Descobertas 180 Espécies de Peixes que brilham no escuro.


No escuro do fundo do mar, brilham luzes coloridas. São peixes formas que emitem cores distintas. Acostumado a ver a maioria dessas espécies à luz da terra firme, o homem não imaginava que, sob a água, tantas delas irradiassem luminosidade e cor.
– O mundo dos recifes de corais é muito mais biofluorescente do que imaginávamos – explica o biólogo David Gruber, do Baruch College e do Museu Americano de História Natural (AMNH).
Gruber e seu colega no AMNH John Sparks publicaram , no periódico científico PLOS One, o artigo em que descrevem 180 espécies marinhas de peixes biofluorescentes. A descoberta foi feita por acaso, quando os pesquisadores registravam imagens de corais bioluminiscentes nas Ilhas Caimão. De repente, uma enguia passou em frente à câmera revelando sua luminosidade verde e o grupo resolveu aprofundar e ampliar o estudo.

Para descobrir que cavalos marinhos brilhavam em neon laranja, que bagres eram verdes fluorescentes e que os peixes-escorpião coloriam-se de vermelho brilhante, os cientistas partiram para novas expedições munidos de câmaras subaquáticas EPIC 5K com filtro amarelo, que bloqueia a luz azul e revela a fluorescência.

Existem muitos peixes marinhos que possuem filtros semelhantes nos olhos. Nossa hipótese é que a biofluorescência desempenha um importante papel nos ecossistemas oceânicos. Poderia servir para atrair parceiros ou como uma camuflagem para defesa – exemplificou Gruber.


Surf: Imagens inéditas da onda de Pipeline captadas por drone.


Um fotógrafo reuniu imagens inéditas da onda de Pipeline, o «palco» da principal etapa do circuito mundial de surf, que decorreu em Dezembro do ano passado.
Através da utilização de um drone com uma câmara GoPro, o fotógrafo Eric Sterman recolheu imagens raras do local, situado no North Shore da ilha de Oahu, Havai.
A Pipeline, famosa pelos seus «tubos», apresenta-se no seu melhor quando a ondulação está de oeste ou noroeste. O período entre Outubro e Março é a melhor altura do ano para subir para a prancha nestas águas.


Brasil quer usar estaleiros portugueses.

Há precisamente uma semana, o Governo entregou à Martifer a gestão dos Estaleiros Nacionais de Viana do Castelo (ENVC) e agora a empresa de Carlos Martins tem de dar a volta a um negócio falido e arranjar trabalho,  depois de muitos anos quase sem contratos nenhuns. Contudo, essa tarefa pode ser mais fácil do que o parece. “Se o Brasil tem encomendas e Portugal tem um estaleiro que precisa de trabalho, então temos de conversar. Temos muitos navios para pôr no mar até 2017”, adianta em entrevista ao Dinheiro Vivo o secretário estadual da Indústria Naval e Portuária do Brasil, Carlos Costa.
O Brasil está “num momento ímpar” da indústria naval – diz – e não há estaleiros suficientes devido às necessidades da exploração de petróleo em alto-mar, que requer plataformas flutuantes que são, na prática, enormes navios. “A Petrobras vai investir 70,4 mil milhões de euros em mais de 500 navios, desde sondas, barcos de apoio ou plataformas”, reparou.
Mas há mais. De acordo com este responsável, o Brasil precisa de reforçar a sua frota mercante para fazer o transbordo das mercadorias entre cidades e também de modernizar a marinha de guerra. “Um país com uma das maiores explorações de petróleo do mundo tem de ter defesa”, acrescentou.
O desejo brasileiro está, assim, em sintonia com os objectivos do presidente da Martifer e, agora dos Estaleiros de Viana. Na assinatura do contrato de concessão, Carlos Martins revelou que quer “centralizar a actividade no apoio às plataformas de gás e petróleo”.
Empregos para portugueses
A indústria naval brasileira não precisa apenas de estaleiros e espaço para construir os navios, mas também de mão-de-obra qualificada e, segundo Carlos Costa, os portugueses “têm um excelente know-how nesta matéria”. É por isso que os dois países estão a finalizar um acordo bilateral que permita levar engenheiros portugueses desta indústria para o Brasil e para trabalhar  na Petrobras durante cinco anos.
Colaborar mais com SinesO interesse do Brasil não se fica pela indústria naval. “Vemos Portugal como porta de entrada dos produtos brasileiros na Europa e o porto de Sines é o que tem maior capacidade para isso. Hoje, são poucos os navios brasileiros que passam em Sines e é isso que queremos aumentar”, revelou Carlos Costa. Contudo, repara, há entraves.
“Sem uma linha ferroviária de mercadorias que ligue Sines a Espanha – e consequentemente à Europa – isto não será possível. Como é que o porto pode receber mais mercadorias se depois não tem como as enviar para fora”, questionou.
O Dinheiro Vivo sabe que, apesar de a construção desta linha de mercadorias estar estudada e a sua viabilidade estar em análise, o Governo ainda não sabe se é prioritária, até porque custaria entre 600 e 700 milhões de euros. Uma fatia de 85% desse investimento seria pago com fundos comunitários, mas ainda é preciso arranjar o restante dinheiro. 
Fonte: Dinheiro Vivo.

Porto de Sines movimentou 36,5 milhões de toneladas em 2013

Os agentes económicos, designadamente as concessionárias, com o apoio da Autoridade Portuária, movimentaram em 2013 nos vários terminais do porto de Sines um total de 36,5 milhões de toneladas de mercadorias, o que significa um crescimento de 28% relativamente ao período homólogo.

Destaca-se o importante contributo de dois segmentos de carga, nomeadamente, os granéis líquidos, com um crescimento homólogo de 21%, e a carga geral, segmento onde se incluem os contentores, que atingiu um crescimento de 77%.

Nos graneis líquidos as exportações de gasolinas e gasóleos tiveram um crescimento muito alto, com os principais destinos a serem os Estados Unidos da América, México, Espanha, Gibraltar, Holanda e França.

Na carga contentorizada foram movimentados 931.036 TEU, mais 68% que em 2012. Os principais destinos da movimentação de contentores com Sines foram a China, Estados Unidos, Canadá, Turquia, Espanha, Brasil, Singapura e Itália. Em termos de crescimento absoluto, os destinos com maior índice de crescimento foram a África do Sul, Paraguai, Tailândia, Malásia, Austrália, Angola e Líbia.

O número de navios recebidos cresceu 22%, tendo escalado o porto de Sines 2.010 embarcações durante 2013. Globalmente, o seu porte (GT – Gross Tonnage) aumentou 37%.


Fonte: Cargo

Matança de golfinhos continua no Japão

A cena repete-se anualmente, sempre com os mesmos protagonistas: centenas de golfinhos são encurralados pelos pescadores na baía de Taiji, na costa oeste do Japão, apesar do protesto de várias organizações ambientalistas. Depois de alguns dias presos, os golfinhos têm três destinos possíveis: ou são libertados no mar, ou são enviados para cativeiro, ou acabam esquartejados para consumo. Nesta terça-feira, terão morrido pelo menos 30.
Segundo a agência Reuters, pelo menos 200 golfinhos – incluindo adultos, crias e um golfinho albino, raro, que será mais valioso – estão presos desde sexta-feira na baía de Taiji. A CNN diz que serão 500, mais do que é habitual. Com a ajuda de barcos a motor e de redes de pesca, os animais foram levados para uma zona de águas pouco profundas, onde eram esperados por pescadores com fatos de mergulho e máscaras de snorkelling. Estes lutaram com os golfinhos até à exaustão e prenderam-lhes as barbatanas com cordas, para impedir a fuga.
Antes, os pescadores taparam o acesso à baía com uma lona para fugir dos olhares de activistas e jornalistas, que tentavam filmar e fotografar o massacre. Mas o sangue dos animais espalhou-se pela água da baía, para lá dos limites da lona. “Foi usada uma barra de metal para lhes esfaquear a espinhal medula e eles [os golfinhos] foram deixados a sangrar, sufocar e morrer. Depois dos quatro dias traumáticos que passaram presos na enseada da matança, foram alvo de uma selecção violenta, separados da família, e eventualmente foram mortos hoje [terça-feira]”, disse à Reuters Melissa Sehgal, da organização ambientalista Sea Shepherd, que publicou online vídeos da matança.
Ouvido pela CNN, um pescador japonês que pediu o anonimato disse que o número total de golfinhos destinados a cativeiro ou a consumo seria “menor do que 100”, e que os restantes seriam libertados. Os ambientalistas dizem que pelo menos 50 foram levados para parques aquáticos.
Ódio aos japoneses, avisa Yoko Ono
Esta matança foi já fortemente criticada pela comunidade internacional. O embaixador do Reino Unido no Japão, Timothy Hitchens, e a embaixadora dos EUA, Caroline Kennedy, mostraram-se contra esta prática. “O Reino Unido opõe-se a todas as actividades com golfinhos e botos, que causam sofrimentos terríveis. Levantamos esta questão regularmente com o Japão”, declarou Hitchens, num comentário na sua conta de Twitter. Por seu lado, Caroline Kennedy mostrou-se “profundamente preocupada” com a matança.
Também a artista japonesa Yoko Ono, viúva do cantor John Lennon, apelou aos pescadores que abandonem esta caça anual. Numa carta publicada na sua página de Internet, dirigida aos pescadores daquela localidade da província de Wakayama e ao primeiro-ministro japonês, Ono escreve: “A forma como insistem numa grande celebração da matança de tantos golfinhos e no rapto de alguns deles para vender aos zoos e restaurantes, neste tempo tão sensível politicamente, fará com que as crianças do mundo odeiem os japoneses.”
A captura e matança de golfinhos é uma prática centenária naquela região e é fortemente defendida pelos moradores e pelas autoridades, que alegam que aquela não está banida em nenhum tratado internacional e que a espécie não está em perigo de extinção.
Em 2009, Taiji andou nas bocas do mundo quando o documentário The Cove(A Enseada), premiado com um Óscar em 2010, denunciou a captura de golfinhos para parques aquáticos e o massacre de milhares para consumo. Em Outubro, o município revelou um plano que promete nova polémica: será criado um parque marinho, onde os turistas poderão nadar e fazer canoagem ao lado de golfinhos e baleias. Mais tarde, poderão comê-los.
Fonte: Público

Aliança G6 cancela dois serviços Ásia-Europa

A aliança G6, composta pela APL, Hapag-Lloyd, Hyundai Merchant Marine, Mitsui O.S.K. Lines, Nippon Yusen Kaisha e Orient Overseas Container Line, anunciou o cancelamento de dois serviços entre Ásia e Europa.

Estes dois serviços cancelados juntam-se aos já anulados em Outubro passado. “A aliança G6 continua oferecendo uma variedade de serviços entre o Extremo Oriente e a Europa, cobrindo as rotas com os principais portos europeus incluindo serviços semanais”, refere a aliança.

Fonte: APP

Foi apresentado o LEME – Barómetro PwC da Economia do Mar

A 4ª edição do LEME – Barómetro da Economia do Mar foi apresentada no passado dia 16 de Janeiro, no Pavilhão do Conhecimento, a partir das 17h.

O Fórum Empresarial da Economia do Mar associou-se mais uma vez a esta iniciativa que considera fundamental para o reconhecimento deste segmento da economia no panorama macroeconómico de Portugal.

Esta edição do Barómetro apresentou conclusões interessantes sendo que este ano o foco esteve na importância do conhecimento técnico e cientifico para a economia do mar. Na perspectiva da consultora os índices apontaram para a quebra do ciclo de decréscimo das vendas da construção naval, para a continuação do crescimento do movimento de contentores nos portos portugueses, do número de escalas de cruzeiros e de passageiros nos portos nacionais e da produção nacional de aquacultura.

De acordo com este estudo, 72% dos gestores de topo e das personalidades ligadas a este sector considera que o conhecimento técnico e científico tem elevada margem de progressão, em Portugal, para potenciar o desenvolvimento da economia do mar.

Fonte: APP

O movimento de mercadorias nos portos cresceu 24,6%

O movimento de mercadorias nos portos cresceu 24,6% no terceiro trimestre de 2013, apontando aceleração face ao aumento de 14,1% verificado no trimestre abril-junho, indicam números do Instituto Nacional de Estatística (INE) publicados.
O movimento de mercadorias atingiu 20,9 milhões de toneladas, traduzindo um acréscimo de 24,6%, que reforçou a tendência ascendente iniciada nos trimestres anteriores (+3,1% no 1º T 2013 e +14,1% no 2º T 2013). «Esta variação positiva surge na sequência de um decréscimo de 6,1% na actividade portuária observada no 3º trimestre de 2012, em que se registou a contracção mais acentuada numa sequência de 15 trimestres consecutivos», detalha o relatório ‘Actividade dos Tranportes – 3ºTrimestre 2013’.
No trimestre considerado, o número de embarcações entradas nos portos nacionais aumentou 7,5% (+3,3% no 2ºT 2013), correspondendo a 3 776 navios (3 062 embarcações de mercadorias e 714 embarcações de passageiros). «Este aumento foi acompanhado de um acréscimo mais expressivo na arqueação bruta total (+21,8%), em resultado da entrada de navios de maior dimensão», explica a fonte.
No período julho-setembro, o porto de Sines movimentou 9,5 milhões de toneladas de mercadorias (45,3% do movimento total), mais 39,8% que no trimestre homólogo de 2012. Evolução positiva verificou-se igualmente nos portos de Leixões (+12,2%) e Lisboa (+7,1%), que movimentaram 4,4 e 2,6 milhões de toneladas, respectivamente.
Setúbal, com um crescimento de 33,3% e um total de 1,8 milhões de toneladas movimentadas, reforçou a tendência de recuperação iniciada no trimestre anterior (+7,9% no 2º T 2013), após quatro trimestres com variações negativas. Aveiro e Figueira da Foz mantiveram desempenhos positivos, com acréscimos de 22,7% e 42,9% no total de carga movimentada.
Ainda, segundo o documento do INE, o tráfego internacional de mercadorias atingiu 17,5 milhões de toneladas no 3º trimestre de 2013 (83,8% do movimento total), reflectindo uma variação positiva de 27,6% (+15,6% no 2º T de 2013).
Entre os principais portos, quanto ao movimento internacional, destacou-se o crescimento observado em Sines (+43,8%), sendo ainda de referir os acréscimos em Leixões (+8,2%) e Lisboa (+10,1%). Em Setúbal, o quarto porto mais relevante, destacou-se o crescimento de 40,4% no movimento internacional de mercadorias.

Fonte: APP

Governo elimina Taxa Portuária.

O Governo eliminou a taxa de uso portuário, a TUP Carga, paga pelos exportadores, e congelou os valores das restantes taxas portuárias, anunciou o Secretário de Estado dos Transportes, Sérgio Monteiro.
“Nós, sob proposta do regulador, decidimos eliminar integralmente a taxa que os exportadores pagam na utilização dos portos, que é comummente designada TUP Carga”, disse Secretário de Estado das Infraestruturas, Transportes e Comunicações aos jornalistas, adiantando que a eliminação terá efeitos retroactivos a 01 de Janeiro.
Sérgio Monteiro salientou que o Governo estava, desde 2012, a reduzir a TUP Carga e que se esta redução não tivesse sido feita a taxa “correspondia a um pagamento extra que os exportadores fariam pela utilização dos portos de 25 milhões de euros”.

Fonte: APP

Tartaruga do Jurássico português evoca criaturas de lendas japonesas

O que é que o fóssil português com 145 milhões de anos tem que ver com figuras mitológicas japonesas? A equipa de paleontólogos portugueses e espanhóis que apresenta este fóssil único conta como se lembrou dessa ligação, que remete para a chegada dos portugueses ao Japão no século XVI.

Entre os milhares de exemplares de fósseis que José Joaquim dos Santos, paleontólogo amador, carpinteiro de profissão em tempos, recolheu durante mais de 20 anos, calcorreando a orla costeira da região oeste, encontra-se o de uma tartaruga especial. Apanhou-o em 2011 na praia do Porto do Barril, no concelho de Mafra, já na fronteira com o concelho de Torres Vedras, e agora anunciou-se que esse fóssil de 145 milhões de anos é de uma espécie nova para a ciência.
Vivia num ambiente fluvial, numa zona salpicada de canais serpenteando a paisagem. Não muito longe dos domínios por onde andava, dividindo-se ora pelos braços do rio ora pela terra, o Atlântico Norte começava a formar-se e ia separando a Europa da América do Norte. Ia assim nascendo entre a Europa e a América do Norte o Atlântico Norte, que naqueles tempos do Jurássico Superior não era a vastidão azul que agora temos.
Acontece que com o início da abertura do Atlântico Norte formou-se na faixa oeste da Península Ibérica, em águas pouco profundas, a bacia Lusitânica. E era aí, na maior das bacias interiores daquela altura em território actualmente português, uma faixa compreendida entre o Norte de Aveiro e a península de Setúbal, que se aventurava a tartaruga desta história puramente científica.
Tal como outros fósseis encontrados nos sedimentos da bacia Lusitânica, a nova tartaruga, cujo fóssil está na Sociedade de História Natural de Torres Vedras (nas suas colecções há lá outra de igual importância), vem enriquecer o conhecimento sobre os animais que povoavam a Europa na altura da sua separação da América do Norte. Neste caso, permite conhecer melhor como eram os ecossistemas no Jurássico Superior – e não só, como se verá adiante.
Apresentemo-la, antes de mais. Chama-se, cientificamente falando,Hylaeochelys kappa. Media cerca de meio metro de comprimento e a sua carapaça arredondada muito baixa permite dizer que era um animal capaz de nadar. “Tinha hábitos mistos: nadava e andava em terra, como os cágados. Mas não estava adaptada a nadar como as tartarugas marinhas actuais”, explica o paleontólogo Bruno Camilo Silva, director do Laboratório de Paleontologia e Paleoecologia da Sociedade de História Natural (SHN) de Torres Vedras.
Através dos seus restos, dois paleontólogos espanhóis, Adán Pérez García e Francisco Ortega, também da SHN, puderam concluir que a nova tartaruga de água doce pertence a um género (o Hylaeochelys) que até agora era conhecido apenas na Grã-Bretanha. Já quanto à espécie, os paleontólogos, que descrevem a tartaruga portuguesa num artigo a publicar na revista Comptes Rendus Palevol, da Academia de Ciências francesa, consideram que é nova para a ciência. Como mandam as regras, puderam baptizar a espécie. Escolheram chamar-lhe kappa.
Agora vem uma parte menos científica, onde realidade e ficção se cruzam, misturando o nome da espécie da tartaruga com figuras mitológicas japonesas e monges portugueses do século XVI no Japão. Na cultura popular japonesa, os kappa são seres que vivem em rios e lagos, geralmente maléficos, atacando pessoas e animais, e de aspecto humanóide e atartarugado. Têm uma cavidade no centro da cabeça, rodeada de pêlo, escamas no corpo e carapaças nas costas.
Ainda que se pense que a sua origem seja mais antiga, tornaram-se populares no século XVII (ainda hoje se encontram estátutuas deles em vários locais do Japão e livros e filmes), e considera-se que o seu nome moderno está relacionado com a chegada dos monges portugueses do século XVI àquele país. Os kappa terão ido buscar o nome às vestimentas (capas) usadas pelos monges, fazendo lembrar as carapaças das criaturas atartarugadas. Além disso, os monges rapavam a cabeça no centro, o que se assemelhava à cavidade representada na cabeça dos kappa. “Combinando criaturas mitológicas ou do passado, tartarugas e portugueses, achamos que o termo ‘kappa’ poderia ser uma boa referência para a nova tartaruga”, conta Francisco Ortega, também da Universidade Nacional de Educação à Distância, em Madrid.
Porquê sempre em Torres Vedras?
Voltando à realidade mais científica, com os seus 145 milhões de anos, a tartaruga portuguesa é mais antiga, em cerca de cinco milhões de anos, do que a britânica, que já é do período geológico seguinte ao Jurássico Superior, o Cretácico Inferior. É daqui que resulta grande parte da importância deste achado.
O início da abertura do Atlântico Norte começou a surgir, no Jurássico Superior, uma barreira cada vez maior entre a Europa e a América do Norte, que passaram assim a ter uma fauna diferente. Nessa altura, na Europa, alguns grupos de tartarugas exclusivamente europeias desapareceram. E durante o Cretácico ocorreu uma transformação profunda das faunas de vertebrados, com a substituição da maior parte dos grupos antigos e o aparecimento de linhagens novas.
“Esta tartaruga amplia a distribuição geográfica e temporal do grupo [o géneroHylaeochelys], o que nos permite voltar a analisar a sua história evolutiva e obter algumas conclusões gerais sobre de onde vieram, como viviam, quando e como – e às vezes porquê – alguns organismos desapareceram”, explica Francisco Ortega.
Um dos nossos objectivos ao analisar as faunas do Jurássico Superior português é entender como a abertura do Atlântico Norte ocorre e como é a relação de organismos continentais dentro do território europeu”, refere o paleontólogo espanhol, a quem cabe a coordenação científica da SHN. “Temos visto que alguns grupos de dinossauros, por exemplo os carnívoros, eram muito semelhantes em ambos os lados do Atlântico durante o Jurássico Superior. Outros tipos de organismos, entre os quais as tartarugas, mostram uma maior regionalização. De alguma forma, as tartarugas estão a dizer-nos que o contacto das faunas através do Atlântico não era tão simples como mostra o estudo de alguns dinossauros e que a biogeografia da região é um problema complexo e terá, provavelmente, a sua solução na análise combinada de muitos grupos de organismos”, refere ainda Francisco Ortega.
Protegida na bacia Lusitânica, a história que a nova tartaruga conta é esta: “As tartarugas cretácicas europeias não apresentavam até agora parentes directos no Jurássico e, portanto, não se conhecia nenhum género de tartarugas europeias que atravessasse esta fronteira temporal. À luz deste achado, sabemos agora que pelo menos o Hylaeochelys já existia no Jurássico”, sublinha um comunicado da SHN.
“Tudo parece indicar que alguns géneros de répteis jurássicos europeus de água doce, como o Hylaeochelys (mas também crocodilos), conseguiram sobreviver, alcançando o Cretácico com menos dificuldade que os seus parentes marinhos. Alguns ecossistemas continentais terão tido mais estabilidade do que os ambientes costeiros, que se viram submetidos a importantes câmbios no nível do mar no final do Jurássico, afectando drasticamente as suas populações de répteis”, acrescenta o comunicado.
Há ainda a sublinhar que a Hylaeochelys kappa é um membro primitivo do grupo a que pertence a maior parte das tartarugas actuais (as criptodiras), que engloba quase todas as tartarugas de água doce, as terrestres e as marinhas.
O fóssil vem juntar-se ao de uma outra tartaruga, igualmente com cerca de 145 milhões de anos, descoberto junto à foz do rio Alcabrichel, perto de Torres Vedras. Também era de água doce. Também vivia nos cursos de água sinuosos da bacia Lusitânica. Também tem o seu fóssil nas colecções da SHN de Torres Vedras e serviu, tal como o desta agora, de referência à descrição de um ser vivo até aí desconhecido dos cientistas. A diferença é que esta outra tartaruga, a Selenemys lusitanica, é não só de uma espécie nova mas ainda de um género novo. As duas são as tartarugas de água doce mais antigas da Europa.
E por que é que é sempre em Torres Vedras?”, pergunta, retoricamente, Francisco Ortega. “São as desgraças da ciência. Provavelmente, porque somos os únicos a estudar tartarugas no registo [fóssil] português e porque começámos pelas colecções de Torres Vedras”, diz o paleontólogo, que co-orientou a tese de doutoramento de Adán Pérez (também da Universidade Complutense de Madrid) sobre as tartarugas mesozóicas (era compreendida entre os 251 milhões de anos e os 65 milhões) da Península Ibérica.
Há muito para estudar pelos sete paleontólogos actualmente envolvidos no Laboratório de Paleontologia e Paleoecologia da SHN. Entre tartarugas, crocodilos, dinossauros, peixes ou plantas, a SHN tem uma colecção de importância ibérica, com cerca de 12 mil exemplares, ainda em fase de inventariação. A juntar aos dois mil exemplares recolhidos em trabalhos de campo nos 15 anos de vida da SHN, a Câmara Municipal de Torres Vedras adquiriu, em 2008, a colecção de cerca de dez mil espécimes de fósseis da orla costeira da região oeste, reunidos ao longo de mais de duas décadas, por José Joaquim dos Santos (que se tornou funcionário da SHN).
“É uma das colecções mais interessantes de vertebrados do Mesozóico da Península Ibérica neste momento”, frisa Francisco Ortega. A Selenemys lusitanica e, agora, a Hylaeochelys kappa são duas das suas estrelas.
Fonte: Público