O Porto de Sines é sem qualquer tipo de dúvida, o maior
ponto de referência portuário de Portugal. Há quem pense que falta uma última
fase do seu contínuo desenvolvimento, que seria um novo terminal de contentores
( Já determinado de “Vasco da Gama”, cujos concursos
internacionais lançados ficaram
desertos).
Há outra componente que deveria ser um verdadeira aposta de
interesse nacional, ao invés de outro hub de transhipment como é actualmente o
Terminal XXI concessionado pela PSA. Uma aposta em estaleiros para construção e
reparação naval.
À semelhança do que sucede noutros pontos do país,
nomeadamente com a Lisnave, ( exemplo histórico), em Peniche, e ultimamente, de
forma mais notável em Viana do Castelo, com a West Sea, seria um caminho de uma
maior diversificação e desenrolar do leque de opções e serviços portuários do
Porto de Sines.
Ao existirem estaleiros navais em Sines iriam ter um papel
crucial na economia e no desenvolvimento regional. A necessidade é fundamentada
na procura constante por construção, reparação e manutenção de embarcações,
sustentando assim a vitalidade da indústria marítima. A importância desses
estaleiros é evidente na geração de empregos locais e na promoção de
competências técnicas especializadas, não só tendo em conta o contexto local,
mas o facto de existir pessoal especializado na zona.
Além disso, a presença de estaleiros navais em Sines, iria
contribuir significativamente para a segurança e eficiência do transporte
marítimo, assegurando que as embarcações estejam em condições de navegabilidade
adequada. ( Afinal quantos navios já poderiam ter sido reparados naquele
Porto?). Iria também impulsionar o comércio, mas também iria fortalecer a
posição estratégica e portuária da região como um hub logístico.
A relevância de uns eventuais estaleiros em Sines
transcendia igualmente as fronteiras locais, influenciando positivamente a
economia nacional ao impulsionar a indústria naval, indústria essa, que tem
pergaminhos no nosso país, na nossa própria história.
Um bom exemplo do potencial, pode ser visto pela West Sea, subconcessionária dos estaleiros de Viana do Castelo, que encerrou o ano de 2023 com a maior carteira de encomendas da sua história: Cerca de 753 milhões de euros. A Lisnave teve o seu melhor ano de sempre.
Ao analisarmos dados, cenários e projecções, podiamos ver
esta aposta como peça-chave para a autossuficiência do país no sector marítimo,
fortalecendo a sua competitividade global. Aliado a um pólo tecnológico ou
Politécnico, seria potenciar ainda mais este projecto.
Para concluir, dentro de uma aposta no Mar, que deve ser um
desígnio nacional, um projecto futuro de estaleiros navais em Sines seriam de
indispensável importância, não apenas para a prosperidade local, mas também
para a resiliência e crescimento da economia portuguesa, consolidando a região
como um pólo estratégico na indústria naval, visto que em Sines, o Mar, dentro
das mais variadas vertentes é de uma extrema importância e faz parte da
tradição local.
Poderá haver questões mais locais, no que concerne às
acessibilidades, ( rodoviárias e ferroviária), e até outras fora do âmbito do
projecto, e que são municipais ( Como a habitação para trabalhadores), que
ainda assim não invalidam este conceito.
Esperemos que o futuro governo tenha esta visão pragmática e
útil.