Navio de investigação “Diplodus”, do IPMA, em requalificação total.

O navio de investigação (NI) Diplodus, pertencente à frota de navios do IPMA — Instituto Português do Mar e da Atmosfera, encontra-se no estaleiro da Marina Formosa Algarve Boatyard, em Olhão, para uma intervenção programada de manutenção e requalificação profunda da embarcação.

O regresso à actividade do NI Diplodus está previsto para o Verão de 2025.
“Esta operação tem como objectivo assegurar a continuidade das suas capacidades operacionais e reforçar a fiabilidade no apoio às missões científicas do Instituto”, avança uma nota de imprensa do IPMA.

O NI Diplodus, dedicado a operações em zonas costeiras, desempenha um papel fundamental em projectos de investigação e monitorização relacionados com a actividade da pequena pesca, recursos pesqueiros, geologia marinha e geofísica.

A docagem inclui intervenções ao nível do casco, sistemas de propulsão, equipamentos científicos e outras melhorias técnicas essenciais para a segurança, conforto e eficácia das missões, bem como para a garantia da qualidade dos dados recolhidos, avança a mesma nota.

Petroleiros evitam Estreito de Ormuz devido a receios de escalada no Golfo

Pelo menos três navios petroleiros alteraram a sua rota habitual para evitar o Estreito de Ormuz, revelaram os dados da plataforma Marine Traffic.

Os desvios ocorrem num contexto de elevada tensão na região, após ataques aéreos norte-americanos a instalações nucleares iranianas, que levantaram receios de uma possível retaliação por parte de Teerão.Dois dos navios, o Marie C e o Red Ruby, encontravam-se fundeados ao largo de Fujairah, nos Emirados Árabes Unidos, enquanto o Kohzan Maru navegava em águas internacionais, próximo da costa de Omã, no Golfo de Omã.

Entretanto, as operadoras nipónicas Nippon Yusen e Mitsui O.S.K. Lines confirmaram que emitiram orientações às suas tripulações para reduzirem ao mínimo o tempo de permanência no Golfo Pérsico.

Apesar das precauções, os seus navios continuam, para já, a atravessar o Estreito de Ormuz, uma das principais rotas marítimas para o transporte de petróleo a nível mundial.

China alerta para riscos globais com possível fecho do Estreito de Ormuz.

A China apelou à comunidade internacional para reforçar os esforços no sentido de evitar perturbações económicas globais, na sequência da proposta do parlamento iraniano de encerrar o Estreito de Ormuz — uma via estratégica por onde passa cerca de 20% do petróleo e gás natural transportado por mar em todo o mundo.

“O Golfo Pérsico e as suas águas circundantes são corredores essenciais para o comércio internacional de mercadorias e energia”, afirmou Guo Jiakun, porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros da China, em conferência de imprensa realizada em Pequim.

O responsável chinês sublinhou que a preservação da paz e da estabilidade na região é um interesse comum de toda a comunidade internacional, alertando para os potenciais efeitos de uma escalada no Médio Oriente.

“A intensificação dos esforços diplomáticos e o compromisso com a resolução pacífica dos conflitos são fundamentais para evitar novas tensões e proteger a segurança energética global”, acrescentou Guo.

Mensagem no mar é respondida… 31 anos depois.

Em 1994, uma rapariga escocesa de 12 anos chamada Alaina Beresford lançou uma mensagem ao mar como parte de um trabalho escolar. A viver em Portknockie, no nordeste da Escócia, Alaina escreveu uma carta simples e curiosa, colocada dentro de uma garrafa de refrigerante, onde explicava que estava a estudar o tema da água e pedia a quem a encontrasse que respondesse com o seu nome, passatempos e informações sobre o local onde a mensagem fosse descoberta. As garrafas foram lançadas ao mar pelo marido da sua professora, que as deixou no meio do oceano.

Três décadas depois, a resposta chegou — vinda de uma pequena ilha norueguesa chamada Lisshelløya. Pia Brodtmann, uma voluntária alemã de 27 anos, encontrou a garrafa durante uma operação de limpeza costeira e decidiu escrever de volta. No postal enviado, Pia explicava que estava a participar num programa de voluntariado de quatro meses dedicado à limpeza de praias na região de Vega, na Noruega. Contou ainda que naquele dia tinham estado a limpar Lisshelløya e que a mensagem tinha sido uma descoberta inesperada. No postal, ilustrado com imagens do barco de trabalho chamado Nemo e do veleiro Fonn, onde vivem durante o projecto, Pia mostrou curiosidade em saber quando e onde a garrafa tinha sido lançada ao mar.

Hoje com 42 anos e ainda a viver na mesma casa em Portknockie, Alaina ficou surpreendida não só por ter recebido finalmente uma resposta, mas também pelo excelente estado de conservação da carta após mais de 30 anos à deriva. Emocionada com o gesto, partilhou a história nas redes sociais e já começou a trocar mensagens com Pia, esperando manter o contacto com quem, tanto tempo depois, respondeu à sua mensagem ao mar.

Marítimos: Continua a ser uma das profissões mais perigosas do mundo.

O trabalho no mar continua a ser uma das profissões mais perigosas a nível mundial, segundo um novo relatório de grande escala que analisou as experiências de 147.000 pessoas em diversas áreas profissionais em vários países.

De acordo com o mais recente relatório World Risk Poll – Focus On, da Lloyd’s Register Foundation, cerca de 25% dos trabalhadores marítimos afirmaram ter sofrido algum tipo de dano relacionado com o trabalho nos últimos dois anos. Este valor é significativamente mais elevado do que os 18% registados entre trabalhadores de outros sectores, tornando a profissão marítima aquela com maior incidência de lesões ou danos profissionais entre todos os grupos avaliados.

Apesar destes números alarmantes, uma grande parte dos profissionais do mar não recebeu qualquer formação em segurança e saúde no trabalho (SST). Mais de dois terços (68%) disseram nunca ter recebido esse tipo de formação, e apenas 25% afirmaram tê-la feito nos últimos dois anos. Esta lacuna na preparação contribui para a vulnerabilidade da força de trabalho marítima, especialmente tendo em conta os riscos crescentes no ambiente oceânico.

O relatório revela ainda que os trabalhadores do mar são os mais afectados por fenómenos meteorológicos extremos. Um terço (33%) afirmou ter sofrido danos sérios devido a condições meteorológicas adversas — como tempestades, ventos fortes e mar agitado — nos últimos dois anos, em comparação com apenas 20% dos trabalhadores de outros sectores. Este dado destaca a exposição directa dos marítimos às alterações climáticas, que têm vindo a agravar a frequência e intensidade de eventos climáticos extremos em todo o mundo.

A profissão marítima abrange uma vasta gama de funções, desde pescadores artesanais e tripulantes de navios mercantes, até operadores de plataformas offshore e técnicos de manutenção em parques eólicos no mar. Em muitas regiões — incluindo na Europa e no Mediterrâneo — os trabalhadores do mar enfrentam jornadas longas, isolamento, dificuldades no acesso a cuidados de saúde, e agora, com o aumento das tensões geopolíticas e do clima extremo, um nível acrescido de incerteza e risco.

Face a estes dados, especialistas alertam para a necessidade urgente de reforçar os programas de formação em segurança marítima, melhorar as condições de trabalho a bordo e garantir uma maior fiscalização internacional das normas de segurança nos oceanos. Num sector vital para o comércio global, a segurança dos trabalhadores do mar não pode continuar a ser negligenciada.

Cenários dos portos mediterrânicos face às tensões no Médio Oriente

O recente escalar do conflito entre Israel e o Irão está a gerar um novo clima de instabilidade no Médio Oriente, com consequências directas para o comércio marítimo global. A crescente tensão militar, incluindo ataques aéreos e ameaças ao tráfego naval, está a afetar gravemente a segurança na região do Mar Vermelho e, sobretudo, no Canal do Suez — um dos principais corredores de ligação entre a Ásia e a Europa.

Perante este cenário, muitas companhias marítimas optam por evitar o Canal do Suez, redireccionando as suas rotas em torno do Cabo da Boa Esperança. Esta mudança tem provocado uma reorganização dos fluxos logísticos, reforçando o papel estratégico dos portos mediterrânicos, como Tanger Med, Algeciras, Valência, Malta, Pireu, Porto Saíd e Barcelona. Estes portos estão a tornar-se pontos-chave de entrada, transbordo e redistribuição de mercadorias com destino à Europa.

A incerteza regional, agravada pela possibilidade de alastramento do conflito Israel-Irão a outros países vizinhos, pode tornar esta nova configuração mais permanente. Neste contexto, os portos do Mediterrâneo ganham relevância geopolítica e económica, mas enfrentam também riscos associados à volatilidade da região e ao aumento das tensões globais.

Apoiando o Irão, Houthis avisam que podem atacar navios dos EUA.

O movimento rebelde Houthi do Iémen manifestou “pleno apoio” ao Irão, condenado o ataque dos Estados Unidos a três instalações nucleares iranianas e ameaçando atacar os navios norte-americanos no Mar Vermelho.

Em comunicado citado pelas agências internacionais, reafirmou o compromisso das Forças Armadas de estarem prontas para atacar barcos e navios de guerra norte-americanos no mar Vermelho.

“O movimento (Houthi) do Iémen condena energicamente a flagrante e bárbara agressão norte-americana contra o Irão”. “Não é uma simples violação da soberania, mas uma flagrante declaração de guerra contra o povo irmão do Irão”.

Na nota, referiram que estes ataques confirmam que os EUA são “o patrocinador oficial do terrorismo da entidade sionista (Israel)”. “Em colaboração, prosseguem os esforços para violar a nossa região, controlar os nossos destinos e manter a nossa nação num estado de debilidade”, alegaram no documento.

Assim, declararam “pleno apoio ao povo irmão iraniano” e confiança na capacidade do Irão, dos seus líderes e do povo para fazerem frente “à agressão norte-americana e israelita” e resistirem aos desafios.

O Governo Houthi reafirmou o “compromisso do Iémen com a declaração das Forças Armadas de estaram prontas para atacar barcos e navios de guerra norte-americanos no mar Vermelho”. Afirmou que o fará “em defesa da nação e para proteger a segurança nacional”, e acrescentou que continua a apoiar a Palestina.

Formações de salvamento para surfistas marcam o regresso do Surf & Rescue.

De acordo com a Federação Portuguesa de Nadadores-Salvadores, mais de 100 pessoas perdem a vida anualmente em ambientes aquáticos em Portugal.

Com o objetivo de contrariar estes números, a Associação de Escolas de Surf de Portugal (AESP) e o Instituto de Socorros a Náufragos (ISN) promovem, entre maio e novembro, ações de formação em salvamento.

Estas formações, de participação gratuita, visam prestar um apoio mais alargado a todos os que frequentam o mar, seja por lazer ou por razões profissionais. Ao mesmo tempo, pretendem valorizar o papel informal, mas fundamental, que muitas escolas de surf assumem em situações de emergência.

As inscrições estão abertas a praticantes de surf com conhecimentos básicos e a nadadores-salvadores com certificação do ISN.Cada sessão integra uma componente teórico-prática e um conjunto de exercícios no terreno, incluindo técnicas de salvamento sem apoio, com prancha, e a execução completa de um resgate com suporte básico de vida, com certificação do INEM.

Os participantes aprendem não só a socorrer vítimas de afogamento, como também a reagir corretamente caso a sua própria segurança seja posta em causa.A próxima formação está agendada para o dia 25 de junho, na Praia Grande, em Sintra.

Ocean Race Europe faz escala pela primeira vez em Matosinhos

A The Ocean Race Europe vai passar este verão, pela primeira vez, no norte do país. Considerada por muitos como “o maior desafio em equipa do desporto mundial”, a prova internacional de vela inicia-se a 10 de agosto e tem paragem marcada para dia 20 do mesmo mês, no Terminal de Cruzeiros do Porto de Leixões, passando posteriormente por várias outras cidades europeias.

A prova mundial já teve escalas em Lisboa em 2012, 2015 e 2017 e a edição inaugural da The Ocean Race Europe fez escala em Cascais, em 2021, mas o norte do país estreia-se este ano como um dos anfitriões da prova.

Descrita como “uma regata com propósito”, a The Ocean Race Europe vai além do conceito de prova desportiva, sendo “uma plataforma global de ação pela saúde dos oceanos”, com o objetivo de sensibilizar o público para questões ambientais.

O evento vai contar com várias equipas, que vão competir nos barcos IMOCA com quatro velejadores e um repórter a bordo. Nos iates à vela seguem também equipamentos especializados para fornecer dados de amostragem de água a cientistas internacionais, de modo a aliar a ciência ao mar.

A última viagem oficial da Aliança “2M”.

A última viagem do navio MSC Isabella, com capacidade para 23.656 TEUs, assinalou oficialmente o fim da aliança 2M, encerrando a histórica parceria entre a Maersk e a MSC, que durou precisamente 10 anos. De acordo com a consultora especializada Alphaliner, este momento representa o término do antigo modelo de alianças que durante anos dominou as rotas comerciais Leste-Oeste, constituídas pela 2M, THE Alliance e OCEAN Alliance.

A separação resultou de uma decisão estratégica por parte das duas companhias, que optaram por seguir caminhos distintos, originando uma nova configuração nas parcerias globais. A Maersk aliou-se à Hapag-Lloyd, dando origem à Gemini Cooperation, o que levou à saída da Hapag-Lloyd da THE Alliance. Os restantes membros desta aliança reorganizaram-se sob a nova designação Premier Alliance, enquanto a OCEAN Alliance manteve a sua estrutura inalterada.

As novas alianças apresentam diferenças consideráveis em termos de dimensão: a OCEAN Alliance continua a ser a maior, com uma capacidade de frota de 4,37 milhões de TEUs, seguindo-se a Gemini Cooperation com 3,69 milhões, a Premier Alliance com 2,42 milhões e, por fim, a MSC, agora a operar de forma independente, com 3,27 milhões de TEUs nas rotas Leste-Oeste (excluindo o Canadá e a Índia). No entanto, comparar estas capacidades tornou-se mais difícil, uma vez que o sector deixou de seguir estruturas uniformes.

Em 2025, várias operadoras adoptaram abordagens distintas: algumas implementaram o modelo hub-and-spoke, com ligações regionais operadas sob acordos de aliança; outras mantiveram estruturas tradicionais ou optaram por redes autónomas, sustentadas por acordos de partilha de espaço.

Apesar das transformações, cerca de 80% da capacidade nas rotas Leste-Oeste continua a ser gerida por frotas integradas em alianças, o que sublinha a importância contínua da cooperação entre companhias marítimas.