Forças da Coligação Internacional impedem dois novos ataques do Iémen.

Apesar dos repetidos ultimatos da comunidade internacional para que os ataques contra navios na área do Mar Vermelho parassem, houve dois novos incidentes relatados ontem. 

Os receios ainda estão a ter impacto nas operações. Os dois incidentes pareciam ser independentes um do outro, mas demonstraram os esforços contínuos vindos dos Houthis, que continuam a afirmar que apoiam o Hamas e os palestinianos. 

Na sexta-feira, um porta-voz do Hamas postou que haviam realizado uma manifestação na Praça Sabeen, na capital do Iémen, Sana’a, à qual compareceram “multidões” em apoio. Afirmaram que foi a maior participação desde o início da guerra contra o Hamas. 

Esta manhã, um veículo aéreo não tripulado lançado das áreas do Iémen controladas pelos Houthi foi identificado pelo destroyer americano USS Laboon. O CENTCOM informou que havia vários navios comerciais nas proximidades, no sul do Mar Vermelho. O USS Laboon abateu o drone no que o comando dos EUA chamou de autodefesa. Não houve vítimas ou danos relatados. 

Mais tarde, um navio mercante não identificado informou às Organizações de Comércio Marítimo do Reino Unido que estava a ser abordado por seis pequenas embarcações. O incidente ocorreu a aproximadamente 50 milhas náuticas a sudeste de Mocha, no Iémen. As pequenas embarcações chegaram a uma milha náutica do navio mercante, mas nenhuma arma foi vista. 

As forças da coaligação ajudaram e as seis pequenas embarcações limparam a área. O UKMTO informa que o navio e a tripulação estavam seguros e continuavam a viagem. Ao mesmo tempo, a Marinha Indiana informou que continua a ajudar um navio graneleiro, o Lila Norfolk, depois de o navio ter sido abordado por piratas no Mar da Arábia. A Marinha Indiana acredita agora que os piratas foram assustados com os seus avisos durante a noite de quinta para sexta-feira. Durante o dia de sexta-feira, uma equipa de elite da Marinha Indiana, a força MARCOS, embarcou num graneleiro e “realizou uma higienização completa dos conveses superiores, compartimentos de máquinas e espaços residenciais. 

A equipa não encontrou nenhum pirata a bordo.” A tripulação do Lila Norfolk está segura e a Marinha Indiana relata que a tripulação está “restaurando a propulsão, o fornecimento de energia e o leme”. A Marinha está preparada para escoltar o graneleiro para fora da área enquanto também investiga as embarcações suspeitas na área.

OOCL expande frota com introdução de meganavio de 24 mil TEU

A OOCL – Orient Overseas Container Line anunciou a aquisição de um novo mega-navio de 24.000 TEU à sua frota.

O mais novo membro da frota da OOCL foi nomeado OOCL Valencia no estaleiro Nantong COSCO KHI Ship Engineering (NACKS). Este navio é o sétimo navio amigo do ambiente de 24.188 TEU  numa série de doze encomendados pela OOCL, bem como o primeiro novo navio da OOCL em 2024 a operar o serviço LL1 Ásia-Europa da OOCL.

YING Xiuzhen, Director e Vice-Presidente do Grupo China-Base Ningbo, teve a honra de nomear o navio como OOCL Valencia.

“No ano passado, a OOCL recebeu um total de seis novos navios porta-contentores e, assim, optimizou rapidamente a estrutura da frota da OOCL e do grupo. 

Neste 2024, além do OOCL Valencia, mais navios de alta qualidade e alto desempenho navegarão a partir daqui. 

A OOCL e a NACKS continuarão a trabalhar para uma cooperação em que ambos ganham, em que crescem juntas e se esforçam para criar valor para os clientes e a sociedade”, afirmou Yu Tao, Director e membro do comitê executivo da OOCL.

Grande parte das embarcações de pesca esconde actividade.

Cerca de 75% das embarcações de pesca trabalham sem ser
detectadas e muitas pescam em zonas marinhas protegidas, indica um estudo
publicado na revista científica ‘Nature’.

Utilizando imagens de satélite e inteligência artificial, a
análise mostrou uma grande percentagem de embarcações de pesca industrial que
não é rastreada publicamente, com grande parte dessa pesca a ocorrer em África
e no sul da Ásia.

Segundo o estudo, mais de 25% da actividade das embarcações
de transporte não está incluída nos sistemas públicos de localização.

O estudo foi feito pela organização “Global Fishing
Watch” (GFW), que resulta de uma parceria entre a empresa Google e as
organizações ligadas ao ambiente “Oceana” e “SkyTruth”. A
GFW tem como objetivo dar uma visão global do tráfego de grandes embarcações e
das infraestruturas “offshore”.

Através da análise de milhões de dados do período 2017-2021
foi possível quantificar uma atividade até agora obscura. “Uma nova
revolução industrial tem vindo a emergir nos nossos mares sem ser detectada –
até agora”, afirmou David Kroodsma, diretor de investigação e inovação da
GFW e um dos autores principais do estudo.

Envolvendo também várias universidades, a análise das
imagens de satélite permitiu identificar embarcações que não transmitiam as
posições e que provavelmente estavam a pescar.

“Historicamente, a actividade das embarcações tem sido
pouco documentada, limitando a nossa compreensão da forma como o maior recurso
público do mundo – o oceano – está a ser utilizado”, afirmou citado na
investigação o também autor do documento Fernando Paolo, da GFW.

Ainda que nem todas as embarcações sejam legalmente
obrigadas a transmitir a sua posição, as ausentes, as chamadas “frotas
negras” são um desafio para a proteção e gestão dos recursos naturais,
tendo os investigadores detectado essas frotas em muitas áreas marinhas
protegidas.

“Os dados publicamente disponíveis sugerem erradamente
que a Ásia e a Europa têm quantidades semelhantes de pesca dentro das suas
fronteiras, mas o nosso mapeamento revela que a Ásia domina – para cada 10
embarcações de pesca que encontrámos na água, sete estavam na Ásia, enquanto
apenas uma estava na Europa”, disse Jennifer Raynor, outra das autoras do
estudo.

O estudo também mostra como a actividade humana no oceano
está a mudar. Coincidindo com a pandemia covid-19 a actividade pesqueira caiu
globalmente em cerca de 12%.

O desenvolvimento da energia “offshore” aumentou
durante o período de estudo: as estruturas petrolíferas aumentaram 16% e as
turbinas eólicas mais do que duplicaram, tendo em 2021 ultrapassado o número de
plataformas petrolíferas.

Índia envia navio de guerra após ataque a navio liberiano

A marinha indiana destacou um barco de guerra e uma aeronave
de patrulha para o Mar da Arábia após o ataque a um navio mercante liberiano
por homens armados ao largo da costa da Somália. No navio mercante liberiano
seguiam pelo menos 15 cidadãos indianos, segundo a armada da Índia.

Em comunicado, a marinha britânica indicou que o navio
enviou uma mensagem ao portal de Operações Comerciais Marítimas do Reino Unido
indicando que foi abordado por cinco a seis pessoas armadas desconhecidas na
noite de quinta-feira.

A Marinha desviou um navio destacado para operações de
segurança marítima para ajudar a embarcação, é referido na nota.

Uma aeronave de patrulha sobrevoou o navio hoje de manhã e
estabeleceu contacto com a tripulação e verificou que estavam seguros.

Nenhum grupo assumiu imediatamente a responsabilidade pelo
ataque, mas tem havido preocupações crescentes sobre o transporte marítimo na
região após os ataques dos rebeldes Houthi iemenitas.

Este episódio segue-se ao ataque pirata ao cargueiro MV
Ruen, em dezembro, também nas águas do Oceano Índico, onde a “operação
Atalanta” contra a pirataria, atualmente liderada pela Espanha sob a égide
da União Europeia (UE), continua ativa.

Entre 2005 e 2011, as águas do Mar Vermelho, do Golfo de
Aden e do Oceano Índico, perto da Somália, o país com a maior costa de África
(mais de 3.000 quilómetros), foram palco de constantes ataques e sequestros por
piratas somalis que exigiam elevados resgates.

Só em 2011, os piratas levaram a cabo 212 ataques, segundo
dados da Força Naval da União Europeia (EUNAVFOR), antes de uma queda drástica
dos incidentes em 2012, graças ao destacamento de várias missões marítimas
internacionais.

Embora apenas 10 ataques tenham sido confirmados em 2012 e
apenas dois navios tenham sido sequestrados entre 2013 e 2023, alguns
incidentes suspeitos continuaram a ser registados.

Será 2024 um novo super-ano para o Oceano?

No contexto da agenda internacional do oceano, 2023 poderia ter sido considerado apenas como o ano seguinte ao Super-Ano do oceano, 2022, em que testemunhámos a Assembleia Ambiental das Nações Unidas, em Nairobi, decidir iniciar as negociações para um tratado internacional sobre a poluição por plásticos; a Organização Mundial do Comércio decidir tomar pela primeira vez medidas restritivas aos subsídios incidentes sobre formas de pesca prejudicial; e, ainda mais do que testemunhar, pudemos vivenciar em Lisboa a 2ª Conferência das Nações Unidas sobre os Oceanos, que reuniu nessa Cidade não apenas a comunidade internacional, mas também milhares de interessados na proteção do oceano.

No entanto, 2023 foi também, por si só, um Super-Ano para o oceano! E esse Super-Ano revelou-se logo na primavera, com a adoção do Tratado do Alto Mar (BBNJ) em Nova Iorque e sua assinatura por mais de 80 Estados-Membros da ONU em setembro passado. Trata-se de uma decisão histórica que irá criar oportunidades para a conservação do oceano a uma escala nunca antes imaginada.

A Fundação Oceano Azul acompanhou ativamente em 2023 este crescente momentum que se está a gerar em torno do oceano, contribuindo através do progresso e clarificação dos seus objetivos principais para a agenda internacional do oceano. Estas metas determinantes passam, inegavelmente, por acelerar a preparação da 3ª Conferência do Oceano da ONU, que terá lugar em Nice, França, e da Conferência do Oceano em San José, Costa Rica, que antecederá Nice, já em 2024. A próxima Conferência das Nações Unidas sobre o Oceano poderá ser o catalisador de mudança, significando a abertura do caminho para as respostas dos atuais graves problemas do oceano, no que concerne à tomada de decisão internacional.

As seguintes questões críticas serão centrais: (1) Assegurar que na COP do Clima as negociações climáticas incidem sobre a necessidade de proteção e recuperação do oceano, incluindo o endosso do objetivo 30×30 em Áreas Marinhas Protegidas, bem como a contagem do carbono azul em ações concretas de mitigação e adaptação, a começar nas Contribuições Nacionais Determinadas (NDCs), quantificando soluções de mitigação originadas pela natureza do oceano; (2) Pressionar e acelerar a ratificação do BBNJ pelos Estados signatários; (3) Consolidar uma coligação que visa impedir a mineração em mar profundo, prevenindo a ocorrência de danos extremos não 

só nos fundos marinhos mas para todo o oceano; (4) Desenhar um roteiro (road map)para atingir atempadamente o objetivo de proteção 30×30; (5) Pressionar as negociações do Tratado sobre o Plástico para que o texto seja redigido e adotado até 2025; (6) Abordar e discutir soluções para travar outros tipos de poluição marinha, incluindo a poluição de proveniência orgânica, química e farmacêutica, a fim de chamar a atenção para estas agressões ambientais e seus efeitos no oceano. 

Neste contexto internacional, a Fundação Oceano Azul expressa o seu agradecimento aos Governos de Portugal, França, Costa Rica, Alemanha, Canadá e Fiji pela sua excelente colaboração connosco em 2023. Em 2024, sob a mesma visão, esperamos dar continuidade ao trabalho com estes e outros governos líderes na agenda do oceano. 

O ano passado foi também especial para a Fundação no que respeita ao seu envolvimento na criação de Áreas Marinhas Protegidas em dois ecossistemas marinhos importantes: O Ibérico e o da Macaronésia, com a aprovação por parte do Governo português do novo Parque Natural Marinho do Recife do Algarve — Pedra do Valado, a primeira Área Marinha Protegida do século XXI em Portugal Continental, e com a adoção pelo Governo Regional dos Açores da Nova Rede de Áreas Marinhas Protegidas (RAMPA) no arquipélago dos Açores. A aprovação desta legislação pela Assembleia Legislativa Regional dos Açores em 2024 será determinante para a concretização daquela que será a maior rede de áreas marinhas protegidas em todo o Atlântico Norte. 

Estas aprovações são, assim, passos cruciais no sentido da preservação e da recuperação do imenso oceano sob jurisdição portuguesa. Agradecemos ao Governo português e ao Governo Regional dos Açores as suas sábias e arrojadas decisões, e louvamos a sua liderança. 

Em 2023, a Fundação Oceano Azul para impulsionar em Portugal uma bioeconomia azul sustentável e de carbono negativo, com uma nova edição do Programa Blue Bio Value. No final de 2023, com a realização deste Programa, surgiram novas ideias inovadoras de biotecnologia azul e mais blue biotech start-ups escalaram com sucesso os seus projetos. 

Por último, continuámos a trabalhar por uma nova Geração Azul, dando continuidade ao Movimento Save the Future, que junta iniciativas de cidadãos e mobiliza para limpezas costeiras e, por último, mas não menos importante, continuámos a desenvolver o nosso programa, sem precedentes em Portugal e na Europa, para as escolas do ensino primário, divulgando a literacia azul através de professores e crianças. 

Para 2024, desejamos ser capazes de aumentar a nossa liderança, de aumentar o impacto do nosso trabalho, mantendo o foco da nossa ação, contribuindo desta forma para o momentum do oceano que permitirá uma viragem de paradigma na conservação e recuperação do oceano até 2025. Assim garantimos que os últimos cinco anos desta década se tornem os mais fortes deste século, no que respeita à ação oceânica. 

Artigo de Tiago Pitta e Cunha, CEO da Fundação Oceano Azul.

Taxa de Carbono EU ETS aumenta devido ao conflito no Mar Vermelho

 

O comércio de carbono no sector marítimo foi lançado em 1 de Janeiro, mas os efeitos do Regime de Comércio de Emissões da UE (denominada EU ETS) foram amplificados pela natureza crítica dos ataques no Mar Vermelho.

Os ataques de mísseis e drones do mês passado a navios que transitam pelo estreito estreito de Bab al-Mandeb, onde o Mar Vermelho se encontra com o Golfo de Aden e o Oceano Índico, forçaram muitos navios a desviar para a rota muito mais longa em torno do Cabo da Boa Esperança.

Mais recentemente, o Maersk Hangzhou, de 14.000 TEU, foi atingido por um míssil em 30 de dezembro e, um dia depois, foi feita uma tentativa pelos militares Houthi de abordar o navio. O apoio naval dos EUA afundou três barcos Houthi, com a perda de dez vidas.

Cerca de 3,4 milhões de TEU foram agora desviados para a rota muito mais longa, com 262 navios a navegar mais 10 dias ou 3.000 milhas para evitar o estreito de 20 milhas, com uma largura navegável de apenas 10 milhas, que leva a Suez.

O conflito no Médio Oriente e os trânsitos reduzidos no Canal do Panamá causados ​​pelos baixos níveis de água estão a utilizar o excesso de capacidade, aumentando as taxas em 40% em relação à semana passada, de acordo com os analistas Linerlytica que citam o Shanghai Container Freight Index.

O aumento dos custos resultante do tempo de navegação muito mais longo e das restrições de capacidade será responsável por parte do aumento das taxas de frete, mas haverá custos adicionais associados à introdução da Taxa EU ETS para os navios que fazem escala nos portos da UE.

A Taxa EU ETS cobra um imposto sobre o carbono com base na distância entre o último porto de escala fora da UE, excluindo o Reino Unido, Tânger e Porto Said, e a primeira escala na União Europeia (UE).

Paul Canessa, que é Vice-Presidente da empresa SeaRoutes, calculou que o serviço FE2 da THE Alliance ( Um conglomerado de armadores maritimos) na rota de 2023 para um contentor de 40 pés, de Singapura-Le Havre, as emissões seriam de 1,16 toneladas de CO2e, custando 87 euros/feu (feu – 40 pés) em impostos sobre carbono à taxa actual.

Uma nova escala na Arábia Saudita encurtou a distância percorrida entre o último porto de escala e um porto da UE para o serviço em questão, reduzindo substancialmente a distância da última escala fora da Europa.

“A nova configuração com a parada em Jeddah reduziria o valor para € 41/feu. Muito porreiro, certo? afirmou Paul Canessa. Antes de acrescentar: “Mas fazer o longo percurso em torno de África a partir de Singapura eleva o número para 121 euros/feu.

Se o Maersk Hangzhou ( navio atacado pelos rebelde), fosse carregado com 14.000 TEU a diferença na Taxa EU ETS, oscilaria entre 609.000€ e 847.000€, sendo este o custo das licenças para 40% das emissões, pelas quais os navios são responsáveis, sendo apenas contabilizado metade do tempo de viagem, de acordo com as regras do EU ETS.

No entanto, esses encargos aumentarão para 70% em 2026, ou 1.482.250€, e 100% em 2027, ou 2.117.500€, aos preços actuais das licenças.

Ter adicionado uma escala portuária fora da faixa do EU ETS reduzirá os custos de carbono, como Paul Canessa apontou: “Isto é provavelmente o que a Aliança tinha em mente ao adicionar Damietta como uma escala no FP1 (a última escala fora da UE antes foi Singapura), Jeddah na FE2 e Colombo na FE4. Não admira que as taxas previstas para este comércio para 2024 estivessem entre as mais baixas em comparação com outras transportadoras globais.”

Paul Canessa também salienta que será muito mais difícil reduzir os custos no comércio atlântico: “É difícil hackear este sistema no comércio atlântico ou Europa-África”, afirmou, com poucas escalas provisórias disponíveis.

Maersk alerta sobre grandes perturbações.

Como já é de conhecimento geral, o gigante do transporte de contentores Maersk está a desviar todos os navios das rotas do Mar Vermelho em torno do Cabo da Boa Esperança, em África, num futuro próximo, afirmou ontem, alertando os clientes para se prepararem para perturbações significativas.

Transportadores de todo o mundo estão a abandonar o Mar Vermelho – e, portanto, a rota mais curta da Ásia para a Europa através do Canal de Suez – depois de militantes Houthi apoiados pelo Irão no Iémen terem intensificado os ataques a navios na região do Golfo para mostrar o seu apoio aos islamitas palestinianos. grupo Hamas lutando contra Israel em Gaza.

A viagem desviada, passando por África pode acrescentar cerca de 10 a 15 dias ao tempo de viagem e requer mais combustível e tempo de tripulação, aumentando assim, os custos de envio.

“A situação está em constante evolução e permanece altamente volátil, e toda a informação disponível confirma que o risco de segurança continua a estar num nível significativamente elevado”, afirmou a Maersk num comunicado.

Na quinta-feira, a Maersk redireccionou quatro dos cinco navios porta-contentores em direcção ao sul que já haviam passado pelo Canal de Suez de volta ao norte para a longa viagem ao redor da África.

“Embora continuemos a esperar por uma resolução sustentável no futuro próximo e façamos tudo o que pudermos para contribuir para isso, incentivamos os clientes a prepararem-se para a persistência de complicações na área e para que haja interrupções significativas na rede global”, acrescentou a Maersk.

O Canal de Suez é utilizado por cerca de um terço da carga global de navios porta-contentores, e o redireccionamento de navios em torno do extremo sul de África deverá custar até 1 milhão de dólares extra em combustível por cada viagem de ida e volta entre a Ásia e o Norte da Europa.

Singapura alerta para caráter "crítico" da navegação no Mar Vermelho

O chefe da diplomacia de Singapura apelou ao respeito pela liberdade e segurança na circulação marítima, acentuando o caráter “crítico” do Mar Vermelho, sob ataques dos rebeldes Houthis.

“Pedimos a todos que respeitem a liberdade e segurança da navegação marítima”, afirmou o ministro Vivian Balakrishnan, a propósito da crise no Mar Vermelho, onde os rebeldes Houthis, do Iémen, intensificaram os ataques desde o início do conflito entre Israel e oHamas, a 7 de outubro.

Em entrevista conjunta à Lusa, DN e TSF, Balakrishnan, que termina este sábado uma visita oficial a Portugal, salientou que esta não é uma posição política.

“Não é um ponto político, não se trata de tomar partido. Isto não é sobre a natureza do conflito. Queremos liberdade e segurança da navegação e acreditamos que esta é uma responsabilidade de todos nós e é do interesse coletivo”, sublinhou.

O ministro dos Negócios Estrangeiros recordou que a Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar estipula que, ao contrário de outros meios de transporte, um navio é livre de circular para qualquer parte do mundo, “e isto é um ponto fundamental”.

Balakrishnan referiu que “certos estreitos são críticos para a navegação internacional” e o canal do Suez, que dá acesso ao Mar Vermelho, permite o caminho mais curto entre a Europa e a Ásia.

“O Mar Vermelho é crítico, tão crítico como o Estreito de Malaca ou o Estreito de Singapura são para nós, e não apenas para nós, mas para a comunidade internacional”, afirmou, sublinhando que, para nações marítimas como Portugal ou Singapura, a navegação “é uma questão crítica”.

O volume do comércio portuário de Singapura é três vezes superior ao produto interno bruto (PIB) do país, ilustrou.

Esta semana, Singapura subscreveu, juntamente com outros 11 países, incluindo os Estados Unidos da América e o Reino Unido, uma posição que foi descrita pela administração norte-americana como um último aviso aos Houthis.

“Que a nossa mensagem seja agora clara: apelamos ao fim imediato destes ataques ilegais e à libertação de embarcações e tripulações detidas ilegalmente”, afirmaram os países no comunicado.

“Os Huthis arcarão com a responsabilidade pelas consequências caso continuem a ameaçar vidas, a economia global e o livre fluxo de comércio nas vias navegáveis críticas da região”, por onde passa cerca de 15% do comércio mundial, advertiram ainda.

Cerca de 15% do comércio marítimo mundial, recordam os subscritores, atravessa o Mar Vermelho, “incluindo 8% do comércio mundial de cereais, 12% do comércio marítimo de petróleo e 8% do comércio do gás natural liquefeito”.

Nove acusados de tráfico de cocaína em contentores.

O MP – Ministério Público acusou nove arguidos da introdução na Península Ibérica, por via marítima, de enormes quantidades de cocaína dissimulada em contentores de fruta e que foi apreendida, (Pelo menos parte), num armazém em Barcelos.

A nota publicada na página da Procuradoria-Geral Distrital do Porto, indica que os contentores eram provenientes da América do Sul.

Os arguidos foram acusados de tráfico de estupefacientes e associação criminosa.

O MP considerou indiciado que os arguidos, conjuntamente com outros cujo procedimento criminal correrá em processo diverso, constituíram entre si uma “estrutura organizativa, com específica repartição de tarefas e aproveitamento de estrutura empresarial que um deles já detinha”.

O objectivo era a introdução, na Península Ibérica, por via marítima, de grandes quantidades de cocaína, dissimulada em contentores de importação, designadamente de fruta, provenientes da América do Sul, com vista à sua posterior comercialização.

Ainda segundo o MP, os arguidos, dando curso àquele projecto, procederam, no segundo semestre de 2022, à importação de dois contentores de bananas do Equador, no fundo dos quais foram arrumados e dissimulados vários pacotes contendo cocaína.

Num contentor estavam 70 pacotes, com o peso total de 105 quilos, e noutro 629 pacotes, com o peso total de 717 quilos.

Para o efeito, os arguidos contavam com a ajuda de pessoas não identificadas que atuaram no Equador.

A droga acomodada num dos contentores viria a ser descoberta e apreendida no dia 15 de dezembro de 2022, no transbordo em Algeciras, no âmbito de uma acção inspectiva por parte das autoridades espanholas.

O produto estupefaciente do outro contentor foi apreendido no dia 21 de dezembro de 2022, num armazém em Gilmonde, Barcelos, no distrito de Braga, para onde os arguidos o tinham levado, depois do desalfandegamento, para dele extraírem a cocaína.

A droga acomodada num dos contentores viria a ser descoberta e apreendida no dia 15 de dezembro de 2022, no transbordo em Algeciras, no âmbito de uma ação inspetiva das autoridades espanholas.

O produto estupefaciente do outro contentor foi apreendido no dia 21 de dezembro de 2022, num armazém em Gilmonde, Barcelos, no distrito de Braga, para onde os arguidos o tinham levado, depois do desalfandegamento, para dele extraírem a cocaína.

Resgate de tripulantes de embarcação a remos que participavam em regata transatlântica.

A Marinha Portuguesa, através do Centro de Coordenação de Busca e Salvamento Marítimo de Ponta Delgada – MRCC Delgada, em articulação com o Centro de Orientação de Doentes Urgentes no Mar – CODU-MAR, coordenou ontem, dia 4 de janeiro, o resgate de quatro tripulantes da embarcação a remos “Margaret 2”, que estava a participar na regata transatlântica “World toughest Row”.

O MRCC Delgada recebeu o alerta através do sistema Cospas-Sarsat, às 12h27, das horas locais, dando conta de que a embarcação a remos “MAGARET-2”, de nacionalidade australiana, encontrava-se a navegar a 1200 milhas náuticas, cerca de 2 200 quilómetros, a sul da Ilha de são Miguel.

Em contacto com a organização da regata foi dada a informação que um dos tripulantes apresentava sintomas de possível ataque cardíaco, tendo vindo a falecer minutos depois.

O navio graneleiro “Charles”, de pavilhão Liberiano que se encontrava a navegar a 70 milhas náuticas, cerca de 129 quilómetros, a Sul da embarcação em dificuldades, foi ativado para prestar auxílio, tendo concluído, por volta das 22h18, com sucesso o resgate dos três tripulantes vivos e do corpo do quarto tripulante. O navio prosseguiu viagem para o seu porto de destino, na Noruega.

Nesta ação de busca e salvamento estiveram envolvidos o MRCC Delgada, o CODU MAR e o navio mercante “Charles”.

Saiba mais sobre o sistema COSPAS-SARSAT

O sistema COSPAS-SARSAT é um programa internacional de busca e salvamento que utiliza satélites para detectar e localizar sinais de emergência transmitidos por radiobalizas de localização de emergência (ELTs), radiobalizas de localização de emergência de aeronaves (EPIRBs) e radiobalizas de localização pessoal (PLBs).

O sinal COSPAS-SARSAT refere-se ao sinal de rádio de emergência transmitido por essas balizas. Quando uma pessoa ou uma embarcação está em perigo, ela pode acionar a radiobaliza, que emite um sinal de socorro. Os satélites COSPAS-SARSAT em órbita recebem esses sinais e retransmitem para os centros, que coordenam as operações de busca e salvamento.

Os sinais COSPAS-SARSAT são cruciais para ajudar a localizar e resgatar pessoas em situações de emergência, especialmente em áreas remotas, onde a comunicação convencional pode ser limitada.

Foto: Marinha Portuguesa