IMO assinala 529 navios a operar com “bandeiras falsas”

A Organização Marítima Internacional (IMO) contabilizou 529 navios que estarão a navegar com “bandeiras falsas”, isto é, a apresentar registos e nacionalidades que não foram autorizados pelas autoridades de bandeira a que dizem pertencer.

O assunto ganha peso antes da reunião do Comité Jurídico da IMO, onde deverão ser discutidas medidas para travar a emissão e uso de documentação fraudulenta.O alerta não é apenas formal. Uma parte significativa destes navios surge sem classificação por sociedades de classificação reconhecidas, o que pode significar menos controlo técnico e maior exposição a falhas de segurança. Em paralelo, vários casos apontam para redes que criam websites e entidades fictícias capazes de emitir “certificados” e registos que imitam documentos oficiais, levando alguns Estados a clarificar publicamente que não operam certos registos internacionais.

Na prática, uma “bandeira falsa” pode colocar o navio fora do controlo efectivo de um Estado de bandeira, dificultando inspecções, rastreabilidade e responsabilização em caso de acidente. Além disso, este tipo de fraude pode servir para ocultar propriedade e gestão, contornar regras e, em alguns cenários, facilitar a evasão a sanções.

A discussão na IMO deverá procurar reforçar a verificação dos registos e melhorar a partilha de informação para impedir que estes navios continuem a operar nas sombras.

Tecnologia ajuda a decifrar o oceano em palestra na Fortaleza de Sagres.

A Fortaleza de Sagres acolhe, no dia 24 de Fevereiro, uma palestra dedicada ao contributo das tecnologias de informação para o estudo dos oceanos e para a previsão da sua dinâmica, numa sessão que cruza ciência, ambiente e clima num dos locais mais simbólicos da relação de Portugal com o mar.

A iniciativa, com início às 15h00, centra-se na forma como a modelação matemática, o tratamento de grandes volumes de dados e, cada vez mais, a inteligência artificial têm vindo a transformar a observação e a compreensão do oceano, permitindo analisar fenómenos complexos e melhorar a capacidade de antecipar alterações e tendências.

A sessão conta com intervenções de Ramiro Neves, do Instituto Superior Técnico da Universidade de Lisboa, e de António Silva Neto, da Universidade Estadual do Rio de Janeiro, que irão abordar a importância destas ferramentas para interpretar a evolução dos sistemas oceânicos e o seu impacto no ambiente e no clima. Para além da componente científica, o programa inclui uma visita à Fortaleza de Sagres, com entrada livre, reforçando o objectivo de aproximar o conhecimento do público e sublinhar a relevância dos oceanos num contexto de desafios ambientais cada vez mais exigentes.

Navalrocha assegura contrato de 16,3 milhões para modernizar duas fragatas da Marinha.

A Navalrocha garantiu um contrato que pode ascender a 16,3 milhões de euros para realizar trabalhos de modernização em duas fragatas da Marinha Portuguesa.

A adjudicação foi feita no âmbito de um procedimento conduzido pela NATO Support and Procurement Agency (NSPA), entidade responsável por apoiar aquisições e contratação para países aliados, e visa reforçar a capacidade operacional destes navios ao longo dos próximos anos. Segundo informação avançada pela Marinha, a intervenção incide, para já, na adaptação do NRP Vasco da Gama, prevendo-se a possibilidade de extensão ao NRP Côrte-Real. As obras deverão decorrer no Arsenal do Alfeite e têm como horizonte de conclusão o período entre 2028 e 2029.

Embora não sejam revelados detalhes técnicos por motivos de segurança, a modernização enquadra-se em áreas críticas para o desempenho das fragatas, envolvendo tipicamente componentes como sistemas de combate e de armas, sensores, comunicações e infra-estruturas de comando e controlo.

A Marinha esclarece ainda que esta adjudicação à Navalrocha resulta de um concurso específico, distinto de outros processos também geridos pela NSPA, nos quais foi seleccionada a empresa Elbit Naval Systems para fornecimentos e trabalhos diferentes.

União Europeia pede estabilidade após tribunal dos EUA considerar ilegais tarifas de Trump.

A União Europeia manifestou a necessidade de garantir estabilidade nas relações comerciais com os Estados Unidos, na sequência da decisão do Supremo Tribunal norte-americano que considerou ilegais as tarifas introduzidas durante a presidência de Donald Trump.

Bruxelas entende que este é um momento decisivo para restabelecer confiança e assegurar um enquadramento previsível para o comércio entre as duas margens do Atlântico. A Comissão Europeia sublinha que muitas empresas europeias foram directamente afectadas por essas tarifas, o que gerou custos acrescidos, incerteza e dificuldades no planeamento das suas actividades. Com a decisão agora conhecida, as autoridades europeias aguardam esclarecimentos por parte de Washington sobre as consequências práticas e sobre o futuro das medidas comerciais.

Os responsáveis europeus defendem que o comércio internacional deve assentar em regras claras e estáveis, evitando decisões repentinas que possam comprometer o investimento, as exportações e o normal funcionamento das cadeias de abastecimento. A previsibilidade é considerada essencial para proteger as empresas e garantir condições equitativas no mercado global.

A anulação destas tarifas representa uma mudança significativa na política comercial dos Estados Unidos e abre um novo período de expectativa quanto à evolução das relações económicas com os seus parceiros internacionais. A União Europeia espera agora que este novo contexto permita reforçar a cooperação e reduzir as tensões comerciais verificadas nos últimos anos.

Supremo dos Estados Unidos declara ilegais tarifas comerciais impostas por Donald Trump

O Supremo Tribunal dos Estados Unidos decidiu que o conjunto de tarifas comerciais generalizadas impostas por Donald Trump é ilegal, por entender que o Presidente não tinha competência para adoptar esse tipo de medidas sem autorização do Congresso.

A decisão foi tomada por maioria, com seis juízes a votarem nesse sentido e três contra. Em causa está a utilização, por parte da administração norte-americana, de uma lei de emergência aprovada em 1977, que foi invocada para justificar a aplicação de tarifas a vários países com o argumento de que o défice comercial representava uma ameaça à segurança nacional. No entanto, o tribunal concluiu que essa legislação não confere ao Presidente poderes para impor tarifas comerciais de forma tão abrangente, reafirmando que essa responsabilidade pertence ao Congresso. As tarifas tinham sido aplicadas a diversos parceiros comerciais dos Estados Unidos e geraram receitas muito significativas para o Estado norte-americano, estimadas em mais de cem mil milhões de euros. Ainda assim, a decisão judicial abre agora caminho a contestação por parte de empresas afectadas, que poderão exigir compensações ou reembolsos.Esta decisão representa um travão importante na política comercial seguida por Donald Trump, baseada na imposição de tarifas como forma de proteger a economia nacional.

Ao mesmo tempo, reforça o papel do Congresso nas decisões relacionadas com o comércio internacional e poderá ter impacto nas relações económicas entre os Estados Unidos e os seus principais parceiros comerciais.

Incêndio na casa das máquinas torna-se mortal em graneleiro.

Um incêndio na casa das máquinas do graneleiro Mandy, registado durante a viagem com destino a Yantai, na China, causou duas mortes entre a tripulação e deixou um terceiro marítimo ferido. O navio, construído em 2010 e com 180.371 toneladas de porte bruto (dwt), tinha saído de Singapura quando, cerca das 19h35 (hora local) de 17 de Fevereiro, deflagrou o fogo, já próximo da chegada prevista ao porto chinês.

A bordo seguiam 25 tripulantes, todos de nacionalidade mianmarense. Apesar de a tripulação ter conseguido controlar e extinguir as chamas, dois marítimos acabariam por perder a vida. O ferido foi evacuado por via aérea para terra, onde recebeu assistência médica.Após o alerta, as autoridades chinesas mobilizaram embarcações de socorro, um helicóptero e navios mercantes que se encontravam nas proximidades. A Autoridade Marítima e Portuária de Singapura indicou que não houve poluição associada ao incidente. A embarcação, gerida pela Pacific Rim Shipmanagement, está agora a tratar da operação de reboque para o porto de Yantai.

As autoridades de Singapura estão a colaborar com responsáveis chineses para apurar as causas do incêndio, tendo sido apresentadas condolências às famílias das vítimas e manifestada disponibilidade para prestar todo o apoio necessário.

Marinha está a monitorizar navio russo que navega há dias pela costa portuguesa.

A Marinha Portuguesa está a acompanhar e a monitorizar o navio mercante SPARTA IV, de pavilhão da Federação Russa, que navega “de sul para norte” ao longo da costa portuguesa há três dias.

Segundo informação prestada em resposta a questões colocadas, a vigilância começou no momento em que a embarcação entrou em águas nacionais, na Zona Económica Exclusiva, no dia 15 de Fevereiro, pelas 20h00, estando o navio, nesta fase, ao largo da Nazaré, fora dos corredores habituais de tráfego marítimo e em áreas com profundidades superiores a 3.000 metros.

O acompanhamento está a ser efectuado com uma unidade naval e deverá manter-se até o navio abandonar as águas sob jurisdição nacional.

A Marinha recorda ainda que este tipo de monitorização de navios russos tem sido recorrente, em particular desde o início da guerra na Ucrânia, em 24 de Fevereiro de 2022.

Ataque com drones russos atinge porto de Odessa.

Um ataque nocturno com drones russos atingiu a zona portuária de Odessa, no Mar Negro, provocando um morto e seis feridos, segundo informações divulgadas pelas autoridades ucranianas.

A ofensiva causou ainda danos em várias estruturas de apoio à actividade portuária e logística. De acordo com os mesmos dados, foram registados estragos em armazéns de fertilizantes, vagões ferroviários e viaturas, além de um incêndio na área afectada. O impacto estendeu-se também a outras infraestruturas na região, incluindo zonas industriais, residenciais e componentes ligados ao abastecimento de energia, contribuindo para perturbações locais.

Apesar dos danos, as entidades responsáveis indicaram que as operações portuárias se mantêm em funcionamento, ainda que condicionadas pelas consequências do ataque e pela necessidade de avaliação e reposição de meios. Na mesma vaga de ataques, a Rússia terá lançado um número elevado de drones e pelo menos um míssil, com as defesas aéreas ucranianas a interceptarem a maioria dos alvos. Ainda assim, foram reportadas interrupções no fornecimento de serviços essenciais em algumas áreas, como electricidade, aquecimento e água.

Odessa mantém-se como um ponto crítico do corredor logístico do Mar Negro, com as autoridades ucranianas a acusarem Moscovo de visar de forma recorrente infraestruturas de transporte e exportação, incluindo portos e ligações ferroviárias, numa pressão directa sobre a economia e as cadeias de abastecimento.

Imagem: Oleksii Kuleba/X

MSC baptiza navio com o nome da Arábia Saudita.

A MSC, através da sua unidade logística MEDLOG, assinalou três décadas de presença na Arábia Saudita com dois anúncios de peso: a inauguração de um novo centro logístico integrado no porto Rei Abdulaziz, em Dammam, e o baptismo de um dos seus navios internacionais com o nome “Saudi Arabia”, num gesto simbólico de reforço da parceria com o reino.

O novo complexo logístico representa um investimento superior a 150 milhões de riais sauditas e ocupa uma área de cerca de 100 mil metros quadrados, com o objectivo de ampliar a oferta de serviços, ganhar eficiência na movimentação de carga e fortalecer a cadeia logística associada ao porto.

As autoridades sauditas enquadram este passo na estratégia de consolidar o país como plataforma logística regional e global, sublinhando a relevância do porto de Dammam, que dispõe de dezenas de postos de acostagem e capacidade anual elevada para carga e contentores, factores que explicam o interesse crescente de grandes operadores internacionais.

HMM aposta na redução de custos após lucros caírem para metade em 2025.

O armador sul-coreano HMM terminou 2025 com uma quebra acentuada nos resultados, com os lucros a recuarem para cerca de metade face ao ano anterior, num cenário de mercado mais fraco e de pressão sobre as tarifas do transporte de contentores.

A empresa viu também a sua facturação descer, reflectindo a normalização das receitas após um período de maior rentabilidade no sector. Perante esta descida, a HMM passou a colocar a tónica na optimização de custos e na eficiência operacional, apontando para uma estratégia assente em redes logísticas mais racionais, com concentração de escalas em grandes portos-centrais e uma melhor articulação com ligações regionais, através de serviços feeder, para assegurar distribuição e capilaridade sem perder competitividade.

Para 2026, a companhia antecipa um ano exigente, marcado por excesso de capacidade no mercado, devido à entrada de novos navios, ao mesmo tempo que a procura se mantém contida. A eventual normalização do tráfego no Canal do Suez é vista como um factor que pode agravar a concorrência, ao devolver ao mercado mais capacidade efectiva e aumentar a disputa por carga.

Neste contexto, a HMM assume que o controlo de custos, a gestão de rede e a disciplina operacional serão determinantes para proteger margens e sustentar a posição num sector que entra numa fase mais competitiva.