Maersk fecha 2025 com o pior resultado em cinco anos e entra em 2026 sob pressão.

A A.P. Møller-Maersk encerrou 2025 com um sinal de alerta para o transporte marítimo de contentores: apesar de ter aumentado os volumes movimentados, a rendibilidade deteriorou-se de forma acentuada, empurrando a empresa para o pior desempenho dos últimos cinco exercícios.

Em termos de receitas, o grupo registou 53.988 milhões de dólares, uma descida de 2,7% face a 2024, mas o recuo mais pesado ocorreu nos resultados: o lucro líquido ficou em 2.915 milhões de dólares, cerca de metade do ano anterior, com a margem operacional (EBIT) a cair para 6,5% (11,7% em 2024). A leitura interna aponta para uma mudança clara na relação entre oferta e procura no shipping, com a “sobrecapacidade” a empurrar os fretes para baixo e a expor a fragilidade dos margens num negócio cada vez mais competitivo. A Maersk admite que o mercado de 2026 terá “muitos ventos contra”, num quadro em que se somam a incerteza geopolítica, o risco de guerras tarifárias e a normalização gradual de rotas no Mar Vermelho, um regresso que, ao encurtar viagens, devolve capacidade efectiva à frota mundial e tende a pressionar ainda mais os preços.

Do lado operacional, a empresa termina o ano com uma taxa de utilização da frota de 94%, associada ao seu modelo de cooperação (Gemini), mas isso não impediu o abrandamento da divisão marítima: o grupo estima que o preço médio do frete desceu 17% em 2025, penalizando o coração do negócio. Nesta área, a facturação recuou para cerca de 35.000 milhões de dólares e o EBIT caiu para 1.400 milhões, com a margem a descer para 4%.

A resposta da Maersk passa por contenção de custos e ajustamentos de estrutura. Entre as medidas anunciadas está um corte de 15% na equipa corporativa, cerca de mil postos de trabalho, e uma redução anual de custos corporativos estimada em 180 milhões de dólares. Em paralelo, a empresa quer reduzir a dependência do mercado spot, procurando reforçar o peso de contratos de maior duração na sua actividade.

Porto de Sines recua em 2025: meteorologia, paragens industriais e tensão laboral pesaram nos resultados.

O Porto de Sines fechou 2025 com um abrandamento da actividade face ao ano anterior, somando 42,1 milhões de toneladas movimentadas, o que traduz uma quebra de 12%. Depois de um 2024 particularmente forte, o balanço do ano passado fica marcado por vários factores que, em momentos distintos, condicionaram a operação e acabaram por se reflectir nos principais segmentos de carga.

Entre os elementos apontados está o impacto das condições atmosféricas adversas, com períodos em que a operação de navios foi impossível ou ficou fortemente limitada. No total, são referidos 26 dias em que a actividade sofreu constrangimentos relevantes, num quadro descrito como atípico para o porto e com efeitos directos na fluidez das escalas. Nos granéis líquidos, o recuo teve também uma componente industrial. A paragem técnica na refinaria da Galp, no último trimestre do ano, é indicada como um dos factores determinantes, contribuindo para uma redução na ordem dos três milhões de toneladas face a 2024. Ainda assim, há expectativas mais favoráveis para 2026, enquadradas na requalificação do terminal, com o objectivo de o adaptar à movimentação de novos combustíveis verdes e, com isso, aumentar capacidade e flexibilidade operacional.

Também a carga contentorizada registou descida. O terminal de contentores de Sines fechou o ano com 1,7 milhões de TEU, menos 10% do que em 2024, num desempenho em que é referida instabilidade laboral ao longo de 2025, embora com indicação de que a situação terá ficado ultrapassada no final do ano. Dentro do mesmo segmento, a componente de importação e exportação registou, contudo, um crescimento de 4%, sinalizando resiliência no tráfego mais ligado à economia real e ao hinterland. No gás natural liquefeito, o balanço é de continuidade, com o terminal a manter níveis semelhantes aos do ano anterior e a assegurar a esmagadora maioria do abastecimento nacional.

No conjunto, 2025 acaba por confirmar um ano mais exigente para Sines, com condicionantes operacionais, industriais e laborais a pesarem no resultado final, num contexto em que 2026 é encarado como um ponto de viragem para recuperar estabilidade e retomar trajectória de crescimento.

APS e México consolidam corredor marítimo.

Os portos de Sines e Coatzacoalcos formalizaram um Protocolo de Cooperação para o desenvolvimento de um corredor marítimo entre Portugal e o México, reforçando a ligação transatlântica e o papel estratégico de Sines.

Esta parceria, no âmbito do Memorando de Entendimento entre os dois países, aposta no crescimento do tráfego marítimo, com destaque para o GNL, e abre novas oportunidades nas áreas da inovação, sustentabilidade e transformação digital.Sines continua a ligar o Atlântico ao mundo, posicionando-se como hub estratégico para as exportações mexicanas para a Europa.

Sines faz história com a primeira operação “ship-to-ship” de GNL em Portugal.

O Porto de Sines concretizou a primeira operação de abastecimento de Gás Natural Liquefeito (GNL) entre dois navios, por meios flutuantes, realizada em Portugal, num passo que reforça o seu papel como plataforma energética e logística.

A manobra, conhecida como “ship-to-ship” (navio-a-navio), decorreu no Terminal de Contentores de Sines e envolveu um porta-contentores da MSC, o “MSC Tongo”, abastecido pelo navio “Avenir Aspiration”, numa operação realizada enquanto o navio se encontrava a trabalhar no terminal.

Segundo a Administração dos Portos de Sines e do Algarve (APS), foram transferidos cerca de 5.400 metros cúbicos de GNL, o equivalente a 2.376 toneladas, numa operação que exigiu o cumprimento rigoroso de normas e procedimentos internacionais de segurança. No processo estiveram envolvidos, em diferentes fases, as tripulações de ambos os navios, o operador do terminal (PSA Sines), a autoridade portuária e a autoridade marítima, com apoio local assegurado pelo agente Wilhelmsen Port Services. O fornecimento foi garantido pela Axpo, empresa com experiência neste tipo de operações, e a Reboport teve um papel relevante nas manobras de atracação.

A APS sublinha que o gás natural é encarado como um combustível de transição no caminho da descarbonização, num contexto em que cresce o número de encomendas de navios, incluindo porta-contentores, preparados para operar a GNL. Esta estreia demonstra capacidade para disponibilizar combustíveis alternativos, reduzir emissões e reforçar a integração do porto em corredores marítimos verdes, consolidando a ambição de se afirmar como “hub” internacional de referência.

Comandante do Solong condenado por homicídio por negligência após colisão no Mar do Norte em 2025.

O comandante do porta-contentores Solong, Vladimir Motin, foi considerado culpado de homicídio por negligência na sequência da colisão ocorrida no Mar do Norte no ano passado, que resultou no desaparecimento de um tripulante, entretanto dado como presumivelmente morto.

De acordo com a investigação, Vladimir Motin era o único membro da tripulação de serviço na ponte no momento em que o Solong colidiu com o petroleiro Stena Immaculate, numa circunstância que levantou sérias questões sobre vigilância, cumprimento dos procedimentos de segurança e gestão da navegação. O impacto levou a uma situação de emergência a bordo, culminando no desaparecimento de um marinheiro, cujo corpo nunca chegou a ser recuperado.

O tribunal considerou que a ausência de uma vigia adequada e a falha em assegurar uma navegação segura constituíram negligência grave, com consequências fatais. O caso voltou a colocar no centro do debate a importância do cumprimento rigoroso das regras de quarto, da redundância de vigilância em áreas de tráfego intenso e da responsabilidade individual dos comandantes na prevenção de acidentes marítimos.

A colisão no Mar do Norte é agora vista como mais um alerta para os riscos associados à fadiga, à escassez de tripulação na ponte e à pressão operacional no transporte marítimo, num sector onde pequenos desvios aos procedimentos podem ter consequências irreversíveis.

UE pondera travões a capital estrangeiro nos portos por razões de segurança.

A União Europeia está a avaliar a introdução de restrições à propriedade e ao controlo estrangeiro em portos, no âmbito de uma revisão mais ampla dos riscos de segurança associados a infraestruturas críticas.

A iniciativa surge numa fase em que Bruxelas procura reforçar a “segurança económica” e a resiliência das cadeias de abastecimento, olhando para os portos não apenas como activos comerciais, mas como nós essenciais para a continuidade logística, a defesa e a autonomia estratégica. Na prática, o debate aponta para critérios mais exigentes no rastreio de investimento directo estrangeiro, com maior escrutínio sobre aquisições, participações relevantes e concessões que possam traduzir influência efectiva na gestão, no acesso a dados, na operação de terminais ou em decisões estratégicas.

O objectivo é reduzir vulnerabilidades, sobretudo quando estão em causa investidores de países considerados de risco, num contexto de crescente competição geopolítica e de maior sensibilidade a temas como espionagem, sabotagem, pressão económica e dependências críticas.

Movimentação portuária na China cresce 4,2% em 2025.

A movimentação total de carga nos portos marítimos e fluviais da China aumentou 4,2% em 2025 face ao ano anterior, alcançando 18,3 mil milhões de toneladas, num sinal de resiliência da actividade logística e industrial ao longo do ano.

O ritmo de crescimento manteve-se no final de 2025, com os volumes de transbordo em Dezembro a subirem 2,2% em termos homólogos, para 1,58 mil milhões de toneladas. De acordo com dados do National Bureau of Statistics of China, os portos marítimos costeiros foram o principal motor desta evolução. No conjunto dos 12 meses, a carga movimentada nestes portos avançou 3,7%, para 11,63 mil milhões de toneladas, reflectindo procura sustentada associada ao comércio externo e a fluxos de trânsito.

Em Dezembro, os portos marítimos chineses processaram 986 milhões de toneladas de carga, mais 3,8% do que no mesmo mês do ano anterior. Os números sugerem uma operação estável das infraestruturas portuárias e um nível de actividade consistente nos sectores da logística e da indústria, num contexto em que a China continua a concentrar uma parcela determinante dos fluxos globais de mercadorias

Maersk e Hapag-Lloyd afastam receios e apontam ganhos no 1°ano da Cooperação Gemini.

A Maersk e a Hapag-Lloyd fazem um balanço positivo do primeiro ano da cooperação Gemini, assegurando que os principais riscos apontados à nova aliança, desde a complexidade operacional até à fiabilidade de rede, não se materializaram na escala temida.

Pelo contrário, as duas transportadoras indicam que já se notam melhorias na rentabilidade e que estão previstas novas optimizações ao longo deste exercício, sem mexer na cobertura global da rede. Segundo a Hapag-Lloyd, a fiabilidade de programação alcançada neste período ficou “significativamente acima” do que era habitual, superando os 90% e estabelecendo um novo patamar para o serviço. O modelo operacional assenta numa lógica “hub and spoke”, concentrando fluxos em terminais centrais para reduzir pontos de falha, estabilizar escalas e ganhar previsibilidade na cadeia logística. Do lado da Maersk, responsáveis da empresa admitem que o primeiro ano terá mesmo excedido algumas expectativas iniciais, defendendo que a estratégia passa por afinar processos e ligações sem alterar o desenho-base da rede.

A Hapag-Lloyd acrescenta que o reforço de investimento em terminais é parte do suporte à fiabilidade prometida, numa altura em que os clientes valorizam cada vez mais previsibilidade do que apenas capacidade disponível

Maersk estreia porta-contentores de 9.000 TEU com motor a metanol.

A Maersk recebeu o primeiro navio de uma nova série de porta-contentores de 9.000 TEU, dando mais um passo no programa de renovação de frota e na estratégia de transição energética da companhia.

A embarcação, baptizada Tangier Mærsk, é a primeira de seis unidades desta classe, todas equipadas com motores dual fuel, capazes de operar a metanol e combustíveis marítimos convencionais. A construção ficou a cargo do estaleiro chinês Yangzijiang Shipbuilding Group, com a Maersk a indicar que estes navios vêm reforçar a competitividade de longo prazo e substituir capacidade mais antiga na frota. No arranque da operação comercial, o Tangier Mærsk deverá escalar Shanghai antes de entrar no serviço TP15, que liga a Ásia Oriental à Costa do Golfo dos EUA via Panama Canal.

Quanto ao calendário de entregas, a Maersk prevê receber as restantes embarcações ao longo de 2026, ficando a última unidade apontada para o início de 2027, consolidando esta nova classe como peça intermédia e flexível na rede global do armador, num momento em que o sector acelera a adopção de combustíveis alternativos e tecnologia de redução de emissões.

Foto: Maersk

CMA CGM junta-se à Stonepeak e cria a United Ports LLC.

A CMA CGM formalizou um acordo com a norte-americana Stonepeak para lançar a United Ports LLC, uma plataforma dedicada à exploração e investimento em terminais de contentores, avaliada em cerca de 8,45 mil milhões de euros.

A Stonepeak entra com cerca de 2,03 mil milhões de euros para ficar com 25% do capital, enquanto a CMA CGM mantém 75% e preserva o controlo operacional dos activos. A joint-venture arranca com um portefólio de 10 terminais já operados pelo grupo francês, incluindo activos considerados estratégicos nos Estados Unidos, como o Port Liberty e a Fenix Marine Services.

O pacote integra ainda infraestruturas em Espanhaz entre elas CSP Valência e CSP Bilbao, além de terminais no Brasil e na Ásia, reforçando a presença do grupo em corredores marítimos de grande rotação. O acordo prevê também a possibilidade de a Stonepeak investir até cerca de 3,04 mil milhões de euros adicionais em futuros projectos de terminais.

A operação surge num contexto em que as grandes transportadoras procuram consolidar activos em terra e reduzir a dependência exclusiva do frete marítimo, com a conclusão apontada para o segundo semestre de 2026, sujeita às aprovações habituais.