Conferência do clima de Bona actualizada sobre descarbonização do transporte marítimo da IMO

 

A IMO actualizou a Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas de Bona (5 a 15 de junho) sobre o trabalho da Organização para a adopção de uma estratégia revista sobre a redução das emissões de GEE do transporte marítimo. A estratégia actualizada deve ser adoptada no Comitê de Protecção do Meio Ambiente Marinho da IMO (MEPC 80), que se reúne de 3 a 7 de julho após uma reunião do Grupo de Trabalho Intersecional de GEE (26 a 30 de junho).

Numa declaração ao Órgão Subsidiário da UNFCCC e para Assessoria Científica e Tecnológica (SBSTA), Camille Bourgeon, da IMO, destacou os regulamentos obrigatórios de eficiência energética já adoptados pela IMO e o trabalho em andamento para garantir que o transporte marítimo internacional tenha a sua parcela de responsabilidade no combate às mudanças climáticas.

Enquanto continua a estudar como incentivar a disponibilidade e escalabilidade de tecnologias e combustíveis marítimos sustentáveis ​​de baixo e zero carbono no futuro próximo, a IMO continuará a apoiar os países em desenvolvimento, em particular os pequenos Estados insulares em desenvolvimento e os países menos desenvolvidos, com vista a garantir uma transição justa e equitativa para o transporte marítimo de baixo carbono e aproveitar as oportunidades de desenvolvimento decorrentes da descarbonização do setor marítimo.

A IMO também está acelerando os seus esforços no desenvolvimento da estrutura regulatória de segurança necessária, permitindo o manuseamento seguro de futuros combustíveis marítimos a bordo de navios.

Faltam 31% dos nadadores-salvadores nas praias

 

Segundo avança o Jornal Público, já com a época balnear já a decorrer em pleno em quase metade das praias do continente, ainda falta contratar 31% dos nadadores-salvadores que seriam necessários. 

Os números são da Federação Portuguesa de Nadadores-Salvadores (Fepons) e resultam de um inquérito realizado aos seus associados esta quinta-feira. A região Centro é a mais afectada: em média, faltam 36% dos nadadores-salvadores que deveriam estar ao serviço.

Em comunicado, a Fepons lembra que a época balnear já arrancou em 209 das 422 praias de banhos marítimos do continente e também em 33 das 88 praias dos Açores e em 38 das 88 da Madeira. Só está mais atrasado nas “praias de banhos fluviais e lacustres”, onde só abriram 13 das 152 existentes.

O cenário, contudo, é de falta de pessoal para garantir a segurança um pouco por todo o país, embora com mais preponderância em algumas regiões do que outras. “Relativamente aos nadadores-salvadores ainda por contratar, na zona Norte a média é de 21% em falta, na zona Centro de 36%, na zona Sul de 33%, nos Açores de 19% e na Madeira de 33%”, lê-se no documento enviado às redacções. Feitas as contas, a nível nacional, a Fepons situa a falta destes profissionais em 31%.

Shipping terá que enfrentar consequências do fenómeno climático "El Niño"

Como amplamente esperado, após diversas análises ao longo do tempo, o início do fenómeno climático “El Niño” foi oficialmente confirmado, notícias estas que terão ramificações significativas para a indústria naval global nos próximos 12 meses.

“As condições do El Niño estão presentes e devem fortalecer gradualmente no inverno do Hemisfério Norte”, disse o Centro de Previsão Climática da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos EUA num comunicado publicado na passada quinta-feira, acrescentando que havia 84%  de que “El Niño” será mais forte que o normal.

“El Niño” é um padrão climático que se desenvolve no Oceano Pacífico e pode afectar as condições climáticas em todo o mundo. 

A boa notícia para o transporte marítimo é que isso tende a significar uma temporada de furacões mais baixa no Atlântico. As más notícias são inúmeras, no entanto – de um Pacífico mais tempestuoso, a novas restrições ao longo das principais vias navegáveis, incluindo o Canal do Panamá, e várias interrupções  graves na produção agrícola em todo o mundo.

A severidade da situação, poderá causar mudanças significativas na fluidez do mercado marítimo global, fazendo com que haja uma reorientação ainda que temporária, de modo a permitir uma estabilização na rotação das linhas e na distribuição de carga.

Oito factos que pode não saber sobre os oceanos.

Os oceanos ocupam a maior parte da superfície do planeta – cerca de 71% – e ainda há muito para descobrir sobre eles. 

Não é necessário mergulhar nas profundezas dos oceanos para descobrir alguns segredos escondidos:

. Cerca de 80% das erupções vulcânicas ocorrem debaixo de água.

. Do oxigénio que respiramos, 70% é produzido pelos oceanos.

. Mais de 95% do fundo do oceano é desconhecido.

. A profundidade média do Oceano é de 4 quilómetros.

. No ponto mais fundo do oceano, a pressão da água equivaleria ao peso de 50 aviões numa só pessoa.

. Estima-se que daqui a 30 anos, haverá mais plástico descartável do que peixe nos oceanos.

. Há mais de 360 cabos no fundo dos oceanos, ligando vários países e continentes, sem essa ligação subaquática, a Internet que conhecemos não seria possível.

. Há mais de 20 milhões de toneladas de ouro no fundo dos oceanos.




Linhas registam declínio significativo em receitas e lucros no 1º trimestre de 2023

 

A Sea-Intelligence, o líder de pesquisa e análise, serviços de dados e serviços de consultoria na indústria global de cadeia de abastecimento, afirmou que havia indícios de uma fraqueza no mercado no 2ª semestre de 2022, que se manifestou totalmente no 1º trimestre de 2023.

As receitas diminuíram bastante, na faixa de 35% a 70%, enquanto em termos de lucro antes de juros e impostos (EBIT), houve uma grande diferença no 1º trimestre de 2023 em relação aos dois anos anteriores.

No geral, o EBIT do ª trimestre de 2023 foi de 6,50 bilhões€, contra uns impressionantes 40,81 bilhões€ no 1º trimestre de 2022, e ainda menor do que o EBIT de15,12 bilhões€ de 2021-T1. “Dito isso, ainda é significativamente superior ao EBIT de 576,85 milhões€ do 1ª trimestre de 2019”, apontou um funcionário da Sea-Intelligence.

Na verdade, a queda combinada do EBIT homologa foi de -81% (no mesmo conjunto de operadoras).

Isso também pode ser visto nos números de EBIT/TEU, onde nenhuma das companhias marítimas conseguiu sustentar os seus números de EBIT/TEU do 1ª trimestre de 2022 em 2023. Em média, as companhias marítimas registraram EBIT/TEU de 306,54€/TEU em 2023-1º trimestre, 81% abaixo da média de 2022-1º trimestre de 1698,96€/TEU, mas ainda muito acima da média de apenas US$ 49,23€/TEU de 2010-2021.

“O único lado positivo, se é que pode chamar assim, é que, embora as comparações Y/Y com 2022-T1 mostrem uma imagem horrível devido aos números anormalmente altos naquele ano, a realidade é que os lucros das linhas de navegação aumentou consideravelmente em comparação com os níveis pré-pandémicos e, olhando para os indicadores actuais do mercado, não parece que as linhas de navegação vão cair de volta a esses níveis baixos no curto prazo”, comentou Alan Murphy, CEO da Sea -Inteligência.

Portos de Setúbal e Sesimbra querem mais mulheres em cargos de decisão até 2030

 

A APSS – Administração dos Portos de Setúbal e Sesimbra revelou na terceira sessão do Fórum Investir, Inovar e Descarbonizar, que pretende ter, até 2030, mais mulheres em cargos de liderança, contradizendo as atuais disparidades salariais entre géneros.

Actualmente, a maioria das mulheres que trabalham no sector exercem cargos relacionados com a inspecção de navios, nos serviços portuários e na logística, por isso esta iniciativa quis debater a igualdade de género, reforçando o posicionamento das mulheres enquanto profissionais num sector que é tradicionalmente masculino.

De acordo com Carla Ribeiro, vogal do Conselho de Administração da APSS, “existem três realidades que se mantêm como limitativas de uma maior igualdade: o preconceito sobre as nossas capacidades enquanto mulheres, a assunção de responsabilidades familiares, e o acesso a cargos de topo, privados ou públicos. Os dados do nosso sector tendem a demonstrar que é necessário alterar esta realidade”.

A própria adiantou, ainda, que “há sempre mais a fazer, e neste sentido vamo-nos desafiar a assumir o compromisso previsto na Meta Nacional para a Igualdade de Género (lançada pela Global Compact Network Portugal), traduzido no objectivo de alcançar 40% de mulheres em cargos de decisão até 2030, reiterando assim o nosso objetivo de promoção da igualdade de tratamento, de oportunidades e da participação equilibrada dos homens e das mulheres na nossa organização”.

A sessão “Igualdade de Género”, que foi moderada por Carla Tavares, presidente do CITE – Comissão para a Igualdade no Trabalho e no Emprego, contou ainda com a participação de Isabel Lucas, da Operestiva, Ana Lima, da Mind4Logistics e Manuela Roque, da APSS, que falaram sobre as suas experiências profissionais, dificuldades e desafios para o futuro.

A encerrar o debate esteve Isabel Moura Ramos, vogal do Conselho de Administração da APSS, que salientou a importância da representatividade feminina no sector marítimo-portuário: “a nível mundial, as mulheres apenas representam 18% do total de trabalhadores, o que é muito pouco para um sector que tem uma forte componente de desenvolvimento social. Os portos precisam de investir mais nesta vertente e as mulheres são decisivas para se atingir esse objetivo. O empoderamento feminino não se trata de ficar à frente dos homens, mas sim ao lado”.

Oceanos registaram o mês de maio mais quente de sempre

“As temperaturas à superfície dos oceanos atingem já níveis recorde e os nossos dados indicam que a temperatura média para todos os mares livres de gelo em maio de 2023 foi superior a qualquer outro mês de maio”, disse em comunicado a diretora-adjunta do serviço europeu Copernicus sobre alterações climáticas (C3S, na sigla em inglês), Samantha Burgess.

As conclusões baseiam-se na análise, por computador, de milhares de milhões de dados recolhidos por satélites, navios, aviões e estações meteorológicas em todo o mundo.

Alguns dos dados usados pelo Copernicus remontam a 1950.

No que respeita às temperaturas do planeta como um todo, o mês de maio foi o segundo mais quente jamais registado.

“Maio de 2023 foi o segundo mais quente a nível mundial, quando vemos sinais do El Niño a surgir no Pacífico equatorial”, disse Samantha Burgess, citada pela agência France-Presse.

O El Niño é um fenómeno climático natural geralmente associado a um aumento das temperaturas, a uma seca acrescida em certas partes do mundo e a chuvas fortes em outras.

O fenómeno ocorreu pela última vez em 2018-2019 e deu lugar a um episódio de quase três anos do La Niña, que provoca efeitos contrários, nomeadamente uma redução das temperaturas.

Apesar desse efeito moderador, os últimos oito anos foram os mais quentes alguma vez registados.

No início de maio, a Organização Meteorológica Mundial (OMM), agência especializada da ONU alertou para a probabilidade de o El Niño se formar este ano, elevando as temperaturas a novos recordes.

A organização estimou então em 60% a probabilidade de o El Niño se formar até ao final de julho e em 80% até o final de setembro.

Tirar uma foto pode ajudar a combater poluição nos oceanos.

Há uma nova aplicação, desenvolvida pelo projeto SMART, que visa ajudar a combater a poluição nos oceanos. Através de uma fotografia, todas as pessoas podem contribuir. E já está disponível para alguns dispositivos.

“Viu lixo no mar? Tire uma fotografia, que a SMART trata do resto.” A mensagem da aplicação criada no âmbito do projeto SMART, vencedor da primeira edição do AI Moonshot Challenge, é clara: quando encontrar lixo no mar ou nas zonas costeiras, tire uma foto e a aplicação monitorizará a poluição existente nos oceanos.

O AI Moonshot Challenge, promovido pela Agência Espacial Portuguesa, “foi uma oportunidade única para abordar um problema de extrema relevância na nossa sociedade”, afirma o coordenador do projeto SMART e um dos responsáveis da aplicação. Leonardo Azevedo acrescenta que o “projeto pretende contribuir cientificamente e produzir resultados com impacto prático”, através da utilização de imagens de satélite e inteligência artificial.

Além de registar a localização, a aplicação do projeto SMART permite fazer apontamentos das características dos resíduos encontrados, como a cor e a área de acumulação. Desta forma, será possível contribuir para a criação de um repositório europeu, treinar algoritmos de deteção de lixo a partir do Espaço e, desenvolver uma ferramenta de monitorização da poluição de plástico nos oceanos.

Diferentes métodos

Segundo o coordenador do estudo serão utilizados diferentes métodos de aprendizagem de forma complementar. “Por um lado, os métodos são empregados para identificar automaticamente as áreas onde ocorrem essas acumulações, por meio da identificação automática de imagens de satélite”, explica.

Por outro lado, a equipa usa “abordagens para calcular rapidamente a evolução espaçotemporal do oceano, que é um problema complexo e, que normalmente requer grande capacidade de computação e conhecimentos especializados”. E “para calibrar e validar o modelo proposto, tiramos partido das campanhas regulares realizadas pelo Instituto Hidrográfico com navios, bem como dos dados obtidos por meios não tradicionais, como veículos autónomos”, conclui Leonardo Azevedo.

Disponível para Android

“O objetivo é que a aplicação seja de fácil utilização, mantendo um design simples e um número reduzido de opções. Após instalar a aplicação no seu telemóvel, o utilizador poderá começar a utilizá-la imediatamente”, explica o coordenador. A aplicação ainda só está disponível para dispositivos Android mas em breve também estará nas plataformas iOS.~

A equipa SMART está “empenhada em continuar a avançar na pesquisa, fortalecer parcerias e contribuir positivamente para a luta contra a poluição dos oceanos”.

Quercus diz que portugueses comem demasiado peixe

 

A Quercus considera que há um consumo excessivo de peixe em Portugal, com os portugueses a comerem mais de 150 gramas por dia, o que representa 2,5 vezes mais do que a média da União Europeia.

De acordo com os dados disponíveis em 2020, citados pela associação, cada português consumiu em média 59,9 Kg de peixe.

Em comunicado divulgado por ocasião do Dia Mundial dos Oceanos, a organização ambientalista defendeu que o aumento crescente da procura de proteínas provenientes do mar, juntamente com “práticas de pesca insustentáveis” e os efeitos das alterações climáticas estão a agravar a acidificação dos oceanos.

“Nos últimos 200 anos, o oceano absorveu cerca de 30% do total das emissões de CO2, alterou a produção de carbonato de cálcio nas águas oceânicas, perturbando assim o ciclo carbonato-silicato que causou este fenómeno da diminuição progressiva do pH da água”, lê-se no documento.

Entre as espécies mais afetadas estão o caranguejo, as lagostas, as amêijoas, os mexilhões, as ostras, os ouriços-do-mar, os corais e as lulas.

“A sobrepesca, os métodos de pesca destrutivos e a destruição do habitat são as principais preocupações que precisam de atenção urgente. Se não forem abordadas, essas práticas podem esgotar populações de peixes, perturbar os ecossistemas marinhos e comprometer a subsistência daqueles que dependem da pesca como principal fonte de rendimento”, sustenta a Quercus, ao propor a confecção de pratos com uma dose mais reduzida de peixe e o uso de espécies mais abundantes, mas também o consumo de algas.~

“A transição alimentar para a utilização de fontes de proteína à base de plantas é também uma opção de cada vez mais pessoas, havendo ainda um caminho a percorrer de educação alimentar, na valorização da ampla gama de opções nutritivas para pessoas que procuram reduzir o consumo de peixe, assim como outros produtos de origem animal”, afirma a associação.

"Anthem of The Seas" no Funchal

O “Anthem of the Seas” esteve esta quinta-feira no Porto do Funchal trazendo a bordo 4451 passageiros e 1541 tripulantes.

Proveniente de Vigo, o navio fez uma escala de 9 horas na Madeira, tendo partido para Lanzarote, no âmbito do cruzeiro de 12 noites, iniciado a 4 de junho, em Southampton, com escalas em Vigo, agora Funchal, seguindo-se Lanzarote, Grã-Canária, Tenerife, Lisboa e novamente Southampton, onde finaliza a viagem no dia 16 de junho.

Pela manhã decorreu um exercício interno de simulação de cenário de incêndio a bordo, e evacuação.
Este exercício juntou equipas do “Anthem of the Seas” e entidades como o Subcentro de Busca e Salvamento Marítimo do Funchal, a Autoridade Marítima Local e a Administração dos Portos da Madeira, APRAM, S.A., no âmbito das competências próprias de cada entidade.
A APRAM, S.A., realizou também um treino do Plano de Emergência Interno (PIE), na interface mar/terra, integrando meios humanos e materiais próprios e os serviços de segurança privada (RONSEGUR).

Os Bombeiros Sapadores do Funchal participaram também nestes exercícios de simulação que hoje tiveram lugar no Porto do Funchal.