O Porto de Sines é a âncora do nosso desenvolvimento nacional

A vantagem do Porto de Sines em relação à maioria dos portos europeus é muito grande e baseia-se no facto de ter uma grande capacidade logística, quer para construir estruturas para armazenamento de todo o tipo de produtos, quer para a produção industrial de produtos para exportação.

Quando se escolheu o local teve-se em vista este facto e o de ser um porto de águas profundas com terreno em seu redor para se construir uma verdadeira cidade portuária.

Qualquer restrição, obstáculo ao uso dos terrenos de expansão do porto, é algo no mínimo estranho, pois todos os planos, desde camarários, aos de classificação de áreas protegidas, de espécies protegidas, o que quer que seja, foram realizados a “posteriori“ da construção do porto e não deveriam poder retirar todo o potencial estratégico, em termos de competição com os seus congéneres, que o porto de Sines tem, e que é fundamental e estrutural para o desenvolvimento da região e do país.

Não se deve nunca fazer planos para a região, que não tenham como base o pressuposto de planeamento, de que estes têm que estar em consonância com a existência prévia e a viabilidade da estrutura portuária existente, âncora de todo o desenvolvimento nacional.

Nuno Pereira da Silva – Coronel na Reforma

Foto: R M24

Conferência "Mulheres nas Profissões Marítimas"

O Auditório Infante D. Henrique, no Porto de Leixões, acolheu, a 26 de janeiro, a Conferência “Mulheres nas Profissões Marítimas”, promovida pela Escola Superior Náutica Infante D. Henrique (ENIDH) e pelo Clube de Oficiais da Marinha Mercante (COMM).

Com Lúcia Silva, membro do Conselho Diretivo do Clube de Oficiais da Marinha Mercante e vastíssima experiência no sector marítimo, a fazer a abertura da sessão e apresentação das oradoras convidadas.

Claudia Soutinho, Administradora da APDL, na sua intervenção, realçou a importância do papel das mulheres em profissões onde a presença do homem é ainda dominante, sendo necessário quebrar estereótipos de género e reforçar a representatividade feminina, neste caso, no sector marítimo e portuário. Da sua experiência pessoal, considera nunca ter sentido qualquer tipo de discriminação, muito, considera, pelo facto, de ter uma posição de gestão e não operacional, em todo o caso, acha determinante para a sociedade, o papel das mulheres em profissões, ditas, ainda dominadas pelo sector masculino e quebrar esse estereótipo é essencial, afirma.

Partilharam os seus percursos profissionais, Inês Soares, Piloto da Barra na APDL, a contar-nos o que a levou a ingressar numa carreira, ainda, predominantemente dominada pelos homens, e a destacar a excelente aceitação que teve por parte dos colegas homens, na APDL, que a fizeram e fazem sentir totalmente integrada e aceite; Carla Vieira, Gestora de Tripulação na S&C – Shipmanagement & Crewing Ltd, apresentou também a sua história e experiência profissional, destacando o percurso com episódios menos positivos, pautado por alguma discriminação, não por parte dos colegas homens, mas sim por uma entidade patronal.

Por último, Vítor Franco, Presidente da ENIDH, encerrou este debate, apresentando a Escola Náutica Infante D. Henrique, única instituição de Ensino Superior portuguesa dedicada à educação e formação de profissionais qualificados para carreiras marítimas com Certificação reconhecida internacionalmente e a sua variada oferta formativa, realçando a crescente participação feminina nos vários cursos e consequentemente nas carreiras do sector.

Dados recentes de um estudo do ITF – International Transport Workers’ Federation, indica que as mulheres representam apenas 2% da força de trabalho dos marítimos e que a maior parte destas trabalham em navios de cruzeiro ou ferries de passageiros, tendo ainda demonstrado que os países com maior igualdade de género possuem um maior desenvolvimento económico e que as companhias com mais mulheres em cargos de liderança, têm um melhor desempenho, pelo que, é evidente que uma efetiva igualdade de género é crucial para o desenvolvimento equilibrado das sociedades.

TTSL – Transtejo Soflusa recebe mais dois novos navios elétricos

Após viagem desde o Porto de Avilès, o navio de transporte dos dois navios chegou ao Porto de Lisboa.

A operação de descarregamento dos navios foi realizada, com sucesso, permitindo aos dois novos elementos da frota elétrica juntar-se ao navio Leader “Cegonha-Branca”, nas instalações da empresa, em Cacilhas, onde efectuaram a respectiva ligação a terra para carregamento de energia, sob acompanhamento de equipas técnicas especializadas.

Durante as próximas semanas, os navios “Garça-Vermelha” e “Flamingo-Rosa” vão cumprir com o plano de vistorias técnicas, por parte da DGRM – Direcção-Geral de Recursos Naturais, Segurança e Serviços Marítimos, de modo a seguir-se o processo de certificação, em que se destaca a emissão do título de propriedade e do certificado de navegabilidade.

A construção dos restantes sete navios decorre conforme planeado, prevendo-se a entrega do quarto navio já no final de março.

Em paralelo, encontra-se em curso a formação das tripulações, bem como a execução da empreitada respeitante às estações de carregamento, nos terminais das ligações fluviais que irão receber a operação 100% elétrica – Seixal, Cais do Sodré, Cacilhas e Montijo.

Depois do Seixal, a 15 de outubro de 2023, se ter tornado pioneiro deste processo, no passado domingo, 28 de janeiro, o Cais do Sodré tornou-se o segundo terminal fluvial a receber uma Torre Zinus, destinada ao carregamento rápido dos novos navios. O Terminal fluvial do Montijo será o próximo a receber uma Torre Zinus.

A TTSL – Transtejo Soflusa prevê iniciar a operação elétrica na ligação fluvial do Seixal no final de abril de 2024.

Açores superam em 2023 n.º de passageiros desembarcados em portos em 2019

 

Entre Janeiro e Dezembro de 2023, a região contabilizou 564.621 passageiros desembarcados por via marítima, mais 58.478 (11,6%) do que em 2022, segundo os dados divulgados na página da Internet do SREA e consultados pela Lusa. O número superou, pela primeira vez, o de 2019, antes da pandemia de covid-19, em que tinham desembarcado nos portos da região 562.993 passageiros.

Desde 2020 que está suspensa a operação sazonal da Atlânticoline que ligava todas as ilhas do arquipélago (com exceção do Corvo), com navios de maior dimensão, entre maio e setembro. Nos meses de época alta, há agora apenas ligações marítimas entre as ilhas do grupo central (Terceira, Graciosa, São Jorge, Pico e Faial) e entre as Flores e o Corvo.

De acordo com os dados disponíveis na página do SREA, com registos desde 2019, o número de desembarques de 2023 só não supera o de 2017, em que foram contabilizados 586.073 passageiros. Olhando apenas para os valores de dezembro, o número de passageiros desembarcados em portos registou uma subida de 19,1% face ao período homólogo, passando de 20.571 para 24.510.

No total de 2023, a ilha do Pico, que tem várias ligações diárias ao Faial, foi a que registou maior movimento de passageiros, com 258.419 desembarques, mais 11,9% do que no período homólogo. O Faial registou valores semelhantes, com 241.156 passageiros desembarcados, um aumento de 10,7% em comparação com 2022.

Já a ilha de São Jorge, que também tem ligações diárias ao Pico e ao Faial, foi a que verificou a maior subida percentual (16,6%), com 53.863 desembarques.

As ilhas do grupo Ocidental (Flores e Corvo) são ligadas pela ‘linha rosa’, entre duas e seis vezes por semana, consoante a época. Nas Flores, o número de desembarques (2.170) cresceu 6,7%, face a 2022, e no Corvo (2.054) 7,1%.

As ilhas Terceira e Graciosa, que têm ligações marítimas de passageiros apenas na época alta, foram as únicas a registar um decréscimo homólogo de passageiros desembarcados no período em análise. Na Terceira (4.755), a quebra foi de apenas cinco passageiros (0,1%), enquanto na Graciosa (2.204) a descida foi de 13,8%.


Crise do Mar Vermelho provavelmente não terminará em breve, diz CEO da Hapag-Lloyd

É improvável que os ataques a navios de carga no Mar Vermelho por rebeldes Houthi baseados no Iêmen terminem em breve, forçando as companhias marítimas a evitar a rota através do Canal de Suez, afirmou ontem o CEO da Hapag-Lloyd, ontem aos repórteres.

“Não acreditamos que isso terminará depois de amanhã”, afirmou Rolf Habben Jansen, numa entrevista em Hamburgo. “Se será um, três ou cinco meses – não sei.”

Um acordo político e uma missão para proteger os navios de carga poderão trazer uma resolução dentro de seis meses, acrescentou. A Hapag-Lloyd, o quinto maior navio de transporte de contentores do mundo, juntou-se a outros transportadores em viagens mais longas e mais dispendiosas em torno de África, depois de um dos seus navios ter sido atacado no dia 15 de Dezembro. Era importante que a União Europeia apoiasse activamente uma coligação naval multinacional para proteger o tráfego comercial na região, acrescentou Habben Jansen.

O redireccionamento em torno de África demora 2 a 3 semanas a mais para os navios, resultando numa queda de 150.000 contentores padrão (TEU) transportados em Dezembro, em comparação com a expectativa original, afirmou.

A Hapag-Lloyd transporta cerca de um milhão de TEU por mês na sua frota de 264 navios. As mitigações incluíram a compra de mais contentores, adicionando 125 mil TEUs de capacidade a um custo de pouco mais de 321 milhões de euros, afirmou. Mas utilizar mais navios para satisfazer a procura atempadamente e operá-los mais rapidamente e com mais combustível, implica custos mais elevados para os clientes.

Na terça-feira, a Hapag-Lloyd reportou lucro antes de juros e impostos para 2023 de 2,5 mil milhões de euros, uma fração dos 17,5 mil milhões de euros de 2022. Citou taxas de frete mais baixas à medida que as cadeias de abastecimento globais se normalizaram após a pandemia.

Iémen: UE tem de aumentar pressão sobre houthis e deve declará-los um grupo terrorista

O Ministro dos Negócios Estrangeiros do Iémen considera que a União Europeia deve aumentar a pressão sobre os houthis, nomeadamente ao nomeá-los como um grupo terrorista.

“O argumento é que se adoptarem [essa designação] vai piorar a situção humanitária. Mas esta abordagem não funcionou”, afirmou Ahmed Awad bin Mubarak, segundo o The Guardian.

Mubarak sublinhou que atacar os houthis não é suficiente e que é necessária uma solução de médio e longo prazo. Deixou também o alerta de que os houthis nunca irão parar: “Seguem a ideologia de que enquanto grupo têm o direito divino de [governar] o Iémen”.

O ministro disse ainda que o Ocidente não tem um visão clara para pôr fim ao conflito na Faixa de Gaza.

MSC apela aos políticos dos EUA para por fim aos ataques Houthis.


O Vice-Presidente do maior armador do mundo, a MSC – Mediterranean Shipping  Company, Charles “Bud” Darr, fez um alerta aos políticos dos EUA reunidos no Subcomitê do Congresso para Protecção Costeira e Transporte Marítimo.

De que a economia e os consumidores têm muito a perder se os rebeldes Houthis puderem continuar os seus ataques ao transporte marítimo internacional no Mar Vermelho. “Mantenha as rotas comerciais abertas”, exigiu Darr, segundo a CNBC. “Tudo se resume a atender às necessidades comerciais dos parceiros comerciais e o que eles precisam é o que fornecemos”, disse ele. 

O representante da MSC esteve no Congresso juntamente com vários especialistas em comércio, e outros foram mais directos nas suas opiniões sobre o movimento Houthi no Iémen. “Eles são comerciantes do caos e gostam de ser caóticos”, disse Ian Ralby, fundador e CEO da I.R. Consilium, uma empresa que faz assessoria de transporte marítimo em questões que incluem direito marítimo, segurança e estratégia. 

Os representantes dos transportes marítimos apelaram aos políticos para que interviessem porque os ataques da milícia Houthi aos navios mercantes levaram a atrasos e transportes dispendiosos e poderiam, em última análise, reflectir-se em preços elevados ao consumidor, especialmente nos Estados Unidos. “Sem frete, sem compras”, alertou Ralby.

Agentes marítimos atacam agricultores alemães após bloqueio portuário

A associação alemã de agentes navais ( Zentralverband Deutsher Schiffsmakler ), perdeu a paciência com os protestos dos agricultores, dizendo que uma indústria que depende de ajuda estatal deve comportar-se adequadamente,.

Após vários dias de protestos em que os principais portos de Hamburgo e Wilhelmshaven foram bloqueados com tractores, a simpatia pelos agricultores por parte da indústria naval está a esgotar-se rapidamente, de acordo com a associação mencionada ao meio de comunicação social Hansa-online.de . 

Os agricultores protestam contra os planos governamentais para reduzir os subsídios estatais ao gasóleo agrícola e exigem uma redução da burocracia em relação à agricultura. Mas uma indústria que depende de subsídios estatais deve comportar-se adequadamente, afirmou Alexander Geisler, CEO da organização, à imprensa. “Se quer ajuda estatal, precisa de ser gentil. Pelo menos para aqueles que tornam esses fundos possíveis através do seu desempenho empresarial e do pagamento de impostos”, afirmou Alexander Geisler.

Ressaltou que as acções dos agricultores, que causaram caos no trânsito em vários acessos portuários, não são dirigidas aos políticos que são alvo das críticas, mas sim aos empresários desinteressados ​​que recebem custos adicionais e trabalho extra graças aos agricultores. 

“Os agricultores não fizeram amigos através destas acções”, afirmou Geisler. Os sistemas de transporte da Alemanha foram atingidos por greves e protestos de maquinistas e agricultores, entre outros, nas últimas semanas, e as perturbações parecem ainda não ter terminado.

Alemanha: Agricultores bloqueiam acesso a vários Portos

Agricultores bloquearam as principais rotas para vários portos alemães na protestando contra a abolição de uma vantagem fiscal.

“Perturbações significativas” foram observadas na área portuária de Hamburgo (o maior porto da Alemanha), resultando na obstrução parcial do tráfego de camiões, alertou a polícia local no X (antigo Twitter). Centenas de tractores  interromperam o trânsito no centro da cidade de Hamburgo, onde uma manifestação de agricultores foi realizada fora da estação ferroviária, acrescentaram as autoridades.

Outros portos alemães também foram afectados. Na Baixa Saxónia, os agricultores bloquearam o acesso a Jade-Weser-Port, um porto de contentores perto da cidade de Wilhelmshaven, com aproximadamente 40 tratores, segundo a polícia. 

No porto de Bremerhaven, uma reunião de agricultores num eixo rodoviário crucial levou a uma “desaceleração significativa” do tráfego. Estas acções fazem parte de uma mobilização em massa de agricultores alemães que protestam há semanas contra a reforma dos impostos sobre o gasóleo agrícola prevista para 2026. 

A reforma visa abolir uma isenção de que beneficiam actualmente. Os protestos seguem-se a negociações mal sucedidas entre os sindicatos e o governo, e desde então as revoltas espalharam-se a outros países europeus, nomeadamente à Bélgica. 

Pinto Basto transporta transformadores da China para a Noruega

A Pinto Basto – Navegação foi a responsável por um processo de transportação em modo “cross-trade” de seis transformadores de enormes dimensões e acessórios respectivos da China para a Noruega.

A empresa afirmou em comunicado que “os transformadores de aproximadamente 55 toneladas cada e os acessórios foram carregados com recurso às gruas do navio e são consignados a uma subestação energética na Noruega em construção, de forma a suportar um novo centro de dados que pertence a uma das redes sociais mais utilizadas no mundo”.

A operação foi dividida em três partes, devido à dimensão, tonelagem e quantidade de materiais, indicou a empresa. A primeira parte da operação ficou efectuada com o transporte do material de Taicang, na China, até Oslo, na Noruega. A segunda parte foi concluída com a descarga dos transformadores, o que antecedeu à entrega e posicionamento dos transformadores e acessórios no local de construção na cidade norueguesa de Hamar.

Segundo avançou o grupo em comunicado: “No decorrer de todas as operações na Noruega, elementos da equipa de operações especiais da Pinto Basto estiverem fisicamente presentes a monitorizar e coordenar as operações de descarga, transporte e posicionamento dos transformadores no local indicado para o efeito”.

Acrescentaram ainda: “A presença da Pinto Basto no teatro de operações foi altamente valorizada, tendo sido garantido o cumprimento rigoroso de todo o planeamento enquanto foi também assegurada a segurança e integridade da carga”.