Turista atingida por baleia em vídeo


Um vídeo divulgado online mostra o momento em que uma baleia atingiu uma turista num barco ao largo de Baja Califórnia, no México.

A mulher, identificada apenas como Chelsea, fazia parte de um grupo de turistas que se juntaram numa embarcação para ir observar baleias.
Nas imagens ouvimos os guias turísticos a avisarem para terem cuidado com as baleias, enquanto o grupo vai rindo e gritando.
A certa altura, uma baleia fica muito próxima do barco e atinge a mulher.
Na descrição do vídeo lê-se que ninguém se magoou.


O novo mapa de Portugal que vai estar pendurado nas escolas

O presidente da República elogiou o novo mapa “Portugal é Mar”, uma carta que representa a realidade territorial do país e que permitirá aos jovens compreenderem que Portugal “é enorme” e que o “Portugal mar” tem “enormes potencialidades”.
“É uma iniciativa de um grande valor pedagógico, na medida em que vai dar às nossas crianças e aos nossos jovens a percepção da verdadeira dimensão de Portugal, que Portugal não é apenas uma estreita faixa costeira no ocidente da Península Ibérica, é também uma grande zona económica exclusiva”, afirmou o chefe de Estado, Aníbal Cavaco Silva.
O presidente da República – que falava depois da ministra da Agricultura e do Mar e do ministro da Educação terem feito uma breve apresentação do mapa “Portugal é Mar”, uma carta que retrata a realidade territorial do país, nomeadamente a sua dimensão marítima e inclui a proposta de Extensão da Plataforma Continental – sublinhou a dimensão da zona económica exclusiva portuguesa, que corresponde mais ou menos a 15 vezes o território do continente.

Festival do Choco em Setúbal até dia 9 de Março.

Durante quinze dias, 57 restaurantes de Setúbal aderem à quinzena gastronómica dedicada ao choco, onde é possível saborear esta iguaria de diferentes formas, além do tradicional “choco frito”. Choco assado com e sem tinta, ensopado, à antiga, em caldeirada, estufado, ao alhinho e de pitéu são apenas algumas das alternativas propostas.

Prato típico de Setúbal, o choco, sobretudo frito, é uma das atracções turísticas deste distrito da Região de Lisboa, um símbolo da sua história, tradição piscatória e cultura. Razões suficientes para não perder o Festival do Choco, de 22 de Fevereiro a 9 de Março.

Durante quinze dias, 57 restaurantes de Setúbal aderem à quinzena gastronómica dedicada ao choco, onde é possível saborear esta iguaria de diferentes formas, além do tradicional “choco frito”. Choco assado com e sem tinta, ensopado, à antiga, em caldeirada, estufado, ao alhinho e de pitéu são apenas algumas das alternativas propostas.

Pela sua envolvente natural, a história de Setúbal está intimamente ligada ao peixe, importante motor económico da região e actualmente um forte ex-libris da sua oferta turística.

No último dia do festival, dia 9 de Março, às 18h30, a Casa da Baía, em Setúbal, acolhe uma mostra e degustação de choco nas versões convencionais e gourmet a cargo da chef Fernanda Amaro. Esta sessão de live cooking requer inscrição até 5 de Março através do número de telefone 265 545 010 ou por email para gatur@mun-setubal.pt.

O Festival do Choco insere-se na iniciativa “Setúbal Terra de Peixe” que decorre de Fevereiro a Dezembro, com o objectivo de reforçar o posicionamento de Setúbal na rota gastronómica nacional, durante todo o ano, potenciando um recurso natural, em similitude com o apoio às estruturas empresariais da restauração.

É organizado pela Câmara Municipal de Setúbal em parceria com vários restaurantes do Concelho e a Casa da Baía de Setúbal, com o apoio das empresas Lallemand e Makro. 


Fonte: Rostos

Assunção Cristas quer juntar fundos europeus para investir no mar

Ponto de partida são os 400 milhões de euros do FEAMP, mas ministra da Agricultura e do Mar quer juntar a estes as verbas provenientes dos fundos da Coesão, do Desenvolvimento Territorial, da Competitividade. E as candidaturas directas de universidades e empresas.

O objectivo é colocar o mar no mapa dos portugueses, dos investidores estrangeiros e dos fundos europeus. Foi por isso que Cavaco Silva recebeu ontem o primeiro dos 100 mil mapas que o Governo vai distribuir por todas as salas de aula do país, do primeiro ao 12º ano.
A nova carta é muito diferente das que os alunos portugueses se habituaram a ver, com a imagem do rectângulo de terra continental mais os “dois quadrados” correspondentes às regiões dos Açores e Madeira. A partir de agora, o mapa representará – nas palavras do Presidente da República – “este Portugal azul” onde – como frisou a ministra da Agricultura e do Mar, Assunção Cristas – “97% é mar”.
Depois de receber Assunção Cristas e o ministro da Educação,  Nuno Crato, o Presidente da República, prometeu colocar o mapa num sítio visível no Palácio de Belém. Para que quem por ali passe perceba a “verdadeira dimensão de Portugal”.
O novo retrato de Portugal é mais um passo na Estratégia Nacional para o Mar. E, para além de potenciar a “identidade marítima” dos portugueses, pretende-se, segundo afirmou Assunção Cristas ao PÚBLICO, lembrar que “este Portugal-Mar tem enormes potencialidades”.
Depois de construídos os primeiros dois “pilares” da política para o mar – aprovação da Estratégia Nacional e aprovação da lei de bases do ordenamento e gestão marítima –, Assunção Cristas vira agora as suas atenções para o terceiro: o pilar financeiro.
A ministra quer “juntar os fundos europeus do Mar, da Coesão, do Desenvolvimento Territorial, da Competitividade” para “alavancar o investimento” em Portugal. “O regulamento do Fundo Europeu dos Assuntos Marítimos e da Pesca (FEAMP) ficou fechado há três semanas. Vai ter uma alocação maior, na ordem dos 400 milhões de euros [até 2020], mas a nossa ideia é fazer crescê-lo com outros fundos e com a participação de entidades e empresas”, afirma a ministra ao PÚBLICO.
Assunção Cristas não assume valores, porque as verbas podem “ir até onde as várias empresas e entidades possam ir”. Com “candidaturas directas” aos fundos europeus, seja para projectos de investimento, através de empresas portuguesas, seja de investigação, pelas universidades.
Tenciona entretanto aproveitar até ao fim as verbas que ainda tem disponíveis. “Ainda temos dinheiro no Promar”, reconhece a ministra, antes de admitir que apenas 45% deste programa foi executado. “Temos cento e tal milhões de euros para gastar e dois anos para o executar”, acrescenta.
Mas a procura de financiamento não se esgota nos fundos europeus. Para o segundo semestre deste ano está a preparar, juntamente com a AICEP, visitas a países com economias especialmente vocionadas para o mar. Aponta a Noruega e o Japão como alvos, porque “20% do PIB da Noruega provém do mar e o Japão é o país onde se consome mais peixe per capita”, assevera.
O objectivo é “apresentar oportunidades de investimento” a investidores desses países: “Nós temos assistido a um crescimento na área dos 20% em algumas áreas – por exemplo, nas conservas – e temos conseguido mais investimento na aquacultura, mas ainda há muito a fazer aí. Se pudermos ter investimento directo estrangeiro, será positivo.”
A ministra aponta como um passo importante para a atracção de investimento, a legislação entretanto aprovada e o consenso partidário aí conseguido. “No dia em que a nossa lei de bases do ordenamento e gestão marítima foi colocada no site europeu, o Japão traduziu-a imediatamente. A Noruega também já traduziu a nossa Estratégia Nacional para o mar”, revelou Assunção Cristas para dar uma ideia do interesse gerado.
É essencial para criar condições para o investimento”, disse, antes de se assumir “muito satisfeita por existir este consenso alargado” em relação ao diploma. “O Governo e o Parlamento – nomeadamente o PS –, todos queriam um resultado positivo nesta matéria”. Deu como exemplo o facto de o Governo ter aceitado a proposta do PS de limitar as concessões a 50 anos, quando o executivo apontava para os 65 anos.
A Estratégia Nacional para o Mar, estipulada para os próximos seis anos, define as políticas públicas em que o Governo pretende intervir. Na área dos recursos vivos, em que se incluem a pesca, a aquacultura, a indústria do pescado e a biotecnologia, nos recursos não vivos, como a energia e os minerais marinhos; investindo também nos portos, transportes e logística; potenciando o recreio, desporto e turismo; dando prioridade às obras marítimas; acautelando a protecção do meio marinho e da sustentabilidade; e assumindo a investigação científica e a tecnologia.
 
Os números da Estratégia para o Mar
15
Número de vezes a que corresponde o território nacional imerso, quando comparado com o território terrestre
42
Número de vezes a que passaria a corresponder o território marítimo, caso a proposta portuguesa de alargamento da plataforma continental venha a ser aceite pelas Nações Unidas
3,8%
Objectivo máximo de aumento do peso da economia do mar no PIB, a atingir até 2020, o que representaria um aumento de 50%
2,7%
Percentagem do PIB que representa a economia do mar actualmente
2,3%
Percentagem do emprego relacionado com as actividades marítimas
8000 milhões
Riqueza gerada pelo mar em Portugal num ano
400 milhões
Dotação em euros prevista pelo FEAMP até 2020

Fonte: Público

Shi Cheng, a Atlântida chinesa

Templos, arcos monumentais, estradas de pedras e casas ainda sobrevivem, 50 anos depois de terem sido invadidos por água, na Atlântida chinesa, Shi Cheng. A cidade, que chegou a ser o centro político e económico da província de Zhejiang, foi sacrificada em 1959, para dar lugar a uma barragem.
Agora, quando se encontra 31 metros debaixo de água, Shi Cheng prepara-se para receber novamente turistas – é isso que esperam os responsáveis da província.
Situada no lago Quiadao, a chamada Cidade dos Leões esteve 53 anos esquecida. Até agora: as autoridades estão a desenvolver um projecto levará mergulhadores a tornarem-se guias de Shi Cheng. É que quase todas as estruturas da cidade mantêm-se intactas, incluindo as escadas de madeira, pelo que não faltarão curiosos a esta visita.
Fonte: Greensavers.

Exploração do fundo do mar alarma cientistas

Além do esgotamento dos recursos pesqueiros, os ecossistemas dos fundos marinhos estão ameaçados pela exploração de minerais.

Cientistas americanos pediram uma cooperação internacional para preservar os ecossistemas do fundo do mar, cujas riquezas minerais e pesqueiras são cobiçadas pela indústria internacional.
“Estes ecossistemas cobrem mais da metade da Terra e, levando-se em conta sua importância para a saúde do nosso planeta, é imprescindível preservar sua integridade”, afirmou no domingo a directora do Centro de Biodiversidade Marinha e Conservação do Instituto Scripps de Oceanografia em San Diego (Califórnia, oeste dos Estados Unidos), Lisa Levin.
“A industrialização que dominou o século XX em terra se tornou uma realidade nas grandes profundezas marinhas”, advertiu Lisa, durante sua apresentação na conferência anual da Associação Americana para o Avanço da Ciência (AAAS, na sigla em inglês), celebrada neste fim de semana em Chicago (norte).
Com a duplicação da população mundial nos últimos 50 anos, a demanda por produtos alimentícios, de energia e de matérias-primas procedentes do oceano aumentou consideravelmente.
“Na medida em que esgotamos as reservas de peixes ao longo da costa, a indústria pesqueira está se voltando para as águas profundas”, prosseguiu a bióloga.
Além do esgotamento dos recursos pesqueiros, os ecossistemas dos fundos marinhos estão ameaçados pela exploração de minerais como o níquel, o cobalto e o cobre, afirmou, destacando que a exploração de combustíveis costuma ser realizada a mais de mil metros de profundidade.
Quadruplicar em 50 anos a demanda de energia já se traduziu na instalação de duas mil plataformas de petróleo em alto-mar.
O sector mineiro explora as profundezas marinhas em busca de minerais e terras raras essenciais para a electrónica – de telefones celulares a baterias para carros híbridos.
Segundo a pesquisadora, “já são vendidas concessões em vastas áreas de grandes profundidades oceânicas para extrair os recursos necessários à nossa avançada economia”.
Diante desta situação, ela pediu “uma cooperação internacional e a criação de uma entidade capaz de estabelecer uma governação para a gestão destes recursos”.
Para a directora do Laboratório Marinho da Universidade de Duke (Carolina do norte, sudeste), Cindy Lee Van Dover, “é imprescindível trabalhar com a indústria e os organismos de governação para implementar regulações ambientais progressivas e apoiadas na ciência antes de empreender estas actividades”.
“Em 100 anos, queremos que se diga que fizemos o que era certo”, acrescentou.
“A exploração mineira dos grandes fundos marinhos não pertence mais à ficção científica. Todos esses recursos de mineração existem… E temos feito avanços significativos na robótica que proporcionam um acesso sem precedentes” a eles, afirmou a cientista.
“Caberia perguntar se o valor do que se extrai é maior do que o dano ao ecossistema”, argumentou o director do programa sobre Políticas Oceânicas e Costeiras da Universidade de Duke, Linwood Pendleton.
Outras questões pendentes, segundo o pesquisador, passam por “como reparar os consideráveis danos já causados pela pesca de arrasto, a contaminação e outras actividades”.
“Devemos responder a essas questões científicas antes que se iniciem actividades industriais”, advertiu, destacando que os fundos marinhos alojam uma diversidade genética quase infinita e representam, portanto, uma fonte potencial de novos materiais e medicamentos.
Fonte: Exame.

Grande degelo do Árctico liberta parasita mortal para mamíferos


O acelerado degelo do Árctico, em consequência do aquecimento global, abre caminho a inéditos movimentos migratórios de agentes patogénicos, que representam um risco para os mamíferos marinhos e, potencialmente também, para os seres humanos, alertaram os cientistas.

«Com as mudanças climáticas, percebemos que existe uma possibilidade sem precedentes de que os agentes patogénicos migrem para novos ambientes e causem doenças», disse Michael Grigg, parasitólogo do Instituto de Alergias e Doenças Infecciosas (NIAID, na sigla em inglês) dos Estados Unidos.
«O gelo é uma enorme barreira ecológica para os agentes patogénicos, que ao aumentar as temperaturas no Árctico conseguem sobreviver e aceder a novos anfitriões vulneráveis que não desenvolveram imunidade contra estes micróbios e parasitas por não terem sido expostos a eles anteriormente», disse, durante uma conferência anual da Associação Americana para o Avanço da Ciência (AAAS), celebrada em Chicago.
Uma nova estirpe do parasita «Sarcocystis pinnipedi», até agora sequestrada no gelo, emergiu recentemente causando uma ampla mortalidade em focas cinzentas e outros mamíferos ameaçados no Árctico, como leões marinhos, morsas, ursos polares e ursos pardos no Alasca e até no sul da província canadiana da Columbia Britânica.
Outro parasita que está vulgarmente nos gatos, chamado «Toxoplasma gondii», foi encontrado em baleias brancas (belugas) em águas do Árctico, algo nunca visto, disse o cientista.
A descoberta, há alguns anos, provocou um alerta sanitário nas populações de esquimós que tradicionalmente comem a carne destas baleias, acrescentou.

"Mar" português ilustrado distinguido em Bolonha

“O design e a ilustração deste livro são o eco perfeito do tema marítimo”, disse o júri internacional sobre o livro com texto de Ricardo Henriques e ilustrações de André Letria (ed. Pato Lógico).
Mar, com texto de Ricardo Henriques e ilustrações de André Letria (ed. Pato Lógico), recebeu uma menção honrosa no Prémio Bologna Ragazzi 2014 na categoria de Não Ficção. Disse o júri internacional: “O design e a ilustração deste livro são o eco perfeito do tema marítimo. Tipografia e imagem estão belissimamente integradas através do uso da bicromia de preto e azul. O artista explora com eficácia os contrastes de escala. Há embarcações minúsculas a enfrentar enormes criaturas marinhas. Faróis que espalham o seu feixe de luz ao longo da página. O universo do mar está retratado em todas as suas dimensões, incluindo factos, personagens e folclore, numa experiência gráfica altamente gratificante.”
Para André Letria, que é também o editor da Pato Lógico, esta distinção “tem um peso especial por ser dada pelos pares, os profissionais do livro”, disse ao PÚBLICO. Martin Salisbury (professor de ilustração e ilustrador), Manuel Estrada (designer) e Laurence Tutello (livreiro) escolheram Mar entre dezenas de obras propostas pelas editoras que terão stands na Feira Internacional do Livro Infantil de Bolonha deste ano (24 a 27 de Março). “Para uma editora pequena, é garantia de visibilidade.”
Mar foi concebido como um “actividário: actividades+abecedário” para o público infanto-juvenil, e desde o seu lançamento, em 2012, já conseguiu um expressivo palmarés: menção no Prémio Nacional de Ilustração de 2013; Prémio Junceda Ibéria 2013 e Melhor Design na Categoria Infanto-Juvenil dos Prémios Ler/Booktailors.

O planeta Mar

A obra lança uma interrogação logo à partida: “Se o nosso planeta tem mais mar que terra, então porque é que não se chama planeta Mar?” Segue-se um alfabeto temático, com água por todos os lados. Começa precisamente com a definição de “água” e acaba com a de “zooplâncton”.
Para o autor do texto, que assim se estreia no mundo dos livros, o prémio “é um incentivo bastante simpático”, mas quer realçar: “O  by PsdChecker”>trabalho do André é mais preponderante. Os miúdos entram no livro pela ilustração e pela composição.”
Um projecto pensado em conjunto e bastante discutido em todos os pormenores. A co-autoria é assim apresentada: textos de Ricardo Henriques, “com bitaites de André Letria”; ilustrações de André Letria, “com alvitres de Ricardo Henriques”.
“Era para ter à volta de 32 páginas, mas eu entusiasmei-me e acabou em 56”, conta divertido. Aí, reconhece, valeu-lhe bastante o editor ser também designer e ilustrador: “O André sempre foi arranjando forma de encaixar as coisas.”
A escolha das palavras “marítimas” foi objecto de uma apurada investigação, mas a decisão de as integrar neste alfabeto nem sempre se regeu “pelo critério da importância”. Houve outros, como “a sonoridade” dos vocábulos. O autor recorda o caso de “bonasvolhas”. “Como o livro é infanto-juvenil, também pudemos brincar um bocadinho”, conta este apaixonado pelo mar e que quase foi para a Marinha.
Significado de “bonasvolhas”: “A maior parte dos remadores das galés eram prisioneiros inimigos ou pessoas condenadas a trabalhos forçados. Mais raros eram os voluntários com salários ou bonasvolhas, nome que vem do italianobuona voglia (de boa vontade), que deixavam crescer um tufo de cabelo no alto da cabeça para se distinguirem do resto da chusma” (pág. 9).

As palavras “excluídas indignadas”

No final, há uma “lista das excluídas indignadas”. São as palavras que não constam deste dicionário, como “cargueiro”, “naufrágio”, “ostra”, entre outras. E é assim que começa a reclamação: “Nós, palavras abaixo-assinadas, vimos por este meio expressar a nossa indignação extrema por termos sido excluídas deste actividário de fim-de-semana, um pasquim com entradas e nenhuma saída que merecia ir directamente para uma fogueira de santelmo (ao menos esse conseguiu entrar).”
“Sempre que fazemos listas, há os excluídos e pensámos que esta era uma forma divertida de não deixarmos esquecidas algumas outras palavras importantes e interessantes”, diz Ricardo Henriques, que vive indeciso entre “dois amores”. Herdou “o gosto pelo desenho da parte do pai e o gozo da escrita da parte da mãe”. Por isso, no seu percurso profissional, entram “design gráfico, ilustração, redacção publicitária e escrita para imprensa”. Agora, também a escrita para crianças e jovens. O próximo actividário com a sua assinatura tem “o futuro” como tema e será publicado em Junho.
Mar inspirou a decoração do stand infanto-juvenil da Feira Internacional do Livro de Bogotá, no ano passado, em que Portugal foi país convidado, e serviu de base às actividades dedicadas aos jovens durante a feira.
Os organizadores da feira de Bolonha consideram o Prémio Bologna Ragazzi “um dos mais prestigiados galardões do sector, uma vez que os editores de todo o mundo submetem as suas melhores obras a concurso, garantindo uma excepcional qualidade das candidaturas”. E explicam que “os livros premiados recebem uma enorme cobertura dos media”, sendo a “recepção aos vencedores um dos mais vibrantes momentos do calendário da feira”.
O Pato Lógico, que se apresenta como “um animal editorial que faz livros”, vai partilhar um stand nesta edição da feira com a editora Orfeu Negro (no seu segmento Orfeu Mini, destinado ao público infanto-juvenil).
Fonte: Público.

"Mar" português ilustrado distinguido em Bolonha

“O design e a ilustração deste livro são o eco perfeito do tema marítimo”, disse o júri internacional sobre o livro com texto de Ricardo Henriques e ilustrações de André Letria (ed. Pato Lógico).
Mar, com texto de Ricardo Henriques e ilustrações de André Letria (ed. Pato Lógico), recebeu uma menção honrosa no Prémio Bologna Ragazzi 2014 na categoria de Não Ficção. Disse o júri internacional: “O design e a ilustração deste livro são o eco perfeito do tema marítimo. Tipografia e imagem estão belissimamente integradas através do uso da bicromia de preto e azul. O artista explora com eficácia os contrastes de escala. Há embarcações minúsculas a enfrentar enormes criaturas marinhas. Faróis que espalham o seu feixe de luz ao longo da página. O universo do mar está retratado em todas as suas dimensões, incluindo factos, personagens e folclore, numa experiência gráfica altamente gratificante.”
Para André Letria, que é também o editor da Pato Lógico, esta distinção “tem um peso especial por ser dada pelos pares, os profissionais do livro”, disse ao PÚBLICO. Martin Salisbury (professor de ilustração e ilustrador), Manuel Estrada (designer) e Laurence Tutello (livreiro) escolheram Mar entre dezenas de obras propostas pelas editoras que terão stands na Feira Internacional do Livro Infantil de Bolonha deste ano (24 a 27 de Março). “Para uma editora pequena, é garantia de visibilidade.”
Mar foi concebido como um “actividário: actividades+abecedário” para o público infanto-juvenil, e desde o seu lançamento, em 2012, já conseguiu um expressivo palmarés: menção no Prémio Nacional de Ilustração de 2013; Prémio Junceda Ibéria 2013 e Melhor Design na Categoria Infanto-Juvenil dos Prémios Ler/Booktailors.

O planeta Mar

A obra lança uma interrogação logo à partida: “Se o nosso planeta tem mais mar que terra, então porque é que não se chama planeta Mar?” Segue-se um alfabeto temático, com água por todos os lados. Começa precisamente com a definição de “água” e acaba com a de “zooplâncton”.
Para o autor do texto, que assim se estreia no mundo dos livros, o prémio “é um incentivo bastante simpático”, mas quer realçar: “O  by PsdChecker”>trabalho do André é mais preponderante. Os miúdos entram no livro pela ilustração e pela composição.”
Um projecto pensado em conjunto e bastante discutido em todos os pormenores. A co-autoria é assim apresentada: textos de Ricardo Henriques, “com bitaites de André Letria”; ilustrações de André Letria, “com alvitres de Ricardo Henriques”.
“Era para ter à volta de 32 páginas, mas eu entusiasmei-me e acabou em 56”, conta divertido. Aí, reconhece, valeu-lhe bastante o editor ser também designer e ilustrador: “O André sempre foi arranjando forma de encaixar as coisas.”
A escolha das palavras “marítimas” foi objecto de uma apurada investigação, mas a decisão de as integrar neste alfabeto nem sempre se regeu “pelo critério da importância”. Houve outros, como “a sonoridade” dos vocábulos. O autor recorda o caso de “bonasvolhas”. “Como o livro é infanto-juvenil, também pudemos brincar um bocadinho”, conta este apaixonado pelo mar e que quase foi para a Marinha.
Significado de “bonasvolhas”: “A maior parte dos remadores das galés eram prisioneiros inimigos ou pessoas condenadas a trabalhos forçados. Mais raros eram os voluntários com salários ou bonasvolhas, nome que vem do italianobuona voglia (de boa vontade), que deixavam crescer um tufo de cabelo no alto da cabeça para se distinguirem do resto da chusma” (pág. 9).

As palavras “excluídas indignadas”

No final, há uma “lista das excluídas indignadas”. São as palavras que não constam deste dicionário, como “cargueiro”, “naufrágio”, “ostra”, entre outras. E é assim que começa a reclamação: “Nós, palavras abaixo-assinadas, vimos por este meio expressar a nossa indignação extrema por termos sido excluídas deste actividário de fim-de-semana, um pasquim com entradas e nenhuma saída que merecia ir directamente para uma fogueira de santelmo (ao menos esse conseguiu entrar).”
“Sempre que fazemos listas, há os excluídos e pensámos que esta era uma forma divertida de não deixarmos esquecidas algumas outras palavras importantes e interessantes”, diz Ricardo Henriques, que vive indeciso entre “dois amores”. Herdou “o gosto pelo desenho da parte do pai e o gozo da escrita da parte da mãe”. Por isso, no seu percurso profissional, entram “design gráfico, ilustração, redacção publicitária e escrita para imprensa”. Agora, também a escrita para crianças e jovens. O próximo actividário com a sua assinatura tem “o futuro” como tema e será publicado em Junho.
Mar inspirou a decoração do stand infanto-juvenil da Feira Internacional do Livro de Bogotá, no ano passado, em que Portugal foi país convidado, e serviu de base às actividades dedicadas aos jovens durante a feira.
Os organizadores da feira de Bolonha consideram o Prémio Bologna Ragazzi “um dos mais prestigiados galardões do sector, uma vez que os editores de todo o mundo submetem as suas melhores obras a concurso, garantindo uma excepcional qualidade das candidaturas”. E explicam que “os livros premiados recebem uma enorme cobertura dos media”, sendo a “recepção aos vencedores um dos mais vibrantes momentos do calendário da feira”.
O Pato Lógico, que se apresenta como “um animal editorial que faz livros”, vai partilhar um stand nesta edição da feira com a editora Orfeu Negro (no seu segmento Orfeu Mini, destinado ao público infanto-juvenil).
Fonte: Público.

O Mar – um valor para o futuro

O meio marinho é um elemento indispensável à vida na Terra, importante fonte do oxigénio que respiramos, e com um papel determinante no clima. É também um ativo precioso, uma importante fonte de prosperidade económica, bem-estar social e qualidade de vida.
Após ratificação (1997) da Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar, que estabeleceu um novo quadro jurídico para a delimitação do mar territorial, da plataforma continental e ZEE, Portugal assumiu responsabilidades numa das áreas marítimas mais extensas da Europa, e a maior da União Europeia, com uma dimensão 18 vezes superior ao seu território nacional.
Na atual situação de escassez, desalento, descrença e de futuro incerto que o nosso país enfrenta, decorrente de um desequilíbrio das contas públicas e de uma crise de financiamento, que tem impedido o crescimento económico, a posição geostratégica do espaço marítimo sob soberania nacional pode e deve ser um fator diferenciador do país.
Uma leitura do relatório O Hypercluster da Economia do Mar, elaborado pela SAER (Sociedade de Avaliação Estratégica e Risco), em 2009, alertava decisores políticos e económicos para a falta de visão de futuro e de estratégia a prazo, no sentido de tirar o máximo partido das excelentes condições e potencialidades com que a Natureza nos contemplou.
É notório o fosso existente entre tanta extensão deste recurso, e sua privilegiada localização estratégica, e a fragilidade da sua atual exploração. O potencial de oportunidades de desenvolvimento económico que o meio marinho engloba, enquanto base de atividades da mais diversa natureza como pesca, prospeção e exploração de recursos geológicos, biotecnologia, produção de energia, turismo, desportos náuticos, entre outras, permite desenvolver uma economia marítima próspera e deixarmos de ser um país eternamente adiado.
Se o mar deve ser um desígnio nacional, como se ouve e lê, não pode viver de mandatos a prazo (leia-se legislaturas). Deve ser formulada uma política marítima abrangente, ambientalmente sustentável, apoiada na investigação científica marinha, tecnologia e inovação. Esta política marítima tem de ser consensual (ou então não vale a pena), entre os partidos políticos, em especial entre os que fazem parte do arco governativo.
Portugal, país com longa tradição marítima, tem múltiplas razões económicas e sociais para continuar a considerar o mar como setor prioritário. Outras existem, como a tradição histórica e as condicionantes que forçaram Portugal a lançar-se, com grande coragem e empreendedorismo, na aventura das descobertas, no séc. XV. Na cultura portuguesa, o mar é uma parcela do património da identidade e da dignidade histórica nacional.
Integração europeia, fundos estruturais e a cicatriz ainda mal curada da colonização (ligada ao mar e ao passado) conduziram ao desinteresse pelo mar.
Naturalmente, sem nos desligarmos da Europa, o país necessita de tirar proveito de toda esta riqueza desperdiçada. Mais vale tarde do que nunca.
Docente da Faculdade de Economia e Gestão da Universidade Católica Portuguesa, no Porto. A autora escreve segundo o Acordo Ortográfico
Fonte: Público