Pesca da sardinha deve ficar suspensa em 2018

Parecer é do Conselho Internacional para a Exploração do
Mar, entidade científica consultada pela Comissão Europeia
A pesca da sardinha deverá ser proibida em 2018 em Portugal
e Espanha, face à redução acentuada do ‘stock’ na última década, refere o
parecer do Conselho Internacional para a Exploração do Mar (ICES) divulgado.
“Deve haver zero capturas em 2018”, recomenda o
ICES, entidade científica consultada pela Comissão Europeia para dar parecer
sobre as possibilidades de pesca, com base nos seus estudos dos ‘stocks’.
Segundo aquele organismo, o ‘stock’ de sardinha tem vindo a
decrescer de 106 mil toneladas em 2006 para 22 mil em 2016.
Contudo, aponta para vários cenários de capturas,
estabelecendo como limite 24.650 toneladas.
O Conselho Internacional para a Exploração do Mar reconhece
que a avaliação do desenvolvimento do ‘stock’ “é ligeiramente mais
pessimista” do que as anteriores, pela estimativa de decréscimo.
Por um lado, sustenta, tanto o recrutamento, como a biomassa
existente atingem o “nível histórico mais baixo”, motivo pelo qual
Portugal e Espanha, no plano de gestão do ‘stock’, deverão ir além de uma
“gestão precaucionária” e constatar que os recursos estão abaixo do
Rendimento Máximo Sustentável (MSY).
Já em 2016, o organismo científico recomendava que Portugal
devia parar por completo a pesca da sardinha durante um período mínimo de 15
anos para que o ‘stock’ de sardinha regresse a níveis aceitáveis.
Na sequência do parecer, a Comissão Europeia esclareceu que
Bruxelas não tomou qualquer decisão sobre a pesca da sardinha.
Portugal e Espanha rejeitaram o cenário de proibição de
pesca da sardinha, e acordaram, no respetivo plano de gestão, fixar em 23 mil
toneladas o limite de capturas anual.
Portugal divide a quota de pesca de sardinha com Espanha,
autorizada a pescar o restante do limite de 17 mil toneladas.
Portugal adoptou um modelo de gestão da pesca de sardinha
participado pelo sector, com uma comissão de acompanhamento com pescadores,
cientistas, industriais de conservas, comerciantes, representantes sindicais e
Organizações Não Governamentais (ONG), além de ser concertado com Espanha.
As medidas de gestão incluíram limites de captura diários,
mensais e semestrais e períodos alargados de defeso.
Em paralelo, o Governo decidiu reforçar as campanhas
científicas desenvolvidas pelo Instituto Português do Mar e da Atmosfera
(IPMA), destinadas a recolher informação sobre o estado dos ‘stocks’.

Fonte: DN

Pesca artesanal e aquicultura com subsídio ao preço da gasolina

Governo vai atribuir à pequena aquicultura o subsídio que já estava previsto no Orçamento para 2017 para a pequena pesca artesanal e costeira.
O subsídio, que está previsto na última versão preliminar do Orçamento de Estado para 2018 (OE 2018) a que o Expresso teve acesso, consiste num “desconto no preço final da gasolina consumida equivalente ao que resulta da redução de taxa aplicável por força do disposto na alínea b) do nº3 do artigo 93º do Código dos Impostos Especial de Consumo (IEC) quanto ao gasóleo consumido na pesca”.
Ou seja, segundo o IEC, em causa estão embarcações utilizadas na navegação marítima costeira e na navegação interior, à exceção da navegação de recreio privada, e a embarcações utilizadas em operações de dragagem em portos e vias navegáveis, excluindo a extração comercial de areias que não vise o desassoreamento.
O Governo vai então regulamentar, através de portaria, o subsídio em questão, identificando os seus beneficiários, determinando o montante em função do número de marés e consumo de combustível e os procedimentos a adotar na concessºao do subsídio, pode ler-se na última versão da proposta do OE 2018.
A proposta de OE 2018 prevê ainda a majoração, de €0,03/litro, dos subsídios para pequenos agricultores, pequenos aquicultores e pequena pesca artesanal e costeira que utilizem gasóleo colorido, com um consumo anual até mil litros.
Fonte: Expresso

Joana Schenker. Das praias de Sagres até ao título mundial

A portuguesa sagrou-se campeã mundial profissional de
bodyboard na Nazaré, juntando esta conquista à do europeu
Foi um triunfo digno de um filme de Hitchcock, com Joana
Schenker a ser eliminada nos quartos-de-final do Nazaré Pro, na praia do Norte,
pela concorrente directa ao título, Alexandra Rinder, hispano-germânica das
Canárias que já leva dois títulos mundiais. Mas a portuguesa viria a beneficiar
da posterior eliminação de Rinder e da brasileira Isabela Sousa, a outra
pretendente à coroa de campeã, na ronda seguinte, frente às japonesas Ayaka
Suzuki e Sari Ohhara, respectivamente. E sagrou-se campeã mundial de bodyboard.
Desfecho surpreendente mas que não poderia ser melhor para a
portuguesa que, assim, evitou levar a decisão do título mundial para as
Canárias, derradeira etapa do circuito e casa de Alexandra Rinder.

Com este feito, Joana inscreveu o seu nome na galeria do
desporto português numa categoria inédita: a dos campeões do mundo de desportos
de ondas. É certo que já houve quem carregasse esse título , mas
esta filha de alemães, nascida em Faro e baptizada para o bodyboard nas ondas de
Sagres, é a primeira cidadã portuguesa a vencer um circuito profissional de uma
modalidade de surfing.

“Sinto-me realizada. Era um sonho muito distante que se
tornou realidade, de repente, num mês. Mas fico muito feliz em trazer este
título mundial para Portugal. Porque este país já merecia, e por todo o carinho
e força que tenho recebido de toda a gente desde que surgiu esta possibilidade
do título”, disse.
Este primeiro lugar de Joana é o ponto mais alto de um
percurso de domínio nacional e europeu da modalidade. Tetracampeã nacional e
tetracampeã europeia, o Mundial era o passo lógico mas que poucos se atreviam a
prever, apesar do quarto posto no circuito APB do ano passado.
Perspetiva que mudou radicalmente com o triunfo no Sintra
Portugal Pro, a etapa mais importante do ano, com uma premiação de 4000 pontos.
“Sintra abriu-me a porta para este cenário e foi aí que comecei a pensar
no título. Era um sonho, mas este ano não estava nos planos, que passava apenas
pelo top 8 mundial”, confessou.
A praia do Norte marcou o culminar de uma viagem que começou
umas centenas de quilómetros a sul, em Sagres, onde os alemães Ute e George
escolheram fixar-se e criar as quatro filhas, encantados pela paz, o sol e o
mar da região algarvia.
Criança apaixonada pela natureza, ligação que a levou a
abraçar o vegetarianismo aos 10 anos depois de uma viagem à Índia, cedo Joana
se sentiu atraída pelo mar e pelo bodyboard, modalidade de ondas rainha na
região. “Sempre fui obcecada pelo mar. Era difícil viver ali e não o ser.
Todos os meus amigos faziam bodyboard, pelo que acabei por ser arrastada. E
depois foi uma paixão que ficou”, recordou.
O sucesso competitivo demoraria a chegar, também enleado num
estatuto de cidadania dúbio. Joana competiu durante anos com a bandeira alemã e
viu um título nacional negado, em 2013, por ainda não ter B.I. português. Foi
uma dura chamada de atenção para Joana, que só então resolveu o processo, graças
à ajuda da Federação Portuguesa de Surf. Desde aí, não mais deu tréguas à
concorrência, sempre orientada por Francisco Pinheiro, o “companheiro,
treinador, psicólogo e tudo o que for preciso”, carismático competidor
nacional tornado treinador que foi o primeiro a reconhecer em Joana o talento
que, ontem, a sagrou rainha do bodyboard mundial.

Fonte: DN


Está a “nascer” um novo país (feito de lixo dos oceanos)

O ex-vice-presidente dos EUA, Al Gore, e a actriz britânica Judi Dench encabeçam a campanha que pretende transformar as toneladas de lixo que se acumulam no Oceano Pacífico num novo país – que já tem bandeira, moeda e até uma rainha.
Não é segredo nenhum que há uma enorme quantidade de plástico a flutuar no Pacífico Norte. Mas numa tentativa desesperada de resolver o problema, um grupo de ativistas está a tentar uma nova abordagem.
Os ambientalistas envolvidos nesta campanha querem consciencializar o mundo para o problema da poluição no mar e já fizeram o pedido formal às Nações Unidas para que as chamadas “Ilhas Lixo” sejam consideradas oficialmente um novo país.
Estão em causa grandes quantidades de resíduos oceânicos e de plástico localizados no Pacífico. Para se ter uma ideia da dimensão do problema, trata-se de uma área semelhante à ocupada pela França.
Assim, os ambientalistas apelam a António Guterres, secretário-geral das Nações Unidas, para que aceite transformar as “Ilhas Lixo” num país oficial.
Al Gore, ex-vice-presidente dos EUA e conhecido também pelo seu activismo em prol do ambiente, é o primeiro cidadão honorário do pseudo-país. E a campanha já conseguiu chamar outros grandes nomes. Judi Dench, vencedora de um Óscar pelo papel de Rainha Elisabete I, aceitou tornar-se na rainha das “Ilhas Lixo”, conforme reporta a agência Reuters. A campanha conta, ainda, com o apoio do atleta olímpico britânico Mo Farah.
Queremos encolher esta nação. Não queremos mais nenhum plástico a fazê-la crescer”, destaca Al Gore num testemunho de divulgação da pretensão dos ambientalistas. No mesmo vídeo, o ambientalista destaca a degradação dos oceanos, “essenciais à nossa sobrevivência”, e reforça que esta é uma das medidas de combate à poluição mundial.
Todos os anos, cerca de 8 milhões de toneladas de plástico invadem o mar e matam 1 milhão de aves marinhas, relembra o ator Ross Kemp que também faz parte da iniciativa e que pede o reconhecimento do território como país.
Além dos milhões de toneladas de plástico, as “Ilhas Lixo” já têm muitas outras coisas que as põem em pé de igualdade com qualquer outro país. Uma bandeira que representará o país emergente consiste num céu branco, água azul e uma garrafa de plástico verde. E, se por acaso, quiser ir às compras naquele território, dinheiro não vai faltar.
moeda oficial “Detritos” vem em notas de 20, 50 e 100, com imagens das tartarugas, focas, baleias e polvos a serem asfixiadas pelo lixo flutuante. E até pode obter um passaporte que, claro, será feito a partir de material reciclado. A partir daqui, pode vir um hino nacional, eleições e até uma seleção nacional de futebol.
A ideia é chamar a atenção para a poluição do mar, numa altura em que surge o receio de que em 2050, haja mais plástico do que peixes no oceano.
Ao mesmo tempo, corre uma petição, aberta a todos os cidadãos, para que se possam tornar cidadãos das Ilhas do Lixo, cumprindo assim um dos quatro requisitos para aquele território ser considerado um país – ter população.
Os restantes três requisitos são um território definido, um Governo e a capacidade de interagir com outros Estados. Até ao momento, mais de 100 mil pessoas já assinaram (faltando menos de 40 mil para chegar ao objectivo de 150 mil assinaturas) a petição e são agora cidadãos das Ilhas do Lixo.
O texto da iniciativa cita a Carta Ambiental da ONU que determina que “todos os membros devem cooperar num espírito de partilha global para conservar, proteger e restaurar a saúde e a integridade do ecossistema da Terra. O que, em poucas palavras, significa que ao tornar-se num país, outros países são obrigados a limpá-lo“, concluem os autores da petição, Michael Hughes e Dalanto Almeida.
Fonte: ZAP

O plano de Cyrill Gutsch para limpar os oceanos

Entrevista FashionNetwork com Cyrill Gutsch

Cyrill Gutsch tem um sonho: eliminar o plástico dos oceanos do mundo. Esta sexta-feira, 13 de outubro, a Adidas começa a comercializar a sua nova linha de sapatilhas high-tech e ecológicas Parley, a mais recente iniciativa para transformar o plástico retirado dos oceanos em produtos de marca. Há dois anos, Gutsch associou-se a Pharrell Williams, que criou para a G-Star a coleção “Raw for the Oceans” em tecido biónico, feita de plástico reciclado retirado do mar.


A primeira linha de calçado com a Adidas, no ano passado, foi feita a partir de uma rede de pesca de 74 quilómetros, resgatada do mar. Pesando 70 toneladas, a rede foi atirada ilegalmente para o oceano após uma perseguição a um caçador ilegal de atum, realizada pelo capitão Paul Watson, fundador da Sea Sheperd. As sapatilhas mais recentes são fabricadas a partir de plástico apanhado na costa das Maldivas.

 
Erman Aykurt, diretor criativo sénior da Adidas Originals, disse: “Escolhemos um estilo visual dos anos 90, centrando-nos nas necessidades dos atletas. O nosso mote é ‘Tudo o que é essencial e nada que não o seja’. Este é um compromisso a longo prazo com a Parley e um novo diálogo.” As sapatilhas Parley são lançadas em edições limitadas de cerca de 10 mil unidades e custam cerca de 200 euros. Apropriadamente, são disponibilizadas em azul Pacífico ou azul Egeu.
 
Constantemente ocupado, Gutsch está em negociações com cerca de 700 corporações e também negociou um acordo entre a Parley e a Anheuser Busch, a maior cervejeira do mundo, para parar toda a sua produção de garrafas de plástico para refrigerantes. Falámos com Gutsch em Londres sobre as últimas novidades da Parley.  

FashionNetwork.com: Porquê trabalhar com a Adidas?

 

Cyrill Gutsch: Eu trabalhei para Adidas quando era um miúdo de 18 anos. Quando comecei a Parley, quis trabalhar com a Adidas. Mais do que uma marca, esta era uma estrutura orgânica composta por muitas pessoas teimosas. Difícil de controlar, mas com uma grande tradição de misturar inovação e performance tecnológica. E demorou dois anos, mas chegámos lá e agora somos como família.
 

FNW: Por que chamou Parley ao seu grupo?

C.G: Parley significa negociação, neste caso com o mar. É um facto: estamos a matar tudo o que ali está – consciente ou inconscientemente –, e muito rapidamente. A poluição plástica marinha está a matar todos os nossos oceanos. 


FNW: Por que fundou a Parley? 

 
C.G: Conheci o capitão Paul Watson num escritório de advocacia. Ele parecia uma versão pirata do Pai Natal. Tinha acabado de sair da prisão e continuava a lutar pelo meio ambiente. Eu era completamente inútil do ponto de vista ambiental e nem sequer votava, mas nesse dia comecei a aprender sobre os oceanos. Esse encontro foi apocalíptico.
 

FNW: O que fez nas Maldivas? 

C.G: Na Jamaica, no Sri Lanka ou nas Maldivas, grande parte do nosso trabalho trata-se simplesmente de limpar o lixo. De intercetar o máximo que conseguirmos a nascente ou limpar os recifes ou o fundo do mar. Já encontrámos milhares de pneus de automóveis, porque as pessoas costumavam usá-los para construir “recifes naturais”, mas acabaram por criar baldios tóxicos. E, claro, as redes de pesca abandonadas, que continuam a apanhar peixes anos depois de terem sido descartadas, num interminável ciclo de morte. Depois reciclamos estes materiais, desenvolvemos tecido biónico, de acordo com uma tecnologia patenteada que usa plásticos de baixa qualidade. A Parley está também a construir estações de triagem do plástico para ser reciclado e escolas para educar as crianças para a ecologia. Só no Pacífico Norte existem 18 mil toneladas de plástico!
 

FNW: Quais são os seus objetivos?

C.G: Para nós, a chave está na sigla AIR: Avoid (evitar), Intercept (intercetar) e Redesign (recriar). Criámos escolas marítimas para criar Ocean Warriors (Guerreiros do Oceano). Quando uma criança compreende o que se está a passar, faz tudo ao seu alcance para que os seus pais mudem os seus comportamentos. Temos de proteger a beleza dos oceanos. 

Traduzido por Estela Ataíde
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Portugal quer enviar peritos a Oman mas abdica de tesouros no mar

O Ministério dos Negócios Estrangeiros disse à RTP que propôs o envio de uma missão de peritos a Oman por causa do naufrágio da Nau Esmeralda, da armada de Vasco da Gama na Índia. O MNE aguarda uma resposta das autoridades omanitas.

A posição do Estado português é não reivindicar espólios. “A melhor contribuição que o Estado português poderá dar para a proteção e valorização dos vestígios do seu património histórico e cultural que se encontram no leito do mar e fundos marinhos, é reivindicar, antes de mais, que os vestígios desse património sejam protegidos (proibindo a sua exploração comercial), estudados e valorizados em exclusivo interesse da Ciência, da Cultura e da Humanidade, de acordo com os princípios da Convenção da UNESCO”, acrescentou o MNE.

“Esmeralda Perdida” é da autoria do jornalista Armando Seixas Ferreira e dos repórteres de imagem, Marques de Almeida, Carlos Pinota e Carla Quirino. A edição é de Sara Cravina. 



Fonte: RTP

Ministra do Mar quer “multas à séria” para quem deixa lixo na praia

A vontade de penalizar quem polui as praias portuguesas foi assumida pela ministra do Mar em conversa com jornalistas, à margem da Conferência “Our Ocean 2017”, em Malta. Ana Paula Vitorino defende a aplicação de “multas à séria e na hora” a quem deita beatas ou outros resíduos no areal.
Só assim se podem evitar comportamentos como aquele a que assistiu este verão, conta, quando “uma senhora ameaçou fazer queixa do nadador-salvador quando este lhe chamou a atenção para pôr no caixote o lixo deixado pelo grupo junto às espreguiçadeiras”. Estas situações só serão alteradas “se os concessionários de praia puderem actuar, em vez de ser só a Polícia Marítima”. Porém, para isso, “é necessário fazer alterações legislativas”.
Penalizar o lixo deixado no areal é uma forma de reduzir a proliferação de plástico nos mares. Mas , também “irá surgir”, nova legislação para reduzir a produção excessiva de plástico, adianta a ministra, sem especificar. A hipótese de Portugal seguir os passos da França e proibir a comercialização de pratos e talheres descartáveis, não é para já equacionada. Para a ministra do Mar seria “preciso saber qual será a implicação social e económica de uma medida dessas na vida das pessoas”. Para já, argumenta “é melhor apostar na investigação de alternativas, como os bioplásticos, dirigidas à indústria”.

“PRESERVAR O OCEANO TEM DE ESTAR NA MODA”

A governante portuguesa representou Portugal na quarta conferência internacional dedicada aos Oceanos, organizada pela União Europeia, em Malta. “Preservar o oceano tem de estar na moda e para isso é preciso dar visibilidade aos efeitos negativos e positivos do que se faz nos mares”, afirma Ana Paula Vitorino.
A ministra vai apresentou três compromissos nacionais em defesa dos oceanos. “Duplicar as áreas marinhas protegidas de 7% para 14% até 2020” é um desses compromissos, garante Ana Paula Vitorino, argumentando que “é fácil” cumprir os objetivos ambicionados pela União Europeia, que pretende alargar globalmente as áreas marinhas protegidas de 4% para 10% em três anos.
Contudo, não basta desenhar áreas marinhas protegidas. Tambérm é preciso criar mecanismos que reforcem a sua proteção e fiscalização, nomeadamente impedindo a pesca comercial nos parques marinhos com estatuto de proteção. Para tal, a ministra afirma que está a ser montado o Sistema Nacional de Monitorização em Espaço Marinho. Este sistema, que custará três milhões de euros até 2020, fornecerá informação a entidades fiscalizadoras, como a Polícia Marítima ou a Unidade de Controlo Costeiro da GNR, sobre intrusão de embarcações não autorizadas ou situações de poluição.
Outro dos compromissos que Portugal pretende assumir, passa pelo “mapeamento do mar profundo”. A estrutura de missão para a extensão da Plataforma continental está a fazer esse levantamento, mas a ministra quer ver esse conhecimento ainda mais aprofundado, para além da decisão final sobre esta extensão. Para isso o Governo vai investir “15 milhões de euros no Observatório do Atlântico”, localizado nos Açores. O projeto consta do Programa de Governo mas ainda não saiu do papel. “Deverá ser criado no próximo ano em parceria com o Ministério da Ciência”, diz Ana Paula Vitorino.
O levantamento dos recursos biológicos e minerais existentes no mar profundo depende de “estudos científicos aprofundados”. Para já, argumenta que “estão identificados os impactos positivos dessa exploração, como pode ser o surgimento de novos medicamentos e tratamentos para a cosmética”. Segundo a ministra, “é preferível o impacto positivo de obter conhecimento quer o negativo de não fazer nada”.
“Temos de ter conhecimento, vontade e capacidade de acção”, argumenta. E admite: “Vontade temos muita, capacidade de acção também, mas porventura ainda não todo o conhecimento”.
Fonte: Expresso

Consórcio liderado pela Sonae tem 8 M€ para o Mar

Foi apresentado o projecto ValorMar, uma iniciativa liderada pela Sonae, pelo CIIMAR – Centro Interdisciplinar de Investigação Marinha e Ambiental da Universidade do Porto e pelo Fórum Oceano – Associação da Economia do Mar que tem como objectivo a valorização de recursos marinhos através da investigação e desenvolvimento de novos produtos.
Formado por 31 entidades, este consórcio inclui algumas organizações do sistema científico nacional, assim como empresas de diversos sectores de actividade, como a Docapesca e a Soja de Portugal, e vai contar com um investimento superior a 8 milhões de euros, cerca de 66% dos quais financiados pelo Sistema de Incentivos à Investigação e Desenvolvimento Tecnológico no âmbito do programa Portugal 2020.
O projecto terá a duração de três anos e tem como principal objectivo gerar novas aplicações marinhas para a indústria alimentar, biomédica, farmacêutica e cosmétic, perspetivando-se o lançamento de novos produtos com base em recursos como algas e similares, novos serviços e tecnologias de desenvolvimento e optimização para aquacultura ou de rastreabilidade integrada da cadeia do pescado.
De acordo com Eunice Silva, Administradora da Sonae MC, “é com grande satisfação que lideramos o projecto ValorMar, que, pela ambição e diversidade das entidades reunidas em consórcio, representa bem aquilo que perspectivamos serem as cadeias de valor alimentar no futuro. Refiro-me à conjugação dos esforços de entidades de diferentes sectores em investigação & desenvolvimento, com grande foco na qualidade dos produtos frescos, na alimentação saudável e na sustentabilidade da cadeia de valor alimentar. Entendemos também que este projecto tem especial relevância por incidir num recurso que nos diz muito, o Mar, no qual existem grandes oportunidades de crescimento, até pela dimensão da nossa Plataforma Continental.”

E se o mar Menor vier a transformar-se num mar morto?

As ligações entre o mar Mediterrâneo e o mar Menor, uma laguna na costa de Múrcia, diminuíram quase 80%. Investigadores pedem intervenção rápida e estruturante.

A paisagem insólita ainda não mudou, e as águas calmas do
mar Menor, na costa de Múrcia, em Espanha, continuam calmas. Mas, à vista
desarmada, muitos poderão já ter reparado que as águas cristalinas estão a dar
lugar a uma água de tons esverdeados, e ter percebido que isso pode não ser um
bom sintoma. Esse será, porventura, um dos sinais mais visíveis do quanto as
coisas têm mudado, sobretudo nos últimos dois anos: uma das principais ligações
naturais entre o mar Mediterrâneo e o mar Menor está a desaparecer.
PUB
Isso pode não ser rapidamente aferido à vista desarmada, mas
com recurso a imagens de satélite e a medições feitas por drones aquáticos,
sim. Esta informação permitiu perceber que as ligações entre o mar Menor e o
mar Maior, nome dado ao mar Mediterrâneo naquela região, diminuíram cerca de
80%. Esta diminuição compromete a continuidade deste ecossistema que fez da
Manga del mar Menor uma movimentada estância turística.
O mar Menor tem uma forma triangular, 135 quilómetros
quadrados de área e uma profundidade máxima de seis metros. La Manga del mar
Menor tornou-se uma reputada estância turística por causa da sua língua de
areia, uma barreira natural que oscila entre os 100 e os 900 metros de largura
durante 20 quilómetros de comprimento, que permitem quase 42 quilómetros de
praias. Esta barreira tem quatro cortes. Isto é, quatro ligações entre ambos os
mares e que são vitais para a sobrevivência do mar interior, regulando a
salinidade e a temperatura da laguna.
Manuel Erena, investigador do Instituto Murciano de Pesquisa
e Desenvolvimento Agrícola e de Alimentação (Imida) ajuda a perceber até que
ponto a principal porta de ligação entre os dois mares está a ficar cada vez
mais estreita: “Desde 2009, Las Encañizadas [nome da ligação] passou de um
tamanho de entrada de 540 metros a 120 metros”, contabiliza, citado pelo
El País. A profundidade média do canal diminuiu de 70 para os actuais 25
centímetros.
Estes dados foram recolhidos durante uma investigação mais
aprofundada feita durante dois anos, desde Maio de 2015 até Maio último. Erena
e um grupo de investigadores de várias universidades espanholas e alemãs
recorreram a imagens aéreas e a drones subaquáticos, recolheram indicadores
como a temperatura da água, a salinidade, a concentração de oxigénio dissolvido,
os sólidos em suspensão e a concentração de clorofila, e fizeram ainda estudos
de batimetria (a medição da profundidade e do relevo do fundo da laguna). E
deixaram, para os mais curiosos, a possibilidade de fazer uma visita virtual a
todo este ecossistema.
A diminuição do canal provocou mudanças na laguna: com a
pressão turística a cada Verão e o aumento do uso de fertilizantes na
agricultura intensiva, há um acumular de matéria orgânica e inorgânica que
impede que a luz chegue à camada vegetal, a base de toda a cadeia trófica.
“Tudo o que está abaixo de 1,5 metros morre”, lembra o pesquisador da
Imida.
Para evitar que o mar Menor se transforme num mar morto, o
professor de ecologia na Universidade de Múrcia e presidente do comité
consultivo científico do mar Menor, Ángel Pérez-Ruzafa, diz que são necessárias
medidas urgentes e estruturais que possam garantir a ligação entre as duas
massas de água.
“O que o estudo das lagunas costeiras e do próprio mar
Menor nos ensinou é que o seu estado ecológico, a sua complexidade e a sua
capacidade de se defender contra a agressão humana depende completamente da
conectividade restrita com o mar adjacente”, explica o especialista ao El
País, acrescentando que as singularidades hidrodinâmicas e ecológicas do mar
Menor lhe atribuem “uma grande capacidade de auto-regulação e recuperação”.

Fonte: Público

Carbono nos oceanos poderá atingir limiar catastrófico em 2100

310 gigatoneladas é o máximo de carbono que os oceanos aguentam antes de a libertação súbita deste gás alterar o meio ambiente de modo a provocar extinções em massa. Ao ritmo que a actividade humana produz carbono, este limite será atingido por volta do virar do século.

A quantidade de carbono nos oceanos poderá atingir em 2100 o limite acima do qual aconteceram extinções em massa no passado, avisam investigadores norte-americanos que usaram um modelo matemático para prever o que chamam “limiar da catástrofe”.
Segundo o professor de Geofísica Daniel Rothman, 310 gigatoneladas é o máximo de carbono que os oceanos aguentam antes de a libertação súbita deste gás alterar o meio ambiente de modo a provocar extinções em massa que podem decorrer ao longo de centenas de anos.
“Isto não quer dizer que o desastre acontecerá no dia seguinte”ao limite ser atingido, salientou, indicando que “o ciclo do carbono passaria a estar instável e comportar-se-ia de uma maneira imprevisível”, o que “no passado geológico, está associado com extinções em massa”.
Rothman estima que, ao ritmo a que a actividade humana produz carbono, as 310 gigatoneladas serão atingidas por volta do virar do século.
Ao longo de 540 milhões de anos aconteceram na Terra cinco extinções em massa, cada uma marcada pela perturbação do ciclo do carbono que passa pela atmosfera e pelos oceanos.
Estas perturbações foram ocorrendo ao longo de milhares ou milhões de anos e coincidem com as marcas da extinção de espécies marinhas em todo o planeta.
Num estudo publicado na revista Science Advances, o investigador do Instituto de Tecnologia de Massachusetts afirma ter identificado um “limiar de catástrofe” nas extinções que já aconteceram, estabelecendo que o que importa não é a quantidade de tempo que demoram as perturbações no ciclo do carbono, mas a quantidade de carbono em causa.
No ciclo normal do carbono, que depende de um vaivém constante entre consumo e produção, há sempre uma quantidade adicional de carbono que é depositada nos fundos oceânicos.
Quando há um excesso de produção de dióxido de carbono, como a que caracteriza a actividade humana desde a industrialização, esse excesso leva ao aquecimento global e à acidificação dos oceanos, o que desencadeia as extinções globais.
Segundo as piores previsões, o nível de carbono nos oceanos poderá ser muito superior ao limite definido por Rothman e chegar às 500 gigatoneladas.
“Deve ser possível recuar nas emissões de dióxido de carbono”, afirmou Rothman, salientando que a sua investigação “aponta razões pelas quais é preciso ter cuidado”.
Fonte: TVI24