Mike Stewart disputa campeonato do mundo de bodyboard em Viana

Mike Stewart, um dos criadores do bodyboard está entre os cerca de 80 atletas que vão disputar, de 21 a 25 deste mês, em Viana do Castelo a sexta etapa do campeonato mundial da modalidade, revelou a organização.
“É uma referência, uma figura lendária da modalidade que nos orgulha muito ter em Viana do Castelo”, afirmou esta quinta-feira o presidente do Surf Clube de Viana do Castelo (SCV), João Zamith.
O responsável, que falava em conferência de imprensa no Centro de Alto Rendimento durante a apresentação da prova, sublinhou que Viana do Castelo tem “responsabilidades históricas” no desenvolvimento do bodyboard uma vez que, “em 1994, o SCV conseguiu trazer a prova para a cidade realizando-se, pela primeira vez, fora do Havai, e levando à criação do World Tour”.
A prova de Viana do Castelo que conta com o apoio da Câmara local e da Entidade Regional de Turismo do Porto e Norte de Portugal (ERTPNP), vai decorrer na praia da Arda, em Afife, e contará ainda com a participação do sul-africano Jared Houston, campeão mundial em título.
Zamith adiantou que o clube “tem provas dadas e grande capacidade organizativa”, sendo este o quarto mundial de bodyboard que realiza.
O currículo do clube conta ainda com a organização de “três europeus de bodyboard, três mundiais e europeus de surf e largas dezenas de campeonatos nacionais e regionais”.
O presidente do SCV referiu que este tipo de evento desportivo “tem um impacto muito grande”, estimando “em cerca de 1 milhão o número de pessoas que vão acompanhar, através das transmissões em direto, a etapa do tour mundial”.
João Zamith revelou também que a prova de Viana do Castelo “vai integrar um jogo mundial de bodyboard praticado por milhões de pessoas e que levará bem longe o nome da cidade”.
Na sexta etapa, onde estão em causa quatro mil pontos no ?ranking’ e 25 mil dólares em prémios, vão marcar presença 80 atletas de Portugal, França, Espanha, Brasil, Austrália, África do Sul, Chile, Argentina, Peru, EUA – Hawai, Marrocos e Inglaterra.
Paralelamente, também na mesma data e na mesma praia vai decorrer o mundial de bodyboard de juniores, para atletas sub-18 e com um prémio de dois mil dólares.
Presente no encontro com os jornalistas, o presidente ERTPNP, Melchior Moreira frisou que os eventos desportivos “são um produto estratégico” para a região por “representarem um retorno financeiro fantástico no turismo”.
No entanto, o responsável reclamou a atribuição de “mais apoios para a promoção turística” da região.
“É preciso olhar para o turismo com outros olhos. É preciso mais apoio para a promoção turística. Nós temos capacidade de fazer mais mas precisamos de mais apoios, ou seja, de descentralização do poder central para as áreas regionais” disse.
Elogiou a aposta da Câmara local nos desportos náuticos quer através da construção de equipamentos desportivos quer do programa “Náutica nas Escolas” implementado há três anos.
Já o presidente da Câmara, José Maria Costa referiu que a escolha de Viana do Castelo para o evento mundial “resulta do um trabalho sério, construtivo e de responsabilidade dos dirigentes desportivos que tem sido apoiado pelas entidades públicas”.
“A construção de um conjunto de equipamentos desportivos permitem agora potenciar o território, dando projecção internacional à cidade e ao país”, referiu.
Na véspera do arranque da competição vai decorrer a primeira conferência mundial com o tema “Passado, Presente e Futuro do Bodyboard”.
Além do campeonato do mundo, já nos dias 17 e 18 o SCV vai organizar o campeonato Luso Galaico, entre surfistas galegos e portugueses e vai acolher a Semana Europeia do Desporto.
“Viana é a única cidade em território nacional a acolher um evento oficial da Comissão Europeia, no dia 12 de Setembro, com a presença de 12 associações sociais e cerca de 200 praticantes”, explicou João Zamith.
Fonte: O Jogo

Estaleiros Navais de Peniche: Revitalização aprovada

Os Credores dos Estaleiros Navais de Peniche aprovaram a proposta de recuperação da empresa apresentada pelo administrador judicial no âmbito do Plano Especial de Revitalização (PER).

O Plano de Revitalização, a que a agência Lusa teve acesso, deu entrada este mês no Tribunal de Alcobaça e propõe medidas de reestruturação financeira que assegurem o pagamento das dívidas aos credores, que permitam manter a actividade dos estaleiros e que reduzam a estrutura de custos.

O administrador judicial Jorge Calvete propôs um “programa de continuidade da empresa”, já que o passivo (cerca de 14 milhões de euros) é superior ao activo da empresa (6,1 milhões) e no cenário alternativo de liquidação não haveria recuperação total de créditos.

Por outro lado, justificou, a empresa tem vindo a reconstituir a sua carteira de clientes, tendo contratos fechados até Junho no valor de 3,2 milhões de euros.

Não só com a construção e reparação naval, mas também com o segmento de produção modular para a indústria de gás e petróleo e para o sector das energias renováveis, prevê facturar 6,2 milhões de euros em 2017 e 9,9 milhões de euros em 2020.

Depois de ter reduzido custos, sobretudo com pessoal, de 56 para 28 trabalhadores através de rescisões por mútuo acordo, o plano aponta também para a transformação da dívida de curto prazo em dívida de médio e longo prazo, para aumentar a liquidez da empresa.

“Com a manutenção da actividade e os lucros daí advindos, conseguirá pagar as dívidas aos credores”, conclui o administrador judicial.

O plano estabelece ainda o pagamento integral das dívidas ao Estado, aos trabalhadores, aos fornecedores e à banca.

Em 2014, os Estaleiros Navais de Peniche tinham uma dívida que ascendia a cerca de 14 milhões de euros, distribuídos pelo Estado (1,7 milhões), trabalhadores (800 mil euros), fornecedores (2,3 milhões) e banca (9 milhões), motivo pelo qual houve nesse ano a entrada de novos accionistas, a AMAL – Construções Metálicas, S.A. e a Ultra Ratio, S.A..

Apesar dos esforços de saneamento financeiro, de reinício de actividade e de procura de novas oportunidades de negócio, a empresa continuou a atravessar dificuldades, por não conseguir pagar aos fornecedores e por falta de investimento para executar encomendas, e em Março deste ano recorreu a tribunal a solicitar o PER, qualificando de “muito difícil” a sua situação económica.

As dificuldades da economia angolana “levaram à impossibilidade de abertura de cartas de crédito, o que inviabilizou o arranque das novas construções contratadas” por aquele país.

Sendo Angola o seu principal mercado, a empresa veio a deparar-se com “dificuldades na obtenção de negócio”, que agravaram os problemas que vinha a sentir desde 2014 devido à crise económica e financeira em Portugal.

A empresa possui mais de centena e meia de credores e dívidas de 20,6 milhões de euros, dos quais 674 mil euros aos trabalhadores, de acordo com a lista de credores que consta do PER.

No final de 2014, a empresa atingiu um volume de negócios de 2,8 milhões de euros, registando uma quebra significativa face aos últimos anos (4,8 milhões em 2013 e 11,4 milhões em 2012) e fechou o ano com um prejuízo de 3,3 milhões de euros, superiores aos 1,5 milhões de euros negativos de 2013.


Fonte: Cargo

Ilhas Galápagos: Um paraíso escondido debaixo de água.

O que se esconde nas profundezas das ilhas Galápagos? Foi com esta pergunta em mente que o fotógrafo Octavio Aburto rumou a esta ilha em pleno Oceano Pacífico. Numa expedição organizada pela Fundação Charles Darwin e equipado com a sua máquina, Octavio mergulhou nas profundezas da ilha idílica e por lá encontrou uma imensidão de vida marinha muito além das expectativas.
E se muitos dos locais com maior diversidade de corais e peixes estão a ser invadidos por turistas, as ilhas Galápagos estão a conseguir preservar a natureza do espaço quase intocável. “Os manguezais de Galápagos são um claro exemplo de como eram estas florestas, antes da intervenção humana. As pessoas que lá vivem devem orgulhar-se da condição primitiva que o local mantém”, conta o fotógrafo ao Daily Mail. “Espero que o Parque Nacional dos Galápagos consiga proteger todas estas lagoas costeiras para manter estes habitats e as espécies que lá vivem, para a alegria das gerações futuras”, acrescenta maravilhado com o espaço.
Uma fotogaleria a não perder.
Fotos: Octavio Aburto


Salvador Couto integra a Selecção para o Mundial de Surf Júnior nos Açores

Salvador Couto é o único atleta do norte do país que integra a Selecção de Surf no VISSLA ISA World Junior Surfing Championship, em Setembro, nos Açores.

Salvador Couto, actual campeão nacional Surf Esperanças, vai competir, pela segunda vez, no VISSLA ISA World Junior Surfing Championship.
O evento, que reúne as maiores promessas do surf nacional e internacional, terá lugar, este ano, na Praia do Monte Verde, Ribeira Grande, em São Miguel, entre 16 e 25 de Setembro.
Já no ano passado, em Outubro, o atleta de 16 anos foi um dos convocados do seleccionador David Raimundo para disputar a taça de selecção vencedora e medalha de ouro individual em Oceanside, Califórnia.
“Este ano tenho objectivos ainda mais definidos. Estão a ser meses de muito treino e trabalho, pelo que espero que a Selecção tenha ainda melhores scores do que o ano passado”, afirma Salvador Couto.
Salvador Couto, o único atleta a representar o norte do país, quer levar a equipa das quinas à vitória do Mundial de Surf Júnior.


Movimento Associativo de Pesca vê sector ao "abandono"

O Movimento Associativo de Pesca Portuguesa, constituído por organizações de armadores e sindicatos, exigiu uma audiência urgente com o secretário de Estado das Pescas, considerando que o sector está ao “abandono”.

O Movimento Associativo, reunido hoje, decidiu pedir uma audiência ao Governo, considerando que existem diversos problemas no sector que é preciso resolver de forma urgente.
“Existe um grande desrespeito pelo sector, que se sente ao abandono, pois os problemas não são resolvidos. A Direcção Geral de Recursos Marítimos não dá respostas e demora muito nos processos”, disse à Lusa Frederico Pereira, um dos membros do Movimento.
O sindicalista refere que o sector está preocupado com várias questões, como a Lei de Ocupação do Espaço Marítimo.
“A Lei de Ocupação do Espaço Marítimo é uma das preocupações, tal como as reformas da pesca ou as quotas. São várias questões que não estão resolvidas e o sector exige respeito”, afirmou.
A ministra do Mar apresentou um novo pacote de medidas para a aquicultura, que terá uma dotação de quase 80 milhões de euros e que tem como objectivo duplicar a produção nacional até 2020 e reduzir as importações.
“A ministra anunciou este investimento, mas o que nos incomoda é o abandono que o sector das pescas sente”, referiu Frederico Pereira.
Também Jerónimo Rato, membro do movimento, considerou que o sector tem estado a ser “maltratado”.
“Está tudo como estava, ninguém resolve nada. O tempo vai passando e o sector vai ficando asfixiado. Existe uma grande insatisfação e temos que ser ouvidos, senão temos que tomar medidas de força”, concluiu.
Fonte: AYL// ATR Lusa/fim

Mapa dos Mares Algarvios é projecto pioneiro no país.

Pescadores, mestres e armadores algarvios uniram-se ao Centro de Ciências do Mar num projeto inédito em Portugal. Um mapa com as designações populares usadas pelos homens do mar em 500 pontos ao longo da costa

« Se as casas, áreas e aldeamentos têm nomes porque é que o mar, que é a vida de tanta gente, não há de ter nomes? E ruas?», questionou o mestre Júlio Alhinho, 58 anos, membro da comissão de validação do primeiro mapa da toponímia dos mares algarvios, apresentado ao público na Sala de Seminários da Reitoria do Campus de Gambelas da Universidade do Algarve, em Faro.
Com uma carreira que soma 40 anos, Alhinho considerou «este trabalho muito importante até porque sempre achei que o mapa da costa portuguesa estava muito mal sinalizado. Desde que sou pescador só conheci um mapa, sem actualizações. Nunca vi nada deste género».
A iconografia do novo mapa evidencia o jargão dos pescadores e os nomes que gerações de homens do mar deram ao vários locais ao longo da costa algarvia, e também os termos com que se referem à paisagem marinha. Palavras como Rodãos (rocha isolada), Prezuras (áreas onde se prendem as redes), Cabeços (área elevada e saliente em zonas rochosas), Ramos (gorgónias e corais), são exemplos da gíria.
«Isto é mais do que um mapa. É uma mostra da cultura da comunidade piscatória algarvia. Queremos valorizar estas comunidades e os seus conhecimentos», explicou Jorge Gonçalves, investigador do Centro de Ciências do Mar (CCMAR), especialista nas áreas da pesca e conservação da biodiversidade marinha e coordenador do projecto.
Durante um ano, cinco biólogos marinhos em colaboração com centenas de pescadores dedicaram-se à construção e validação deste documento, que «está agora acessível a toda a comunidade».
A recolha de informação envolveu a realização de 207 inquéritos, durante dois meses, de Aljezur a Vila Real de Santo António. Foram percorridos 17 portos e recolhidos cerca de 7000 entradas de nomes que foram depois reduzidos a cerca de 500 designações, agora presentes no mapa. «Foi com a informação destes inquéritos e a validação da comissão composta por oito experientes mestres que conseguimos realizar este primeiro mapa», referiu Gonçalves.
«O mar tal como a terra tem nomes. Os pescadores dão-lhe vida. Aquele azul infinito que se perde de vista tem nomes dados enquanto referência pelos pescadores. E agora pertencem-nos a todos, mas não deixa de ser uma homenagem e testemunho da identidade e das tradições das comunidades piscatórias do Algarve».

Coroa da Azenha até à Pedra Palametas

Quem olhar o novo mapa ficará surpreendido pela imaginação e a criatividade com que os pescadores algarvios baptizaram as várias zonas ao longo da costa algarvia – Mar da Avozinha, Talão da Couve, Pedra das 49, só para citar alguns exemplos.
«Não temos a certeza da origem nos nomes. Alguns podem ter a ver com o tipo de fundos, por exemplo, o Parte e Rasga, supomos que ali não se devem usar redes. Mas há outros como o Corredor da Makro, que era um marco de terra, um enfiamento para terem uma posição. Outros têm a ver com o objecto da pesca como o Mar dos Pargos, ou com os nomes dos pescadores ou dos pesqueiros que descobriram o sítio como Joaquim Tomas ou a Pedra do Gomes. Outros têm a ver com aquilo que os pescadores imaginavam que seria o fundo como o Mar dos Anzóis, entre muitos outros».

Agradecimento aos profissionais da pesca

Durante a apresentação, em Faro, os investigadores do Centro de Ciências do Mar (CCMAR) da Universidade do Algarve fizeram questão de deixar um profundo agradecimento a todos os armadores, mestres e pescadores envolvidos no processo bem como à comissão envolvida na validação da toponímia, os «lobos do mar»: Casimiro António, Martins da Conceição, Délio Garrafa, Francisco José Afonso Graça, Hélder Correia, Júlio Alhinho e Joaquim Manuel Dias, Joaquim Manuel Ramos e Jorge Vieira.
Não ficou descartada a hipótese de vir a existir uma «segunda fase» ou «edição» deste mapa, uma vez que são esperados melhoramentos e novas contribuições após a sua divulgação. Para já, o documento está disponível em formato digital em na plataforma online do CCMAR.

Projecto inédito em Portugal

«Apesar de a ideia ser muito simples, não conheço nenhum projeto do género em Portugal ou no estrangeiro. Para mim este mapa é um marco e será muito útil», disse Jorge Gonçalves. O projeto «Pesca Mar» foi solicitado pela Barlapescas, a cooperativa dos armadores de pesca do Barlavento.
«Disseram-nos que precisavam de mapear os bancos de pesca do cerco, porque está a haver um processo de licenciamento de aquacultura nos limpos em mar aberto, isto é, nas areias onde têm os pesqueiros. Precisavam de ter mapas dos bancos de pesca, dos sítios onde pescam para servir de argumento a outras aquaculturas que venham por aí e fazerem valer a palavra do sector. E assim foi», explicou o coordenador do projecto.
O mapeamento resulta assim de um projecto de investigação do Centro de Ciências do Mar (CCMAR) da Universidade do Algarve, designado por «PESCAMAP – Mapeamento dos bancos de pesca algarvios» (2014-2015), financiado pelo Programa Operacional Pesca (PROMAR) através dos grupos de ação costeira (GAC) do Barlavento e Sotavento algarvios.
Fonte: Barlavento

Aos 104 anos, mulher italiana vê o mar pela primeira vez

Maria Bernacchi tem 104 anos e garante que o segredo para a sua longevidade está no trabalho e nos bons amigos que fez ao longo da sua vida.

Apesar de ter mais de 100 anos, Maria ainda tem três desejos por realizar, sendo que um deles foi agora concretizado: ver o mar.
Conta o jornal italiano La Stampa que graças a Liliana, a enfermeira que cuida dela, Maria está de férias num mosteiro em Finale Pia situado numa aldeia litoral da região de Liguria, cuja capital é Génova, no noroeste de Itália.
O sonho tornou-se realidade na última terça-feira quando Maria, acompanhada por elementos do mosteiro e nadadores-salvadores colocou os pés na areia.
“Apercebi-me que quando eu dizia ‘mar’ não tinha noção do que é que estava a falar. Ver o mar foi uma enorme satisfação e uma grande alegria para o meu coração, mas sentir a água nos pés foi maravilhoso”, disse a idosa citada pelo jornal La Stampa.
Inicialmente, o plano era de que a estadia tivesse a duração de oito dias, mas Maria e Liliana decidiram alargar o número dias e, assim, vão passar o resto do mês em Finale Pia.
“Agora que descobri o que é o mar não quero ir embora”, afirmou Maria.
Realizado o sonho de ver o mar, Maria tem ainda dois desejos por cumprir. O primeiro é mudar de casa, pois a idosa vive no terceiro andar de um prédio em Milão que não tem elevador. O segundo é conhecer o Papa Francisco que descreve como sendo o seu Papa “preferido” de todos os que viu liderar a Santa Sé. 

Peniche avança com petição para travar petróleo

O movimento Peniche Livre de Petróleo quer levar as preocupações até à Assembleia da República e pede ao Governo que trave a concessão na zona da Bacia de Peniche.


Os contratos em causa não são deste ano, mas tem sido durante os últimos meses que as polémicas se têm tornado cada vez maiores e com mais mobilização social. Um pouco por todo o território, e com especial ênfase no Oeste e Sul do país, os últimos tempos têm sido marcados por movimentos contra a exploração de petróleo e gás em Portugal. No Algarve, a mobilização cidadã assistiu – pelo menos e para já -, ao adiamento dos furos já agendados. Peniche quer seguir-lhe a inspiração e continua a onda de sensibilização para tentar travar as concessões da zona, lançando, este domingo, uma petição pública, na reserva da biosfera das Berlengas.

No total, estão concessionadas 11 áreas espalhadas por todo o litoral português, na zona do Algarve, Alentejo, Peniche e até à Figueira da Foz e em cinco áreas no interior (Aljezur, Tavira, Batalha, Pombal e a aparentemente abandonada concessão do Barreiro), conta o engenheiro do ambiente, João Camargo, co-fundador do movimento Peniche Livre de Petróleo. Camargo destaca que “os adiamentos [no Algarve] não são o fim de nada”. “ Há um machado pendente sobre a cabeça, basta as empresas dizerem que sim”, sintetiza, em conversa com o PÚBLICO, criticando fortemente a opacidade de vários contratos e a indisponibilidade de estudos de impacto ambiental para consulta pública.

Para os representantes do Peniche Livre de Petróleo, a possibilidade de exploração petrolífera tem um preço ambiental e económico demasiado elevado. “A produção de petróleo e gás natural acaba rápido. Depois do período de extracção estas empresas vão embora e o local transforma-se num cemitério de petróleo”, afirma Ricardo Vicente, engenheiro agrónomo e um dos fundadores do movimento. “Se ficarmos desprovidos de património natural, ficamos sem economia local”, analisa com preocupação. Além disso, João Camargo questiona a vantagem económica da exploração em território português, uma vez que primeiro seriam recuperados os custos de pesquisa e desenvolvimento, assim como os custos operacionais de produção, o que no limite, poderia resultar num lucro zero para o Estado português.

Agora, depois de ter desenvolvido as primeiras acções de sensibilização junto da população de Peniche, o movimento organiza uma petição pelo cancelamento dos contratos de prospecção e produção de petróleo na Bacia de Peniche e na Bacia Lusitânica. No texto da petição que começa a circular este domingo, o grupo pede à Assembleia da República que avance com “as acções necessárias” para cancelar os contratos de prospecção, pesquisa, desenvolvimento e produção de petróleo”, localizadas “ao longo de toda a faixa litoral, entre Lisboa e Porto”.

O momento é simbolicamente assinado na Ilha das Berlengas. A escolha foi pensada. “As Berlengas são um local bastante acarinhado pela população, mas são também uma reserva mundial da biofesfera reconhecida pela UNESCO”, justifica Ricardo Vicente. “A escolha recai no facto de ser um local simbólico e não por ser o único em perigo, porque não o é exclusivamente. O impacto ambiental estende-se a uma área muito maior e é não só ambiental, mas económico e social”, sublinha.

Para o movimento, “Portugal deve dar total prioridade à produção de energias renováveis, uma vez que é um dos países europeus com maior potencial. Investir no petróleo é apostar num caminho que está no fim da linha”, insiste Ricardo Vicente.

Também a Quercus se solidariza com movimento e marca oposição “a esta irresponsabilidade”. Ao PÚBLICO, Nuno Sequeira, membro da associação ambientalista, argumenta que a continuidade dos projectos teria consequências “dramáticas” do ponto de vista económico. “É completamente errado. Ao optar por um caminho deste género o país esta a ir contra as linhas que subscreveu na Cimeira do Clima COP-21”, observa o ambientalista. Além disso, “não é compatível termos uma região de turismo de excelência, quer estejamos a falar do Algarve ou de Peniche, que tenha na sua costa este tipo de intervenções”.

Para Nuno Sequeira, “seria muito importante que os concelhos da zona Oeste tomassem posições que salvaguardassem o interesse da região”. “Há uma herança pesada do anterior governo que vincula o actual com uma série de concessões, mas este governo tem de ser muito firme para que estes contratos sejam rescindidos. Tendo em conta todo o debate, a oposição das populações, o Governo deve escutar estas preocupações”, conclui.

Ao PÚBLICO, o presidente da Câmara Municipal de Peniche, disse não ter ainda uma “posição objectiva sobre a questão da exploração de petróleo. “No nosso entender não existe ainda uma situação a assinalar, uma vez o que está em causa até agora são apenas estudos de prospecção”. Em resposta, o presidente da câmara destaca “todo o trabalho que a autarquia tem feito a nível de questões de sustentabilidade ambiental” e exemplifica com a “Magna Carta do desenvolvimento futuro de Peniche”, um documento com mais de três centenas de páginas, assinado em 2007, curiosamente o mesmo ano em que os contratos foram assinados 12 contratos de concessão de direitos de prospecção, pesquisa, desenvolvimento e produção de petróleo, em terra (onshore) e no mar (offshore) que incluem a Bacia de Peniche.

“Não aceitamos lições de ninguém relativamente as questões ambientais porque temos vindo a trabalhar de forma séria para isto”, sublinha o autarca.

Ainda assim, o político eleito pela CDU está consciente da discussão que se tem formado nas últimas semanas e recorda que há 40 anos também ele foi uma das vozes críticas que contestou a construção da primeira central nuclear portuguesa, em Ferrel, Peniche. “Quando quiserem ser recebidos é só dizerem. Estamos disponíveis para participar em debates e receber o movimento e todos os interessados na discussão deste tema”, garante o autarca. “Esta questão da prospecção petrolífera já vem sendo abordada há muitos anos. Não é de agora. Devem ter andado distraídos durante muito tempo”, continua, referindo-se ao grupo.

O autarca acrescenta ainda que a câmara definiu “os caminhos de sustentabilidade” que pretende e avança que “os órgãos municipais poderão ser chamados a tomar alguma posição” aquando uma possível decisão que determine o avanço para a exploração dos recursos.

A onda algarvia inspirou Peniche
A 12 de Agosto a Repsol confirmou que teria adiado a pesquisa de gás natural na costa algarvia, a 40 quilómetros de Tavira, prevista para Outubro depois da população local e de simpatizantes da causa se terem insurgido contra esta exploração. A onda de contestação atingiu uma dimensão nacional e a Assembleia da República acabou mesmo por votar a “suspensão imediata do desenvolvimento da exploração e extracção de petróleo e gás, convencional ou não-convencional, no Algarve”, num projecto de resolução do Bloco de Esquerda (BE), e teve votos contra de PSD e CDS-PP. A Repsol juntou-se assim à ENI e à Galp que também já tinham adiado o furo de prospecção na Bacia do Alentejo, previsto para Julho. No entanto, João Camargo sublinha que esta é uma decisão temporária. Para que exista alguma acção e para que seja revertida a situação para lá de uma solução a curto prazo – conseguida com o adiamento dos furos – será necessário “mobilizar muito mais gente e deve estender-se ao resto do país”. 

Fonte: Público


Hanjin Shipping à beira da falência e do desmantelamento

A Hanjin Shipping, a sétima maior companhia mundial de transporte marítimo de contentores, pediu hoje a protecção judicial de credores, fracassadas que foram as negociações para a reestruturação financeira da empresa. A HMM poderá ficar com os seus principais activos. Ganha a 2M, perde a The Alliance.

A braços com um passivo de cerca de seis mil milhões de dólares, a precisar de 1,2 mil milhões nos próximos 18 meses só para pagar dívida e as despesas correntes, frustradas as negociações com os armadores para a redução dos preços dos fretamentos dos navios e fechada a torneira do crédito, à Hanjin Shipping não restou alternativa a “deitar a toalha ao chão”.
O futuro da companhia poderá passar agora pela venda dos seus principais activos – desde logo, os navios e o network internacional – à Hyundai Merchant Marine (HMM).
Uma fusão entre a Hanjin e a HMM foi várias vezes falada nos últimos meses mas as autoridades sul-coreanas optaram por desincentivar a solução preferindo que fosse o Grupo Hanjin a encontrar uma saída para a crise. Agora, e até porque estão em causa as exportações sul-coreanas, o governo de Seul e o Banco de Desenvolvimento Coreano (DBK), público, poderão favorecer a concentração de activos na HMM.
Com o eventual desaparecimento da Hanjin Shipping (naquela que será, seguramente, uma das maiores falências da história da indústria), a nova The Alliance perderá um dos seus membros mesmo antes de arrancar. A aliança, recorde-se, integrará a Hapag-Lloyd (com a UASC), a MOL, a NYK e a Yang Ming.
Na inversa, com o reforço da capacidade da HMM ficará a ganhar a 2M, que junta a Maersk Line e a MSC, e a que a companhia sul-coreana deverá aderir no próximo ano.
Actualmente, e de acordo com os dados da Alphaliner, a Hanjin é número sete mundial, com uma quota de 2,9% e cerca de 609 mil TEU de capacidade de transporte. A HMM é 14.ª do ranking, com 2,1% e 437 mil TEU.
Fonte: T e N

Preço de contentores cai 15% em apenas um ano


É um mercado vital para a cadeia logística e o seu preço está em queda acentuada. No último ano, o preço médio de um contentor caiu perto de 15%, para valores historicamente baixos. No final de 2015, o preço médio de um contentor situava-se nos 1.550 euros.

Os dados são da Drewry que adianta que a tendência é a de continuação em 2016. Os factores apontados para tamanha quebra são, sobretudo, os custos de produção e de matéria prima cada vez mais baixos, assim como a quebra na procura. O preço chega assim perto dos mínimos históricos de 2001 e 2002. Juntando o factor da inflacção, facilmente se percebe a diferença para esses anos.

A consultora refere esperar «uma quebra ainda maior no preço total para o ano de 2016», adiantando que o preço chegou a situar-se nos 1.150 euros no segundo trimestre. 

Saliente-se que no final de 2015, a frota mundial de contentores era de 37,6 milhões de TEU, num crescimento homólogo de 3,8%. A Drewry refere esperar que o crescimento moderado esteja para ficar dado o  mercado e fala em subidas anuais de 4-5% entre 2016 e 2019.
Autor/fonte: Cargo Edições