Tubarão-tintureira avistado no Carvalhal

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Um tubarão-tintureira foi avistado nas praias do Pego e Carvalhal, concelho de Grândola, tendo levado ao hastear da bandeira amarela, sem que se registasse necessidade de interditar a praia, disse à Lusa fonte da Polícia Marítima.

A mesma fonte revelou que o animal foi avistado de manhã na praia do Pego e, na altura, como se desconhecia o tipo de tubarão em causa, foi hasteada a bandeira vermelha.

Conhecida a espécie – o tubarão-tintureira é o que mais vezes é avistado junto à costa portuguesa – a bandeira vermelha deu lugar à amarela.

A bandeira amarela foi depois hasteada na praia do Carvalhal, onde o animal também foi avistado por banhistas e nadadores salvadores.

Fonte da Polícia Marítima de Setúbal disse que, assim como chegou, o animal foi-se embora da linha de praia, sem necessidade de intervenção de meios.

O tubarão-azul, tintureira ou guelha (Prionace glauca) é um tubarão da família Carcharhinidae.Esta espécie alimenta-se principalmente de peixes e lulas e pode ser encontrado tanto no continente como nas ilhas.

Pode chegar aos quatro metros de comprimento e aos 240 kg de peso.

Fonte: DN

Portugal vai ter 400 mil quilómetros quadrados de áreas marinhas protegidas

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Portugal poderá passar a ter perto de 400.000 quilómetros quadrados – quatro vezes a área terrestre do país – de áreas protegidas marinhas oceânicas, segundo uma proposta de legislação que está a ser elaborada pelo Governo.

A ideia é acrescentar duas novas áreas enormes, com 255.000 quilómetros quadrados no total, às que já estão classificadas como protegidas na zona marítima portuguesa – segundo a proposta de limites da plataforma continental que Portugal submeteu à ONU em 2009.

Uma delas, com 123.000 quilómetros quadrados, estende-se ao longo da porção a sul dos Açores da Crista Média-Atlântica, a longa cordilheira submarina que atravessa todo o Atlântico de norte a sul, separando as placas tectónicas euro-asiática e norte-americana. Ali encontra-se o monte submarino Great Meteor, que emprestará o nome à nova área protegida.

A outra, com 132.000 quilómetros quadrados, é a da crista Madeira-Torre, entre o arquipélago da Madeira e o Continente. Na verdade, será uma expansão da actual área protegida marinha do monte Josephine, passando a abranger uma área muito mais vasta, que inclui também o banco Gorringe – uma elevação submarina de grande relevância natural.

Cordilheiras e montes submarinos são extremamente importantes para a biodiversidade. A profundidade do mar reduz-se de 4000-5000 metros para menos de 1000 metros ou mesmo algumas centenas nalguns pontos. A própria topografia, geologia e correntes destas formações criam condições ideiais para uma maior variedade de espécies marinhas. Nalguns casos, campos de fontes hidrotermais expelem água quente e minerais, permitindo maior produtividade biológica e o desenvolvimento de formas únicas de vida – de minúsculos invertebrados, a peixes, corais e esponjas.

Preservar estas áreas é algo que enfrenta, porém, um obstáculo: muitas zonas de grande interesse natural situam-se em águas internacionais, fora da jurisdição completa de qualquer país. Várias áreas marinhas protegidas têm, por isso, sido criadas ao abrigo de convenções internacionais, como a OSPAR – um acordo regional para a protecção do ambiente marinho no Atlântico Nordeste, que envolve 15 países mais a Comissão Europeia.

Portugal já designou cinco zonas para fazerem parte da rede de áreas marinhas protegidas oceânicas da OSPAR – a do Monte Josephine e mais quatro ao largo dos Açores. Outras áreas foram classificadas dentro da Zona Económica Exclusiva (ZEE), onde o país tem jurisdição integral sobre a exploração dos recursos marinhos.

Das duas novas áreas propostas, a Madeira-Tore fica apenas parcialmente na ZEE. A parcela que está fora situa-se na plataforma continental além das 200 milhas da ZEE, onde Portugal tem jurisdição apenas sobre o fundo do mar, mas não sobre a coluna da água.

Já a nova área do Great Meteor está integralmente fora da ZEE e também fora dos limites da OSPAR. Neste caso, Portugal tentará garantir a preservação dos seus valores naturais pela via europeia, junto da organização regional que regulamenta as pescas no Atlântico Nordeste – a NEAFC.

A intenção de criar novas áreas protegidas marinhas já foi anunciada pelo secretário de Estado do Mar, Manuel Pinto de Abreu, aos parceiros de Portugal na OSPAR, na última reunião técnica da convenção, na semana passada, em Cascais.

Em cima da mesa está uma proposta de legislação nacional que agrega todas as áreas marinhas protegidas oceânicas do país – existentes e a criar – sob o mesmo chapéu.

O documento não incluirá as áreas protegidas costeiras que já existem tanto em Portugal continental como nas regiões autónomas. Mas em estudo está a criação de ainda mais três novas áreas oceânicas, ao largo de Peniche, do Cabo Espichel e do Cabo de S.Vicente, destinadas à protecção de cetáceos.

Tudo somado, se a proposta for adiante o país terá quase 400.000 quilómetros de áreas marinhas protegidas, cerca de 10% de todo o seu território marítimo. Garantir esta percentagem de protecção no mar até 2020 é um objectivo fixado mundialmente pela Convenção da Diversidade Biológica, segundo uma decisão adoptada em 2010. “Estamos disponíveis para muito em breve dar o primeiro passo e assumirmos os 10% em áreas sob a nossa jurisdição”, afirma Miguel Sequeira, director-geral dos Recursos Naturais, Segurança e Serviços Marítimos.

Fonte: Público

 

 

Portugal é cada vez mais mar. Vai um mergulho?

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O número de mergulhadores subiu em flecha nas últimas três décadas, com a democratização do ensino da modalidade. Os operadores sentiram a crise mas dizem que ainda há muito por fazer e viram-se para o mercado europeu, onde há 3,2 milhões de mergulhadores dispostos a viajar pelo menos uma vez por ano. Portugal parece estar cada vez mais na rota do mergulho mundial.

Barcos que tombaram em batalhas épicas, navios da Marinha afundados, bancos submarinos no meio do Atlântico, onde vivem baleias, focas e tubarões. Não faltam pontos de interesse no mar que banha os mais de 2500 quilómetros da costa portuguesa. Em números redondos, no continente e nas ilhas existem cerca de 300 locais de mergulho. E se 97% do país é mar, quantos estarão ainda por descobrir?  

Nos últimos anos, as escolas e centros de mergulho nasceram como cogumelos em Portugal. Passaram de apenas meia dúzia no início da década de 1990 para quase 150 actualmente. O surgimento das agências internacionais de certificação facilitou e democratizou o ensino da modalidade, até então exclusivo para atletas e militares. A procura subiu em flecha, animada também por um interesse crescente no ambiente e no turismo de natureza, que registou um boom no início do século XXI. Porém, ninguém sabe quantas pessoas se deixaram já encantar pelo “mundo do silêncio” revelado por Jacques Cousteau.

Quando o país começou a dar os primeiros passos no mergulho amador, há 50 anos, criou-se o Caderno Nacional de Mergulho (CNM) do qual constava a certificação do mergulhador. Em 2009, o CNM foi substituído pelo Título Nacional de Mergulho (TNM), emitido pelo Instituto do Desporto de Portugal (IDP). Mas em 2013 o Governo mudou de ideias, suspendeu o TNM e deixou ao critério das escolas a comunicação ao IDP do número de novos mergulhadores. Nem todas o farão.

O IDP aponta para oito mil mergulhadores certificados, mas o número peca por defeito. A Federação Portuguesa de Actividades Subaquáticas certificou 13 mil pessoas desde 1965 com o sistema CMAS (Confederação Mundial das Actividades Subaquáticas), um dos cinco reconhecidos em Portugal – a par da PADI (Professional Association of Diving Instructors, principal agência certificadora a nível mundial), SSI (Scuba Schools International), DDI (Disabled Divers International) e SDI (Scuba Diving International). Mas há outras agências, que embora não sejam reconhecidas em Portugal, têm alguma expressão. Entre os operadores, há quem fale em 30 mil mergulhadores certificados.

Espaço para crescer

Nos últimos anos, a crise também chegou ao sector e a procura pelos cursos recuou. “Há cinco anos dávamos 100 cursos num ano. Este ano, até Junho demos dez”, lamenta Nuno Maria, que em 1992 fundou a Cipreia, escola e centro de mergulho sedeada em Sesimbra, na Arrábida, uma das zonas mais procuradas no continente para mergulhar. O aumento do número de escolas será um dos motivos mas a crise explica o resto, até porque a diminuição do número de novas certificações é global. Por exemplo, a PADI registou uma quebra de 0,9% em 2013 (menos do que em 2009, quando a diminuição foi de 5,7%, segundo os dados disponíveis no site da agência). Por ano, a esta agência atribui quase um milhão de certificações em todo o mundo, mas não revela dados sobre Portugal, onde terá cerca de 70% do mercado.

“É impossível saber quantos mergulhadores temos ao certo, mas o número mais realista anda à volta dos 50 mil”, arrisca José Tourais, conhecido como “o pai do mergulho” em Portugal. É dele a primeira escola de mergulho do país, a Nautilus Sub, fundada em 1989. Tourais considera que o país se tem aproximado do mercado europeu, onde o mergulho está muito mais desenvolvido, mas continua num patamar inferior mesmo tendo todas as condições para progredir. “De zero a 100, a qualidade da nossa oferta está na ordem dos 70, muito acima da média. Temos espaço para crescer durante mais 15 anos”, afirma.

E que condições são essas? “Não temos das piores costas do mundo, o potencial existe”, responde. Nos Açores e na Madeira, as águas límpidas a mais de 20 graus fazem as delícias dos mergulhadores, mas a época de mergulhos está praticamente limitada ao Verão, o que dificulta a sustentabilidade do negócio. No continente, a realidade é outra. Em Sesimbra, por exemplo, cuja costa está abrigada dos ventos de norte, mergulha-se quase o ano inteiro, apesar da fraca visibilidade e de a temperatura média da água rondar os 16 graus. Já no Grande Porto, onde também há dezenas de locais de mergulho identificados, a costa está mais sujeita às intempéries e a água é mais fria.

Uma centena de exemplares a cinco metros

Em relação à biodiversidade marinha, não faltam atracções que colocam Portugal no mapa mundial em relação a certas espécies. Por exemplo, a Ria Formosa, no Algarve, tem a maior comunidade de cavalos-marinhos de focinho comprido (Hippocampus guttulatus) do Mediterrâneo, única zona onde ocorre a espécie. Num mergulho, cuja profundidade média ronda os cinco metros, é possível ver mais de uma centena de exemplares, entre outras espécies de fauna e flora.

O património cultural subaquático é outro ponto a favor, que atrai muitos mergulhadores interessados em naufrágios. O inventário nacional, iniciado em 1984, tem mais de 9000 registos relativos a navios naufragados e artefactos encontrados no fundo do mar. E o afundamento de quatro navios da Marinha ao largo de Portimão, para a criação do parque Ocean Revival que ficou completo há um ano, criou ainda mais pontos de mergulho na costa algarvia.   

“Hoje temos muito para oferecer aos turistas estrangeiros, particularmente do Norte da Europa, que já elegem Portugal como um destino de mergulho interessante em termos de preços de viagem e alojamento, e do clima, que é atractivo mesmo no Inverno”, considera Tourais. A instabilidade política no Egipto e no Norte de África, tipicamente os principais destinos dos mergulhadores europeus, terá também contribuído para lançar os holofotes sobre Portugal.

 

3,2 milhões mergulhadores na Europa

Segundo a Organização Mundial de Turismo, existem na Europa cerca de 3,2 milhões mergulhadores activos, que realizam viagens de mergulho pelo menos uma vez por ano. Em 2022, serão perto de 5 milhões. “Só o mercado nórdico representa dois milhões de mergulhadores, que serão três milhões em 2022”, diz Luís Sá Couto, da Subnauta, que promoveu o projecto Ocean Revival.

 

Segundo ele, o Algarve regista dez mil mergulhos por ano e o objectivo é chegar aos 90 mil daqui por dez anos. “Não é uma loucura, é perfeitamente possível”, garante, revelando que este ano já nota um aumento da procura, depois de uma forte aposta na promoção do destino lá fora. Até ao final de Maio, a Subnauta levou dois mil mergulhadores ao Ocean Revival e para Setembro e Outubro espera casa cheia com turistas do Norte da Europa.

O crescimento deve traduzir-se em euros: em 2012, segundo Sá Couto, o mergulho no Algarve gerou 2,6 milhões de euros e em 2022 pode gerar 70,5 milhões.

Faltam dados sobre o impacto económico da actividade a nível nacional. Embora a náutica de recreio, na qual se inclui o mergulho, seja uma das dez apostas do Plano Estratégico Nacional para o Turismo, nem o Governo nem o Turismo de Portugal têm dados sobre o peso do turismo subaquático na economia. Nuno Madeira, adjunto do secretário de Estado do Turismo, justifica: “É difícil avaliar esses pequenos segmentos”. Será ainda assim tão pequeno?

Fonte: Público

Primeiro iate de Turismo em Portugal “pensado para tirar o máximo aos turistas”

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Passear num iate luxuoso costuma ser algo individual, de acompanhamento reduzido ou em grupos pequenos em carácter exclusivo e particular. A WaterX aposta no primeiro iate totalmente português para transformar a navegação no Tejo um evento social.

Lisboa equiparou-se hoje às grandes cidades europeias ao acolher permanentemente um iate de Turismo, disponível para quem quiser e puder pagar uma viagem diferente.

A embarcação WaterX Catamaran assenta num modelo desportivo (catamaran), preservando o luxo e o conforto do modelo iate de forma a permitir conhecer Lisboa de um ponto de vista diferente, no qual o rio assume protagonismo. A sua concepção foi exclusivamente portuguesa, tendo na sua génese a ideia do designer Tomás Costa Lima e na sua construção o trabalho imprescindível dos Estaleiros de Vila Real de Santo António. Com dois bares, dois acessos à agua pela popa e dois pisos de conforto para 155 pessoas, a embarcação usa o azul e o branco como símbolos da fauna marítima. Pensado para turistas, acreditando, no entanto, que possa ser solicitado por todos os portugueses – dificilmente, grande parte da população pode investir neste passeio -, a organização reitera “o desenho de excelência, apropriado para reuniões de negócios, aniversários ou despedidas de solteiro, independentemente do estado meteorológico que se faça sentir“.

Com possibilidade de navegar entre Lisboa, Cascais e Caparica, o projecto foi um investimento de 720 mil euros, co-financiado pelo QREN (468 mil euros) e pelo Turismo de Portugal.

A estreia em alto mar contou com a presença de Assunção Cristas, Ministra da Agricultura e do Mar, que valorizou a “relação estreita entre Lisboa e o mar” e de Adolfo Mesquita Nunes, Secretário de Estado do Turismo, que sintetizou os objectivos do projecto: “Este foi um projecto de três anos. Era fundamental sentir o rio como parte da cidade, ainda por cima conseguindo acrescentar algo à economia. Criámos emprego e demos oferta turística. O objectivo é termos turistas a gastar o máximo de euros possível“.

Fonte: Hardmusica

Portugal com défice comercial de 641 milhões de euros nas pescas

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A frota pesqueira nacional capturou menos 1,2% de pescado em 2013, facto que terá contribuído para que a balança comercial permaneça deficitária apesar de uma melhoria de 21 milhões de euros face a 2012.

Ainda não foi desta que o sector pesqueiro nacional voltou a ganhar dimensão e, nas palavras do Presidente da República Cavaco Silva proferidas em 2012, “ultrapassou o estigma” que impede de se olhar novamente para os sectores esquecidos nos últimos anos.

 Os dados recolhidos pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) mostram que em 2013 o sector pesqueiro nacional registou uma quebra de 1,2% das capturas efectuadas, para um total de 195.065 toneladas. Entre o peixe cujo volume de capturas decresceu está a sardinha, o atum, o carapau, a cavala e o polvo.

 Outro dado negativo prende-se com a balança comercial dos produtos de pesca. Apesar de Portugal ser detentor de uma das maiores Zonas Económicas Exclusivas do mundo, o saldo comercial de produtos de pesca registou um défice de cerca de 641 milhões de euros o que, ainda assim, representa uma melhoria de 21 milhões de euros face ao défice verificado em 2012.

 Entre os vários dados que podem contribuir para a explicação da prestação do sector estará o facto de em 2013 a frota de pesca nacional, com um total de 4.527 embarcações licenciadas, ter caído para o nível mais baixo dos últimos oito anos. 

 Metade do pescado importado vem de Espanha

 A maior parcela das importações de peixe portuguesas vem de Espanha. O peixe importado de Espanha cresceu no último ano, tendo aumentado dos 43,3% em 2012 para 44,8% em 2013.

 Depois do país vizinho surge, como principal fornecedor de pescado, a Holanda com 16,7%.

 O grupo das “preparações e conversas de peixe” é o único cujo saldo externo não é deficitário, tendo no ano passado registado um saldo positivo de 62,8 milhões de euros.

Fonte. Jornal de Negócios. 

Portugal quer vender navios a países africanos de língua portuguesa

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Cooperação técnico–militar está em marcha, mas falta fazer negócios, algo que os embaixadores ou representantes de Angola, Moçambique, São Tomé e Cabo Verde vão discutir com Portugal.  

Ainda não há contratos assinados, mas o ministro da Defesa garante que Portugal tem condições para construir navios patrulha e vendê-los aos países africanos. 

Uma delegação de membros da Comunidade de Países de Língua Oficial Portuguesa (CPLP) está de visita a Portugal e esta terça-feira foi convidada a conhecer as capacidades dos navios portugueses. Durante a manhã, a delegação subiu a bordo do navio patrulha “Viana do Castelo” construído nos Estaleiros de Viana. 

A cooperação técnico–militar está em marcha, mas falta fazer negócios, algo que os embaixadores ou representantes de Angola, Moçambique, São Tomé e Cabo Verde vão discutir com Portugal. 

O ministro José Pedro Aguiar-Branco fez as honras da casa, não se cansando de elogiar o navio e garantindo também que Portugal continua a ter capacidade de construção desde tipo de navios, apesar da reprivatização, e posterior subconcessão, dos Estaleiros Navais de Viana do Castelo. “E por isso, há capacidade quer em termos da existência de projecto, que é do Estado, quer em termos daquilo que é a capacidade de construção e reparação naval, que persiste em Viana do Castelo. E nós acreditamos que tem futuro, quer para a região, quer para a construção naval portuguesa”, acrescentou. 

O ministro confia nas conversações bilaterais, que estão em agenda, e no Fórum da Defesa para concretizar negócios.

A bordo do navio patrulha estão já militares dos países da CPLP para dois meses de estágio, uma experiência importante, diz Adérito Cardoso, de Cabo Verde. “Vamos aproveitar o máximo dos conhecimentos e procedimentos utilizados aqui, levar para o nosso país e melhorar os nossos. É essa a nossa expectativa”.

Fonte: RR

Indústria naval portuguesa em Southampton pela mão da AIN

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Uma missão de empresários da indústria naval portuguesa, constituída por associados da AIN em que constam representantes de estaleiros navais e de empresas do cluster naval, desloca-se a Southampton em mais uma iniciativa da Associação das Indústrias Navais (AIN), para promover e dinamizar a inovação na construção, manutenção e reparação naval. Esta missão é financiada pelo Projeto AuxNavalia Plus

A visita realiza-se nos dias 10 e 12 de junho, em conjunto com os parceiros da AIN no Projeto, sendo efetuada no âmbito da Seawork 2014 (http://www.seawork.com/). O evento, na sua 17ª edição, conta com a presença de mais de 520 expositores e 7327 visitantes de todo o mundo.

Fonte: Cargo

Por um Portugal de Mar

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Ricardo Diniz é um navegador solitário e pode gabar-se de perseguir um sonho de criança, surgido aos oito anos.

Mal nota as primeiras rajadas de vento, Ricardo Diniz começa a puxar vários cabos e, em alguns minutos, a vela “que faz lembrar a cauda de um avião” é desembainhada à nossa frente. “Tiveram sorte, com este vento posso mostrar-vos a vela mais pequena”, diz. Para a maior, seriam precisos uns 40 minutos. É indisfarçável a ansiedade no rosto de Ricardo. A partir de hoje e durante os próximos 45 dias, a rotina deste navegador solitário será um autêntico “jogo de xadrez” entre ele, o vento e o mar, rumo a Salvador da Bahia (Brasil). O objectivo é fazer chegar à selecção portuguesa uma mensagem de apoio para que se supere durante o Campeonato do Mundo.

“Das coisas mais difíceis, é chegar à linha de partida”, confessa Ricardo Diniz, em conversa com a Revista 2, algumas semanas antes. Não é novo nestas andanças, mas antecipa o momento tal como uma criança aguarda a manhã de Natal, mesmo não sendo novidade para ele aquilo que vai encontrar. “Quando partir e passar ali à frente do Padrão dos Descobrimentos, é uma vitória brutal. A partir daí, só tenho de velejar.” Este “só” transporta mais do que aquilo que imaginamos. 

A bordo do seu veleiro, Ricardo terá de assumir várias funções: “Meteorologista, navegador, costureiro, carpinteiro, enfermeiro.” Pelo meio, há ainda uma gata, sem nome, que irá ser a sua única companhia e vai exigir escovadelas periódicas.

As “saudades” de Portugal e a promoção dos produtos nacionais, a par da paixão pelo mar, são os grandes motores daquilo que foi o percurso de Ricardo Diniz. Na viagem que inicia hoje, junta tudo isso. A ideia surgiu enquanto ouvia o relato do jogo entre a selecção portuguesa e a Suécia, de apuramento para o Mundial. Os escandinavos tinham marcado e a qualificação portuguesa estava em risco. “Estava um bocadinho tenso, comecei a imaginar um país que não vai ao Mundial”, lembra. Previu quatro anos de auto-estima baixa de uma nação inteira. “Senti-me impotente, não podia fazer nada para ajudar a selecção e então disse: ‘Ganhem isto que eu até vou à vela sozinho para o Brasil.’” A partir daí, não teve dúvidas. Portugal iria conseguir vencer os suecos e ele próprio iria fazer a viagem. 

Em campo, a equipa das “quinas” não desiludiu e, logo após o jogo, já Ricardo se mexia para pôr em marcha o seu plano. “Fiz uma coisa muito arriscada, que foi anunciar o que quero fazer sem ter nada ainda confirmado”, observa. Mas a confiança neste “alinhamento” — um termo crucial para o navegador que o irá usar várias vezes durante a conversa — era inabalável e Ricardo conseguiu reunir os patrocínios necessários, remodelar o veleiro e estar na melhor forma para uma façanha de grande exigência. Enquanto estiver a navegar, Ricardo tem de estar quase sempre em alerta para qualquer alteração meteorológica. Não vai dormir mais de 15 minutos de seguida, diz-nos. E todo o barco foi remodelado para as suas funções de navegador solitário. Por exemplo, o local onde vai repousar, mesmo em frente ao GPS e ao rádio, está construído para que Ricardo se deite com uma omoplata de fora, nunca ficando totalmente confortável, “senão, ia até à Índia sem acordar”.

Apesar do grande desafio em mar, “a parte em terra é monstruosa”, admite Ricardo. Entre as reuniões com patrocinadores, entrevistas e preparações de última hora, o navegador tem de apontar na sua agenda horas para comer. Mas tudo vale a pena para Ricardo voltar ao seu elemento e fazer aquilo de que gosta, a bordo da sua “embaixada flutuante de ‘portugalidade’”.

Ricardo recebe a Revista 2 no interior do FlyTap, um veleiro totalmente reconstruído que tem sido seu companheiro de aventuras nos últimos anos. Mas foi outra embarcação que o cativou para esta vida ainda em criança. Estamos no Museu Marítimo de Greenwich, em Londres, e Ricardo, de oito anos, descobre com o pai a grandiosa história naval britânica. A atracção é o navio Cutty Sark, que passou pela coroa portuguesa no início do século XX, mas é um pequeno veleiro que chama a atenção de Ricardo. Trata-se do Gipsy Moth, no qual sir Francis Chichester deu a volta ao mundo entre 1966 e 1967.

Na cabeça de Ricardo tudo se torna claro: “Decidi que queria fazer a volta ao mundo à vela sozinho.” Aos oito anos, estava longe de prever que esse sonho iria determinar quase toda a sua vida futura. “Só sabia que adorava o mar, tinha uma prancha de esferovite e estava doido para voltar a Portugal por causa da praia”, diz-nos, agora com 37 anos. A ideia nunca mais o abandonou. Aos 11 anos regressou a Portugal, depois de ter vivido seis anos em Inglaterra, onde raramente via o mar. Matou as saudades com uma juventude passada entre a doca de Alcântara, a ajudar estrangeiros que lá atracavam, e a Costa de Caparica, para vender bolos na praia. Apesar da tenra idade, muito daquilo que Ricardo é hoje já se podia vislumbrar. “Tudo o que me surgiu na vida foi assim, a identificar necessidades e ao identificar esses alinhamentos, trabalhar para eles.” 

Voltou a Inglaterra, aos 17 anos, para estudar Ciência Ambiental Marítima, mas os bancos de faculdade não o seguraram. O sonho nascido no Museu Marítimo era mais forte e Ricardo acabou por abandonar o curso e prosseguir o seu projecto. “Dizer que se quer ser velejador é uma coisa esquisita”, admite. E confessa que foi difícil tomar a decisão de recusar o investimento feito na sua educação. Tirou a carta de comandante e tornou-se Yachtsman aos 19 anos. Estudou muito naqueles tempos, antes de se fazer ao mar. “Ia para oficinas de mecânica para aprender a desmontar os motores, trabalhei em velarias para aprender a manejar as velas do barco e os cabos e levava barcos de um lado para o outro para na costa Sul de Inglaterra como forma de ganhar dinheiro e aprender.”

No horizonte tinha uma meta bastante definida. Começou em 1996 a planear o início de uma volta ao mundo em veleiro, cuja partida deveria coincidir com o encerramento da Expo-98, em Lisboa. “Queria aproveitar aquele alinhamento do último dia da Expo, que era o evento cujo tema era os oceanos, no Ano Internacional dos Oceanos, e ainda os 500 anos dos Descobrimentos”, observa Ricardo. Desta vez, contudo, o tal “alinhamento” não deu frutos. “Dei o máximo, esforcei-me muito, fiz muitos contactos, falei com milhares de empresas”, recorda. Ricardo não conseguiu reunir patrocínios suficientes e viu gorado o seu projecto. 

Seguiu-se um período de revolta e incompreensão. “Se não foi agora, não vai ser nunca”, era o pensamento que mais vezes atravessava a sua mente. Queria criticar tudo e todos. Logo ele, que hoje em dia não se cansa  de combater a mentalidade da crítica fácil portuguesa. “Não percebia muito da vida ainda”, reconhece ao olhar para trás. Desistiu, temporariamente, de Portugal. Foi comandar barcos para as Caraíbas, juntou algum dinheiro e rumou a norte, para os Estados Unidos, um país onde “todos os sonhos são possíveis”, até aqueles que nascem aos oito anos. “Nos EUA, senti mais força, mais apoio e mais compreensão em relação aos meus sonhos do que senti em Portugal, o que me levou a perceber que estava um bocadinho a partir o gelo.” Desporto em Portugal era futebol, relembra. “Todas as modalidades reclamavam, muito em especial uma coisa que nem sequer é uma modalidade: É um gajo sozinho num barco a caminho não sei de onde para comunicar portugalidade.”

As pazes com o país foram feitas no alvor do novo milénio. “Aceitei, em 2001, que Portugal está na fase em que está em relação a outros países.” Deixou de fazer comparações, por exemplo, entre ele próprio e um velejador solitário de outro país que conseguia facilmente patrocínios multimilionários. Não desistiu de fazer a sua volta ao mundo, apenas percebeu que teria de ir por “um caminho diferente” do que planeava.

E aí entra uma mudança fundamental na relação entre Portugal e o mar, que Ricardo tem vindo a identificar. Um novo “alinhamento”. “Dezasseis anos depois da Expo-98, temos de facto um Portugal de mar, que tem noção do seu mar”, explica, notando, por exemplo, que “o termo ‘economia do mar’ já é muito comum”. Ele próprio tem contribuído para esta mudança. Uma das últimas viagens de Ricardo Diniz foi um percurso à volta da Zona Económica Exclusiva (ZEE) portuguesa, em 2012, “para mostrar que Portugal é mar”. 

Antes disso, fez Lisboa-Dakar durante duas semanas em que acompanhou o rali, em 2005. Recorda que tudo foi organizado em tempo recorde e que o veleiro tinha o piloto automático avariado. Nesta viagem até ao Brasil, vai atingir a marca das cem mil milhas, o equivalente a várias voltas ao globo. Experiência não lhe falta, mas não são os números ou recordes que lhe importam. Fala da sua relação com o mar como algo de místico ou espiritual. Diz haver uma dualidade dentro de si próprio, o “Ricardo-mar e o Ricardo-terra”.

“Em terra, não tenho bem a certeza de como é que o Ricardo-mar consegue fazer o que faz”, admite. Cada vez que navega, sente um “renascer para o mar” e nota que esse Ricardo-mar fica lá. “Quando chego a terra, tudo anda rápido, as pessoas andam tensas, os carros andam a uma velocidade irreal.” É no meio dos oceanos que volta a ser um “bicho da terra”, por oposição à espécie humana, “que passa meses sem tocar no mar”, num “triste divórcio com a Natureza”. Foi o “Ricardo-mar” que o tornou conhecido, mas é em terra que passa a maior parte do seu tempo. Faz palestras em vários pontos do mundo, gere empresas e lida constantemente com muitas pessoas. Um cenário bem longínquo da tranquilidade oceânica. É um comunicador por natureza, sempre pronto a contar alguma história e a dar muitos exemplos a propósito de qualquer tema. Diz estar permanentemente à procura de oportunidades para apoiar alguém ou algum projecto em que encontre potencial. Hoje tem negócios de mel, no têxtil, no vinho e no turismo.

Lançou recentemente a Papillon, uma empresa que “já varreu mundo” para promover Portugal como “shipyard country” [país de estaleiros navais]. “Já gastámos seis dígitos em promoção mundial do nosso país”, revela. Como comandante de super-iates, Ricardo Diniz conhece muita gente nesse mundo, junto de quem está a promover as marinas portuguesas. “O impacto económico de um barco destes numa marina na costa portuguesa é brutal, são dezenas de multimilionários que chegam, vão a restaurantes, alugam carros.”

Não consegue estar parado. Talvez apenas enquanto contempla o azul infinito de um oceano. Defende que no mundo existem pastores e ovelhas. “Há as pessoas que não sabem liderar as suas próprias vidas e são empregados, precisam de trabalhar para alguém, não fazem ideia de como se cria um negócio e de como se gere.” Trata-se das ovelhas: “São excelentes empregados de mesa, são excelentes taxistas, são excelentes costureiros.”

No entanto, é sempre necessário alguém “que paga as contas, consegue os financiamentos e que trata dos clientes”, ou seja, os pastores. Não tem qualquer dúvida em posicionar-se como um “pastor”, alguém que luta pela sua ideia e não se perde em críticas. Perguntamos-lhe se Portugal é um país para pastores, ao que responde, num inglês que lhe é recorrente: “If you really want something, you really go for it” [Se queres mesmo alguma coisa, tens de te esforçar.] Diz ficar doente ao ver “pessoas que até têm uma esfera de influência grande a utilizarem o seu pindérico palco de redes sociais para criticar constantemente o Governo”. “Isso gera o pânico, a histeria colectiva, a depressão, o descrédito.” 

No meio de tantos projectos, Ricardo não esquece o sonho dos oito anos, mas já não tem pressa. “Quando tiver de ser a volta ao mundo, vai ser bastante óbvio para mim que chegou o momento.” Um momento que pode estar próximo, talvez ainda nesta década, diz. De uma coisa tem a certeza: “A primeira volta ao mundo vai ter que ver com as comunidades portuguesas pelo mundo, os 5,5 milhões de portugueses que vivem fora do país, produtos portugueses, promover empresas e Portugal como um país fantástico e que precisa de investimento e pastores.”

Fonte: Público

 

Portugal Ventures investe no Turismo Náutico

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A Portugal Ventures, sociedade de capital de risco criada pelo Estado, vai investir na Friday, uma empresa de Coimbra, que está a desenvolver submersíveis tripulados para explorar o fundo do mar e casas flutuantes para actividades recreativas náuticas e de lazer. 
“Ao decidir investir na empresa, a Portugal Ventures reforça a aposta nas empresas tecnológicas que aproveitam as características únicas do turismo náutico e o vasto potencial do espaço económico marítimo Português”, explica a Portugal Ventures em comunicado. 
O financiamento à Friday surge no âmbito de uma candidatura da empresa à Call For Entrepreneurship, iniciativa que visa possibilitar o acesso a investimento de capital de risco por parte de projectos de base científica e tecnológica nas fases de Seed e Start-ups. 
A Friday tem sede no Instituto Pedro Nunes de Coimbra e é liderada pelo professor Fernando Seabra Santos, antigo reitor da Universidade de Coimbra e reconhecido especialista na área de engenharia civil, da hidráulica marítima e dos recursos hídricos, estando, numa primeira fase, apostada em criar submersíveis para missões de exploração e inspecção subaquática, bem como no desenvolvimento de casas flutuantes para planos de água interiores. 

Fonte: Turisver

Cientistas portugueses inventam salsichas de peixe com sabor a carne

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Investigadores portugueses encontraram uma forma de fazer salsichas de peixe, com sabor a carne, uma alternativa que aproveita sobras e peixe de aquacultura, que tem menos gordura e previne doenças, disse este sábado um dos cientistas.

Rogério Mendes, investigador do Instituto Português do Mar e Atmosfera (IPMA), avançou à agência Lusa que o objetivo era procurar soluções para aproveitar todo o peixe capturado, assim como o desperdício do pescado processado, em filetes ou postas, por exemplo, e dar novas utilizações às espécies produzidas em aquacultura.

«Pegamos num peixe que tem um sabor fraco, neste caso, a pescada, fomos ver o que a salsicha de carne tradicional tinha e fomos retirando componente a componente e substituindo por outros até conseguir um conceito relativamente novo», explicou.

O resultado foi uma salsicha feita com peixe, com sabor, consistência e apresentação semelhante à tradicional, mas com menos gordura e com fibras vegetais, com um prazo de validade para ser consumida entre 40 a 50 dias, porque está pasteurizada e refrigerada, podendo também vir a ser enlatada.

Esta nova alternativa «tem um sabor idêntico àquele da carne porque a salsicha tradicional não sabe a carne de porco, sabe a fumo e é esse fumo que é o segredo», relatou Rogério Mendes.

Quando concluíram que o sabor não é da carne, é do fumo, os investigadores colocaram a hipótese de fazer o mesmo com peixe, conferindo-lhe esta característica, como acontece com as salsichas tradicionais que já não seguem a receita tradicional e deixaram de passar pelo fumeiro.

O investigadores foram eliminando as características que diferem entre as duas matérias primas e compensaram o facto de o peixe ter um tecido mais mole, introduzindo fibras vegetais, para obter a consistência e textura desejadas, mais parecidas com a carne, e com isso conseguiram uma vantagem relacionada com as suas propriedades.

«Essas fibras vegetais têm um papel positivo na prevenção de algumas patologias como o cancro do colon, fazem a regulação da flora intestinal e podem reduzir o colesterol», referiu o cientista.

Por outro lado, «era muito importante que este produto não tivesse a gordura que o outro tem e pensamos utilizar um outro tipo de fibras que mantém na boca a mesma sensação de oleosidade e que são usadas nos iogurtes magros», acrescentou.

A salsicha tradicional tem um teor de gordura superior a 20% e a nova salsicha tem cerca de 0,4%.

Os especialistas do IPMA começaram por trabalhar com pescada, mas já experimentaram outros peixes que se prestam a este tipo de aproveitamento, como alguns de aquacultura, entre os quais dourada, robalo e corvina.

«Têm funcionado sem problemas o que quer dizer que pode justificar não só aproveitar desperdícios, mas também produzir peixe para este fim e diversificar», concluiu Rogério Mendes.

Agora resta esperar que algum empresário, da indústria do pescado ou da carne processada, decida investir nas salsichas de peixe com sabor a carne.

Fonte: TVI 24