CMA CGM reforça confiança no Canal do Suez com passagem de novo gigante porta-contentores.

A CMA CGM voltou a dar um sinal relevante ao mercado marítimo ao encaminhar um dos seus mais recentes navios porta-contentores de grande capacidade através do Mar Vermelho e do Canal do Suez, numa altura em que a maioria dos grandes armadores continua a evitar esta rota devido às preocupações de segurança na região.

O navio em causa, o CMA CGM Grand Palais, realizou a travessia do Canal do Suez no domingo, 3 de Maio, integrado no comboio sul, depois de ter passado pelo estreito de Bab el-Mandeb e pelo Mar Vermelho. A operação está a ser destacada pela Autoridade do Canal do Suez como mais um sinal de recuperação gradual da confiança na via marítima egípcia, fortemente afectada nos últimos anos pelas tensões no Médio Oriente e pelos ataques contra navios comerciais.

Construído recentemente num estaleiro ligado à China State Shipbuilding Corporation, o CMA CGM Grand Palais tem 400 metros de comprimento, 61 metros de boca, 220.923 toneladas de porte bruto e capacidade para 23.876 TEU. Segundo a Autoridade do Canal do Suez, trata-se do maior porta-contentores movido a GNL actualmente em operação. O navio está registado em Singapura e integra a rota Mediterranean Club Express da CMA CGM.

A viagem inaugural começou a 26 de Março, depois da cerimónia de baptismo realizada em meados desse mês. Antes de chegar ao Índico, o navio escalou vários portos chineses, bem como portos no Vietname e em Singapura. Após a passagem pelo Suez, segue com destino a Malta, França e Espanha, estando prevista uma nova escala em Malta antes de regressar ao Canal do Suez no final do mês.

Para a Autoridade do Canal do Suez, a passagem de um navio desta dimensão tem um peso simbólico e comercial. O presidente da entidade, Osama Rabie, defendeu que a travessia demonstra uma melhoria das condições de segurança e estabilidade na região, sublinhando a relação de longa data com a CMA CGM. A companhia francesa tem sido uma das excepções entre os grandes operadores internacionais, ao manter e retomar ligações pelo Suez numa fase em que muitos concorrentes continuam a preferir a rota pelo Cabo da Boa Esperança.

A posição da CMA CGM contrasta com a prudência de outros armadores. A Maersk e a Hapag-Lloyd chegaram a anunciar o regresso parcial de alguns serviços à rota do Mar Vermelho no início do ano, mas voltaram a suspender essa opção após o reacender das hostilidades no Médio Oriente. A instabilidade regional continua, por isso, a condicionar a normalização plena das cadeias marítimas entre a Ásia e a Europa.

O Canal do Suez permanece sob forte pressão para recuperar tráfego e receitas. A autoridade egípcia tem procurado destacar melhorias no canal, reforços nas condições de navegação e incentivos tarifários para atrair novamente os grandes operadores. Ainda assim, o regresso em escala alargada dependerá sobretudo da percepção de risco dos armadores, das seguradoras e dos carregadores.

A passagem do CMA CGM Grand Palais não significa, por si só, uma normalização imediata da rota do Suez, mas representa um sinal importante. Para o mercado marítimo, mostra que alguns operadores começam a testar novamente a viabilidade comercial da ligação mais curta entre a Ásia e o Mediterrâneo. Para o Canal do Suez, é uma oportunidade de demonstrar que continua a ser uma artéria estratégica do comércio mundial.

Foto: Autoridade do Canal do Suez

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