Transtejo queria navios eléctricos em 2019. Governo apontava ao GNL.

 

A ex-presidente do Conselho de Administração da Transtejo
afirmou ontem que a renovação da frota podia ter sido mais rápida se o Governo
em 2019, tivesse aceitado a proposta de avançar para a compra de navios
eléctricos.

De acordo com Marina Ferreira, que foi ouvida na Comissão
Parlamentar de Economia, Obras Públicas, Planeamento e Habitação, a tutela
decidiu em há 4 anos que o concurso deveria ser aberto somente para navios
movidos a gás natural liquefeito (GNL) embora a Transtejo tenha apresentado
proposta de estes serem 100% eléctricos.

De maio 2018 foi desenvolvido imenso trabalho por parte da
Transtejo para fundamentar uma decisão 100% eléctrica, e que não avançou mais
devido à opção da tutela em deixar o procedimento somente a navios GNL.

“Eu teria avançado, mas quem define é a tutela no que
respeita a politica energética. Sinto-me segura por ter seguido a orientação da
tutela”, disse Marina Ferreira adiantando que na sua opinião, a escolha de
navios 100% eléctricos é a muito mais segura e com menos custos acrescentados
de manutenção. Apesar das opiniões divergentes a ex-presidente do conselho de
administração da Transtejo considera que a tutela não atrapalhou o processo.

Marina Ferreira saiu da presidência do Conselho de
Administração da Transtejo em abril, por iniciativa própria, após um relatório
do Tribunal de Contas (TdC) ter indicado a empresa de “faltar à
verdade” e de práticas ilegais e irracionais.

Em causa estava a compra de nove baterias, pelo valor de
15,5 milhões de euros (ME), num contrato adicional a um outro contrato já
fiscalizado previamente pelo TdC para a aquisição, por 52,4 ME, de dez (um
deles já com bateria, para testes) novos navios com propulsão elétrica a
baterias, para assegurar o serviço público de transporte de passageiros entre
as duas margens do Tejo.

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