Estudo indica "perigo crítico" para os mexilhões de água doce

Um estudo que envolveu investigadores de várias instituições científicas nacionais alertou esta terça-feira para o “perigo crítico” em que se encontram os mexilhões de água doce em Portugal, um grupo de bivalves com mais de 900 espécies “altamente ameaçado globalmente”.

Liderado pelo investigador Manuel Lopes Lima, do Centro de Investigação em Biodiversidade e Recursos Genéticos (BIOPOLIS-CIBIO), da Universidade do Porto, e da Estação Biológica de Mértola, o trabalho foi realizado em colaboração com membros de outros cinco centros de investigação (CBMA, CIMO, CIIMAR, CITAB e MARE), representando seis instituições académicas portuguesas — Politécnico de Bragança e universidades do Porto, do Minho, de Trás-os-Montes e Alto Douro, de Lisboa e de Évora.

Os mexilhões de água doce, um grupo de bivalves com mais de 900 espécies que podem ser encontradas em rios e lagos de todos os continentes, onde eram abundantes, desempenham um papel importante nos ecossistemas, melhorando a qualidade da água e do substrato, e fornecendo habitat fundamental para outras espécies.

Em Portugal não existiam até agora dados sobre as tendências populacionais destes animais, mas através de um levantamento minucioso das populações de mexilhões de água doce em 132 locais, abrangendo 15 bacias hidrográficas distintas, verificou-se que os dados são “dramáticos e extremamente preocupantes”.

O estudo revela “um declínio generalizado de 60% no número de locais e uma redução impressionante de 67% na abundância total de mexilhões de água doce em Portugal ao longo das últimas duas décadas”.

O Atlântico está a aumentar 4 centímetros por ano. Os cientistas descobriram porquê

O Oceano Atlântico está a expandir a uma taxa de quase 4 centímetros por ano. Um estudo lançou pistas para resolver sobre este enigma geológico de longa data.

Há décadas que a expansão do Atlântico desorienta os cientista, uma vez que este oceano não tem o tipo de densas placas tectónicas em movimento que marcam o fundo do Pacífico.

De acordo com um estudo publicado em 2021 na revista Nature, esta expansão está relacionada com a Crista Média Atlântica (CMA), cadeia de montanhas submarinas localizada a meio do oceano.

Nesta formação, concluiu o estudo, material anormalmente quente do núcleo da Terra, a cerca de 660 quilómetros abaixo da superfície, está a subir, empurrando as placas tectónicas e afastando-as.

A crosta terrestre está fragmentada em placas tectónicas que se encaixam como um puzzle. A CMA separa a placa da América do Norte da placa da Eurásia, e a placa da América do Sul da placa Africana.

Estas placas interagem — movendo-se juntas, afastadas, ou deslizando umas sob as outras — originando vários fenómenos geológicos, como as erupções de vulcões e expansão do fundo do mar.

Anteriormente, pensava-se que o material que aflora sob fronteiras tectónicas como a MAR tinha origem perto da superfície da Terra.

No entanto, o estudo descobriu que a CMA é um ponto quente de convecção, onde magma e rocha das profundezas do manto podem chegar à superfície.

Esta descoberta ajudou a resolver o enigma: por que motivo as placas que circundam o Oceano Atlântico se movem sem que a força da gravidade esteja a puxar partes mais densas das placas para o interior da Terra.

Os investigadores colocaram 39 sismómetros debaixo de água para medir a atividade geológica, e observaram que, inesperadamente, as temperaturas na zona de transição do manto eram mais altas do que o esperado sob a CMA, permitindo que o material subisse mais facilmente.

“Este resultado emocionante foi completamente inesperado”, disse o geólogo Matthew Aguis, investigador da Universidade de Southampton e corresponding author do estudo, citado pelo Insider.

Segundo a geofísica Catherine Rychert, também investigadora da Universidade de Southampton, este processo começou há 200 milhões de anos.

A taxa de expansão pode mudar ao longo de milhões de anos, mas, diz a cientista, é de esperar que permaneça a mesma — cerca de 3.8 centímetros por ano — durante toda a nossa vida.

MarineTraffic assume prioridade sobre FleetMon

 

A empresa de análise de dados Kpler eliminará gradualmente a marca FleetMon em relação com a sua outra aquisição recente, MarineTraffic, definida como prioritária. Como parte desta transição estratégica, a plataforma FleetMon já deixou de registar novos utilizadores.

MarineTraffic e FleetMon fundiram-se após a compra de ambos pela Kpler no início deste ano para criar a maior rede de estações AIS terrestres do mundo. Esta rede AIS maior e mais robusta é agora conhecida como rede AIS MarineTraffic.

“Ao integrar ambas as redes, duplicamos efectivamente o nosso alcance, resultando no acesso a dados de mais de 6.250 estações comunitárias em todo o mundo, e em crescimento”, disse Alex Charvalias, director de logística e AIS da Kpler.

François Cazor, cofundador e CEO da Kpler, destacou como o AIS é vital para mapear o comércio global. Cazor disse que a Kpler agora irá empacotar dados em plataformas em tempo real para permitir que os clientes tomem decisões informadas mais rapidamente do que seus concorrentes, bem como controlar custos e acompanhar as emissões.

Linhas de contentores vêem lucro cair 90% no 2ª trimestre

Depois de dois anos muito lucrativos para as companhias
marítimas, o mercado está a transitar para uma normalidade pós-pandemia,
conforme relatado pela Sea-Intelligence.

Mais especificamente, embora o quarto trimestre de 2022
tenha dado uma primeira ideia de como isto poderia ser, o primeiro trimestre de
2023 foi o primeiro trimestre em que os lucros operacionais das transportadoras
sofreram um verdadeiro impacto.

Além disso, isto continuou no segundo trimestre de 2023, com
o lucro combinado antes de juros e impostos (EBIT) caindo 90% ano a ano, para
pouco mais de 2,78 bilhões€.

Além disso, tanto a ZIM como a Wan Hai registaram novamente
perdas operacionais. Embora a ZIM tenha tido problemas de rentabilidade nos
últimos trimestres, esta foi a primeira vez para Wan Hai desde 2012.

“Nenhuma dessas companhias marítimas foi capaz de
sustentar os seus números de EBIT/TEU em 2023, com o maior EBIT/TEU de 2023-TEU
registrado pela OOCL de 282,16€/TEU. Em contraste, o menor EBIT/TEU em 2022-TEU
foi dos EUA, 1.273,86€/TEU”, observaram analistas da Sea-Intelligence.

 Além disso, a Maersk com 191,50€/TEU, a Hapag-Lloyd com 275,68€/TEU e a ONE com 126,74€/TEU registraram EBIT/TEU dentro de uma faixa muito
mais estreita de 120,26-277,53€/TEU.

 Em tudo isto, a ZIM registou um EBIT/TEU negativo de
-180,39€/TEU. Basicamente, foram perdidos 180,39€ por cada TEU movimentado no
segundo trimestre deste ano.

 Um grande motivo para a queda na lucratividade é a queda nas
taxas de frete, que caíram de 48% a 67%, segundo os dados das companhias
marítimas. A queda nos volumes também desempenhou um papel na redução
dos lucros.

 “O que é surpreendente, no entanto, é que a ZIM, uma das
duas únicas companhias marítimas a registar uma perda de EBIT, aumentou os seus
volumes em 0,5% globalmente e em cerca de 13% tanto na rota Transpacífica como na
Ásia- Europa”, comentou Alan Murphy, CEO da Sea-Intelligence.

Primeira edição da Taça dos Portos acontece a 2 e 3 de setembro

A Administração dos Portos de Aveiro e da Figueira da Foz vai promover a Taça dos Portos, (dedicada às modalidades náuticas), cuja primeira edição acontece já nos próximos dias 2 e 3 de setembro.

Está prevista uma prova de Surf, no primeiro dia, na Praia da Barra, em Ílhavo, terminando no dia seguinte na Praia do Cabedelo, na Figueira da Foz.

Pretende-se que em anos futuros venham acontecer competições das outras modalidades, reforçando a ligação existente entre os dois portos, que partilham o mesmo conselho de administração, e promover o potencial existente, em ambas as regiões, para a prática de desportos náuticos.

O troféu, comum a todas as modalidades, ficará exposto um ano em cada porto e terá inscrito, na sua base, o nome dos vencedores.

Este ano a organização da prova é da responsabilidade das Associações de Surf de Aveiro e da Figueira da Foz e terá um formato constituído por diversas fases eliminatórias femininas e masculinas.

A entrega de prémios está agendada para o último dia da competição na Paria do Cabedelo, na Figueira da Foz.

Camilo Abdula foi 2° classificado no Pantin Pro Classic

Camilo Abdula, o Campeão Europeu de Surf Adaptado em título,
ficou em 2° lugar, em Pantin, na ABANCA Pantin Galicia Pro 2023, que decorreu
em Espanha, mas nomeadamente na zona da Galiza.

A prova decorre nas águas atlânticos do município de
Valdoviño, na Corunha.

A Abanca Pantin Classic Galicia Pro, para além de ser a
única paragem em Espanha do circuito europeu da World Surf League (WSL),  é a

única prova de surf adaptada homologada em competição
oficial desde 2019

O atleta irá rumar a Anglet, em França, para mais uma
competição internacional.

Teresa Bonvalot vence Yolanda Hopkins na final em Anglet

Teresa Bonvalot conquistou ontem a vitória no Pro Anglet,
QS3000 francês, que contou com uma final totalmente portuguesa na prova
feminina. Teresa venceu Yolanda Hopkins numa disputa marcada pelo equilíbrio e
que foi decidida já nas últimas ondas, com a atual campeã nacional a conseguir
a reviravolta frente à campeã europeia em título.

Após um dia de pausa, a prova retomou pela manhã no sudoeste
francês, com Teresa Bonvalot a vencer a basca Nadia Erostarbe num duelo muito
renhido. Depois, foi a vez de Yolanda Hopkins fazer o mesmo, mas frente à
francesa Tessa Thyssen, garantindo assim mais uma final totalmente portuguesa
no QS europeu.

Na grande final Yolanda Hopkins teve um ligeiro ascendente
na primeira metade da bateria, sobretudo graças àquela que seria a melhor onda
do heat, com 7,33 pontos. Contudo, na última onda que surfou, Teresa conseguiu
igualar uma nota de 6,83 que já tinha, para virar o resultado a seu favor, com
13,66 pontos contra 13,16 de Yolanda.

Esta foi a sexta vitória de Teresa Bonvalot na carreira no
circuito QS europeu e a primeira vitória da temporada para a atual campeã
nacional, precisamente no primeiro evento em que entrou em 2023/24 no circuito
europeu de qualificação. Algo que a faz entrar diretamente para o 2.º posto do
ranking europeu.

Já para Yolanda Hopkins a derrota teve um sabor menos
amargo, porque ajudou a atual campeã europeia em título a reassumir a liderança
do ranking europeu, após a realização de três etapas, tendo 690 pontos de
avanço para Teresa.

Na prova masculina, onde não houve qualquer português nas
rondas finais, o triunfo acabou por sorrir ao francês Tiago Carrique, que
saltou para a liderança do ranking. A próxima etapa do QS europeu 2023/24
arranca já na terça-feira, em Pantín, na Galiza, e tem um estatuto QS3000.

Ilha ameaçada pela subida do Mar com versão no metaverso.

Confrontado com a ameaça iminente da subida do nível do mar
causada pelo aquecimento global, o arquipélago de Tuvalu, localizado no coração
do Oceano Pacífico Sul, está a explorar uma forma inovadora de preservar o seu
património cultural e identidade, criando uma versão digital de si próprio no
metaverso.

Os cientistas estão a prever que Tuvalu poderá desaparecer
até ao final do século devido à subida do nível do mar. O arquipélago de Tuvalu
é um dos territórios mais expostos à subida do nível do mar. Por isso, na COP
27, o Ministro dos Negócios Estrangeiros de Tuvalu tentou chamar a atenção do
mundo para as consequências devastadoras das alterações climáticas, anunciando
uma “sobrevivência virtual pós-submergência”. Por outras palavras, a
transferência da identidade e da cultura do arquipélago para o mundo virtual do
metaverso.

O arquipélago polinésio de Tuvalu está a enfrentar uma
situação crítica, pois corre o risco de desaparecer no fundo do mar num futuro
próximo. Os efeitos das alterações climáticas, como a subida do nível do mar e
a acidificação dos corais, estão a ter um impacto dramático nos Estados
insulares do Pacífico.

O ambicioso projeto de Tuvalu consiste em descarregar o seu
território e a sua cultura para o metaverso, permitindo que os seus cidadãos e
as gerações futuras tenham acesso ao seu património cultural e à sua
identidade, mesmo que o território físico desapareça.

O metaverso é um espaço virtual expansivo e imersivo que
ultrapassa os limites das experiências digitais tradicionais. Forma um universo
digital interligado, fundindo elementos da existência física e digital, onde os
indivíduos podem interagir, socializar, trabalhar e até criar arte e
arquitetura.

Desta forma, a ideia de um Estado
“desterritorializado” ou “visual”, como lhe chama Géraldine
Giraudeau, abre novas perspetivas sobre a continuidade do Estado apesar do seu
desaparecimento físico.

Esta iniciativa não está isenta de desafios. As
complexidades tecnológicas e a transição concetual necessárias para passar de
uma nação tangível para uma representação digital são obstáculos importantes.
No entanto, esta iniciativa arrojada de Tuvalu oferece um vislumbre de um
futuro em que a tecnologia se cruza com a conservação, criando um universo em
que a preservação cultural se liberta de constrangimentos físicos.

Comandante Mónica Martins é a 1ª mulher com funções de Capitão do Porto

Tomou posse dos cargos de Capitão do Porto e Comandante-local da Polícia Marítima da Póvoa de Varzim e de Vila do Conde a capitão-de-fragata Mónica Martins, que rende o capitão-de-mar-e-guerra Bruno Ferreira Teles.

Quase 17 anos depois de se tornar a primeira mulher piloto naval da Marinha, a capitão-de-fragata Mónica Martins faz de novo história tornando-se a primeira mulher a desempenhar as funções de Capitão de Porto.

A Comandante Mónica Martins tem 46 anos e é natural de Tomar, tendo ingressado na Marinha em 1994. Ao longo da sua carreira já realizou diversas missões nacionais e internacionais.