Tiago Pitta e Cunha integra missão da Comissão Europeia dedicada aos oceanos

O oceano foi considerado como uma prioridade no programa de investigação e inovação da Comissão Europeia para o período de 2021-2027. O “Horizonte Europa” conta com fundos no valor de 100 mil milhões de euros.


presidente executivo da Fundação Oceano Azul, Tiago Pitta e Cunha, foi selecionado para integrar o Conselho de Missão da Comissão Europeia “Oceanos Saudáveis, Mares, Águas Costeiras e Interiores”.

No âmbito do programa de investigação e inovação da União Europeia para o período de 2021-2027 “Horizonte Europa”, que conta com fundos no valor de 100 mil milhões de euros, o oceano foi considerado, pela Comissão Europeia, como uma prioridade, a par de outros quatro temas.
“A Fundação Oceano Azul congratula-se com o facto de, pela primeira vez, a Comissão Europeia ter estabelecido um painel com esta importância para o oceano, bem como com a nomeação de dois dos seus membros do Conselho de Administração, Tiago Pitta e Cunha, CEO, e Peter Heffernan, Conselheiro Especial, para integrarem esta estrutura”, lê-se no comunicado enviado ás redações.
Pascal Lamy, antigo Comissário Europeu e que foi diretor geral da Organização Mundial do Comércio, irá liderar este Conselho de Missão.
Cada comité de missão é composto por 15 especialistas que, até ao final de 2019, vão identificar o primeiro conjunto de ações possíveis nas respetivas áreas. Além disso, será criada uma assembleia para cada missão, reunindo um número maior de especialistas que possam contribuir com ideias e conhecimentos adicionais para o sucesso das cinco missões.
O programa “Horizonte Europa”, estabelecido para 2021-2027, dá continuidade ao programa Horizonte 2020 e é o principal programa de financiamento da ciência, na Europa.

O que é a Fundação Oceano Azul?

Nasceu em 2017, com o objetivo de promover um oceano mais saudável e produtivo através de três principais áreas de ação: literacia, conservação e capacitação, sob o mote “From the ocean”s point of view”. Com sede em Portugal, trabalha para o desenvolvimento de uma geração azul, uma nova economia azul e para posicionar o país como líder internacional em questões relacionadas com o oceano. Tem alcance internacional, através de projetos desenvolvidos com outros países, fundações e organizações da sociedade civil, bem como organizações intergovernamentais, como as Nações Unidas e a União Europeia.

Terminal XXI com novo Pré-Aviso de Greve para 12-24 Agosto

Novo pré-aviso de greve para as operações no Terminal XXI, do Porto de Sines: o Sindicato XXI revelou que decidiu, no passado dia 26 de Julho, lançar um novo pré-aviso, fruto de uma «decisão tomada em Plenário de Trabalhadores no dia 31 de Maio».
Foi então lançado «um segundo pré-aviso de greve para o período compreendido entre o dia 12 e 24 de Agosto, para as últimas 3 horas de cada turno», adiantou a entidade sindical. Recorde-se que esta será a segunda acção de protesto: entre os passados dias 2 e 4 de Maio, o Terminal XXI (gerido pela concessionária PSA Sines) foi alvo de paralisação.
«Ruptura total» das negociações entre a PSA/Laborsines e o Sindicato XXI
Entre os fundamentos deste pré-aviso de greve está, explica o sindicato, a «não resolução e aprovação das propostas salariais apresentadas em 9 de Novembro de 2018 dos Departamentos das Operações, Engenharia e Higiene e Segurança e Planeamento», que estiveram na base da primeira greve. Mas não só. Entre as razões está também a «intransigência da empresa nas negociações», que levou à «ruptura total das mesmas».
«A reintegração dos 80 trabalhadores dispensados pela PSA/Laborsines nos meses de Junho e Julho», a «pressão inadmissível e inaceitável por parte de elementos pertencentes à Direcção de Operações e de engenharia junto dos trabalhadores dos departamentos de HST, Planeamento e Engenharia», a «não entrega do relatório prometido com a identificação do responsável pelo descalabro sucedido no plenário de 31 de Dezembro de 2018», a «não resolução das regras do dia de sobreposição do horário em vigor (M/T)» ou o «não cumprimento da lei em vigor sobre os dias seguidos de férias e não cumprimento da cláusula do acordo de Maio 2017 sobre a entrega do mapa de férias no dia 1 de Dez de cada ano», são outros dos fundamentos para o lançamento deste novo pré-aviso de greve.

Dispositivo consegue remover quase 100% do sal da água do mar com energia solar

Cientistas da Universidade Monash, na Austrália, desenvolveram um dispositivo que consegue remover quase 100% do sal da água do mar usando energia solar.


Encontrar formas baratas e práticas de remover o sal da água do mar pode ajudar a salvar cerca de 844 milhões de pessoas espalhadas pelo globo que não têm acesso regular a água potável. De acordo com o Science Alert, cientistas descobriram uma forma de o fazer.

Usando um disco minúsculo feito de papel de filtro super-hidrofílico, revestido com nanotubos de carbono para absorver a luz, a nova técnica funciona apenas com a luz solar, mas também é capaz de remover quase 100% do sal do líquido original.
A nova abordagem, explicada num estudo publicado no final de abril na revista Energy & Environmental Science, é baseada num método tradicional: aquecer a água até que esta vaporize e capturar isso, deixando o sal e as outras impurezas para trás.
Para transformar a água em vapor utilizando a energia do Sol, é necessário usar materiais térmicos solares para converter eficientemente essa energia em calor. Porém, se esses materiais forem cobertos por cristais de sal da água que se evapora, todo o processo pode correr mal.
Felizmente, o novo método conseguiu resolver esse problema com sucesso, mantendo uma taxa constante de evaporação da água à medida que os sais são colhidos e removidos do processo, para evitar que reduzam a sua eficiência.
Segundo o mesmo site, este é um método barato, prático e eficaz. Além disso, como é alimentado pela luz solar, os dispositivos que usam esta técnica podem ser particularmente úteis em lugares sem acesso confiável à eletricidade.
“Os resultados do nosso estudo avançam um passo em direção à aplicação prática da tecnologia de geração de vapor solar, demonstrando um grande potencial em dessalinização da água do mar, recuperação de recursos de águas residuais e zero descarga líquida”, afirma o engenheiro químico Xiwang Zhang, da Universidade Monash, na Austrália.
“Esperamos que esta investigação possa ser um ponto de partida para futuras pesquisas sobre formas energeticamente passivas de fornecer água limpa e segura para milhões de pessoas, iluminando o impacto ambiental de resíduos e recuperando recursos de resíduos”.

Em declarações ao site New Atlas, Zhang explicou que o novo dispositivo é capaz de produzir entre a seis a oito litros de água limpa por metro quadrado da área de superfície por dia. O próximo passo é aumentar essa taxa de produção.

O bacalhau do mar do Norte está a desaparecer

Organização não governamental diz que a população daquela espécie de bacalhau diminui drasticamente e que a sua pesca já não é sustentável.

Corte a cebola em rodelas, esmague os dentes de alho. Refogue em azeite. Com o bacalhau já cozido e desfiado, junte-o à mistura. Deixe estar tudo ali a fritar um bocadinho. Acrescente as batatas-palha e misture bem. Está mesmo a chegar ao fim da receita. Bata os ovos e despeje na frigideira. Reveja o sal e a pimenta. Desligue o lume (não deixe secar, é esse o segredo). Salpique com salsa e azeitonas. Bem sabemos que hoje em dia já tudo se faz à brás mas e se nunca mais puder cozinhar ou comer o mais tradicional de todos os “à brás”: o bacalhau?

A população de bacalhau do mar do Norte diminuiu drasticamente, alertou o Conselho Internacional para a Exploração do Mar (Ices), a mais antiga organização intergovernamental do mundo. De acordo com a Ices, para que as espécies futuras não sejam prejudicadas, a pesca do bacalhau naquela zona do mundo deveria ser reduzida para dois terços (63%).

Os stocks de peixe são definidos com base na quantidade pescada no ano anterior. No caso do bacalhau, a quota tinha sido suficientemente baixa e, por isso, foi possível definir a quantidade atualmente permitida. No entanto, é demasiado alta e está a pôr em risco a espécie. “Apenas recentemente o mar do Norte recuperou de uma sobrepesca histórica. Foi conseguido através de quotas de pesca restritas, limitando os riscos e começando a neutralizar o impacto da pesca de arrasto em algumas áreas chave.

Em contraste, na costa oeste, na costa escocesa, a população de bacalhau está a colapsar há uma década”, alertou ao jornal “The Guardian” Phil Taylor, responsável pela Open Seas, uma organização escocesa de defesa do oceano. “À procura de lucros a curto prazo, os políticos não cumpriram ou não estão cumprir muitas das medidas de recuperação. As quotas de pesca do bacalhau do mar do Norte foram 20% inferiores àquilo que foi aconselhado pelos cientistas.”

No entanto, esta população de bacalhau está classificada pela Marine Stewardship Council (MSC), uma organização sem fins lucrativos que estabelece padrões de pesca sustentável, como uma espécie “sustentável”. Ou seja, pode ser pescada.

“A MSC precisa urgentemente de rever e reavaliar a certificação para esclarecer os consumidores que neste momento estão às escuras. Atualmente, todo o sistema falha a dar garantias ao consumidor”, defendeu ainda Taylor, da Open Seas.

Só final do mês, as recomendações da Ices vão ser analisadas pela MSC. E, a confirmarem-se as conclusões daquele organismo, a certificação atribuída de que é sustentável pescar o bacalhau do mar da Noruega vai ser rescindida. Quer o consumidor, quer algumas grandes empresas de distribuição dependem desta certificação para a aquisição do produto. Uma certificação que agora é posta em causa.

“A MSC está empenhada em reconhecer e recompensar as pescas sustentáveis através do nosso rigoroso programa de certificação”, disse ao “Guardian” Erin Priddle, diretor do programa da MSC no Reino Unido e Irlanda.

O bacalhau do mar do norte ganhou o crachá de sustentável em 2017.

"Portugueses são fundamentais no maior porto comercial dos EUA"

Os portugueses e lusodescendentes são “fundamentais” na actividade do maior porto de pesca comercial dos Estados Unidos da América, declarou, em entrevista à Lusa, o autarca da cidade de New Bedford, Jonathan Mitchell.

Cidade costeira situada 90 quilómetros a sul de Boston, com uma população de 100 mil habitantes, da qual quase 40% é de sangue português, New Bedford detém o maior porto de pesca comercial dos Estados Unidos, com acesso directo ao oceano Atlântico.

Segundo a Autoridade Portuária, as vendas diretas ascendem, anualmente, a 61.000 toneladas de peixe, no valor de 322 milhões de dólares (290 milhões de euros).
Com mais de 6.800 trabalhadores directos e mais de 40.000 trabalhadores em negócios derivados, as actividades económicas relacionadas com o porto de New Bedford produzem mais de 11.100 milhões de dólares (quase 10.000 milhões de euros).
Jonathan Mitchell, ‘mayor’ da cidade, atribui o sucesso comercial marítimo ao conhecimento e ‘know-how’ de vários grupos imigrantes, dos quais os portugueses – e em particular açorianos – se destacam.
Os imigrantes provenientes de Portugal e todos os lusodescendentes que vivem na cidade “têm sido fundamentais em tornar New Bedford no porto de pesca primário na América”, defendeu o autarca.
“Uma das principais razões por que temos sido tão bem-sucedidos é o contributo da comunidade portuguesa”, disse Mitchell em entrevista à Lusa, descrevendo a cidade que acolhe imigrantes portugueses há 150 anos.
Apesar de não partilhar dados certos quanto às nacionalidades dos membros dos negócios marítimos sediados em New Bedford, o ‘mayor’ considerou que os portugueses são “provavelmente a maior etnicidade da frota de pesca” daquele que é o maior porto comercial dos EUA.
actividade piscatória de New Bedford tem aumentado significativamente em anos recentes, segundo o ‘mayor’, que explicou que a diminuição da quantidade de peixe nas águas provoca o encerramento de vários portos menores e a mudança de embarcações para New Bedford.
“Em muitos lugares há portos que têm sido encerrados ou reduzidos como resultado de menos peixe e muitas embarcações desses lugares estão a vir para New Bedford. Estamos a viver um aumento significativo”, explicou Jonathan Mitchell à Lusa.
Para além do porto, New Bedford vive de muita cultura e gastronomia portuguesa, o que se pode verificar em museus de património madeirense e açoriano, restaurantes de comida típica portuguesa ou eventos e festas.
“A nossa comunidade portuguesa”, acrescentou o governante, “tem contribuído há 150 anos de inúmeras maneiras. (…) As gentes portuguesas estão em todas as camadas sociais na nossa cidade, em posições de liderança tanto na política como no negócio”.
A comunidade de lusodescendentes traz autenticidade a New Bedford, garantiu o ‘mayor’.
“Vivemos na América onde há tanta mesmice; o mesmo tipo de autoestradas e ramais de acesso que levam às mesmas cidades, casas e centros comerciais que se podem encontrar em qualquer lado nos Estados Unidos”, descreveu o autarca.
“New Bedford é muito diferente, muito autêntica, e um grande elemento dessa autenticidade é a herança portuguesa”, concluiu Jonathan Mitchell.
Os pescadores açorianos constituíram a primeira vaga da imigração portuguesa na cidade de New Bedford a partir dos anos 1870.
No século XIX, New Bedford era um centro mundial da indústria baleeira (caça à baleia), para o qual os imigrantes açorianos contribuíram muito.
Já no século XX, a indústria baleeira começou a desaparecer, mas a pesca comercial passou a ter mais concentração, movida pelos imigrantes portugueses, irlandeses e noruegueses.
A segunda vaga da imigração portuguesa em New Bedford deu-se quando a indústria têxtil estava a florescer, nos anos 1920, numa altura em que 70 fábricas de algodão empregavam mais de 41.000 trabalhadores.
A imigração portuguesa em New Bedfordteve ainda uma terceira fase nos anos 1960.
Os habitantes locais também sabem que nos anos 1957 e 1958 deu-se uma grande erupção vulcânica nos Açores que obrigou a viagem de um grande número de refugiados portugueses aos EUA, auxiliada por legislação do Congresso americano.
Jonathan Mitchell disse que depois da erupção vulcânica no arquipélago, começou uma nova vaga de imigração que se estendeu até aos anos 1980 e isso “trouxe nova vida a New Bedford, especialmente dos Açores”.

Entre o mar e o laboratório procuram-se novas soluções para a saúde e a alimentação

Algas, espinhas ou membranas de peixes estão a ser levadas do mar para o laboratório para criar próteses, componentes de medicamentos ou cosméticos, no âmbito de um projecto ibérico.

Foi com o intuito de perceber se a valorização de subprodutos de origem marinha poderia vir a ter impacto no desenvolvimento da indústria farmacêutica, da indústria alimentar e da medicina regenerativa do Norte de Portugal e da região da Galiza que surgiu o projecto CVMar+i.
Iniciado em junho de 2017, este projecto ibérico, que integra o Programa de Cooperação INTERREG V-A Espanha-Portugal (POCTEP), tem vários objectivos traçados, mas todos seguem o mesmo princípio: o aproveitamento dos recursos marinhos tirando partido de compostos que, atualmente, representam “possibilidades inesgotáveis por descobrir”.
Quem o afirma é Tiago Silva, um dos dez investigadores que integram a equipa do 3B`s Research Group da Universidade do Minho, entidade coordenadora do projeto. Em declarações à Lusa, explicou o quanto o CVMar+i pode vir a ter “impacto na economia real” e “ajudar a desenvolver socioeconomicamente” a região transfronteiriça.
“A ideia é nós termos colaborações quer entre os grupos portugueses e espanhóis, quer entre a academia e o tecido empresarial, sem haver distinção de geografia ou de áreas de negócio e de trabalho”, disse, adiantando que o objetivo passa também por “fortalecer as empresas e promover o aparecimento de novas empresas que possam explorar novas áreas de negócio”.
O CvMar+i, financiado em 3,2 milhões de euros, é, segundo Tiago Silva, o resultado da “maturação” das linhas de investigação que têm vindo a ser desenvolvidas dentro desta temática desde 2006 por vários parceiros ibéricos, desde centros de investigação, passando por universidades e até empresas.
No total, são 17 os parceiros envolvidos nesta colaboração transfronteiriça, que visa o desenvolvimento de 11 linhas de investigação em áreas tão distintas como a medicina regenerativa, a indústria alimentar e a indústria cosmética.
De acordo com Tiago Silva, o 3B`s Research Group está a trabalhar em três linhas de pesquisa ligadas à medicina regenerativa: na criação de estruturas tridimensionais que podem vir a ser “a nova geração de próteses vivas”, no aproveitamento de polissacarídeos de algas que podem ser utilizados nas forragens para encapsular células (medicamentos) e na verificação de compostos de algas que podem ter atividade anticancerígena.
É nesta última linha de investigação que surge a colaboração com o Centro Interdisciplinar de Investigação Marinha (CIIMAR) da Universidade do Porto, a entidade responsável por cultivar, extrair e isolar os compostos das microalgas e cianobactérias que podem vir a auxiliar na “luta contra o cancro”.
Em entrevista à Lusa, o presidente do CIIMAR, Vitor Vasconcelos, adiantou serem já “promissores” os resultados obtidos, esperando vir a ter no final deste projeto “um novo produto desenvolvido a partir de micro-organismos de origem portuguesa”.
“Estes biorrecursos podem ter um impacto extraordinário porque, por um lado, nós temos uma riqueza de diversidade de organismos marinhos que ainda estão pouco estudados e, por outro, podemos vir a descobrir novas moléculas que terão uma valorização económica muito grande”, referiu.
Além desta linha de investigação, o CIIMAR está a trabalhar no desenvolvimento de “moléculas antibiofilmes”, para travar uma forma física de crescimento de bactérias que leva a infeções difíceis de tratar. Nas indústrias alimentar e marinha, o impacto pode ser significativo.
É também com o intuito de detectar “a concentração de determinadas espécies químicas” e monitorizar o ambiente que o Centro de Investigação em Química da Universidade do Porto (CIQUP) está a aproveitar as espinhas e membranas de peixes para criar sensores ópticos. Até ao momento, os resultados são “bastante promissores”.
“O objectivo é a preparação de sensores óticos, também chamados de opto-sensores. Neste caso, isto traduz-se em obter membranas que terão um comportamento óptico, ou seja, neste caso, que mudarão de cor ao entrarem em contacto com determinadas espécies químicas e com a concentração dessas espécies químicas”, referiu Manuel Augusto Azenha, um dos coordenadores da investigação.
Deste projecto ibérico, que termina oficialmente em dezembro, resultam já vários protótipos – próteses metálicas de “melhor desempenho”, extratos com potencial farmacêutico contra o cancro e compostos bioativos que se vão “mostrando interessantes” para a área alimentar e cosmética e se podem vir a tornar em novos alimentos ou formulações cosméticas.
Contudo, o objectivo do 3B`s Research Group passa agora por “prolongar por seis meses a extensão” do CVMar+i, adiantou à Lusa Tiago Silva, afirmando que um dos maiores desafios do projecto se prende com o “tamanho reduzido da indústria e empresas biotecnológicas da região”.
“Nós queremos contribuir para o fortalecimento desse investimento, mas é um investimento que é difícil porque depende da quantidade de investimento financeiro associado às empresas ou à sociedade em geral, que na nossa região não é particularmente relevante, mas que nós esperamos conseguir fortalecer”, concluiu.
Além do 3B`s Research Group, do CIIMAR e do CIQUP, o projecto tem como parceiros nacionais a Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP), a Escola Superior de Biotecnologia da Universidade Católica, a aStemmatters, a Smart Inovation e a Sarspec.
Do outro lado da fronteira, o CVMar+i conta com a colaboração da Universidade de Vigo, da Faculdade de Farmácia da Universidade de Santiago de Compostela, do Instituto de Investigaciones Marinas, do Centro Tecnológico del Mar da Fundação CETMAR, da DevelopBiosystem, da BETA Implants, da Iuvenor Labs e da Bialactis Biotech.

Nova petição para criar comissão parlamentar das Políticas do Mar

A recolha de assinaturas para uma nova petição com o objetivo de constituir, a partir da próxima legislatura, uma comissão parlamentar permanente para as Políticas do Mar foi lançada ‘on-line’ na passada terça-feira, durando até depois das eleições legislativas de outubro.

ideia é assim retomada pelo ex-deputado do CDS-PP José Ribeiro e Castro que já em 2011 lançou, juntamente com outras personalidades, uma petição pública com o mesmo objectivo.
“A comissão parlamentar para as Políticas do Mar constituirá um grande passo em frente na questão da coerência das políticas do mar e um enorme avanço na superação de um estrangulamento estrutural e estratégico para o futuro de Portugal”, pode ler-se no texto da petição, a que a agência Lusa teve acesso.
A recolha ‘on-line’ de assinaturas, segundo informação de Ribeiro e Castro, vai durar “até uma ou duas semanas depois das eleições de 6 de outubro”.
Além do ex-deputado centrista, são primeiros subscritores o director da Revista da Marinha, Almirante Henrique Alexandre da Fonseca, o presidente executivo da Fundação Oceano Azul, Tiago Pitta e Cunha, e o presidente da Confraria Marítima de Portugal, Almirante António Bossa Dionísio.
“Esta ideia, com amplo apoio dos sectores ligados às políticas do mar, já foi apresentada nas duas legislaturas anteriores. Em 2011/2015, os peticionários foram recebidos numa comissão parlamentar, onde puderam aprofundar e discutir a ideia. Foi decidido criar um grupo de trabalho a título experimental, mas este nunca chegou a ser constituído”, refere Ribeiro e Castro.
Já na legislatura que agora termina, segundo o antigo deputado, considerou-se que “não havia condições para criar uma nova comissão permanente e optou-se pela mudança de denominação da comissão de Agricultura e Pescas para comissão de Agricultura e do Mar”.
Porém, esta denominação é meramente ilusória e não responde minimamente àquilo que se pretende e que corresponde à grande importância do mar como grande responsabilidade do país e grande recurso estratégico nacional”, explica.
No texto da petição que pode ser subscrita desde da passada terça-feira, pede-se ao presidente da Assembleia da República, aos líderes dos grupos parlamentares e à Conferência de Líderes que “promovam a constituição da comissão parlamentar para as Políticas do Mar, como uma das comissões parlamentares permanentes na XIV legislatura, com início ainda no ano de 2019”.
“Uma comissão parlamentar para as Políticas do Mar será a sede política permanente da visão de conjunto e de uma contínua reflexão abrangente sobre o mar português”, defende o texto.
Entre as vantagens adicionais da existência de uma comissão permanente para esta área estão, de acordo com a petição, a “grande visibilidade para a opinião pública” e o facto de convidar “todos os partidos parlamentares a participarem continuamente na definição, no acompanhamento e na afinação das políticas do mar, assim tornadas verdadeiramente em política nacional”.
“A própria dialética maioria/oposição ajudará o governo a implementar o dinamismo e a coerência que se buscam quanto às políticas públicas para o mar”, acrescenta, salientando ainda que a “comissão parlamentar permanente permitirá assegurar continuidade na estratégia nacional para o mar, de legislatura em legislatura, para além da alternância democrática nas maiorias e no governo”.

Tartaruga Quinas já tem data de regresso ao Mar

A Tartaruga-de-couro, de nome Quinas, resgatada no passado dia 20 de junho, na Meia Praia em Lagos, esteve a ser reabilitada no Porto D’Abrigo – Centro de Reabilitação do Zoomarine e vai ser devolvida ao mar no próximo dia 7 de agosto.

Segundo Élio Vicente, biólogo do Zoomarine, “foi lançada uma plataforma online que não é gerida pelo Zoomarine, mas sim por três pessoas que vivem em Lisboa, para fazer uma recolha de fundos para patrocinar a oferta ao Zoomarine, ao Quinas, de um aparelho de satélite para fazer o acompanhamento dele quando voltar ao mar”.
“O grupo destas três pessoas estava cá no Algarve precisamente dois dias depois do Quinas ter chegado, viram o animal, ficaram sensibilizados e fizeram essa proposta ao Zoomarine, que obviamente colaborou com eles”, explica.
O responsável recorda que “em 2009 já fizemos um projeto do género com três tartarugas que mandámos ao mar, que se chamava “Operação Regresso Adiado”.
As pessoas vão poder acompanhar o percurso do animal
Através desta tecnologia, “as pessoas podem acompanhar online o percurso do animal, pois são criados mapas interativos em tempo real”, sendo que “sabemos exatamente onde é que o animal está, a que velocidade nadou, a que profundidade mergulhou, se está a nadar a favor ou contra a corrente, a temperatura à superfície e dos sítios onde ele mergulha, etc”, explica o biólogo.
A campanha chama-se “Mãos ao Mar, vamos acompanhar o Quinas na viagem da sua vida”.
A tartaruga Quinas vai ser devolvida ao mar no próximo dia 7 de agosto. A operação vai contar com a colaboração do Zoomarine e da Marinha Portuguesa.   

Primeiro parque eólico flutuante em Portugal já arrancou. Estará concluído até ao fim do verão

O Windfloat Atlantic, o primeiro parque eólico offshore em Portugal, já está a avançar. Arrancou a montagem da primeira turbina do parque eólico, no cais do porto de Ferrol em Espanha, devendo a primeira das três torres do projecto eólico chegar ao destino final, costa de Viana do Castelo, até ao final deste verão.

Esta central eólica flutuante pertence ao consórcio Windplus, detido conjuntamente pela EDP Renováveis (54,4%), ENGIE (25%), Repsol (19,4%) e Principle Power (1,2%). Segundo a EDP, “é um marco importante para o projeto WindFloat e para o sector da energia eólica offshore, dado tratar-se da maior turbina alguma vez instalada numa plataforma flutuante”.
O parque eólico será composto por três turbinas eólicas e serão montadas em plataformas flutuantes ancoradas no fundo do mar, a uma profundidade de 100 metros. Estas turbinas vão fornecer ao complexo uma capacidade total de 25 MW, o que equivale à energia consumida por 60 mil casas no período de um ano.
É a primeira instalação eólica marítima em todo o mundo que não exige o uso de equipamentos pesados de elevação em alto-mar. “Esta tecnologia possui enormes vantagens que a tornam mais acessível e económica, incluindo a sua montagem através de gruas terrestres convencionais em terra firme (no porto) e a utilização de métodos de transporte marítimo comuns, tais como rebocadores, em vez de embarcações de instalação offshore dispendiosa”, refere a EDP em comunicado.

Primeiro boto-branco ibérico tem visitado as praias do Porto e de Matosinhos

O primeiro boto-branco de que há registo na Península Ibérica tem visitado as praias do Porto e de Matosinhos. Além de ser bastante “sociável”, os pescadores acreditam tratar-se de uma fêmea, por já o terem avistado com uma cria.

Gaspar, nome que as investigadoras do Centro Interdisciplinar de Investigação Marinha (CIIMAR) Agatha Gil e Mafalda Correia deram ao primeiro boto-branco a ser avistado na Península Ibérica, visitou pela primeira vez as águas da foz do rio Douro em 2017, no Porto.

“Um dia fui ver o pôr-do-sol na Foz e foi quando vi algo branco na água. Inicialmente achei que fosse um plástico, mas começou a aproximar-se. Cheguei até a pensar que fosse um tubarão e só depois percebi que, afinal, era um golfinho”, contou Agatha Gil. Em declarações à Lusa, a investigadora explicou que, desde então, o Gaspar é considerado um animal leucístico (por ter uma coloração anómala da cor) e tem vindo a ser monitorizado pela equipa de investigadores do CIIMAR, com sede em Matosinhos, no âmbito do projecto CETUS.

“O Gaspar tem um comportamento bastante peculiar, porque é o único que se aproxima menos de cinco metros da praia do Molhe, no Porto, e está sempre a brincar com peixe”, contou, adiantando que o animal é maioritariamente de cor branca, tendo apenas algumas pintas pretas no dorso e um pequeno corte na barbatana dorsal. Mafalda Correia afirmou que, apesar das investigadoras ainda não terem a certeza, os pescadores da zona afirmam que o golfinho“deve ser uma fêmea”, uma vez que já o avistaram acompanhado por uma cria.

Apesar de existirem registos de animais leucísticos na Califórnia (Estados Unidos da América) e em Inglaterra, o Gaspar é o primeiro animal com estas características a ser registado na Península Ibérica. “Estamos sempre em contacto com os especialistas que trabalham com estes animais. Um dos especialistas é da Califórnia e quando viu as fotos do Gaspar disse-nos que é o animal leucístico mais bonito do mundo”, salientou a investigadora.

O projecto CETUS, desenvolvido desde 2012 por uma equipa de quatro investigadores do CIIMAR e realizado em parceria com a empresa TransInsular e o Instituto Hidrográfico, tem vindo a recolher informações sobre a distribuição e abundância de cetáceos em áreas remotas e pouco estudadas, como é o caso das águas do norte de Portugal e a região da foz do rio Douro. Além da costa portuguesa, a equipa monitoriza também a região da Macaronésia (arquipélago dos Açores, Madeira, Canárias e Cabo Verde) com o objectivo de recolher dados sobre golfinhos e baleias de modo a conseguir determinar a sua abundância na região do oceano Atlântico.

Desde 2012, os investigadores já conseguiram identificar mais de 27 espécies, sendo que 20 espécies de golfinhos visitam frequentemente a costa portuguesa, sendo a espécie mais abundante o “golfinho comum”. Todos os anos, voluntários de vários países juntam-se à equipa de investigadores para embarcarem em navios de carga para a missão e registarem as diferentes espécies.

Segundo Mafalda Correia, o grupo conta este ano com cinco voluntários da Austrália, Escócia, Espanha e Inglaterra.