Porto de Setúbal cresce no shortsea

Com o arranque do terceiro serviço da Wec Lines, o porto de Setúbal passa a contar com nove linhas regulares de shortsea shipping, sublinha a administração portuária.


Actualmente são quatro as companhias especializadas no SSS a escalarem o porto da foz do Sado: Wec Lines (com três serviços), MacAndrews (três serviços), OPDR (dois serviços) e Tarros (um serviço).
Juntas, oferecem 15 escalas semanais e ligações para portos da Europa, Mediterrâneo, Médio Oriente, Costa Ocidental de Marrocos e Canárias.
Em 2015, recorda a APSS, o tráfego de contentores cresceu 17% em termos homólogos para um novo recorde de 121 mil TEU.
Com características distintas, a administração portuária destaca também, em comunicado, o crescimento de 13% no tráfego ro-ro, em que operam seis linhas em Setúbal – três da Grimaldi, uma da VW Logistics, uma da NYK e uma da EML -, para um total de 168 mil viaturas.
Em complemento ao shortsea, Setúbal – “The South Lisbon Gateway” como agora se afirma – aposta também no desenvolvimento das ligações ferroviárias ao hinterland ibérico, já com quatro comboios semanais para Espanha.
Fonte: T e N


Tubarão surpreende visitantes de aquário ao comer outro tubarão


É
um fenómeno raro pelo que surpreendeu também os trabalhadores do
aquário. Um dia depois, ainda se via a cauda do animal na boca do
tubarão.

Os
visitantes de um aquário em Seul, na Coreia do Sul, tiveram a
oportunidade de assistir a mais do que certamente esperavam. Os
tubarões são sempre animais bastante procurados pelo público neste
tipo de locais, mas ver um comer outro é um fenómeno raro em
cativeiro.

Foi
por isso com surpresa que tanto visitantes como os próprios
trabalhadores do aquário assistiram ao momento. Um tubarão-areia –
uma fêmea de oito anos de 2,2 metros -, comeu um tubarão-leopardo,
que tinha cinco anos e media cerca de 1,2 metros.

Quase
24 horas depois, ainda se via a cauda na boca do tubarão-areia e que
assim poderá ficar até cinco dias, segundo especialistas citados
pela 
Sky
News
,
que acrescentam que como não irá conseguir digerir o tubarão, o
mais provável é que a fêmea acabe por vomitar o corpo.
Este
tipo de ataques entre tubarões em cativeiro são raros – foi a
primeira vez que aconteceu no aquário de Seul -, até porque os
animais são alimentados regularmente. Em causa terá estado a defesa
de território. “Os tubarões têm o seu território. No
entanto, às vezes chocam uns contra os outros e eles mordem-se.
Penso que o tubarão engoliu o corpo todo porque eles costumam comer
tudo quando mordem pela cabeça”, explicou um trabalhador do
aquário.


Aqui
fica o vídeo da SkyNews:

 

Descobrir Desafio “Descobrir os Oceanos”

Concurso escolar nacional sensibiliza para a literacia dos oceanos 

Cofinanciado pelo fundo europeu EEA Grants, o projeto “Descobrir os Oceanos” é promovido pela Formato Verde com o apoio de diversas entidades, nomeadamente: Associação Bandeira Azul da Europa (ABAE), ALGAR, Município da Maia, Município de Matosinhos, Centro Português de Actividades Subaquáticas (CPAS), Fórum Oceano, LIPOR e Serviços Municipalizados de Saneamento Básico de Viana do Castelo (SMSBVC). A Formato Verde promove este projecto inovador “Descobrir os Oceanos” com o objectivo de contribuir para aumentar a literacia dos oceanos, lançando um desafio nacional a todos os alunos do Ensino Básico e Secundário no sentido de criarem um argumento criativo e original, baseado em pelo menos um dos sete princípios da literacia dos oceanos. Os melhores argumentos serão ilustrados por talentosos artistas nacionais e internacionais e publicados num livro de Banda Desenhada denominado “Descobrir os Oceanos”.

O projecto “Descobrir os Oceanos” surge no âmbito do programa PT02 — Gestão Integrada das Águas Marinhas e Costeiras do EEA Grants, que visa elevar a consciência e o conhecimento sobre questões marinhas através de acções de sensibilização e de formação no domínio da gestão marinha integrada.

O livro de Banda Desenhada “Descobrir os Oceanos” constituirá um recurso criativo e lúdico,

simultaneamente educativo e informativo sobre os oceanos, baseado nos argumentos criados pelos alunos e ilustrados por talentosos artistas nacionais e internacionais de banda desenhada.

Todos os alunos do Ensino Básico e Secundário estão convidados a apresentar argumentos criativos e originais subordinados aos 7 princípios da literacia dos oceanos, que contribuam para a promoção da consciencialização, educação e conhecimento sobre a gestão integrada do meio marinho, conforme regulamento do concurso. Os argumentos deverão ser enviados para o endereço eletrónicooceanos@formatoverde.pt, de 1 de Fevereiro a 31 de Março do corrente ano. Os 4 melhores argumentos serão seleccionados por um júri e adaptados para um livro de banda desenhada, ilustrado por artistas nacionais e internacionais. O livro será publicado em versão impressa e digital.

O concurso é dinamizado através das redes sociais: facebook.com/descobrirosoceanos e

twitter.com/descobriroceano, onde é possível aceder ao regulamento.


Fonte: Náutica Press






Investigador do CCM desvenda genoma de Planta Marinha.

Este é considerado pelos cientistas um primeiro passo no estudo das redes genéticas e no cruzamento da ecologia e evolução destas plantas, que são extremamente importantes na gestão da orla costeira, e que têm sido ameaçadas em diversos ecossistemas pelas alterações climáticas.
A sequenciação do genoma da Zostera marina vem revelar algumas das alterações evolutivas que ocorreram durante a migração e adaptação dos ancestrais destas plantas do ambiente terrestre para o marinho.
Das centenas de milhares de espécies de plantas actualmente existentes no mundo, só cerca de 50 colonizaram o mar, as ervas marinhas, o único exemplo de plantas que conseguiram evoluir transitando com sucesso para uma vida permanente debaixo de água salgada.
As ervas marinhas são a base de produtivos ecossistemas costeiros, em todo o mundo, propiciando a existência de áreas que funcionam como berçários de peixes e outros organismos; contribuindo para a estabilização e protecção da orla costeira em relação à invasão do mar e cumprem ainda um importante papel na manutenção da qualidade da água e na remoção e armazenamento de carbono da atmosfera em níveis comparáveis às florestas tropicais.
De entre as ervas marinhas, a Zostera marina, é uma das espécies com maior distribuição mundial, formando extensas pradarias desde as águas do Árctico até ao sul de Portugal no Atlântico NE.
Um dos objectivos desta investigação é desvendar a carga genética que possibilita à Zostera florescer em ambientes tão diversos, demonstrando uma capacidade elevada de adaptação e tolerância a águas com elevada salinidade.
Conforme explica Gareth Pearson, investigador do CCMAR que participa neste estudo, «um dos sinais chave desta adaptação a águas com muita salinidade, parece residir numa parede celular muito específica da Zostera, que é fora do normal, mesmo para plantas aquáticas, apresentando características semelhantes às das algas».
O estudo que a Nature publica traz ainda novos dados, ao considerar que a Zostera, nesta migração para o ambiente marinho, perdeu os estomas, estruturas usadas nas plantas terrestres para as trocas gasosas da fotosíntese.
Ao analisar o genoma, os cientistas sabem agora que os genes responsáveis por produzir estomas se perderam, o que torna impossível o retorno destas plantas ao ambiente terrestre.
Há ainda outros dados revelados no estudo: alguns genes não foram identificados na Zostera, nomeadamente os responsáveis pela produção de sinais voláteis (a hormona etileno) que controlam tipicamente muitos processos de desenvolvimento em plantas, assim como um número de compostos tóxicos, designado por terpenóides que funcionam como insecticidas, detendo insectos predadores e patogénicos.
Gareth Pearson trabalha no CCMAR com uma equipa que realiza estudos e transplantes para recuperação de pradarias de Zostera que se perderam como resultado da acção humana e da pressão costeira, em zonas como a Arrábida.
Um dos projectos mais bem sucedido nesta área foi o Life-Biomares, que se desenvolveu no Parque Marinho Professor Luiz Saldanha e possibilitou o repovoamento desta zona com pradarias marinhas, a partir de outras zonas dadoras de ervas marinhas.
Este estudo vem trazer um conhecimento mais aprofundado da variação adaptativa e potencial destas plantas, ajudando a promover a reflorestação de ecossistemas baseados em ervas marinhas, tão importantes para a qualidade ambiental e riqueza em biodiversidade dos ecossistemas da costa portuguesa.
Fonte: Barlavento

Água do mar também pode servir de antena


A Mitsubishi desenvolveu uma forma de receber ondas de rádio a partir de repuxos do mar.


E se houvesse uma forma alternativa de receber ondas de rádio que não dependesse da construção de uma torre de metal? A Mitsubishi quis responder a esta necessidade desenvolvendo uma forma de ondas de rádio poderem ser interceptadas por água do mar.

Como conta o Engadget, através de uma bomba de água e uma mangueira a água é expelida como repuxo em grandes altitudes, recebendo assim o sinal com uma eficácia de 70% mediante a altura e o diâmetro necessários.
Esta é uma solução já desenvolvida pela Google no passado e que encontra aqui continuidade na Mitsubishi, o que pode ajudar a implementar este sistema em zonas remotas sem qualquer necessidade de um investimento avultado.

Chumbo da liberalização dos serviços portuários divide portos e armadores

A Comissão de Transportes do Parlamento Europeu (PE) rejeitou esta semana a proposta de liberalização dos serviços portuários apresentada pela Comissão (CE). A decisão foi saudada pela ESPO, enquanto a ECSA fala numa oportunidade perdida.


A decisão dos eurodeputados (aprovada com 29 votos a favor, 13 contra e três abstenções) sustenta que um modelo único europeu para o acesso ao mercado dos serviços portuários não é apropriado “uma vez que o sistema portuário da UE inclui vários modelos diferentes de organização dos serviços portuários”.
“Conseguimos afastar a abertura forçada do mercado dos serviços portuários. Sobretudo por questões de segurança [safety e security], os portos devem poder poder decidir a organização dos serviços portuários”, sintetizou o relator da comissão, Knut Fleckenstein.
A proposta da Comissão Europeia, que remonta a Maio de 2013, visava liberalizar o mercado dos serviços portuários, nomeadamente os serviços de reboques, pilotagem, atracagem e fornecimento de combustível.
O Parlamento contrapôs uma emenda que fixa que “os modelos de gestão portuária estabelecidos a nível nacional podem ser mantidos”.
Contudo, os eurodeputados deram o seu acordo ao estabelecimento de critérios comuns a observar pelas administrações portuárias que pretendam limitar o número de fornecedores de serviços. E clarificaram os “casos justificados” em que tais limitações podem ser impostas, nomeadamente a escassez de espaço, as características do tráfego portuário ou a garantia da segurança e da sustentabilidade ambiental das operações portuárias.

ESPO e ECSA em desacordo

A Organização Europeia dos Portos Marítimos (ESPO, na sigla inglesa) apressou-se a saudar a decisão do Parlamento Europeu, salientando que o novo texto da proposta respeita a diversidade das instalações portuárias europeias.
Já a Associação de Armadores da Comunidade Europeia (ECSA, em inglês) considera-se que se está perante uma “oportunidade perdida”. Os armadores solicitaram, no início de 2015, a inclusão de todos os serviços portuários no regulamento agora em discussão.
A ECSA considera que há práticas restritivas e obstáculos legais aos armadores, os quais serão sobretudo sentidos pelos operadores de shortsea shipping. Sustenta, por isso, que a proposta aprovada pelo PE é contrária ao objectivo de tornar o mercado mais flexível e acessível a novos operadores.
A ECSA espera, por isso, que os Estados-membros e a Comissão Europeia tenham em conta estas preocupações e que dialoguem com o PE.
Fonte: Cargo


Alemanha desenha nova estratégia portuária

A Alemanha vai começar a implementar o Conceito Nacional Portuário de 2015, que define as orientações estratégicas para os portos marítimos e interiores do país para os próximos dez anos.


Definido com base no antecessor Conceito Nacional Portuário de 2009, o novo plano estratégico identifica 155 medidas a aplicar, as quais obrigam de igual modo o governo central, os estados federais, as empresas e os representantes dos trabalhadores.
Aquelas 155 medidas têm como objectivos expandir as infra-estruturas portuárias ou com elas relacionadas, aumentar a competitividade dos portos, acautelar o ambiente e as alterações climáticas, proporcionar formação profissional e emprego de elevada qualidade e garantir a adequada prevenção de segurança e risco.
As decisões finais relativas à implementação do Conceito Nacional Portuário de 2015 serão tomadas por um comité de direcção liderado pelo Subsecretário de Estado dos Transportes e das Infra-estruturas Digitais da Alemanha. As reuniões deste comité contarão, além de delegados dos estados alemães, dos portos e de associações de empresas, com representantes de outros países do Mar do Norte e do Mar Báltico.
A elaboração do Conceito Nacional Portuário era um dos pontos do acordo de coligação que suporta o governo federal.´
Fonte: Cargo


Porto de Setúbal afirma-se como “alternativa” a Lisboa

O 6.º Seminário de Plataformas Ibéricas, promovido conjuntamente pela APSS e pela AICEP Global Parques, serviu sobretudo para evidenciar as possibilidades de expansão do porto-cluster logístico de Setúbal, capazes de o afirmarem como “alternativa” a Lisboa, ou pelo menos como o “gateway” da região Sul da capital.


A sessão foi lançada pela assinatura do protocolo “Região Industrial, Logística e Portuária de Setúbal Rumo ao Futuro”, comprometendo a administração portuária, a comunidade portuária, a Câmara Municipal, o Instituto Superior Técnico e a AICEP Global Parques. A cerimónia teve o seu quê de “dejà vu”, noutras paragens, mas no caso de Setúbal a diferença, substantiva defendem, é que não só o potencial existe como pode ser facilmente realizado. E, de facto, não serão muitos os portos a gabar-se de poderem estender os seus cais comerciais por mais dois ou mesmo três quilómetros, a custos reduzidos e sem conflituarem com a envolvente. Uma envolvente onde se destacam extensas áreas logísticas e industriais carentes de serem potenciadas. Mas onde há também gente, em quantidade e qualidade, logo, recursos humanos para produzir e consumidores para consumir. Disso se tratou no primeiro painel. Fátima Évora (APSS) fez o ponto da situação do crescimento do porto de Setúbal e apresentou os planos de desenvolvimento, com destaque para a melhoria das acessibilidades marítimas, previstas para breve (2017), e para a expansão dos cais acostáveis, assim surjam interessados, para o médio/longo prazo. Luís Fernando Cruz (Grupo Sapec) mostrou o masterplan do que se pretende criar na extensa área logística controlada pela empresa e que poderá/deverá ser potenciada com um terminal ferroviário e uma frente de cais com 800 metros. Pedro Viegas Galvão (Secil) aportou a visão da indústria e, sem surpresa, colocou a tónica em aspectos mais de “software”, como os custos portuários, os horários de trabalho, a flexibilidade no desenho de soluções à medida, a transparência, fundamentais para a competitividade das empresas nacionais no contexto internacional. Para concluir que o porto de Setúbal está no bom caminho, em alguns casos melhor até que os demais. Que o potencial de crescimento existe e que pode/já está a ser utilizado deram conta os participantes no segundo painel. Sandra Augusto (AutoEuropa) falou de um futuro (relativamente próximo) em que Setúbal poderá tornar-se a porta de entrada de componentes oriundos da Ásia/India para distribuição às fábricas do grupo na Península Ibérica, quiçá até à Alemanha. Juan Romero Miranda (Plataforma Logística do Sudoeste Europeu) anunciou o terceiro comboio semanal entre a plataforma de Badajoz e os portos de Lisboa, Setúbal e Sines, os mais próximos da Extremadura espanhola e também, disse, mais eficientes que os espanhóis. Paulo Calado (AICEP Global Parques) fechou com a apresentação das capacidades instaladas no “BlueBiz”, aptas a serem usadas de imediato, ou quase. Na abertura, Vítor Caldeirinha. presidente do Porto de Setúbal, sublinhou as potencialidades e defendeu a autonomia do porto e a necessidade de ser reinvestida em Setúbal a riqueza ali gerada. No que  foi secundado por Francisco Mendes Palma (AICEP Global Parques), Pedro Dominguinhos (Instituto Politécnico de Setúbal) e Maria das Dores Meira (Câmara Municipal de Setúbal). No encerramento, Lídia Sequeira, em representação da ministra do Mar, Ana Paula Vitorino, elencou algumas das prioridades da tutela do sector: a factura única portuária, a revitalização do registo convencional de navios, a Janela Única Logística. E defendeu que não é desejável a descapitalização das administrações portuárias, porque haverá sempre investimentos a fazer e não deverá ser o Orçamento de Estado a suportá-los.

Fonte: T e N

Exportações crescem 4%


Até Novembro, as venda de bens somam 46.208 milhões de euros. Importações de bens aumentam abaixo das exportações.

As
exportações portuguesas cresceram 4% nos primeiros 11 meses
do ano passado. Com as compras dos países de fora da Europa em
queda, a União Europeia ganha ainda maior peso como mercado de
destino das vendas de bens portugueses. Até Novembro, as
exportações totalizaram 46.208 milhões de euros, aumentando 1802
milhões em relação ao mesmo período de 2014, mostram os números
divulgados nesta sexta-feira pelo Instituto Nacional de Estatística
(INE).
Para
os países da UE, o valor acumulado das exportações soma 33.686
milhões de euros, o que significa um crescimento de 6,8% face aos 11
primeiros meses do ano anterior.

para os países 
extra-comunitários, as vendas de bens estão em queda
pelo terceiro mês consecutivo e, feitas as contas aos 11 meses de
2015 para os quais há dados disponíveis, o recuo face a 2014 é de
2,6%. As exportações para os países de fora da UE totalizaram até
Novembro 12.522 milhões de euros, menos 332 milhões de euros em
relação ao período homólogo.
Para
os países europeus vão 73% das vendas de bens portugueses, dado o
peso de Espanha, França, Alemanha e Reino Unido como principais
parceiros comerciais na Europa. O mercado 
extra-comunitário está a
penalizar o desempenho das exportações, o caso de Angola, o segundo mercado fora da Europa, depois dos Estados Unidos. Com o
abrandamento da economia angola, as exportações portuguesas
afundaram 33% para esta geografia nos 11 meses.

Fonte: Público

Miradouros: Cabo Espichel, o lugar dos deuses


Para cima, o perfil escuro de Sintra corta o céu brilhante e meio rosa. À nossa frente e para sul, o horizonte em linha pura aguarda a queda do sol naquele dia tão limpo. A nossos pés, placas verticais de pedras imensas encostadas umas às outras eram batidas pelas ondas, pela espuma e pela força do mar. Era o oceano Atlântico azul infinito, e temeroso para os povos vindos do Mediterrâneo.
Senti que este era um sítio dos deuses, ou melhor, um ponto em que os deuses se ligavam aos homens, era um lugar sagrado como o temenos grego, marcado no terreno por muros, dentro dos quais se construíam os templos para onde os homens convocavam os deuses. O cabo Espichel é também o Finisterra dos romanos, o fim da terra e o princípio do mistério do mar. Não admira que este miradouro natural tenha sempre suscitado práticas religiosas que deixaram marcas construídas no planalto ventoso que cai a pique sobre o mar.
No cabo Espichel, durante a Idade Média, surge um culto à Nossa Senhora da Pedra Mua com início conhecido de peregrinações em 1366. A palavra mua é uma corruptela da palavra mula, que vem da seguinte lenda: “Dois idosos, um de Alcabideche e outro da Caparica, sonharam com uma luz a brilhar no cabo Espichel que a Virgem lhes recomendara seguir. Ambos se puseram a caminho seguindo a misteriosa luz que continuava a brilhar todas as noites. Quando chegaram ao cabo ficaram maravilhados ao verem a imagem da Virgem Maria montada numa mula que subira a escarpada arriba deixando nas pedras as marcas das suas patas.” Destes tempos resta-nos a ermida da Memória (1428) de arquitectura mudéjar, enigmática marca islâmica que foi ficando neste promontório sagrado.
A subida que podemos fazer hoje à “escarpada arriba” a norte do Cabo revela-nos a razão desta atribuição divina que deixou “nas pedras as marcas das suas patas”. As placas calcárias quase verticais desta elevação foram escorregando e numa delas apareceram pegadas de dinossauros perfeitamente marcadas e visíveis que foram atribuídas à mula que transportava a Nossa Senhora até ao alto do cabo Espichel. Quase pedimos desculpa por estragar o mito e o culto com esta trivial explicação científica, mas como só no século XX foram identificadas os rastos dos dinossauros, durante seis séculos o culto foi enraizando e tomando conta do lugar. O culto a Nossa Senhora do Cabo baseia-se num sistema anual de rotação da imagem de Nossa Senhora, que passa um ano em cada uma das 26 freguesias do Círio Saloio, mantendo-se assim o “giro das freguesias” que se encontravam no cabo Espichel para a entrega da imagem e alfaias, durante a semana da Ascensão. Sacralizou-se assim este santuário e nele restam as marcas construídas e paira a memória de uma devoção sentida e muito festejada.
Para louvar a Deus, pedir e agradecer à Nossa Senhora do Cabo, foram sendo ritualmente mantidas peregrinações que traziam a imagem de Belém, atravessavam de barco e faziam em procissão todo o areal da Costa da Caparica. Subiam ao cabo e as orações e músicas acompanhavam-se de grandes festas profanas com bailes e romarias, touradas e até óperas.
De toda essa efusão humana ficaram construções sólidas e de uma simplicidade desarmante pela força que a arquitectura popular consegue concentrar. Dois corpos paralelos de um andar, suportados por arcarias de pedra, deixam a meio o vazio de um terreiro amplo — o arraial — rematado pela fachada da igreja barroca. Felizmente que os arquitectos dos anos 1950/60 fizeram o inquérito e o inventário da arquitectura popular pois registaram, desenharam e ajudaram a preservar esta arquitectura sem arquitectos, esta vasta categoria de construções “anónima, espontânea, indígena e rural” e tão bem adaptada ao local. Servia este renque de casas para hospedar os peregrinos que todos os anos os círios da região saloia organizavam para vir pedir a bênção da Nossa Senhora do Cabo, receber e entregar a sua imagem e depois festejar uns com os outros, neste local sagrado.
A partir de 1701, quando o Rei D. Pedro II se vem juntar aos peregrinos e reconstrói a primitiva ermida do tempo de D. Manuel, torna-se este santuário no primeiro centro de peregrinações que, mais tarde, o Bom Jesus de Braga e o santuário de Nossa Senhora dos Remédios, em Lamego, prosseguem. A afluência ao santuário aumenta e durante o século XVIII os reis foram investindo e melhorando este local de culto que abrangia toda a paisagem. Para melhorar as condições do acampamento, e com o apoio do Rei, inicia-se a construção das hospedarias que vão depois sendo construídas por privados, obedecendo às volumetrias iniciais e prolongando a fiada de casas a sul e a norte ao longo dos anos de 1715 e 1760, numa obra colectiva e vernacular que ficava sob tutela dos Círios Saloios.
A originalidade desta devoção reside no facto de juntar as 26 freguesias saloias em redor de um lugar e de uma imagem de culto e de ver a Nossa Senhora mudar de freguesia cada ano, sendo o local e o momento da entrega exactamente o cabo Espichel e a festa da Ascensão. Chegadas à praia dos Lagosteiros — que se vê lá de cima do cabo — começavam a subida pelas veredas de calhaus soltos acompanhando a imagem de Nossa Senhora montada na mula, até chegarem ao arraial. Este sacrifício era largamente recompensado com a chegada à festa, onde milhares de pessoas acorriam para três dias de descontracção e de alegria. Antes de entrar na igreja, a imagem da Senhora rodeava três vezes o arraial, abençoando-o como acontece em tantas outros locais de culto.
A chegada dos peregrinos ao Cabo Espichel podia também ser por terra, atravessando a península de Setúbal como o fazemos hoje, e tomando a estrada ventosa e deserta que leva ao cabo.
D. João V e D. José adicionaram peças de arquitectura erudita à popular dos peregrinos. A casa de água abobadada e construída num ponto alto em 1770 vem acentuar o efeito de perspectiva do arraial, prolongando-lhe o eixo e criando a tensão necessária entre o vazio do arraial, a igreja a poente e a casa da água a nascente. O eixo é depois marcado pelo cruzeiro, reforçando o efeito de praça aberta num dos lados, qual jogo barroco de perspectivas e distâncias marcadas pelo volume solto da casa de água e da sua escadaria. A composição eleva toda a simples construção das alas da hospedaria a um nível de erudição que Jonh Martin associou à fantástica praça do Capitólio na Roma de Miguel Ângelo.
Olhamos agora para este espaço com outros olhos e esperamos que saiam de lá as roulottes de vendedores do templo, para podermos perceber como um planalto no fim do mundo veio receber ao longo dos séculos a marca humana que se foi fazendo para celebrar dignamente o lugar dos deuses.
Fonte: Público