“A Maersk simplesmente não é mais a antiga empresa de transporte marítimo, tornou-se uma empresa de logística ponta a ponta na cadeia de abastecimento, e não estamos a priorizar o tamanho da frota de navios como sendo o dado mais importante”, explicou um porta-voz da empresa ao Jornal espanhol logístico “El Mercantil”.
Foi nessa entrevista ao jornal que a dinamarquesa AP Möller-Maersk, segundo maior armador do mundo, explicou a sua estratégia delineada pelos novos investimentos feitos recentemente, em que deixou de ser apenas um armador marítimo e passou a ser um agente logístico diversificado de uma forma abrangente.
Nos últimos anos, a empresa dinamarquesa investiu cerca de 9,3 mil milhões de euros para aumentar a sua influência com as aquisições das empresas Senator International, LF Logistics, Pilot Freight Services, Visible SCM e Martin Bencher Group, entre outras.
“A Maersk tornou-se um fornecedor logístico para toda a cadeia de abastecimento, desde a fábrica até ao consumidor final, incluindo todos os modos de transporte, armazenamento, serviços alfandegários, etc. A nossa abordagem, porque os clientes assim o exigem, é procurar soluções logísticas abrangentes e flexíveis. E o transporte marítimo é apenas uma parte entre muitas outras da logística ponta a ponta”, destacou a Maersk.
Ao nível da capacidade logística adquirida, revelou que “investimos muito dinheiro em armazéns nos últimos anos e temos mais de 450 centros logísticos e sete milhões de metros quadrados em todos os continentes”, os quais são “essenciais para fornecer aos nossos clientes soluções de supply chain ágeis e resilientes”.
O jornal espanhol apontou que a Linerlytica analisou “o fracasso da sua estratégia de integração” que “permitiu aos seus rivais tomarem parte da sua participação” no negócio mundial de contentores, e que essa quebra de 3,3% de quota global representou uma perda de 3,72 mil milhões de euros de lucro no período referente aos últimos cinco anos.
O CEO da Vespucci Maritime, Lars Jansen, conceituado analista do sector marítimo , também a respectiva análise à evolução e transformação da Maersk enquanto empresa e realçou que “é necessário um período de espaço temporal mais longo para poder avaliar de forma correcta, o sucesso ou o fracasso da estratégia”, e sublinha que apesar de visível a perda de quota de mercado no transporte marítimo, “há que referir que o próprio armador afirmou que a procura de quota de mercado não é a sua prioridade”, reforçando a importância para a Maersk nos complementos logística na sua estratégia enquanto prestador de serviços.
“Se analisarmos a evolução da Maersk nas últimas duas décadas, observamos que a transportadora vem a perder quota de mercado na maior parte dos trimestres. Nessa conjuntura, às vezes, para ganhar participação e recuperar o pedaço do bolo que foi cedido, eles adquiriram um armador. E este momento não parece ser diferente, principalmente se levarmos em conta que a parte que foi agregada com a compra da Hamburg Süd em 2017 ficou para trás”, destacou Lars Jensen.
O CEO da Vespucci Maritime também destaca que a Maersk tem investido em construir apenas navios porta-contentores neutros em carbono. Neste momento, a taxa de renovação da Maersk encontra-se nos 10%, com 33 porta-contentores e cerca de 400 mil TEU, a menor entre os 10 principais armadores do mundo, e muito longe dos 30% da principal concorrente MSC, com 126 navios e 1,5 milhões de TEU.
De acordo com a fonte do El Mercantil, “a descarbonização é um objectivo principal”, e avança que “queremos ser uma empresa com zero emissões líquidas até 2040 em todas as áreas de negócio”.
