Poluição sonora marinha preocupa classe científica

Estudos sugerem que o ruído provocado pela actividade humana afeta toda a cadeia alimentar nos oceanos

“O oceano tem muito para nos dizer. Não é silencioso. Na verdade, há bastante ruído. Há muitos sons de animais, claro… mas também sons de humanos”.

Lucia Di Iorio é a bioacústica que lidera um estudo no âmbito dos projectos internacionais de investigação “TREC” e “BIOcean5D” para captar as paisagens sonoras subaquáticas ao longo das costas europeias e não esconde a preocupação pela crescente interferência humana nos sons marinhos.

Os registos sonoros, juntamente com as amostras genéticas, ajudam os cientistas a compreender melhor os “hotspots” de biodiversidade marinha, como aquele visitado pela euronews na costa da Bretanha:

“Aqui ouvimos principalmente as ervas marinhas e as algas. São viveiros – crescem aqui pequenos peixes e pequenas larvas. Protegem da erosão, produzem oxigénio, armazenam carbono e desempenham uma série de papéis importantes nos ecossistemas.

Nas florestas de algas, como se trata de um ambiente rochoso, há muitos camarões, que fazem um som característico. Depois ouvimos alguns sons de frequência muito baixa. São sons de peixes e são usados para comunicação.”

No entanto, passam vários navios nas proximidades. Como é que este ruído artificial afecta o ecossistema? Lucia Di Iorio responde:

“O tráfego de barcos vai afetar a comunicação dos animais. É como se vivêssemos junto a uma autoestrada, ou a uma estrada movimentada, e os carros estivessem sempre a passar – é irritante! É incómodo para nós mas também é incómodo para os animais que vivem nesse ambiente”.

Os cientistas estão cada vez mais alarmados com a poluição sonora submarina, que coloca uma pressão adicional sobre a fauna marinha, já ameaçada pela atividade humana. Há cada vez mais provas de que a poluição sonora pode afetar uma vasta gama de animais marinhos e até de plantas.

Lucia Di Iorio está a conduzir uma experiência em laboratório para perceber se o som subaquático pode afetar o fitoplâncton. Se estes organismos microscópicos também forem afetados pelo ruído, isso significa que as consequências da poluição sonora podem repercutir-se em toda a cadeia alimentar, afetando organismos desde criaturas marinhas minúsculas até aos gigantes do mar.

Há muito que se sabe que os sons subaquáticos são fundamentais para as baleias e os golfinhos se orientarem, localizarem comida e comunicarem. É por isso que investigadores como Michel André têm privilegiado, até há pouco tempo, os mamíferos marinhos.

O director do Laboratório de Bioacústica Aplicada na Universidade Politécnica da Catalunha explica que a investigação efectuada nos últimos 10 anos aumentou consideravelmente a compreensão do problema:

“Descobrimos que outras espécies, nomeadamente invertebrados, como os cefalópodes, os crustáceos, as medusas, os recifes de coral – milhares e milhares de espécies – estavam a sofrer provavelmente mais do que os cetáceos. E isto mudou totalmente a forma de abordar os efeitos do ruído no ambiente marinho”.

É agora evidente que os efeitos nocivos da poluição sonora no oceano vão muito para além dos golfinhos e das baleias e, para resolver eficazmente este problema, é necessária uma monitorização global contínua do ruído subaquático.

Com base nos resultados do projecto de investigação europeu “LIDO” (“Listening to the Deep-Ocean Environment”), o laboratório de Michel André instalou uma vasta rede de estações acústicas marinhas.

O ruído gerado pelo homem, proveniente do transporte marítimo, da construção de parques eólicos, de operações industriais ou militares, cria um “nevoeiro acústico” submarino que pode desorientar os animais marinhos.

De acordo o investigador, os observatórios acústicos autónomos poderiam identificar e alertar as fontes de ruído, instando-as a manter o silêncio:

“A poluição sonora ameaça o equilíbrio do oceano e temos de tomar medidas para inverter estes efeitos negativos que introduzimos sem percebermos que estávamos a contaminar o oceano com sons.”

Mas como reduzir o ruído quando a navegação global está a aumentar? O rio Elba, que serve o porto de Hamburgo, na Alemanha, é uma movimentada rota de navegação que passa junto a bancos de areia onde há uma grande população de focas.

Esta proximidade permite aos cientistas observar como estes animais reagem ao ruído e sugerir formas para tornar os navios mais silenciosos.

Os animais são sinalizados com etiquetas electrónicas que caem passado algum tempo e registam os movimentos e o nível de ruído à sua volta. Nesta zona do rio, as focas dependem do som para apanhar as presas porque a visibilidade na água é fraca.

Os dados das etiquetas sugerem que as focas são perturbadas por grandes navios. O ruído das hélices e dos motores parece interromper a caça e faz com que mergulhem sem descanso entre o leito do rio e a superfície.

O desafio agora passa por usar esta informação para tornar os navios mais silenciosos. Joseph Schnitzler, investigador do Instituto de Investigação da Vida Selvagem Terrestre e Aquática, sugere que a solução pode passar por “uma mistura de soluções técnicas, como a alteração do design da hélice” com “alterações funcionais, como a redução da velocidade dos navios ou o redirecionamento de uma faixa de navegação”.

Os cientistas do projecto europeu SATURN estão a explorar aspectos biológicos e de engenharia para ajudar a reduzir o ruído, diminuindo assim um dos muitos impactos humanos nocivos no oceano.

Schnitzler acredita que há razões para estar otimista:

“Temos aqui a oportunidade de mudar rapidamente, o que não é possível com a poluição química ou com os detritos de plástico, os microplásticos nos mares. As soluções estão muito próximas, podemos agarrá-las quase de imediato”.

Grande Ilha de Lixo do Pacífico é tão grande que já tem um ecossistema.

No norte do Oceano Pacífico, uma quantidade enorme de lixo, do tamanho do Amazonas, fica concentrada. A chamada Grande Ilha de Lixo do Pacífico é a maior acumulação de plástico oceânico do mundo. Ela forma-se no ponto de encontro de cinco enormes correntes oceânicas que arrastam lixo para o centro e o prendem lá.

O nome pode enganar: A área não é uma grande montanha de lixo no meio do oceano. A mancha é mais dispersa e formada principalmente por microplásticos, que passam despercebidos por satélites. Quem navega pela região, porém, consegue perceber que ela tem uma concentração particular de lixo.

Um novo estudo, publicado na revista Nature Ecology & Evolution, revelou que dezenas de espécies organismos invertebrados, normalmente vistos nas regiões costeiras, conseguiram sobreviver e reproduzir-se naquele plástico flutuante. Ao contrário do material orgânico, que se decompõe ou afunda, plásticos podem flutuar nos oceanos por muito mais tempo. 

A descoberta sugere que a poluição plástica no mar pode permitir que novos ecossistemas abriguem espécies que normalmente não sobreviveriam nessa condição. 

Os investigadores examinaram 105 itens de plástico pescados na Grande Mancha de Lixo do Pacífico. Identificaram 484 organismos invertebrados marinhos nos detritos, de 46 espécies diferentes, das quais 80% eram normalmente encontradas nos habitats costeiros. Além disso, eles ainda encontraram muitas espécies de oceano aberto. 

“Em dois terços dos escombros, encontramos as duas comunidades juntas, competindo por espaço, mas muito provavelmente interagindo de outras maneiras”, afirma Linsey Haram, principal autora do estudo.

De acordo com a autora, as consequências da chegada de espécies invasoras nas áreas remotas do oceano ainda são um mistério. “Provavelmente há competição por espaço, porque o espaço é escasso em mar aberto, provavelmente há competição por recursos alimentares – mas eles também podem estar comendo uns aos outros”, afirma. “É difícil saber exatamente o que está acontecendo, mas vimos evidências de algumas das anêmonas costeiras comendo espécies de oceano aberto, então sabemos que há alguma de acção predação acontecendo entre as duas comunidades.” 

Também é incerto como as criaturas chegaram até lá, provavelmente tenham pegado boleia em algum pedaço de lixo. O facto é que elas estão a reproduzir-se num tipo de ambiente que não era o habitual, e essas aventuras ao mar podem “alterar fundamentalmente” as comunidades oceânicas, segundo os investigadores. 

Porto de Aveiro abre procedimento para 3 parcelas na ZALI

O Porto de Aveiro abriu um procedimento de manifestação de interesse para três parcelas na Zona de Actividades Logísticas e Industriais do Porto de Aveiro, com área total de 192 090 m2, para unidades industriais do sector eólico offshore.

Este procedimento reforça o posicionamento que o Porto de Aveiro e a região têm assumido no quadro do desenvolvimento da indústria e da logística para a produção de energia eólica, bem como a localização estratégica que os Portos de Aveiro e da Figueira da Foz assumem para a implementação das áreas offshore de produção de energias renováveis atlânticas.

Plástico é encontrado no ponto mais profundo do oceano.

A Fossa das Marianas é o lugar mais profundo do oceano, mas a profundidade de quase 11 mil metros não a protegeu do plástico. Um estudo recente identificou que um saco de plástico é o item “mais profundo do planeta Terra” feito com o material que demora séculos para se decompor.

Nas expedições a recantos profundos feitas anteriormente, mergulhadores encontraram plástico onde nem sequer existem condições para a fauna marinha, como na Fossa das Marianas. Em 2019, o experiente explorador americano Victor Vescovo encontrou plástico no local que foi visitado pelos seres humanos apenas três vezes na história.

A curiosidade pelas profundezas cresceu após a morte dos cinco passageiros a bordo do Titan, um submersível que colapsou rumo aos destroços do Titanic, na costa do Canadá, a cerca de 3.800 metros de profundidade. Neste patamar do oceano, não há luz solar, a pressão é 376 vezes superior do que na superfície e onde só peixes raríssimos – com dentes afiados, gelatinosos e aparências exóticas – resistem às condições.

A Fossa das Marianas, no Oceano Pacífico, é ainda mais inóspita, onde só crustáceos e microrganismos habitam. Se fosse invertido, o ponto mais profundo é de 2 mil metros mais alto do que o cume do Everest, a maior montanha do mundo. Mesmo assim, Vescovo encontrou uma saco convencional, tipicamente encontrados nos supermercados.

Para precisar o tamanho desse impacto, cientistas da agência marítima do Japão analisaram 36 mil fotografias capturadas em 3 décadas de mergulhos profundos pelo mundo e concluíram que o saco de plástico da Fossa das Marianas é, de facto, o mais fundo que um material plástico já foi encontrado.

É incerto dizer se o saco é o mesmo encontrado por Vescovo. Segundo um estudo, 89% de todo o lixo das profundezas é de plástico descartável, como sacos, embalagens de doces e garrafas de água.

Galp na corrida ao eólico offshore com a Total Energies

Segundo avança o Negócios, a Galp e a francesa Total Energies anunciaram um novo acordo para explorarem em conjunto “potenciais oportunidades na energia eólica offshore em Portugal”, no âmbito dos planos do Governo para leiloar até 10 GW de capacidade eólica no mar nos próximos anos.

“As duas empresas irão trabalhar em conjunto para desenvolver potenciais projectos eólicos offshore ao longo da costa portuguesa. Esta parceria combina a forte presença e conhecimento do mercado português da Galp com as competências da Total Energies em projectos eólicos offshore de grande escala”, informaram em comunicado.

Para a Galp, este acordo representa a entrada na corrida ao eólico offshore em território nacional, uma “nova oportunidade” identificada pela petrolífera. “A Galp planeia transformar a sua base industrial em Portugal para disponibilizar uma vasta gama de soluções energéticas de baixo carbono e as energias renováveis são a espinha dorsal desta transição,” afirmou Georgios Papadimitriou, administrador executivo da Galp para as Renováveis, Novos Negócios e Inovação.

Já para a Total Energies, esta parceria “reforçará as actividades renováveis em Portugal”, onde a empresa tem um “portefólio total de mais de 1 GW de projectos solares e eólicos em operação ou em desenvolvimento,” afirmou Olivier Terneaud, vice-presidente da Total Energies para o eólico offshore.

“Cura do Pepino”. A solução para a diabetes pode estar num fruto do mar

Uma recente investigação sugere que o consumo de Pepino do Mar, uma iguaria apreciada na Ásia, pode desempenhar um papel significativo na prevenção da diabetes e de outras doenças graves.

Apesar de o Pepino do Mar ser uma iguaria amplamente reconhecida no continente asiático, pouco ou nada se sabia sobre o seu potencial na prevenção da diabetes.

Mas segundo um novo estudo, publicado pela Universidade da Austrália do Sul, o Pepino do Mar quando consumido de forma seca e processada com extratos de sal pode inibir a formação de produtos finais de glicação avançada (AGEs).

“Sabe-se que o acúmulo de AGEs está associado a complicações de diabetes tipo 2 e, portanto, encontrar estratégias para prevenir a sua formação permite reduzir o risco de desenvolver diabetes”, explica Permal Deo, autor principal do estudo, que foi publicado recentemente na revista Food Science + Technology.

A produção de AGEs está associada a um risco aumentado de diabetes, doenças cardíacas, Alzheimer, Parkinson, doenças renais e cancro.

O grupo de investigação australiano estudou as propriedades medicinais do Pepino do Mar (Holothuria scabra) e descobriu que este pode inibir a produção de AGEs, um composto associado ao aumento do risco de diabetes.

“Descobrimos que o Pepino do Mar seco e processado com extratos de sal e colágeno pode inibir significativamente os AGEs, levando à diminuição de uma variedade de metabolitos relacionados com os níveis de açúcar”, afirma Deo, citado pela SciTechDaily.

“O Pepino do Mar é conhecido por ter uma variedade de propriedades terapêuticas, incluindo propriedades anti-inflamatórias e antioxidantes, e por isso queremos explorar os compostos bioativos que inibem os AGEs”.

Os AGEs formam-se quando proteínas e/ou gorduras se combinam com açúcares na corrente sanguínea. Quando há uma acumulação elevada de AGEs no sangue, há um aumento de complicações associadas à diabetes, mas não só.

Até agora não existe nenhum agente terapêutico comercialmente disponível capaz de inibir a formação de AGEs, que têm também um papel importante em doenças cardiovasculares, Alzheimer, Parkinson, doenças renais e cancro.

Esta investigação abre um novo leque de possibilidades para o desenvolvimento de um alimento funcional, com vista à prevenção do surgimento destas doenças e das suas complicações.

Segundo a equipa de investigação, “Entender como é que os compostos bioativos presentes no Pepino do Mar inibem os AGEs é crucial para nos proteger contra estas doenças”.

Portugal mantém uma das prevalências de diabetes mais elevadas da Europa, contando com mais de 830 mil doentes inscritos no Serviço Nacional de Saúde. Globalmente, cerca de 422 milhões de pessoas têm diabetes, e cerca de 1,5 milhão de mortes são atribuídas directamente a esta doença, por ano.

Quase 60% de todos os casos de diabetes tipo 2 podem ser retardados ou evitados com mudanças na dieta e estilo de vida.

“Estes resultados fornecem evidências sólidas de que o Pepino do Mar pode ser utilizado como um produto alimentar funcional para combater o aparecimento de diabetes e complicações relacionadas”.

Alga asiática invasora preocupa turistas e pescadores algarvios

Um tipo de alga asiática está a invadir praias da costa algarvia e a trazer preocupações ao turismo. Actividade piscatória também pode ser afectada.

Uma alga originária da Ásia está a invadir as costas do barlavento – oeste – algarvio e a gerar preocupação.

Há praias em que a sua acumulação originou uma barreira de 1,20 metros de altura, podendo afetar o turismo e a pesca.

Lagoa foi um dos concelhos mais afetados. Anabela Rocha, vice-presidente do município, disse à Lusa que quando o vento sopra de sudeste “há sempre o perigo de haver arrojamentos” de alga nas praias, como na do Carvoeiro, que já teve um “muro” com “uma altura de 1,20 metros em toda a extensão do areal”.

O fenómeno, que já ocorreu em 2021 e em 2022, levou o Centro de Ciências do Mar (CCMAR) da Universidade do Algarve (UAlg) a criar, já há dois anos, uma plataforma para recolher dados sobre as algas encontradas nas praias algarvias e perceber quais as espécies invasoras que levam a grandes acumulações nos areais.

De acordo com informação publicada na plataforma Algas na Praia, nas costas rochosas do barlavento, as acumulações são causadas por uma alga castanha invasora originária dos mares do Japão e Coreia, cujo nome científico é Rugulopteryx okamurae.

Para tentar mitigar a acumulação de algas nas praias do concelho, a Câmara de Lagoa gastou 40 mil euros numa das intervenções que fez para limpar a praia, tendo removido 400 toneladas desta espécie invasora, um “custo muito significativo” para os cofres municipais, segundo Anabela Rocha.

Tendo em conta que as acumulações causadas por esta alga parecem estar a aumentar em extensão, aquele município está já a desenvolver projetos-piloto para tentar mitigar o problema, esperando contar no futuro com fundos nacionais.

A autarquia receia o impacto que o problema possa ter sobre o turismo, a principal fonte de rendimento da região, e sobre a pesca, como a do polvo, espécie que é expulsa das rochas pela alga invasora. 

 “Esta alga está mais desenvolvida agora, porque tem melhores condições para se desenvolver, mas está presente durante todo o ano” disse à Lusa Rui Santos, do CCMAR.

Segundo o investigador, esta espécie é a que “provoca, de longe, mais acumulações” na costa algarvia.

Rui Santos assegura que a alga invasora “não constitui um perigo para a saúde humana e a sua erradicação é quase impossível”.

No entanto, é necessário reduzir a área que ocupa através da sua “remoção ou aproveitamento para alguma utilização económica”, que ainda não foi encontrada.

Os investigadores sabem que a Rugulopteryx okamurae apareceu pela primeira vez no sul de França, onde existe aquacultura de ostras, tendo, em seguida, alastrado para Espanha, Marrocos e Portugal.

No entanto, há outras algas que se acumulam nas praias da zona central do Algarve, entre Albufeira e Faro, como a alga vermelha invasora Asparagopsis armata, nativa das águas da Austrália e Nova Zelândia, e que foi a responsável pelas acumulações registadas em 2021 e em 2022.

Por outro lado, na costa arenosa do sotavento – este – algarvio, a alga verde Ulva sp., nativa da costa portuguesa, foi a principal responsável pelas grandes acumulações que se observaram em 2021.

As algas acumulavam-se na zona da rebentação das ondas e ficavam espalhadas pelo areal. O investigador Rui Santos explicou, na altura, que aquele tipo de algas são organismos que desenvolvem dentro da ria, crescem e são exportadas e depositadas pelas correntes, nas praias.

Em 2019, as praias entre a Ilha do Farol e Vilamoura, no Algarve, foram interditadas a banhos devido a uma concentração de uma alga marinha perigosa para a saúde.

Produção mundial de contentores marítimos "afunda" 70% com recuo da procura

A produção global de contentores marítimos caiu drasticamente como consequência da diminuição da procura por mercadorias na sequência do alívio das restrições impostas pela pandemia.

Dados facultados pela consultora de investigação marítima Drewry ao Financial Times, mostram que a produção de contentores de 20 pés (6 metros) – o tamanho padrão utilizado pela indústria – sofreu uma queda de 71% de 1,06 milhões no primeiro trimestre de 2022 para 306 mil unidades entre janeiro e março deste ano.

O declínio marca um forte revés face há dois anos, quando o fabrico de contentores explodiu para dar resposta à procura de mercadorias induzida pela pandemia, que levou, aliás, à escassez de contentores.

 No entanto, assinala o FT, a procura por exportações recuou desde que as restrições impostas pela pandemia aliviaram e as economias reabriram ao exterior, deixando a indústria dos contentores com o problema oposto: um excesso de contentores que ameaça sobrecarregar os portos da China, onde até 95% dos contentores de todo o mundo são fabricados.


A dinamarquesa Møller-Maersk, uma das maiores companhias de transporte marítimo de contentores do mundo, indicou que suspendeu a produção de contentores secos até pelo menos 2024, apesar de ter dito que poderá retomar o fabrico das unidades de 20 pés antes das versões de 40 pés (12,19 metros), considerando que a procura por esta última parece ser mais resiliente.

Segundo o jornal financeiro, a quebra na procura tem atingido duramente os fabricantes de contentores, com os lucros da China International Marine Containers, um dos maiores da China, a tombarem 91% para o equivalente a 23 milhões de dólares nos primeiros três meses do ano.



Navios elétricos devem chegar aos Açores em 2025

 

“O caderno de encargos está a ser preparado e a nossa expetativa é que, em dois anos – o prazo mais ou menos razoável para o que existe no mercado em termos de construção de navios – os termos cá em 2025”, afirmou o presidente do conselho de administração da Atlânticoline, Francisco Bettencourt, em declarações aos jornalistas.

O administrador da empresa pública de transportes marítimo de passageiros e viaturas no arquipélago, falava à margem do evento “Towards Carbon-free & Energy Self-sufficient Ports”, que decorre até hoje, em Ponta Delgada, ilha de São Miguel.

O evento é organizado no âmbito do projeto PORTOS [Interreg Atlantic Area], do qual a Portos dos Açores é uma entidade parceira, visando a discussão da descarbonização dos portos e os desafios que essa transição representa.

Em abril, o secretário regional das Finanças, Duarte Freitas, anunciou que a empresa Atlânticoline vai contar na sua frota com dois navios elétricos, orçados em 25 milhões de euros, no âmbito do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR).

Na ocasião, Duarte Freitas referiu que, no capítulo da descarbonização, vai haver uma “aposta inovadora em dois barcos elétricos para operarem nas ilhas do Triângulo (Faial, Pico e São Jorge), libertando os atuais da Atlânticoline para novas rotas, como por exemplo a rota Ponta Delgada-Vila do Porto”.

Ontem, o presidente do conselho de administração da Atlânticoline realçou que “os Açores sempre foram conhecidos pelas energias renováveis”, mas há “um longo trabalho” a fazer, começando com “passos seguros”.

O presidente da Portos dos Açores, Rui Terra, realçou a aposta na aquisição dos dois navios elétricos, referindo a importância de uma conjugação com a empresa de eletricidade dos Açores (EDA) ao nível de infraestruturas nos portos, de maneira a tornar aquelas infraestruturas “mais eficientes eletricamente” e “menos carbónicos possíveis”.

“Não podemos perder este comboio é o futuro. Já vamos ligeiramente atrasados em relação à grande parte dos portos nacionais”, sustentou Rui Terra, em declarações aos jornalistas.

O presidente da Portos dos Açores considerou que “estão reunidas excelentes condições”, quer em São Miguel, quer em todo o arquipélago para que os Açores sejam “pelo menos uma referência” em matéria de descarbonização dos portos.

“Todos os indicadores têm subido, nos últimos dois anos, ao nível de navios de cruzeiro, cabotagem e ao nível das cargas. Os cruzeiros têm sido um excelente exemplo de como um desafio colocado pelo covid-19 tem permitido aos Açores a colocação num mercado de maneira diferente”, sublinhou.

Segundo disse, o segmento de cruzeiros para a Portos dos Açores “tem um grande peso em termos de rubrica orçamental e para os Açores tem uma grande imagem positiva, já que os turistas procuram cada vez mais destinos de natureza”.

“Isto foi um grande investimento feito na Madeira há muitos anos. Parece-nos que estamos no caminho certo. Já não temos os cruzeiros de mega massas, mas cruzeiros mais pequenos e mais adaptados à nossa realidade e julgo que o impacto tem sido francamente melhorado nos últimos dois anos e os números estão à vista”, vincou.

Na abertura do evento, a secretária regional do Turismo, Mobilidade e Infraestruturas, Berta Cabral, sublinhou “o compromisso” da região com o desenvolvimento sustentável e a aposta na transição energética, criando sinergias entre a beleza do arquipélago e a sustentabilidade.

“É o grande desafio que atravessamos é um desafio global. É um desafio que temos de fazer com determinação”, sustentou Berta Cabral, lembrando que os Açores estão também a investir na adaptação dos seus portos e querem “barcos mais sustentáveis”.

A governante destacou ainda que em 2022 os Açores atingiram vários recordes em termos turísticos e este sucesso inclui também o segmento do turismo de cruzeiros, numa região que foi o primeiro arquipélago no mundo com certificado de destino turístico sustentável.

Regata de Moliceiros é cabeça de cartaz no "Ria de Aveiro Weekend"

 

O Ria de Aveiro Weekend (RAW), um evento anual assen­te numa programação com várias actividades em torno da laguna, regressa já este fim-de-semana, entre 30 de junho e 2 de julho. Os promotores – a Comunidade Intermunicipal da Região de Aveiro (CIRA) e o Turismo Centro de Portugal – realçam, de entre todas as iniciativas do cartaz, a Grande Regata dos Moliceiros, que cruzará as águas da ria entre a Torreira e Aveiro.

O desfile de barcos é considerado a «principal atracção» do RAW. Aquele que é descrito como «um dos mais emblemáticos e esperados eventos do ano» irá realizar-se no sábado, com a largada prevista para as 15 horas na praia do Monte Branco, na Torreira, concelho da Murtosa. Daí, as embarcações – que nesta edição de 2023 atingirão «um número recor­de», não revelado – navegarão à bolina, na sua configuração tradicional, até ao Cais do Sal, em Aveiro. A chegada está prevista para as 16.30 horas e a parada dos moliceiros será acompanhada de música ao vivo e outras performances artísticas.

A cerimónia de entrega de prémios decorrerá às 17.30 horas. Inserido na regata está também o já habitual concurso dos painéis dos moliceiros, que terá lugar pelas 11 horas no Monte Branco.