Pelo menos 18 navios presos no gelo depois de Oceano Ártico congelar inesperadamente

Pelos menos 18 navios de carga ficaram presos depois de o Oceano Ártico ficar totalmente congelado de forma inesperada perto da costa da Rússia. 

O jornal Independent avança que o gelo tem, neste momento, até 30 centímetros de espessura desde que se formou. 

As empresas dos navios de carga foram apanhadas de surpresa pelo congelamento precoce e podem agora ter que esperar dias até serem retirados do local. 

O capitão de um dos navios, Viktor Gil, contou que a situação é “bastante terrível”, mas garante que a tripulação tem mantimentos suficientes para esperar pelo momento em que serão retirados do gelo, daqui a mais ou menos uma semana. 

No passado, o clima mais quente causado pelas mudanças climáticas permitia que os navios cruzassem partes da rota marítima do norte da Rússia em novembro sem incidentes. Este ano, não foi bem assim.

Shipping. Um futuro para o "Mar Português"

Um futuro mais sustentável e duradouro para a economia do mar em Portugal implica que os transportes marítimos sejam uma das âncoras da nossa política pública do mar.

O shipping não pode ser considerado e tratado pelos diversos actores públicos do “Mar português” como actividade menor, pois, é uma actividade marítima que pode cimentar economicamente e ambientalmente a política pública do Mar, e deste modo ajudar a consolidar um futuro promissor, afirmativo e sustentável do “Mar português. Durante séculos esta nossa actividade permitiu-nos alargar horizontes, aumentar o conhecimento e saber, fortalecer a interculturalidade e consolidar uma sociedade mais desenvolvida social e economicamente, de acordo com os padrões da época.  

Como sabemos, sendo o shipping na sua generalidade uma actividade de enorme transversalidade e amplitude económica e social ─ emprega muito e em diferentes actividades funcionais, gera fluxos financeiros de enorme mais valia e de grande importância para o PIB e impostos ─, necessita de uma constante absorção de soluções criativas e inovadoras e de uma ampla e diversificada fonte de serviços e produtos para conseguir assegurar o seu normal funcionamento.

Pelo que captar a sede destas empresas para o nosso território pode representar uma oportunidade para o crescimento de outras atividades económicas do país ─ como por exemplo a agricultura, metalomecânica, reparação naval, finança e seguros etc. ─, a criação de novos e diversificados empregos, bem como potenciar a formação para as actividades de mar e, naturalmente, garantir novas receitas de impostos.

Assim, uma estratégia assertiva para receber e captar a sede destas empresas será a mola adequada para gerar o sucesso ao desenvolvimento de um concelho, região ou país, basta para tal observar o exemplo do Reino Unido.

Ao consultarmos o estudo do Maritime UK’s “State of the maritime nation” verificamos que o Reino Unido estrategicamente estabeleceu como foco as actividades “portuárias, de serviços, de engenharia e de lazer”, consolidando assim uma indústria marítima pujante e complementar, tornando-a numa das maiores actividades económicas do país ─ em 2017 representava “47 bilhões de libras em volume de negócios, 17 bilhões de libras em VBA e 220.100 empregos”, assegurando “5,3 bilhões para o tesouro em impostos e exportando 12,4 bilhões em bens e serviços”.

E, ainda permitiu que regiões e concelhos, como foi o caso de Londres se especializassem em serviços marítimos do shipping, garantindo-lhes uma participação direta nestes resultados “VAB 26% e Empregos 19%”.

Este estudo também refere que a “OCDE prevê que a economia marítima cresça para o dobro – cerca de US$ 3 triliões nos próximos dez anos”. Assim, preparar este sector de actividade marítima a exemplo do que Reino Unido está a fazer é um imperativo, uma necessidade.

Deste modo, agregar o ecossistema do shipping, promover a criação do Centro Internacional de Shipping, dinamizar a constituição de um Centro de Arbitragem Marítima, rever o imposto de tonelagem e o regime jurídico da actividade profissional do trabalhador marítimo, criar alguns incentivos tarifários e/ou fiscais aplicados, serão parte importante para incentivar a deslocalização para o território nacional, e em particular para a região de Lisboa, de uma parte das empresas de shipping europeias e mundiais de média e grande dimensão. Pois, como afirma o Livro Branco “Pelo Mar Rumo ao Futuro” – sedear em Portugal apenas 5% do shipping europeu terá um impacto estimado em 100 mil postos de trabalho e de €7 mil milhões (3,5%) no produto interno bruto (PIB).

Fonte: Ionline

Viana do Castelo e Figueira da Foz cooperam viradas para a Economia do Mar

Cooperação, foi a palavra de ordem das segundas Jornadas de Inovação que decorreram em Viana do Castelo, no âmbito do projecto INOVSEA para as regiões costeiras do Alto Minho e do Baixo Mondego, com foco na Economia do Mar.

Empresas e entidades representativas de projectos e potencialidades do sector nos municípios parceiros promotores do projeto, Viana do Castelo e Figueira da Foz, foram convidadas a partilhar experiência e conhecimento naquele evento. O objectivo foi o intercâmbio de ideias de negócio para, em contexto de recuperação da economia, gerar novas oportunidades de investimento nas duas regiões que, no seu conjunto, atualmente, empregam “cerca de 3100 pessoas” em actividades económicas ligadas ao mar. No Alto Minho, a economia do mar representa “um volume de negócios de 204 milhões de euros, exportações de 91 milhões de euros e um VAB de 62 milhões de euros”.

Pesca, aquicultura, transformação e comercialização de produtos alimentares, construção e reparação naval, portos, transporte marítimo e logística. E ainda recreio, desporto e turismo, e novos usos e recursos do mar foram áreas de actividade e negócio da também designada “economia azul” abordadas durante as jornadas.

“Foi um dia bastante rico e inovador”, considerou o presidente da Associação Empresarial de Viana do Castelo (AEVC), Manuel Cunha Júnior, afirmando-se convicto que o projecto INOVSEA, promovido por aquela colectividade e pela Associação Comercial e Industrial da Figueira da Foz (ACIF), “será um game changer” (terá um efeito importante de inovação) no setor.

O presidente da AEVC afirmou que “são muito mais os pontos que unem, do que os que separam, Viana do Castelo e a Figueira”, já que “são dois municípios que têm uma economia muito voltada para o mar”. E que ambos estão apostados na “troca de conhecimento e informações, e em colocar as empresas e entidades dos dois concelhos em networking para se criarem novas dinâmicas e até novas empresas”. “Queremos que venham novas empresas para cá e levar novas para lá. A economia do mar vai ser, nos próximos dez anos, muito importante para a retoma da economia portuguesa”, disse.

Para o presidente da Associação Comercial e Industrial da Figueira da Foz (ACIF), Nuno Lopes, o trabalho desenvolvido no âmbito do projecto INOVSEA, terá “resultados sólidos de acréscimo de valor para ambos os concelhos”. Adiantou que um dos sinais é que uma das empresas da Figueira da Foz (a Lusalgae) presentes nas jornadas de Viana pensa estender a sua actividade ao Alto Minho. E acrescentou que espera que da cooperação entre a AEVC e a ACIF resulte “o engrandecimento” de projectos já existentes nos dois territórios costeiros. “Queremos perceber os fatores onde a Figueira da Foz e Viana do Castelo têm mais sucesso, de forma a que possamos agrupar mais valor a esses projetos, para que, se já são dinâmicos, passem a ser uma referência a nível nacional”, defendeu.



Siemens Portugal vai modernizar Porto de Leixões

A Siemens Portugal vai modernizar o porto de Leixões, o maior terminal de contentores do Norte do país. Este projeto, adjudicado à Siemens pela Yilport Leixões, inclui a renovação de um pórtico de cais STS (ship to shore) e três pórticos de parque RMG (rail mounted gantry) no Porto de Leixões, já a partir do início de 2022.

Este projeto inclui a substituição dos sistemas de acionamento pelos novos inversores de última geração, mais eficientes, SINAMICS S120, bem como dos sistemas de automação existentes, pelo SIMATIC S7 Fail-Safe, que vai conferir um maior nível de segurança às operações dos pórticos.

A par destas intervenções, a Siemens Portugal vai fornecer ainda sistemas anticolisão e de supervisão embarcados e remotos. A multinacional também equipará estes pórticos no Porto de Leixões com novos sistemas de alarme para deteção de incêndios e sistemas de acesso de operadores via RFID (Radio Frequency Identification).

“Este projeto é um reconhecimento, por parte da Yilport Leixões, da capacidade, know-how e experiência da equipa da Siemens, que vai implementar e comissionar todo o projeto e respetivos sistemas, sendo ainda responsável pelo desenvolvimento de serviços de engenharia, do software dos controladores, dos sistemas a fornecer e pela programação dos acionamentos” refere Luís Bastos, responsável pela Digital Industries da Siemens Portugal.

A equipa da Siemens responsável por este projeto – do Cranes Engineering Hub – com mandato de atuação para a zona EMEA1foi responsável pela intervenção e modernização de cerca de 100 pórticos em dez países: Portugal, Grã-Bretanha,Espanha, França, Roménia, Turquia, Emirados Árabes Unidos, Egito, Moçambique e Aruba.

O porto de Leixões conta com 150 trabalhadores, tendo sido responsável por movimentar em 2020 mais de 530 mil contentores.

Bandeira Portuguesa sobe 2 posições no Ranking Mundial

Portugal subiu duas posições na lista de maiores Estados de Bandeira em número de navios registados, com cerca de 600 navios sujeitos às convenções internacionais, ou seja, os mais relevantes.

De acordo com o último relatório da UNCTAD sobre o shipping, que foi hoje publicado e aborda os dados relativos a 2021, Portugal passou da 16ª para a 14ª posição no ranking mundial, mantendo a tendência de crescimento sustentado, mas com uma espetacular performance no período em análise (2020-2021). Dentro dos 20 principais Estados de Bandeira, Portugal foi o que mais cresceu em número de navios registados, com um aumento de 10% face ao período homólogo anterior.

Esta excelente performance no último período deve-se, essencialmente, à conjugação de vários fatores muito favoráveis à competitividade do Registo Internacional de Navios da Madeira, dos quais se destaca um importante conjunto de alterações legais que se fizeram sentir neste período, como por exemplo, a possibilidade dos navios terem guardas armados a bordo ou as simplificações em termos de hipotecas e certificados eletrónicos. Igualmente importante foi a nova dinâmica e sinergias em termos do conjunto de entidades envolvidas no registo, no âmbito de uma melhor resposta aos clientes, e, não menos importante, ao suporte das tutelas do registo (Mar e Justiça) e do Governo Regional da Madeira.

Para Portugal, o maior desafio atual é manter um crescimento sustentado, alicerçado no rigor técnico, em termos de critérios de entradas de navios e de manutenção dos mesmos.

O registo de navios continua a ser liderado mundialmente pelo Panamá, existindo atualmente em operação no mundo, de acordo com os dados relativos a 1 de janeiro do corrente ano, 99.800 navios mercantis de todos os tipos. Globalmente, comparando o relatório da UNCTAD de 2021 face ao relatório de 2020, a frota de navios mundial cresceu 3%.

 

Mais de 30 Entidades formam a A4S – Associação 4Shipping

Dinamizar a Economia azul e posicionar Portugal como destino do shipping internacional, são dois dos objectivos do grupo de trinta e duas entidades ligadas ao mar, em nome pessoal ou coletivo, que constituíram a A4S – Associação 4Shipping.

Na lista de objetivos estão ainda o apoio ao desenvolvimento dos subsetores tradicionais e emergentes da economia azul, em que Portugal possui ou pode ganhar vantagens competitivas, designadamente: transporte marítimo e serviços conexos, construção e reparação naval, energia oceânica, biologia marítima, dessalinização, defesa marítima e meios fixos submarinos.

Jorge d’Almeida, co-fundador da A4S, defende ser “fundamental que os intervenientes públicos e privados atuem de forma concertada na construção de uma política pública que permita Portugal assumir-se como destino para a atividade do shipping internacional.”

Para esse efeito, a A4S procurará:

• Colaborar na definição de políticas no domínio nacional, europeu e internacional relacionadas com o setor marítimo;

• Colaborar com instituições de ensino académico e profissional para a formação de profissionais e empreendedores marítimos;

• Contribuir para a produção e difusão de conhecimento no âmbito da sua atividade, através da organização e gestão de projetos, da prestação de serviços, da promoção e realização de ações de formação, da organização de reuniões, debates, conferências e outras atividades similares;

• Fomentar a colaboração entre as universidades, as empresas e a Administração Pública;

• Promover o intercâmbio de informação e experiências entre os seus associados e outros profissionais e entidades relevantes do setor marítimo.

De acordo com o estudo, de 2020, conduzido pela Oxford Economics para a European Community Shipowners’ Associations (ECSA), na União Europeia (UE) o shipping contribui diretamente com 685.000 postos de trabalho e €54 mM (milhares de milhões de euros) para o valor acrescentado bruto (VAB). 

Se a estes valores acrescentarmos os efeitos indiretos e induzidos que a atividade proporciona, estes aumentam para 2 milhões de postos de trabalho e €149 mM.

A A4S – Associação 4Shipping ambiciona alcançar para Portugal a meta de 5% do shipping europeu. O impacto estimado desta quota de mercado, tendo como base o referido estudo, é de 100.000 postos de trabalho e de €7 mM ou 3,5% do produto interno bruto (PIB). Números que colocam Lisboa no grupo das 50 principais capitais marítimas do mundo.

Na Assembleia Geral Constituinte, realizada pela A4S a 20 de maio de 2021, foram eleitos para o triénio 2021 – 2024, a Mesa da Assembleia Geral, presidida por Abílio Martins Ferreira, o Conselho Fiscal presidido pela Mogope, representada por Emanuel Gonçalves Pereira, e a Direção, ficando esta constituída pela Saconsult, na qualidade de Presidente, representada por Jorge d’Almeida e por quatro vogais: SRS Advogados, representada por José Luis Moreira da Silva, António Belmar da Costa, Cristina Lança Lopes e José Luís Gonçalves Cardoso.

54% dos portugueses afirma ter tomado medidas para proteger o oceano

 

Portugal é dos países do mundo que mais gosta de comer pescado. A compra regular de peixe e marisco é assumida por 95% dos consumidores portugueses, sendo que quase metade (45%) revela mesmo adorar comer peixe.

As conclusões são de um estudo de mercado encomendado pelo Marine Stewardship Council (MSC) à GlobeScan Incorporated, em 2020, e que analisa as tendências do consumo de peixe e principais preocupações dos consumidores em 23 países, num universo de mais de 26 mil pessoas entrevistadas. Não admira, portanto, que os portugueses se revelem preocupados com a preservação dos recursos marinhos. Se a poluição, sobretudo pelos plásticos e microplásticos, preocupa a maioria (67%), 48% apontou a sobrepesca e a extinção das espécies como a segunda maior preocupação.

Os consumidores portugueses têm uma maior preocupação com a poluição que a média global (44% versus 30%) dos países envolvidos no estudo, nomeadamente no que diz respeito aos produtos químicos e geneticamente modificados.

A preocupação com a sustentabilidade dos oceanos já conduziu 54% dos consumidores nacionais a tomar alguma medida no último ano, como mudar de marca para outra que afirme o seu compromisso com um oceano mais saudável. 90% revelou estar dispostos a tomar medidas no futuro com o mesmo objetivo.

No que toca à certificação, os consumidores portugueses reconhecem menos o Selo Azul”do MSC que a média global (41% comparado com 48%), também associam mais estas certificações à saúde (57% comparado com 52%), no entanto, revelam uma maior percepção de que os selos de sustentabilidade ajudam a assegurar a disponibilidade de peixe para as gerações futuras (74% versus 63%).

Fundações Oceano Azul e Calouste Gulbenkian aceleram mais 17 startups da Bioeconomia Azul

Em jogo está um prémio de 45 mil euros ao qual se habilitam as quatro empresas portuguesas Blue Oasis Technology, Fhair, n9ve – Nature, Ocean and Value e Sensefinity. 

Um dos mais importantes programas de empreendedorismo ligado à Economia do Mar em Portugal está a decorrer até ao final da próxima semana e envolve 17 startups, duas fundações e 45 mil euros. Promovido pelas fundações Oceano Azul e Calouste Gulbenkian, o “Blue Bio Value” (BBV) está este ano a acelerar empresas de dez países com projetos na biotecnologia azul, entre as quais as quatro startups portuguesas Blue Oasis Technology, Fhair, n9ve – Nature, Ocean and Value e Sensefinity.

Em entrevista ao Jornal Económico (JE), Ana Brazão, gestora de projecto na Fundação Oceano Azul e responsável por este programa internacional, diz que o “Blue Bio Value” tem a mais-valia de mostrar as oportunidades que o país oferece nesta indústria. “Vamos demonstrar as mais-valias que o país tem. É importante destacar que Portugal é o país com maior biodiversidade marinha da Europa, portanto existe aqui a matéria-prima necessária para que isso aconteça, além do nosso conhecimento científico-tecnológico”, destaca.

Nesta quarta edição, o “Blue Bio Value” – que recebeu 80 inscrições de 28 nacionalidades – está a ser feito em formato híbrido, com sessões online e visitas de campo para as startups terem oportunidade de ir ao Biocant, o único parque de ciência e tecnologia no país 100% dedicado à biotecnologia, em Cantanhede, ao Ecomare (Laboratório para a Inovação e Sustentabilidade dos Recursos Biológicos Marinhos da Universidade de Aveiro) ou ao Algatec, um parque de negócios que acolhe empresas e empreendedores que trabalhem com algas e microalgas de forma sustentável.

É importante destacar que Portugal é o país com maior biodiversidade marinha da Europa, portanto existe aqui a matéria-prima necessária para demonstrar as mais-valias que o país tem – Ana Brazão

“Aumentámos em 30% as startups que recebemos, portanto temos 17 equipas que a partir desta segunda-feira [15 de novembro] estão em Portugal e nas últimas cinco semanas estiveram no programa remoto dado pela Maze com workshops, acompanhamento, treino, talks, revisão de planos de negócio e financeiro, parcerias… Agora é que vão cá estar juntas e trazer para Portugal este conhecimento e estas novas oportunidades”, sublinha a porta-voz.

“Quantos mais hambúrgueres as pessoas comem, mais nitrogénio entra no oceano”.

A maioria das pessoas não pensa no impacto que as suas escolhas diárias tem nos ecossistemas aquáticos, no entanto, os mesmos estão a ser afectados pelas águas residuais. Uma equipa da Universidade da Califórnia em Santa Bárbara (UCSB) decidiu estudar a presença de nitrogénio e de outros patógenos em mais de 130 mil bacias hidrográficas do mundo.

“Estimamos que 25 bacias hidrográficas contribuam com aproximadamente 46% das entradas globais de nitrogénio das águas residuais no oceano”, afirma Cascade Tuholske, um dos investigadores do estudo. Os resultados demonstram que quase metade do nitrogénio é efetivamente proveniente das águas residuais humanas, e não dos resíduos agrícolas.

Este aumento está a provocar a eutrofização das águas. Segundo a UCSB, trata-se de “um fenómeno no qual nutrientes excessivos criam florações de fitoplâncton perto da costa que produzem toxinas e privam as águas do oxigénio”. Além deste fenómeno prejudicar a sobrevivência da vida marinha, tem também impacto na cadeia alimentar.

“Todos os ecossistemas podem chegar a um estado altamente degradado quando os níveis de nutrientes estão muito altos. Os recifes de coral podem ser convertidos em campos de algas que crescem demasiado e matam os corais abaixo deles”, explica Benjamin Halpern, autor do estudo e diretor do Centro Nacional de Análise e Síntese Ecológica da UCSB. “O nosso trabalho ajuda a mapear onde os nutrientes das águas residuais estão provavelmente a expor estes ecossistemas a um maior risco”.

Outras das observações dos autores foi o impacto que o sistema alimentar de cada país tem nos ecossistemas marinhos. O aumento da carne nas dietas modernas, adoptadas principalmente pelos países mais ricos, aumenta também a presença de nitrogénio nas águas residuais. “Quantos mais hambúrgueres as pessoas comem, mais nitrogénio entra no oceano”, aponta Cascade Tuholske.

Empresa Oceano Fresco angaria investimento de 6,1 milhões de euros

A Oceano Fresco, que se assume como pioneira mundial em aquicultura de bivalves, anunciou a conclusão da sua série B de investimento, no montante de 6,1 milhões de euros, “uma das maiores até hoje no sector”.

A ronda é co-liderada pelo fundo holandês de aquicultura sustentável Aqua-Spark e pela Semapa NEXT, braço de capital de risco do Grupo Semapa.

Com este investimento, a empresa irá expandir as suas operações e construir a sua primeira infraestrutura de armazenamento e embalamento.

De início, a expansão da empresa focar-se-á em Espanha e Portugal, “enquanto são estabelecidas as fundações de um negócio à escala global”.

“A Oceano Fresco tem-se distinguido como líder no sector das amêijoas, através da utilização de ferramentas avançadas e de uma abordagem de melhoramento contínuo das espécies baseada na ciência, trazendo inovação técnica e gestão ao emergente sector da economia azul”.

Na sequência de rondas de investimento anteriores lideradas pela BlueCrow Capital, a Oceano Fresco construiu um centro biomarinho (incluindo maternidade) na Nazaré e montou o primeiro viveiro de amêijoas, em mar aberto, ao largo do Algarve.

ÓPrepara-se agora para lançar, em larga escala, as suas operações comerciais, começando com variedades de espécies premium de amêijoas nativas da Europa, informa em comunicado.

A empresa tem sido até hoje financiada pelos seus fundadores, por apoios públicos, e por investidores de capital de risco que partilham a sua “visão disruptiva de uma verdadeira economia azul para a Europa e para o mundo”.

“É muito entusiasmante ter com a Oceano Fresco investidores tão experientes e reputados como a AquaSpark e a Semapa NEXT. Ambos partilham a nossa visão sobre alimentação sustentável e a importância da inovação para a concretizar. Chegámos a este ponto devido à nossa excepcional equipa. O futuro parece-nos brilhante”, afirma Bernardo Ferreira de Carvalho, fundador e CEO da Oceano Fresco.

“Uma etapa termina, outra começa. É gratificante saber que a empresa conta com um apoio tão forte entre os melhores; mas isto vem apenas aprofundar o sentido de responsabilidade que a equipa já tem, de estar sempre à altura das expectativas que vai criando”, diz por sua vez Nuno Arantes e Oliveira, co-fundador e presidente do CA da Oceano Fresco.

Ricardo Pires, CEO da Semapa NEXT, também citado naquele comunicado, sublinha que “uma das prioridades estratégicas desta empresa é “investir em empresas bem posicionadas para endereçar o imperativo da sustentabilidade com soluções escaláveis e economicamente viáveis”.

A Oceano Fresco “está inteiramente alinhada com esta visão, visto que está a trazer a produção de amêijoas para o século XXI através de uma abordagem completamente integrada, escalável, sustentável, e baseada na ciência”.

“Estamos entusiasmados com a perspectiva de trabalhar com esta equipa excepcional na vaga de crescimento que se avizinha, em que a empresa aumentará a produção e continuará a introduzir soluções inovadoras para ir ao encontro da crescente procura dos consumidores por fontes de proteína saborosas e sustentáveis”, afirma.

“Ficamos muito contentes por estar entre os investidores que lideram a série B da Oceano Fresco, visto que temos vindo a procurar a operação certa em bivalves desde que nos lançámos. Para nós, a Oceano Fresco destacou-se como um exemplo best-in-class no cultivo de moluscos, com o potencial de escalar e de reorientar a indústria numa direcção de maior sustentabilidade e transparência”, referem Mike Velings e Amy Novogratz, co-fundadores da Aqua-Spark.

A Oceano Fresco é uma empresa de alimentação sustentável que usa técnicas inovadoras de aquicultura para cultivar espécies de bivalves de alta qualidade.

“Os bivalves são uma alternativa reconhecidamente superior a todas as outras fontes de proteína de origem animal; a Oceano Fresco cultiva amêijoas nativas à Europa, designadamente das espécies V. corrugata e R. decussatus, ambas actualmente em declínio e ameaçadas por espécies exóticas invasoras, mas ambas também alvo de forte procura, contando-se entre os alimentos mais sustentáveis, naturalmente saudáveis e saborosos disponíveis em qualquer parte do mundo”, explica.

“As operações verticalmente integradas da Oceano Fresco permitem um cultivo sustentável e rastreável, alavancando os recursos do seu moderno Centro Biomarinho, do primeiro viveiro de amêijoas a mar aberto em todo o mundo (ambos em Portugal), e de um grupo de cientistas dedicado e totalmente apostado nos programas de I&D e de melhoramento selectivo da empresa”.