Governo ultima medida de pacotes para os Portos

Alteração dos prazos das concessões portuárias, revisão do modelo de governação dos portos e incentivos ao investimento nestas infraestruturas são algumas das medidas anunciadas por João Galamba, que entende que “este é o momento para sermos mais ambiciosos”.

O Ministro das Infraestruturas, João Galamba (na foto), anunciou ontem no Parlamento que o Governo está neste momento “a ultimar um pacote de medidas que iniciarão um novo capitulo para os portos nacionais”, que vai envolver, entre outros, a alteração dos prazos das concessões ou a revisão do modelo de governação do sector.

Aos deputados, o responsável elencou as linhas gerais desse pacote, salientando que vai passar por “definir as linhas gerais de orientação estratégica para portos, promover uma reforma legislativa ampla que assegure uma simplificação legislativa que estabeleça um ordenamento transparente, sustentável, flexível, e alterar o limite do prazo das concessões portuárias”.

Irá ainda passar por “rever o modelo de governação portuária numa lógica de cooperação interna e especialização de cada porto e de aumento da competitividade externa, formalizar o conceito prático de domínio portuário, que não existe, e criar medidas que incentivem mais e melhor investimento e renovação das infraestruturas”.

As medidas que João Galamba diz estarem em preparação passam ainda por “reconhecer e fomentar a especialização dos trabalhadores portuários e promover a valorização profissional das carreiras”.

O governante considerou os portos um “pilar fundamental do desenvolvimento económico do país” e disse que “este é o momento para sermos mais ambiciosos”.

Frisando que os portos “enfrentam desafios novos no contexto internacional altamente competitivo, no que diz respeito à transição energética e digital”, João Galamba defendeu que estas infraestruturas “devem caminhar para ser hubs energéticos e industriais, numa lógica de especialização e complementaridade interna”.

O ministro das Infraestruturas recordou ainda que o enquadramento legal do sistema portuário nacional data dos anos 90 e frisou que a estratégia para a competitividade dos portos do continente tem o horizonte temporal até 2026, “estando praticamente toda cumprida”.

Samskip ganhará dois porta-contentores de emissão zero

O fornecedor global de soluções de logística, Samskip, contratou duas embarcações movidas a hidrogénio para fornecer serviços nas suas rotas da Europa Ocidental. 

A Samskip assinou um contrato para os navios com a empresa indiana de construção naval, Cochin Shipyard ltd. Esses navios estarão entre os primeiros navios porta-contentores de short sea com emissão zero no mundo usando hidrogénio verde como combustível. Espera-se que cada embarcação atinja cerca de 25.000 toneladas de redução de CO2 por ano no modo de emissão zero. Irão alcançar operações de emissão zero nos portos, usando energia verde no porto de escala, de acordo com Samskip. 

O CEO do Grupo Samskip, Kari-Pekka Laaksonen, disse: “Este empreendimento é outra das iniciativas da Samskip que é um passo importante para alcançar as nossas metas de sustentabilidade descritas no nosso último relatório de sustentabilidade. “Isso reforça o nosso compromisso com a iniciativa de meta baseada na ciência da sustentabilidade e apoiará a nossa meta de atingir o zero líquido até 2040”, acrescentou Laaksonen. 

Da mesma forma, no início deste ano, no mês passado, a HMM anunciou que garantiu contratos para nove porta-contentores de 9.000 TEU movidos a motores bicombustíveis a metanol, com a Hyundai Samho Heavy Industries (HSHI) e a HJ Shipbuilding and Construction (HJSC).

Navio onde deflagrou incêndio ao largo do Porto partiu de Sines.

O incêndio que deflagrou na terça-feira no navio Greta K ao largo do Porto continuava activo, mas controlado, mais de 16 horas depois do alerta, disse a capitania do porto de Leixões, cerca das 07:00.

“Mantém-se tudo igual. O navio [que transporta combustível refinado] continua a cerca de 11 milhas da linha de costa [quase 18 quilómetros] e tem dois rebocadores portuários a dar assistência, a manter a posição e a arrefecer as estruturas com jactos de água”, disse à Lusa o comandante do Porto de Leixões.

De acordo com o capitão Silva Rocha, no local e nos rebocadores, cerca das 07:00, mantinham-se o comandante e dois tripulantes para prestar assistência técnica necessária.

“Estamos a aguardar a chegada da Fragata Corte-Real da Marinha para que depois as equipas técnicas façam uma avaliação mais rigorosa sobre o que está a acontecer no navio”, disse.Segundo a Marinha Portuguesa, o alerta foi dado cerca das 15:30 de terça-feira para o “Centro de Coordenação de Busca e Salvamento Marítimo (MRCC) de Lisboa, da Marinha” para um “incêndio no navio-tanque Greta K, com bandeira de Malta, que se encontrava a navegar a cerca de uma milha e meia de costa, cerca de três quilómetros, junto à praia dos Ingleses, na Foz do Douro, com 19 pessoas a bordo, todas de nacionalidade filipina”.De acordo com o capitão do Porto de Aveiro, não houve derrame de combustível, mantendo o navio a sua integridade física.

“Não há feridos a registar. Apenas um dos tripulantes foi levado ao hospital com queixas numa mão”, disse ainda o capitão Silva Rocha.

O navio Greta K, que se incendiou ao largo da Foz do Douro, no Porto, encontrava-se às 17:45, na altura do incidente, a quatro quilómetros da costa, vindo do porto de Sines, de acordo com a aplicação Marine Traffic.

Porto do Funchal: Em 2 dias, 5 navios e 16.489 pessoas..

O Porto do Funchal ficou lotado nesta terça-feira, com 4 navios acostados. “Norwegian Sun”, “Azura”, “AIDAsol” e “Azamara Pursuit” trouxeram à Madeira um total de 10 049 pessoas, a que se juntam hoje, mais 6 440 pessoas do navio “Iona”.

Em dois, perfazendo um total de cinco navios e 16 489 pessoas, dos quais 13 629 são passageiros e os restantes, tripulantes.

Porto de Aveiro substitui pontão flutuante do Forte da Barra.

O Porto de Aveiro procedeu à substituição do pontão flutuante para acostagem de embarcações de pequeno porte, no Forte da Barra, junto ao Jardim Oudinot.

A empreitada de substituição do cais ali existente envolveu um investimento de 67.490,00€, que contemplou o pontão flutuante, a ponte de acesso, sistema de tirantes e de escoramento, e respetivos maciços de encastramento na retenção marginal.

O pontão é conhecido pela sua importância como ponto de chegada da tradicional procissão em Honra de Nª Sra. dos Navegantes, sendo também utilizado por operadores de marítimo-turística e nautas que se deslocam ao Forte da Barra e ao Jardim Oudinot.

A Administração do Porto de Aveiro reforça, assim, as condições de segurança de acesso à ria de todos os utilizadores deste pontão, garantindo o seu uso público para esse efeito.

CMA CGM aumenta escalas em Lisboa

Chegou ontem ao Terminal de Contentores de Alcântara o porta-contentores CMA CGM IVANHOE, que iniciou assim, a sua escala regular no Porto de Lisboa. 

Inserido no serviço INDAMEX, este é um dos navios que liga o continente asiático e africano (India e Egipto) ao continente americano (Nova Iorque, e restantes portos). Esta rota pretende fomentar a exportação, com expectativa de, a médio prazo, vir a receber também tráfego de importação da Índia.

“Receber este novo serviço, com escalas regulares que ligam Lisboa aos três maiores continentes do mundo, reforçam o posicionamento do Porto de Lisboa, da cidade e do país, e é mais uma porta para servir melhor os nossos clientes”, destaca o presidente da Administração do Porto de Lisboa (APL), Carlos Correia, citado em comunicado.

Maersk revela design de "feeder" movido a combustível verde.

A Maersk revelou de forma efusiva o novo design da primeira embarcação movida a combustível verde.

A construção está em andamento e será entregue em breve pela Hyundai Mipo Dockyard. O navio possui um motor bicombustível e poderá operar com metanol verde – que faz parte do compromisso de liderar o caminho para uma indústria naval sustentável. 

“Estou muito feliz com o progresso que estamos fazendo no projecto. Agora concluímos todos os principais projectos relacionados e a produção está progredindo a toda velocidade com entrega prevista durante o verão. tem sido um enorme projecto, mas obtivemos sucesso não menos devido à grande colaboração internamente na Maersk e com os nossos parceiros”, afirmou Ole Graa Jakobsen, Reponsavel pela Tecnologia do gigante dinamarquês.

Cegonha-branca: 1° navio eléctrico da Transtejo já chegou.

A renovação da frota da Transtejo, com a aquisição de dez navios eléctricos, foi autorizada em 2019 e previa-se estar pronta para começar a navegar ainda durante 2022. No entanto, só em março é que o primeiro navio chegou ao porto de Lisboa, vindo dos estaleiros espanhóis Gondán. Até ao final do ano, esperam-se mais três unidades.

Baptizado de Cegonha-Branca, em homenagem à ave autóctone característica do estuário do Tejo, a embarcação abre espaço para os restantes nove barcos que ainda estão previstos chegar. A escolha do nome vai ser semelhante para todos os novos meios de transporte fluvial.

“Prevê-se a entrada em funcionamento destas estruturas durante o segundo semestre deste ano. Até lá, durante a fase de formação das tripulações, será utilizado o sistema de carregamento instalado na doca sita em Cacilhas”, avança a Transtejo, citada pela “TVI”.

Inicialmente, estava previsto um investimento global de 57 milhões de euros e gastos de aproximadamente 33 milhões de euros na manutenção. Os números correspondiam a um período entre 2020 e 2035. Com a alteração dos valores, o Plano de Renovação da Frota da Transtejo atinge um máximo de 70 milhões de euros de investimento nos navios e aproximadamente 29 milhões de euros para a manutenção até 2036.

“Pelas suas características, a nova frota permitirá melhorar a experiência da viagem fluvial, alcançar ganhos em eficiência energética, reduzir os actuais custos de manutenção e eliminar a emissão de C02” (dióxido de carbono)”, reforça a empresa.

Apesar das promessas, a frota tem gerado alguma polémica nos últimos dias. Em causa está a aquisição de nove baterias, no valor de 15,5 milhões de euros, um contrato adicional ao que já tinha sido assinado pelo Tribunal de Contas (TdC), correspondente a 52,4 milhões. No entanto, só um deles é que tinha a bateria para a realização de testes. A controvérsia levou o tribunal a chumbar a nova compra na quinta-feira, 19 de março.

“A Transtejo comprou um navio completo e nove navios incompletos, sem poderem funcionar, porque não estavam dotados de baterias necessárias para o efeito”, refere o TDC, citado pelo “Expresso”. “O mesmo seria, com as devidas adaptações, comprar um automóvel sem motor, uma moto sem rodas ou uma bicicleta sem pedais, reservando-se para um procedimento posterior a sua aquisição.”

A Transtejo é a linha que assegura as ligações fluviais entre Lisboa e o Seixal, Montijo, Cacilhas e Trafaria/Porto Brandão. Com a entrega deste primeiro navio, as operações passam por Cacilhas, Montijoe Seixal.

História da Contentorização

A contentorização da carga marítima moldou a vida de maneiras que nem podemos imaginar. 

O desenvolvimento do ‘contentor intermodal padrão’ reduziu enormemente as despesas do comércio global – especialmente bens de consumo. Tornou alimentos, material médico, utensílios domésticos e energia acessíveis para pessoas de todo o mundo. A conteinerização mudou drasticamente a economia global e melhorou os padrões de vida das pessoas em todo o mundo. Se mora num país parte da OCDE, quase tudo o que consome provavelmente não veio do seu país. 

A maioria de suas coisas foram enviadas do exterior. Antes da conteinerização, essas mercadorias geralmente eram feitas manualmente como ‘carga fraccionada ou, basicamente, itens soltos colocados ao redor do casco de um navio. Isso levava dezenas de estivadores dias ou semanas para carregar um navio. Isso tornou muitos produtos básicos proibitivamente caros para enviar para o exterior. Em 1956, o carregamento manual de um navio custava US$ 5,86 a tonelada. Após a conteinerização dessa carga, ela custava apenas 16 centavos a tonelada. Parece simples, mas ao carregar itens em caixas de tamanho padrão, eles podem ser carregados e descarregados em minutos, ao invés de semanas. 

Os embarcadores podiam carregar um contentor do seu depósito, carregá-lo até ao porto, carregar, descarregar e ser transportado até o destino como uma única caixa – sem que ela fosse aberta. Em 1955, o ex-proprietário da empresa de camiões, Malcom McLean queria transportar os seus camiões por mar ao longo da costa leste dos EUA. Os navios fracionados eram simplesmente muito ineficientes devido ao desperdício de espaço a bordo. Assim, McLean empacotou os camiões em caixas e desenvolveu o moderno “contentor intermodal”. Malcolm McLean vendeu tudo o que possuía para comprar dois navios capazes de transportar os seus camiões. Foi um sucesso incrível. Mais tarde, ele expandiu o seu serviço para Rotterdam, Escócia, Vietname, Hong Kong e Singapura. 

Malcolm McLean é creditado com o maior avanço individual no comércio global e um grande contribuinte para o desenvolvimento humano global. Os contentores reduziram o tempo de embarque da Europa para a Austrália de 70 dias para 34 dias, sem aumentar a velocidade do navio. Hoje em dia, navios porta-contentores especialmente construídos, transportam 90% da carga do mundo. Os contentores dominam os portos, armazéns, ferrovias, camiões e quase todos os lugares onde as mercadorias são transportadas. 

Toda a logística de transporte foi projectada tendo como base o Contentor Intermodal Padrão TEU (unidade equivalente a vinte pés). Os avanços tecnológicos refinaram ainda mais o transporte de contentores, mas o conceito permanece notavelmente simples. Assim como carregar sacolas de compras do carro – basta colocá-las numa caixa.

ONE encomenda dez novos porta-contentores Panamax

A ONE – Ocean Network Express encomendou dez novos porta-contêineres com capacidade de carga superior a 13.700 TEUs. Os novos porta-contentores serão entregues em 2025 e 2026. 

A transportadora marítima com sede em Singapura disse que este novo pedido está alinhado com a estratégia de médio prazo da empresa anunciada em março de 2022 e segue com os 10 navios encomendados em maio.

Fonte da ONE comentou: “Ao garantir uma implantação estável de novos navios porta-contentorea de última geração sem restrições por flutuações de curto prazo no mercado de contentores, a empresa visa fortalecer a competitividade da sua frota e atender à procura do cliente para construir e manter uma cadeia eficiente e confiável.”

As 10 novas embarcações estarão prontas para metanol e amónia, equipadas com uma cobertura de proa e outras tecnologias de economia de energia.

A ONE também iniciou discussões com os fabricantes de estaleiros e equipamentos para implementar a captura e armazenamento de carbono a bordo.