Portugal oferece-se na ONU para acolher Conferência dos Oceanos em 2020

A ministra do Mar, Ana Paula Vitorino, anunciou num discurso durante a primeira Conferência dos Oceanos, da ONU, em Nova Iorque, que Portugal pretende organizar a segunda edição do evento, em 2020.

“Quero formalmente anunciar que Portugal se oferece para receber a próxima conferência dos oceanos da ONU, em 2020, na mesma base e com os mesmos objectivos vertidos para esta conferência”, disse a representante portuguesa.
“Fazemos esta oferta como contribuição para – e em linha com o seu acompanhamento – o processo de revisão da Agenda 2030, sob acompanhamento e supervisão do fórum político de alto nível”, acrescentou Ana Paula Vitorino.
Portugal procura, assim, reforçar a sua liderança internacional na área dos oceanos, depois da organização nos anos anteriores de conferências internacionais em Lisboa.
A Conferência dos Oceanos da ONU, que aconteceu em Nova Iorque com a participação de 193 países, é o primeiro evento deste nível que a organização dedica aos oceanos.
A iniciativa terminou com a adopção, por todos os países-membros, de um documento político que foi negociado pelo embaixador de Portugal na ONU, Álvaro Mendonça e Moura, em conjunto com Singapura.

Feira do Mar de Sines inicia-se hoje.

É hoje que se inicia a Feira do Mar 2017  em Sines, com organização do Sines Tecnopolo e da CM Sines que é um evento estratégico para a dinamização da economia do mar, enquanto espaço e tempo de partilha de experiências e de demonstração de projectos, de produtos e de actividades, mas também de divulgação do conhecimento e das oportunidades geradas por este sector junto dos jovens e da população em geral. Este evento contará com uma conferência, acessível por inscrição, subordinada ao tema “Turismo Náutico”, no auditório da Administração dos Portos de Sines e do Algarve, S.A., com um painel de oradores conceituados e de ampla experiência no Sector. Contará também com uma mostra de vários expositores ligados ao sector, desde entidades, empresas e organismos públicos, no recinto da Feira da Mar, na Avenida Vasco da Gama em Sines, onde o público poderá ficar a conhecer os actores chave da economia do mar no âmbito regional e nacional. Nesta mostra poderá também degustar várias iguarias do mar, com vários momentos de showcooking, promovidos pela Docapesca. A Feira do Mar 2017 contará com um conjunto de actividades lúdicas para o público em geral, como o torneio de futebol de praia “Brinca na Areia”, coorganizado com o Sines Surf Clube, aberto a inscrições, e o concurso “Onda de Arte”, onde alunos de escolas básicas do litoral alentejano competirão com obras de arte ligadas ao mar. Poderá também participar em várias actividades, como a visita ao Farol de Sines, “Yoga no fundo do mar”, visitas à lota de Sines, actividades de cariz científico com o CIEMAR da Universidade de Évora, beatismo de stand up paddle, de mergulho e de mar, atividades de cariz desportivo na praia (zumba, GAP e Boot Camp), workshops de suporte básico de vida (adulto e pediátrico), para além das actividades do Centro de Ciência Viva do Lousal e visitas à caravela Vera Cruz, entre outras, também sujeitas a inscrição, mas de acesso gratuito. Poderá também visitar a exposição “Porto de Sines – 40 anos a Mover Portugal”, cortesia da Administração dos Portos de Sines e do Algarve, S.A., no edifício da Docapesca.

Afinal, faz ou não mal urinar no mar?

Pode parecer esquisito, mas agora está confirmado: Fazer chichi no mar não faz mal a ninguém – nem às pessoas, nem aos peixinhos, nem ao oceano. Quem o diz é a American Chemical Society. E de uma maneira bastante engraçada.
Esta associação norte-americana criou um vídeo para explicar o quão insignificante é a nossa urina no meio do oceano. Para além de mostrar que 95% desta é composta por água, o desenho animado explica também que os próprios componentes do chichi facilmente se misturam com os que existem nos oceanos. Por exemplo, a ureia contém bastante nitrogénio, que, quando misturado com água, produz amónio, um complexo químico do qual as plantas marinhas se alimentam.

Para além deste e outros exemplos que comprovam a ‘inocência’ da nossa urina – o vídeo explica outras curiosidades que ajudam a argumentar esta tese – o nosso xixi demora cerca de um minuto a diluir-se no mar.
No entanto, há que ter em atenção que esta conclusão não se aplica a outros espaços aquáticos, como por exemplo as piscinas.
Por isso, de acordo com esta associação norte-americana, não tem que se sentir culpado quando estiver no meio do mar, sentir-se muito aflito para urinar e… não aguentar.
Fonte: Ionline

Eurodeputada madeirense conclui acordo para directivas de segurança no Mar

A eurodeputada Cláudia Monteiro de Aguiar (PSD) foi a relatora do Partido Popular Europeu (PPE) nas negociações tripartidas entre Comissão Europeia, Conselho Europeu e o Parlamento Europeu que permitiram alcançar um conjunto de compromissos que visam reduzir os encargos e a burocracia para o sector marítimo, através da simplificação dos procedimentos de inspecções dos navios e do uso de soluções digitais para a contagem e transmissão de informações dos passageiros. Trata-se de “um acordo fulcral na defesa e segurança marítimas”, considerou a parlamentar madeirense sobre as duas directivas europeias em preparação.
Num comunicado divulgado hoje pelo seu gabinete, a Cláudia Monteiro de Aguiar sublinha que este acordo permite “melhorar a segurança dos passageiros através de uma simplificação de procedimentos e da inclusão de soluções digitais no processo de transmissão das informações”. Em caso de acidente as equipas de salvamento têm ao seu dispor identificação imediata do número de passageiros a bordo e toda a informação necessária de forma mais célere e eficiente.
Já em relação ao regime de inspecções abre-se caminho a “um quadro mais claro, simples e harmonizado para permitir eliminar as sobreposições de inspecções, feitas pelas autoridades nacionais, e tentar enquadrar estas, com outras vistorias existentes”. “Queremos navios operacionais, inspeccionados, mas que consigam estar mais tempo no mar, ao serviço da população, do que atracados nos portos em vistorias muitas deles duplicadas”, acrescenta a mesma nota.
Este acordo sobre as duas directivas será votado no Parlamento Europeu, em Estrasburgo.

Fonte: Dnoticias

A "oitava maravilha do mundo" passou por Lisboa

A capital portuguesa foi uma das paragens do MSC Meraviglia, um dos maiores e mais modernos navios de cruzeiro do mundo, com capacidade para mais de 5.700 passageiros.

Deu nas vistas a chegada do MSC Meraviglia a Lisboa, onde efectuou uma paragem naquela que é a sua viagem inaugural. O navio de cruzeiro é um dos maiores e mais modernos do mundo, não sendo de estranhar que tenha sido apresentado como a “oitava maravilha do mundo”.

Os números ajudam a perceber essa afirmação. O Meraviglia tem 315 metros de comprimento e 65 de altura. Pesa mais de 171 mil toneladas e tem capacidade para receber 5.714 passageiros, uma verdadeira cidade flutuante. E não é para menos. Tem 12 restaurantes, 20 bares, discoteca, casino, spa, lojas e um teatro que vai receber dois espectáculos exclusivos do Cirque du Soleil, durante seis noites por semana.
É o maior navio de cruzeiro construído por um armador europeu e teve um custo de 900 milhões de euros. Segundo Pierfrancesco Vago, presidente do Conselho de Administração da MSC Cruzeiros, o MSC Meraviglia é o primeiro navio a tornar realidade uma visão de inovação “tanto em produto como em design, bem como a tecnologia de última geração e focada no consumidor, de modo a criar experiências de férias inesquecíveis para os viajantes de todas as idades”.
A viagem inaugural do MSC Meraviglia começou em Le Havre, passou por Lisboa e tem como próxima paragens Barcelona, Marselha e Génova.


A vida do capitão Cousteau deu um filme

Chama-se “A Odisseia” e retrata a vida de Jacques-Yves Cousteau, um dos maiores cientistas, investigadores exploradores dos oceanos. Estreou-se ontem nas salas de cinema.

A Odisseia é uma “emocionante aventura” baseada nos factos verídicos do cientista francês que passou a vida a explorar oceanos e que morreu há 20 anos.
Realizado por Jérôme Salle, o filme passa-se em 1948 quando Jacques Cousteau (Lambert Wilson), a sua mulher (Audrey Tatou) e dois filhos vivem numa casa com vista paradisíaca para o Mediterrâneo. Apesar disso, Cousteau só pensa em aventuras.
Depois de conseguir adaptar o regulador da garrafa de ar comprimido ao mergulho, o inventor vai à descoberta de um novo mundo subaquático e, para tal, está disposto a sacrificar tudo o que até então alcançou.
“Demorei vários anos até conseguir um guião que me agradasse”, porque Cousteau “vivia várias vidas no espaço de uma única vida”, explica o realizador Jérôme Salle.
“Cousteau já é conhecido em todo o mundo. E foi há muito tempo”, por isso “o filme permitirá que uma nova geração de jovens o descubra”, diz.
As filmagens decorreram na Croácia, África do Sul, Antártida e Bahamas.
Fonte: TSF

Mexilhão: Um alimento milagroso?

Para além de barato, o mexilhão é fácil de preparar, não demora muito tempo a ficar cozinhado, é sustentável e ainda traz vários benefícios à saúde. Reunidas estas características, chamar “milagre” a este alimento não será um disparate assim tão grande.

Não são precisas muitas explicações para se ficar fã deste bivalve. Lavar em água corrente, colocar na panela sob um refogado, esperar que abram e já está. Esta é uma das formas de prepará-los. Simples, rápida e saborosa.
São encontrados sobretudo em rochas sob uma espécie de cama que liga cada bivalve a outro. Os pescadores usam ancinhos para os capturar, mas nem isso os destrói (se causar danos, estes serão mínimos), tal é a força da sua união.
No que toca à sustentabilidade, o crescimento destes moluscos é aquilo que para tal mais contribui. Porque tal como a preparação, também a reprodução do mexilhão selvagem é rápida.
Mas entre mexilhões de aquacultura ou selvagens, a escolha recai sobre os primeiros. Porquê? É simples: a aquacultura deste molusco é muito pouco dispendiosa, tendo em conta que não necessitam de fertilizantes nem de comida. E os mexilhões ainda limpam os oceanos, uma vez que removem algumas partículas tóxicas da água enquanto comem, o que equilibra os níveis de oxigénio.
No que à saúde humana diz respeito, o mexilhão também dá uma mãozinha. É rico em ómega 3 (quase tanto quanto o salmão), proteína, vitaminas C e B12, ferro e zinco. E isto significa um risco de inflamação reduzido, imunidade fortalecida, probabilidades mais baixas de desenvolver certos tipos de cancro, melhor funcionamento do cérebro, entre tantos outros benefícios.

E POR CÁ, O MEXILHÃO TAMBÉM MEXE

Em Dezembro de 2014, Portugal tornou-se o primeiro país mediterrânico com mexilhões sustentáveis. A certificação internacional foi concedida pela Marine Stewardship Council (MSC) a uma empresa algarvia, a Companhia de Pescarias do Algarve.
Simples, saboroso, sustentável. Os três “s” que melhor definem este molusco. A estes, pode acrescentar-se um “p”, de português. Se é realmente milagroso não sabemos. Mas que parece bom demais para ser verdade, lá isso parece.

Fonte: Visão

Há mais emprego qualificado no Mar

No 1 de abril cruzou-se a barreira. No fã nº 1 de peixe da União Europeia, Portugal, a Plataforma de Organizações Não Governamentais Portuguesas fez ver que, se apenas consumíssemos pescado de águas nacionais, o resto do ano seria vegetariano ou à base de carne. O alerta tentou sensibilizar para um consumo sustentável mas também para a necessidade de diversificar a oferta e certificar a origem dos produtos marítimos. Por outro lado, pode ser visto como um ‘olá’ à aquacultura. O problema não é unicamente português. A urgência de novas formas de ver e explorar o mar está na ordem do dia e do mundo. Prova disso é que, esta semana, as Nações Unidas debatem-no em Nova Iorque, por ocasião do Dia Mundial dos Oceanos (quinta-feira).

DE ONDE VEM E PARA ONDE VAI

Foi a pensar em como as novas tecnologias poderiam ter impacto na indústria marítima tradicional que a Bitcliq conseguiu espaço no mercado. A empresa das Caldas da Rainha especializou-se no desenvolvimento de software, focando-se na rastreabilidade digital, um pouco por acaso. “Éramos quatro engenheiros [em 2014], e lançaram-nos o desafio de gerir uma frota [pesqueira] no Gana. Era um projecto em que outras grandes empresas já tinham falhado”, relata Pedro Manuel, sócio fundador da Bitcliq, para explicar em que consiste o Smart Fishing Software. O sistema fornece aos gestores de frotas informações em tempo real para uma visão global sobre as operações em terra e no mar. “Hoje trabalhamos com tecnologia que pesca 30 mil toneladas e estamos a entrar no mercado asiático”, actualiza o engenheiro.
O crescimento explica-se pela procura crescente de tecnologias que permitam obter informação sobre a origem e características do produto, a par da urgência da sustentabilidade do mar. Está-se a “acrescentar transparência na cadeia de valor, o que é uma exigência cada vez maior por parte de quem consome”, afirma. Para sustentar a expansão, a empresa terá de duplicar, a curto prazo, a equipa técnica, prevendo contratar mais 10 engenheiros de software, mas também investindo nas áreas comercial e de marketing. “Há muita concorrência a nível global”, justifica o director executivo.

MEGAPARQUE, MICROALGAS

Longe de guelras e barbatanas, “o contributo da economia do mar é muito baixo para o seu potencial”, tanto porque as suas profundezas são um lugar inóspito como por razões que se desconhecem, na opinião de Sérgio Leandro, do Instituto Politécnico de Leiria (IPL), que abordará mais adiante as movimentações em torno do mar de Peniche. Se “mais facilmente se foi à Lua do que ao fundo do oceano”, como diz, parece não haver ‘desculpas’ para não explorar os recursos junto à costa.
É sob este pensamento que, ainda antes do verão, começa a ser construído o parque Algatec, no concelho de Vila Franca de Xira. Nos 14 hectares onde, até aos anos 50, foi explorado sal e, mais tarde, o grupo Solvay desenvolveu aquacultura, vão crescer diferentes espécies de microalgas, culminando naquilo que será um dos maiores centros de produção a nível europeu. Estima-se que este campo aquático, com vista para a cosmética, a área alimentar ou os biocombustíveis, consuma 2000 toneladas de dióxido de carbono por ano.
A escolha geográfica não foi aleatória. “Era preciso sol e água”, concretiza Nuno Coelho, da A4F, a entidade gestora do parque. Mas também são precisas pessoas. Pela dimensão do projecto, a empresa antevê a contratação de 100 profissionais nos próximos 18 meses — 10 para a equipa laboratorial, 40 para áreas operacionais e de manutenção e 50 mestrados e doutorados em diferentes engenharias, como a biológica, a química ou a mecânica. “Já trabalhámos numa das maiores unidades do mundo de produção de microalgas, e as pessoas conhecem-nos e querem trabalhar connosco”, diz Nuno Coelho. Ao mesmo tempo, “a oferta de trabalho nesta área não é muita”, pelo que o responsável não prevê dificuldades no recrutamento, suportado tanto pela empresas como, espera-se, pelos apoios advindos do Portugal2020 e do Mar2020.

START ME UP

Voltando à zona oeste, se Peniche ficou famosa pelas ondas do surf, também quem lá estuda tem os olhos voltados para o mar. É pelo menos esta a versão de Sérgio Leandro, da Escola Superior de Turismo e Tecnologia do Mar (integrado no IPL), que explica que, “por causa do espírito empreendedor dos estudantes”, começaram a surgir empresas ligadas à ‘economia azul’. Foi por isso que o Biocant, a Docapesca, o IPL e a Câmara Municipal de Peniche concertaram a intenção de investir cinco milhões de euros para a criação de um parque tecnológico em instalações devolutas junto ao porto da cidade.
As actividades piscatórias começam, assim, a conviver com empresas de inovação tecnológica, como a Pen Wave, que em pouco mais de dois meses angariou 20 a 30 clientes interessados nas suas microalgas e pequenos crustáceos; ou a I&D Food, consultora em projectos de investigação ligados ao mar que, em menos de um ano, faz consultoria para uma centena de clientes e análises laboratoriais para 500. As duas startups empregam mais de 10 trabalhadores qualificados, e o crescimento é uma forte probabilidade.

Fonte: Expresso

Índia: Portos abastecidos a 100% com Energia Verde.

Ainda que a sustentabilidade e as mudanças climáticas sejam assuntos importantes e em pauta há décadas, nem todos os países concordam sobre as medidas a serem tomadas para suavizar o impacto da humanidade no planeta. Enquanto os EUA saem de um dos maiores acordos do ramo, depois da decisão tomada por Donald Trump, a Índia vai pelo caminho contrário e mostra o que é possível fazer quando há um foco nas soluções de energia verde.
Num anúncio feito na semana passada, o governo local explicou que todos os 12 grandes portos do país serão alimentados 100% por fontes de energia renováveis – mais especificamente instalações eólicas e solares. A ideia é que, até 2019, o sistema consiga gerar cerca de 200 megawatts de energia para as docas, com esse número podendo saltar para até 500 megawatts nos anos seguintes.
Desse montante a expectativa é que 75% de toda a alimentação seja feita por painéis solares, enquanto o restante deve originar-se num parque eólico instalado na costa do país. “Esses projectos de energia renovável vai ajudar na redução da emissão de carbono e levar a melhorias ambientais em torno dos portos”, analisou o governo indiano ao comentar o assunto.
O facto de os portos da região serem financeiramente autos-sustentáveis ajuda bastante na implementação dessa empreitada. Isso porque, como já era de se imaginar, o custo das mudanças na infraestrutura não é nada baixo. Estimativas iniciais sugerem que a brincadeira não deve sair por menos de 77,6 milhões de dólares aos cofres públicos. A vantagem é que, uma vez que o novo sistema estiver funcional, será possível economizar uma soma considerável nos gastos feitos junto à rede eléctrica convencional.

Correntes de Retorno: O "truque" mais mortal dos Oceanos

Já deve ter ouvido falar nas perigosas correntes de retorno. Se não ouviu, preste muita atenção. Elas são um dos maiores perigos para banhistas em todo o mundo. Estas correntes são fluxos de água que saem das praias em direcção ao mar, e aumentam de velocidade subitamente. Pior: elas geralmente localizam-se entre ondas violentas e parecem uma parte calma do mar, o que pode seduzir banhistas inexperientes. Quem estiver dentro de uma e não souber o que fazer pode correr sério risco de vida. A cada ano, mais de 100 banhistas afogam-se nos EUA devido às chamadas correntes de retorno, canais de água fortes que puxam os nadadores para longe da costa, de acordo com a associação de salva-vidas dos EUA (USLA). Não há uma estatística que mostre quantas mortes no Brasil estão relacionadas a este fenómeno, mas casos também já foram registados.
Quase metade de todos os resgates feitos por salva-vidas em praias oceânicas no mundo estão relacionados com correntes de retorno, de acordo com a USLA. Para se ter uma ideia, os tubarões tipicamente matam apenas cerca de seis pessoas por ano em todo o mundo.

Como elas funcionam

Uma percepção comum é que estas correntes puxam nadadores para debaixo de água; na realidade, elas são correntes fortes e estreitas que fluem para longe da praia. “Essencialmente, elas são rios dentro do mar”, diz Wendy Carey, especialista em perigos costeiros do Delaware Sea Grant Advisory Service, da Universidade de Delaware, nos EUA. “As pessoas começam a afundar por causa do pânico, e sentem que a corrente está puxando-as para baixo”,explica Carey. 
“Não há nenhuma corrente que o puxará para baixo no oceano”, garante. 
Existem muitos tipos diferentes de correntes de retorno, e elas formam-se de várias maneiras. Alterações rápidas na alturas das ondas, que ocorrem quando um grande conjunto de ondulações acontece, pode desencadear uma corrente de retorno. Elas também podem ocorrer em pontos onde há uma ruptura num banco de areia. Lá, a água é praticamente jogada numa espécie de funil para fora ao mar. Estes canais em bancos de areia ficam perto da praia. Quando a água retorna ao oceano, segue o caminho de menor resistência, que é tipicamente através desses canais. Fortes correntes de retorno também muitas vezes aparecem ao lado de estruturas como cais e molhes (longas e estreitas estruturas que se estende em direcção ao mar),explica Carey. Ondas quebrando são os ingredientes chave para todas as correntes de retorno. “Se não houver ondas quebrando, não haverá correntes de retorno”, diz Carey. O risco de se deparar com correntes de retorno é determinado por muitos factores, incluindo o tempo , as marés, as variações locais na forma da praia e como ondas quebram na costa. Algumas praias podem ter correntes assim quase todo o tempo, enquanto outras praias quase nunca vêem estes fluxos perigosos.
Estas correntes fortes e frequentemente muito localizadas podem levar nadadores distraídos ao mar. As correntes geralmente se movem de 0,3 a 0,6 metros por segundo, mas as mais fortes podem puxar 1,6 metros por segundo. Esse é o mesmo ritmo de um nadador recordista olímpico, aponta Carey. “Mesmo um nadador olímpico iria ser arrastado numa corrente de retorno”, afirma ela.
Correntes de retorno podem acelerar dramaticamente num curto espaço de tempo. O fluxo instável de uma corrente dessas é semelhante a ficar de pé em um rio. O fluxo forte pode varrê-lo para fora do chão, diz Carey. “Um adulto de pé na água até a cintura em uma corrente de retorno teria dificuldade em permanecer no mesmo lugar”, garante.
Ondas pesadas podem accionar uma corrente de retorno súbita, mas correntes de retorno são mais perigosas quando acontecem durante a maré baixa, quando a água já está puxando para longe da praia.

Conhecendo o inimigo

No passado, as correntes de retorno foram às vezes chamadas de marés de retorno, o que era um erro, diz Carey. “As marés são mudanças muito lentas no nível da água e por si mesmas não induzem uma corrente de retorno”, disse ela. “Uma corrente de retorno não é uma maré”.
Os cientistas vêm estudando estas correntes por mais de 100 anos. Na década passada, os avanços nas técnicas de medição deram muitas ideias novas sobre como essas correntes complicadas funcionam. Os investigadores agora conseguem colocar GPS na rebentação para controlar com precisão os movimentos e velocidades actuais. Aparelhos semelhantes aos sonares revelaram o funcionamento interno das correntes de retorno. Estes perfiladores acústicos enviam pulsos de alta frequência de som que atingem e reflectem nas partículas da água. O instrumento mede a frequência deste sinal de retorno – se a partícula (e a água circundante) estiverem afastando-se do instrumento, o sinal terá uma frequência mais baixa, e se estiverem movendo-se em direcção ao instrumento, o sinal de retorno terá uma frequência mais elevada.
Medições de laser altamente detalhadas do ambiente da praia também mostram como água e a topografia se combinam para desencadear correntes. “Há uma nova compreensão do fluxo e do comportamento das correntes de retorno”, afirma Carey.

Como detectar uma corrente de retorno

Sobreviver a uma corrente de retorno começa antes mesmo de entrar na água, alerta Carey. “Evitar é a coisa mais importante: nade numa praia protegida por salva-vidas e converse com o salva-vidas de plantão sobre as condições do oceano para o dia”, recomenda ela. “Também é muito importante saber nadar e flutuar antes de se aventurar até o fundo do oceano”.
Aprender a detectar uma corrente de retorno pode ajudar a evitar ser apanhado pela mesma, acrescenta a especialista. Por exemplo, as correntes de retorno acima dos canais profundos de bancos de areia parecem remendos calmos da água. Estas águas mais calmas estão muitas vezes entre turbulentas ondas que se quebram, apresentando um caminho convidativo para banhistas inexperientes, e é aí que mora o perigo “Às vezes as pessoas inadvertidamente entram na água num dos locais mais perigosos apenas porque a área parece calma”, conta Carey.
Os seguintes recursos também poderiam sinalizar que há uma corrente de retorno na água, de acordo com a USLA:
  • Um canal de água agitada
  • Uma área com uma cor diferente do resto da água
  • Uma linha de espuma, algas ou detritos que está se movendo para o mar
  • Uma pausa nas ondas
Mesmo senão detectar qualquer um desses sinais, uma corrente de retorno poderia ainda estar em andamento. A USLA recomenda usar óculos polarizados para ver essas características do oceano com mais clareza.

Como sobreviver a uma corrente de retorno

É fácil ser apanhado numa corrente de retorno. Na maioria das vezes, isso acontece na água até a cintura, dizem os especialistas. Uma pessoa mergulha sob uma onda, mas quando ressurge da água descobre que está muito mais distante da praia e ainda está sendo puxada para longe.
O que a pessoa que está nesta situação faz em seguida pode decidir o seu destino.
Aqueles que entendem a dinâmica das correntes de retorno aconselham, acima de tudo, calma. O segredo é conservar energia. A corrente de retorno é como uma gigante esteira de água que não pode desligar, por isso não faz nenhum bem tentar nadar contra ela. Isso só vai fazer cansar, o que pode ser fatal quando se está longe da costa.
“Mesmo pequenas correntes podem fluir mais rápido do que uma pessoa pode nadar. Não deve tentar nadar contra a corrente”, aconselha Carey.
Correntes de retorno são frequentemente estreitas, e a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA) e a USLA sugerem tentar nadar na horizontal, paralelamente à costa e para fora da corrente. Uma vez que tenha saído da corrente, pode começar a nadar de volta à costa.
“Pode querer nadar em direcção aonde as ondas estão quebrando”, diz Carey. “Isso pode ajudar a guiá-lo para fora da corrente”.
No entanto, se é muito difícil nadar lateralmente para fora da corrente, tente flutuar ou pisar no fundo e deixe a natureza fazer o que deve fazer. Vai sair fora da corrente em algum ponto e pode então fazer o seu caminho de volta para a costa. As últimas pesquisas indicam que muitas correntes de retorno voltam para a costa, e poderiam transportar nadadores encalhados juntamente com o retorno da corrente. Mas nem todas as correntes de retorno agem desta forma, alerta Carey, portanto nadar paralelamente à costa ainda é a primeira recomendação dos especialistas.
Se nadar não parece estar funcionando para si, conserve a sua energia flutuando ou pisando no fundo. Quando conseguir fazer isso, tente chamar a atenção de alguém em terra, de preferência um salva-vidas.
Caso veja alguém ser apanhado numa corrente de retorno, não se torne também uma vítima ao tentar entrar lá para salvar o banhista desprevenido. Isso provavelmente só vai causar dois afogamentos, e não um. A USLA sugere que:
  • Obtenha ajuda de um salva-vidas.
  • Se um salva-vidas não estiver disponível, ligue para o número de emergência.
  • Não tente resgatar a pessoa, a menos que seja o último recurso e tenha uma jangada, prancha de Bodyboard ou colete salva-vidas consigo. Se chegar suficientemente perto da vítima, jogue para a pessoa um dispositivo flutuante como um colete salva-vidas ou tubo insuflável.
  • Também pode gritar instruções sobre como escapar de uma corrente de retorno para a pessoa encalhada.
“Há muitas histórias trágicas em que alguém entrou numa corrente para tentar salvar alguém e ambos se tornaram vítimas de afogamento”, alerta Carey.
Fonte: Hypescience