ONU: Portugal é uma das portas de entrada da cocaína na Europa por via marítima.

Portugal é apontado num relatório divulgado pela ONU,  como uma das portas de entrada da cocaína na Europa por via marítima e onde parte do tráfico será gerido por grupos radicados em Espanha, nomeadamente Galiza.

Segundo o Relatório Global sobre Cocaína 2023, divulgado pela Agência das Nações Unidas para as Drogas e o Crime (UNODC, na sigla em inglês), existem dois principais canais de entrada da cocaína na Europa Ocidental e Central: um primeiro via portos da Bélgica, Países Baixos, Alemanha e Mar do Norte e um segundo via costa e portos de Portugal e Espanha.

O relatório assinala que a localização de Portugal – e o seu extenso litoral atlântico – faz do país “um ponto natural de chegada de cocaína a ser descarregada de embarcações”.

A região do Algarve, além da Madeira e dos Açores, destaca-se pelo tráfico de droga não escondida em carga legítima e onde a cocaína chega sobretudo através de barcos de recreio.

Contudo, “quantidades significativas” de cocaína são traficadas através dos portos principais, como o de Setúbal, onde chega escondida em mercadoria legal. O distrito registou em 2020 as maiores apreensões de cocaína em Portugal, de acordo com o relatório.

O documento refere que “alguma da actividade de tráfico” de cocaína em Portugal “parece ser gerida por grupos sediados em Espanha”, nomeadamente da Galiza. Parte da cocaína com destino à Galiza é encaminhada para o norte de Portugal, descarregada à noite numa praia, seguindo depois para a região espanhola por estrada.

A Agência das Nações Unidas para as Drogas e o Crime realça que em 2020 foram apreendidos 400 quilos de cocaína no distrito de Viana do Castelo, fronteiriço com a Galiza, tornando-o no quinto distrito de Portugal continental com mais apreensões desta droga.

Na Galiza, segundo o relatório, grupos criminosos “mantêm laços de longa data” com grupos colombianos para operarem as rotas de tráfico de cocaína, com os narcotraficantes a recolherem droga de navios ao largo dos Açores ou Cabo Verde e a levá-la para terra em veleiros ou barcos de pesca.

Grupos de narcotraficantes galegos “são também activos na redistribuição”, por terra, de heroína para Portugal e Espanha, divulgou a Lusa.

E se o Titanic nunca afundou? Uma nova teoria ganhou fôlego na internet

Uma estranha teoria da conspiração sustenta que o Titanic nunca se afundou: o desastre aconteceu com outro navio da classe Olympic.

O Titanic media quase 269 metros de comprimento, 28 metros de largura e pesava mais de 46 mil toneladas. Em 1912, quando foi dado a conhecer ao mundo, era considerado o maior navio do mundo e simbolizou um empolgante avanço na indústria naval.

Era considerado o “navio inafundável”, mas a verdade é que, a 14 de abril de 1912, embateu num icebergue e afundou-se.

Ao longo da história, o naufrágio do Titanic originou múltiplas teorias da conspiração ao longo dos anos: a que defende que o navio foi amaldiçoado por uma múmia antiga, por exemplo; a que diz que tudo foi uma vingança levado a cabo por J. P. Morgan numa espécie de luta milionária entre rivais comerciais.

Há até uma versão que diz que Jack e Rose poderiam ter-se salvo na famosa porta, apesar de James Cameron já ter vindo contrariar tal hipótese.

No entanto, uma das mais estranhas conspirações é bastante simples: o Titanic nunca se afundou de todo, e o desastre aconteceu na realidade com outro navio da mesma classe Olympic construída pelos fabricantes, a Harland e Wolff .

Esta versão tem ganhado apoiantes no Reddit, com alguns utilizadores a mostrarem a sua incredulidade com as “evidências” que a sustentam. “Que conspiração é tão credível que pode ser verdadeira?”, questionou um.

“E se não foi o Titanic que se afundou?”, afirmava-se na rede social. “E se foi realmente o Olímpico? E se foi um estratagema para remover um navio defeituoso que lhes estava a dar mais prejuízo do que retorno à White Star Line e amealhar o valor da apólice de seguro?”

Mas antes de embarcar em fantasias, é importante estabelecer alguns factos importantes. O Titanic foi um dos três de navios encomendados e construídos para a empresa de navegação White Star Line entre 1911 e 1914. O primeiro foi o RMS Olympic; o Titanic foi concluído um ano mais tarde; e o RMS Britannic completou o conjunto em 1914.

Apesar do entusiasmo em torno dos lançamentos, nenhum dos navios teve o que se poder chamar de carreira ilustre. O Britannic não durou mais de dois anos no trânsito de passageiros: foi requisitado pela marinha do Reino Unido durante a Primeira Guerra Mundial, e acabou por ser destruído por uma mina em 1916.

De acordo com os registos históricos, o RMS Olympic teve um percurso quase exemplar, tendo percorrido os mares durante 24 anos, antes de se reformar e ser vendido para sucata em 1935. Pelo meio, também serviu na Primeira Guerra Mundial, onde ganhou o apelido de “Old Reliable” pela confiança que inspirava.

Na sua história conta apenas com um pequeno incidente, a 20 de setembro de 1911, poucos meses antes de o Titanic partir na sua trágica viagem inaugural. Segundo os livros, o RMS Olympic colidiu com o HMS Hawke ao largo da costa sul do Reino Unido.

Para a White Star Line, o acidente representou um desastre financeiro. O Hawke deixou dois enormes buracos no casco do Olympic, o que permitia a entrada de água e causou danos na hélice. A embarcação esteve fora de serviço durante meses, com as reparações a exigirem tempo e recursos que de outra forma teriam ido para o Titanic.

Para alguns conspiracionistas esta é uma associação óbvia e uma prova clara. A ela junta-se, por exemplo, o facto de o Titanic não ter sido submetido a uma vistoria antes da sua viagem — o que para muitos foi uma forma de impedir que o público soubesse que se tratava efetivamente do Olympic. Há ainda quem diga ter “provas” fotográficas de que os dois navios haviam sido trocados.

Mas a verdade é que nenhum destes argumentos tem lógica. De facto, o público pode não ter visto a embarcação antes de esta ter partido para o mar, mas esta foi certamente inspecionada pela Câmara do Comércio Britânica, tanto durante o processo de construção como após a conclusão.

Há registos escritos que o provam. Mas para além da visita das autoridades competentes, também os meios de comunicação da altura e de curiosos visitaram o porto onde a construção, com fotografias a prová-lo.

Quanto há questão de um afundamento provocado, sob o argumento económico de que a apólice de seguro seria mais vantajosa, a matemática está cá para a negar.

“Bruce Ismay, presidente da administração da White Star, confirmou que o Titanic ‘custou 7,5 milhões de dólares‘ — e foi assegurado em 5 milhões, pelo que percebo’”, escreveu Chirnside numa reflexão de 2005 sobre a conspiração.

“Quando comparamos o valor do seguro com o custo do navio, então podemos perceber que o seguro do Titanic correspondia a dois terços do seu custo, pelo que havia uma diferença de 2,5 milhões de dólares entre o benefício de seguro e o custo da construção do navio”.

Tal como reforça o mesmo investigador, para além das questões éticas e de legalidade, seria de esperar que a empresa se certificasse que o valor da apólice fosse superior ao custo de produção antes de recorrer a tal prática.

Caso sejam precisos mais elementos que comprovem que o navio envolvido no naufrágio, o IFL Science lembra ainda os números gravados nos elementos de construção do navio e onde se pode identificar o número 401, o qual identificava o Titanic e não o 400, que dizia respeito ao Olympic.

Os destroços encontrados posteriormente comprovam-no. Caso as embarcações tivessem sido trocadas, todas as peças da estrutura teriam que ser substituídas em questões de dias, quando originalmente tinham demorado meses a ser montadas.

Governo garante investimento no Porto da Figueira da Foz.

 

Com o ministro das Infraestruturas uras, João Galamba, ao seu lado para falar dos investimentos ao largo da costa figueirense, o presidente da autarquia figueirense, Santana Lopes, não perdeu a oportunidade para lembrar a importância do que fica mais junto à terra. João Galamba deu-lhe «todas as garantias» de grandes investimentos nos portos que servirão de base às futuras instalações de parques eólicos offshore.

“Tudo o que aqui estamos a tratar tem um requisito essencial, que é o da navegabilidade do porto e a resolução dos problemas que o afectam nomeamente as questões do desassoreamento», sublinhou Pedro Santana Lopes, na abertura do debate Energias Renováveis Offshore e Economia do Hidrogénio, que decorreu ontem no Centro de Artes e Espectáculos da Figueira da Foz, no âmbito do Périplo Energias Renováveis Offshore: Comunidade, Sustentabilidade e Economia, um ciclo de debates que o Ministério das Infraestruturas, a Secretaria de Estado do Mar e a Secretaria de Estado da Energia e Clima estão a promover.

“É necessário atingirmos quotas que permitem a navegabilidade dos navios que corresponde à máquina industrial instalada na Figueira da Foz, que por vezes tem procurado outros portos, sem necessidade nenhuma… porque este não é o porto da Figueira da Foz, é o porto da Região”, enfatizou o autarca figueirense. 

“E sendo o porto da Região, carece quer dessa navegabilidade, quer das ligações ferroviárias – rodoviárias não tinha há 20 anos, mas já tem -, que permitam principalmente a circulação das mercadorias, o seu escoamento após a chegada ao porto da Figueira da Foz, em condições decompetitividade”, acrescentou.

“Tendo ligações à Figueira da Foz – não para favorecer,porque não o devem fazer mas para não prejudicar -, sei que não cometerão o pecado que muitos cometem, que é o de esquecer a maior parte do território, nomeadamente a Região Centro”, comentou.

No seu discurso, o ministro João Galamba, lembrou que “Portugal assumiu metas muito ambiciosas na descarbonização, antecipando para 2026 o objectivo de alcançar 80% de fontes renováveis na produção de eletricidade”. O governante defende que estas metas exigem «esforço combinado de políticas públicas e investimentos privados»>, nomeadamente no que concerne à tecnologia éolica offshore. <>, defendeu também, considerando que, hoje, «os portos não são apenas locais de carga e des-carga de mercadorias, são sobretudo uma ligação entre o transporte marítimo e o hinterland onde se localizam polos industriais que se afiguram como os principais dinamizadores da economia regional e nacional».

“Os nossos portos têm um papel crítico a desempenhar dentro da cadeia de valor da energia offshore, já que, dependendo da estratégia adoptada, o porto pode ser utilizado como base para montagem, movimentação e/ou fabrico de componentes necessário”, prosseguiu o ministro. João Galamba sublinhou que cada porto próximo de um parque eólico offshore “funcionará como hub dessa cadeia de valor, o que significa que o primeiro passo na construção de um parque eólico é a escolha de um ou mais portos base, e se necessário aadaptação dos mesmos conforme os requisitos de cada projecto”.

“Serão feitos grandes investimentos nas infraestruturas portuárias, e posso dar todas as garantias ao senhor presidente da Câmara de que nessas infraestruturas se incluem, como é evidente, dragagens, trabalhos de manutenção e a devida articulação com a ferrovia», concluiu.

Logística Portuária: Novos Desafios e Oportunidades

De acordo com a celebrada “teoria do equilíbrio pontuado” de Stephen Gould, o progresso da humanidade ocorre de forma gradual até que surja um fator de destabilização que dê origem a um ciclo de mudança rápida e inesperada. No caso da logística portuária, registaram-se três ciclos de mudança radical nos últimos 65 anos, o último dos quais estamos a atravessar agora. Os dois primeiros têm a marca de um empresário americano notável: Malcom McLean.

Em 1956 o Sr McLean, um ex-camionista sem experiência no transporte marítimo, lançou o primeiro serviço de transporte de carga contentorizada, entre Newark e Houston nos EUA, utilizando um navio porta-contentores “Ideal X”, convertido de um petroleiro utilizado na Segunda Guerra Mundial. O argumento económico do “Ideal X” era imbatível: o custo de estiva era 36 vezes inferior ao da carga fracionada (US$ 0,16/ton contra US$ 5,83/ton em valores de 1956). Contudo, foi a guerra do Vietnam que veio demonstrar de forma inequívoca o mérito da contentorização, conduzindo à rápida substituição dos navios de carga geral fracionada por navios porta-contentores pelos principais operadores de linhas marítimas.

A segunda revolução do Sr. McLean iniciou-se em 1982 quando lançou o primeiro serviço à volta do mundo, utilizando 12 navios-mãe que circulavam o globo em 12 semanas no sentido Oeste-Leste, assim oferecendo um serviço semanal. Os navios-mãe escalavam um número reduzido de portos (“hubs”) onde a carga era transferida para navios mais pequenos numa operação de “transhipment”. Como se sabe, este modelo de negócio é hoje utilizado por todos os operadores globais, resultando numa redução drástica dos custos de transporte, que está na base do fenómeno da globalização. A contentorização veio alterar substancialmente as cadeias logísticas, com a localização dos “hubs” fora das grandes cidades. À medida que os portos se afastam dos centros de carga, o transporte multimodal assume importância acrescida, sendo que a combinação marítimo-ferroviária é a mais vantajosa por razões económicas e ambientais.

É fácil entender que estamos a atravessar um novo ciclo de mudança radical na logística portuária. O início poderá ser atribuído à Amazon quando, em 2016, decidiu assumir-se como operador marítimo no Pacífico, utilizando o estatuto de Non-Vessel Operating Common Carrier ou NVOCC. Utilizando este estatuto e o seu poder negocial, a Amazon passou a oferecer serviços de transporte em navios de terceiros, obtendo vantagens económicas com a integração das cadeias logísticas. A reação dos operadores marítimos não se fez esperar.

O mais rápido foi a Maersk, que em 2018 anunciou uma alteração radical do seu modelo de negócio, integrando a cadeia logística porta-a-porta, mesmo correndo o risco de antagonizar alguns dos seus clientes, particularmente os transitários. Desde então temos assistido a fortes investimentos dos operadores marítimos globais no mesmo sentido da integração das cadeias logísticas.

Por último, a instabilidade criada pela pandemia do COVID-19, agravada com uma guerra na Europa sem fim à vista, veio pôr em questão o modelo tradicional da logística “just-in-time”, e até mesmo a globalização da economia. O que virá a ser o novo “normal”?

Neste cenário de mudança, a aposta na ferrovia é cada vez mais importante.

Por: Eng. Jorge D’Almeida, Presidente da CPSI Sines – Adaptado da Newsletter Medway

Cruzeiros em Lisboa contribuiu com 336 milhões€ para o PIB

Em 2019, a indústria dos cruzeiros em Lisboa foi responsável
por 0,16% do PIB nacional, contribuindo com 336 milhões de euros. A conclusão é
do estudo “Avaliação do Impacto Económico da indústria de cruzeiros em Lisboa”,
elaborado pela Nova School of Business and Economics para a APL – Administração
do Porto de Lisboa, que diz também que, em média, o turista de cruzeiro
realizou, em Lisboa, uma despesa de 82€.

Esta análise revela ainda que, por cada euro gasto pelos
passageiros do sector dos cruzeiros é gerado entre 1,65€ e 3,78€ na produção
total da economia, um efeito multiplicador superior ao do alojamento e da
restauração.

Em 2019 o sector dos cruzeiros em Lisboa gerou, ainda, a
produção de 840 milhões de euros para a economia, 133 milhões de euros em
impostos e 8 863 empregos.

Também em 2019, o Porto de Lisboa registou 310 escalas de
cruzeiros, o que significa que cada uma dessas escalas contribuiu, em média,
com 1.08 milhões de euros para o PIB, gerou 29 empregos e 0,43 milhões de euros
em receitas fiscais.

O estudo conclui ainda que as empresas do sector dos
cruzeiros continuaram a investir, nomeadamente em novos navios e em tecnologias
verdes, com o objectivo de alcançar o “Global Net-Zero” até 2050, ou seja, zero
emissões de gases com efeito de estufa.

Durante os próximos cinco anos, os membros da Associação
Internacional de Linhas de Cruzeiro vão investir 23 mil milhões de euros em
novos navios, num forte compromisso com a sustentabilidade, e a
descarbonização.

Por outro lado, até 2026, vários portos vão investir no
fornecimento de energia elétrica aos navios de cruzeiro, com vista a contribuir
para eliminar todas as emissões de CO2 nos portos até 2030. No Porto de Lisboa,
esta transição para a energia elétrica é esperada em 2026.

Em 2022 Lisboa recebeu 327 escalas, o que superou o valor de
2019, quando foram registadas 310 escalas. O número de passageiros ainda foi
ligeiramente inferior em 2022, com um total de 462 mil passageiros

Carlos Correia, Presidente da Administração Porto de Lisboa
(APL), considera que estes dados confirmam “o relevante contributo económico do
sector dos cruzeiros no tecido económico nacional e regional, com impacto
positivo significativo em atividades como o retalho, sector imobiliário,
alojamento, restauração, transportes, entre outras.”

O estudo demonstra também que os contributos do sector dos
cruzeiros para o retalho foram na ordem dos 48 milhões de euros. Seguem-se os
serviços imobiliários com aproximadamente 40 milhões de euros, o alojamento com
37 milhões, os restaurantes com 29,3 milhões, os transportes com 24,2 milhões,
e as vendas brutas com 17,6 milhões.

Carlos Correia acrescenta, ainda que, “atendendo a estes
valores é indiscutível a importância que a actividade de cruzeiros representa
para os seus destinos, pelo que a APL continuará fortemente empenhada em
trabalhar, em conjunto com a cidade, para garantir que o impacto positivo desta
actividade seja mais do que apenas económico, executando projetos e iniciativas
que contribuam também para a sustentabilidade ambiental e social em Lisboa.”

Uma outra conclusão muito relevante do estudo, é que o sector
dos cruzeiros regista os seus picos na primavera e no inverno, em contraciclo
do turismo tradicional. O Porto de Lisboa acolhe cerca de 1700 navios por ano
posicionando-se como o terceiro maior porto do país.

Os seus 15 terminais, que movimentaram mais de 11 milhões de
toneladas em 2022, oferecem uma rede de ligações com os principais portos
mundiais, por permitir receber diversos tipos de cargas, nomeadamente,
contentores, granéis líquidos e granéis sólidos e carga fracionada.

Ricardo Segurado é o novo Subdiretor-geral da DGRM

Ricardo Segurado é o novo subdirector-geral da Direção-Geral
de Recursos Naturais, Segurança e Serviços Marítimos. 

A informação foi
veiculada através das redes sociais da DGRM.

Licenciado em Direito e pós-graduado em Contratação Pública,
exerceu funções como Secretário Técnico da Autoridade de Gestão do Mar em 2020,
e anteriormente exerceu o cargo de Chefe de Gabinete do Secretário de Estado
Adjunto e da Defesa Nacional.

 

Tecnologia permite recarregar planadores subaquáticos com diferenças de temperatura do oceano

A startup Seatrec lançou um sistema de recolha de energia térmica que permite recarregar um planador subaquático através das diferenças de temperatura no fundo do oceano.

Nova tecnologia permite recarregar planadores subaquáticos utilizando as diferenças de temperatura do oceano

Os planadores subaquáticos são cada vez mais usados para explorar o fundo dos oceanos, para fazer investigação de objetos afundados ou até para usos militares.

No entanto, devido ao curto orçamento e recursos disponíveis para os recuperar no fim das suas missões, ou seja, assim que a bateria termina, acabam por ser considerados muitas vezes como dispensáveis e deixados no fundo do mar.

Como este procedimento acarreta um grande desperdício de recursos e a poluição do fundo do mar com equipamentos com baterias de lítio, consideradas tóxicas, a startup Seatrec, cujo CEO é o ex-cientista da NASA Yi Chao, desenvolveu uma nova tecnologia que promete tornar-se uma solução para este problema.

Nova tecnologia utiliza transição de sólido-líquido e líquido-gás para carregar baterias

Baseando o seu funcionamento na tecnologia de proporção a jato da NASA, o sistema SL1 de recolha de energia térmica promete ajudar a carregar os planadores subaquáticos, permitindo que estes regressem à base e que não fiquem abandonados no fundo do mar.

Para realizar o carregamento das baterias, o sistema SL1 aproveita a forma como algumas substâncias transitam do estado sólido para o líquido, quando aquecidas e arrefecidas, de forma a gerar eletricidade.

Como funciona este sistema de energia renovável?

Depois de ser lançado e ancorado no fundo do mar, este equipamento irá utilizar um módulo que vai subindo e descendo, através de um cabo, procurando diferentes temperaturas.

Ao variar entre zonas mais quentes e mais frias, este sistema permite que uma substância baseada em cera de parafina, colocada em volta tubo de borracha cheio de óleo hidráulico dentro de um cilindro de alumínio, varie entre o estado sólido e líquido e produza eletricidade.

Quando o módulo está numa zona mais fria, a cera encontra-se no estado sólido. Já quando transita para uma zona mais quente (pelo menos 10º), a cera derrete e transforma-se em líquido. Nesta fase a pressão também aumenta e comprime o tubo, fazendo com que o óleo seja projetado para fora do cilindro através de um gegerador.

Essa passagem do óleo pelo gerador permite criar energia que é consumida de forma imediata ou armazenada numa bateria.

Quando volta a transitar para uma zona mais fria, a cera passa para estado sólido e retira a pressão no cilindro, fazendo com que o óleo volte para a posição inicial. Este processo é assim cíclico e pode ser usado múltiplas vezes.

Sistema pode carregar planadores subaquáticos

Quando o planador subaquático se aproxima, além de transferir os dados recolhidos e o seu estado, aproveita também para recarregar a sua bateria.

Desta forma, estes equipamentos conseguem ser recarregados e reutilizados, podendo até manter uma operação constante, sendo apenas afetados por falhas mecânicas ou elétricas.

Este sistema está já a ser comprado por investigadores académicos que procuram dados oceanográficos, assim como empresas governamentais e militares.

Jovens empresários de Fortaleza visitam o Porto de Sines

O Porto de Sines recebeu uma comitiva de jovens empresários de Fortaleza, liderada pelo Deputado Estadual do Ceará, Carmelo Leão Neto, numa promoção conjunta da aGP, APS e da plataforma Portuária, Industria e Logística de Sines, com o intuito de conhecer esta infraestrutura portuária.

O Porto de Sines apresentou as potencialidades do mercado sul americano, em especial do Brasil, com quem já tem uma ligação semanal directa de carga contentorizada. 

Já no Ceará, o Porto e Complexo Industrial do Pecém assume a maior importância e tem muitas características semelhantes a Sines, nomeadamente pela interligação das envolventes portuária e industrial, bem como na tipologia de cargas movimentadas. Na retaguarda, dispõem de uma área de cerca de 17 mil hectares para atividades industriais. 

O mercado sul americano apresenta grande potencial para o Porto de Sines, tanto nas exportações como na possibilidade de instalação de unidades brasileiras em Sines, beneficiando estas de localização em solo europeu.

Proposta criação de polvos em cativeiro.

Um plano para construir a primeira quinta de polvos do mundo tem aumentado as preocupações na comunidade científica pelo bem-estar do animal conhecido por ser inteligente.

A quinta em questão iria localizar-se nas Canárias, em Espanha, e criaria cerca de um milhão de polvos para consumo anualmente. A quinta vai ser gerida pela Nueva Pescanova, uma multinacional espanhola, que pretende abater os polvos utilizando água gelada, um método que afirma que não leva o animal a sofrer.

 proposta já foi enviada à Direcção Geral de Pesca das Ilhas Canárias e os documentos foram apanhados pela Eurogroup for Animals que os enviou à BBC.

Os polvos nunca foram cultivados de uma forma intensiva e vários cientistas já reagiram à proposta considerando-a como “cruel”. Actualmente, estes animais são capturados através de armadilhas colocadas nos seus habitats naturais ou pescados com linhas e consumidos em grandes quantidades, especialmente nos países mediterrânicos, Ásia e América Latina.

Há décadas que várias empresas tentam descobrir o segredo para conseguir produzir polvos em cativeiro. O processo tem-se revelado difícil pelas necessidades específicas dos polvos que se alimentam apenas de seres vivos e necessitam de um ambiente cuidadosamente controlado.

Foi em 2019 que a Pescanova afirmou ter feito as descobertas necessárias para conseguir avançar para a produção em cativeiro. No documento agora entregue à Direcção Geral de Pesca das Ilhas Canárias a multinacional espanhola revela que os polvos – animais solitários que habitam maioritariamente zonas escuras -, vão ser mantidos em tanques partilhados com outros polvos e sujeitos a luz constante.

O plano passa pela instalação de cerca de mil tanques comunitários numa estrutura de dois andares subaquática no porto de Las Palmas, na Gran Canária. Para morrerem os polvos seriam colocados em recipientes com água mantida a -3 graus celsius, criando quase uma pasta de gelo.

Uma vez que nunca foram criados polvos em cativeiro, não existem leis em vigor sobre o seu bem-estar. Ainda assim vários estudos demonstram que o abate de peixes através da água gelada causa uma morte lenta e stressante.

A Aquaculture Stewardship Council, principal centro de certificação para o cultivo de animais marinhos, já propôs uma proibição a este método e algumas cadeias de supermercados já deixaram de vender peixes mortos através de água gelada.

Peter Tse, neurologista na Universidade de Dartmouth nos Estados Unidos, reforça que os polvos “são tão inteligentes como os gatos” e que a morte através do gelo é algo “cruel que não deve ser permitida”. Assim sendo oferece uma alternativa que considera “mais humana” e que já é utilizada pela maioria dos pescadores, onde basicamente é dada uma pancada na cabeça dos animais.

O objetivo da Pescanova é abastecer “mercados internacionais premium” como os Estados Unidos ou o Japão, para isso pretende produzir mais de três mil toneladas de polvo ao ano, o que equivale a cerca de um milhão de animais. Assim sendo cada metro cúbico de tanque vai ser ocupado por entre 10 a 15 polvos.

É ainda estimada “uma taxa de mortalidade entre os 10 e os 15%”.

Os polvos, que por norma são animais caçadores e territoriais, seriam alimentados com rações secas produzidas industrialmente através de “descartes e subprodutos de peixes já capturados”.

Em resposta à BBC, a Pescanova afirmou: “Os níveis de exigência de bem-estar para a produção de polvos ou de qualquer outro animal nas nossas quintas de criação garantem o correto manuseamento dos animais. O abate também envolve o manuseamento adequado e evita o sofrimento ao animal”.

Os primeiros polvos a chegarem à produção seriam retirados de um centro de pesquisa, a Pescanova Biomarine Centre, na Galiza. Os 100 polvos em questão (70 machos e 30 fêmeas) estão “domesticados” e já não “apresentam sinais importantes de canibalismo ou competição por comida”.


Transtejo comprou nove navios elétricos sem baterias, TC considera o negócio "irracional"

A Transtejo comprou por 52,4 milhões de euros dez navios elétricos de transporte de passageiros, mas nove dos catamarãs foram adquiridos sem as respetivas baterias e estavam, portanto, inoperacionais. “É como comprar um automóvel sem motor, uma moto sem rodas ou uma bicicleta sem pedais”, consideram os juízes de Tribunal de Contas (TC), que chumbou a aquisição, à parte e por ajuste direto, das baterias pelo valor de 15,5 milhões de euros.

“Não se pode sequer falar em navios sem as baterias, como não se pode falar, por exemplo, em navios sem motor ou sem leme. Isto porque elas constituem uma parte integrante desses navios”, refere o acórdão do TC divulgado esta quarta-feira.

Além de ter travado a compra das baterias para as nove das dez embarcações, o Tribunal de Contas considera todo o negócio tão lesivo do interesse público que remeteu o caso para o Ministério Público, para que sejam apuradas eventuais responsabilidades financeiras ou até criminais.

A compra dos dez navios elétricos tinha como objetivo renovar a frota que faz as ligações entre Lisboa e a margem Sul do Tejo e, em 2021, a Transtejo deu conta ao TC de que iria abrir um concurso público para adquirir as baterias para as nove embarcações.

No entanto, o contrato que entregou há meses ao Tribunal de Contas é, na verdade, um ajuste direto à mesma empresa espanhola que tinha vendido os navios, que por sua vez iria comprá-las a outra empresa, a Corvus Energy.

Os juízes do Tribunal de Contas entendem que esta compra indirecta, através de uma empresa intermediária, tem um objetivo claro: “A resposta só pode ser uma: havendo um intermediário, aumenta o preço”.