Dourada com sabor a mar!

A dourada tem um corpo de forma oval, de cor cinzento-prata, uma mancha dourada entre os olhos e o sabor que traz a história do oceano.
Apresentamos-lhe a Sparus aurata, ou, por outras palavras, a dourada. Este peixe encontra-se, sobretudo, no Atlântico Nordeste e Mar Mediterrâneo, onde habita a coluna de água em zonas até 150 m de profundidade. Vive solitária ou em pequenos grupos e alimenta-se de moluscos, crustáceos e ouriços-do-mar. Reproduz-se de outubro a dezembro e vive aproximadamente 15 anos, tendo um porte variável de acordo com seu habitat.
Um peixe peculiar
Esta espécie pode ser encontrada por toda a costa Atlântica e Portuguesa, Mediterrâneo e Norte de África e vive em fundos mistos de areia e pedra, procurando zonas de laje rochosa para a desova. Na época da desova, as douradas apresentam-se em grande número nas zonas preferidas de nidificação, como é o caso do Cabo Espichel, Vereda ou ao longo da costa da Comporta, em Setúbal. E, surpreenda-se, com esta particularidade: as douradas são hermafroditas, nascem macho mas com a maturação sexual, por volta dos dois anos, convertem-se em fêmea.
Benefícios do seu consumo
Para além disso, os benefícios do seu consumo para a saúde são muitos. Quando inserida numa alimentação equilibrada e num estilo de vida saudável, a dourada pode trazer inúmeros benefícios. A dourada é um peixe muito rico nutricionalmente, apresentando diversas vitaminas e minerais e contendo, sobretudo, gordura insaturada. Inserida num estilo de vida saudável, e pelo conteúdo em ómega 3 e potássio, pode ajudar no controlo de doenças cardiovasculares, nomeadamente pela manutenção dos níveis de colesterol no sangue e da pressão arterial normais.
Pode consumir a dourada de várias formas, sendo que, no forno, com batatas assadas, e grelhada – com um pouco de azeite e limão -, os seus nutrientes mantêm-se praticamente inalterados. O ceviche é também uma boa opção para consumir este peixe nos dias de maior calor, sendo ideal para quem gosta de marinadas cítricas. Optar por fazer este peixe ao sal pode ser uma boa forma de o tornar ainda mais suculento e húmido. Além disso, pode também fazer uma sopa de peixe utilizando a cabeça da dourada, onde se concentra grande parte do sabor deste peixe tão nutritivo e saboroso.
BENEFÍCIOS
Por ser rica em vitaminas do complexo B e vitamina D, o consumo de dourada, aliada a uma alimentação equilibrada, pode contribuir para o normal funcionamento do sistema imunitário, nervoso, função psicológica e regulação hormonal.
COMO CONSERVAR
A dourada deve ser conservada no frigorífico, na parte inferior, durante 1 a 2 dias.
VALOR NUTRICIONAL (por 100g)
167 kcal
Minerais: P, K
Vitaminas: B1, B3, B6, B12, D
SABIA QUE
No momento de escolher as douradas, deve lembrar-se que os olhos devem ser cristalinos, as escamas aderentes, o corpo brilhante, as guelras avermelhadas e a textura firme.
COMO CONSUMIR
A dourada pode ser consumida assada, grelhada, cozida, no forno ao sal ou em ceviche, uma excelente opção para consumir no verão, já que é refrescante e muito fácil de fazer. O peixe fica embebido nos sucos cítricos, que ajudam a realçar a frescura e o seu sabor marítimo. Fazer uma sopa de dourada é outra forma de a degustar. Se preferir, pode desfiar o peixe e juntá-lo a uma refrescante salada ou mesmo a um delicioso taco com salsa e pimentos.
Fonte: JN

Governo diz que não há razões para proibir pesca da sardinha em 2019

A ministra do Mar disse que o Governo entende que não há razão para proibir a captura de sardinha, considerando que o Conselho Internacional para a Exploração do Mar (ICES), “por vezes, peca por excesso”.
“O ICES dá um parecer científico com base na informação que tem, mas o que é facto é que muitas vezes peca por excesso”, disse aos jornalistas a ministra do Mar, Ana Paula Vitorino, em Portimão, à margem da cerimónia de boas-vindas ao navio que faz a ligação entre o Funchal e aquela cidade algarvia.
De acordo com um parecer científico do ICES, a pesca da sardinha deverá ser proibida em 2019 em Portugal e Espanha, tendo em conta a diminuição do ‘stock’ verificada nos últimos anos.
“O Governo entende, tal como no ano passado, que não estamos em situação de fazer pesca zero. Podemos estabelecer uma cota para a captura mais baixa do que a deste ano e com medidas de gestão dos ‘stocks’ mais profundas”, defendeu a ministra.
De acordo com a governante, o Governo “não acha que seja caso para reduzir à pesca zero, com base na informação científica de que dispõe”.
Ana Paula Vitorino afirmou que o Governo “está a fazer um trabalho muito aprofundado sobre a matéria, para tentar conciliar dois objetivos: manter a captura elevada da sardinha e a sustentabilidade da espécie”.
“A sardinha tem vindo a diminuir paulatinamente na nossa costa e para se conseguir cumprir o primeiro objetivo temos de garantir que as capturas são de modo a que continuemos a ter sardinha no futuro”, sublinhou.
Na opinião de Ana Paula Vitorino, é no equilíbrio entre a captura e a sustentabilidade que terá de ser tomada uma decisão, até porque, sublinhou, “a sardinha faz parte da cultura dos portugueses e da economia”.
Segundo a ministra, a quantidade de sardinha no mar português é superior à do ano passado, embora se verifique uma redução dos juvenis, o que se traduz numa redução da espécie em 2019.
“Embora se verifique essa redução de juvenis, não implica reduzir as capturas a zero”, considerou a ministra, acrescentando que Portugal está a trabalhar em conjunto com Espanha e em contacto com a Comissão Europeia “para demonstrar que não existem razões socioeconómicas que levem a que os indicadores de preservação da espécie sejam tão exigentes como os apontados pelo ICES”.

Sesimbra acolhe Europeu de Vela

Atletas júniores de todo o mundo chegam a Portugal no início de Julho para competir no campeonato organizado pelo Clube Naval de Sesimbra
Sesimbra acolhe pela primeira vez um Campeonato Europeu de Júniores de Vela, organizado pelo Clube Naval de Sesimbra, que decorre entre 3 e 11 de Julho. Cerca de 400 jovens e 200 barcos, entre os 16 e os 24 anos, vão participar no campeonato, que se divide em duas classes: classe 420 e classe 470.
“O Clube Naval de Sesimbra tem quase 90 anos de história e um contributo sólido para o crescimento da modalidade localmente, mas também a nível nacional. Receber este campeonato em Sesimbra é sinónimo de que estamos a cumprir a nossa missão na divulgação internacional da excelência das nossas águas para a modalidade, bem como reforça o investimento que temos feito na formação das classes mais jovens e no aumento de adeptos de vela”, comenta César Medalha Pratas, director da Vela do Clube Naval de Sesimbra.
Estão representados 15 países europeus e 5 países do resto do mundo nesta competição, que se realiza anualmente em diferentes países europeus. Em 2017 o campeonato teve lugar em Fraglia Vela Riva. A classe 420 inclui jovens entre os 16 e os 21 anos e a classe 470 com idades compreendidas entre os 20 e os 24 anos.
Os atletas começam a chegar a 3 de Julho, para se registarem e efectuarem medições no percurso. Um dos momentos altos do evento acontece a 4 de Julho, às 19h, com a Cerimónia Oficial de Abertura e desfile dos atletas, com os seus trajes oficiais e bandeiras de cada país, pelo centro de Sesimbra. As provas finais, que determinam os vencedores em cada classe, decorrem no dia 11 de Julho, dia que termina com a Cerimónia de Encerramento às 20h.
Ao longo dos seis dias de provas de qualificação, entre 6 e 11 de julho, decorrem três regatas por dia de cada classe (420 e 470), em dois campos, um para cada classe.
Todo o campeonato decorre com localização privilegiada, na primeira linha da praia do Ouro, no centro da típica vila piscatória de Sesimbra, em frente ao Hotel do Mar, onde funciona o Race Office, para os registos de atletas e equipas, o gabinete de júris e onde são apuradas as classificações e o controlo de rondagens.
O evento é organizado em parceria com a Câmara Municipal de Sesimbra e conta com o apoio da Federação Portuguesa de Vela, das Classes Internacionais de 420 e 470, da APSS e Autoridade Marítima Nacional.
O Clube Naval de Sesimbra, criado em 4 de Setembro de 1930, é uma das principais associações sem fins lucrativos da típica vila piscatória, sinónimo da sua tradição e ligação com o mar. Ao longo de todo o ano o Clube Naval de Sesimbra disponibiliza aulas de vela e canoagem e no verão organiza férias desportivas.
Fonte: Distrito Online Créditos das fotografias: Luis Fráguas

O Oceano Atlântico é a casa de muitas espécies

Uma elevada abundância e diversidade marinhas caracterizam o
Oceano Atlântico. A sobrepesca, a poluição e a pesca fantasma são alguns dos
motivos que fazem deste oceano um habitat de espécies em perigo de extinção.
A bióloga marinha Sofia Silva, que colabora com o centro de
investigação CETEMARES, do Instituto Politécnico de Leiria, explica que o
Oceano Atlântico, o segundo maior do mundo, possui uma elevada abundância e
diversidade de vida marinha. Considera-se que aproximadamente 95% do volume dos
oceanos permanece inexplorado.
“A saúde dos oceanos em muito depende da sua biodiversidade
e esta encontra-se em rápido declínio actualmente” que em muito se deve aos
efeitos nocivos da sobrepesca, poluição e alterações climáticas.
Se o ser humano não mudar comportamentos muitas espécies
continuarão a desaparecer “a um ritmo alarmante sem que antes tenhamos
conhecimento da sua existência”.
ESPÉCIES “CARISMÁTICAS” E “EXÓTICAS”

Nos pratos portugueses é possível encontrar bacalhau no
forno, sardinha assada ou camarão, mas numa viagem pelo Oceano Atlântico não
são as únicas espécies que se podem encontrar. Golfinhos, orcas, baleias e
tartarugas são alguns dos animais que compõem as espécies “carismáticas”, como
Sofia Silva as apelidou, enquanto as “exóticas” são constituídas por diversos
organismos como algumas algas, algumas espécies de peixes e alguns
invertebrados. A diversidade não fica por aqui: podem ainda encontrar-se aves
marinhas, tubarões e raias.
Para a bióloga, “o oceano Atlântico é a casa de muitas
espécies, não apenas das economicamente interessantes (seja pelo seu potencial
de uso ao nível da indústria alimentar, biotecnológica ou farmacêutica), mas
também das inúmeras que não conhecemos”.
Há fenómenos surpreendentes que se escondem no interior dos
nossos oceanos. A confluência entre as águas frias do norte e as águas quentes
das regiões tropicais, permite uma elevada biodiversidade, o que contribui para
uma elevada riqueza específica derivada à renovação de nutrientes presentes nas
águas, formando assim uma cadeia alimentar aquática diversa. Sofia Silva dá o
exemplo da presença dos tubarões e aves marinhas atraídos, também, pelo aumento
das suas presas em zonas mais próximas da costa, devido aos fenómenos de
“upwelling” (fenómeno oceanográfico que consiste na subida das águas subsuperficiais).
AVISTAMENTOS NA COSTA PORTUGUESA
As alterações climáticas, por exemplo, têm impacto “na área
de distribuição dos organismos, assim como nos seus padrões migratórios”.
Actualmente, já se verifica o “desaparecimento de espécies com afinidades boreais
e o aumento ou ocorrência de espécies sub-tropicais”.
A costa portuguesa, por seu lado, tem recebido espécies cuja
presença era menos notada. A bióloga marinha justifica o avistamento mais
frequente de baleias e tubarões na costa continental com a exploração intensa
do meio marinho e esclarece que a incidência destes animais se deve
essencialmente ao aumento da presença humana em alto mar.
SABIA QUE…
As baleias-jubarte percorrem mais de 8000 km desde a
Antártica até à Costa Rica, e representam a maior migração de um mamífero que
ocorre no Oceano Atlântico.
… E QUE…
O fóssil vivo celacanto, que se julgava extinto à mais de 60
milhões de anos, foi capturado vivo em 1938 na costa africana do Oceano
Atlântico.~

Fonte: Expresso

Plástico contamina 95% do Mar Mediterrâneo


O plástico representa 95% dos resíduos que flutuam no Mar Mediterrâneo, que alcançam “níveis recordes de contaminação” na maior parte dos países, sobretudo em Turquia e Espanha, indica um estudo da World Wide Fund for Nature (WWF).

A propósito do Dia Mundial dos Oceanos, a Organização Não Governamental chama a atenção para a poluição no Mediterrâneo e pede às instituições, empresas e cidadãos que se comprometam com a luta contra a contaminação marinha. Segundo o relatório, os turistas de um conjunto de países onde se inclui a Turquia, Espanha, Itália, Egito e França, provocam um aumento da poluição marinha em cerca de 40% em cada verão.
Em Portugal, “os microplásticos predominam nas areias das praias, representando 72% do lixo encontrado em zonas industriais e de estuários”, salienta um comunicado divulgado pela organização em Lisboa.
O Mar Mediterrâneo está, segundo a WWF, a converter-se numa perigosa lixeira, com níveis recorde de contaminação de microplásticos que ameaçam várias espécies marinhas e a saúde dos seres humanos quando estes produtos entram na cadeia alimentar.
As Nações Unidas lembram que 80% da poluição dos oceanos é proveniente das pessoas.
Na sua página oficial, a ONU lembra também que oito milhões de toneladas de plástico acabam nos oceanos em cada ano, prejudicando a vida selvagem, mas igualmente a pesca ou o turismo.
E acrescenta que a poluição por plásticos custa a vida a um milhão de aves marinhas e a 100 mil mamíferos, também em cada ano.
E é também em cada ano que o plástico causa oito mil milhões de dólares (6,8 mil milhões de euros) de danos nos ecossistemas marinhos.
Fonte: JN Foto: LEGNAN KOULA/EPA

Antártida pode fazer subir água do mar em mais de um metro

As decisões da próxima década vão determinar o futuro da Antártida e do mundo, que pode ter um aumento do nível do mar superior a um metro, alertam cientistas num estudo divulgado. 

O trabalho publicado numa edição especial da revista científica Nature, sobre a Antártida, os cientistas afirmam que o tempo se está a esgotar para salvar o ecossistema antártico e que se não forem tomadas decisões corretas para preservar a Antártida nos próximos 10 anos o mundo sofrerá as consequências.
O estudo avalia o estado da Antártida em 2070 sob dois cenários, um em que não são tomadas medidas para reduzir as emissões de gases com efeito de estufa nem outras medidas de protecção, e outro em que são tomadas medidas de protecção ambiental.
Os autores do trabalho, no qual se incluem cientistas do Imperial College London, uma instituição universitária britânica, dizem que há mudanças que já são irreversíveis e que se nada for feito até 2070 haverá uma “perda dramática” das principais plataformas de gelo e um grande aumento do nível das águas do mar.
Ao contrário, dizem, com baixas emissões de gases com efeito de estufa as plataformas de gelo permanecem, a ameaça da subida do nível do mar é minimizada, a acidificação dos oceanos não piora e os ecossistemas permanecem intactos, e o aumento das temperaturas do mar não iria além dos 0,7 graus celsius.
No pior dos cenários, alertam os responsáveis, o nível das águas dos oceanos subiria um metro, podendo chegar a 3,5 metros, as correntes oceânicas mudariam, a água do mar aquecia mais dois graus e a acidez dos oceanos alcançaria um ponto em que algumas criaturas marinhas seriam incapazes de formar as conchas adequadamente.
Os cientistas defendem a importância de se manter o actual cenário de proibição de extracção de recursos (como carvão ou minério de ferro) na Antártida, e de se minimizar os impactos do turismo e da pesca, e enfatizam a necessidade de cooperação internacional e a criação e aplicação de regulamentos para a Antártida, apoiados em programas de investigação.
Fonte: RTP

Adeus França. Sede europeia da Liga Mundial muda-se para Lisboa

Anúncio foi feito na passada sexta-feira. Sede deixa França depois
de 30 anos
A sede europeia da Liga Mundial de Surf (WSL) vai ser
instalada em Lisboa, naquele que será mais um passo para “posicionar
Portugal como principal país de surf na Europa”, confirmou na passada sexta-feira o representante luso da estrutura, Francisco Spínola.
“Lisboa e Portugal vão ser a montra do surf europeu
para o mundo”, afirmou Francisco Spínola, em declarações à Lusa,
confirmando a mudança da sede para a capital portuguesa, depois de quase 30
anos em solo francês.
De acordo com o responsável, esta mudança decorre da
organização nas ondas portuguesas das principais provas da WSL, sejam etapas
dos circuitos mundiais masculinos, femininos e de ondas gigantes, assim como
dos Mundiais de juniores, mas também da proximidade das praias.
“Além de todas as acessibilidades de uma capital
europeia, Lisboa oferece surf a meia hora do centro e condições para a prática
da modalidade durante todo o ano”, frisou, acrescentando que a estrutura
vai ser instalada, numa primeira fase, em Lisboa, com cerca de 10 a 12 trabalhadores.
Portugal é o país europeu com mais provas da WSL,
organizando, em 2018, uma etapa do circuito mundial (MEO Rip Curl Pro Portugal,
em Peniche), três do de qualificação (Caparica Pro, Pro Santa Cruz e EDP
Billabong Pro Ericeira) e uma de ondas gigantes (Nazaré Challenge).
Segundo Spínola, a estrutura a instalar em Portugal vai
ficar como “centro decisório” do surf na Europa, mas também em África
e no Médio Oriente.

Fonte: DN Foto: Jorge Amaral/Global Imagens

No fundo Portugal é mar. E nós podemos dar um mergulho

Há uma baleia no jardim. E faróis que iluminam as oliveiras.
E há imagens espectaculares do fundo do mar. Até Julho, a Fábrica das Artes do
CCB tem um ciclo dedicado ao oceano.
De longe parece mesmo o esqueleto de uma baleia. Mas à
medida que nos aproximamos, percebemos que não são ossos. São embalagens de
iogurtes e de detergente, em plástico branco. A Baleana plasticus é uma
escultura criada em 2014 pela bióloga Ana Pêgo e o fotógrafo Luís Quinta e que
agora está instalada no Jardim das Oliveiras do Centro Cultural de Belém (CCB),
em Lisboa. Está ali, ao lados dos faróis da exposição As portas do mar,
chamando a atenção para o ciclo “No fundo Portugal é mar”, que vai
ocupar a Fábrica das Artes nos próximos meses. Mas, mais do que isso, está ali
chamando a atenção o problema da poluição dos oceanos e, especificamente, para
o excesso de plástico.
Bióloga marinha, nos últimos anos Ana Pêgo tem-se dedicado à
educação ambiental e passa muito do seu tempo recolhendo o plástico que aparece
na praia, trazido pelas marés. “A minha preocupação com o lixo marinho foi
aumentando”, conta. No final de 2015 criou a página de Facebook Plasticus
Maritimus para mostrar as coisas que ia encontrando na praia e também para
pedir ajuda para identificar esses objectos. “Deixei de olhar para o lixo
da praia como lixo mas antes como objectos com história, que já fizeram
viagens”, explica. Esses objectos são usados nas oficinas que orienta por
estes dias no CCB, porque o mais importante agora é informar as pessoas do mal
que estamos a fazer ao oceano e educá-las para o ambiente.

Expostos em vitrinas, organizados por cores ou por
“famílias”, os objectos apanhados na praia não deixam de causar
espanto. Pauzinhos de cotonetes (porque as pessoas deitam nas sanitas). As
palhinhas. Os balões. “São coisas que não noz fazem realmente falta no
nosso dia a dia e são muito prejudiciais. Encontro centenas de bocados de
balões, porque rebentam ficam no chão, acabam por ir parar às sarjetas com a
chuva e daí para o mar.” Bonecos pequenos. Patilhas dos protectores solares. Peças de lego. Flores artificiais. “Estas coisas podem parecer
bonitas mas são um manifesto”, diz Ana Pêgo.
Toda a programação deste ciclo – que inclui exposições, espectáculos, oficinas e conversas (ver coluna ao lado) – foi concebida em
conjunto com a Estrutura de Missão para a Extensão da Plataforma Continental .
Só assim foi possível ter acesso não só às imagens do fundo do mar como também
à réplica do laboratório de campanha e ainda contar com a colaboração dos
vários especialistas nestas actividades. “Esta programação tem três eixos:
a educação ambiental, a ciência e a a criação artística”, explica Madalena
Wallenstein, programadora da Fábrica das Artes.
Um dos melhores exemplos dessa interligação é a instalação
Terramar: a partir das imagens captadas pelo robot ROV, que vai até seis mil
metros de profundidade e tem feito campanhas ao longo da costa portuguesa, e
também imagens captadas por mergulhadores, a artista Graça Castanheira criou
“quadros vivos” que nos levam literalmente até ao fundo do mar.
Oportunidade para conhecer algumas espécies que habitam as profundezas, para
nos deliciarmos com imagens do oceano – e também para suspendermos um pouco a
nossa vida e deixarmo-nos levar, durante alguns minutos, pelo silêncio e pelo
embalo das ondas.

PROGRAMA
As portas do mar e Balaena plasticus
Rui Rebelo imaginou estes faróis, com a colaboração de Marco
Fonseca e Teresa Varela. As pessoas podem sentar-se, relaxar e ouvir os sons do
mar. E também ver a baleia feita de detritos de plástico encontrados na praia,
uma obra de Ana Pêgo e Luís Quinta, de 2014.
Jardim das Oli veiras, até 31 Julho
Terramar – instalação de Graça castanheira
A partir das muitas horas de imagens captadas pelo ROV Luso,
um robot que tem andado a mergulhar pelo mar português, Graça Castanheira criou
duas peças : um tríptico que nos leva para o fundo do mar e uma exposição com
“quadros vivos”.
Fábrica das Artes, até 31 Julho
Oficinas de palavras, dança e ambiente
Durante este três meses, a Fábrica das Artes tem programadas
uma série de oficinas “à volta” do mar – para escolas mas também para
famílias, ao fim de semana. Por exemplo com a bióloga e escritora Judite Canha
Fernandes.
Fábrica das Artes, Maio e Junho
Um espectáculo: A menina do mar
Em 2011, Bernardo Sasseti e Beatriz Batarda fizeram uma
Menina do Mar. A partir da música original de Sasseti e da história de Sophia,
o pianista Filipe Raposo, a actriz Carla Galvão e a ilustraram Beatriz Bagulho
criaram este espectáculo
Pequeno Auditório, 19-25 maio
Ciclo de conversas com o mar ao fundo
A chef de cozinha Patrícia Borges, a peixeira Tânia Silva, o
investigador João Varela, os pilotos ROV Andreia Afonso e António Calado, o
mergulhador Nuno Rodrigues e o pescador António Figueira são alguns dos
palestrantes convidados
Jardim das Oliveiras, Maio-Julho
Concertos e contos no jardim
Rita Maria e Filipe Raposos trazem Canções da Terra e do Mar
(30 Junho), Rui Rebelo e Carla Galvão fazem um Concerto co Faróis (14 e 15 Julho). E mais sessões de estórias e de músicas, sempre ao ar livre.
Jardim das Oliveias, Junho-Julho

Fonte: DN

Comissão Europeia quer acabar com lixo no Mar

A Comissão Europeia quer acabar com as garrafas e outros plásticos no fundo do mar.
Bruxelas apresentou por isso um pacote de medidas que inclui a proibição de usar plástico nos 10 produtos descartáveis mais utilizados e que representam 70% dos resíduos marítimos na União Europeia.Entre esses produtos estão cotonetes, louça descartável, embalagens de comida, garrafas ou pensos higiénicos. Se já existirem alternativas acessíveis em termos de preço, os produtos de plástico descartáveis serão proibidos. Se não houver alternativa, o objectivo é encontrar formas de reduzir o consumo em cada país. As organizações e associações ambientalistas alertam para a falta de metas específicas nesta proposta, mas saúdam a iniciativa. Ariadna Rodrigo da ONG Rethink Plastic Alliance reconhece que “é a primeira vez no mundo que vemos uma proposta que quebra efectivamente com o molde e transforma a União Europeia na campeã ambiental para um problema global.” A Comissão impõe também que até 2025, os Estados-Membros recolham 90% das garrafas de plástico descartáveis, implementando por exemplo regimes de restituição de depósitos. Propostas que serão agora transmitidas ao Parlamento e ao Conselho Europeu para ser discutidas e adoptadas.
Fonte: Euronews

Software da UA prevê avanço do Mar e dá soluções para o deter

Não usa a bola de cristal para prever de que forma vai o mar avançar ao longo da costa portuguesa. Também não utiliza cartas de tarot para adivinhar que intervenções nas praias conseguirão suster as águas do Atlântico. Chama-se COAST, foi desenvolvido na Universidade de Aveiro (UA) e, ciências ocultas à parte, usa um software visionário que simula a evolução da linha de costa para as próximas décadas. Perante o nefasto avanço do mar, o COAST indica ainda que obras de defesa costeira melhor se adequam a cada praia tendo em conta custos e benefícios.
Composto por três ferramentas – projecção da evolução da linha de costa para diferentes cenários de intervenção; dimensionamento da intervenção quando o cenário contempla obras de defesa costeira; avaliação de custos e benefícios da intervenção – o COAST pretende ajudar não só os cientistas a estudarem a erosão costeira como também auxiliar os responsáveis pela protecção da costa na escolha da melhor estratégia para prevenir cenários catastróficos.
“Face à importância económica e social das zonas costeiras e aos problemas de erosão que enfrentam, é de antecipar um aumento dos investimentos necessários à realização e manutenção de intervenções de defesa costeira a curto e médio prazo”, aponta Márcia Lima, a investigadora do Departamento de Engenharia Civil (DECivil) da UA que desenvolveu o COAST.
No entanto, alerta a cientista, “é grande a complexidade associada à escolha da melhor intervenção, uma vez que as soluções economicamente mais atractivas conduzem a maiores perdas de território”. Por outro lado, “as soluções que melhor ajudam a manter ou a ampliar o território são pouco atractivas do ponto de vista económico”. A solução passa por um compromisso entre custos e benefícios.
“A grande mais-valia do COAST em relação às ferramentas já existentes é a integração de três valências importantes na avaliação de intervenções de defesa costeira e o facto de permitir análises custo-benefício das intervenções”, esclarece.



As simulações com o COAST, explica Márcia Lima, “exigem um registo passado e outro actual de batimetria [profundidade do mar] e topografia do local de estudo, e o conhecimento do clima de agitação [estudo das ondas]. É ainda necessário “conhecer o valor atribuído ao território, custos unitários dos materiais e estimativa de custos de manutenção das intervenções, ajustados à realidade do local de estudo”.“São várias as zonas críticas na costa portuguesa, nomeadamente, a zona do Furadouro, o troço entre a paria da Barra e Mira e a zona a sul da Figueira da Foz”, alerta Márcia Lima cujo trabalho, desenvolvido durante o Doutoramento em Engenharia Civil foi orientado por Carlos Coelho, também investigador do DECivil. Nestas, como noutras zonas susceptíveis de grande erosão “as perdas económicas que podem advir no caso de não serem implementadas medidas de intervenção de defesa costeira são extremamente elevadas”. “A aplicação da ferramenta deve ser ponderada e realizada com precaução, uma vez que os resultados dependem dos pressupostos admitidos quer na projecção de cenários quer na avaliação de custos e benefícios”, sublinha Márcia Lima. Como tal, “a ferramenta deve ser aplicada por especialistas possibilitando o apoio às entidades decisoras através de serviços de consultadoria”.

Fonte: Boas Notícias