Marinha dos EUA destitui comandante do USS Truxtun após colisão durante reabastecimento no Caribe.

A Marinha dos Estados Unidos anunciou a destituição do comandante do contratorpedeiro USS Truxtun (DDG-103) na sequência de uma colisão com o navio logístico USNS Supply, ocorrida durante uma manobra de reabastecimento no mar, na área de responsabilidade do Comando Sul norte-americano (SOUTHCOM), nas Caraíbas.

O incidente, registado a 11 de Fevereiro, resultou em dois militares com ferimentos ligeiros, tendo ambos sido assistidos e considerados em condição estável. De acordo com o comunicado oficial, a decisão foi fundamentada na “perda de confiança na capacidade de exercer o comando”, princípio que integra a cultura operacional da Marinha dos EUA e que implica responsabilização imediata da cadeia de comando sempre que ocorre um incidente relevante em contexto de navegação ou manobra.

O oficial afastado assumira funções no início de 2025. O comando do navio será agora assegurado por outro oficial superior destacado para o efeito.O USS Truxtun, um contratorpedeiro de mísseis guiados da classe Arleigh Burke, encontrava-se destacado para operações na região, integrando esforços relacionados com missões de segurança marítima e apoio a operações conduzidas pelo Departamento de Defesa dos Estados Unidos. Antes da colisão, o navio tinha regressado temporariamente à Base Naval de Norfolk para resolver questões técnicas não especificadas, retomando posteriormente o desdobramento. A colisão ocorreu durante uma manobra de reabastecimento em alto-mar, operação considerada de elevada complexidade técnica e que exige coordenação rigorosa entre as unidades envolvidas, controlo fino de velocidade e rumo, bem como condições meteorológicas favoráveis. Apesar de ambas as embarcações terem conseguido manter capacidade de navegação, foi aberta uma investigação formal para apurar responsabilidades, procedimentos adoptados e eventuais falhas operacionais.

As conclusões do inquérito poderão determinar medidas adicionais, quer ao nível disciplinar, quer na revisão de procedimentos operacionais, num momento em que a Marinha norte-americana mantém presença reforçada em diversas áreas estratégicas.

Trânsito no Estreito de Ormuz colapsa mais de 80%.

O tráfego marítimo no Estreito de Ormuz caiu mais de 80% nas últimas horas, num sinal claro de paragem operacional numa das rotas mais críticas do planeta.

Com a escalada militar no Médio Oriente, dezenas de navios ficaram fundeados nas imediações, à espera de condições de segurança para avançar. A quebra é particularmente relevante por afectar o corredor por onde passam volumes gigantescos de petróleo e gás natural liquefeito. Apesar de não existir um anúncio formal de encerramento, o aumento do risco, os avisos militares e a incerteza no mercado de seguros estão a levar armadores e operadores a suspender travessias ou a adiar decisões.

O efeito é imediato: Tensão nos mercados de energia, pressão sobre a disponibilidade de navios e probabilidade crescente de subida de fretes, sobretudo nos segmentos ligados ao transporte energético.

Ligação Seixal–Cais do Sodré passa a operar com três navios eléctricos.

A travessia fluvial entre o Seixal e o Cais do Sodré vai passar a contar com três embarcações eléctricas, numa fase inicial em que a operação continuará a ser acompanhada por testes e ajustamentos.

Durante este período, a Transtejo/Soflusa manterá também um navio a diesel como reserva, para garantir resposta caso surjam constrangimentos técnicos ou operacionais. A entrada destas embarcações pretende reforçar a regularidade do serviço numa ligação que tem sido alvo de queixas devido a supressões e falta de fiabilidade.

A empresa espera que o aumento de meios contribua para estabilizar horários e reduzir interrupções, devolvendo previsibilidade a quem utiliza diariamente esta travessia. O arranque do serviço com os navios eléctricos sofreu adiamentos, associados à complexidade do processo de integração das novas unidades e às necessidades de infraestrutura, incluindo os sistemas de carregamento.

Ainda assim, a operação é apresentada como um passo importante na modernização do transporte fluvial no Tejo e na redução de emissões, num caminho de transição energética que deverá estender-se a outras ligações.

APS teve apresentação do livro “Pilotagem: As responsabilidades das autoridades portuárias.”

O auditório da Administração dos Portos de Sines e do Algarve acolheu, no passado dia 24 de Fevereiro, a apresentação do livro “Pilotagem: As responsabilidades das autoridades portuárias”, da autoria de Sandra Aires e Carlos Serpa Carvalho.

A iniciativa, promovida pela Associação Portuguesa de Pilotos de Barra e Portos, em parceria com a Riscos Editora, reuniu profissionais e representantes de várias entidades ligadas ao sector marítimo-portuário. A sessão serviu de ponto de encontro para debate e reflexão sobre o enquadramento da pilotagem, um serviço determinante para a segurança da navegação e para a eficiência das manobras de entrada, saída e movimentação de navios em áreas portuárias.

A obra centra-se nas responsabilidades das autoridades portuárias neste domínio, abordando aspectos jurídicos e operacionais associados à organização, supervisão e articulação do serviço.

Guerra no Irão: impactos rápidos no contentorizado e no petróleo.

Um conflito envolvendo o Irão tende a provocar um choque imediato na logística marítima, sobretudo pela incerteza operacional e pelo aumento do risco em rotas e áreas de passagem sensíveis.

No sector contentorizado, o efeito surge mais pela desorganização da rede do que por uma paragem global: ajustes de itinerários, eventuais omissões de escalas e desvios para evitar zonas de maior risco tornam os horários menos fiáveis, alongam tempos de trânsito e reduzem a capacidade efectiva da frota. Com viagens mais longas e menos previsibilidade, aumentam os custos, surgem sobretaxas associadas a risco e cresce a volatilidade dos fretes, além de se agravarem desequilíbrios de contentores vazios e atrasos em cadeias de abastecimento.

No petróleo, produtos refinados e gás, a reacção costuma ser mais brusca. A percepção de risco faz disparar prémios de seguro de guerra, encarece a operação e pode levar navios a aguardar instruções ou a evitar a área, reduzindo a disponibilidade de transporte. Isso pressiona os fretes de petroleiros, aumenta demurrage e puxa os preços do crude por via do “prémio de risco”, mesmo antes de existir uma quebra comprovada de produção. Em paralelo, o aumento do crude tende a encarecer o bunker, repercutindo-se também no transporte de contentores através de ajustamentos de combustível.

No fundo, a guerra não precisa de “fechar” o comércio para o tornar mais caro e mais lento: basta introduzir risco, atrasos e custos adicionais, que se propagam do mar para os portos e, depois, para a economia.

MSC trava novas reservas para o Médio Oriente por motivos de segurança.

A Mediterranean Shipping Company (MSC) anunciou a suspensão imediata da aceitação de novas reservas de carga com destino ao Médio Oriente, numa decisão de âmbito global que se mantém em vigor até novo aviso.

O armador n°1 global explica que a medida resulta do agravamento da situação de segurança na região e foi tomada como precaução.No aviso dirigido aos clientes, a MSC sublinha que a prioridade é a segurança das tripulações e dos navios, referindo que acompanha a evolução do contexto operacional e que reavaliará a retoma das reservas quando existirem condições que permitam retomar a actividade com segurança.

A suspensão afecta fluxos comerciais relevantes numa área estratégica das rotas marítimas internacionais, podendo ter impactos no planeamento logístico, na disponibilidade de capacidade e nos tempos de trânsito, caso a situação se prolongue.

Mercados em alerta após ataques dos EUA e Israel ao Irão.

Os mercados estão em alerta perante o risco de um choque no petróleo, depois de ataques atribuídos aos Estados Unidos e a Israel contra alvos no Irão.

A tensão volta a pôr sob pressão o Estreito de Ormuz, uma das principais passagens marítimas do mundo para o transporte de crude, e qualquer perturbação nessa rota pode traduzir-se rapidamente em subida de preços.A reacção já se sente nas cotações, alimentada pelo receio de interrupções no fornecimento, ataques a infra-estruturas energéticas ou restrições à navegação.

Se a escalada se prolongar, analistas admitem cenários de petróleo significativamente mais caro, com impacto directo no custo dos combustíveis e, por arrasto, na inflação. O desfecho depende da evolução no terreno, mas o risco central é claro: Energia, transporte e preços podem voltar a entrar numa fase de forte volatilidade.

Qingdao estreia transporte autónomo de contentores sem tripulação.

No porto chinês de Qingdao foi concluída uma operação inédita de transporte e manuseamento de contentores sem qualquer intervenção humana a bordo, com o navio eléctrico Zhi Fei a cumprir, do princípio ao fim, todas as etapas críticas do processo: navegação, aproximação ao cais, atracação e movimentação de carga num terminal automatizado.

A operação, realizada a 21 de Fevereiro de 2026, é apontada como a primeira demonstração “de ciclo completo” em que um porta-contentores executa o percurso e as manobras portuárias em modo autónomo. O Zhi Fei aproximou-se do cais guiado por sistemas de navegação inteligentes e, já em fase de acostagem, recorreu a um sistema de amarração automática por vácuo, com “ventosas” de alta potência a fixarem o casco em cerca de 30 segundos, dispensando cabos e equipas de terra para a amarração tradicional.

Logo de seguida, o terminal assumiu o resto da cadeia: sistemas automáticos coordenaram gruas de cais, equipamentos de parque e veículos guiados para descarregar e transferir contentores de forma sincronizada, mostrando que a automação já não se limita ao parque, e passa a integrar também o navio, a atracação e a ligação directa ao ecossistema do porto.

Além do impacto tecnológico, o caso de Qingdao aponta para uma mudança prática na operação portuária: Menos dependência de mão-de-obra em momentos críticos, redução de tempos de manobra, maior previsibilidade e um caminho mais claro para operações eléctricas e de menor pegada ambiental. Ao mesmo tempo, fica evidente que estes sistemas continuam a exigir supervisão e regras claras de segurança, porque a autonomia total só faz sentido se vier acompanhada de controlo, redundância e resposta rápida a incidentes.

Terminal de Génova Pra’: PSA Itália e Autoridade Portuária com acordo para investir 1.000 milhões de dólares.

A PSA Itália e a Autoridade de Sistema Portuário do Mar Ligure Ocidental (Génova e Savona) formalizaram um acordo-quadro que abre caminho a um investimento privado anunciado de 1.000 milhões de dólares no Terminal de Génova Pra’, uma das principais infraestruturas de contentores do sistema portuário italiano. A assinatura pretende dar previsibilidade ao futuro do terminal, com um pacote de modernização centrado em tecnologia, capacidade e desempenho ambiental.

O entendimento aponta para uma primeira vaga de intervenções focadas na automação e na renovação de infraestruturas e equipamentos, com destaque para soluções automatizadas no parque de contentores e para a actualização de sistemas operacionais, de forma a aumentar a produtividade e preparar o terminal para operar com maior eficiência em cenários de elevada pressão de tráfego. Estão também previstas dragagens e ajustes físicos na organização interna do terminal, incluindo reconfigurações associadas a acessos e zonas de acumulação, para melhorar fluxos e reduzir constrangimentos.

Apesar da dimensão do compromisso, a leitura do sector mantém uma nota de prudência. Um investimento desta escala depende de execução rigorosa, compatibilização de calendários de obra, alinhamento regulatório e, sobretudo, de como a automação será implementada em articulação com os trabalhadores e estruturas sindicais. É aí que surgem as “nuvens” referidas: O potencial é grande, mas o sucesso estará na capacidade de transformar o acordo em obra, operação e estabilidade no terreno.

Algeciras com reforço da TTI: Mais área e 135 milhões para subir a fasquia.

A autoridade portuária de Algeciras aprovou a ampliação da terminal TTI, dando um passo decisivo para aumentar capacidade e produtividade num dos maiores hubs de transbordo do Mediterrâneo ocidental. A medida traduz-se numa alteração da concessão que permite à operadora ocupar mais terreno na Isla Verde Exterior, alargando a pegada da terminal e criando condições para crescer em volume num mercado cada vez mais competitivo.

O plano prevê a incorporação de mais 15,9 hectares, que se somam à área actualmente utilizada, e está associado a um investimento superior a 135 milhões de euros. O objectivo é reforçar infraestruturas e equipamento, com foco na modernização operacional e na melhoria do desempenho em cais e parque, incluindo a introdução de meios adicionais e soluções com maior grau de automatização.

Com esta expansão, a TTI estima ganhar cerca de meio milhão de TEU de capacidade anual e aponta como meta chegar aos 2,1 milhões de TEU por volta de 2028. Para Algeciras, trata-se de uma aposta para consolidar relevância nas redes globais, num contexto em que cada ganho de eficiência pode pesar na decisão dos armadores sobre escalas, rotação de serviços e distribuição de carga na região do Estreito.