Maersk e Hapag-Lloyd retomam serviço regular através do Mar Vermelho

A Maersk e a Hapag-Lloyd decidiram fazer regressar ao Canal do Suez um serviço completo da rede Gemini, dando mais um passo no retomar gradual das rotas marítimas através do Mar Vermelho.

O serviço AE15, que liga a Ásia ao Mediterrâneo Oriental, deixará de contornar o cabo da Boa Esperança e voltará a utilizar a passagem pelo Canal do Suez. A alteração foi decidida depois de as duas companhias terem analisado a evolução das condições de segurança na região. A Maersk considera que a mudança tem carácter estrutural e representa um avanço no regresso progressivo ao corredor que, antes do início dos ataques dos rebeldes hutis contra navios mercantes em 2023, era a principal ligação marítima entre a Ásia e a Europa.

A rotação do AE15 inclui escalas em Qingdao e Ningbo, na China, Kwangyang, na Coreia do Sul, Tanjung Pelepas, na Malásia, Port Said e Damietta, no Egipto, Colombo, no Sri Lanka, e Singapura. O regresso ao Canal do Suez permitirá reduzir os tempos de trânsito e as distâncias percorridas. As companhias consideram esta rota mais rápida, eficiente e sustentável para servir o transporte de mercadorias entre a Ásia e a Europa.

Apesar da decisão, a Maersk e a Hapag-Lloyd esclarecem que não existem, para já, planos imediatos para transferir outros serviços da rede Este-Oeste para o Mar Vermelho. Qualquer nova alteração dependerá das avaliações de segurança realizadas nos próximos meses. Os armadores admitem também voltar a desviar o AE15 pelo cabo da Boa Esperança caso a situação na região se deteriore, sublinhando que a protecção das tripulações, dos navios e das cargas continua a ser a principal prioridade.

Embora os hutis não tenham reivindicado ataques contra navios comerciais no Mar Vermelho durante 2026, continuam a existir ameaças relacionadas com a instabilidade no Médio Oriente. Em paralelo, foi registado um novo aumento da actividade de pirataria no golfo de Áden, junto à entrada sul do Mar Vermelho.

O regresso deste serviço ao Suez é, assim, um sinal relevante para o transporte marítimo internacional, mas ainda não representa uma normalização completa das principais rotas entre a Ásia e a Europa.

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