Espécies marinhas invadem ecossistemas dos Açores

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Espécies invasoras marinhas que chegam aos Açores incrustadas em embarcações de recreio e navios podem pôr em causa espécies endógenas da região, dada a fragilidade dos seus ecossistemas, e, consequentemente, o pescado, afirma uma investigadora.

“Considerando que os ecossistemas das ilhas, em particular das oceânicas, são muito frágeis, se alguma coisa chega por mão humana, é relativamente simples ter condições de se desenvolver e proliferar, deixando de ser uma espécie exótica para ser uma espécie invasora”, disse à agência Lusa Ana Cristina Costa, do Departamento de Biologia da Universidade dos Açores.

A bióloga está ligada ao projecto “Açores: stop over for marines aliens species”, deste departamento da universidade açoriana, que visa contribuir para travar a entrada de espécies marinhas invasoras e é apoiado pela Direcção Regional da Ciência e Tecnologia do Governo Regional, decorrendo até 2015.

Ana Cristina Costa afirma que os ecossistemas dos Açores se podem confrontar com “grandes problemas”, uma vez que, por competição pelo espaço e por serem mais eficazes em termos reprodutivos, algumas espécies podem dominar todo o sistema, fazendo desaparecer algumas espécies endógenas.

“Acaba por haver um empobrecimento do sistema e poderá haver algum decréscimo na competitividade, inclusive de espécies com interesse comercial e que são exploradas”, frisa a bióloga.

Ana Cristina Costa refere, por outro lado, que o “grande risco” para a saúde pública das espécies marinhas invasoras reside no facto de algumas serem portadoras de outras, de menor dimensão, que podem causar problemas ao nível do consumo, em termos de intoxicações.

“É o caso do pescado, sobretudo do marisco, embora as espécies geralmente mais afectadas sejam bivalves [mexilhão, amêijoa e conquilha, entre outros], o que não existe muito nos Açores e nos resguarda”, declara a bióloga.

Ana Cristina Costa sublinha que “não há uma relação directa”.

“Em termos de risco directo para a saúde pública, geralmente o que é preocupante são algumas espécies de mais pequenas dimensões que possam vir associadas a outras espécies introduzidas, que podem tornar-se invasoras”, declara a bióloga.

Ana Cristina Costa especifica que o projecto ‘Açores: stop over for marines aliens species’ visa identificar espécies invasoras através das marinas e portos, dos navios comerciais oriundos de outros países, sendo identificadas inúmeras espécies exteriores à região.

“Estamos a avaliar a situação das portas de entrada e relacioná-las com o tráfego de embarcações, nomeadamente de recreio, a mais importante via de entrada nos Açores, através das incrustações nos cascos das mesmas”, afirma.

Ana Cristina Costa refere que o estudo se processa através da recolha dos organismos que estão nos cascos das embarcações, quando estas vêm a doca seca, tentando-se perceber a ligação directa entre a origem das embarcações e as espécies.

“As espécies na região são disseminadas pelas embarcações que fazem o circuito das ilhas. Muito facilmente, algo vindo das Caraíbas, num instante se instala numa ilha, ou desta para outras”, frisa a bióloga.

As espécies invasoras são consideradas uma ameaça global à biodiversidade marinha.

Lusa/SOL

 

Açores: Presença de baleias aumentou 100 por cento

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Baleia-de-bossas ao largo do Pico © Nuno Sá/Wildlife Photography

 

Nos últimos cinco anos, a visita de baleias ao arquipélago dos Açores tem aumentado drasticamente. O fotógrafo Nuno Sá e os proprietários da empresa Pico Sport, que opera há mais de 20 anos, afirmam que a presença destes cetáceos terá aumentado cerca de 100 por cento.

Os Açores estão a tornar-se um destino cada vez mais procurado pelas baleias. Há cerca de uma semana, o fotógrafo de vida marinha Nuno Sá foi alertado para o número “anormalmente elevado de baleias ao largo da Ilha do Pico”, pelo que não hesitou em “meter-se num avião e deslocar-se ao local”.
“Está a ser um ano incrível. Cheguei há poucos dias e já vi quatro espécies: baleias-azuis, baleias-de-bossas, baleias comuns e cachalotes. No total, terei avistado mais de 20 baleias, além dos golfinhos que são presença assídua”, conta o fotógrafo.
 
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A baleia-azul registada pela lente de Nuno Sá com a montanha do Pico ao fundo 
 
 
Nuno Sá mostra-se particularmente satisfeito com a presença da baleia-azul, o maior animal do planeta. “A que avistámos (na foto acima) tinha seguramente 25 metros de comprimento”, salienta.
 
Outro avistamento surpreendente foi a baleia-de-bossas “que são raras e não costumam aparecer nos Açores”, explica, “são muito chamativas porque costumam saltar fora de água” atraindo a atenção das pessoas. 
O fotógrafo, que já conquistou vários galardões a nível nacional e internacional, acredita que este aumento do número de cetáceos nos Açores se deve ao facto de, nos últimos anos, as águas locais estarem “particularmente ricas em plâncton”, devido às correntes. 
Nuno Sá garante que os animais têm estado tão perto da costa do Pico que “tem sido possível observar e fotografar estes mamíferos sem entrar na água, que aliás se apresenta turva e com pouca visibilidade, devido ao plâncton, o que dificulta a observação”.
 
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Uma das baleias-de-bossas observadas esta semana ao largo do Pico
 
 
A ilha do Pico, de resto, é privilegiada para observar cetáceos e por isso mesmo “foi o berço de observação de baleias, conservando ainda muitas das vigias usadas na época em que era permitida a caça à baleia”, recorda o fotógrafo.
 
Um aumento de 100 por cento
 
Também o alemão Frank Wirth, proprietário da empresa de observação de cetáceos Pico Sport, a funcionar desde 1996, confirma este fenómeno: “Os cachalotes sempre estiveram muito presentes mas temos assistido a um aumento das baleias de barbas, posso afirmar que nos últimos cinco anos houve um aumento de pelo menos 100 por cento”.
Frank Wirth admite que o facto das águas dos Açores serem muito ricas em alimento tem atraído mais baleias, “já que estes animais conseguem comunicar através de longas distâncias”. “Uma baleia consegue informar outra baleia que esteja a 160 quilómetros de que há alimento em determinado local “, explica.

“Nós muitas vezes avistamos algumas baleias e percebemos que duas ou três semanas depois a sua presença aumenta bastante porque já avisaram as outras de que este ‘restaurante’ tem comida abundante e boa”, conta Frank.

Regulamentação da caça está a ter bons resultados
O responsável da Pico Sport considera que a regulamentação, a nível internacional, da caça à baleia, também tem contribuído de forma “muito positiva para o aumento da população”. Foi em 1987 – ano em que a prática passou a ser proibida no nosso país – que foi caçada, em Portugal, ao largo da vila das Lajes do Pico, a última baleia das águas portuguesas.
Frank traça ainda elogios às autoridades locais que têm sabido preservar estas espécies. “Graças às políticas locais, as companhias turísticas nos Açores têm um comportamento muito sustentável não permitindo, por exemplo, que demasiados barcos estejam ao mesmo tempo no mar e exigindo que preservem uma certa distância dos animais”. 
 
Por outro lado, as próprias empresas de observação esforçam-se por não incomodar as espécies, oferecendo ao mesmo tempo um serviço com mais qualidade aos clientes.
 
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“Noutros locais os barcos transportam cerca de 30 passageiros e as observações duram apenas uns breves minutos. Aqui é tudo feito com mais calma, os barcos transportam uma média de 12 passageiros e as observações são sempre acompanhadas pela explicação de um biólogo para que as pessoas aprendam um pouco mais sobre estas espécies”. 
 
O mar dos Açores é um “diamante”
“Este arquipélago é um diamante no que respeita à observação de cetáceos”, garante o responsável, salientando que já visitou locais de observação de baleias em vários pontos do mundo. “Por aqui passam pelo menos 28 espécies de cetáceos, o que é um recorde mundial”, sublinha, garantindo que entre Fevereiro e Maio será possível observar nos Açores pelo menos três espécies de baleias, entre elas a gigante baleia-azul.
 
Frank afirma que a maior parte dos turistas que procuram este tipo de atividades vêm de países da Europa central, da Europa do norte e também dos EUA. O responsável lamenta que não haja mais portugueses a procurar estes serviços e considera que isso acontece porque muitos desconhecem os “tesouros que têm no seu próprio país”.
Fonte: Boas Noticias.

Potencial do mar dos Açores em debate em conferência do AO

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“O que fazer com o imenso mar dos Açores?” é o tema da segunda conferência do ciclo que o Açoriano Oriental (AO) vai promover ao longo de 2014.
 
A conferência, coordenada por Rui Coutinho da Universidade dos Açores, terá lugar a 15 de Abril no Anfiteatro C da Universidade dos Açores (UAç), em Ponta Delgada, a partir das 9h00. 

 “Numa lógica de continuidade em relação às conferencias anteriores, em especial a dedicada ao mar, vamos abordar agora outras temáticas dado que se têm ouvido falar muito do mar mas há ainda muitas questões por esclarecer dado que apesar do seu grande manancial de recursos ainda existem muitas questões por responder”, afirmou o coordenador, salientando que questões como quem e como vão ser explorados os recursos do mar ou qual poderá ser o papel da Região nesse processo precisam de ser debatidas.  

 Na terça-feira, os trabalhos vão iniciar-se com a intervenção de Gabriela Queiroz, do Centro de Vulcanologia e Avaliação de Riscos Geológicos da Universidade dos Açores, que vai abordar a geologia e o vulcanismo no mar.

 Em seguida, a intervenção de Miguel Marques, da PricewaterhouseCooper & Associados, versando as tendências da economia do mar.

 As questões legais e jurídicas do mar ficarão a cargo do especialista em Ordenamento do Espaço Marítimo Carlos Pinto Lopes. Já a professora da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, Carla Amado Gomes, refletirá sobre a ação legal que interpôs os pescadores dos Açores contra o Estado Português.

 A última participação será do contra-almirante Pires da Cunha, do Comando da zona Marítima dos Açores que vai falar de segurança marítima.

 Esta conferência, moderada por Hélder Silva (Departamento de Oceanografia e Pescas da UAç), que segundo Rui Coutinho contribuirá para a discussão e esclarecimento de muitas das questões abordadas. 

 A conferência, aberta ao público em geral, será transmitida na rádio Açores/TSF e no Açoriano Oriental online com meios e tecnologia Portugal Telecom.

 São patrocinadores deste ciclo de conferência: Portugal Telecom, Montepio e Grupo Bensaude.

 A Universidade dos Açores, a Baker Tilly e a Câmara de Comércio e Indústria de Ponta Delgada são parceiros desta iniciativa que conta com o apoio do Grupo SATA.

 
Fonte: Açoriano Oriental