Os terminais de contentores desempenham um papel fundamental
na economia global, facilitando o transporte eficiente de mercadorias entre
diferentes regiões. Portugal não é excepção à regra, e boa parte da economia
nacional passa pelo desempenho e capacidade dos terminais portuários do país,
que sem dúvida, são essenciais no desenvolvimento da actividade económica e indicadores
sobre o estado da economia.
No cerne de um terminal de contentores, de qualquer terminal
que seja, estão os seus trabalhadores. Trabalhadores especializados nas mais
variadas funções, que garantem que o fluxo e dinâmica de cada terminal se mantenha
contínuo. Gerir esses trabalhadores de forma eficaz é essencial para manter a
produtividade, a segurança e a eficiência do terminal. É esta gestão que dita a
produtividade e capacidade de resposta de trabalho, e por isso, a mesma deve
ser feita de maneira cuidada, atenta e humana. Existem vários pontos que devem
tidos em conta, como parte de uma estratégia global, que iremos falar de uma forma sucinta:
Planeamento:
Um planeamento sólido é a base de uma gestão eficiente.
Compreender as dinâmicas sazonais e as flutuações no volume de carga é crucial
para dimensionar a preparação da força de trabalho adequadamente. Saber gerir
os períodos de pico e de baixa procura é importante, tal como dotar o terminal
de novas alternativas de captação de carga de modo a compensar diferentes fases
de procura. Lidar com imprevistos e eventos inesperados que possam afectar o
fluxo de trabalho, é igualmente essencial, por isso é fundamental que as
chefias de topo e de nível intermédio tem de possuir capacidades de liderança e
conhecimento profundo do sector. Sem lideranças capazes, pode comprometer a
eficácia e rigor da gestão.
Relacionamento com os trabalhadores:
Ter uma abertura para com os mesmos, uma gestão de
proximidade e seguindo uma linha de inteligência emocional, ter uma boa relação
com os sindicatos, leva a um maior ganho não só na satisfação e felicidade
laboral, bem como a maiores índices de produtividade laboral. Uma empresa bem
gerida e eficiente neste aspecto, irá de certeza, aumentar os dividendos da
mesma, o que deverá ser repartido nas carreiras salariais dos trabalhadores,
após contemplar as suas obrigações aos stakeholders/investidores e respectivas
obrigações fiscais.
Treino e desenvolvimento:
Investir no treino contínuo e específico, no desenvolvimento
dos trabalhadores é essencial para garantir que eles estejam actualizados com
as melhores práticas operacionais e de segurança. Isso não apenas melhora a
eficiência, mas também reduz o risco de acidentes e erros. Programas de treino
podem abranger como é habitual, desde habilidades técnicas, como operação de
equipamentos, até habilidades interpessoais, como comunicação eficaz e
resolução de conflitos, e de dotar de conhecimentos para prevenir certas
situações que podem levar a situações de perigo operacional. A segurança não
pode, nem deve ser uma palavra oca, tem de ter um reflexo efectivo durante a
actividade no terminal. Não deverá ser utilizado como forma de punir ou
perseguir trabalhadores, fazendo com que se perca o aspecto preventivo e que
caia em descrédito, a sua importante acção.
Avaliação de Desempenho:
Implementar sistemas para rastrear o desempenho dos
trabalhadores é uma maneira de identificar áreas de melhoria e reconhecer os
pontos fortes de cada indivíduo. Isso pode ser feito por meio de avaliações
regulares de desempenho, onde são discutidos os objectivos alcançados e os
desafios enfrentados. O feedback construtivo é uma ferramenta poderosa para
motivar os trabalhadores e direccionar o seu desenvolvimento. Um trabalhador
informado do seu desempenho, e dos seus pontos fortes e fracos, pode ajudar a
desenvolver melhorias significativas no seu desenvolvimento pessoal. Isso, com
um treino específico para a melhoria não só dos pontos fracos, bem como o
desenvolvimento de novas skills, irá ter um impacto transformador na dinâmica
individual e colectiva.
Escalas de trabalho e gestão de turnos:
Apesar de não haver terminais que trabalhem 365 dias por ano
( Devido às especificidades dos acordos colectivos), o estabelecimento de
escalas de trabalho eficazes e justas é crucial para manter a operação do
terminal 24 horas por dia, 7 dias por semana. É uma questão que não deverá ser
menosprezada. Manter o equilíbrio entre a componente laboral e a componente
física e psicológica é determinante para o concretizar dos objectivos
propostos. Trabalhar num terminal de contentores é fisicamente exigente,
mentalmente desgastante, portanto, é importante evitar a fadiga excessiva e
garantir que os trabalhadores tenham tempo suficiente para se recuperar entre
os turnos, e mais que isso, proporcionar um ambiente saudável e sustentável.
Comunicação clara entre todas as partes:
Uma comunicação clara é a espinha dorsal de qualquer operação
eficaz. Estabelecer canais de comunicação abertos e transparentes entre os
representantes dos trabalhadores como os sindicatos, chefias e a administração
é essencial. Essencial também na maneira como passam a mensagem para fora, para
o colectivo dos trabalhadores integrados nas equipas. Cair no erro de ter um
ambiente com rumores, ideias pré-concebidas erradas e de informações falsas, só
criam divisões e causa um ambiente laboral tóxico, o que causa problemas de
relação laboral e de operacionalidade.
Incentivos e reconhecimento:
Reconhecer o bom desempenho e oferecer incentivos tangíveis,
como bónus justos e realistas ou oportunidades de promoção (Tendo em conta
sobretudo, a experiência, e antiguidade) , pode ser uma forma poderosa de
motivar os trabalhadores a se esforçarem de uma forma minimamente contínua.
Isso cria um ambiente onde os trabalhadores se sentirem valorizados e
incentivados a contribuir cada vez mais para o sucesso do terminal. Faltar aos
compromissos prometidos, e não saber reconhecer na altura das promoções, do
desempenho contínuo de anos, é uma empresa que se demitiu do seu papel de
valorizar o seu maior activo, que são os trabalhadores.
Segurança, bem-estar e recrutamento:
A segurança dos trabalhadores deve ser outra prioridade
máxima. Fornecer treino em segurança, equipamentos de protecção adequados e
protocolos de emergência é essencial para evitar acidentes e lesões. Além
disso, promover o bem-estar dos trabalhadores através de programas de saúde e
apoio psicossocial contribui para um ambiente de trabalho saudável e produtivo.
Na parte do recrutamento, deve ser tido em conta, a capacidade não só mental,
mas igualmente física, tendo em conta que é um trabalho desgastante, principalmente
no início de uma carreira na área.
Relacionamento com os Sindicatos
A relação entre uma empresa e o sindicato deve pautar-se
pelo bom relacionamento e diálogo (Que não significa profunda cooperação). Esse
relacionamento deve acima de tudo, transparência, boa comunicação e respeito
mútuo. Caso contrário, a tensão é alastrada ao longo do tempo e faz com que os
conflitos laborais surjam ao ponto de serem convocadas greves, que não só
prejudicam empresas, sindicatos e trabalhadores, mas igualmente a economia e os
números. Se as empresas prestam contas aos seus stakeholders, o sindicato tem
de prestar contas aos trabalhadores. O papel destes últimos, no sentido de
fazerem uma mediação e pacificação das situações é muito importante, porque são
em muitos casos, os impulsionadores não só da paz laboral, mas como das
melhorias das condições existentes. Não devem ser vistos como alvos a abater,
como acontece historicamente. Nem empresas, nem sindicatos levam a sua avante,
e é o facto de se conseguir esse equilíbrio de meio-termo, para o bom
funcionamento do complexo portuário.
Em resumo, a gestão eficiente dos trabalhadores num terminal
de contentores é fundamental para garantir operações contínuas, seguras e
eficazes. O planeamento adequado, o desenvolvimento de habilidades, a
comunicação clara e a atenção à segurança são pilares que sustentam uma gestão
bem-sucedida. Ao investir nos trabalhadores e criar um ambiente de trabalho
positivo, os terminais de contentores podem alcançar níveis mais altos de produtividade
e sucesso a longo prazo. Mais que isso, as empresas necessitam de lideranças
competentes, bem preparadas para os desafios, e que saibam projectar o futuro e
proporcionar um ambiente digno para os seus trabalhadores.
