Com 15 dias já sabia o que era andar no mar, o seu habitat natural. E aos 30 anos bateu o recorde mundial de distância em kitesurf sem paragens, depois de percorrer mais de 310 milhas náuticas (cerca de 565 km) entre Gaia e Lagos. Francisco Lufinha não é homem de rotinas e esta Mini Kitesurf Odyssey é disso exemplo.
A ideia surgiu há 5 anos, quando o antigo campeão nacional, em 2005, percebeu as potencialidades da nossa costa. “Sempre que entrava no nosso mar pensava ‘isto tem de dar para fazer kitesurf’. No início queria fazer apenas a costa, a ideia do recorde veio depois. Pensei em algo que me pudesse dar visibilidade lá fora, para posteriormente conseguir trazer novos projetos para o país”, conta Lufinha, para quem a palavra “normal” não entra no dicionário: “Adoro risco, aventura, não gosto do comum.”
A preparação foi dura e tomou quatro meses da vida do atleta, de forma a conseguir aguentar as 29 horas que passou em cima da prancha. E durante todo esse tempo, em que se pensa? “Tentava distrair-me ao máximo. Pedia ao barco de apoio a câmara ou o telemóvel e quando havia rede fazia upload de vídeos para o Facebook. Tudo na prancha! Para mim, quanto mais coisas houver melhor. Treino no Guincho e marco reuniões ao mesmo tempo”, revela o kitesurfista, ainda a recuperar do enorme esforço físico.
Como o infante
Em frente ao Padrão dos Descobrimentos, Lufinha olha para alguém com quem agora tem uma ligação: “O infante D. Henrique nasceu no Porto e acabou por viver em Lagos, onde faleceu. Portanto fiz o mesmo percurso que o nosso impulsionador dos Descobrimentos!” E abrir novas rotas está também nos horizontes deste aventureiro. “Quero trazer praticantes de kite de todo o Mundo para Portugal”, diz o novo conquistador dos mares.
Fonte: Record
