Oceanos podem ajudar a reduzir a fome no mundo.

De acordo com um estudo publicado na “Nature Ecology & Evolution”, os mares e oceanos do planeta podem hospedar cerca de 13 milhões de km2 de aquacultura e assim reduzir, pelo menos, parte da insegurança alimentar no planeta.

À medida que a população mundial cresce – segundo dados da ONU irá chegar aos 9,8 mil milhões em 2050, e aos 11,2 mil milhões em 2100 -, os nossos sistemas alimentares ficam sob intensa pressão para garantir a produção de alimentos, especialmente proteína animal. 

Mas, segundo uma equipa de investigadores norte-americanos e chineses, liderados por Rebecca Gentryde da Universidade da Califórnia em Santa Barbara, os benefícios para a saúde humana de dietas ricas em peixes e a sustentabilidade da aquacultura marinha em comparação com a produção de carne terrestre tornam premente considerar o potencial desta solução.

EUA: Visadas gruas de contentores fabricadas na China por espionagem

Os proprietários e operadores de mais de 200 gruas de contentores fabricadas na China nos portos dos EUA estarão sujeitos a novos requisitos de gestão de riscos cibernéticos destinados a reduzir a capacidade da China de espionar as cadeias de abastecimento domésticas dos EUA. 

A Guarda Costeira dos EUA anunciou que os proprietários ou operadores de pórticos STS – Ship to Shore fabricados na China podem agora obter cópias da Directiva de Segurança Marítima 105-4, que especifica as acções necessárias de gestão de risco cibernético relacionadas com gruas. A directiva contém informações sensíveis em termos de segurança, pelo que não pode ser disponibilizada ao público em geral. A agência pretende que os proprietários e operadores das gruas contactem imediatamente o capitão do porto local ou o comandante distrital para obterem uma cópia da directiva.

A Guarda Costeira explicou no aviso que a prevalência dessas gruas em todo o país – e a tecnologia que os acompanha – é a motivação por trás da directiva. As gruas de pórtico STS fabricados pela China representam quase 80% das gruas STS nos portos dos EUA. “Por design, estas gruas podem ser controlados, mantidos e programados a partir de locais remotos, e essas características potencialmente deixam os guindastes STS fabricados na RPC [República Popular da China] vulneráveis ​​à exploração, ameaçando os elementos marítimos do sistema de transporte nacional”, disse o relatório. 

“Como tal, são necessárias medidas adicionais para evitar um [incidente de segurança] no sistema de transporte nacional devido à prevalência das gruas STS fabricados na China nos EUA, à inteligência de ameaças relacionada com o interesse da RPC em perturbar a infra-estrutura crítica dos EUA, e à construção de  vulnerabilidades para acesso remoto e controlo destas gruas STS.”

Um comunicado relacionado da Administração Marítima dos EUA, aponta que a ZPMC (Shanghai Zhenhua Heavy Industries Co. Ltd.) da China tem a maior participação no mercado mundial de gruas STS, em receita de vendas. “Estas gruas podem, dependendo das suas configurações individuais, ser controladas, mantidas e programados a partir de locais remotos. Estas características deixam-nos potencialmente vulneráveis ​​à exploração”, afirma o comunicado. O comunicado lista orientações e medidas de mitigação para portos, operadores de navios e transportadores para proteger dados em risco de serem hackeados num ataque cibernético.

Seca no Canal do Panamá melhora, mas sem fim à vista.

O Canal do Panamá, um dos maiores “gateways” de transporte marítimo do mundo é afectado por problemas de seca, acrescentando outro factor na equação da taxa de frete do mercado de transporte marítimo, há já alguns meses, acrescentando instabilidade e falta de  previsibilidade.

No seu último relatório semanal, o corretor naval Gibson afirmou que “o Canal do Panamá permanece como uma das vias navegáveis ​​intercontinentais mais vitais do mundo, desempenhando um papel importante na facilitação do comércio global, especialmente ao longo das rotas que ligam as Américas e a Ásia. 

No entanto, nos últimos anos, uma combinação de alterações climáticas e factores estruturais colocou desafios significativos ao comércio marítimo que passa por esta artéria essencial”.

Segundo Gibson, “as mudanças climáticas impactaram significativamente os níveis de água do Lago Gatún, um dos dois lagos naturais do sistema do Canal do Panamá. De acordo com dados da ACP – Autoridade do Canal do Panamá, o nível médio da água em fevereiro é actualmente de 80,3 pés. Este número contrasta fortemente com a média móvel de cinco anos de 83,9 pés nesta época do ano. 

Embora a diferença possa parecer modesta, é essencial notar que, nos últimos cinco anos, os níveis médios mais baixos dos lagos foram normalmente registados em Maio, com uma média de 82,5 pés. Esta tendência traça um quadro preocupante para o futuro dos trânsitos através do Canal do Panamá, uma vez que qualquer redução nos níveis do Lago Gatún tem um impacto directo no número de trânsitos permitidos”. O corretor naval comentou que “um factor primário que contribui para esses baixos níveis e condições de seca no Panamá é atribuído ao fenómeno El Niño, que começou no terceiro trimestre do ano anterior e deverá persistir até o segundo trimestre do ano actual.

Conselho da UE e PE com acordo para apoio do transporte maritimo limpo e moderno na UE

A presidência do Conselho da UE e o Parlamento Europeu chegaram a um acordo provisório sobre as regras da UE que actualizam as condições em que os Estados de bandeira e do porto verificam se os navios são seguros para navegar.

Este acordo pretende melhorar a segurança marítima através de uma melhor adaptação das regras da UE à evolução das normas internacionais, bem como garantir que os países da UE tenham uma abordagem comum em matéria de inspecção, controlo e monitorização dos navios.

Os eurodeputados garantiram que os Estados de bandeira inspeccionem os seus navios a cada cinco anos, priorizando a segurança e o desempenho ambiental, bem como as condições de trabalho das tripulações em viagens internacionais.

Foi acordada a criação de uma base de dados da UE para navios de Estados-Membros, com o intuito de apoiar o avanço da digitalização marítima, melhorar a transparência e facilitar o controlo. Os Estados-Membros concordaram em comunicar anualmente dados de inspecção, como data, local e o número IMO, para optimizar as inspecções baseadas no risco e disponibilizar recursos de forma mais eficiente.

O acordo preliminar também actualiza os critérios que permitem seleccionar os navios para inspecção nos portos, dando mais importância às questões ambientais, com a formulação de uma cláusula de revisão para considerar a inclusão do indicador de intensidade de carbono nos parâmetros ambientais, logo que a IMO conclua a sua revisão do indicador.

Os negociadores concordaram igualmente em estabelecer um sistema de gestão da qualidade dentro de cinco anos após a adopção das novas regras. Além disso, os Estados-Membros podem implementar inspecções voluntárias pelo Estado do porto para navios de pesca com mais de 24 metros, para aumentar a segurança a bordo destes navios.

Portugal com satélite "Aeros" para estudar os oceanos

Após 30 anos, do lançamento do PoSAT-1, ( primeiro satélite português lançado em 1993), vai ser lançado hoje o segundo satélite português, de seu nome “Aeros”, cujo lançamento através de um foguetão ‘Falcon 9’ da SpaceX.

O satélite  “Aeros” entra na categoria dos nanossatélites e foi desenvolvido em Portugal,e parceria de  várias entidades, entre elas a Thales e a CEiiA, e as universidades do Técnico, Algarve, Minho e Porto, e também a prestigiada norte-americana MIT.

O investimento foi de 2,78 milhões de euros, cofinanciado em 1,88 milhões pelo FEDER – Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional, através dos Programas COMPETE 2020, Açores 2020, CrescAlgarve 2020 e Lisboa 2020.

O Aeros orbitará a 510 km de altitude, com os seus 4,5 kg a alcançarem os 7 km/segundo, ou seja, o corpo de 30 cm de comprimento e 50 cm de envergadura conseguirá uma volta à Terra a cada 90 minutos.

A sua missão é estudar os oceanos e as imagens serão recebidas na ilha de Santa Maria nos Açores e tratadas em Matosinhos.

Porto de Leixões relança concurso de 8M€ para concentrar as Inspecções.

 

A APDL – Administração dos Portos do Douro, Leixões e Viana do Castelo relançou um concurso público de 8,1 milhões de euros para a construção de um novo centro inspectivo, onde irá recentrar as actividades inspetivas das cargas. 

O anúncio do concurso desta empreitada, que tem um prazo de execução de 540 dias, saiu em Diário da República.

A APDL já tinha lançado o concurso em abril de 2022, mas acabou por ser cancelado. Agora, o novo centro inspectivo do Porto de Leixões será construído na plataforma logística de Leixões, na zona de Guifões, com acesso directo à via de ligação interna ao Porto de Leixões. Este espaço vai reunir várias actividades inspectivas, designadamente da Direcção-Geral da Alimentação e Veterinária (DGAV), da Direcção Regional de Agricultura e Pescas do Norte (DRAP-N) e da Autoridade Tributária (AT).

O novo centro inspectivo do Porto de Leixões vai permitir a redução do constrangimento na área de concessão do Terminal de Carga Geral e de Granéis de Leixões, além de aumentar a produtividade e reduzir o tempo de espera dos camiões.

Há milhões de buracos no fundo do Mar do Norte

Segundo um novo estudo publicado na Communications Earth & Environment (Jornal científico de ciência ambiental e planetária), deslindou o mistério das marcas misteriosas identificadas no fundo do Mar do Norte.

Pensava-se que as marcas resultavam da libertação de metano, mas a nova investigação indica que a culpa pode ser das toninhas (um tipo de golfinho).

Uma equipa de cientistas da Universidade de Kiel, na Alemanha, utilizou a tecnologia baseada num sonar de alta resolução para analisar as depressões no leito marinho, que variam de alguns metros a mais de 60 metros de largura, mas que possuem somente cerca de 11 cm de profundidade.

A equipa identificou que a estrutura do leito marinho arenoso e as correntes fortes do Mar do Norte não favorecem em nada a acumulação de metano.

Com a utilização de uma eco-sonda multifeixe, que permite uma visualização detalhada do fundo do mar, os autores observaram que as cavidades não eram cónicas como seria esperado em casos de erupção de metano, mas sim redondas ou ovais com profundidades consistentes, independentemente da largura, explicou o Live Science.

A hipótese de que as toninhas estariam a criar estas depressões ao procurar enguias de areia, que se enterram na areia, surgiu após um diálogo om um biólogo e mergulhador.

Para testar essa teoria, a equipa combinou modelos de habitat de enguias e toninhas com dados oceanográficos sobre correntes, encontrando uma sobreposição entre os habitats previstos e as áreas com depressões.

As observações sugerem que as cavidades maiores podem ter sido formadas por toninhas, posteriormente alargadas pelas correntes oceânicas.

Imagem: Jens Schneider von Deimling.

Estaleiros Navais em Sines: Um projecto e visão de futuro para a região

O Porto de Sines é sem qualquer tipo de dúvida, o maior
ponto de referência portuário de Portugal. Há quem pense que falta uma última
fase do seu contínuo desenvolvimento, que seria um novo terminal de contentores
( Já determinado de “Vasco da Gama”, cujos concursos
internacionais  lançados ficaram
desertos).

Há outra componente que deveria ser um verdadeira aposta de
interesse nacional, ao invés de outro hub de transhipment como é actualmente o
Terminal XXI concessionado pela PSA. Uma aposta em estaleiros para construção e
reparação naval.

À semelhança do que sucede noutros pontos do país,
nomeadamente com a Lisnave, ( exemplo histórico), em Peniche, e ultimamente, de
forma mais notável em Viana do Castelo, com a West Sea, seria um caminho de uma
maior diversificação e desenrolar do leque de opções e serviços portuários do
Porto de Sines.

Ao existirem estaleiros navais em Sines iriam ter um papel
crucial na economia e no desenvolvimento regional. A necessidade é fundamentada
na procura constante por construção, reparação e manutenção de embarcações,
sustentando assim a vitalidade da indústria marítima. A importância desses
estaleiros é evidente na geração de empregos locais e na promoção de
competências técnicas especializadas, não só tendo em conta o contexto local,
mas o facto de existir pessoal especializado na zona.

Além disso, a presença de estaleiros navais em Sines, iria
contribuir significativamente para a segurança e eficiência do transporte
marítimo, assegurando que as embarcações estejam em condições de navegabilidade
adequada. ( Afinal quantos navios já poderiam ter sido reparados naquele
Porto?). Iria também impulsionar o comércio, mas também iria fortalecer a
posição estratégica e portuária da região como um hub logístico.

A relevância de uns eventuais estaleiros em Sines
transcendia igualmente as fronteiras locais, influenciando positivamente a
economia nacional ao impulsionar a indústria naval, indústria essa, que tem
pergaminhos no nosso país, na nossa própria história.

Um bom exemplo do potencial, pode ser visto pela West Sea, subconcessionária dos estaleiros de Viana do Castelo, que encerrou o ano de 2023 com a maior carteira de encomendas da sua história: Cerca de 753 milhões de euros. A Lisnave teve o seu melhor ano de sempre.

Ao analisarmos dados, cenários e projecções, podiamos ver
esta aposta como peça-chave para a autossuficiência do país no sector marítimo,
fortalecendo a sua competitividade global. Aliado a um pólo tecnológico ou
Politécnico, seria potenciar ainda mais este projecto.

Para concluir, dentro de uma aposta no Mar, que deve ser um
desígnio nacional, um projecto futuro de estaleiros navais em Sines seriam de
indispensável importância, não apenas para a prosperidade local, mas também
para a resiliência e crescimento da economia portuguesa, consolidando a região
como um pólo estratégico na indústria naval, visto que em Sines, o Mar, dentro
das mais variadas vertentes é de uma extrema importância e faz parte da
tradição local.

Poderá haver questões mais locais, no que concerne às
acessibilidades, ( rodoviárias e ferroviária), e até outras fora do âmbito do
projecto, e que são municipais ( Como a habitação para trabalhadores), que
ainda assim não invalidam este conceito.

Esperemos que o futuro governo tenha esta visão pragmática e
útil. 

ONE revê sobretaxa ETS

A ONE – Ocean Network Express anunciou ajustes nas tarifas da sobretaxa da ETS ou RCLE – Taxa do Sistema de Comércio de Emissões.

Esta revisão entrará em vigor a partir de 1º de abril de 2024. A tarifa da sobretaxa do ETS é segregada por comércio, e a sua quantidade e lógica serão alteradas a cada trimestre até que seja informada de forma diferente, de acordo com a ONE. 

A transportadora observou também que a sobretaxa do RCLE está a ser implementada de acordo com a expansão da legislação RCLE-UE para os sectores marítimo, que teve início no passado dia 1 de janeiro de 2024. 

Em Fevereiro, a União Europeia (UE) inaugurou uma série de responsabilidades legais e implicações operacionais para os transatlânticos depois de ter integrado formalmente o sector marítimo no seu ETS no início deste ano.

Navio abatido pelos Houthis tinha 21.000 toneladas de fosfato de amónio

Os Estados Unidos afirmaram que o navio graneleiro Rubymar, que se afundou no mar Vermelho após ser atacado por rebeldes Houthis há duas semanas, transportava aproximadamente 21.000 toneladas métricas do fertilizante químico sulfato de amónio, uma substância altamente tóxica.

Num comunicado, o CENTCOM – Comando Central dos Estados Unidos refere que o fertilizante representa “um risco ambiental no mar Vermelho” e que o navio afundado “representa também um risco de impacto para outros navios que transitam nas movimentadas rotas marítimas daquela via navegável”.

Os EUA, que lideram a coligação naval no mar Vermelho para salvaguardar o comércio internacional na via navegável, acusaram os Houthis, apoiados pelo Irão, de serem uma “ameaça crescente às actividades marítimas globais”.

O Governo internacionalmente reconhecido do Iémen, que está a enfrentar os Houthis, disse que o naufrágio representa “uma catástrofe ambiental sem precedentes”.

O navio de bandeira britânica e pavilhão do Belize afundou-se completamente devido às condições meteorológicas no mar e aos ventos fortes, de acordo com o Governo iemenita, que atribuiu o desastre à falta de resposta da comunidade internacional para manter o navio à superfície e esvaziar a sua carga.

Os rebeldes Houthis atacaram cerca de meia centena de navios desde novembro, causando vários danos, mas o Rubymar é o primeiro navio a afundar-se em resultado de uma operação dos rebeldes.

De acordo com as autoridades iemenitas, o navio era gerido por um cidadão sírio e a sua tripulação era composta por 24 pessoas – 11 sírios, seis egípcios, três indianos e quatro filipinos – que foram evacuados para Djibuti.

As águas iemenitas do mar Vermelho estiveram à beira de uma nova catástrofe ambiental após a decomposição do FSO Safer, encalhado ao largo da costa do Iémen desde 1988 e cujas operações de transferência dos mais de 1,14 milhões de barris de petróleo que continha foram concluídas com êxito em meados de agosto de 2023.