
A Hapag-Lloyd iniciou 2026 em terreno negativo, apesar de ter mantido praticamente estável o volume transportado no primeiro trimestre. A transportadora marítima alemã registou um EBIT negativo de 134 milhões de euros, num arranque de ano marcado pela descida dos fretes, desvios de rota, perturbações geopolíticas e custos operacionais acrescidos.
As receitas do grupo recuaram 851 milhões de euros face ao mesmo período de 2025. O resultado líquido também passou para terreno negativo, fixando-se em menos 219 milhões de euros. O CEO da companhia, Rolf Habben-Jansen, classificou o trimestre como insatisfatório, apontando a pressão sobre as tarifas e a exposição da empresa aos mercados do Atlântico e do Médio Oriente como factores determinantes.
O principal impacto veio da actividade de transporte marítimo de contentores, responsável pela maior fatia do negócio da Hapag-Lloyd. Nesta divisão, as receitas caíram para 4.081 milhões de euros, menos 878 milhões do que no primeiro trimestre do ano anterior. O EBIT do segmento ficou negativo em 149 milhões de euros.
Em termos operacionais, a companhia transportou 3,2 milhões de TEU, apenas menos 0,7% do que há um ano. Ou seja, o problema não esteve tanto na carga transportada, mas sim na rentabilidade dessa operação. A empresa aponta para os efeitos de temporais, tensões geopolíticas, desvios de rota, maiores tempos de trânsito e perturbações pontuais em alguns portos.
A descida dos fretes foi outro factor decisivo. Segundo os dados citados, o preço médio do frete caiu 9,5% face ao primeiro trimestre de 2025, pressionando directamente as margens operacionais. A margem EBIT passou de 9% positiva para 3,6% negativa.
Nem a redução dos custos com combustível e emissões de carbono foi suficiente para compensar a quebra. A Hapag-Lloyd consumiu menos combustível e pagou menos por tonelada, conseguindo reduzir esta rubrica em 143,4 milhões de euros, para um total de 550 milhões. Ainda assim, a poupança não evitou o resultado negativo.
Em sentido contrário, a área de terminais manteve-se positiva. A facturação subiu de 104 para 144 milhões de euros, impulsionada também pela consolidação da indiana Baxi Container. O EBIT desta divisão avançou para 15 milhões de euros, ligeiramente acima dos 14 milhões registados um ano antes.
A disrupção portuária, que penalizou a navegação, acabou por beneficiar parcialmente a actividade terminalista, devido ao aumento dos tempos de permanência de contentores em portos afectados por congestionamentos, temporais e estrangulamentos operacionais.
O caso da Hapag-Lloyd mostra bem o paradoxo actual do transporte marítimo de contentores: os volumes podem manter-se elevados, mas a rentabilidade continua vulnerável à combinação entre fretes mais baixos, instabilidade geopolítica e custos operacionais associados às novas rotas e atrasos na cadeia logística global.