
A Organização Marítima Internacional aprovou uma nova estratégia global para a digitalização marítima, colocando a transformação digital entre as prioridades transversais do sector nos próximos anos.
A decisão foi tomada pelo Comité de Facilitação da IMO, reunido em Londres entre 23 e 27 de Março, durante a sua 50.ª sessão. A estratégia pretende modernizar as operações marítimas internacionais, promovendo maior interoperabilidade entre sistemas, normalização de dados, partilha de informação e governação digital mais eficaz.
Na prática, o objectivo passa por reduzir burocracia, simplificar procedimentos e tornar mais eficiente a circulação de informação entre navios, administrações marítimas, portos, autoridades públicas e restantes entidades envolvidas na cadeia logística.
A estratégia aponta para uma utilização mais ampla de soluções digitais em áreas como certificados de navios, credenciais dos marítimos, identificação de passageiros, segurança da navegação e desempenho ambiental das embarcações.
A IMO pretende que a digitalização seja integrada no seu plano estratégico e aplicada de forma transversal aos diferentes órgãos e processos da organização. A abordagem inclui também uma preocupação com sistemas centrados nas pessoas, resilientes a falhas, ameaças cibernéticas e desafios ambientais.
Um dos pontos mais relevantes passa pela cibersegurança das Maritime Single Windows, plataformas digitais únicas utilizadas pelas autoridades marítimas para troca de informação entre navios e organismos governamentais.
Desde 1 de Janeiro de 2024, os portos de todo o mundo passaram a ter de operar uma Maritime Single Window para gerir a informação necessária à chegada, estadia e partida dos navios. Com a crescente dependência destes sistemas, a IMO considera essencial reforçar a protecção contra riscos cibernéticos.
Nesse sentido, o Comité de Facilitação aprovou alterações ao anexo da Convenção FAL, que obrigam os governos contratantes a implementar medidas obrigatórias de cibersegurança para proteger estas plataformas, de acordo com a legislação nacional.
Estas alterações deverão ser submetidas para adopção na próxima sessão do comité, em 2027, estando a entrada em vigor prevista para 1 de Janeiro de 2029.
A nova estratégia será agora analisada por outros comités da IMO, incluindo as áreas jurídica, ambiental e de segurança marítima, antes de seguir para adopção formal na 35.ª sessão da Assembleia da organização, em 2027.
Para o shipping, esta decisão confirma uma tendência irreversível: a digitalização deixou de ser apenas uma ferramenta de eficiência administrativa e passou a ser parte central da segurança, da competitividade e da resiliência operacional do transporte marítimo mundial.