Estudo analisa efeitos de carbono no passado nos oceanos

Cientistas chineses e norte-americanos analisaram como um aumento maciço das emissões de carbono há 56 milhões de anos alterou a química dos oceanos, oferecendo pistas sobre os efeitos das atuais alterações climáticas.

A equipa, composta por especialistas da Universidade de Pequim e da Universidade Estatal da Pensilvânia, reconstruiu o estado da acidificação dos oceanos durante o Máximo Térmico do Paleoceno-Eoceno (PETM, na sigla em inglês), um evento caracterizado pelo aumento das temperaturas globais e pela alteração dos ecossistemas.

Os resultados revelaram semelhanças entre a acidificação durante o PETM e as tendências atuais, causadas pelo aumento do dióxido de carbono na atmosfera terrestre.

De acordo com o estudo, recentemente publicado na revista científica Nature Geoscience, um aumento maciço das emissões de carbono durante o PETM levou a uma redução do pH oceânico, diminuindo a disponibilidade de iões de carbonato, essenciais para a formação de conchas nos organismos marinhos.

Esta redução afectou directamente a capacidade dos oceanos para armazenar carbono.

Utilizando dados paleoclimáticos combinados com simulações de modelos do sistema terrestre, os investigadores estimaram que os níveis de dióxido de carbono atmosférico aumentaram de 890 para 1.980 partes por milhão durante o PETM, o que implica uma diminuição média do pH dos oceanos de 0,46 unidades.

Li Mingsong, professor da Universidade de Pequim, citado pela agência de notícias oficial chinesa Xinhua, observou que esta diminuição do pH durante o PETM se assemelha às actuais projeções em cenários de emissões elevadas.

No entanto, ele sublinhou que a atual taxa de emissões de carbono é muito mais rápida do que nessa altura, o que representa uma “séria ameaça” para os ecossistemas marinhos e a biodiversidade.

O perito salientou que o PETM, que durou cerca de 200 mil anos, serve de “análogo natural das possíveis consequências das emissões descontroladas de carbono atualmente”.

No entanto, as emissões aceleradas actuais representam “um perigo maior e a mais longo prazo” para a vida marinha, especialmente em “regiões vulneráveis como o Ártico”, acrescentou.

Frota contentorizada cresce cada vez mais.

Para além de já mencionada reconfiguração das alianças no Shipping para 2025, outro detalhe para o ano novo que se aproxima, é o crescimento da frota global de porta-contentores, que irá aumentar para os 29,9 milhões de TEU para 31,6 milhões de TEU até fevereiro de 2025 de capacidade.

O gigante armador ítalo-suiço MSC – Mediterranean Shipping Company lidera a expansão, contribuindo com 24% da nova capacidade, o armador francês  CMA-CGM aumenta 10%, seguido pela Maersk, COSCO e Evergreen com 8% cada.

A Ocean Alliance ( CMA CGM/COSCO/Evergreen.), domina globalmente, detendo uma participação de mercado de 29%. 

Este crescimento da frota ressalta a dinâmica de mudança nas alianças do Shipping, ainda por mais numa altura em que a maior das alianças mais recentes, a 2M, termina em Fevereiro próximo.

Trump ameaça retomar controlo norte-americano do Canal do Panamá

O Presidente eleito dos EUA, Donald Trump, mencionou que irá afirmar a exigência da devolução do Canal do Panamá, caso o Panamá continue a cobrar o que considerou serem taxas de trânsito “ridículas”, numa altura em que a navegação da via se encontra ameaçada pela seca e pelos correspondentes baixos caudais dos rios da região, fazendo com que as autoridades locais tenham de diminuir o tráfego.

Donald Trump escreveu na sua Rede Social Truth Social de que: “As taxas cobradas pelo Panamá são ridículas, especialmente sabendo da generosidade extraordinária concedida ao Panamá pelos Estados Unidos”.

Acrescentou ainda que: “Se os princípios, tanto morais como jurídicos, deste gesto magnânimo não forem seguidos, então iremos exigir que o Canal do Panamá nos seja devolvido”, declarou Trump, que tomará posse novamente como Presidente dos Estados Unidos a 20 de Janeiro.

Após escrever nas redes sociais, ainda bateu na questão num comício, afirmando que:  “Estamos a ser roubados no Canal do Panamá como estamos a ser roubados em todos os outros lados”.

JUL em pleno funcionamento no Porto de Leixões.

Após um período de implementação que teve início a 30 de novembro, a Janela Única Logística (JUL) encontra-se em pleno funcionamento no Porto de Leixões refletindo o intenso e rigoroso trabalho desenvolvido durante esta transição. 

Este novo sistema, que veio substituir a antiga Janela Única Portuária, representa um marco na modernização e eficiência dos processos logísticos do porto, reafirmando o compromisso da APDL – Administração dos Portos do Douro, Leixões e Viana do Castelo com a inovação e a melhoria contínua dos seus serviços.

A implementação da JUL é o resultado de um trabalho rigoroso e colaborativo, que incluiu a realização de workshops e formação especializada, para capacitar todos os intervenientes, bem como testes exaustivos em ambiente de pré-produção, que permitiram avaliar o grau de maturidade da implementação e assegurar uma transição bem-sucedida.

Para garantir uma transição eficaz, foi constituída uma equipa multidisciplinar composta por membros da APDL, concessionários e fornecedores do sistema operativo. Esta equipa permanece em alerta contínuo para responder de forma imediata a quaisquer incidentes, garantindo a estabilidade e eficiência do sistema.

Importa sublinhar que o sistema de informação portuária do Porto de Leixões apresenta uma elevada complexidade, devido à diversidade de serviços e inúmeras entidades que integra, como os processos relativos ao meio de transporte (marítimo, ferrovia e rodovia) e à movimentação de mercadorias.

Israel ataca portos no Iémen

Israel decidiu atacar o Iémen, no que concerne às suas infraestruturas portuárias. O ataque efectivo à infraestrutura portuária, nomeadamente os portos de Salif, Ras Isa e Hodeidah, tendo o ataque causado um total de nove mortos.

Israel disse ter atacado alvos militares onde estavam posicionados os rebeldes Houthis, na faixa costeira ocidental e nas profundezas do Iémen, em resposta a um míssil disparado pelos rebeldes em direção a Israel horas antes. 

Os rebeldes Houthis lançaram mais de 200 mísseis e 170 drones contra Israel no ano e visaram mais de 120 navios no Mar Vermelho e no Golfo de Aden como solidariedade pelos ataques israelitas à Palestina.

Durante o ataque estavam 8 navios no porto de Hodeidah e 22 navios no porto de Ras Isa quando o ataque sucedeu, não havendo nenhum dano conhecido.

Foto: Redes Sociais.

Sines vai receber novamente gás russo?

Ao que tudo indica, Sines, mais concretamente no seu Terminal GNL, uma nova remessa de gás proveniente da Federação Russa.

O navio Georgiy Ushakov, um navio-tanque de GNL construído em 2019 e  que actualmente navega sob bandeira das Bahamas, deverá ser o navio que irá efectuar a descarga no Terminal de Gás Natural Liquefeito em Sines.

O navio saiu do Porto Ártico de Sabetta, que foi construído na costa oeste do Golfo de Ob (Mar de Kara) para o transbordo de hidrocarbonetos do campo de condensado de gás South-Tambey, na península de Iamal, na Rússia.

Apesar dos sistemas de acompanhamento não indicarem o porto de destino, tudo indica que o destino final será Sines, onde irá chegar na próxima segunda-feira, dia 23.

Ao confirmar-se este cenário, será a terceira descarga de gás russo em Portugal este ano, sendo que a última descarga conhecida tinha sido efectuada em meados de Maio.

Porto de Sines lidera ( Com os contentores em destaque ).

No mais recente relatório da AMT – Autoridade da Mobilidade e dos Transportes, indicam que o Porto de Sines continua a liderar o sector portuário.

A importância de Sines é indicada pelo seus números pujantes, com uma subida homóloga de 19% para os 43,3 milhões de toneladas, representando 56,4% do total global.

A AMT destacou as variadas rubricas, nomeadamente: 

“O acréscimo de movimentação dos Produtos Petrolíferos (+3,8 milhões de toneladas; +53%), da Carga Contentorizada (+2,8 milhões de toneladas; +16,4%) e do Petróleo Bruto (+630 mil toneladas; +7,7%).

O terminal contentorizado do Terminal XXI, cuja concessão pertence ao operador PSA, indicam um crescimento de 15,4% ( por volta de 218 mil TEU) tendo atingido uma quota de mercado maioritária que atingiu os 59,1%, tendo atingido os 1,6 milhões de TEU até Outubro.

Aluna do Politécnico de Leiria distinguida em concurso nacional com filme sobre os oceanos

 A estudante de Biotecnologia da Escola Superior de Turismo e Tecnologia do Mar (ESTM) do Politécnico de Leiria, Rita Covão, acaba de ser distinguida na 4.ª edição do Prémio Mário Ruivo – Gerações Oceânicas, na categoria Mensagem, com o filme “Coração Azul”. O trabalho combina imagens originais da Ilha do Sal (Cabo Verde) e da Praia da Costa Nova (Aveiro) e aborda a importância dos oceanos na regulação climática, na preservação da biodiversidade e no combate às alterações climáticas.

Com mensagens de esperança e soluções práticas, o filme destaca frases como “O futuro do oceano é o nosso futuro” e “Ainda há tempo para reverter os danos”. “Este vídeo destaca a importância crucial dos oceanos e os desafios urgentes, como o aumento da temperatura das águas, o nível do mar e os microplásticos”, explica Rita Covão.

A estudante convida o público a refletir e agir pela preservação dos oceanos, reforçando a coexistência essencial entre humanidade e ambiente marinho. Esta é a segunda vitória consecutiva da ESTM no prémio nacional, que homenageia o professor Mário Ruivo. 


Em 2023, três estudantes venceram a mesma categoria com o filme “O Nosso Destino”, cujo prémio foi direcionado para apoiar iniciativas de conservação dos oceanos. O Prémio Mário Ruivo reconhece filmes até sete minutos em língua portuguesa e atribui 2.000 euros às melhores produções nas categorias Mensagem, Criatividade, Cultura Científica e Futuro.

Dinamarca liberta capitão Paul Watson, defensor das baleias.

A justiça da Dinamarca libertou ontem Paul Watson, conhecido activista contra a caça de baleias.

Também foi rejeitado um pedido de extradição para o Japão, onde Paul Watson é acusado num caso ocorrido há mais de uma década.

Paul Watson é acusado pelas autoridades japonesas de invadir um navio baleeiro na Antártida, de causar danos físicos e materiais e de obstrução à actividade económica, num caso que remonta a 2010.

Com dupla nacionalidade norte-americana e canadiana, o activista de 74 anos é o fundador do grupo de conservação da natureza Sea Shepherd e da Fundação Capitão Paul Watson.

Estava detido preventivamente desde julho em Nuuk, na capital da Gronelândia, território que faz parte da Dinamarca.

Após 30 anos encalhado, maior iceberg do mundo volta a mexer.

O maior iceberg do mundo voltou a movimentar-se após passar meses preso num vórtice, segundo a rede britânica BBC. Denominado de A23a, possui 3.800 km², mais que o dobro do tamanho de Londres, e uma espessura de 400 metros.

Desprendeu-se da Antártica em 1986, mas ficou encalhado próximo à costa. Devido à sua profundidade, a base do iceberg ficou presa no fundo do Mar de Weddell, no Oceano Antártico, onde permaneceu imóvel por mais de 30 anos.

Em 2020, começou a se deslocar para o norte, mas, desde a primavera deste ano, ficou girando no mesmo ponto ao ser capturado por um vórtice de água próximo às Ilhas Órcades do Sul. O BAS – British Antarctic Survey informou que o iceberg agora avança em direção ao norte.

O oceanógrafo do BAS, Andrew Meijers, comentou: “É empolgante observar o A23a retomando o seu movimento após longos períodos de inactividade. Estamos curiosos para saber se ele seguirá uma rota semelhante à de outros grandes icebergs que se desprenderam da Antártica.”

Segundo a BBC, acredita-se que o A23a deixará o Oceano Antártico e entrará no Oceano Atlântico, onde encontrará águas mais quentes e provavelmente irá partir-se em icebergs mais pequenos, derretendo. 

Meijers e o BAS examinam o impacto dos icebergs nos ecossistemas locais depois deste tipo de passagens.