Seguradoras querem soluções para risco de incêndio em navios

No decorrer de vários anos de pressão, a IUMI – União
Internacional de Seguros Marítimos, conseguiu impor a sua agenda, de que a sensível
questão da segurança contra incêndios fosse tida em conta na agenda da OMI – Organização
Marítima Internacional, devido ao facto dos navios porta-contentores terem
aumentado o seu risco no que concerne aos incêndios.

“O trabalho propriamente dito começará no próximo ano, em março
“, afirmou Hendrike Kühl, diretora da IUMI, que é uma organização que
representa as seguradoras de propriedade marítima e que tem como membros mais
de 40 associações nacionais de seguros mundiais.

A mencionada directora afirmou que os riscos de incêndio
marítimo são um “grande problema” e que “estão na mente de todos”. Referiu-se em
concreto ao incidente ao largo da costa dos Países Baixos. Nesse incidente, um
navio de transporte de automóveis com cerca de 4.000 veículos a bordo
incendiou-se, provocando a morte de um membro da tripulação e centenas de
milhares de euros em danos.

Um relatório da IUMI apresentado à IMO em 2020 concluiu que
os incêndios de carga em navios porta-contentores “se tornaram uma ocorrência
comum”, causando “numerosas vítimas” e “danos graves“. O estudo concluiu que,
entre 2000 e 2015, mais de 50 destes incêndios causaram pouco mais de mil
milhões de dólares em danos (excluindo danos no casco).

“Os valores que estão a ser transportados a bordo destes
navios porta-contentores enormes, mas mesmo em navios porta-contentores mais
pequenos, são valores elevados”, afirmou Kühl. “Por isso, se arderem, isso é um
problema para as seguradoras de bens e, obviamente, também para as seguradoras
de cascos”. De acordo com a seguradora Allianz, os navios porta-contentores
transportam actualmente mais 1500% de contentores do que no final da década de
1960. Só na última década, os maiores navios quase duplicaram o seu tamanho
para 400 metros de comprimento.

Este aumento de tamanho dos navios, aumentou o risco de
incêndio. “Obviamente, o risco aumenta com o número de contentores a bordo,
porque uma das causas principais é, muitas vezes, a declaração incorreta ou a
não-declaração de mercadorias perigosas “, disse Kühl. “Trata-se de um problema
real”. Segundo Kühl, é aqui que a IUMI tem de “seguir uma via paralela” para
lidar com duas questões relacionadas.

“Precisamos de resolver o problema da declaração incorreta e
da não-declaração de mercadorias perigosas porque é difícil se não soubermos o
que está dentro dos contentores, que também podem estar armazenadas em locais
diferentes a bordo”, disse Kühl. “Ao mesmo tempo, os sistemas de combate a
incêndios a bordo desses navios não cresceram realmente com o tamanho dos
navios”.

No entanto, não é esperado que todas as extensas recomendações
de segurança da IUMI sejam aceites. “O que esperamos é que a agulha se mova em
direção a mais segurança, a melhorias mais sérias do que as que vimos em 2016
com estas lanças de névoa de água”, disse. Kühl espera que as primeiras
melhorias na segurança contra incêndios sejam implementadas em 2028.

Deixe um comentário