Rumor sobre MSC e Hapag-Lloyd agita transporte marítimo.

A MSC negou ter interesse na compra de uma participação na Hapag-Lloyd, depois de notícias avançadas na Alemanha terem colocado a maior companhia mundial de transporte marítimo de contentores no centro de uma possível operação sobre a transportadora alemã.

Apesar do desmentido, o caso voltou a levantar uma questão importante para o sector: Até onde pode ir a consolidação no transporte marítimo quando estão em causa grandes operadores globais, alianças estratégicas, interesses nacionais e accionistas de peso.

Uma eventual entrada da MSC no capital da Hapag-Lloyd, mesmo que minoritária, dificilmente seria vista como uma simples operação financeira. Pela dimensão das duas empresas, teria sempre uma leitura estratégica e levantaria dúvidas junto de concorrentes, parceiros e reguladores. A própria estrutura accionista da Hapag-Lloyd torna qualquer movimento complexo. A empresa tem como principais accionistas a CSAV, Klaus-Michael Kühne, a cidade de Hamburgo, o Qatar Investment Authority e o fundo soberano saudita.

O capital disperso em bolsa é reduzido, o que limita a margem para uma operação feita apenas no mercado .Além disso, a Hapag-Lloyd mantém uma cooperação operacional com a Maersk através da Gemini Cooperation. Uma presença da MSC no capital da empresa alemã poderia criar dúvidas sobre acesso a informação, equilíbrio concorrencial e confiança entre parceiros.

O rumor surge também num momento em que a própria Hapag-Lloyd procura reforçar a sua posição no mercado, depois de ter anunciado um acordo para adquirir a ZIM, numa operação ainda dependente de aprovações.Mesmo negado, o episódio mostra que a próxima fase da consolidação no shipping não dependerá apenas da capacidade financeira dos grandes armadores. Dependerá também da aceitação dos accionistas, dos reguladores, dos governos, das cidades portuárias e dos parceiros comerciais.

No transporte marítimo global, nem tudo o que parece possível no papel é simples de concretizar. A escala conta, mas a confiança, a política e a concorrência continuam a pesar.

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