CMA CGM anuncia aumento de 43 % na EU ETS nos portos europeus.

A CMA CGM anunciou que irá aplicar um aumento de cerca de 43 % no recargo associado às emissões geradas pelas suas operações em portos europeus, em antecipação à entrada plena do regime europeu de comércio de emissões (EU ETS) em 2026.

A partir desse ano, o sistema passará a abranger a totalidade das emissões de gases com efeito de estufa provenientes das rotas marítimas, ao contrário de 2025, em que apenas cerca de setenta por cento estavam sujeitas ao regime. Segundo a empresa, esta alteração regulamentar implicará um acréscimo inevitável nos custos operacionais e, consequentemente, nos valores cobrados aos clientes, sendo que a nova tabela de recargos para o primeiro trimestre de 2026 será publicada a 1 de Dezembro de 2025.

O ajustamento deverá repercutir-se ao longo da cadeia logística, afectando os preços finais do transporte marítimo e evidenciando o impacto económico imediato das políticas climáticas europeias.

Kiribati à beira da submersão?

Kiribati, arquipélago de trinta e três atóis dispersos pelo Pacífico Central, enfrenta uma ameaça crescente de desaparecimento devido à subida do nível do mar. Com a maior parte das suas terras a menos de dois metros de altitude, o país encontra-se entre os mais vulneráveis às alterações climáticas. Duas ilhotas já foram engolidas pelo oceano e estudos indicam que o avanço das águas poderá tornar grande parte do território inabitável ainda neste século.

Em Tarawa, o atol mais povoado, multiplicam-se as inundações, a erosão costeira e a intrusão de água salgada, que degradam solos, contaminam reservas de água doce e comprometem a agricultura e a pesca. Embora Kiribati seja responsável por uma fracção mínima das emissões globais, suporta alguns dos seus efeitos mais severos, enfrentando a possibilidade de perda de território e deslocação de comunidades inteiras. Os esforços locais de adaptação, pequenas defesas costeiras, protecção dos recifes e gestão da água, revelam-se insuficientes perante o ritmo da subida do mar.

O caso de Kiribati tornou-se, assim, um símbolo da injustiça climática e um alerta para o mundo: se nada for feito, um país inteiro poderá desaparecer sob as ondas.

Mediterrâneo aquece 20% mais depressa do que a média global.

O Mediterrâneo enfrenta uma situação crítica, tornando-se uma das regiões oceânicas que mais rapidamente evidenciam os efeitos das alterações climáticas. Dados recentes mostram que este mar aquece cerca de 20% mais depressa do que a média global, com algumas zonas a registarem temperaturas de superfície próximas dos 30 °C, muito acima dos valores históricos. Este aquecimento acelerado está a provocar mudanças profundas nos ecossistemas, com impacto na biodiversidade, na pesca, na aquacultura e nas actividades económicas dependentes do litoral.

A proliferação de espécies invasoras, a mortalidade de organismos sensíveis e o aumento de fenómenos extremos são já consequências visíveis deste desequilíbrio. Para acompanhar esta evolução, iniciativas como o Mercator Ocean International e o projecto European Digital Twin of the Ocean utilizam tecnologia avançada para monitorizar, em tempo quase real, alterações físicas e biológicas no Mediterrâneo.

Contudo, especialistas alertam que o conhecimento, por si só, não basta: é indispensável reforçar a cooperação internacional, reduzir emissões e implementar medidas de adaptação costeira, sob pena de o Mediterrâneo se transformar no exemplo mais evidente da vulnerabilidade dos mares perante o aquecimento global.

Hapag-Lloyd apresenta proposta para adquirir a ZIM.

A Hapag-Lloyd apresentou uma proposta para a compra da ZIM Integrated Shipping Services, numa operação que poderá alterar o equilíbrio no sector do transporte marítimo de contentores. Avaliada em cerca de 2,4 mil milhões de dólares, a ZIM analisa actualmente várias opções estratégicas após recentes mudanças accionistas.

A oferta enfrenta, porém, forte resistência dos trabalhadores da empresa israelita, que alertam para riscos de segurança nacional devido à presença de fundos soberanos do Qatar e da Arábia Saudita entre os accionistas da Hapag-Lloyd. O comité laboral apelou ao governo para usar a “golden share” com o objectivo de travar a venda.

A disputa ilustra a crescente influência de factores geopolíticos nas decisões das grandes companhias marítimas e sublinha a sensibilidade associada ao controlo de operadores considerados estratégicos.

MSC estabelece nova ligação semanal entre o Canadá e Sines.

A nova ligação semanal da MSC entre o Canadá e o Terminal XXI vem reforçar o posicionamento atlântico do Porto de Sines. A integração de Sines nesta rotação oferece às empresas portuguesas acesso direto ao mercado canadiano, reduzindo a necessidade de transbordos noutros portos europeus e contribuindo para tempos de trânsito mais curtos e maior eficiência logística.

Entre os sectores que poderão beneficiar desta rota destacam-se o agroalimentar, o vinícola, a cerâmica, os materiais de construção e a indústria florestal, que passam a dispor de uma solução mais ágil e previsível para as suas exportações.

Para a região e para o país, esta ligação representa também uma oportunidade de dinamização económica, podendo impulsionar a actividade logística, atrair novos investimentos e reforçar o papel de Sines enquanto plataforma atlântica de referência. Com este serviço, a MSC evidencia a confiança na infraestrutura e na operação do porto, contribuindo para consolidar Sines como um ponto estratégico nas trocas comerciais do sul da Europa.

Sines mantém posição entre os maiores portos europeus.

O Porto de Sines voltou a figurar no grupo dos quinze maiores portos de contentores da União Europeia, preservando a 14.ª posição do ranking. Embora a classificação se mantenha estável, o porto registou um recuo no volume de carga movimentada, num contexto desafiante para o sector a nível europeu.

De acordo com a actualização do ranking do Top 15 dos portos de contentorizados europeus, divulgada pelo economista e especialista portuário Theo Notteboom, Sines registou uma diminuição de cerca de 9% face ao período homólogo. Este resultado ocorre num cenário em que vários portos enfrentaram oscilações na actividade, ainda que com variações menos pronunciadas.

A manutenção da posição no ranking, apesar da redução no tráfego, reflecte tanto o impacto da conjuntura global como a dinâmica própria do mercado logístico, que tem colocado desafios adicionais a diversos portos europeus. Embora o volume movimentado tenha recuado, Sines continua a integrar o núcleo dos principais portos da região, mantendo um papel relevante no panorama portuário europeu.

Num ambiente de crescente competitividade e de adaptação constante às mudanças no mercado, o desempenho recente reforça a necessidade de atenção às tendências do sector e às oportunidades de recuperação e reforço da actividade no curto e médio prazo.

Morreu Lídia Sequeira, antiga presidente dos portos de Sines e Setúbal.

Faleceu Lídia Sequeira, economista e gestora que desempenhou um papel determinante no desenvolvimento dos portos portugueses, particularmente no Porto de Sines, onde deixou um legado amplamente reconhecido pelo sector marítimo-portuário nacional. A notícia foi confirmada pela Administração dos Portos de Sines e do Algarve, que manifestou profundo pesar e salientou o contributo decisivo da antiga presidente para a modernização e expansão da infraestrutura portuária.

Lídia Sequeira presidiu à APS entre 2005 e 2013, período durante o qual Sines consolidou a sua posição enquanto principal porto de águas profundas do País. Sob a sua liderança, o porto conheceu uma fase de forte crescimento, marcada pela ampliação do Terminal XXI, pela modernização tecnológica e pela implementação de novos modelos de gestão que permitiram fortalecer a eficiência operacional e atrair novos fluxos de carga. A sua visão estratégica contribuiu de forma significativa para fazer de Sines um dos mais importantes hubs logísticos do Atlântico.

Após concluir o seu mandato em Sines, assumiu funções na administração do Porto de Setúbal, onde continuou a ser reconhecida pela sua competência e liderança. No conjunto da sua carreira, destacou-se pela capacidade de conciliar rigor técnico, visão estratégica e um profundo conhecimento do sistema portuário nacional. A sua morte representa uma perda sentida para o sector, que lhe presta homenagem pela dedicação e pelo impacto estrutural que deixou nos portos que dirigiu.

O legado de Lídia Sequeira permanece vivo no crescimento e projecção internacional que Sines alcançou nos últimos anos, resultado directo do trabalho desenvolvido durante o seu período de liderança.

Porto de Sines reforça influência atlântica com ligação regular ao Canadá.

A presença de Sines nesta rotação semanal permite às empresas portuguesas acederem directamente ao mercado canadense, evitando transbordos noutros portos europeus e reduzindo tempos e custos logísticos. Sectores exportadores como o agro-alimentar, o vinícola, a cerâmica, os materiais de construção e a indústria florestal beneficiam particularmente de uma ligação mais rápida e previsível a um mercado exigente e em expansão.

Para a região e para o País, a nova rota representa também um estímulo económico, com potencial para gerar mais actividade logística, atrair novos investimentos e reforçar a importância de Sines como grande plataforma atlântica.

Com este serviço, a MSC confirma a confiança na capacidade operacional do porto português e contribui para consolidar Sines como uma das principais portas de entrada e saída de mercadorias na Europa do Sul.

Porto de Portimão reforça capacidade e prepara crescimento recorde.

A Administração dos Portos de Sines e do Algarve (APS) prepara-se para lançar três intervenções de grande escala destinadas a reforçar a competitividade do Porto de Portimão, em consonância com a Estratégia Portos 5+ (2025-2035).

Entre as medidas anunciadas destaca-se a realização de dragagens de manutenção, a iniciar em 2026, que visam garantir condições de segurança para a recepção de navios de cruzeiro até 220 metros de comprimento. Paralelamente, está prevista a reabilitação do cais RO-RO, operação que permitirá o acolhimento de ferries e a acostagem simultânea de dois tenders, aumentando significativamente a eficiência no desembarque de passageiros.

A APS avançará ainda com a melhoria das acessibilidades terrestres à Gare Marítima, reforçando a articulação entre o porto e a cidade e facilitando o fluxo de passageiros e operadores.Beneficiando de uma localização privilegiada entre o Atlântico e o Mediterrâneo, o Porto de Portimão projecta um ciclo de crescimento sustentado, com 100 escalas previstas para 2026 e 117 para 2027.

O ano de 2025 deverá encerrar com resultados históricos: 58 escalas e cerca de 23 mil passageiros, correspondendo a aumentos de 45% e 63%, respectivamente, face ao período homólogo.

Portugal e Brasil estudam novo corredor marítimo com Sines como ponte atlântica.

O Porto de Sines e o Complexo de Suape estão a aprofundar contactos com vista à criação de um eixo de cooperação que poderá reforçar a ligação marítima entre a Europa e o Nordeste brasileiro. A posição geográfica de Sines, o porto europeu que mais se aproxima do litoral nordestino, coloca-o como candidato privilegiado para acolher e distribuir mercadorias provenientes do Brasil.

Segundo fontes ligadas ao processo, ambos os portos partilham características que facilitam esta aproximação: Zonas industriais extensas, infraestruturas modernas e um papel crescente em sectores emergentes associados à energia e à sustentabilidade. Esta afinidade operacional tem sido um dos argumentos principais para o estreitar da relação.

Com capacidade para receber navios de grande porte e um movimento de contentores em contínuo crescimento, Sines tem vindo a afirmar-se como plataforma de redistribuição para múltiplos mercados europeus. A integração de Suape neste circuito poderá potenciar novas rotas comerciais e dar maior fluidez ao escoamento de produtos brasileiros.

Embora as conversações ainda se encontrem numa fase inicial, espera-se que a cooperação permita reduzir tempos de trânsito e optimizar custos logísticos, sobretudo para sectores como o agroalimentar e os granéis. Caso avance, a iniciativa deverá consolidar Sines como principal interface atlântico da União Europeia e reforçar a presença económica do Brasil no espaço europeu.