
O Porto de Aveiro acolheu uma operação especializada de carga de projecto destinada à expansão da unidade aquícola da Flatlantic, em Praia de Mira. A operação envolveu a recepção, montagem e preparação para transporte marítimo de dois tubos submarinos em polietileno de alta densidade, com 1.140 metros de comprimento cada. As estruturas chegaram da Noruega em quatro secções de 570 metros, tendo sido montadas no Terminal Norte do porto.
No total, o sistema representa 2.280 metros de tubagem, com dois metros de diâmetro, posteriormente rebocada por mar até ao local de instalação. Os tubos irão integrar um novo sistema de captação e circulação de água do Atlântico, que se prolongará aproximadamente três quilómetros ao largo da costa, a profundidades entre os 11 e os 14 metros. A infraestrutura destina-se a reforçar o abastecimento de água salgada à unidade da Flatlantic, dedicada à produção de espécies como o pregado e o linguado. Com uma capacidade anual superior a 3.500 toneladas, a unidade constitui um dos principais projectos de aquicultura marinha em funcionamento na Europa. A nova solução permitirá melhorar as condições de captação e circulação de água, elemento essencial para o controlo ambiental, a qualidade da produção e a eficiência da exploração. A operação exigiu uma articulação estreita entre transporte marítimo, movimentação portuária, engenharia, montagem flutuante e reboque costeiro. As dimensões das estruturas obrigaram ainda a um planeamento específico das áreas de operação, dos equipamentos utilizados e das condições meteorológicas e marítimas necessárias para o transporte até Praia de Mira.
A participação do Porto de Aveiro demonstra a capacidade dos portos nacionais para receber e apoiar cargas de projecto de grandes dimensões, frequentemente associadas a investimentos industriais, energéticos e marítimos. Este tipo de operação distingue-se da carga convencional pela complexidade logística, pelo peso ou comprimento dos componentes e pela necessidade de soluções preparadas individualmente.
O projecto reforça igualmente a ligação entre actividade portuária, engenharia marítima e economia azul, ao colocar a logística portuária ao serviço de uma unidade produtiva directamente dependente dos recursos do mar. Para a região Centro, o investimento representa também o reforço de uma actividade exportadora com importância crescente no sector aquícola europeu.