
Os armadores europeus continuam a ter uma posição de grande relevância no transporte marítimo internacional, controlando 34,5% da frota mundial, segundo a mais recente actualização do estudo da European Shipowners | ECSA sobre o valor económico do shipping europeu.
O documento mostra que a frota controlada por empresas europeias cresceu 2,6% em 2025, o aumento anual mais expressivo dos últimos cinco anos. Ainda assim, a associação alerta que o crescimento europeu está a ser acompanhado, e em alguns casos ultrapassado, por outras regiões do mundo, num mercado cada vez mais competitivo.
A ECSA defende que o transporte marítimo deve continuar a ser tratado como uma área estratégica para a Europa, não apenas pelo seu peso económico, mas também pela sua importância no abastecimento, na segurança energética e na ligação do continente aos principais fluxos comerciais globais.
De acordo com o estudo, 76% do comércio externo da União Europeia passa pelo mar. Esta dependência torna a frota europeia essencial para garantir o transporte de energia, alimentos, matérias-primas, bens industriais e equipamentos necessários à transição energética.
O relatório destaca ainda o esforço dos armadores europeus na renovação da frota. A Europa representa 44% da carteira mundial de encomendas de navios preparados para combustíveis sustentáveis. Entre os navios encomendados por armadores europeus, 54% estão projectados para utilizar combustíveis de menor impacto ambiental.
Apesar destes investimentos, a associação aponta um problema estrutural: a produção de combustíveis marítimos sustentáveis continua longe de acompanhar as necessidades do sector. A Ásia concentra 74% dos projectos globais, enquanto a Europa representa apenas 10%.
Perante este cenário, a ECSA defende que as receitas obtidas através do regime europeu de comércio de licenças de emissão, estimadas em cerca de 9 mil milhões de euros por ano, devem ser canalizadas para apoiar a produção de combustíveis limpos e reforçar a competitividade do shipping europeu.
Outro ponto sublinhado pela associação é a composição do sector. Cerca de 90% das empresas marítimas europeias controlam menos de dez navios, o que mostra que o shipping europeu não é feito apenas de grandes grupos, mas também de muitas pequenas e médias empresas expostas à concorrência internacional.
A mensagem central do relatório é clara: a Europa continua a ser uma potência marítima, mas essa posição não está garantida. Num contexto de transição energética, pressão regulatória e concorrência global, a competitividade dos armadores europeus dependerá da capacidade de alinhar ambição ambiental, investimento industrial e condições justas de mercado.