Universidades criam Centro de Ciências do Mar e do Ambiente, MARE


Seis universidades vão criar o MARE, um centro de investigação em ciências marinhas, reunindo «competências que vão das bacias hidrográficas ao mar profundo», explicou à Lusa o Director da nova instituição.

Henrique Cabral, professor catedrático da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa e também coordenador científico do MARE, disse à Lusa que o investimento nesta área tem ficado aquém da «prioridade no discurso político», mas mostrou-se confiante na obtenção de financiamentos para a investigação.
Num momento em que se tem criticado a falta de apoios públicos para a investigação disse o responsável que a nova instituição vai procurar financiamentos europeus mas também através da «ligação à sociedade e às empresas».
Integram o MARE as universidades de Lisboa, Coimbra, Açores, Évora, Nova de Lisboa e ISPA – Instituto Universitário (Instituto Superior de Psicologia Aplicada), reunindo mais de 400 investigadores.
O novo centro de investigação começa a ser divulgado a partir de domingo, dia em que se assinala o dia mundial das zonas húmidas, que englobam grande diversidade dos sistemas aquáticos.
«O Mar tem tido um crescente destaque a nível nacional e internacional, e é apontado como um dos eixos onde pode assentar o futuro do desenvolvimento económico e social de países marítimos como é o caso de Portugal. É particularmente importante que este desenvolvimento tenha por base um sólido conhecimento científico», afirma-se num comunicado a propósito do novo centro.
Nele acrescenta-se que o MARE, Centro de Ciências do Mar e do Ambiente, será uma unidade de investigação, inovação e desenvolvimento tecnológico, multipolar, «que orientará as suas actividades para os desafios da sociedade, em estreita parceria com centros de investigação nacionais e estrangeiros».
O centro terá seis objectivos principais, como o de contribuir para o conhecimento sobre o funcionamento dos ecossistemas marinhos e ambientes com eles relacionados, ou o de desenvolver ferramentas para o uso sustentável dos ecossistemas de água doce, ou ainda o de promover o bom estado ecológico e a saúde dos mares, estuários e bacias hidrográficas.
De acordo com Henrique Cabral o MARE, numa fase inicial, terá sede em Lisboa.
Portugal, acrescentou, tem tido notoriedade na investigação ligada ao mar «mas muitas vezes a passagem de conhecimento para a sociedade e para as empresas não se tem visto muito», uma lacuna que o MARE quer colmatar.
Portal do Mar com Lusa

Grande Barreira de Coral. Austrália aprova milhões de toneladas de descargas

Governo australiano e entidade que gere a reserva querem expandir um porto local e apostar na exportação de carvão
A Grande Barreira do Coral vai pagar o preço para a Austrália ficar com o maior porto de carvão do mundo na província de Queensland. A entidade que gere a mais vasta e rica barreira de recife de coral do planeta autorizou hoje a descarga de até três mil milhões de metros cúbicos (m3) de sedimentos para o fundo marinho da reserva – composta por cerca de três mil corais e habitat para mais de 1600 espécies de peixe.
As areias serão provenientes das dragagens para expandir o porto de Abbot Point, localizado na ‘fronteira’ com a reserva marinha da Grande Barreira do Coral. O objectivo é aumentar para 70 milhões de toneladas a quantidade de carvão que, por ano, passará pelo porto – o que aumentar até 2,7 mil milhões de euros os seus lucros e criará mais de 15 mil postos de trabalho, segundo o jornal “The Australian”.
A ameaça já era real desde Dezembro, quando o Greg Hunt, ministro do Ambiente australiano, aprovara o projecto. Mas a sua execução ainda estava pendente do aval da Autoridade do Parque Marinho de Grande Barreira do Coral (GBRMPA, na sigla inglesa), que optou por abrir a porta a que três milhões de m3 de sedimentos sejam depositados na reserva. As areias serão extraídas do fundo do mar em Abbot Point, na zona exclusiva do porto, e serão depositadas em Bowen, cerca de 24 quilómetros mais a sul e ainda dentro da área da reserva.
Uma decisão que “poderá sufocar os corais e plantas marinhas”, alertou Selina Ward, bióloga marinha da Universidade de Queensland e uma das 233 cientistas que assinou a petição contra o projecto, lembrou o “Financial Times”. Já Richard Leck, da organização World Wide Fund for Nature, classificou a medida ao “The Guardian” como “triste para as pessoas que se preocupam com o futuro da Grande Barreira de Coral”, que se estende ao longo de 2600 quilómetros da costa nordeste australiana e concentra à volta de 10% dos corais existentes no planeta.

O presidente da entidade explicou que as obras se vão efectuar em Abbot Point por se tratar do porto (em actividade desde 1984) que “está melhor localizado ao longo da costa da Grande Barreira de Coral”. Russel Reicheit argumentou ao “Financial Times” que “a dragagem necessária será muito menor à que teria de ser feita em outros portos” da zona. A autoridade da reserva definiu ainda 47 “condições ambientais” que terão de ser respeitadas pelo projecto – como “minimizar o impacto na biodiversidade” local ou a “monitorização da qualidade da água” nos cinco anos seguintes à descarga dos sedimentos.
A Sociedade para a Conservação Marinha australiana já criticou a decisão, denunciando a alegada pressão exercida por Tony Abbott, primeiro-ministro do país, sobre a autoridade do parque marinho. “Esta decisão contraria os estatutos do parque marinho e acreditamos firmemente que reflecte uma pressão política exercida pelos interesses mineiros do governo”, disparou Felicity Wilshart, presidente da entidade.

Em Setembro de 2013, aliás, o primeiro-ministro australiano classificou as taxas cobradas às emissões de dióxido de carbono e à actividade mineira de “socialismo mascarado de ambientalismo”.

A situação apenas se poderá alterar caso, em Novembro, a UNESCO decida classificar como “em perigo” a Grande Barreira de Coral, já que a reserva marinha é Património Mundial da Humanidade. O próximo encontro desta entidade das Nações Unidas está agendado para Junho, no Qatar, onde os seus responsáveis votarão esta possibilidade.


Fonte: Ionline

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Canoagem: Portugal é o destino favorito dos atletas

Trata-se de uma realidade que poucos conhecem, mas que traz grandes lucros ao País em termos de receitas turísticas: Portugal é um dos destinos preferidos para a prática de canoagem e o favorito a nível Europeu – pelo menos, é o que acreditam os profissionais e atletas de alta competição da modalidade, que há vários anos o escolhem como palco dos seus estágios e treinos de água.
 
É já no próximo mês que a canoagem mundial volta a mudar-se para território português, alojando-se, novamente, nos Centros de Treino Nelo, que começaram a surgir em 2004 por iniciativa do maior empresa construtora mundial de caiaques de competição, a marca portuguesa Nelo.
 
No total, 700 atletas de alta competição vão chegar a Portugal em Fevereiro. Só na barragem da Aguieira, em Mortágua, Viseu, entre russos, polacos, eslovacos, checos e portugueses vão ser mais de uma centena os canoístas que aqui a para participar nos treinos de água das grandes seleções nas quais se integram e que estão quase a começar, acolhidos pelo nosso país.
 
Os Centros de Treino Nelo transformaram, portanto, Portugal num dos países mais procurados em todo o mundo para a prática de canoagem e no destino preferido das equipas europeias durante o Inverno. Trata-se de “um interessante nicho de mercado para o turismo”, afirma André Santos, responsável da Nelo, em declarações à Lusa.
 
Segundo André Santos, Portugal é visitado, anualmente, por cerca de um milhar de atletas de canoagem de alta competição, um número que representa quase dois milhões de euros de rendimentos diretos.
 
A ideia de criar estes centros de estágio em Portugal foi, aliás, dos próprios atletas, “que vinham cá buscar e fazer afinações das embarcações”, conta o responsável, que recorda que estes “começaram a perguntar porque não criávamos condições para ficarem cá mais tempo”.
 
Foi assim que nasceu, em 2004, o primeiro centro de treino, o centro do Porto Antigo, em Cinfães, “uma das mais espantosas zonas de Portugal pela água do Douro e pelo clima”, elogia André Santos.
 
O conceito expandiu-se e, 10 anos depois, a Nelo tem centros de treino de canoagem espalhados por todo o país: na Aguieira, perto de Mortágua, onde se situa o maior dos centros, em Castelo de Paiva, distrito do Porto, em Vila Nova de Milfontes e em Cuba, ambos no Alentejo.
 
Apesar do sucesso, André Santos assegura que o objectivo da criação destas estruturas não é o negócio. “O que ganhamos nos centros de treino é reinvestido neles. O nosso negócio são os barcos e tudo o resto é uma forma de aumentar a aproximação aos atletas”, explica o responsável à Lusa.
 
Segundo André Santos, “quem vem a Portugal e utiliza um barco Nelo não só vai querer voltar, como ficará cliente”. Os russos, exemplifica, “estagiam no nosso país desde 2004, sem falhas”.

“Em nenhum outro país existe algo assim”
 

Além de fornecer aos atletas profissionais condições de treino exemplares, a Nelo assegura também formas de contornar o maior problema da canoagem: o facto de os barcos, com comprimentos a partir dos 5,20 metros, não poderem andar de avião.
 
“Quem vem estagiar para Portugal tem transfer desde o aeroporto, 300 barcos nossos prontos a utilizar, 20 barcos a motor para os treinadores, hotéis com tarifas acessíveis, na Aguieira, onde se instalam num resort de luxo da Visabeira, pagam cerca de metade da tarifa -, ginásios preparados para atletas de alta competição e serviço de massagem”, ilustra André Santos.
 
“Em nenhum outro país existe algo assim. Somos os melhores da Europa”, garante o responsável, que defende que, embora Espanha e Itália tenham também centros de treino bem conhecidos, estes “não se comparam com Portugal”.
 
Para André Santos, a justificação é simples: esta comparação é impossível “sobretudo porque aos outros falta um fabricante da dimensão da Nelo, que resolva os pequenos problemas dos atletas, e também porque em Portugal há sempre um aeroporto a uma hora de viagem; em Espanha, Madrid fica a quatro ou cinco horas”.
 
De acordo com o responsável da empresa, a canoagem não é, porém, a única modalidade a beneficiar de treinos feitos no nosso país. “O remo tem um projeto interessante em Avis e o Algarve enche com equipas de futebol”, elogia, acrescentando que “a alta competição enquanto componente turística é um mercado interessante e a que o país nem sempre dá atenção”.
 
“Há pequenas falhas. Era preciso apoio e nem falo de dinheiro. As barragens do Alentejo têm lençóis de água fantásticos, mas não permitem barcos a motor. Logo aí, impedem o treino de equipas de alta competição”, conclui. 

Fonte: Boas Notícias. 

Expansão do canal do Panamá arrisca atraso de cinco anos

Enquanto a Autoridade do Canal do Panamá (ACP) e o Grupo Unidos pelo Canal (GUPC) continuam a negociar, os membros do tribunal arbitral avisam que uma interrupção dos trabalhos poderia atirar a conclusão do alargamento do Canal para até 2020.
“Se o GUPC parasse os trabalhos agora, o Canal seria terminado, mas não em 2015 – mais provavelmente em 2018, 2019 ou 2020”, avisa o tribunal arbitral. “As enormes perdas – não apenas em termos financeiros mas também de credibilidade e reputação – apenas podem ser imaginadas”, reforça.
O tribunal arbitral reconhece a existência de sobrecustos mas admite que a proposta inicial do consórcio liderado pela Sacyr era provavelmente demasiado baixa.
Entretanto, a ACP e o GPUC retomaram hoje as negociações, visando chegarem a um acordo até sábado. E o acordo parece mais necessário que nunca, até porque a seguradora Zurich, que detém os 400 milhões de dólares da caução paga inicialmente pelo consórcio construtor, deitou por terra o plano das autoridades panamianas de denunciarem o contrato e financiarem com aquela verba a conclusão do Canal.
Enquanto se mantém o impasse sobre quem pagará os sobrecustos da empreitada, as obras avançam no terreno a um ritmo lento. A inauguração da expansão do Canal do Panamá, inicialmente prevista para este ano, foi há muito adiada para 2015.

Fonte: Transportes e Negócios.

Alentejo e Ribatejo com estratégia para turismo náutico

A Entidade Regional de Turismo lançou, junto dos agentes económicos e institucionais, uma estratégia que visa o desenvolvimento do turismo náutico nas regiões do Alentejo e Ribatejo.
Este projecto consiste num um plano de intervenção que “viabilize o desenvolvimento deste produto turístico nos dois territórios, com especial enfoque nas linhas de água interiores, nos principais eixos fluviais, entre os quais o Tejo, o Guadiana”.
Com esta estratégia, a entidade espera contribuir prazo para o desenvolvimento e promoção do produto turístico náutico no Alentejo e Ribatejo.
Fonte: Publituris.

My Destiny. Mais do que surf uma missão

O que começou por ser apenas uma viagem de surf à Indonésia transformou-se num projecto que pretende mostrar ao mundo todas as componentes que envolvem a modalidade. “My Destiny é um projecto ecológico-social que tem como base a celebração de um estilo de vida, de uma cultura que reúne a escrita, a música, a fotografia, as viagens e o surf”, disse Carolina Pereira, organizadora do evento.
Em conversa com o i, a surfista de Santa Cruz, Torres Vedras, explicou que o objectivo do projecto é que “todas as viagens criem igualmente uma comunidade de viajantes que irá espalhar bandeirinhas portuguesas pelos continentes”, mas com uma condição. Ser viajante e não turista.
Com partida prevista para Setembro, a aventura, com duração de um mês, pretende ajudar associações, antes, durante e depois. Como? Através de eventos para a angariação de fundos. “Para esta viagem vamos realizar eventos e que irão reverter para a Associação de Surf Adaptado ou para o projecto transformers (vamos fazer um intercâmbio com as crianças que estão a ter aulas de surf neste projecto e juntá-las com as crianças que têm aulas de surf nas Mentawai. O depois, são as transmissões da curta-metragem sobre o trabalho que foi feito. Mas reverte sempre para as organizações do país que fomos visitar. Neste caso será para a Liquid Future”, contou-nos Carolina, de 20 anos.
Sem data marcada para o primeiro evento, as ideias já estão em cima da mesa e conta com exposições, actuações de bandas portugueses e apresentação oficial do My Destiny, que tem ainda a participação do fotógrafo Francisco Melim, bem como da embaixadora nacional e surfista Teresa Abraços e o fotógrafo californiano Chris Burkard.
Surf além da técnica Surfista desde os 13 anos, foi com a 3S Surf School (escola de surf local) que Carolina teve a sua primeira experiência na água. “O João Carvalho foi quem me mostrou que o surf era muito mais além da técnica. Ele inspirou-me muito e mostrou-me que era um estilo de vida e não apenas uma rotina de ir ali apanhar umas ondas. Foi aí que comecei a surfar”, recordou.
Dedicado ao seu mentor que, em 2011, faleceu após uma paragem cardio-respiratória, a publicação do livro “Pai, porque é que as vacas usam ténis”, tem “um cheirinho” do que será o My Destiny. “O livro é uma compilação de várias publicações que saíram em algumas revistas da especialidade. Relata as viagens que fiz de norte a sul do país, as surftrips e as experiências que fui vivendo pelo caminho”, concluiu.
As viagens podem ser acompanhadas em www.mydestiny.com.pt

Fonte: Ionline

Canal do Peixe. A ilha aveirense que a banca não temperou

Familiar de proprietários de marinhas, Ana Rita Regala teve a ideia de tentar preservar e revitalizar o salgado aveirense, que em tempos alimentou muitas bocas na região. Em 2007 reuniu cem mil euros e um grupo de amigos para comprar um conjunto de salinas, que formam uma ilha.
Produção de sal, exploração da planta salicórnia, aquacultura e turismo são os projectos que o Canal do Peixe está a “extrair” da Ria de Aveiro. “Até agora investimos muito capital para que a coisa funcionasse. Agora sim, vamos receber mais frutos”, disse a sócia fundadora, apontando uma “grande vantagem” de que se orgulha: não ter precisado de recorrer à banca para financiar o início da actividade.

Na produção de sal tradicional e certificado quer “criar um novo paradigma” para um produto que
“Temos uma vantagem de que nos orgulhamos: não tivemos de recorrer ao crédito bancário.
 
Ana Rita Regala
Sócia-gerente do Canal do Peixe
nunca foi muito rentável – “não é aquela colheita que se fazia e que dava 50 toneladas ao final do ano”. Mas mais do que o próprio sal, o Canal do Peixe procura promover a flor de sal, que é um produto com mais valor comercial. A salicórnia nasce nos muros das marinhas da ria e pode ser utilizada na alimentação – como é apreciado na Holanda ou França – como substituto do sal. 


O investimento para a promoção deste “produto nacional, natural e tradicional” tem de ser feito pela própria empresa. Recordando as “muitas licenças” de que precisou para o projecto avançar, a empresária lamentou ainda que “todos os apoios financeiros, os que existem, também passem por processos muito burocráticos e elaborados, o que faz com que as coisas não sejam tão fáceis”.

Fonte: Jornal de Negócios.

Os navios-fantasma que assolam os oceanos

A história do Lyubov Orlova, e seus ratos-canibais a bordo, tem feito as páginas dos jornais nas ultimas semanas. Mas este não é o único navio-fantasma que tem assolado os oceanos do planeta.

Nas últimas semanas, os jornais e as redes sociais encheram-se de histórias sobre o Lyubov Orlova, um navio-fantasma que desapareceu há cerca de um ano no oceano Atlântico e que, aparentemente, se dirigia para a costa do Reino Unido com uma carga tenebrosa a bordo: ratos que se tornaram canibais por falta de comida.
Ratos-canibais à parte, a história do Orlova tem boa parte de verdade. O navio, de origem russa, foi construído para servir a elite russa nos seus passeios marítimos. O endividamento dos donos fez com que acabasse atracado na Terra Nova, a apodrecer.
A 4 de Fevereiro de 2013, quando era transportando para República Dominicana, para ser vendido como sucata, os cabos que seguravam o navio ter-se-ão partido e o Orlova desapareceu no Atlântico.
As autoridades marítimas britânicas e da Irlanda já vieram a público acalmar os ânimos e dizer que não há perigo imediato de o navio atingir a costa inglesa… O mais provável é já estar no fundo do mar.
Mas esta não é a única história de navios que desapareceram misteriosamente nas águas dos oceanos ou são encontrados à deriva, sem tripulação, elevando-os ao estatuto de navios-fantasma.
( Jian Seng )
Em 2006, por exemplo, o navio-tanque Jian Seng foi encontrado à deriva na costa de Queensland, na Austrália. A tripulação tinha desaparecido e nunca se conseguiu descobrir de onde vinha o navio ou a quem pertencia. No interior da embarcação, as autoridades encontraram apenas quilos de arroz e sinais de que o navio estaria à deriva há já algum tempo.

( Bel Amica )

No mesmo ano, a guarda-costeira italiana investigou o caso do Bel Amica, um barco à deriva na costa da Sardenha. No interior encontraram refeições egípcias meio comidas, mapas em francês dos mares do Norte de África e uma bandeira do Luxemburgo… mas sem vivalma.

( Kaz II )

Ainda mais misterioso é o caso do catamaran Kaz II encontrado à deriva perto da Grande Barreira de Coral, na Austrália, em abril de 2007.As velas estavam levantadas, na cozinha a mesa estava posta com comida pronta a servir e um computador portátil estava ligado e a funcionar. Os instrumentos de navegação estavam operacionais e os coletes salva-vidas estavam a bordo. Mas da tripulação de três homens nem sinal.

(Mary Celeste )

Há quem compare o caso do Kaz II ao do brigatim Mary Celeste, encontrado abandonado quando seguia para o Estreito de Gibraltar em 1872.
A embarcação estava intacta, tinha mantimentos para seis meses, as velas armadas… mas não se via vivalma. A tripulação, de seis homens, e dois passageiros tinham simplesmente desaparecido sem que qualquer explicação fosse encontrada para tal. Até hoje permanece o mistério: porque foi o Mary Celeste abandonado?

( Carroll A Deering )

Outro fenómeno dos mares é o caso do escuna Carroll A Deering que deu à costa na Carolina do Norte, sem tripulação, em 1921. O caso é um dos mais relatados das histórias marítimas em boa parte por ser considerado uma vítima do Triângulo das Bermudas. Para além da tripulação, da embarcação tinham desaparecido o diário de bordo, equipamento de navegação, dois salva-vidas e os bens pessoais da tripulação. Ainda assim, na cozinha tudo estava preparado para a refeição do dia. O governo norte-americano lançou uma investigação interdepartamental exaustiva mas o episódio continua por explicar até aos dias de hoje.

( MV Joyita )

Também a investigação ao destino dos 25 passageiros do MV Joyita deixou mais dúvidas que respostas. A embarcação de lazer foi descoberta abandonada no Pacífico em 1955. Das 25 pessoas a bordo, entre tripulação e passageiros, não havia sinal.Construído com uma enorme capacidade de flutuabilidade, e estando com o casco intacto, as autoridades não conseguiram perceber porque é que o barco estava virado de lado, semi-submerso na água. No final, classificaram o incidente de «inexplicável».

Alfeite vai reparar quatro navios da Marinha de Marrocos

O Arsenal do Alfeite vai reparar, nos próximos meses, quatro navios da Marinha Real de Marrocos, estimando a administração que a empresa apresente resultados operacionais positivos este ano.
De acordo com fonte da administração do Arsenal do Alfeite (AA), o navio patrulha “El Lahiq” – o primeiro destes quatro -, chegou esta segunda-feira às docas da empresa, sendo o terceiro daquela Marinha ali reparado desde 2012.
“Nos próximos meses está confirmada a reparação de mais três navios. Com estas reparações o Arsenal do Alfeite S.A. terá resultados operacionais positivos em 2014”, disse hoje à Lusa a mesma fonte.
Segundo o último relatório e contas daquela empresa, uma das que integram o setor da construção e reparação naval público, o AA registou resultados operacionais negativos, de 5,4 milhões de euros, em 2012.
Os montantes das reparações contratadas não foram revelados, mas o patrulha “El Lahiq”, com cerca de 60 metros, é já o terceiro navio daquela Armada que dá entrada no Alfeite, nos últimos meses.
No final de 2012 foi ali reparado o navio de apoio logístico “Dahkla” e em setembro passado seguiu-se a fragata “Hassan II”. Este último, de 93 metros de comprimento, foi mesmo o primeiro navio combatente estrangeiro reparado por aqueles estaleiros.
Fonte do Ministério da Defesa Nacional, que através da Empresa Pública de Defesa (Empordef) tutela aqueles estaleiros públicos, sublinhou hoje que a Marinha de Marrocos tornou-se no “primeiro cliente internacional” do Alfeite.
“Isto decorre da estratégia deste Governo e da administração da Empordef na captação de outros clientes para o Arsenal do Alfeite, qua não a Marinha portuguesa. Estas reparações resultam, de resto, das visitas de trabalho que o Ministro da Defesa e a administração da Empordef realizaram a Marrocos nos últimos dois anos”, disse a mesma fonte.
A administração do AA tinha já admitido, em 2013, que com estas encomendas tenta arranjar “alternativas aos serviços de reparação naval e manutenção”, para reduzir a dependência das encomendas da Marinha portuguesa, que têm vindo a diminuir nos últimos anos.

Fonte: JN

Os golfinhos voltaram ao Tejo ou estão só de passagem?

De cada vez que alguém vê e fotografa golfinhos a nadar no estuário do Tejo, o telemóvel da bióloga Cristina Brito toca. São os jornalistas a quererem saber se, afinal, os golfinhos estão de regresso ao estuário e, se sim, o que os traz de volta. A resposta sai com dúvidas. “Não sabemos muito bem o que dizer porque não há dados muito concretos e científicos”, admite a investigadora.
Perante esta incerteza, e como os avistamentos destes cetáceos no Tejo se multiplicaram nos últimos anos, os investigadores da empresa Escola de Mar e da Associação para as Ciências do Mar (uma organização sem fins lucrativos que promove a investigação do meio marinho, à qual Cristina Brito preside), decidiram mergulhar na história e procurar respostas. Através do projecto “Conservação e golfinhos no estuário do Tejo: realidade, imaginário ou mito?”, vão tentar perceber se os golfinhos estão a voltar a uma antiga área de residência ou se são visitantes ocasionais numa zona onde há hoje mais comida disponível e melhor qualidade ambiental, em resultado das intervenções ao nível do saneamento na área metropolitana de Lisboa.
“Vamos analisar dados históricos desde meados do século XIX, através dos registos dos naturalistas e das notícias de jornais, para perceber se os golfinhos estão a voltar a um ambiente no qual já viveram ou se estão apenas de passagem”, explica Cristina Brito, que coordena o projecto. Numa segunda fase, serão realizadas saídas de campo para “observações de oportunidade”. “Iremos para o estuário com empresas turísticas e que fazem transporte fluvial”, para tentar observar golfinhos, esclarece esta especialista em mamíferos marinhos. Os pescadores e outros utilizadores do estuário também serão ouvidos neste estudo.
Os avistamentos mais recentes são de golfinhos-roazes (Tursiops truncatus), da sub-espécie residente no estuário do Sado, e de golfinhos-comuns (Delphinus delphis), mais frequentes nas zonas costeiras. “Mas há registo de avistamentos até em Vila Franca de Xira”, nota a bióloga. A especialista lembra que o número de avistamentos, que parece mais significativo nos últimos “dois ou três anos”, pode estar simplesmente relacionado com uma maior atenção dada pela população e pelos próprios meios de comunicação a esta espécie.
Golfinhos toleram poluição
O objectivo, continua a investigadora, é “compilar os diversos registos [de observações] numa escala temporal e perceber se há um padrão que indique eles estão a voltar”. Se esse regresso se confirmar, depois é preciso saber o motivo: será a melhoria da qualidade da água, motivada pelas obras que permitiram, em Janeiro de 2011, deixar de lançar no rio os esgotos de 120 mil habitantes de Lisboa?
Não é fácil relacionar directamente uma coisa com a outra”, adverte Cristina Brito. Isto porque os golfinhos não são uma espécie indicadora da qualidade da água – toleram facilmente sítios poluídos, já que acumulam a poluição na gordura corporal. No entanto, nota a bióloga, pode haver uma relação indirecta. “Num ecossistema com melhor qualidade há naturalmente mais peixes, o que atrai mais golfinhos.”
O estudo, que já começou no ano passado e deverá estar concluído no final de 2015, tem o apoio do Centro de Oceanografia da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa e do Centro de História de Além-Mar da Universidade Nova de Lisboa. Mas os investigadores querem também envolver os municípios. As câmaras de Almada e Cascais vão apoiar financeiramente o projecto, as de Alcochete e do Seixal disponibilizam apoio logístico, e outros municípios que fazem fronteira com o maior estuário da Europa Ocidental serão ainda contactados.
A Câmara de Cascais explica que este apoio está inserido num “esforço” que a autarquia está a fazer desde 2008 com vista à caracterização e monitorização da zona costeira, através do programa Aquasig Cascais.
Durante a investigação, serão apresentadas conclusões provisórias em palestras e em actividades de sensibilização ambiental – outro dos objectivos do projecto.
Fonte: Público