensifica os seus esforços para combater as alterações climáticas, destacou a Bloomberg.

Conforme informado, o valor é uma estimativa do preço total de conformidade com o Sistema de Comércio de Emissões (EU ETS) da União Europeia dada pela Drewry Shipping Consultants. Ao abrigo do regulamento, que entra em vigor a 1 de janeiro, os navios que entram e saem dos portos da UE devem pagar pela sua poluição por carbono, afectando as entregas de tudo, desde contentores de produtos acabados até ao gás natural liquefeito necessário para manter as casas aquecidas no inverno.

Além disso, com base numa estimativa recente da sociedade de classificação marítima DNV e num preço de carbono assumido de 90 euros por tonelada, um navio porta-contentores que viaje entre a Europa e a Ásia poderá ser cobrado em torno de 810.000 euros (1,18 milhões de dólares) ao abrigo do ETS em 2024. De acordo com Stijn Rubens, consultor sénior da Drewry, é duvidoso que alternativas limpas como o metanol verde sejam capazes de competir com os combustíveis fósseis em termos de preços num futuro próximo devido às novas regulamentações.

De acordo com Stijn Rubens: “Mesmo que o custo dos combustíveis verdes caia para metade nos próximos três anos, serão necessários mais impostos para nivelar as condições de concorrência”, afirmou. “É provável que o metanol verde permaneça em desvantagem considerável em termos de custos até pelo menos 2026.

Apesar do ETS representar uma parte dos custos de frete, já se falou sobre como os comerciantes e as empresas poderiam explorar as lacunas para evitar o pagamento das taxas. No mês passado, seis membros da UE, ( Onde se incluiu Portugal), a maioria daqueles que fazem fronteira com o Mar Mediterrâneo, expressaram preocupação com o facto de o transporte marítimo potencialmente evitar os impostos EU ETS ao atracar em portos próximos, mas fora da UE. 

A fim de impedir a evasão, o bloco declarou anteriormente que Tanger Med, em Marrocos, e East Port Said, no Egipto, deveriam ser reconhecidos como “portos vizinhos de transbordo de contentores”.

Investigadora da UA quer ver Aveiro capital da natação em águas abertas

É apaixonada por natação em águas abertas, que é, como quem diz, ama nadar no mar. Vinda do Brasil, mais concretamente do Rio de Janeiro, Maureen Valle chegou este ano à Universidade de Aveiro (UA) para fazer um pós-doutoramento na área do seu coração: a inovação desportiva. Depois de ter percebido que, apesar de Aveiro estar rodeada pelas águas da ria e do mar, a natação em águas abertas é inexistente na região, Maureen Valle está a desenvolver um projecto para colocar os aveirenses a nadar na ria.

«Fiquei surpreendida ao chegar a Aveiro e descobrir que ninguém nadava na ria, um lugar deslumbrante de tão bonito», diz Maureen Valle, que cedo elegeu a laguna e também o mar junto à Praia da Costa Nova e à Praia da Barra para não perder o ritmo das braçadas. 

Segundo um comunicado de imprensa da UA, «de quando a quando, é boquiabertos que os locais a veem sair da ria, depois dos treinos, como se fosse uma extraterrestre a sair de uma nave espacial».

«Nadar no mar é um desporto solitário, mas que não se deve praticar sozinho. É uma experiência interior vivenciada em “cardume”», explica a nadadora. «Para muitos, o mar é para aventureiros, loucos ou afins. Para os praticantes, o mar é a comunhão com a natureza, bem-estar, estilo de vida, equilíbrio mental e saúde», descreve Maureen Valle, num artigo escrito para o jornal Globo, onde escreve regularmente sobre o tema da inovação.

Verba de 9M€ para reduzir a captura acidental de megafauna marinha

A Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC) integra um projecto internacional que tem como principal objectivo reduzir a captura acidental de megafauna marinha. O “REDUCE – Reducing bycatch of threatened megafauna in the east central Atlantic” acaba de ser financiado pelo programa Horizonte Europa com aproximadamente 9 milhões de euros.

O consórcio do projeto é liderado pela Universidade de Barcelona e o pacote de trabalhos relacionado com a temática “Bycatch monitoring” é coordenado por Catarina Silva, investigadora do Departamento de Ciências da Vida (DCV). Fazem ainda parte da equipa da FCTUC Zara Teixeira e Filipe Martinho, também investigadores do DCV.

A captura acidental pode representar até 40% do total das capturas de pesca, atingindo globalmente até 38 milhões de toneladas descartadas por ano, perturbando a cadeia alimentar oceânica e podendo representar uma ameaça à sobrevivência de espécies já sob pressão de várias outras actividades humanas. Actualmente, já são vários os regulamentos nacionais, europeus e internacionais que partilham um objectivo, que também consta da Estratégia de Biodiversidade da União Europeia (UE): tornar a pesca compatível com medidas de protecção ambiental para conservar espécies marinhas ameaçadas.

«O REDUCE vai apostar no desenvolvimento e teste de novas tecnologias e estratégias de gestão para uma melhor avaliação, monitorização e redução das capturas acessórias de aves, tartarugas, cetáceos, tubarões e raias na frota europeia de pesca de longa distância composta por arrastões, cercadores e palangreiros que operam nas águas do Oceano Atlântico, desde as costas da Península Ibérica até à Macaronésia e Golfo da Guiné».

Assim, este projecto «pretende melhorar os programas de monitorização das pescas, incorporando a monitorização eletrónica, promover a compreensão das capturas acessórias e dos seus impactos nas dimensões científica, económica e social, e avaliar potenciais medidas de mitigação. O “Bycatch monitoring” irá melhorar os programas tradicionais de observação e monitorização de capturas acessórias a bordo e combiná-los com a implementação de novos sistemas modernos de monitorização electrónica (EMS – “Electronic monitoring systems”) a bordo, permitindo um teste rigoroso da sua função e eficácia», revela a investigadora do DCV.

Os EMS são cada vez mais utilizados para aumentar a cobertura dos observadores, potencialmente até 100%, mas continuam a ser limitados à pesca de palangre e arrasto da UE que atuam na região ECAO. Uma barreira para uma maior utilização dos EMS são os recursos e o esforço significativos para recolher dados.

«Este pacote de trabalhos promoverá a instalação e o teste de EMS na frota de palangre e de arrasto e o desenvolvimento de modelos inteligentes de identificação automática de espécies através de imagens (modelos de Machine Learning) que aumentarão drasticamente a eficiência da recuperação de dados de EMS baseados em câmaras», termina.

O consórcio do projeto é composto por 13 parceiros de países como Espanha, França, Portugal, Reino Unido e Senegal.

Estudo com dados relevantes para o futuro da conservação do atum rabilho do Atlântico

Os esforços de conservação para o atum rabilho, um recurso de alto valor no mercado, apontam para um futuro mais optimista e promissor para a espécie. No entanto, conhecimentos adicionais sobre a biologia desta espécie icónica são essenciais para estabelecer planos de gestão eficientes e sustentáveis que antecipem possíveis alterações na abundância e/ou distribuição.

Neste contexto, o Centro Tecnológico AZTI, especializado em pesquisa marinha e alimentar, liderou um estudo genético com mais de 500 indivíduos provenientes dos principais locais de desova do atum rabilho do Atlântico. O objectivo do estudo, cujos resultados foram recentemente publicados na prestigiosa revista Molecular Ecology, era determinar o número de populações geneticamente distinguíveis de atum rabilho e a sua conectividade, incluindo, pela primeira vez, um terceiro local de desova descoberto em 2016 no nordeste dos Estados Unidos.

“Durante todos esses anos, assumimos que o atum rabilho, apesar da sua capacidade de realizar grandes migrações no Oceano Atlântico, permanece fiel à desova na mesma área onde nasceu. No entanto, actividade de desova foi recentemente detectada numa área ao largo da costa nordeste dos Estados Unidos que não tinha sido incluída em estudos genéticos anteriores e cuja origem era desconhecida”, afirma Natalia Díaz-Arce, investigadora de genética de pesca no AZTI.

Esta foi, portanto, a primeira análise genética do atum rabilho do Atlântico a incluir todos os locais de desova conhecidos, com o desafio de determinar a origem dos indivíduos que desovam no nordeste dos Estados Unidos e actualizar as informações sobre as populações de peixes.

Homogeneização genética do atum rabilho do Atlântico O estudo mostrou que a área de desova ao largo da costa nordeste dos Estados Unidos é utilizada por atuns provenientes do Mediterrâneo e do Golfo do México. Além disso, pela primeira vez, adultos de origem mediterrânea foram observados desovando no Golfo do México. A pesquisa também identificou vestígios do genoma do atum albacora no genoma do atum rabilho do Mediterrâneo, sugerindo uma hibridização antiga entre as duas espécies.

“Assim como os humanos têm uma pequena percentagem de DNA Neandertal, o atum rabilho do Mediterrâneo também carrega no seu genoma uma marca genética de uma espécie intimamente relacionada, o atum albacora”, explica Díaz-Arce. Os indivíduos da terceira área de desova analisada pela equipe da AZTI mostram características genéticas intermediárias e também carregam esses vestígios do atum albacora.

“Essas descobertas mostram que o que se pensava serem duas populações reprodutivamente isoladas (aquelas que desovam no Mediterrâneo e no Golfo do México, respectivamente), embora tendam a retornar à área onde nasceram, não estão apenas conectadas demograficamente, mas também se misturam no local de desova no nordeste dos Estados Unidos”, enfatiza ela.

Esses resultados fornecem informações essenciais sobre a conectividade das populações de atum rabilho, que podem ser usadas para desenvolver estratégias de gestão que garantam a exploração e conservação da espécie. Além disso, a descoberta da conectividade do Mediterrâneo com as outras duas áreas de desova pode ter futuras implicações, como a homogeneização genética de todo o atum rabilho em todo o mundo e um impacto na resistência do atum rabilho a mudanças ambientais.

O projecto, que será concluído em 2023, recebeu financiamento do Governo Basco por meio do projeto GENGES e apoio para a formação de pessoal de pesquisa e tecnologia, bem como da Comissão Internacional para a Conservação do Atum do Atlântico (ICCAT), responsável pela gestão do atum rabilho do Atlântico, por meio do seu “Programa de Pesquisa Abrangente para Atum Rabilho em Todo o Atlântico” (GBYP).

Filme sobre o Oceano premeia estudantes do Politécnico de Leiria

Três alunas do curso de licenciatura em Biologia Marinha e Biotecnologia da Escola Superior de Turismo e Tecnologia do Mar /ESTM), do Politécnico de Leiria, receberam o prémio Mário Ruivo 2023.

Catarina Rebelo, Daniela Barros e Mariana Viegas venceram este prémio com o vídeo ‘O Nosso Destino’, na vertente melhor filme-mensagem sobre o papel do oceano para a Humanidade, a sustentabilidade e o equilíbrio global.

Citadas numa nota de imprensa do Politécnico de Leiria, as vencedoras afirmaram, emocionadas: “O nosso principal objectivo foi demonstrar que temos mesmo de agir, porque o destino mais sombrio, ilustrado no vídeo, não está assim tão distante”. 

Com o prémio conquistado, no valor de 2 mil euros, as estudantes irão apoiar a Ocean Patrol, uma associação de defesa e conservação dos oceanos, permitindo a construção de uma estação de reciclagem, para o lixo recolhido nas limpezas de praia.

Segundo esclarece o Politécnico de Leiria, o prémio, que é uma homenagem ao professor Mário Rui, tem como objetivo mostrar a importância dos oceanos, a sua ligação com o clima e as suas relações económico-sociais, culturais, de lazer e até emocionais.

Foto: IPL

Oceanos ganham destaque na COP 28 com iniciativas de preservação

Os oceanos desempenham um papel crucial na regulação climática global. No entanto, eles vivem com a crescente ameaça devido à poluição, derramamentos de petróleo, vazamentos de óleo e outros impactos ambientais negativos. Na COP 28, a atenção para a saúde dos oceanos não ganhou destaque como deveria, mas esteve presente, com especialistas e líderes destacando a necessidade urgente de acções para preservar esse ecossistema vital do planeta.

O Grupo de Amigos do Ocean-Climate, uma rede de países com interesses semelhantes na integração do oceano nos processos da UNFCCC – (Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre a Mudança do Clima) , anunciou uma expansão significativa durante a COP 28. Cinco novos países – Gana, México, Palau, Panamá, República da Coreia – e a União Europeia uniram-se ao grupo, fortalecendo a voz colectiva em prol da protecção dos oceanos.

Virginijus Sinkevičius, Comissário Europeu para Meio Ambiente, Oceanos e Pescas, declara: “O oceano deve ser incluído na Decisão do Global Stocktake da COP 28, com o objectivo de alcançar as metas de longo prazo do Acordo de Paris. A acção ambiciosa em direcção à neutralidade climática é crucial para preservar a função natural do oceano como carbono azul. A União Europeia está juntando-se aos Amigos do Ocean-Climate para avançar nas discussões internacionais sobre o oceano e o clima”.

O grupo tem sido eficaz em influenciar as discussões da UNFCCC, defendendo a criação do Diálogo sobre Oceanos e Mudanças Climáticas e apoiando as negociações relacionadas à inclusão do oceano no Global Stocktake.

Luis Estévez-Salmerón, da Ocean Conservancy, que actua como Secretário Interino do Grupo de Amigos do Ocean-Climate desde 2019, enfatiza: “O oceano pode proporcionar uma quantidade significativa das reduções de emissões necessárias para manter a meta de 1,5°C do Acordo de Paris ao nosso alcance. Os Amigos do Ocean-Climate estão impulsionando a inclusão do oceano em estratégias climáticas nacionais, incluindo NDCs e Planos Nacionais de Adaptação (NAPs)”.

No entanto, desafios persistem, como evidenciado pelo baixo número de países costeiros que mencionam energia renovável oceânica nas suas Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs). Apenas 14% incluíram tal menção até o verão de 2023, segundo a Ocean Conservancy.

O potencial da energia renovável oceânica, como a eólica offshore, é vasto, podendo fornecer 18 vezes a procura mundial de eletricidade de forma sustentável.

A COP 28 destaca a importância vital dos oceanos para a saúde do planeta e destaca a necessidade urgente de acções globais. As alianças e iniciativas emergentes, como as da Aliança para os recifes de coral e Aliança para os manguezais, oferecem esperança para a protecção e preservação desses ecossistemas críticos. O desafio agora é traduzir os compromissos e discussões em acções tangíveis, assegurando um futuro sustentável para os nossos oceanos.

Oceano é oportunidade para Portugal ser "pertinente no século XXI"

O presidente executivo da Fundação Oceano Azul (FOA) entende que o oceano é a grande oportunidade para Portugal ser pertinente, a nível internacional, no contexto do combate às alterações climáticas e no desígnio da descarbonização.

“Se quisermos ser pertinentes no século XXI, temos de perceber para onde é que vai o século e este é o século da descarbonização”, disse Tiago Pitta e Cunha, em entrevista à Lusa no âmbito da 28.ª Conferência das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas (COP28).

A porta para o contributo de Portugal, acrescentou, abre-se através do oceano e do investimento necessário em investigação científica nessa área, uma das principais necessidades quando se refere ao desafio de colocar o tema no centro da discussão sobre alterações climáticas.

“Portugal tem um grande desenvolvimento em ciências de investigação do mar e devíamos procurar ter um programa nacional de investigação de interligação entre o oceano e o clima”, defendeu, explicando que do ponto de vista da ciência, a maior lacuna diz respeito às soluções para as alterações climáticas com base no oceano.

De acordo com Tiago Pitta e Cunha, os impactos das alterações climáticas são claros e existe muita informação que aponta para a saúde em declínio do oceano, em função do aquecimento da temperatura, da acidificação e da desoxigenação, com impactos significativos nos ecossistemas marinhos, responsáveis pela captação e armazenamento de dióxido de carbono.

“É preciso termos o mesmo tipo de ciência para as soluções que o oceano produz para os problemas do clima”, referiu o especialista, exemplificando que no caso do carbono azul existem dados sobre o papel dos mangais, sapais e pradarias marinhas, mas pouco sobre a biomassa.

Além da aposta na ciência, Tiago Pitta e Cunha recorda o projeto de extensão da plataforma continental portuguesa, com que Portugal poderá passar a ter uma Zona Económica Exclusiva com cerca de quatro milhões de quilómetros quadrados, o correspondente a quase 90% do mar da União Europeia.

“Esses fundos marinhos são verdadeiros repositórios de carbono e Portugal pode estar a fazer um serviço ecossistémico para o planeta”, afirmou, insistindo que “a grande obsessão do século XXI” será a descarbonização e Portugal pode liderar através de soluções baseadas no oceano.

Esse caminho começa a ser traçado e o presidente executivo da FOA reconhece que Portugal é um dos países que mais contribui para levar o oceano à discussão na COP28, mas entende que é preciso muito mais.

Um dos problemas, aponta, é a falta de recursos humanos organizativos do Estado, que diz não refletir a importância aparentemente atribuída ao tema.

Referindo-se, como exemplo, à antecipação para 2026 da meta de criação de 30% de áreas marinhas protegidas, inicialmente fixada para 2030, Tiago Pitta e Cunha considera que é um compromisso muito importante, mas tem dúvidas quanto à sua concretização “principalmente porque não existem recursos”.

“Acho que devia haver em Portugal uma verdadeira política nacional do mar que fosse transversal às tutelas ministeriais que têm impacto sobre essa área”, apontando, entre outros, a indústria, os transportes, a ciência, o turismo, os negócios estrangeiros, o ambiente e a energia.

“Todas estas zonas azuis têm de ser potenciadas, porque se Portugal tiver uma visão de conjunto para todas elas podemo-nos tornar um país pertinente no século XXI.

Foto: © Global Imagens