Fernando Pimenta ganha o ouro para Portugal em K1 1000m

O canoísta Fernando Pimenta conquistou neste a medalha de ouro na prova de K1 1.000 metros das Universíadas de Verão, que estão a decorrer em Kazan, na Rússia.
O português, medalha de prata em K2 1.000m nos Jogos Olímpicos Londres 2012, venceu a prova em 3m48,135s, derrotando o bielorrusso Aleh Yurena (3m49,814s) e o polaco Rafal Rosolski (3m50,325s).
Fernando Pimenta deu, assim, a primeira medalha de ouro a Portugal nas Universíadas de 2013, que se junta aos bronzes conquistados por André Alves (judo -73 kg) e Marcos Chuva (salto em comprimento).
“Sabia que tinha potencial para isso [conquistar o ouro]. Sabia que se me apresentasse bem e se me tivesse a sentir bem que podia fazer um bom resultado e que podia lutar pela medalha de ouro ou estar no grupo das medalhas. Os outros atletas também têm muito valor, alguns deles também pertencem às equipas absolutas. Ganhar como ganhei dá-me mais motivação para continuar o excelente trabalho que tenho feito com o meu treinador”, disse.
Apesar de não ter ouvido o hino português, porque nas cerimónias do pódio é tocado o hino da Federação Internacional de Desporto Universitário (FISU), Fernando Pimenta garante que sentiu um grande orgulho.
“É como se estivéssemos a ouvir o nosso hino, porque era a bandeira de Portugal que estava no sítio mais alto. É um grande orgulho contribuir com estes resultados para Portugal”, disse.
As Universíadas são um evento multidesportivo internacional, organizado para atletas universitários. No evento deste ano são 27 as modalidades em que há competição.
Fonte: Público.

Consumo de atum, salmão ou sardinha pode reduzir risco de cancro da mama

O consumo de ácidos gordos ómega 3 provenientes de peixes gordos, como o salmão, o atum ou a sardinha, uma a duas vezes por semana, pode reduzir o risco de cancro da mama, indica um estudo agora divulgado.

Diversas investigações mostraram já o efeito protector dos ómegas 3 em relação às doenças cardiovasculares, mas investigadores chineses analisaram agora dados de 26 estudos sobre 800.000 mulheres e cerca de 20.000 casos de cancro da mama realizados nos Estados Unidos, na Europa e na Ásia.

Comprovaram que o consumo de uma a duas porções de peixes gordos por semana estava associado a uma redução de 14 por cento do risco de cancro da mama, segundo a agência France Presse.

A equipa dirigida pelo professor Duo Li, da Universidade de Zhejiang, constatou que um aumento de 0,1 gramas de ómega 3 oriundo de peixe por dia reduz o risco de cancro da mama em cinco por cento.

Os ómegas 3 são ácidos gordos essenciais ao bom funcionamento do corpo humano. Existem quatro: o EPA, o DHA e o DPA (encontrados essencialmente nos peixes gordos como o salmão, atum, cavala, arenque, sardinha e anchova) e o ALA (presente nos óleos vegetais de noz, colza ou soja e, em menor grau, na carne, laticínios e ovos).

No estudo, publicado na revista «British Medical Journal», os investigadores chineses assinalam que apenas os ómegas 3 de origem marinha foram associados a uma redução do risco de cancro da mamã.

O cancro da mama é um dos mais frequentes a nível mundial. Em 2008, representava perto de 23 por cento do conjunto dos cancros e 14 por cento das mortes, segundo o estudo.


Fonte: APP

Medicamentos debaixo de água


Três mergulhadores seguiram uma expedição submarina, perto de Nice, na costa francesa, mas não é um mergulho de lazer, são cientistas que embarcaram na primeira etapa de um projecto de investigação.
Estão à procura de um tipo de esponja denominada “crambe crambe”, que produz moléculas que podem ser usadas ​​para fazer novos medicamentos.
Este tipo de esponja vermelha cobre as rochas como uma película, por isso é muito difícil de recolher. Para a desprenderem da rocha os mergulhadores usam suavemente um martelo e uma faca. A esponja é um organismo extremamente frágil e deve ser mantido vivo.
Euronews: “As esponjas recentemente capturadas são transportadas num recipiente especial para este edifício do século 18, que abriga o Observatório Oceanográfico de Villefranche. Lá vão ser cultivadas e estudadas.”
As esponjas são transportadas em recipientes que contêm água do mar. Uma vez cultivadas neste aquário, devem ser mantidas em condições climáticas adequadas para a sua sobrevivência.
Eva Ternon, Investigadora, Universidade de Nice: “Vamos estabelecer as condições ideais para produzir as moléculas, por isso vamos definir a temperatura da água, a luz e também o débito de água que acaba de chegar do mar, por isso é água natural, para que possam produzir o máximo número de moléculas interessantes.
“Submetemos as esponjas regularmente ao stress, raspamos os tecidos externos, porque é nestes casos que as esponjas produzem moléculas na água do mar. Desenvolvemos um procedimento que nos permite extrair essas moléculas e analisá-las em laboratório.”
Tudo isto está a ser feito no âmbito de um projecto europeu denominado BAMMBO -moléculas biologicamente activas de origem marinha, que visa a produção sustentável de medicamentos que vêm do mar. O projecto é dirigido pelo Instituto de Tecnologia de Limerick, na Irlanda.
As moléculas são transportadas para laboratórios, para serem analisadas e purificadas quimicamente. Cada uma pode ser usada em diferentes aplicações terapêuticas – principalmente contra o cancro, mas também contra a doença de Alzheimer, de Parkinson e também como antibacterianos e antifúngicos.
Euronews: “Porque é que as moléculas derivam de organismos marinhos, em vez de outros tipos de organismos?”
Olivier Thomas, Professor, Universidade de Nice: “O ambiente marinho é único no sentido em que encontra muitas criaturas que são essencialmente estáticas – fixas em rochas e assim por diante. Que têm que se defender através da produção de moléculas activas. Desenvolvemos um procedimento para a produção destas moléculas em grandes quantidades, que respeita o ambiente, mais do que outras produções de moléculas que se baseiam na síntese química. Isto significa que os organismos permanecem vivos, que apenas as moléculas são extraídas e o ambiente pode manter os organismos vivos”.
A actividade biológica das moléculas, a sua capacidade de erradicar o cancro deve ser testada. Os testes são feitos em animais vindos do mar, como nos ouriços do mar. O processo de multiplicação celular nestes organismos é muito próximo ao observado nos seres humanos e a elevada taxa de multiplicação é próxima da das células cancerosas.
Desta forma, uma molécula que evita a divisão celular no embrião de um ouriço-do-mar pode ter propriedades anti-cancro. Ao microscópio pode ver-se a multiplicação celular num embrião de ouriço do mar.
Os recursos do mar ainda estão pouco explorados e a nossa capacidade de tirar o maior partido deles é crucial. Entre a biodiversidade marinha, os invertebrados, como as esponjas contêm os ingredientes que podem levar a toda uma nova geração de medicamentos.
Fonte: Euronews

Conselho Norueguês de Pesca garante bacalhau isento de fosfatos

O Conselho Norueguês da Pesca (Norge) que o bacalhau consumido em Portugal, com origem na Noruega, está isento de aditivos, mantendo as normas de produção tradicional.
Em comunicado, o Norge veio assegurar que o bacalhau com origem na Noruega, que representa 60 por cento do consumo nacional, está isento de aditivos e, mesmo com a nova permissão da União Europeia, “não tem nem terá fosfatos, mantendo as normas de produção tradicional por que sempre se pautou”.

“As novas normas não irão afectar a produção tradicional de bacalhau e que irá continuar a ser feita como até aqui, apenas com cura de sal. Logo não haverá riscos de polifosfatos. Pela parte Islandesa não podemos falar”, esclareceu hoje o Norge.

O Conselho Norueguês de Pesca realça que nenhuma outra nação ligada à indústria do bacalhau é tão dependente dos consumidores portugueses como a Noruega.

Na semana passada, o Governo disse que a proposta aprovada a nível europeu sobre a introdução de polifosfatos no bacalhau prevê excepções para Portugal e contempla o fornecimento de peixe sem aqueles químicos.

Em comunicado, o secretário de Estado da Alimentação e da Investigação Agro-alimentar, Nuno Vieira e Brito, explicou que o documento votado esta semana pelo Comité Permanente para a Cadeia Alimentar e de Saúde Animal da União Europeia, que contou com o voto favorável de Portugal, “inclui medidas específicas para Portugal”.

“Nessas medidas está contemplado o fornecimento à indústria portuguesa de bacalhau sem polifosfatos, a possibilidade de confirmação da presença da mesma, o compromisso da Comissão [Europeia] de durante três anos acompanhar esta questão e, por último, a informação ao consumidor através da rotulagem”, referiu o secretário de Estado.

De acordo com o Governo, a proposta da Comissão Europeia, apresentada em 2011, contou com a “firme oposição de Portugal”, tendo sido “reestruturada de modo a contemplar com medidas protectoras específicas para Portugal”.

Fonte: Público.

UAlg acolhe conferência sobre «Desafios tecnológicos no mar algarvio»

Câmara Municipal de Faro e a Maralgarve organizam, na quinta-feira, 18, uma conferência 
subordinada ao tema «Desafios tecnológicos no mar algarvio», que decorrerá 
na Universidade do Algarve.


A iniciativa, realizada no âmbito do trabalho em curso com a IBM Portugal, conta 

com as presenças do presidente da IBM Europa, do director-geral da Política do Mar,
do presidente do Instituto Português do Mar e da Atmosfera, do presidente da EDP
Inovação e do presidente da CCDR/Algarve, a par de diversos especialistas 
nacionais e estrangeiros.

A conferência pretende contribuir para o aparecimento de projectos (empresariais, 

bem como de investigação aplicada) que abordem a introdução de novas tecnologias
ligadas aos sistemas de monitorização e informação marítimo-costeira.

O evento pretende ainda abrir o debate relativamente às oportunidades que 

as novas tecnologias e o acesso a um amplo leque de dados estatísticos 
e informações poderão trazer a um mais eficiente, rentável e sustentável 
aproveitamento dos nossos recursos marinhos

O objectivo passa por privilegiar a apresentação de novas soluções e 

serviços de disponibilização de informação especializada sobre o estado 
e comportamento do mar algarvio, quer ao sector público como 
às empresas e associações locais e regionais, numa óptica de reforço da 
competitividade da economia algarvia.

Serão apresentados contributos públicos e privados, para que se 

implementem soluções empresariais de estímulo a novos ganhos 
de produtividade e de eficiência, imprescindíveis a um necessário 
e desejável aumento de rentabilidade na exploração dos recursos do mar 
algarvio.

“Faro dá assim o seu contributo ao aparecimento de novos 
modelos de colaboração e de organização das entidades públicas, 
das associações do sector e das empresas, em favor 
da economia do mar algarvio”, refere a autarquia farense.

A conferência decorre no edifício 8 do anfiteatro verde, 

no campus de Gambelas da Universidade do Algarve.

Fonte: Região Sul.

FLAD lança livro com múltiplas perspetivas sobre o mar



A Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento (FLAD) apresentou em Lisboa, um livro que reúne múltiplas perspectivas sobre o mar e que resulta da III edição do Fórum Franklin Roosevelt, realizado em Abril nos Açores.
 
“Há aqui aspectos da história e aspectos do futuro. No fim de contas é uma discussão e o ponto de vista de vários especialistas nestes domínios diversos da ciência, história e política sobre o mar e a cooperação luso-americana”, afirmou à Lusa o investigador Ricardo Serrão Santos, que será um dos oradores da sessão de apresentação da obra, que contém intervenções proferidas no III Fórum Açoriano Franklin Roosevelt.
O livro “O Mar na História, na Estratégia e na Ciência”, das Edições Tinta-da-china, será publicamente lançado na quarta-feira, estando a apresentação a cargo de Fernando Melo Gomes, do especialista em assuntos marítimos Tiago Pitta e Cunha e do investigador Ricardo Serrão Santos.
Para o docente e investigador do Departamento de Oceanografia e Pescas da Universidade dos Açores, que diz ter “uma perspectiva optimista” sobre o trabalho realizado em Portugal ao nível do mar, o livro chama a atenção para a importância deste recurso e mostra algumas perspectivas de desenvolvimento ao nível dos recursos marinhos e biotecnologia.
“Portugal desenvolveu uma grande capacidade de investigação científica. Quando terminámos os anos 90 estávamos completamente deficitários em capacidade de navios oceânicos, acesso à investigação do mar profundo e hoje temos dois navios oceânicos em funções, ligados ao Instituto Hidrográfico da Marinha, temos um ‘roove’ de grande profundidade e um grande investimento na formação de recursos humanos”, sustentou.
Apesar de admitir que o país precisa de investimentos infra-estruturais nos domínios do mar para beneficiar das investigações em curso, Ricardo Serrão Santos destacou que Portugal está, presentemente, a vender tecnologia na área da robótica submarina para o Brasil, há pequenas empresas que se estão a estabelecer na área da biodiversidade, turismo e biotecnologia marinha.
“Eu vejo neste momento as coisas numa perspectiva de optimismo. Se algumas áreas como os transportes náuticos, que são importantíssimos para a economia do país ou mesmo dos portos e que eventualmente haja um atraso nacional comparando com outras regiões como a Holanda, mas neste momento há um élan em torno do cluster do mar para encontrar e desenvolver actividades que tenham benefícios económicos do âmbito da economia do mar”, disse.
Desde 2008 que a FLAD e o Governo açoriano promovem fóruns de discussão bianuais sobre temas prementes da relação transatlântica, reunindo políticos e académicos de ambos os lados do Atlântico.
O terceiro fórum decorreu no final de abril de 2012 na ilha do Faial, sendo integralmente dedicado ao tema “O mar na perspectiva da história, da estratégia e da ciência”.
O nome do fórum serve de homenagem ao relevante papel assumido pelo Presidente norte-americano Franklin Rooosevelt na política internacional do século XX, assim como a atenção que prestou às questões geopolíticas suscitadas pela posição geográfica das ilhas açorianas.

Fonte Açoriano Oriental

UAlg promove AcousticRobot´13 para estudar poluição acústica dos oceanos

A Universidade do Algarve organizou uma campanha marinha de experimentação científica, a AcousticRobot’13, para 
demonstrar a utilização de veículos robotizados na medição e predição da poluição acústica em regiões de grande tráfego 
marítimo.

A iniciativa, que decorreu em maio, ao largo de Sesimbra, na zona do canhão de Setúbal, teve ainda a participação do 

Centro de Investigação Tecnológico do Algarve (CINTAL), da Marsensing Lda., da Faculdade de Engenharia da 
Universidade do Porto (FEUP), do Instituto de Engenharia e Sistemas de Computação do Porto (INESC TEC) e do Centro 
de Investigação Naval (CINAV) da Marinha Portuguesa.

A campanha utilizou um veleiro da Marinha Portuguesa, um planador subaquático SOLCUM, operado pelo INESC TEC, 

o veleiro Robot FASt, produzido e operado pela FEUP, e diversos dispositivos de telemetria acústica.

O resultado deste trabalho pode ser visualizado em http://youtu.be/rDkRjbzJGj0.

O AcouticRobot’13 decorreu no âmbito dos projectos Robonoise (financiado pelo QREN) e COGNAT (financiado pela FCT),

 que pretendem estudar a utilização de dispositivos acústicos instalados em robôs submarinos para monitorizar a poluição
 acústica dos oceanos.

Além disso, esses dispositivos podem ser usados para localizar fontes sonoras, comunicar de baixo de água, realizar

 operações de tomografia acústica e estudar o fundo dos oceanos.

Retirada do navio de cruzeiro Costa Concordia atrasa na costa da Itália.

Navio está sendo comprimido pelo seu próprio peso e causa preocupação. Equipas trabalham na instalação de guindastes para a remoção.

Equipas de resgate estão trabalhando contra o tempo para tentar retirar do mar o navio de cruzeiro Costa Concordia, naufragado na costa italiana. A embarcação está constantemente sendo esmagada pelo seu próprio peso, junto à ilha toscana de Giglio, onde afundou após um acidente. Autoridades disseram que, se esta tentativa de retirada falhar, não haverá uma segunda chance. Nick Sloane, líder da operação, confirmou que o Concordia se comprimiu cerca de 3 metros desde que se acidentou em 13 de Janeiro de 2012. Sloane disse que eles têm apenas uma oportunidade de puxar o navio verticalmente e fazê-lo flutuar para fora do continente. A tentativa provavelmente vai acontecer em meados de Setembro. “Nós não podemos colocá-lo de volta no lugar em que está encalhado e começar. O calendário para remover o Concordia também sofreu atrasos. A data prevista para a remoção aconteceria antes do início do verão, mas as condições meteorológicas têm prejudicado os planos.“Tivemos um inverno rigoroso”, disse Sloane, explicando que as condições de mar agitado do inverno trazia risco para as equipes de mergulho que trabalhavam para fornecer uma base mais estável para a retirada do navio. O projecto prevê a instalação de dezenas de polias e guindastes para começar lentamente a inclinação do navio a uma velocidade de 3 metros por hora.
Fonte: G1

Porto de Sines bate recorde absoluto de carga

O terminal de contentores de Sines bateu o seu máximo de sempre em Junho  com 92.168 contentores de 20 pés movimentados, contra 42.859 em igual mês do ano anterior.

O Porto de Sines bateu um recorde absoluto mensal em Junho na movimentação de contentores – que aumentaram 115% em relação ao mês homólogo do ano passado. Este porto passou a gerir igualmente a actividade portuária de Faro e Portimão.
Mas o crescimento de Sines não se fica por este segmento de carga. O porto alentejano, gerido por João Franco, registou um crescimento de 22% no total de carga movimentada no primeiro semestre de 2013, em comparação com o período homólogo do ano anterior.
“Foram movimentadas 17,4 milhões de toneladas, o que significa ter sido o melhor semestre de sempre em mercadorias movimentadas”, refere a fonte oficial do Porto de Sines.

Nos contentores esta evolução também foi significativa na actividade semestral, pois registou um aumento homólogo de 62%, ultrapassando os 422 mil TEU (um TEU corresponde a um contentor de 20 pés de comprimento) acumulados. Só em Junho  foram movimentados 92.168 TEU no terminal de contentores o que, segundo a fonte da APS constitui um “recorde absoluto mensal”.

Acompanhando esta evolução, o número de navios recebidos aumentou 16%, para 937 navios no primeiro semestre de 2013, verificando-se igualmente o recurso a navios de maior porte confirmado pelo aumento da arqueação bruta cujo acumulado cresceu 24%.

Fonte: Expresso.

Vela tenta reencontrar o caminho do sucesso


Nos anos 90, a vela viveu um período de ouro que teve o ponto alto com a medalha de bronze de Hugo Rocha e Nuno Barreto nos Jogos Olímpicos de Atlanta. Porém, actualmente a modalidade vive uma fase de reestruturação, depois de em 2010 ter ficado sem verbas estatais. Enquanto a vela reestrutura o seu futuro, a canoagem tenta aproveitar o bom momento que atravessa para confirmar Portugal como referência mundial, tanto a nível de atletas como a nível de estruturas e organização de eventos. E depois há o “kitesurf”, que já deu uma campeã do mundo ao País.

Entre 2010 e 2011 a vela viveu um período negro e ainda hoje está a pagar a factura desse ano sem receber verbas estatais. Porém, uma das principais modalidades em Portugal – em Atlanta”96 ganhou o bronze – tenta reencontrar o caminho do sucesso, a pensar não só no programa olímpico, mas também na formação de novos atletas, contornando as dificuldades financeiras e a ausência de um Centro de Alto Rendimento.
José Leandro, presidente da Federação Portuguesa de Vela, tenta mudar mentalidades para que a modalidade possa alcançar de novo um lugar de referência no desporto português, realçando ainda que quer garantir um futuro sustentável para os jovens atletas. O dirigente evita queixar-se da redução dos apoios financeiros (há dois anos eram de 900 mil e este ano passou para 600 mil), preferindo um discurso mais optimista: reestruturar a vela com o dinheiro que tem. “Quando fui eleito [tomou posse em 2009] entendi que a federação devia ser mais do que preparar equipas olímpicas”, diz ao DN.
Salientando que “a competição é fundamental”, o presidente considera “mais importante criar bases”, dando como exemplo a necessidade de não só apoiar os clubes como também de existir a possibilidade de estes serem autos-suficientes. Sugere que os clubes possam criar pólos de negócios” para que tenham mais dinheiro para investir em melhores condições para os praticantes, tornando o desporto mais acessível e ajudando a terminar com o estigma de modalidade elitista.
Uma das formas que a federação encontrou para rentabilizar dinheiro foi terminar com treinadores individuais. Isto é, actualmente um técnico não tem apenas um velejador, mas sim uma classe de vela para orientar.
Parte do orçamento anual é também investido no plano de alto rendimento, que pretende dar uma maior estrutura aos mais jovens atletas. José Leandro exemplifica que um dos objectivos é orientar os velejadores a escolherem a melhor classe, oferecendo-lhes o acompanhamento para que possam evoluir a nível competitivo e como pessoas.
Numa altura em que os Centros de Alto Rendimento (CAR) são uma aposta no País, a vela surpreende por não ter nenhum. José Leandro aponta o dedo a direcções anteriores da federação. “Perdemos o CAR se calhar a favor de alguns interesses”, diz. Como o dinheiro disponível para este investimento já foi distribuído por outras modalidades, o dirigente tenta agora criar um CAR, ou um centro de treino, como lhe chama, com as infraestruturas já existentes. O Porto de Recreio de Oeiras tornou-se um lugar importante, pois a federação tem todos os meios disponíveis sem pagar nada. José Leandro espreita ainda a oportunidade de utilizar a Pousada da Juventude junto à marina, que está vazia.
Quando se fala de dinheiro, é inevitável recuar ao ano negro, quando o então secretário de Estado da Juventude e Desporto, Laurentino Dias, ordenou a suspensão dos apoios financeiros resultantes de contratos-programa, no âmbito do estatuto da federação de utilidade pública. Refere que a actual direcção herdou uma dívida de 800 mil euros, mas quando as verbas foram suspensas e com a falta de pagamento de, por exemplo, impostos, quando a suspensão foi levantada a dívida havia subido para o dobro. Agora diz que está nos 760 mil euros e que há abertura do actual secretário de Estado, Emídio Guerreiro, em resolver “pelo menos parte do problema”, para evitar uma resolução em tribunal, a quem a federação recorreu.
Apesar de todas as dificuldades, José Leandro acredita que é possível voltar a alcançar resultados de referência, recordando que em Londres de 2012 a vela teve a maior comitiva de sempre, apesar de ter menos dinheiro, e mesmo com todos os problemas que marcaram a preparação dos velejadores, Portugal conquistou dois diplomas olímpicos. “Sempre que apostamos, temos bons resultados.”

Fonte: DN