Qual a importância do Mar Vermelho no Shipping ?

 

O Mar Vermelho e o Canal de Suez desempenham papéis cruciais no cenário geopolítico e económico, sendo elementos fundamentais para o comércio global. Essas vias de navegação possuem uma importância estratégica incontestável, ligando as diferentes regiões e facilitando o transporte marítimo de mercadorias em escala mundial.

O Mar Vermelho serve como uma das principais rotas de comércio internacional, ligando o Mediterrâneo ao Oceano Índico. O Canal de Suez, por sua vez, é um elo essencial nesta cadeia, proporcionando uma passagem curta e eficiente entre o Mar Vermelho e o Mar Mediterrâneo. Esta ligação diminui significativamente as rotas de navegação, poupando tempo e recursos para as transportadoras marítimas.

As principais transportadoras marítimas, como a MSC, CMA CGM, Hapag-Lloyd e Maersk, que agora suspenderam as suas operações, devido ao ataque dos houthis do Iémen, sabem bem a importância estratégica do Mar Vermelho e do Canal de Suez nas suas operações globais. O prolongar desta situação, pode agravar um contexto já difícil no shipping, tendo em conta a falta de estabilidade global, e outros problemas como a seca do Canal do Panamá, a aplicação da Taxa EU ETS (Que até pode agravar ainda mais, caso os porta-contentores tenham de contornar o Cabo da Boa Esperança através do Sul de África para chegar à Europa).

De certa forma, temos um bloqueio da ligação entre Ásia-Europa, com todos os custos, obstáculos que isso providencia ao sector. Estes problemas não são recentes, nomeadamente as questões geopolíticas, de segurança marítima e a necessidade contínua de investimentos em infraestrutura para garantir operações seguras e eficientes.

Os rebeldes houthis (Que são apoiados pelo Irão), andam a despoletar estes ataques perigosos e violentos tendo em conta a situação de Israel em relação ao Hamas, embora não haja provas de que os navios atingidos fossem para Israel, tendo em conta que alguns vão para portos europeus ao invés de israelitas.

O panorama actual não é fácil na região, desde o dia 7 de outubro, quando houve o ataque contra Israel (Embora todos saibam que a tensão entre ambas as partes Israel – Hamas já vem bem detrás), bem como o Irão e os EUA, que continuam igualmente em tensão e conflitos diplomáticos há largos anos, sem que haja mudanças ou entendimentos.

É mais um conflito que causa problemas na cadeia de abastecimentos global, e iremos ver o desenrolar da situação, quando se aproxima 2024, que tem tudo para ser dos mais difíceis nos últimos anos no que concerne ao transporte marítimo.

Blue Marlin faz escala em Lisboa.

O Blue Marlin, embarcação que navega com bandeira de Malta, entrou este domingo no Porto de Lisboa e ficará fundeado no Tejo durante o dia de hoje.

Proveniente .do porto norueguês de Hanoytangen, que serve a cidade de Bergen, este navio semisubmersível com 225 metros de comprimento e 63 metros de boca (largura máxima) foi desenhado para transportar grandes equipamentos de exploração petrolífera offshore, plataformas e até outras embarcações, até um máximo de 75 mil toneladas.

A escala em Lisboa tem o objectivo de abastecimento de combustível e o Blue Marlin deverá levantar ferro em direção ao porto de Singapura aos primeiros minutos desta segunda-feira.

O navio foi agenciado pela Orey Shipping.

Filipa Broeiro conquista Circuito Europeu de Bodyboard

Atleta portuguesa garantiu título ao chegar à final da etapa de Dakhla, em Marrocos

Filipa Broeiro conquistou o Circuito Europeu de Bodyboard, ao chegar à final da etapa de Dakhla, em Marrocos.

A atleta portuguesa tinha o título praticamente garantido, depois de ter vencido as etapas da Gran Canária, em Espanha, e em Carcavelos. 

Broeiro liderava a competição com 2000 pontos, à frente da espanhola Mar Suanzes, com 1470 pontos. A portuguesa Luana Dourado completava o pódio, com 1285 pontos.

Se vencer a final, a vice-campeão em 2022 e campeã da Europa de sub-18, em 2018, soma mais 1000 pontos, enquanto o segundo lugar garante 860 pontos.

X-Press Feeders planeia usar metanol verde para navios na Europa no 2° trimestre de 2024

O armador com sede em Singapura X-Press Feeders planeia usar metanol verde para abastecer parte da sua frota na Europa no segundo trimestre de 2024, afirmou um executivo sénior da empresa. 

A medida ocorre no momento em que a União Europeia irá alargar o seu Sistema de Comércio de Emissões (EU ETS) no próximo ano para cobrir as emissões de dióxido de carbono de todos os navios com arqueação bruta igual ou superior a 5.000 que entrem nos portos da UE.

As transportadoras podem comprar créditos de carbono para compensar as emissões ou queimar combustíveis com baixo teor de carbono, como metanol e biocombustíveis, embora o fornecimento destes combustíveis seja limitado. A gigante dinamarquesa AP Moller Maersk também aumentou os pedidos de navios movidos a metanol no ano passado.

A X-Press Feeders, que opera mais de 100 navios em todo o mundo, encomendou 14 navios com duplo combustível que podem queimar metanol e combustível convencional. O primeiro navio desse tipo, o Eco Maestro, construído na China, deverá navegar de Xangai a Roterdão através do Canal de Suez, reabastecendo com metanol verde fornecido pela OCI Global nos principais portos de abastecimento ao longo do caminho, afirmou Francis Goh, Director de operações da X- Press Feeders.

A empresa irá receber oito embarcações em 2024, enquanto as seis restantes serão entregues em 2025-2026, acrescentou. Os navios farão rotas de Roterdão para portos na Escandinávia e nos Estados Bálticos, afirmoi Francis Goh. “Para começar, iremos implantá-los na Europa e, dentro de alguns anos, veremos potencial de implantação noutros países, talvez nas Américas, onde também temos uma presença significativa”, adicionou.

MSC e CMA CGM também vão suspender a passagem pelo Mar Vermelho

Outros dois gigantes da navegação, a MSC – Mediterranean Shipping Company e a CMA CGM, afirmaram que estão suspendendo a passagem através de um estreito do Mar Vermelho, vital para o comércio global, após os ataques rebeldes iemenitas na área.

O anúncio da gigante ítalo-suíça MSC e da francesa CMA CGM segue-se a uma decisão semelhante tomada por outras duas grandes companhias marítimas do mundo, Maersk e Hapag-Lloyd, em resposta a um aviso dos rebeldes Houthi apoiados pelo Irão.

Os Houthis, que controlam grande parte do Iémen, disseram que tinham como alvo, os navios para pressionar Israel durante a sua guerra com o Hamas na Faixa de Gaza.

As novas declarações vieram depois que um míssil balístico disparado por Houthis ter atingido o porta-contentores MSC Palatium III, no Mar Vermelho, perto do estratégico Estreito de Bab el-Mandeb, após outro ataque poucas horas antes que atingiu o porta-contentores ao serviço da Maersk, o Al Jasrah, chamas, afirmaram as autoridades.

Os dois ataques com mísseis intensificaram esta campanha marítima dos Houthis apoiados pelo Irão.

Os ataques colocam em perigo os navios que viajam através de um corredor vital para o transporte de carga e energia tanto para a Europa como para a Ásia, desde o Canal de Suez até ao Oceano Índico.

Os Houthis dizem que os seus ataques visam pôr fim à guerra de Israel com o grupo terrorista Hamas. No entanto, as ligações aos navios alvo dos ataques rebeldes tornaram-se mais ténues à medida que os ataques continuam.

“As forças armadas iemenitas confirmam que continuarão a impedir que todos os navios com destino a portos israelitas naveguem no Mar Vermelho, até que tragam os alimentos e medicamentos de que os nossos fiéis irmãos na Faixa de Gaza precisam”, disse o porta-voz militar Houthi, o Brigadeiro-General Yahya Saree, num comunicado, reivindicando a responsabilidade pelos ataques perpetrados. 

Navio híbrido eléctrico Electramar junta-se à AtoB@C Shipping

Continuam as noticias sobre a contínua descarbonização na indústria do shipping, desta vez no norte da europa. A AtoB@C Shipping, uma subsidiária sueca da empresa de navegação ESL Shipping, com sede na Finlândia, recebeu o Electramar, o primeiro navio de uma série de doze navios híbridos plug-in com eficiência energética.

A cerimônia de entrega ocorreu no Estaleiro Chowgule da Índia em 15 de dezembro de 2023.

Possuindo a bandeira de Chipre, o navio de carga geral com 5.400 dwt tem comprimento de 90 metros e largura de 16 metros. A nova construção foi lançada em junho deste ano.

As novas embarcações híbridas reduzem as emissões de CO2 em até 50% em comparação com a actual geração de embarcações. A conectividade de energia em terra e uma grande instalação de bateria proporcionam eficiência de combustível superior e a possibilidade de minimizar ruídos e emissões enquanto estiver no porto.

“Estamos orgulhosos de estar na vanguarda do transporte marítimo verde com estes navios inovadores que combinam a alta eficiência, flexibilidade e sustentabilidade. A Electramar é a primeira de muitas embarcações que nos ajudarão a alcançar a nossa visão de sermos o parceiro mais responsável e confiável para os nossos clientes e partes interessadas”, comentou Mikki Koskinen, Diretor Geral da ESL Shipping e Presidente do Conselho da AtoB@C Shipping.

Os navios são optimizados para uma ampla variedade de produtos a granel e fraccionados. Graças ao alojamento da tripulação e à ponte na proa, as embarcações possuem um convés longo e desobstruído, o que permite carregar mais carga de convés e cargas de projecto mais longas do que as embarcações actuais da frota.

“Projectamos embarcações que atendem à procura que prevemos nas nossas áreas comerciais. A necessidade dos nossos clientes por uma frota moderna e sustentável aumenta dia a dia e estamos felizes em responder a essa demanda com estas embarcações”, explicou Frida Rowland, Directora Comercial.

Canal do Panamá reverte cortes nos trânsitos diários e ajusta reservas.

 

A Autoridade do Canal do Panamá está a adiar algumas das reduções programadas nos trânsitos diários que planeava implementar a partir do próximo mês devido a ligeiras melhorias nos níveis de água do reservatório e, ao mesmo tempo, ajustando ainda mais o seu sistema de reservas. As mudanças são boas notícias para a indústria do shipping, que desvia cada vez mais navios, à medida que o conflito no Mar Vermelho ameaça bloquear uma rota alternativa crítica.

As alterações anunciadas irão restaurar duas slots que foram removidos dos trânsitos diários para um total a partir de janeiro de 2024 de 24 trânsitos diários. O Canal do Panamá está actualmente restrito a 22 trânsitos divididos, sendo seis nas eclusas Neopanamax e 16 nas eclusas Panamax. O plano previa que o número de vagas fosse reduzido para 20 em janeiro e reduzido ainda mais para 18 em fevereiro. A Autoridade do Canal do Panamá destaca que o anúncio permite um aumento de seis slots diários acima do mínimo projectado que estava programado para entrar em vigor em cerca de seis semanas. Acrescenta 30% à mínima diária anunciada anteriormente, a partir de fevereiro.

As chuvas de Novembro foram menos adversas do que o previsto pelos meteorologistas e a Autoridade do Canal do Panamá destaca os resultados positivos das suas medidas de poupança de água.  Implementaram etapas que vão desde a reciclagem da água até o bloqueio curto para diminuir a quantidade de água perdida em cada trânsito.

No entanto, continuam a sublinhar que Outubro de 2023 foi o Outubro mais seco alguma vez registado no Panamá. Com base nisso, os meteorologistas projectaram um potencial agravamento da situação da água no Lago Gatún em Novembro e Dezembro. À medida que 2023 chega ao fim, este ainda será o segundo ano mais seco registrado na história da bacia hidrográfica do Canal do Panamá.

A decisão de reverter as novas restrições previstas é também uma questão comercial para o canal, que está a registar um declínio nas receitas. As companhias de navegação criticaram os longos atrasos dos navios sem reservas ou o custo exorbitante das vagas nos leilões diários.

A espera diminuiu, com a média geral dos últimos 30 dias caindo para 5,4 dias no sentido norte e 7,9 dias no sentido sul para todos os tipos de navios que chegam sem reserva. São apenas 23 navios sem reservas aguardando até 15 de dezembro e outros 41 com vagas reservadas já na fila. A autoridade tem incentivado mais empresas a reservar vagas para facilitar a espera.

Maersk suspende passagem de navios pelo Mar Vermelho após ataque.

O armador dinamarquês Maersk, fez o anúncio da suspensão de todos os carregamentos de contentores pela rota que atravessa o Mar Vermelho, através do Canal do Suez, segundo avança a Reuters.

A decisão segue no seguimento do ataque perpetrado pelos islamitas Houthis do Iémen a um dos navios da Maersk na quinta-feira e ainda um novo incidente ontem.

O comunicado da Maersk citado pela Reuters afirma que: “Demos instruções a todos os navios da Maersk na área que passariam pelo Estreito de Bab el-Mandeb para interromperem a sua viagem até novo aviso“.

A Maersk já tinha afirmado que o seu navio Maersk Gibraltar tinha sido alvo de um míssil quando viajava de Salalah, em Omã, para Jeddah, na Arábia Saudita. A tripulação e o navio saíram ilesos.

Ontem, a empresa maritima dinamarquesa negou uma alegação do movimento Houthi de que a milícia tinha atingido uma das suas embarcações que navegava em direção a Israel. “O navio não foi atingido”, afirmou um porta-voz da Maersk à Reuters.

Em comunicado, a Maersk afirmou ainda que eestámuito preocupada com a escalada de violência e a situação de falta de segurança no sul do Mar Vermelho e no Golfo de Aden, afirmando que: “Os recentes ataques a navios comerciais na zona são alarmantes e representam uma ameaça significativa para a segurança e protecção dos tripulantes“.

Os Houthis ( Oriundos da seita Zaydi do Islã Xiita, que outrora governou o Iémen), ameaçaram atacar qualquer navio que esteja a navegar para ou de Israel, facto que torna a questão geral da guerra Israel – Hamas num conflito mais vasto a nível de região.

Nem todos os navios possuem ligação a Israel, tendo em conta que a passagem do Canal do Suez serve para muitos destinos. O facto de a guerra dificultar a passagem de navios pelo Canal do Suez, juntamente com a seca no Canal do Panamá, causa novos obstáculos para o agravamento do transporte marítimo.

O Atlântico Norte está mais quente e ácido do que há 40 anos

Os oceanos ficaram mais quentes do que nunca este ano, atingindo valores recordes de temperatura devido às alterações climáticas. A temperatura média de todos os oceanos ultrapassou a marca dos 21 °C, um valor nunca atingido desde o início dos registos em 1981.

Mas agora, um estudo analisou mais regionalmente as águas do Atlântico Norte, a cerca de 80 quilómetros a sudeste das ilhas Bermudas, e identificou que as águas nessa região estão mais quentes e ácidas do que há quatro décadas atrás.

A investigação foi realizada por cientistas da Universidade Estadual do Arizona (ASU) e publicada recentemente na revista Frontiers in Marine Science.

Os investigadores analisaram dados mensais da física, biologia e química das águas superficiais e do fundo do oceano nesta região desde 1983, dados esses recolhidos e fornecidos pelo projeto Bermuda Atlantic Time-series Study (BATS).

Os resultados mostraram que houve um aquecimento das águas superficiais, um aumento da salinidade, diminuição de oxigénio dissolvido, aumento do dióxido de carbono (CO2) e acidificação das águas, em comparação com o que era há quatro décadas atrás.

Em relação à temperatura, observou-se um aumento de 0,24 °C por década desde 1983 na superfície do Atlântico norte subtropical – o que significa um oceano cerca de +1 °C mais quente do que há 40 anos atrás. Durante este período, a salinidade aumentou em +0,136 e a perda de oxigénio foi de aproximadamente 6% (ou 12,5 µmol kg-1).

Navios da Marinha acompanham navios russos

 

O NRP Mondego terminou hoje, durante a madrugada, o seguimento de um cargueiro da Federação Russa, o AORL KAMA, após entrada na Zona Económica Exclusiva de Portugal Continental. O navio monitorizou de perto a actividade do navio russo durante o seu trânsito em águas de jurisdição nacional.

Também o NRP Setúbal encontra-se a acompanhar, desde ontem, dois navios da Federação Russa, o submarino KILO II SSG-490 UFA e o navio rebocador da classe Balk o ATS SERGEY BALK, que navegam na Zona Económica Exclusiva de Portugal Continental.

Servindo Portugal no mar, a Marinha continuará a garantir que não são realizadas quaisquer actividades lesivas para o País e a promover e proteger os interesses de Portugal no e através do mar.

Foto: Marinha Portuguesa