Maior porta-contentores do mundo movido a metanol inicia testes no mar na China.

O maior porta-contentores de duplo combustível a metanol do mundo iniciou testes no mar a partir de Nantong, na província chinesa de Jiangsu, assinalando mais um passo na corrida da construção naval para navios de grande capacidade com menor pegada ambiental.

Construído pela Nantong COSCO KHI Ship Engineering, o navio tem capacidade para 24.168 TEU, cerca de 400 metros de comprimento, 61,3 metros de boca e um porte bruto de aproximadamente 225 mil toneladas. A unidade foi concebida para operar tanto com combustível marítimo convencional como com metanol, permitindo maior flexibilidade operacional numa fase em que o sector procura alternativas aos combustíveis fósseis.

O navio integra motor principal, motores auxiliares e sistema de caldeiras preparados para tecnologia dual-fuel a metanol. Segundo informação divulgada pela imprensa chinesa e citada por meios internacionais, a utilização de metanol verde poderá permitir uma redução significativa das emissões de dióxido de carbono, além de praticamente eliminar as emissões de óxidos de enxofre e reduzir os óxidos de azoto.

O projecto é também relevante pelo seu peso industrial. A China reforça, com esta construção, a sua posição na produção de navios de grande porte preparados para combustíveis alternativos, num segmento cada vez mais disputado entre estaleiros asiáticos e grandes armadores internacionais.

Apesar do avanço tecnológico, o metanol verde continua a enfrentar desafios importantes, sobretudo ao nível da disponibilidade, preço e infra-estrutura de abastecimento em escala global. Ainda assim, a entrada em testes de um navio desta dimensão confirma que a transição energética no transporte marítimo já não está limitada a embarcações experimentais ou de menor capacidade.

Para os grandes armadores, a aposta em navios dual-fuel permite preparar a frota para regras ambientais mais exigentes, sem depender de imediato de uma única solução energética. O caminho da descarbonização marítima continua incerto, mas os grandes porta-contentores movidos a metanol começam a ganhar espaço como uma das apostas mais visíveis da próxima geração do transporte marítimo internacional.

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