Quais eram as 10 maiores no transporte de contentores no ano 2000?

No ano 2000, a indústria do shipping andava mergulhada num
cenário de transformações significativas impulsionadas pela globalização económica
e pelos avanços tecnológicos. O transporte marítimo continuava a ser o
principal meio de movimentação de cargas, respondendo por mais de 80% do
comércio internacional.

Em 2024, tudo é desafiante, o mundo deu outra volta no que aponta aos desafios, há subidas e descidas, novos planos, apostas arrojadas. Todos sabemos quem são os “big players” neste sector. Mas como seria no ano 2000, há 24 anos, num mundo tão diferente do actual? Quais eram os actores principais?

Nesse já longínquo ano, a Maersk surgia como o primeiro desse ranking (. Nessa altura, a Maersk, andava numa maré de aquisições tendo adquirido outra companhia do sector, a Sealand (Empresa americana que tinha sido fundada pelo inventor do contentor, Malcom Mclean), e a  Safmarine South Africa Shipping, empresa do sector oriunda da África do Sul, sendo que ambas eram de âmbito regional. Maersk actualmente é a N°2 no ranking global.

Em 2000, em 2° lugar, encontrava-se a Evergreen. De nome completo, Evergreen Marine Corporation, o armador oriundo de Taiwan ocupa actualmente um incomum 6° lugar de momento. É membro da Ocean Alliance, e no ano passado efectuou uma encomenda de 24 novos navios.

Em terceiro lugar encontrávamos a P&O Nedlloyd, uma “joint-venture” (50/50), anglo-holandesa, com sede em Londres e Roterdão. A empresa tinha sido constituida em 1997 pela fusão da holandesa Royal Nedlloyd (Nedlloyd Line) e do gigante britânico de transporte marítimo P&O Group. Actualmente já não existe, tendo sido outra empresa adquirida pela Maersk.

Em 4º lugar, estava a DSR-Senator Hanjin Shipping. A DSR-Senator era uma empresa do sector, de origem alemã, que tinha sido uma fusão entre três empresas em 1994, nomeadamente a Senator Lines, com base em Bremen, a DSR-Lines GmbH com sede em Rostock e a Senator Linie GmbH & Co. KG com sede em Bremen. Após um período de turbulência, a coreana Hanjin, que já possuía parte da empresa, iniciou um processo que culminou com a constituição da DSR-Senador Hanjin Shipping. Contudo, foi sol de pouca dura. A Hanjin-Senator anunciou que encerraria as operações no final de fevereiro de 2009.

Em quinto lugar, de forma surpreendente, é o actual líder do ranking, a ítalo-suiça MSC, que ficou em quinto lugar em 2000, que após quase 24 anos, cresceu 20 vezes em relação a essa época. Agora no topo do ranking de capacidade, é sem dúvida o mais forte armador global, e tem feito de tudo para o aumento da sua frota e do seu posicionamento nos terminais.

Em 6º lugar, estava posicionada a norte-americana American President Lines – APL, que de momento é uma subsidiária da francesa CMA CGM, tendo uma frota de navios porta-contentores, sendo que nove desses navios possuem bandeira dos EUA, continuando a ser parceiro de longa data do Governo dos EUA.

A COSCO foi classificada em 7º lugar em 2000, é a 4ª classificada neste momento. Em 2016, a COSCO e a China Shipping implementaram uma reorganização e fusão, seguida pela aquisição da OOCL, resultando na formação de cinco grandes módulos de negócios actualmente.

As três companhias marítimas japonesas NYK, MOL e K Line ficaram em 8º, 10º e 13º lugar, respectivamente, em 2000. Classificada em 9º lugar em 2000, ficou a CP Ship Canada Pacific, que foi adquirida pela Hapag-Lloyd em 2005 e, como resultado, a Hapag Lloyd saltou da 22ª posição em 2000 e da 15ª posição em 2005 para a 5ª posição.

A ZIM ocupava o 11º lugar na época e a Hyundai o 15º lugar. A primeira tinha recuperado o seu momento,  interrompido pela guerra Hamas-Israel, enquanto a segunda encontra-se em processo de privatização.

Muito mudou neste sector em praticamente 24 anos. Muitas aquisições, alguns casos de encerramento e mudanças de paradigma. Não sabemos o que pode acontecer nos próximos 24 anos, mas quem irá determinar o futuro do sector, será as estratégias, as apostas certeiras ou erradas, a evolução de toda a tecnologia associada e as possíveis mudanças geopolíticas que podem mudar o desenho das trocas comerciais mundiais.

Ordenamento do espaço marítimo: Saúde do Oceano prioritária.

No que concerne as políticas de ordenamento do espaço marítimo, a saúde do oceano tem de ser vista como uma prioridade, tal como uma melhor coordenação do combate às alterações climáticas, de acordo com um estudo efectuado. 

O estudo internacional, publicado na revista científica “npj Ocean Sustainability”, coordenado
por uma investigadora da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, indicou as suas conclusões.

Num comunicado, a Faculdade de Ciências explica que o estudo
identificou um conjunto de 10 elementos-chave que promovem o desenvolvimento e
a implementação de processos de planeamento sustentáveis do uso do oceano,
desde logo, quatro princípios necessários para apoiar a tomada de decisão.

Além da prioridade à saúde do oceano como estratégia
fundamental, os investigadores entendem que as políticas de ordenamento do
espaço marítimo devem estar alinhadas com as medidas no âmbito das alterações
climáticas, integrando também “conhecimento social e questões de equidade no
desenvolvimento colaborativo” dos planos.

A visão do ordenamento deve ser sistemática e integrada,
acrescentam, reconhecendo a “complexidade, as interações e as dinâmicas
existentes na área de gestão”.

O estudo propõe ainda seis caminhos operacionais que, em
linha com os princípios identificados, incluem a integração de conhecimento
climático, a identificação de soluções de adaptação e mitigação das alterações
climáticas com base no oceano e a promoção de um planeamento que seja flexível.

De acordo com a investigadora Catarina Frazão Santos, em comunicado, sublinhou que: “Apesar de existirem processos de ordenamento do espaço
marítimo a serem desenvolvidos em mais de 75 países em todo o mundo, até à data
não há nenhum plano que tenha conseguido integrar as alterações climáticas de
forma abrangente”.

O estudo recomenda ainda o desenvolvimento de planos
proativos que explorem cenários futuros e que, apesar da flexibilidade, seja
igualmente assegurada alguma certeza jurídica.

É ainda sugerida a construção de narrativas, entre decisores
políticos, o sector privado, a sociedade civil e outras partes interessadas, de
forma a “alterar percepções sobre a importância da sustentabilidade do oceano e
das alterações climáticas”.

Além de Catarina Frazão Santos, participaram no estudo
cientistas oriundos de diversos países como África do Sul, Austrália, Brasil, Canadá, Chile, Estados Unidos,
Itália e Reino Unido.

Maersk: Não é o momento para regresso ao Mar Vermelho

 

A Maersk afirmou que ainda é relativamente cedo, de acordo com a sua análise, para retomar as rotas habituais através do Mar Vermelho para atingir o Canal do Suez, isto após 3 meses depois de iniciar a desviar todos os seus navios dessa mesma passagem. O armador dinamarquês acredita que a rota do Cabo da Boa Esperança garante uma maior estabilidade na cadeia de abastecimento, afirmando que a mudança repentina é complexa, e de que é necessária a sustentabilidade a médio/longo prazo, de modo a evitar novas perturbações. 

O armador diz que está perfeitamente ciente da evolução da operação de missão europeia ASPIDES, que é vista como um ponto positivo, tendo igualmente em contra os esforços feitos pelos EUA e Reino Unido. O diálogo tem sido também desenvolvido com as entidades e a situação tem sido monitorizada com enorme cautela.

No último alerta dados aos clientes, afirmam que: “Lamentavelmente, tanto a nossa análise interna como as informações que recebemos de fontes externas ainda indicam que o nível de risco na região permanece elevado”.

Os porta-contentores da Maersk não foram poupados pelos rebeldes Houthis, tendo sido alvo em duas situações distintas, que levou à tomada de decisão de desviar navios da rota, evitando a passagem pelo Estreito de Bab el-Mandeb. Um dos navios afectados foi o Maersk Gibraltar, que fez com que se alterasse a estratégia. Após isso, e a obtenção de garantias de segurança, passou-se para uma estratégia de os planos de viagem navio por navio.

Mas, após novo incidente, envolvendo o Maersk Hangzhou, que foi atingido por um objeto desconhecido, durante o  Estreito de Bab al-Mandab navegando de Singapura até Porto Suez, no Egipto. Embora não houvesse indicação de incêndio a bordo, a Maersk disse que, por preocupação com a segurança da tripulação, eles estavam novamente redirecionando todas as viagens.

O alerta do armador indicava que. “Na Maersk, estamos cientes de que algumas outras companhias marítimas continuaram a navegar através do Mar Vermelho, apesar dos riscos de segurança ou anunciaram os seus planos para retomar a navegação”.

Acrescentando ainda que:  “Respeitamos o direito de cada transportadora de tomar tais decisões individualmente. Ao mesmo tempo, continuamos com a nossa própria avaliação de que a situação actual não nos permite tomar uma decisão semelhante e, portanto, continuamos a acreditar que navegar através do Cabo da Boa Esperança e contornar África é a solução mais razoável neste momento e a única que atualmente permite a melhor estabilidade da cadeia de abastecimento.”

Em relação à Missão Europeia ASPIDES, informou já escoltaram 35 navios mercantes. Em matéria de acções defensivas abateram de oito UAVs ( Veículos aéreos não tripulados), rebater outros três ataques de UAV. Os franceses abateram outro UAV visando um navio que escoltavam, o navio de guerra alemão Hessen destruiu um USV  (Veículo de superfície não tripulado), enquanto escoltava um navio, tendo interceptado e destruído 3 mísseis balísticos, tendo os franceses reportado posteriormente que interceptaram e destruíram mais três mísseis balísticos.

Armadores com margens em terreno negativo pela 1ª vez em 5 anos.

Os armadores estão a ver as suas margens de lucro operacional a entrar em terreno negativo, algo que não acontecia desde 2018. De acordo com a Alphaliner, isto aconteceu sobretudo devido às perdas relativas ao quatro trimestre do ano passado, segundo o relatório da empresa.

Na média de todos os dados, as margens fixaram-se nos -3% nos últimos meses de 2023, na medida que acabava os resultados derivados do “boom” da Covid-19. Do Top 10 dos maiores armadores, pelo menos seis, reportaram perdas operacionais nesse período mencionado.

Somente os armadores Evergreen e a HMM reportaram lucros operacionais, embora extremamente reduzidos em comparação com o mesmo período de 2022.  

Um desses armadores, a COSCO Shipping Lines ainda irá anunciar no final do mês os seus resultados de 2023, mas de acordo com dados preliminares, é expectável  que o lucro operacional extremamente menor que o previsto.A Evergreen teve a maior margem de lucro operacional, que foi de 7%, 10 vezes a da HMM, o que evitou por pouco uma perda. No quadro geral, a margem média dos armadores  manteve-se relativamente positiva no ano, em torno de 4%.

No que concerne aos maiores armadores do sector, as margens permanecem acima das de 2019. No entanto, outros armadores como a ZIM, Yang Ming e Wan Hai Lines reportaram margens negativas, ao longo de todo o ano, uma queda mais rápida do que o esperado.

O segundo maior armador do mundo, a Maersk indicou a margem mais baixa para os últimos meses de 2023, com -12,8%, mas, os restantes meses deram sinal positivo, o que compensou para manter uma margem positiva de 6,6%. No entanto, o armador dinamarquês anunciou piores perspectivas para 2024, dando perdas negativas de aproximadamente 4,6 mil milhões de euros para o ano que decorre.

PSA Internacional com subida de contentores e quedas de receitas e lucros

A PSA International, um dos maiores operadores de terminais portuários a nível global,  anunciou recentemente uma movimentação global de contentores de 94,8 milhões de TEUs em 2023, que significa um crescimento de 4,3% em relação a 2022.

Pelos resultados indicados pela empresa, o grosso desta movimentação veio fora de Singapura, com os terminais fora do país contribuído com 56 milhões de TEUs, sendo que Singapura contribuiu sozinha com o seu tráfego local com 38,8 milhões de TEUS, o que representa uma margem de crescimento na ordem dos 3,9% e 4,8% respectivamente.

Ainda assim, no meio deste ciclo, as receitas do grupo PSA caíram 11,2%, para 6.4 mil milhões de euros, num contexto de baixa procura comercial e devido ao actual contexto geopolítico, que tem causado interrupções e obstáculos na cadeia de abastecimento do transporte marítimo. Outros factores que ajudaram a esta queda abrupta, foi a inflação dos custos e o aumento dos custos financeiros.

O Presidente da PSA Internacional, Peter Woser, afirmou que: “A inflação, o aumento das taxas de juro, os mercados de trabalho apertados, as tensões geopolíticas e as guerras em curso impediram a recuperação económica em todo o mundo”.

Acrescentou ainda que: “O Grupo PSA enfrentou um ambiente de negócios desafiador e em constante evolução, mas continuamos a demonstrar resiliência e coragem enquanto trabalhamos ao lado dos nossos clientes, parceiros e partes interessadas para navegar em águas desconhecidas.”

O recém nomeado CEO da PSA International, Ong Kim Pong, também afirmou que: “Olhando para 2024, a PSA continuará a concentrar-se na expansão do nosso negócio principal de portos e na criação de cadeias de abastecimento mais ágeis e resilientes. Face às incertezas no ambiente macroeconómico, a PSA está empenhada em reforçar o seu tecido de redes portuárias e serviços da cadeia de abastecimento para apoiar fluxos comerciais globais sustentáveis.”

A PSA Internacional, que se encontra igualmente em Portugal, através da PSA Sines, concessionária do Terminal XXI, viu a sua representação nacional permanecer em 2023 com a mesma movimentação de contentores que tinha obtido em 2022, ou seja, 1,66 milhões de TEUS. 

Chipre quer "maior número possível" de navios para enviar ajuda para Gaza

A ideia foi avançada pelo Ministro dos Negócios Estrangeiros de Chipre, Constantinos Combos, numa reunião com representantes de 36 países, agências da ONU e organizações humanitárias, organizada pelo país da União Europeia (UE) geograficamente mais próximo do território palestiniano (370 quilómetros).

O primeiro navio, ligado à organização não-governamental espanhola “Open Arms”, rebocou uma barcaça com 200 toneladas de alimentos fornecidos pela ONG norte-americana “World Central Kitchen” e chegou ao território palestiniano sitiado a 15 deste mês, após uma viagem de três dias a partir de Larnaca.

Um segundo navio, o “Jennifer”, está à espera de condições meteorológicas favoráveis para poder zarpar de Larnaca, segundo o chefe da diplomacia cipriota.

Segundo a ONU, a grande maioria dos 2,4 milhões de habitantes da Faixa de Gaza está ameaçada pela fome. 

A situação é particularmente grave para 300.000 pessoas no norte do território, onde a entrega de ajuda é perigosa numa altura em o conflito entre Israel e o Hamas está quase a completar cinco meses.

Perante a insuficiência da ajuda que chega por terra a Gaza, há duas semanas que estão a decorrer operações de lançamento de alimentos, água e medicamentos por paraquedas. Mas a ONU insiste que o envio de ajuda por mar ou por ar não substitui o envio por terra.

O objectivo da reunião, que contou também com a presença de responsáveis israelitas, é garantir o financiamento do corredor marítimo e analisar a forma como se pode maximizar a capacidade operacional cipriota, explicou Combos.

O objectivo, prosseguiu, é também “integrar todos os Estados e entidades participantes para sincronizar as acções” para enviar “o maior número possível de navios” para Gaza, tendo em conta as “limitações na receção e distribuição”.

A carga da ‘Open Arms’ foi descarregada através de um cais temporário construído pela World Central Kitchen a sudoeste da cidade de Gaza e depois transportada por 12 camiões para distribuição no norte da Faixa de Gaza.

Os carregamentos de ajuda por via marítima são inspecionados à partida de Larnaca pelo exército israelita, que enviou tropas “para proteger a zona” durante o descarregamento da carga da ‘Open Arms’.

Projéctil atinge navio no mar Vermelho e provoca incêndio a bordo

Um projéctil atingiu ontem um navio, de nacionalidade não revelada, que navegava no mar Vermelho, provocando um incêndio a bordo que foi extinto e sem o registo de vítimas entre a tripulação, informou a Marinha britânica.

O UKMTO – O organismo da Marinha britânica de Operações Marítimas Comerciais  indicou que o ataque ocorreu 23 milhas náuticas a oeste de Al Mokha, no Iémen, onde o navio foi “atingido por um projéctil não identificado”.

“O incêndio provocado foi extinto com êxito pela população”, assinalou a UKMTO, ao acrescentar que a embarcação e seus tripulantes “se encontram a salvo” e com o navio a prosseguir o seu trajecto.

A acção não foi reivindicada até ao momento, apesar de os Houthis do Iémen já terem efectuado desde 19 de novembro  dezenas de ataques contra a navegação comercial no mar Vermelho, no âmbito da sua campanha de solidariedade com os palestinianos da Faixa de Gaza, alvo das operações militares de Israel.

As operações dos Houthis intensificaram-se no último mês e provocaram a morte de três marinheiros, o afundamento de um cargueiro e importantes alterações no comércio marítimo mundial, e com esta formação xiita a prometer intensificar as suas acções no oceano Índico.

Opinião polémica: Aplicação da Energia Nuclear em navios Porta-Contentores

Fui desafiado a escrever sobre este tema polémico, e farei de acordo com pressupostos e factos, numa opinião livre e despreocupada.


O transporte marítimo global, todos os anos, utiliza mais de 300 milhões de toneladas de combustíveis, o que significa aproximadamente 3% das emissões globais de efeito de estufa.

Numas das reuniões de 2023 da IMO – Organização Marítima Internacional, houve entendimento duplicar as ambições de redução de carbono, estabelecendo uma meta de emissões líquidas zero para 2050. 

A indústria do Shipping entrou nos últimos anos, numa procura intensiva em soluções abrangentes, eficientes e acima de tudo, sustentáveis, para dar um contributo para a descarbonização, para além de acabar com dependência às flutuações e disponibilidade dos combustíveis tradicionais. A indústria tem explorado opções como amónia, baterias, hidrogênio, e opções ligadas às energia mais renováveis como solar e vento. Mas há uma opção que tem sido descartada, e que não tem sido investigada como opção, mas que tem um consenso cada vez mais crescente, nesta tecnologia de emissões zero que já explora os oceanos: a propulsão nuclear.

De acordo com esses analistas, a energia nuclear é realmente a única opção abundante, realista e verdadeiramente livre de carbono. Entre as opções mencionadas, há vários problemas: 

Por exemplo, combustível fóssil, a opção actual existente. Num navio comum o motor é de um tamanho de uma casa, ou seja muito espaço é ocupado por combustível. Para uma viagem entre China ( Xangai ) e os Países Baixos ( Amsterdão) , são utilizados cerca de 4.000 toneladas de combustível”, uma enormidade. 

Baterias: São um obstáculo obvio. Porque ? Um grande navio porta-contentores necessita de 3.000 megawatts-hora por dia. Para se ter noção, é a capacidade da maior bateria construída. Praticamente esgotava a sua capacidade em dia e meio. Não é comportável. 

A Amónia: É produzida por meio de um processo que utiliza muita energia. A produção de amónia renovável e isenta de carbono suficiente para o transporte marítimo, aproximadame  600 milhões de toneladas por ano, com electrolisadores que dividem as moléculas de água para produzir hidrogénio, iria usar 12 megawatts-hora por tonelada de amónia. Para a produção de 600 milhões de toneladas seria necessária quase três vezes a capacidade de produção de energia de toda a União Europeia.

Porque a opção nuclear?

Historicamente, a utilização da energia nuclear em conflitos, causou sempre um medo e receio na população mundial, para além de episódios em centrais nucleares de utilização não-militar como Chernobyl, ou mais recentemente Fumushima, que fazem com que se descartem este tipo de energia logo antecipadamente, sem ponderação alguma. Mas o que há a realçar nesta energia, aplicada na indústria do Shipping?

No que concerne às emissões: A energia nuclear não produz emissões de gases de efeito estufa durante a operação, contribuindo significativamente para a redução da poluição atmosférica e do aquecimento global, e para o objectivo de descarbonização.

Em matéria de eficiência energética: Os reactores nucleares oferecem uma fonte de energia altamente concentrada e eficiente, permitindo que os porta-contentores naveguem por longas distâncias sem a necessidade de reabastecimento frequente.

Na redução de custos: Embora os custos iniciais de construção e implementação de uma opção nuclear sejam significativos, os custos operacionais a longo prazo tendem a ser menores do que os de navios movidos a combustíveis fósseis, devido ao menor consumo de combustível e à maior vida útil do reactor.

Quais os desafios a ponderar?

Sobre a segurança: A segurança nuclear é uma preocupação primordial e requer medidas rigorosas de controlo e prevenção para evitar acidentes ou vazamentos radioactivos. A tecnologia actual está sem dúvida, mais preparada para ter essa segurança adicional

Gestão de Resíduos: O descarte seguro dos resíduos nucleares continua sendo um desafio importante e exige tecnologias avançadas de armazenamento e ttratamento. Esta é provavelmente,  a maior questão em relação a este tipo de tecnologia. Ultrapassar esta questão,  de uma forma inteligente e eficaz, é o garante de futuro da tecnologia.

Regulação e aceitação pública: A adopção da energia nuclear na indústria marítima enfrentará resistência política e pública devido a preocupações com segurança e proliferação nuclear, exigindo um rigoroso quadro regulatório e esforços contínuos de conscientização.

E se fosse implementada?

Uma implementação bem sucedida da energia nuclear em porta-contentores, iria exigir um esforço entre várias partes, seja pelos governos, pelo sector privado e pelas instituições dedicadas à pesquisa, para superar todos os desafios, ( que não são de factos, poucos). O aperfeiçoamento da tecnologia teria sempre ser uma prioridade máxima, pois afinal é o que transmite segurança a todos.

Podemos concluir, que este caminho é uma oportunidade que deve ser vista, dentro de uma visão mais extensa e estratégica, descartando pré-conceitos adquiridos que possam existir.

Dentro das opções, esta é a mais rápida para impulsionar a sustentabilidade e a eficiência no transporte marítimo global. Não se pode ignorar os benefícios ambientais, num primeiro patamar e os económicos no segundo patamar.

Finalizando este exercício de raciocínio, pese os prós e contras, este é o caminho com riscos, mas simultaneamente o mais rápido para se atingir metas de descarbonização num sector que possui objectivos difíceis e duros de concretizar. O objectivo não é incentivar este propósito, mas sim despertar o pensamento crítico.

Autor: Rui Carlos Pereira – Analista.

Delegação francesa visita Porto de Sines.

O Porto de Sines recebeu a visita de uma delegação francesa promovida pela Embaixada de França em Portugal e pela Vice-Presidente do Conselho Regional Pays de la Loire e Conselheira Delegada para os Assuntos Marítimos, Claire Hugues.

A missão empresarial teve foco no investimento em energias renováveis e descarbonização portuária.

A comitiva francesa teve a oportunidade de conhecer as principais características do Porto de Sines bem como os projectos de transição energética e sustentabilidade ambiental em curso, explorando potencialidades e cooperação comercial, nomeadamente na captação de novos investimentos franceses que poderão encontrar em Sines um suporte portuário focado na transição e sustentabilidade energética.

De lembrar que, estão actualmente em curso vários projectos que visam descarbonizar o Porto de Sines e respectivo corredor logístico, com objectivos de 100% neutralidade carbónica até 2050 e com a liderança de uma agenda de inovação que visa a digitalização e descarbonização de toda a cadeia logística.

Houthis com acordo Rússia/China sobre o Mar Vermelho.

É a segunda vez, desde que iniciou o conflito do Mar Vermelho, que há a indicação que os rebeldes Houthis do Iémen, possuem um acordo de entendimento com a Rússia e a China, ao mesmo tempo que o grupo rebelde continua os seus ataques sistemáticos aos navios não relacionados com estes dois países.

Isto só significa, que de facto, os rebeldes Houthis estão a utilizar o conflito de guerra para ganhar mais destaque global, e que é influenciado claramente pelos países mencionados.

Um entendimento político teria sido alcançado entre os Houthi e diplomatas russos e chineses reunidos em Omã, de acordo com fontes não identificadas ccitadasnuma história divulgada pela Bloomberg . Embora os termos do acordo sejam desconhecidos, Bloomberg especula que a China e a Rússia prometeram mais apoio político aos militantes, incluindo a possibilidade de bloquear resoluções no Conselho de Segurança da ONU em troca de promessas de passagem segura.

Os navios que transitavam informalmente pelo Mar Vermelho começaram a destacar a sua associação com a China após o início dos ataques. Eles incluíram nos seus sinais AIS mensagens como “toda a tripulação chinesa” ou destinos destacados na China. Isto levou a relatos da Agence France Presse, em Janeiro passado, de que um porta-voz Houthi estava a informar aos meios de comunicação russos que os navios da Rússia e da China estavam seguros desde que não estivessem directamente associados a Israel.

Apesar das garantias anteriores de passagem segura, os petroleiros que transportam petróleo russo têm estado entre os navios alvo dos Houthi. Os relatórios têm sugerido repetidamente que os Houthis estão a utilizar dados imprecisos ou desactualizados na sua seleção, levando a ataques a navios que alegam serem americanos, embora agora sejam propriedade de empresas na Grécia e em Singapura.

“Os ataques Houthi a navios no Mar Vermelho, juntamente com o aumento da pirataria na costa da Somália, estão a perturbar o comércio global”, reiterou mais uma vez a BIMCO, o grupo comercial da indústria naval, na sua actualização semanal. O grupo procurou quantificar a extensão do impacto, observando: “Em 2023, cerca de 13% do comércio marítimo global transitou por estas áreas. No entanto, os ataques reduziram o número de navios que transitam pela área em 50 por cento”, afirmou Filipe Gouveia, Analista de Navegação da BIMCO.

Os ataques não mostram sinais de diminuir, apesar do aumento da presença internacional na região. A missão da UE relata no seu primeiro mês que o esforço conhecido como Aspides proporcionou “protecção estreita” a 35 navios mercantes e as suas acções defensivas levaram ao abate de oito UAV e à repelição de outros três ataques de UAV que representavam uma ameaça à liberdade de navegação.

Ontem, os franceses divulgaram um vídeo mostrando um de seus helicópteros abatendo um drone Houthi que tinha como alvo navios memercantes. A missão de defesa ASPIDES informou que um navio de guerra francês, ao mesmo tempo que fornecia protecção próxima à navegação mercante no Mar Vermelho Sul, interceptou e destruiu três mísseis balísticos.

O Comando Central dos EUA emite agora um resumo diário de fim de dia que, por exemplo, informa que, em 20 de Março, uma aeronave da coligação enfrentou e destruiu com sucesso um veículo aéreo não tripulado, enquanto as forças dos EUA destruíram uma embarcação de superfície não tripulada. Dias antes, em 18 de março, o CENTCOM disse que as forças enfrentaram e destruíram com sucesso sete mísseis antinavio, três veículos aéreos não tripulados e três ccontentores e armazenamento de armas em áreas do Iêmen controladas pelos Houthi.

O líder Houthi prometeu na semana passada estender os ataques ainda mais ao Oceano Índico, dizendo que eles tinham a intenção de interromper o transporte marítimo redirecionado para a passagem ao redor da África. Os analistas dizem cada vez mais que, apesar das declarações de que os ataques são em apoio aos palestinianos, acreditam que os Houthi continuarão, pois deram atenção internacional ao outrora obscuro grupo.