Instituto Hidrográfico tem novo serviço para o Planeamento de Viagens por mar

«Quem vai ao mar, planeia em terra» é o lema do novo Serviço de Apoio ao Planeamento de viagens/travessias por mar que o Instituto Hidrográfico acaba de lançar.
Para isso, o Instituto Hidrográfico dispõe de  uma equipa de especialistas habilitados na elaboração de qualquer plano de viagem, englobando travessias em águas interiores, costeiras ou oceânicas nacionais.
Com este serviço torna-se agora possível obter planos de viagem/travessia personalizados, com toda a informação pertinente para viagens de embarcações de recreio, à vela e/ou motor ou para eventos desportivos, como organização de provas ou passeios de vela, canoagem, kite surf, paddle surf, wind surf, mota de água ou jet ski.
Os planos apresentados englobam travessias em águas interiores, costeiras ou oceânicas nacionais.
Este novo serviço vem reforçar as competências do Instituto Hidrográfico no que toca à segurança no mar permitindo, a quem nele se aventura, obter um apoio adicional para uma melhor navegação.
Fonte: Região Sul.

Iate de família real com 180 metros é o maior do mundo

O milionário russo Roman Abramovich já não é o proprietário do maior iate do mundo. O seu “Eclipse”, com 163,5 metros, é agora o segundo do ranking.
O iate “Azzam”, comprado pela família real dos Emirados Árabes Unidos, é agora o maior do mundo, segundo o ranking elaborado anualmente pela revista especializada “Yacht France”. O barco tem 180 metros de comprimento, seis pontes e uma sala com 550 metros quadrados e é do presidente da companhia aérea Emirates, o xeque Khalifa bin Zayed Al Nahyan, que faz parte da família real dos Emirados Árabes Unidos.
O segundo maior iate do mundo, segundo a publicação, é o do russo Roman Abramovich, dono do Chelsea, que tem 163,5 metros. No terceiro lugar fica o “Dubai”, com 162 metros, propriedade do Emir do Dubai, o xeque Mohammed bin Rashid al-Maktoum.
Deste ranking, a maioria dos iates são do Médio Oriente, mais precisamente 31. Segue-se a Rússia, com 19 e os Estados Unidos, com 17. Estão lá, por exemplo, as embarcações do presidente russo Vladimir Putin, do fundador da Microsoft Paul Allen ou do realizador norte-americano Steven Spielberg.
Muitos deles estão disponíveis para aluguer, como o “Eclipse de Abramovich. Basta pagar entre quatro e cinco milhões de euros por semana.
Fonte: DN.

Construa o seu próprio submarino pessoal e explore o oceano ( Com Vídeo ).

O OpenROV é um veículo de exploração subaquática open-source que pode mergulhar até profundidades de 100 metros, fazendo streaming em directo

Não, não é só o James Cameron que tem direito a explorar as profundezas do oceano. De facto, e a julgar pela proposta do OpenROV, esta poderá vir a tornar-se uma possibilidade ao alcance de muitas pessoas. E no que consiste essa proposta? Essencialmente, o OpenROV é um veículo de exploração submarina open source que pode ser construído em espaços tão banais como uma simples cozinha.

Por outras palavras, o OpenROV é um pequeno drone que se permite ser controlado remotamente através de um computador, deixando qualquer curioso explorar as paisagens subaquáticas que nos rodeiam. “Até agora, apenas uns poucos selectos eram capazes de explorar o oceano”, refere David Lang, co-fundador da OpenROV, a empresa responsável pelo projecto. “O que queremos fazer é dar a todos esse acesso e partilhar o que descobrirem, criando uma espécie de Wikipédia para exploração dos oceanos”.

O OpenROV pode ser fabricado com componentes disponíveis em qualquer loja de produtos electrónicos, mas a empresa envia aos interessados um kit com a maioria das componentes necessárias para a sua montagem. O OpenROV pode descer até profundidades de 100 metros e faz streaming directo de vídeo para o computador onde estiver a ser controlado.

Dada a sua natureza open-source, este projecto está sujeito a diversas alterações e modificações, as quais podem ser disponibilizadas num fórum que a empresa criou para todos os seus utilizadores. “Chamem-lhe um brinquedo, ou uma ferramenta séria de investigação”, refere um dos co-fundadores do projecto. “O OpenROV é capaz e é divertido de construir”.

Fonte: Ionline / *telemoveis.com

O

Encontrada garrafa cinco anos depois de lançada ao mar


PortoCartoon lançou, em 2008, 30 garrafas ao mar.

Jorge Soares, de São João da Madeira, encontrou a 27 de Julho  numa praia da zona de Mira, no distrito de Coimbra, a primeira das 30 garrafas do PortoCartoon lançadas em 2008 ao mar.

As 30 garrafas foram lançadas ao mar, a oito milhas da costa, a 11 de Dezembro de 2008, por uma unidade da Marinha Portuguesa, com mensagens sobre os Direitos Humanos do PortoCartoon desse ano.

«Já tínhamos posto de parte a possibilidade de encontrar alguma das garrafas lançadas ao mar», admitiu à agência Lusa Luís Humberto Marcos, director do Museu Nacional da Imprensa (MNI), entidade responsável pela iniciativa de 2008.

Na tarde de sábado de 27 de Julho  Jorge Soares, de 51 anos, a passear pela praia com um grupo de amigos, reparou na garrafa no meio de entulho que deu à costa e contou que a garrafa só lhe chamou a atenção por estar fechada.

Jorge reparou que a garrafa tinha «qualquer coisa dentro» por a luz estar a incidir sobre a mesma. Empurrou a rolha para dentro com um pau e retirou a mensagem.

A folha tinha, de um lado, a informação sobre o PortoCartoon com alguns dos “cartoons” da edição de 2008, e, do outro, os artigos 19.º, 20.º e 21.º da Declaração Universal dos Direitos Humanos – liberdade de expressão, liberdade de associação e liberdade de voto.

«Dizia que tinha um prémio surpresa, mas aquilo como parecia um folheto nem pensei que fosse verdade», disse, tendo deixado a garrafa e a mensagem onde encontrou, acabando mais tarde por voltar atrás por «pensar que a mensagem deveria ter algum fundamento».

Pesquisou na Internet e após algumas tentativas acabou por encontrar a notícia sobre o lançamento das 30 garrafas.

«Achei aquilo engraçado, mas o problema é que as praias são todas uma imundice e se as garrafas acabaram em alguma praia podem muito bem estar no meio de entulho», alertou Jorge Soares, que irá receber o prémio surpresa em Setembro.

Luis Humberto Marcos, que recebeu a notícia com «surpresa», afirmou que «estava à espera que aparecesse numa zona mais longínqua».

O director do MNI frisou «a importância e universalidade» da linguagem do “cartoon” para relembrar a Declaração Universal dos Direitos Humanos.

«Evocar e falar dos direitos humanos é necessário porque parece tão rotineiro que às vezes se esquece a sua substância», afirmou Luis Humberto Marcos, considerando que «é um dever» de entidades como o MNI «recordar» esses mesmos direitos.

Fonte: TVI24

‘Tesouros’ do mar em destaque

Fatacil. A 34.ª edição do evento junta 600 expositores de várias actividades económicas da região.

Arrancou a 34ª edição da Feira de Artesanato, Turismo, Agricultura, Comércio e Indústria de Lagoa (Fatacil). A principal montra das atividades económicas da região junta 600 expositores e decorre até 25 de agosto.


A temática do certame é dedicada ao mar. Por isso, “os visitantes poderão degustar pratos de peixe e marisco, confeccionados por chefs de algumas das melhores unidades hoteleiras da região”, explica Rui Correia, presidente da Fatasul, que organiza a feira.

Outra aposta, diz o presidente, recai no sector equestre, com mostras dos “melhores criadores de cavalo Lusitano de Portugal, Brasil e Espanha”. 

Na área do comércio e indústria “registam-se cerca de 60 expositores a mais, o que sugere a vontade dos empresários apostarem na promoção”, acrescenta Rui Correia. O investimento na Fatacil ronda um milhão de euros e são esperadas 150 mil pessoas.


Fonte: CM

Cianeto. Já não é preciso matar peixes para encontrar este veneno

A Universidade de Aveiro desenvolveu a primeira técnica que permite detectar a presença de cianeto em peixes, sem implicar a sua morte

O dicionário científico identifica-o como peixe-palhaço. Um filme de animação da Disney reforçou a sua reputação e até lhe colou a alcunha de “Nemo”. Esta espécie, colorida a laranja e branco, é talvez o exemplo mais comum de peixe exótico que hoje mergulha em aquários domésticos ou privados. Se tiver um, não se admire caso o encontre morto, a boiar à tona da água. É provável que o culpado seja o cianeto, um químico usado por pescadores para os atordoar e assim facilitar a sua captura. Mas, graças à Universidade de Aveiro, a substância pode ter os dias contados – uma equipa de investigadores desenvolveu um método para detectar a presença deste veneno nos peixes. E sem implicar a sua morte.
E aqui está um ponto importante. Descobrir este químico venenoso – utilizado sobretudo em recifes de coral do Sudeste Asiático – no organismo dos peixes implicava recorrer a um teste que se resumia a dissecar o animal e retirar-lhe um pedaço de músculo ou amostra de sangue. Ou seja, a morte seria sempre inevitável. Agora já é possível poupar a vida aos peixes. A técnica desenvolvida pela Universidade de Aveiro centra-se antes na água “onde o peixe foi transportado ou mantido durante um período de cerca de 24 horas”, começou por explicar Ricardo Calado.
O objectivo, explicou o coordenador do projecto, é detectar a presença na água de um ião chamado tiocianato, substância resultante da “degradação do cianeto através de uma enzima chamada rodanase, que actua sobretudo ao nível do fígado do peixe”. Descodificando: o truque está no tal tiocianato. Esta substância é expulsa “na urina do peixe, que pode então provocar “níveis anormais” de tiocianato nas amostras de água. “O que constitui uma prova da exposição ao cianeto”, prosseguiu Ricardo Calado. O desenvolvimento do método implicou um investimento a rondar os 60 mil euros, financiados, em conjunto, pelo Departamento de Biologia e pelo Centro de Estudos do Mar e do Ambiente, ambos da Universidade de Aveiro.

CIANETO 
Mas porquê tanto alarido à custa de uma substância? Numa palavra – veneno. Em linguagem científica, o cianeto é um sal inorgânico que bloqueia a passagem de oxigénio para o sangue caso entre em contacto com o organismo. “Sem qualquer dúvida, é altamente destrutivo e reconhecido como uma das maiores ameaças à conservação da fauna marinha e de recifes de coral”, afirmou, convicto, Ricardo Calado.
O alarme é evidente no tom das palavras que o investigador da Universidade de Aveiro escolheu para continuar a retratar ao o problema. “Este tóxico” funciona “como anestésico para permitir mais facilmente a captura dos peixes”, explicou. Mas “as concentrações usadas são tão elevadas que, invariavelmente, acabam por induzir mortalidade quer nas espécies à qual a pesca é dirigida, quer noutras sem valor comercial que se encontram na proximidade”, concluiu.
Nos corais, de resto, o alarme parece soar cada vez mais alto. “O cianeto pode perturbar a simbiose que estes organismos têm com as suas microalgas e promover o branqueamento dos corais”, lamentou o investigador. Actualmente calcula-se que “cerca de 20% dos recifes do mundo já foram perdidos” e “outros 25% estão em perigo iminente de seguir o mesmo caminho”. Estima-se até que, por ano, “pelo menos 150 toneladas de cianeto” sejam “pulverizadas sobre os recifes de coral” localizados nas águas de países como as Filipinas, a Indonésia ou Taiwan. Quem o diz é Rui Ferreira, director-geral do SEA Life Porto, único aquário existente em Portugal de um dos maiores grupos do mundo no sector.

INDÚSTRIA COMO OBSTÁCULO? 
O parceiro da Universidade de Aveiro no projecto já não aceita qualquer peixe no qual tenha sido detectado cianeto. A intenção é clara – “acabar com essa prática de pesca destrutiva que ameaça gravemente a biodiversidade e o equilíbrio dos ecossistemas marinhos”.
E a rejeição é apenas possível graças ao método da Universidade de Aveiro, que permitiu igualmente atirar a bola para o lado da indústria e dos fornecedores de peixe. Embora reconhecendo ser “impossível intervir em cada barco de pesca e centro de recolha” e “garantir” que os peixes “não sejam capturados com recurso a cianeto”, Rui Ferreira acredita que “se está a dar o primeiro passo, muito importante, a partir do qual se vai poder aumentar a consciência de todos deste problema”.
A esperança, prosseguiu, assenta em fazer com que este novo teste congeminado por investigadores portugueses “não fique no laboratório e possa ter uma utilidade prática”. Em Julho, a SEA Life e a Universidade de Aveiro iniciaram uma parceria, que se prolongará durante o ano, que permitirá aos investigadores terem acesso a uma amostra “de todos os peixes que entram no grupo, a nível global” – a empresa dispõe de mais de 40 aquários, espalhados pela Europa e pelos EUA. A missão a “longo prazo” é “desenvolver um teste que possa ser utilizado nos países de origem das espécies marinhas”. Logo, a estratégia passará por cativar a adesão dos fornecedores e dos empresas do sector.
Ricardo Calado, de resto, está optimista. “Estamos seguros de que as empresas verdadeiramente empenhadas na sustentabilidade e na preservação dos recifes de coral estão bastante receptivas.” Caso contrário, “acabam também por ver o seu negócio afectado pela pesca com cianeto”, já que “os peixes poderão morrer alguns dias após a sua venda, afectando negativamente a percepção dos compradores”. Quanto a consequências para a saúde humana, o investigador assegurou que “até à data” os efeitos “associados à ingestão de peixe capturado com cianeto são ainda largamente desconhecidos”. Já Rui Ferreira afirmou desconhecer os custos envolvidos no sector aquariófilo português.


Fonte: Ionline




Paquete "Funchal" saiu da Navalrocha

O Paquete português FUNCHAL deixou a doca seca nº 1 da Navalrocha na madrugada de 13 de Agosto após uma permanência de 72 dias no estaleiro em trabalhos de reclassificação e modernização de forma a regressar aos cruzeiros internacionais ainda durante este mês de Agosto de 2013.


O FUNCHAL está atracado na Ponta da Rocha a finalizar os trabalhos de reparação e renovação dos interiores e deve sair esta semana para provas de mar ao largo da barra do Tejo. A saída para a Suécia está agora programada para 24 de Agosto de manhã.


Fonte: Ship and the Sea – Blogue de Navios e do Mar.
Texto/ Fotos: Luís Miguel Correia.

Paquete "Funchal" saiu da Navalrocha

O Paquete português FUNCHAL deixou a doca seca nº 1 da Navalrocha na madrugada de 13 de Agosto após uma permanência de 72 dias no estaleiro em trabalhos de reclassificação e modernização de forma a regressar aos cruzeiros internacionais ainda durante este mês de Agosto de 2013.


O FUNCHAL está atracado na Ponta da Rocha a finalizar os trabalhos de reparação e renovação dos interiores e deve sair esta semana para provas de mar ao largo da barra do Tejo. A saída para a Suécia está agora programada para 24 de Agosto de manhã.


Fonte: Ship and the Sea – Blogue de Navios e do Mar.
Texto/ Fotos: Luís Miguel Correia.

Tripulação de submarino indiano morre após explosão

Um submarino militar indiano sofreu hoje uma explosão, causando a morte de toda a tripulação.
Uma explosão foi hoje registada no submarino militar indiano INS Shindhu Rakshak ancorado em Mumbai, causando um incêndio quando 18 pessoas se encontravam a bordo, informou o Exército.
“A causa da explosão é desconhecida”, disse um porta-voz do Exército indiano Narendra Kumar Vispute.
O ministro da Defesa indiano anunciou que a explosão de um submarino militar que estava ancorado em Mumbai causou mortos e que aquele acabou por afundar.
“Sinto tristeza por pessoal da Marinha ter perdido a vida quando estava ao serviço do país”, disse o ministro indiano A.K Antony aos jornalistas em Nova Deli.

Fonte: Expresso.

Golfinhos do Sado. Uma gota de esperança num mar de desaparecidos

Nos últimos dias nasceu um novo golfinho no Estuário do Sado, trazendo esperança aos técnicos que todos os meses vêem a população diminuir. O i acompanhou a acção de monitorização anterior ao nascimento do Sapal

Uma nuvem de preocupação paira sobre a equipa que vigia os golfinhos do Sado. Passa pouco das nove da manhã na Doca do Comércio e o calor atinge os 29 graus. Raquel Gaspar e Marina Sequeira, biólogas da Reserva Natural do Estuário do Sado, entram no semi-rígido vermelho para mais uma acção de controlo da população de roazes (Tursiops truncatus). Comparam os números e concluem que desde o início do ano há seis que estão desaparecidos. “Alguns podem ter-se juntado aos que vivem na costa, outros, como o Asa e o Arpão, eram já muito velhotes?”, dizem, desvalorizando as ausências prolongadas. A população de golfinhos residentes em estuário é caso único em Portugal e raro na Europa.
Nos últimos anos o seu número estava até a aumentar. Em 2011, aliás, chegou quase às três dezenas, mas agora muitos são os que fogem. Hipóteses para explicar o mistério há algumas, mas nenhuma comprovada. Podem ter sido as análises para retirar as células dos golfinhos (biopsias) que os afugentaram? A possibilidade avançada pela empresa de observação de cetáceos Vertigem Azul é de imediato excluída pelas biólogas da reserva: “Foi de facto realizada uma biopsia ao Unicórnio, mas ele continua no grupo”, conta Marina Sequeira. Serão os barcos de recreio que aos fins-de-semana atravessam o rio? É preciso aprofundar ainda mais o estudo sobre as condições de vida destes animais para conseguir respostas, mas a inquietação da equipa acabou por ser minimizada com o nascimento de uma cria após o almoço.
Com a maré vazia e o rio esbranquiçado de alforrecas, o barco afasta-se na direcção da Lisnave, acabando por rumar ao novo cais dos ferries de Tróia. Após meia hora de viagem, duas barbatanas emergem junto à Caldeira. Quando Raquel avisa a tripulação já é tarde: “Estavam ali, pareceu-me ver dois. Estão a subir o estuário e não iam em grupo, devem andar à procura de comida.”
O barco segue na direcção indicada pela bióloga marinha, mas nem sinal dos golfinhos. Desta vez a experiência de vários anos falhou. Eles não estavam a subir o estuário, haviam ficado no sítio onde tinham sido avistados. É junto à Caldeira que, com a maré cada vez mais cheia, se começam a ver vários pares a emergir para respirar. Raquel identifica o primeiro: “Olha, lá está o Esquilo! É um macho que nasceu em 1996…” As repentinas aparições tornaram-se mais demoradas. Eram cada vez mais os golfinhos que rodeavam a embarcação. João Francisco, o vigilante que seguia ao leme com um chapéu branco da Santa Casa da Misericórdia e uns óculos de aviador, brinca: “Agora quase dá para apanhar à mão.”
A expressão fazia mais sentido no fim dos anos 80, quando a população de roazes residentes era de cerca de 40 elementos. “Agora é mais difícil avistá-los e a tendência é para serem cada vez menos. Os últimos quatro a desaparecer juntam-se ao Asa e ao Bocage, que estão fora do estuário desde o ano passado”, lamenta Pedro Narra, responsável pela Vertigem Azul, insistindo nas biopsias.
“No âmbito do plano para a salvaguarda e a monitorização da população residente de roazes do Instituto da Conservação da Natureza, estão a ser feitas biopsias para conhecer a genética e perceber o estado de saúde, mas não sabemos em que moldes isso está a ser feito”, diz Pedro Narra, adiantando que o desaparecimento dos últimos quatro coincide com “o início desta recolha de amostras”. Além da acção de biopsias, atribui as culpas ao aumento das embarcações que se deslocam para o Sado ao fim-de-semana “sem respeitar” o espaço dos roazes. Segundo este responsável, são cada vez mais as empresas não licenciadas que levam turistas a observar os golfinhos. Marina Sequeira garante que “neste momento não existem condições para uma fiscalização mais apertada” e alerta: “Se existem empresas ilegais, nós nunca as detectámos e por isso quem tiver conhecimento deve contactar–nos.”

DOS HOLOFOTES AO DESAPARECIMENTO

Há 14 anos, o Asa protagonizou um dos mais impressionantes momentos televisivos até hoje ao sobrevoar em directo o estuário do Sado içado por um helicóptero da Força Aérea Portuguesa. Hoje – com alguma idade e sem dentes – ninguém sabe dele há mais de um ano. Raquel Gaspar, a bióloga que na altura interrompeu o descanso de uma gravidez de risco para ajudar o golfinho que estava preso num esteiro, admite agora que pode ter chegado a sua vez: “Não nos podemos esquecer de que também morrem…”
“Olha o Escuro ali. Ele é que pode saber onde está o Asa, eram grandes amigos, andavam sempre juntos”, brinca, aligeirando aquilo que o responsável da Vertigem Azul diz ser uma anormalidade. “É normal haver casos de golfinhos que saem, vão ter com os costeiros e aparecem um ou dois anos depois, mas não me recordo de alguma vez terem desaparecido tantos em tão pouco tempo”, remata.
Às onze horas, o barco continua parado e as biólogas já identificaram outras 14 barbatanas. Variando no formato e nas marcas, são elas que permitem distinguir Ligeiro, Mr. Hook, Raiz, Cavalito, Serrote, Topo Cortado, Azul, Vitória, Batalha, Pirata, Moisés, Ácala, Tripé e Bisnau. É nesta altura que João Francisco se lembra de transmitir um recado às biólogas: “Disseram-me que têm andado três golfinhos perto da praia do Meco, será que…” Raquel aproveita a deixa para repetir que o desaparecimento de golfinhos não é nada tão negativo como diz o responsável da empresa Vertigem Azul.
Enquanto Raquel vai registando mais presenças, Marina Sequeira confirma que existem cada vez mais barcos de recreio no estuário aos fins-de-semana: “Da última vez que cá estive fiquei aflita só de pensar como é que os golfinhos poderiam vir à superfície respirar… Não havia espaço.” Para estes casos defende que tem de se apostar na sensibilização, algo que a reserva tem feito. “As pessoas acham piada, por exemplo, quando os golfinhos batem com a cauda na água porque estão habituadas a vê-los fazer isso nos delfinários, mas é um sinal de que querem ficar sozinhos”, diz, esclarecendo que “as pessoas devem respeitar isso e afastar-se”.
ESPERANÇA NO SADO Pouco antes da hora de almoço, os golfinhos reúnem-se todos e começam a saltar fora de água. “Há duas explicações: ou é uma brincadeira ou estão a chamar os outros por algum motivo”, explica Raquel Gaspar, que já os conhece desde 1994. A julgar pelas suas palavras, a resposta para esta felicidade pode muito bem ter sido a nova cria, que se apresentou aos turistas logo após o almoço – o Sapal. O golfinho representa a esperança para um estuário com cada vez menos residentes.
Quando o barco regressou à Doca do Comércio, cerca das 12h30, não se avistava qualquer sinal de golfinhos, o costume. “Às vezes até brincamos entre nós, dizemos que eles também têm hora de almoço”, diz Raquel.

Ao certo não se sabe há quantos anos vivem roazes no Sado, mas o registo mais antigo data de 1863 e dá conta de dois golfinhos. Na época foi o naturalista José Vicente Barboza du Bocage que presenciou o momento. Mais tarde, em 1890, foi capturado um roaz adulto no estuário, cujo esqueleto se encontra no Museu Zoológico da Universidade de Coimbra.” As razões que actualmente estão a conduzir à diminuição do número de roazes no Sado poderão vir a ser conhecidas quando, no âmbito do plano de acção do Instituto da Conservação da Natureza e da Biodiversidade, forem feitas análises à água e um estudo mais aprofundado sobre a evolução das condições de vida no Estuário. Até que isso aconteça esperam-se notícias do Asa, da Esperança – e da sua cria Nortada -, do Guilhas, do Arpão e do Bocage.

Fonte: IOnline