Mexilhão: Um alimento milagroso?

Para além de barato, o mexilhão é fácil de preparar, não demora muito tempo a ficar cozinhado, é sustentável e ainda traz vários benefícios à saúde. Reunidas estas características, chamar “milagre” a este alimento não será um disparate assim tão grande.

Não são precisas muitas explicações para se ficar fã deste bivalve. Lavar em água corrente, colocar na panela sob um refogado, esperar que abram e já está. Esta é uma das formas de prepará-los. Simples, rápida e saborosa.
São encontrados sobretudo em rochas sob uma espécie de cama que liga cada bivalve a outro. Os pescadores usam ancinhos para os capturar, mas nem isso os destrói (se causar danos, estes serão mínimos), tal é a força da sua união.
No que toca à sustentabilidade, o crescimento destes moluscos é aquilo que para tal mais contribui. Porque tal como a preparação, também a reprodução do mexilhão selvagem é rápida.
Mas entre mexilhões de aquacultura ou selvagens, a escolha recai sobre os primeiros. Porquê? É simples: a aquacultura deste molusco é muito pouco dispendiosa, tendo em conta que não necessitam de fertilizantes nem de comida. E os mexilhões ainda limpam os oceanos, uma vez que removem algumas partículas tóxicas da água enquanto comem, o que equilibra os níveis de oxigénio.
No que à saúde humana diz respeito, o mexilhão também dá uma mãozinha. É rico em ómega 3 (quase tanto quanto o salmão), proteína, vitaminas C e B12, ferro e zinco. E isto significa um risco de inflamação reduzido, imunidade fortalecida, probabilidades mais baixas de desenvolver certos tipos de cancro, melhor funcionamento do cérebro, entre tantos outros benefícios.

E POR CÁ, O MEXILHÃO TAMBÉM MEXE

Em Dezembro de 2014, Portugal tornou-se o primeiro país mediterrânico com mexilhões sustentáveis. A certificação internacional foi concedida pela Marine Stewardship Council (MSC) a uma empresa algarvia, a Companhia de Pescarias do Algarve.
Simples, saboroso, sustentável. Os três “s” que melhor definem este molusco. A estes, pode acrescentar-se um “p”, de português. Se é realmente milagroso não sabemos. Mas que parece bom demais para ser verdade, lá isso parece.

Fonte: Visão

Há mais emprego qualificado no Mar

No 1 de abril cruzou-se a barreira. No fã nº 1 de peixe da União Europeia, Portugal, a Plataforma de Organizações Não Governamentais Portuguesas fez ver que, se apenas consumíssemos pescado de águas nacionais, o resto do ano seria vegetariano ou à base de carne. O alerta tentou sensibilizar para um consumo sustentável mas também para a necessidade de diversificar a oferta e certificar a origem dos produtos marítimos. Por outro lado, pode ser visto como um ‘olá’ à aquacultura. O problema não é unicamente português. A urgência de novas formas de ver e explorar o mar está na ordem do dia e do mundo. Prova disso é que, esta semana, as Nações Unidas debatem-no em Nova Iorque, por ocasião do Dia Mundial dos Oceanos (quinta-feira).

DE ONDE VEM E PARA ONDE VAI

Foi a pensar em como as novas tecnologias poderiam ter impacto na indústria marítima tradicional que a Bitcliq conseguiu espaço no mercado. A empresa das Caldas da Rainha especializou-se no desenvolvimento de software, focando-se na rastreabilidade digital, um pouco por acaso. “Éramos quatro engenheiros [em 2014], e lançaram-nos o desafio de gerir uma frota [pesqueira] no Gana. Era um projecto em que outras grandes empresas já tinham falhado”, relata Pedro Manuel, sócio fundador da Bitcliq, para explicar em que consiste o Smart Fishing Software. O sistema fornece aos gestores de frotas informações em tempo real para uma visão global sobre as operações em terra e no mar. “Hoje trabalhamos com tecnologia que pesca 30 mil toneladas e estamos a entrar no mercado asiático”, actualiza o engenheiro.
O crescimento explica-se pela procura crescente de tecnologias que permitam obter informação sobre a origem e características do produto, a par da urgência da sustentabilidade do mar. Está-se a “acrescentar transparência na cadeia de valor, o que é uma exigência cada vez maior por parte de quem consome”, afirma. Para sustentar a expansão, a empresa terá de duplicar, a curto prazo, a equipa técnica, prevendo contratar mais 10 engenheiros de software, mas também investindo nas áreas comercial e de marketing. “Há muita concorrência a nível global”, justifica o director executivo.

MEGAPARQUE, MICROALGAS

Longe de guelras e barbatanas, “o contributo da economia do mar é muito baixo para o seu potencial”, tanto porque as suas profundezas são um lugar inóspito como por razões que se desconhecem, na opinião de Sérgio Leandro, do Instituto Politécnico de Leiria (IPL), que abordará mais adiante as movimentações em torno do mar de Peniche. Se “mais facilmente se foi à Lua do que ao fundo do oceano”, como diz, parece não haver ‘desculpas’ para não explorar os recursos junto à costa.
É sob este pensamento que, ainda antes do verão, começa a ser construído o parque Algatec, no concelho de Vila Franca de Xira. Nos 14 hectares onde, até aos anos 50, foi explorado sal e, mais tarde, o grupo Solvay desenvolveu aquacultura, vão crescer diferentes espécies de microalgas, culminando naquilo que será um dos maiores centros de produção a nível europeu. Estima-se que este campo aquático, com vista para a cosmética, a área alimentar ou os biocombustíveis, consuma 2000 toneladas de dióxido de carbono por ano.
A escolha geográfica não foi aleatória. “Era preciso sol e água”, concretiza Nuno Coelho, da A4F, a entidade gestora do parque. Mas também são precisas pessoas. Pela dimensão do projecto, a empresa antevê a contratação de 100 profissionais nos próximos 18 meses — 10 para a equipa laboratorial, 40 para áreas operacionais e de manutenção e 50 mestrados e doutorados em diferentes engenharias, como a biológica, a química ou a mecânica. “Já trabalhámos numa das maiores unidades do mundo de produção de microalgas, e as pessoas conhecem-nos e querem trabalhar connosco”, diz Nuno Coelho. Ao mesmo tempo, “a oferta de trabalho nesta área não é muita”, pelo que o responsável não prevê dificuldades no recrutamento, suportado tanto pela empresas como, espera-se, pelos apoios advindos do Portugal2020 e do Mar2020.

START ME UP

Voltando à zona oeste, se Peniche ficou famosa pelas ondas do surf, também quem lá estuda tem os olhos voltados para o mar. É pelo menos esta a versão de Sérgio Leandro, da Escola Superior de Turismo e Tecnologia do Mar (integrado no IPL), que explica que, “por causa do espírito empreendedor dos estudantes”, começaram a surgir empresas ligadas à ‘economia azul’. Foi por isso que o Biocant, a Docapesca, o IPL e a Câmara Municipal de Peniche concertaram a intenção de investir cinco milhões de euros para a criação de um parque tecnológico em instalações devolutas junto ao porto da cidade.
As actividades piscatórias começam, assim, a conviver com empresas de inovação tecnológica, como a Pen Wave, que em pouco mais de dois meses angariou 20 a 30 clientes interessados nas suas microalgas e pequenos crustáceos; ou a I&D Food, consultora em projectos de investigação ligados ao mar que, em menos de um ano, faz consultoria para uma centena de clientes e análises laboratoriais para 500. As duas startups empregam mais de 10 trabalhadores qualificados, e o crescimento é uma forte probabilidade.

Fonte: Expresso

Índia: Portos abastecidos a 100% com Energia Verde.

Ainda que a sustentabilidade e as mudanças climáticas sejam assuntos importantes e em pauta há décadas, nem todos os países concordam sobre as medidas a serem tomadas para suavizar o impacto da humanidade no planeta. Enquanto os EUA saem de um dos maiores acordos do ramo, depois da decisão tomada por Donald Trump, a Índia vai pelo caminho contrário e mostra o que é possível fazer quando há um foco nas soluções de energia verde.
Num anúncio feito na semana passada, o governo local explicou que todos os 12 grandes portos do país serão alimentados 100% por fontes de energia renováveis – mais especificamente instalações eólicas e solares. A ideia é que, até 2019, o sistema consiga gerar cerca de 200 megawatts de energia para as docas, com esse número podendo saltar para até 500 megawatts nos anos seguintes.
Desse montante a expectativa é que 75% de toda a alimentação seja feita por painéis solares, enquanto o restante deve originar-se num parque eólico instalado na costa do país. “Esses projectos de energia renovável vai ajudar na redução da emissão de carbono e levar a melhorias ambientais em torno dos portos”, analisou o governo indiano ao comentar o assunto.
O facto de os portos da região serem financeiramente autos-sustentáveis ajuda bastante na implementação dessa empreitada. Isso porque, como já era de se imaginar, o custo das mudanças na infraestrutura não é nada baixo. Estimativas iniciais sugerem que a brincadeira não deve sair por menos de 77,6 milhões de dólares aos cofres públicos. A vantagem é que, uma vez que o novo sistema estiver funcional, será possível economizar uma soma considerável nos gastos feitos junto à rede eléctrica convencional.

Correntes de Retorno: O "truque" mais mortal dos Oceanos

Já deve ter ouvido falar nas perigosas correntes de retorno. Se não ouviu, preste muita atenção. Elas são um dos maiores perigos para banhistas em todo o mundo. Estas correntes são fluxos de água que saem das praias em direcção ao mar, e aumentam de velocidade subitamente. Pior: elas geralmente localizam-se entre ondas violentas e parecem uma parte calma do mar, o que pode seduzir banhistas inexperientes. Quem estiver dentro de uma e não souber o que fazer pode correr sério risco de vida. A cada ano, mais de 100 banhistas afogam-se nos EUA devido às chamadas correntes de retorno, canais de água fortes que puxam os nadadores para longe da costa, de acordo com a associação de salva-vidas dos EUA (USLA). Não há uma estatística que mostre quantas mortes no Brasil estão relacionadas a este fenómeno, mas casos também já foram registados.
Quase metade de todos os resgates feitos por salva-vidas em praias oceânicas no mundo estão relacionados com correntes de retorno, de acordo com a USLA. Para se ter uma ideia, os tubarões tipicamente matam apenas cerca de seis pessoas por ano em todo o mundo.

Como elas funcionam

Uma percepção comum é que estas correntes puxam nadadores para debaixo de água; na realidade, elas são correntes fortes e estreitas que fluem para longe da praia. “Essencialmente, elas são rios dentro do mar”, diz Wendy Carey, especialista em perigos costeiros do Delaware Sea Grant Advisory Service, da Universidade de Delaware, nos EUA. “As pessoas começam a afundar por causa do pânico, e sentem que a corrente está puxando-as para baixo”,explica Carey. 
“Não há nenhuma corrente que o puxará para baixo no oceano”, garante. 
Existem muitos tipos diferentes de correntes de retorno, e elas formam-se de várias maneiras. Alterações rápidas na alturas das ondas, que ocorrem quando um grande conjunto de ondulações acontece, pode desencadear uma corrente de retorno. Elas também podem ocorrer em pontos onde há uma ruptura num banco de areia. Lá, a água é praticamente jogada numa espécie de funil para fora ao mar. Estes canais em bancos de areia ficam perto da praia. Quando a água retorna ao oceano, segue o caminho de menor resistência, que é tipicamente através desses canais. Fortes correntes de retorno também muitas vezes aparecem ao lado de estruturas como cais e molhes (longas e estreitas estruturas que se estende em direcção ao mar),explica Carey. Ondas quebrando são os ingredientes chave para todas as correntes de retorno. “Se não houver ondas quebrando, não haverá correntes de retorno”, diz Carey. O risco de se deparar com correntes de retorno é determinado por muitos factores, incluindo o tempo , as marés, as variações locais na forma da praia e como ondas quebram na costa. Algumas praias podem ter correntes assim quase todo o tempo, enquanto outras praias quase nunca vêem estes fluxos perigosos.
Estas correntes fortes e frequentemente muito localizadas podem levar nadadores distraídos ao mar. As correntes geralmente se movem de 0,3 a 0,6 metros por segundo, mas as mais fortes podem puxar 1,6 metros por segundo. Esse é o mesmo ritmo de um nadador recordista olímpico, aponta Carey. “Mesmo um nadador olímpico iria ser arrastado numa corrente de retorno”, afirma ela.
Correntes de retorno podem acelerar dramaticamente num curto espaço de tempo. O fluxo instável de uma corrente dessas é semelhante a ficar de pé em um rio. O fluxo forte pode varrê-lo para fora do chão, diz Carey. “Um adulto de pé na água até a cintura em uma corrente de retorno teria dificuldade em permanecer no mesmo lugar”, garante.
Ondas pesadas podem accionar uma corrente de retorno súbita, mas correntes de retorno são mais perigosas quando acontecem durante a maré baixa, quando a água já está puxando para longe da praia.

Conhecendo o inimigo

No passado, as correntes de retorno foram às vezes chamadas de marés de retorno, o que era um erro, diz Carey. “As marés são mudanças muito lentas no nível da água e por si mesmas não induzem uma corrente de retorno”, disse ela. “Uma corrente de retorno não é uma maré”.
Os cientistas vêm estudando estas correntes por mais de 100 anos. Na década passada, os avanços nas técnicas de medição deram muitas ideias novas sobre como essas correntes complicadas funcionam. Os investigadores agora conseguem colocar GPS na rebentação para controlar com precisão os movimentos e velocidades actuais. Aparelhos semelhantes aos sonares revelaram o funcionamento interno das correntes de retorno. Estes perfiladores acústicos enviam pulsos de alta frequência de som que atingem e reflectem nas partículas da água. O instrumento mede a frequência deste sinal de retorno – se a partícula (e a água circundante) estiverem afastando-se do instrumento, o sinal terá uma frequência mais baixa, e se estiverem movendo-se em direcção ao instrumento, o sinal de retorno terá uma frequência mais elevada.
Medições de laser altamente detalhadas do ambiente da praia também mostram como água e a topografia se combinam para desencadear correntes. “Há uma nova compreensão do fluxo e do comportamento das correntes de retorno”, afirma Carey.

Como detectar uma corrente de retorno

Sobreviver a uma corrente de retorno começa antes mesmo de entrar na água, alerta Carey. “Evitar é a coisa mais importante: nade numa praia protegida por salva-vidas e converse com o salva-vidas de plantão sobre as condições do oceano para o dia”, recomenda ela. “Também é muito importante saber nadar e flutuar antes de se aventurar até o fundo do oceano”.
Aprender a detectar uma corrente de retorno pode ajudar a evitar ser apanhado pela mesma, acrescenta a especialista. Por exemplo, as correntes de retorno acima dos canais profundos de bancos de areia parecem remendos calmos da água. Estas águas mais calmas estão muitas vezes entre turbulentas ondas que se quebram, apresentando um caminho convidativo para banhistas inexperientes, e é aí que mora o perigo “Às vezes as pessoas inadvertidamente entram na água num dos locais mais perigosos apenas porque a área parece calma”, conta Carey.
Os seguintes recursos também poderiam sinalizar que há uma corrente de retorno na água, de acordo com a USLA:
  • Um canal de água agitada
  • Uma área com uma cor diferente do resto da água
  • Uma linha de espuma, algas ou detritos que está se movendo para o mar
  • Uma pausa nas ondas
Mesmo senão detectar qualquer um desses sinais, uma corrente de retorno poderia ainda estar em andamento. A USLA recomenda usar óculos polarizados para ver essas características do oceano com mais clareza.

Como sobreviver a uma corrente de retorno

É fácil ser apanhado numa corrente de retorno. Na maioria das vezes, isso acontece na água até a cintura, dizem os especialistas. Uma pessoa mergulha sob uma onda, mas quando ressurge da água descobre que está muito mais distante da praia e ainda está sendo puxada para longe.
O que a pessoa que está nesta situação faz em seguida pode decidir o seu destino.
Aqueles que entendem a dinâmica das correntes de retorno aconselham, acima de tudo, calma. O segredo é conservar energia. A corrente de retorno é como uma gigante esteira de água que não pode desligar, por isso não faz nenhum bem tentar nadar contra ela. Isso só vai fazer cansar, o que pode ser fatal quando se está longe da costa.
“Mesmo pequenas correntes podem fluir mais rápido do que uma pessoa pode nadar. Não deve tentar nadar contra a corrente”, aconselha Carey.
Correntes de retorno são frequentemente estreitas, e a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA) e a USLA sugerem tentar nadar na horizontal, paralelamente à costa e para fora da corrente. Uma vez que tenha saído da corrente, pode começar a nadar de volta à costa.
“Pode querer nadar em direcção aonde as ondas estão quebrando”, diz Carey. “Isso pode ajudar a guiá-lo para fora da corrente”.
No entanto, se é muito difícil nadar lateralmente para fora da corrente, tente flutuar ou pisar no fundo e deixe a natureza fazer o que deve fazer. Vai sair fora da corrente em algum ponto e pode então fazer o seu caminho de volta para a costa. As últimas pesquisas indicam que muitas correntes de retorno voltam para a costa, e poderiam transportar nadadores encalhados juntamente com o retorno da corrente. Mas nem todas as correntes de retorno agem desta forma, alerta Carey, portanto nadar paralelamente à costa ainda é a primeira recomendação dos especialistas.
Se nadar não parece estar funcionando para si, conserve a sua energia flutuando ou pisando no fundo. Quando conseguir fazer isso, tente chamar a atenção de alguém em terra, de preferência um salva-vidas.
Caso veja alguém ser apanhado numa corrente de retorno, não se torne também uma vítima ao tentar entrar lá para salvar o banhista desprevenido. Isso provavelmente só vai causar dois afogamentos, e não um. A USLA sugere que:
  • Obtenha ajuda de um salva-vidas.
  • Se um salva-vidas não estiver disponível, ligue para o número de emergência.
  • Não tente resgatar a pessoa, a menos que seja o último recurso e tenha uma jangada, prancha de Bodyboard ou colete salva-vidas consigo. Se chegar suficientemente perto da vítima, jogue para a pessoa um dispositivo flutuante como um colete salva-vidas ou tubo insuflável.
  • Também pode gritar instruções sobre como escapar de uma corrente de retorno para a pessoa encalhada.
“Há muitas histórias trágicas em que alguém entrou numa corrente para tentar salvar alguém e ambos se tornaram vítimas de afogamento”, alerta Carey.
Fonte: Hypescience


Futuro dos oceanos está nas nossas mãos

O branqueamento e a morte dos corais têm ocorrido um pouco por todo o mundo, inclusive em Portugal. A culpa é maioritariamente da acção humana. Um fenómeno que só é revertível se forem feitas mudanças nos comportamentos das pessoas. Urgentemente.

Não é um fenómeno que se fica pela Grande Barreira de Coral, na Austrália. Os corais estão a morrer em várias zonas do planeta. A notícia é péssima. A réstia de esperança assenta no facto de ainda poderem ser salvos e, em grande medida, depende de nós. Saiba o que pode fazer para proteger o oceano.

Desde o início do ano, já demos conta de duas notícias desastrosas sobre a questão do branqueamento dos corais. Dois terços da Grande Barreira de Coral australiana desapareceram. Mais de 70% do maior recife de coral do Japão morreu em 2016. A morte dos corais corre mundo. Desde a costa do Panamá, passando pela China, até chegar inclusivamente a Portugal. Os números são depressivos. Nos últimos 30 anos, a Terra perdeu 27% dos recifes de coral. A tendência aponta para que desapareçam muitos mais.

O que são os recifes de coral? Pode parecer que os corais são um único e gigante organismo, mas na verdade trata-se de um ecossistema no qual milhares de pequenas criaturas vivem conectadas. Formam colónias que funcionam como hospedeiras de microalgas – de nome naturalmente estranho: zooxanthellae – com quem vivem em simbiose. São estas algas que lhes fornecem comida e conferem às colónias as cores vivas características dos recifes.

Da poluição à doença, são vários os factores que provocam irritação nos corais, levando-os a expulsar a alga, sem a qual não sobrevivem. Dá-se o fenómeno de branqueamento, restando apenas o esqueleto do coral. A morte não é certa. Restabelecer a temperatura fria da água ou remover os poluentes pode ajudar os corais a recuperar.
O branqueamento tem sido mais frequente e visto com maior intensidade. Em 2016, verificou-se o pior registo de que há memória, válido ainda este ano. Se não forem tomadas medidas urgentes, se não houver melhoria das condições, os corais têm sentença marcada.

Porque é importante salvá-los? Cerca de 25% da vida marinha depende do habitat criado pelos recifes de coral. Pode parecer exagero, mas também nós dependemos do oceano para a nossa própria existência. Milhões de pessoas em todo o mundo dependem dos recifes para alimentação, turismo, emprego e até protecção contra eventos climáticos extremos. Além disso, os oceanos funcionam como o principal regulador térmico do planeta. Absorvem mais de um quarto do dióxido de carbono libertado pelas actividades humanas. Desempenham um papel importante nas condições climáticas. Além de comida, fornecem-nos energia, oxigénio e múltiplos recursos.

Com a chegada do Dia Mundial dos Oceanos – festejado a 8 de Junho – este é o melhor momento para nos focarmos numa das maiores ameaças à saúde aquática. O lema é simples: oceano saudável, planeta saudável.

Qual o perigo que enfrentamos actualmente? Acima mencionámos que o desencadear deste fenómeno se dá pela influência de vários factores. Pesca excessiva, invasão de espécies, acidez, fazem parte da combinação fatal. No entanto, o principal responsável pela morte dos corais é o aquecimento global. Há várias décadas que a comunidade científica chama a atenção para os perigos da queima de combustíveis fósseis a um ritmo acelerado.

As consequências notam-se no crescente aquecimento da superfície terrestre e oceânica – aproximadamente 1 grau Celsius desde 1880. Parece pouco? O limite está nos 2°C, acima do qual se temem consequências catastróficas, com as quais será muito mais difícil e oneroso lidar. Estudos recentes apontam para que as temperaturas globais subam 1,5 graus em menos de uma década. O calor até agora acumulado devido às emissões humanas é aproximadamente igual ao calor que seria libertado por 400.000 bombas atómicas de Hiroshima a explodir em todo o planeta diariamente.
É assustador. Mas de nada valeu o aviso. As emissões de gás continuam a aumentar e, neste momento, a temperatura no fundo do oceano é alta o suficiente para que qualquer alteração significativa represente um enorme risco para os recifes – como foi o caso do mais recente El Niño, cujos efeitos se verificaram no decorrer de 2016 e são ainda hoje visíveis. As alterações climáticas vistas como uma ameaça do futuro têm afinal representatividade no presente. Isto no que toca aos oceanos, ou mais especificamente, aos recifes de coral.

O que podemos fazer para proteger o oceano? Temos duas opções: ajudar na protecção dos oceanos ou não fazer nada e deixar que a devastação continue. Se optarmos pela primeira hipótese, então podemos começar por reduzir as pegadas de carbono que vamos deixando ao longo dos tempos. Utilizar sacos reutilizáveis, fazer a instalação de termóstatos inteligentes, colocar lâmpadas eficientes, desligar as luzes das divisões que não estamos a utilizar, conduzir menos ou usar mais os transportes públicos, evitar o desperdício alimentar e comer menos carne. São pequenas alterações que fazem uma enorme diferença se milhões de pessoas cumprirem com a sua parte.
Fonte: Sabado


Autorizada a pesca de "jaquinzinhos"

A pesca de carapau com tamanho inferior ao mínimo de referência para os pescadores de arte-xávega foi autorizada pelo Governo, com a publicação em Diário da República de uma portaria do Ministério do Mar.
O Governo reconhece o “valor cultural e considerável importância” para os pescadores da costa ocidental portuguesa da arte-xávega e cria também uma comissão de acompanhamento e o controlo científico da espécie, que está “em bom estado”.
É a primeira vez que esta excepção é autorizada na pesca deste tipo de carapau, conhecido vulgarmente por “jaquinzinhos”, pescado artesanalmente por 50 traineiras em Portugal, número máximo de embarcações autorizadas.
O primeiro lance de captura pode ser vendido mesmo que o peixe seja abaixo do tamanho mínimo, mas a pesca pode ser interrompida se numa jornada se apanhe mais de 20 por cento de espécies cujo número é reduzido.
Os barcos passam a ter que instalar dispositivos acústicos para afastar baleias, por causa de “alguns episódios de captura de cetáceos”.
Fonte: JN

Imagens inéditas desvendam os os “unicórnios do mar” [ Com Vídeo ]

Graças a dois drones, foi possível filmar os chamados “unicórnios do mar”, os narvais, uma espécie de baleia dentada caracterizada por uma presa na cabeça cuja função era um verdadeiro mistério, até agora.
Filmagens efectuadas por dois drones em Tremblay Sound, na costa do nordeste do Canadá, revelam que o unicórnio dos narvais é usado para empurrar e atordoar os peixes, o que os torna presas fáceis.
Os animais desta espécie de baleia dentada, que vive nas águas frias do Árctico, entre a Gronelândia, o Canadá e a Rússia, são conhecidos como “unicórnios do mar”, precisamente por essa característica fisiológica única entre estes grandes mamíferos.
Até agora, contudo, a função desta presa, que pode chegar a ter mais de 3 metros de comprimento, era um mistério.
No vídeo captado nas águas do Canadá, onde vivem 90% dos narvais existentes, estes “unicórnios marinhos” são vistos a imobilizar bacalhau com as presas que se assemelham a um chifre.
Além desta vertente, os narvais poderão ainda usar os unicórnios para outros fins, nomeadamente como armas e picaretas de gelo, como forma de selecção sexual ou como ferramenta de ecolocalização, consideram os especialistas desta área.
Marianne Marcoux, investigadora do Fisheries and Oceans Canada, o departamento do Governo canadiano que gere as pescas, os oceanos e os recursos aquáticos do país, explica na National Geographic que as presas dos narvais funcionam, basicamente, como um dente canino que contém milhares de terminações nervosas que lhes permitem sentir movimentos na água em torno deles.
“Eles podem sentir os seus arredores de forma similar ao que o dente partido de um ser humano teria sensações”, destaca Marcoux. São, assim, sobretudo órgãos sensoriais.
Os narvais não têm dentes no interior da boca e usam a sucção para engolir as suas presas inteiras.
O vídeo, considerado particularmente extraordinário porque está em causa uma espécie muito “tímida”, mostra também os narvais a alimentarem-se em águas de Verão, o que é muito relevante em termos de estratégia de conservação destes animais, uma vez que se acreditava que eles se alimentavam exclusivamente em águas de Inverno.
Aqui em Vídeo:

4 Arguidos por derrama de combustível no Terminal XXI

O derrame de combustível ( derrame de várias toneladas de fuel oil ), no Terminal XXI, no dia 6 de Setembro do ano passado, fez com que o Ministério Público formalmente desse a acusação de quatro arguidos, uma pessoa colectiva e três singulares, com a prática dos crimes de poluição com perigo comum e de falsificação de documento e da contraordenação de poluição do meio marinho. A acusação refere que o derrame teve origem no navio “MSC Patrícia”, indicando que “os arguidos tinham conhecimento de que os tanques do navio apresentavam deficiências e careciam de reparação há já mais de um ano”.  Esta conduta, assinala, culminou com a deslastragem (esvaziamento) do tanque deficiente no dia do aportamento em Sines, causando o derrame de produto poluente, cuja remoção custou ao Estado português quase 180 mil euros. O Ministério Público adianta que deduziu um pedido de indemnização civil no valor das despesas efectuadas, acrescido de juros de mora. A investigação, que durou sete meses, esteve a cargo da Polícia Marítima, sob a direcção do Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP) de Setúbal.

Estaleiros Navais do Mondego lançam ao mar primeiro navio

Navio construído na Figueira da Foz foi lançado à água. O ferryboat “Haksolok” vai melhorar a mobilidade em Timor Leste. O ferryboat “Haksolk”, de bandeira timorense, foi lançado à água a partir da principal doca seca dos estaleiros da Figueira da Foz. Este navio é o primeiro a ser construído cinco anos depois de os antigos Estaleiros Navais do Mondego terem sido concessionados à empresa portuguesa Atlanticeagle Shipbuilding (AES). E em breve estará a operar no mar de Timor-Leste, inaugurando as operações de cabotagem na costa norte daquele país de língua oficial portuguesa com uma embarcação de bandeira timorense. O ferry tem capacidade para transportar 377 pessoas e 25 automóveis, Vai ligar Díli, a ilha de Ataúro e as principais localidades da costa norte do país, nomeadamente Pante Macassar, a mais povoada cidade daquela região, em cujas redondezas desembarcaram pela primeira vez os navegadores portugueses, em agosto de 1515. 

Tirar os plásticos do mar, começando logo no piquenique

Comissão
Europeia, Ciência Viva e Embaixada dos Estados Unidos juntaram-se
para chamar a atenção para o impacto dos microplásticos nos
oceanos e na sociedade
Por
entre os banhistas que aproveitam um dia de verão em maio, surge um
grupo equipado com t-shirts azuis, camaroeiro e um saco na mão. Vão
passando a areia pelos camaroeiros e retirando as minúsculas
partículas de plásticos que vão ficando na rede. Perante o espanto
e o elogio dos banhistas, o grupo vai limpando a praia da Mata, na
Costa da Caparica. Uma iniciativa da Comissão Europeia, da Ciência
Viva e do Departamento de Estado dos Estados Unidos que visa alertar
para o aumento dos plásticos nos oceanos.
“Mais
de 80% do lixo marinho é plástico”, aponta a investigadora
Filipa Bessa, do Centro de Ciências do Mar e do Ambiente (MARE), da
Universidade de Coimbra. Estes plásticos acabam por se degradar e
ficar com menos de 5 milímetros – são os microplásticos -, que
depois são ingeridos pelos peixes, absorvidos pelo sal marinho e
acabam por entrar na própria cadeia alimentar dos seres humanos.
Apesar
dos impactos na saúde humana ainda não serem conhecidos, os
especialistas concordam que estes não podem ser positivos. Pelo
menos já não estão a ser para a saúde dos oceanos, como ontem foi
sublinhado em diversas ocasiões durante um evento que começou com a
inauguração da exposição “Um oceano sem plástico”, no
Pavilhão do Conhecimento, passou pela recolha de microplásticos e
acabou num piquenique sustentável, na praia da Mata, na Caparica.


Ainda
há poucas semanas foi notícia que estávamos a temperar a comida
com microplásticos do sal. E se olharmos para os areais nacionais
percebemos que muito do plástico aqui abandonado acaba por chegar ao
mar. “As praias têm muito lixo mesmo e no mar nota-se ainda
mais. Faço surf e vejo que o mar está cada vez mais poluído”,
reconhece Teresa Castro, que ontem aproveitou o bom tempo para ir até
à praia. Ficou surpreendida com a acção de limpeza, embora admita
que “não resolve o problema, mas pelo menos chama a atenção”.
Na
opinião da instrutora de fitness, “as pessoas não têm a noção
do impacto de deixar lixo na areia ou então estão apenas
despreocupadas”. Já antes, durante o debate que se seguiu à
exposição, Tiago Pitta e Cunha, presidente da Comissão Executiva
da Fundação Oceano Azul, tinha sublinhado a demora da sociedade em
perceber a poluição dos oceanos. “Falta a humanização do
problema, as pessoas não percebem que o oceano tem impacto no nosso
habitat e pensam que se trata apenas do habitat dos peixes.”

Para
o Director-geral de Política do Mar, Fausto Brito e Abreu, a
prioridade “é tirar plástico do mar, a prevenção é
fundamental, mas ao mesmo tempo temos que tirar o plástico que já
está nos mares.” Por isso, o responsável admite que as
soluções que venham da biotecnologia e da investigação “são
importantes”.
No
entanto, também ainda há muita investigação para fazer e conhecer
o impacto dos microplásticos. A própria União Europeia lançou há
duas semanas, “dois estudos que têm como objectivo um conhecer
os microplásticos intencionalmente utilizados em produtos e, o
outro, sobre a libertação dos microplásticos para o ambiente”,
aponta João Aguiar Machado, Director-geral dos Assuntos do Mar e da
Pesca da Comissão Europeia.

A
nível europeu, a comissão refere também que há objectivos como “em
2025 queremos que 55% dos plásticos reutilizados sejam reciclados,
também temos a meta da redução do lixo marinho no oceano em 2030,
não apenas para os plásticos, mas para todo o lixo”,
acrescenta o responsável europeu.

Uma
das formas de conseguir reduzir as 10 milhões de toneladas de lixo
que todos os anos são despejados nos oceanos é fazer, por exemplo,
um piquenique sustentável, como o que foi promovido ontem. Na cesta
de vime, Rosália Vargas, presidente da Ciência Viva, trouxe feijão
cozido e ovo cozido, tortilha de algas, alface lavada sem tempero,
morangos e água numa garrafa de vidro. Tudo chegou também em
recipientes de vidro ou papel, os guardanapos são de pano e o pão e
a fruta vieram em taleigos. “Dá trabalho, mas de facto é tudo
muito melhor”, admite. “Devemos claro reciclar os plásticos
que usamos, mas se pudermos evitar logo à partida usá-los é o
ideal e temos obrigação de transmitir essa mensagem aos mais
novos”, acrescenta a responsável da Ciência Viva. Local onde
está a exposição “Um oceano sem plástico”, da ONG
Plastic Change e do Aquário Nacional da Dinamarca, sobre o impacto
dos plásticos na vida marinha e que recebeu o apoio do departamento
de Estado dos EUA para se tornar itinerante.

Fonte: DN